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O Clima e alterações científicas

11 Março, 2026

Na lucidez dos seus quase 96 anos, José Rentes de Carvalho recordou há dias um dos mais proeminentes e extraordinários cientistas do século XX, o físico teórico Freeman Dyson, falecido em 2020. Apesar dos seus valiosíssimos contributos na área da física quântica, matemática e cosmologia, Dyson tornou-se conhecido do grande público pelas suas opiniões desalinhadas no debate sobre o clima.

Dyson observou que grande parte dos cientistas que expressavam dúvidas ou reservas sobre narrativa dominante a propósito das alterações climáticas eram frequentemente pessoas mais velhas. Explicou esse facto com a circunstância de os cientistas mais velhos serem financeiramente independentes, não dependerem de bolsas, financiamento, nem estarem necessitados de progressão na carreira, tornando-os, portanto, mais livres nas suas análises e opiniões.

Se já era verdade no tempo de Dyson, hoje existe muito mais financiamento e poder político associado ao tema das alterações climáticas. O assunto mobiliza tanto dinheiro, tanta política e tanta atenção mediática, que se cria inevitavelmente uma rede de interesses e incentivos que subverte o método científico, a racionalidade analítica e a ponderação intelectual.

A verdade é que quanto maior for o medo público acerca das alterações climáticas, maior o financiamento e o poder das instituições que trabalham nesse tema. E como a comunidade científica é composta por seres humanos, estes respondem consciente e inconscientemente a incentivos institucionais para o afunilamento de opinião.

Por isso, devemos ter cuidado quando a ciência é apresentada como consenso obrigatório, ou quando o debate é encerrado por apelo à autoridade. A ciência climática produz modelos e probabilidades, não certezas absolutas. A ciência não é uma democracia e a verdade científica não se decide por votação.

E mesmo que os modelos climáticos estivessem corretos, isso não determinaria qual a política pública mais racional eventualmente a adoptar, nem as que produzem o maior benefício humano ao menor custo. E convém não esquecer que também há efeitos positivos das alterações climáticas, curiosamente ignorados nas discussões públicas sobre o tema.

Se em vez de ver negacionistas em cada esquina tivéssemos uma postura anti-dogma, talvez fosse mais perceptível ao grande público que as políticas climáticas radicais podem causar mais danos económicos do que benefícios para o clima e que o crescimento económico e a tecnologia são a melhor estratégia de adaptação à Natureza.

A minha crónica-vídeo de hoje, aqui:

8 comentários leave one →
  1. Henrique Almeida's avatar
    Henrique Almeida permalink
    12 Março, 2026 12:31

    Tal e qual. Mudanças climáticas sempre houve e haverá na escala geológica, que é diferente da escala civilizacional. Se as actuais mudanças se devem à mão humana é questão não esclarecida, mas o financiamento mainstream tende a forçar o sim.

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  2. Mário Marques's avatar
    Mário Marques permalink
    12 Março, 2026 16:15

    Actualmente o clima é um negócio e um meio para condicionar as massas, é um negócio para quem se move nos meandros da política e está alinhado com o regime que tomou o poder, regime(s) esse utiliza esse medo para condicionamento das massas, porque o ser humano tem medo do que não controla e pouco sabe sobre o assunto, nem quer saber. Tudo isto ao sabor do mantra de que vivemos em democracia, seja lá o que isso for, desde que seja politicamente correcto e, tenha o carimbo produto biológico.

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  3. balio's avatar
    balio permalink
    12 Março, 2026 16:59

    mesmo que os modelos climáticos estivessem corretos

    O Telmo está a sugerir que não estão?

    Eu não tenho conhecimentos científicos que me permitam asseverar tal coisa e penso que o Telmo também não tem. Nestas condições, acharia prudente não fazer tal sugestão.

    Os modelos climáticos são feitos por físicos, matemáticos e cientistas de computação, que tendem a ser dos melhores e mais sérios cientistas que há. Tenho dúvidas que os falsifiquem propositadamente.

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  4. josé Valeriano's avatar
    josé Valeriano permalink
    12 Março, 2026 18:38

    As alterações climáticas são um negócio como outro qualquer desde que o ESTADO saque aquilo que poder no seu máximo.

    Aqui no Alentejo as pessoas que tenham o mínimo de seriedade sente estas alterações, mas não pelo climo mas sim pelos milhares de hectares de painéis espalhados por essas herdades.

    Só pensar que em dias de 43 44º ao incidirem nesses painéis os mesmos atingem temperaturas brutais que depois são emitidas na atmosféra.

    Quando se dá esse processo a temperatura terá que aumentar isso é natural e depois ainda defendem este tipo de energia.

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    • balio's avatar
      balio permalink
      13 Março, 2026 09:46

      Qualquer casa ou outra estrutura humana faz o mesmo efeito que os painéis solares: absorve o calor do sol, que depois re-emite para a atmosfera.

      Se fosse para impedir tal efeito, então não se deveria construir qualquer casa no Alentejo.

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    • balio's avatar
      balio permalink
      13 Março, 2026 11:50

      Se há milhares de painéis solares espalhados pelas herdades alentejanas, isso é provavelmente porque é rentável tê-los lá. É provavelmente porque o preço ao qual eles produzem eletricidade é competitivo com o de outras formas de a produzir.

      Trata-se, que eu saiba, de um negócio não subsidiado. Ao contrário da produção de vacas que é feita noutras herdades alentejanas, a qual somente é rentável devido à choruda subsidiação da União Europeia.

      Assim como assim, prefiro que o Alentejo produza eletricidade sem subsídio do que vacas subsidiadas.

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      • Mário Marques's avatar
        Mário Marques permalink
        13 Março, 2026 14:11

        Sim, num mundo ideal seria assim, mas estamos longe disso. Faz sentido abater árvores (com todo o prejuízo da biodiversidade existente) para plantar painéis solares, que são altamente poluentes (daí serem sobretudo fabricados na China). Painéis esses que segundo os especialistas sofrem “escaldões” frequentes tais que vão afectar a sua longevidade, e no fim só uma parte do tempo é que são rentáveis, dependendo do local onde foram plantados, da altura do ano e que eu saiba da hora solar.

        Um mistério que não encontro explicação, é o das organizações ambientais, activistas e quejandos estarem calados e não se oporem à destruição do ambiente, ou quando o fazem têm iniciativas muito tímidas?. Não acha?. Veja o exemplo da Quinta da Torre Bela, um crime!.

        Por outro lado diz que este é um negócio não subsidiado, não creio que seja verdade, se eu quiser instalar uns painéis solares na minha moradia (que não existe) eles são subsidiados, como aconteceu com um familiar próximo. E se eu posso ser subsidiado o “Lobby Verde” não?. Outro mistério é para onde vão os impostos que pagamos e que se destinam à pretensa captura de CO2, será que andamos a querer substituir o que a natureza faz gratuitamente por uma invenção do homem, ou será que andamos a pagar para subsidiarmos ideias mirabolantes para construir um mundo artificial? O que é ridículo.

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  5. josé Valeriano's avatar
    josé Valeriano permalink
    13 Março, 2026 18:46

    Claro que é um bom negocio, a energia por elas produzidas é paga a cerca de 330€ MW/H ao produtor e depois é comercializada ás populações a cerca de 36€ MW/H.

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