A Direita pede desculpa por Elon Musk
A notícia de que Elon Musk se tornou o primeiro trilionário da História desencadeou uma previsível vaga de indignação, mas surpreendeu ver parte dessa indignação partir da direita política.
A dimensão da fortuna não é, por si só, um problema. No caso de Musk, a riqueza foi criada porque consumidores compraram os seus produtos, investidores apostaram nas suas empresas e os mercados valorizaram a sua capacidade de inovar. A sua fortuna não resulta de uma transferência coerciva de riqueza, mas da soma de milhões de decisões pessoais livres.
Diz-se que os ricos devem “devolver à sociedade aquilo que a sociedade lhes deu”. Ora, a sociedade remunera o empresário por ter criado valor. Não lhe oferece nada. Cada automóvel vendido, cada lançamento espacial contratado, cada ligação à Internet disponibilizada representou uma troca voluntária em que ambas as partes ganharam. O empresário só enriquece se servir a sociedade melhor do que os seus concorrentes.
Por isso, além de desvalorizar tudo o que já foi criado através da inovação, do investimento, do emprego e do progresso tecnológico, transformar a filantropia numa obrigação é torná-la amoral, pois só o que é voluntário tem virtude.
Mas ver sectores da direita adoptarem o proselitismo barato e indigente da esquerda é inquietante. Uma direita que abandona a defesa da liberdade económica para discutir qual a dimensão da fortuna que é “aceitável”, qual é o lucro “justo” ou quando a riqueza se torna “excessiva” é uma direita que aceita que o sucesso precisa de justificação moral, que a riqueza é por definição suspeita e que o lucro deve ser tolerado, mas apenas até certo ponto. É uma direita derrotada intelectualmente. É uma direita de esquerda.
Existir um trilionário não é um problema. O que preocupa é haver tão poucos à direita, a perceber e muito menos a saber explicar por que razão seria bom para todos termos mais ultra-ricos.
A minha crónica-vídeo de hoje, aqui:


O que seja a Direita pouco vai além de dizer-se Não Esquerda.
Seguramente haverá de poder definir-se.
Suspeita-se, todavia, que tal não seja possível sem enunciar valores que definam o indivíduo, elemento tão central para a Direita quanto o abstracto ‘colectivo’ o é para esquerda.
Mais temido ainda é o ter de erigir a desigualdade como irrecusável padrão de Direita, ainda que com submissão à universal aplicação da Lei, tão enraizada estão propagandeadas as demagógicas igualdades e identidades num sempre diferenciado universo.
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https://expresso.pt/opiniao/2025-02-18-chega-a-ligacao-entre-direita-radical-e-homossexualidade-reprimida-ca31dbde
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Há precedentes. Os senadores romanos – os que glorificavam o “tiranicídio” de qualquer monarca e eram ciosos da sua liberdade mas não da dos seus escravos – evitaram durante algum tempo tornar o Egipto uma província, não por respeito à monarquia ptolomaica mas porque o governador romano do Egipto seria inevitávelmente demasiado rico.
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