Saltar para o conteúdo

A Direita pede desculpa por Elon Musk

1 Julho, 2026

A notícia de que Elon Musk se tornou o primeiro trilionário da História desencadeou uma previsível vaga de indignação, mas surpreendeu ver parte dessa indignação partir da direita política.

A dimensão da fortuna não é, por si só, um problema. No caso de Musk, a riqueza foi criada porque consumidores compraram os seus produtos, investidores apostaram nas suas empresas e os mercados valorizaram a sua capacidade de inovar. A sua fortuna não resulta de uma transferência coerciva de riqueza, mas da soma de milhões de decisões pessoais livres.

Diz-se que os ricos devem “devolver à sociedade aquilo que a sociedade lhes deu”. Ora, a sociedade remunera o empresário por ter criado valor. Não lhe oferece nada. Cada automóvel vendido, cada lançamento espacial contratado, cada ligação à Internet disponibilizada representou uma troca voluntária em que ambas as partes ganharam. O empresário só enriquece se servir a sociedade melhor do que os seus concorrentes.

Por isso, além de desvalorizar tudo o que já foi criado através da inovação, do investimento, do emprego e do progresso tecnológico, transformar a filantropia numa obrigação é torná-la amoral, pois só o que é voluntário tem virtude.

Mas ver sectores da direita adoptarem o proselitismo barato e indigente da esquerda é inquietante. Uma direita que abandona a defesa da liberdade económica para discutir qual a dimensão da fortuna que é “aceitável”, qual é o lucro “justo” ou quando a riqueza se torna “excessiva” é uma direita que aceita que o sucesso precisa de justificação moral, que a riqueza é por definição suspeita e que o lucro deve ser tolerado, mas apenas até certo ponto. É uma direita derrotada intelectualmente. É uma direita de esquerda.

Existir um trilionário não é um problema. O que preocupa é haver tão poucos à direita, a perceber e muito menos a saber explicar por que razão seria bom para todos termos mais ultra-ricos.

A minha crónica-vídeo de hoje, aqui:

3 comentários leave one →
  1. JgMenos's avatar
    JgMenos permalink
    2 Julho, 2026 01:52

    O que seja a Direita pouco vai além de dizer-se Não Esquerda.

    Seguramente haverá de poder definir-se.

    Suspeita-se, todavia, que tal não seja possível sem enunciar valores que definam o indivíduo, elemento tão central para a Direita quanto o abstracto ‘colectivo’ o é para esquerda.

    Mais temido ainda é o ter de erigir a desigualdade como irrecusável padrão de Direita, ainda que com submissão à universal aplicação da Lei, tão enraizada estão propagandeadas as demagógicas igualdades e identidades num sempre diferenciado universo.

    Gostar

  2. passante's avatar
    passante permalink
    2 Julho, 2026 21:27

    apenas até certo ponto

    Há precedentes. Os senadores romanos – os que glorificavam o “tiranicídio” de qualquer monarca e eram ciosos da sua liberdade mas não da dos seus escravos – evitaram durante algum tempo tornar o Egipto uma província, não por respeito à monarquia ptolomaica mas porque o governador romano do Egipto seria inevitávelmente demasiado rico.

    Gostar

Indigne-se aqui.