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ainda há vida para o cds?

25 Outubro, 2019
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índice1Desde que Francisco Lucas Pires se demitiu da liderança do CDS, o partido deixou de pensar. Lucas Pires tentou encaminhá-lo no sentido de um liberalismo europeísta, simultaneamente moderno e conservador, mas entendeu que falhou e demitiu-se. O Clube de Ofir, que foi, aliás, o único verdadeiro think tank da direita portuguesa desde sempre, fechou portas, e o CDS voltou a remeter-se à ignorância.

Faria uma nova tentativa com Paulo Portas e O Independente, que foi o verdadeiro projecto político da refundação a dois, com Manuel Monteiro e o director desse jornal. Portas formou uma pequena legião de novos dirigentes, todos, ou quase, com tarimba no seu jornal e no seu modo repentista e carismático de fazer política. Mas, para além do “projecto” de pôr termo ao cavaquismo, não houve nunca um rumo político-ideológico para o partido de Portas, que girava, qual satélite de Saturno, em sua órbita: o que ele dissesse e fizesse estaria bem feito e bem dito. Com Portas, o CDS voltou a ser um partido de poder, mas sem que soubesse, ao certo, o que fazer com o poder que tinha. Como, de resto, se percebeu muito bem na passagem que teve pelos governos de Barroso e Passos Coelho.

Hoje, sem líder mediático, com tropas envelhecidas, sem dirigentes habilitados para dirigir o que, de resto, também já não existe, e com a concorrência – que será implacável – do Chega e do IL, o CDS ou começa rapidamente a pensar, e a fazer pensar os portugueses, ou está condenado à extinção.

Tem dois anos para o fazer. Ou para desaparecer.

3 comentários leave one →
  1. lucklucky permalink
    26 Outubro, 2019 01:23

    É isso,

    Mas falta o mais importante. O CDS é outro partido socialista mascarado. Com o tempo as pessoas apercebem-se do que acontece quando o PSD e CDS têm poder.

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  2. Duarte de Aviz permalink
    26 Outubro, 2019 03:59

    Mas o que há de errado na “morte” (digamos assim) de um partido?
    O partido comunista da União Siviética era bem melhor. Quando as ideias não têm seguidores ou os dirigentes são incapazes a morte é uma coisa expectável e natural.
    Desde o PPD até ao Chega, os votantes do defunto CDS têm muito para onde ir.
    And teh caravan goes on.

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  3. MJRB permalink
    26 Outubro, 2019 13:46

    Óptimo e certeiro post, Rui A.

    O CDS-PP e o PSD já estão à deriva na travessia do deserto sem fim nem água sem micróbios à vista. Com a agravante de não terem líderes galvanizantes e agregadores e sem bússula, tirada pelo MCThomaz, AC-DC, eleitores, e pela comunicação social.
    Se não surgir –duvido que surja– nos próximos cinco, seis anos (as legislativas ainda com o P”S” na governança serão em 2027) no PSD e no CDS inesperados líderes intelectual, política e culturalmente tipo Sá Carneiro e FLucas Pires, a Direita e Centro-direita estão feitos…
    Acresce que a sociedade, praticamente toda, está bem diferente entre Legislativas e Europeias (graus etários, culturas, comportamentos, esperanças de vida, “vinganças” no voto, abstenção, influência da comunicação social, etc.) e o eleitorado é já bastante volátil.

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