aproveitou-a muito bem
A estratégia de Marcelo, que, aliás, explica boa parte da sua vitória, consistiu em recuperar o imaginário que existe sobre os primeiros presidentes da 1ª República, que passavam por homens comuns, que iam a pé para Belém, tomavam café sozinhos pelas redondezas do palácio, almoçavam por perto, não tinham carro oficial nem motorista, não abandonavam as suas raízes rurais, estavam distantes – e acima – dos jogos parlamentares e da baixa política, eram homens cultos e bastamente letrados, conciliadores e sensatos, e que prescindiam de uma vida privada de sucesso pelo serviço público. Como a 1ª República já está distante, esta é a imagem da ética republicana que sobejou desses tempos. Marcelo, conhecedor da história política do país, aproveitou-a muito bem.
Merecidamente
Desta noite, apenas tenho a manifestar a minha grande satisfação pela estrondosa e humilhante derrota de Jerónimo de
Sousa e do PCP. Obrigado Tino.
o novo partido do táxi

O Partido Comunista Português, inteligentemente canibalizado e digerido pelo Bloco de Esquerda.
A partir de hoje, ou o governo de António Costa e do Bloco tem os dias contados, ou o PCP será o novo partido do táxi.
eleições históricas
Estas eleições presidenciais foram históricas porque, pela primeira vez:
1º Os principais partidos – PSD, PS e CDS – não intervieram directamente na campanha;
2º O vencedor não precisou de prometer ao eleitorado o que sabia não poder cumprir. Em boa verdade, não prometeu coisa nenhuma, o que significa que entendeu que as pessoas já estão fartas de ser enganadas com falsas promessas;
3º O PCP gastou, na campanha, com o seu candidato, a verba mais alta de todos e ficou num lugar miserável;
4º Os dois candidatos mais votados são professores da Universidade de Lisboa.
Alguém sabe o número de telefone do Marques Mendes?
precisava de um certidão com urgência
o dia de hoje
Marcelo deve ficar no limiar da maioria absoluta, podendo consegui-la ou não. Se não a obtiver hoje dificilmente ganhará na segunda volta.
Sampaio da Nóvoa é o único verdadeiro challenger de Marcelo. As duas semanas de campanha correram-lhe muito bem e deram-lhe esperança. Se passar os 20% e chegar à segunda volta conseguirá uma vitória inesperada, que provavelmente lhe dará a vitória final.
Maria de Belém enterrou o que ainda sobrava do segurismo e do PS que não se rendeu a Costa. Vai ter uma derrota expressiva, que a poderá colocar mesmo em quarto lugar. Nem sequer se pode dizer que é história, porque nunca contou muito no PS e na esquerda.
Marisa Matias confirma que o Bloco é, definitivamente, um partido de senhoras muitíssimo revolucionárias. Marisa mitiga o esganiçanso indispensável a qualquer revolucionária que se preze com «sentimento» e «lágrimas». Uma receita infalível para continuar a enterrar eleitoralmente o PCP.
Edgar Silva: o emplastro destas eleições. A prova de que o PC ou muda rapidamente e deixa o PS a falar sozinho no governo, ou será o novo partido do táxi.
Paulo Morais: vai ter mais votos do que as sondagens e as expectativas gerais lhe dão.
O resto não conta.
Não há paciência
Observador: Os óscares ganharam agora outro foco além do cinematográfico propriamente dito. Trata-se da cor da pele e do sexo dos nomeados. Enfim o cinema é uma indústria e a indignação também e cada um faz nessas indústrias o que quer ou pode para ganhar a vida. Mas à liberdade dos senhores Will Smith e Spike Lee de dizerem e fazerem o que lhes apetece – nomeadamente o anúncio de que não participarão na cerimónia dos óscares por só terem sido nomeados actores no dizer deles caucasianos (confesso que no caso do Stallone após tantas operações e tanto botox nem consigo garantir que ele seja humano, quanto mais caucasiano ou asiático!) – corresponde o direito dos outros lhes responderem que boa parte do que dizem não passam de rotundas parvoíces.
Vá votar: escolha o diplomata da bancarrota
Apelo aos leitores para que hoje se dirijam à mesa de voto para escolherem um Presidente da República. Um qualquer, o que mais vos agradar para a mensagem de Ano Novo. Precisamos de alguém que seja simpático o suficiente para manter relações cordiais com as instituições que nos resgatarão quando o projecto de manter Costa como protagonista político redundar na catástrofe que socialistas imputarão à “crise internacional”, aquela que, prevendo acontecer, nunca será prevenida em nome da dignidade e semelhantes lérias. Pelos vistos, é prerrogativa da dignidade depender da vontade de estranhos.
Das expectativas…
«…dos 2.027 eleitores recenseados no Luxemburgo, tinham votado cerca de 80 pessoas, uma afluência que excedeu as expectativas (…)» (*)
Inês de Medeiros é a nova vice-presidente do Inatel
Ora, ora tem a ver com o culto das armas naquele país
com a legislação laxista, com o facto do presidente Obama não ter conseguido aprovar a sua legislação e com o peso dos lobbies reaccionários?
Polícia desconhece razões do tiroteio em escola do Canadá
Dirão que o tiroteio aconteceu no Canadá e não nos EUA. Isso também eu sei. Mas como esta explicação serve para tudo nos EUA também deve servir no Canadá. Ou não?
os homens providenciais
Uma das características da indigência nacional é a vocação histórica que temos para os chamados «homens providenciais», sendo que, de tempos a tempos, aparece mais um para nos salvar. A coisa filia-se no mito sebastianista e na velha lenda do Flautista de Hamelin, da qual temos uma versão patriótica mais brejeira, que é a anedota do «homem do apito» (os mais velhos recordar-se-ão). O nosso mais recente flautista é, nem mais, o Professor Mário Centeno, espírito clarividente e privilegiado, de quem os discípulos dizem coisas prodigiosas, realçando a excelência do seu curriculum académico aos incréus e blasfemos. Agora, imaginem lá quem são os ratos.

É queimá-los a todos, que o petróleo está barato
Como o petróleo está barato, vamos lá aumentar o imposto.
Assim, com uma explicação que prova que Centeno tem potencial para ser o melhor coveiro e entertainer da paróquia por longas e delirantes semanas, cá nos contentamos, graças a Deus, na nossa simpática complacência por chanfrados que, contra todo e qualquer senso, comum ou incomum, colmatam a ausência do Fernando Tordo, artista que, ao que parece, ainda não está convencido pelo “tempo novo” que impede artistas e eleitores de morrerem à fome com a austeridade que mata, como bem avisou o Papa Francisco.
É que, por outro lado, Centeno também arranjou uma austeridadezinha de 600 milhões, não para que não o identifiquem como louco e sim para inventar uma culpa qualquer a imputar ao governo anterior que matava pessoas por cortar demais, como bem avisou o Papa Francisco via Mário Soares.
Agora, no “tempo novo”, quem explica é João Galamba, relegado para o papel do Eurico Brilhante Dias que se arranja. Naturalmente, quem explica é o Papa Francisco, via Mário Soares, enunciado por Galamba, que está para dizer inanidades com ar sério como o Vítor de Sousa está para declamar poesia no novo parque infantil de Sobral de Monte Agraço.
Que o orçamento será péssimo, já se imaginava; o que não se consegue imaginar é quão péssimo seria antes de Bruxelas o domar. O que importa é que haja força para seguir o mesmo caminho do Syriza, que a gente, mais tarde do que cedo, lá terá que ir a Lisboa queimá-los a todos.
assim não vamos lá
Se o Professor Centeno prevê a redução do défice com o aumento das exportações, aguardam-no más notícias. É que, a exportar imbecilidades deste quilate, ninguém nos comprará coisa nenhuma. «Estados estão sendo atacados pelo neoliberalismo»? Vai-te catar, Boaventura!
madame centeno lê cartas e búzios
Acabei de ler a síntese do comunicado de ontem do Conselho de Ministros, relativo ao orçamento de 2016, que o António Costa disponibilizou na sua página do facebook, e a sensação com que fiquei foi a de que estava a ler uma página de previsões astrológicas do Professor Bambo ou do Professor Karamba. No caso, do Professor Centeno, que prevê números e mais números atrás de números, e muitas outras coisas que ele acha que vão acontecer. E prevê o comportamento dos agentes económicos. E o crescimento da economia. E as taxas de juros e o do petróleo. E o comportamento das exportações. E a diminuição do desemprego. O orçamento do estado para 2016, da autoria do Professor Centeno, é menos um trabalho técnico e palpável, do que um conjunto de crenças e adivinhações. É um trabalho mais de um terreiro de umbanda, do que do Terreiro do Paço. Parece uma carta astral.
Por uma vez seja original e deixe o Salazar em paz
O que terão as declarações de Lello a ver com Salazar?
Tadinho do Joaquim
Acabou o estado de graça lá para as bandas do Palácio Ratton..
Orçamento de 2016,5
Grande ideia. Como baixar o défice? Calendarizar medidas caras para entrarem em vigor só na segunda parte do ano. Para o ano logo se vê.
o novo herói da esquerda indígena
A esquerda portuguesa, em especial a mais extremista, tem um novo herói, um verdadeiro Che Guevara lusitano, um homem capaz de enfrentar os ricos e poderosos, castigá-los e pô-los a pagar a crise: Carlos Costa, governador do Banco de Portugal, que expropriou proprietários sem lhes conceder qualquer indemnização (nem o Companheiro Vasco tinha ido tão longe), responsabilizou os grandes accionistas pelo rombo do Espírito Santo e ainda desafia a banca mundial e os poderosos da alta finança recusando-lhes o pagamento daquilo que eles queriam receber na falência do banco. Catarina Martins e Jerónimo de Sousa que cuidem bem dos seus lugares: o mundo não está para diletantes, nem para colaboracionistas.
Ainda as subvenções vitalícias (2)
Para além do ridículo e juridicamente muito estranho «argumento» utilizado pelo Tribiunal Constitucional exposto pelo Carlos Loureiro aqui, outros aspectos igualmente bastante estranhos existem na «argumentação» da decisão do TC.
Em suma, refere o TC, o beneficiário teria sido ilegitimamente defraudado nas suas expectativas pela mudança da natureza da subvenção, mudança essa que seria a de passar de uma subvenção atribuida a titulo de compensação pelo serviço público prestado, ao invés de se aceitar a clausúla de recursos (introduzida em 2014 e repetida em 2015), e receber apenas se tivesse no agregado familiar rendimento inferior a 2000 euros.
Ou seja e traduzindo: o beneficiário tinha direito a uma expectativa que a subvenção lhe fosse atribuída como previlégio (benefício diz o TC), e não como prestação social. O TC considera que ao tornar-se uma mera prestação social de complemento de rendimento se subverteu a «natureza» da subvenção, que era um previlégio.
E é assim a leitura da justiça e da CRP que o TC faz: a de salvaguardar os privilégios criados pelos próprios e considerar indigno e violador da constituição que passassem a receber apenas em caso de «necessidade económica», (mesmo assim substancialmente elevada para o comum dos cidadãos).
Recorde-se que a subvenção foi criada pelos deputados, que também dela beneficiam, beneficiaram ou virão a beneficiar, que aprovaram as suas modificações e que a contestaram. Tudo se passou internamente, em circuito fechado, em benefício e causa própria.
Ainda as subvenções vitalícias
Vale sempre a pena ir à fonte para perceber o que está em causa. A decisão do Tribunal Constitucional, que declarou inconstitucional uma norma da Lei do Orçamento de Estado de 2015 (exactamente igual a outra do OE 2014, que não tinha sido posta em causa), foi votada por maioria: 8 dos 13 Conselheiros pronunciaram-se pela inconstitucionalidade, ao passo que os outros 5 discordaram, defendendo, por razões diferentes, que a norma não viola a Constituição. Recomendo vivamente a leitura do acórdão à equipa governamental que está a preparar o OE 2016 (mas não levem o texto para as reuniões com o PCP). Recomendo igualmente a leitura das declarações de voto aos candidatos presidenciais que dizem discordar do Acórdão, para não correrem o risco de derrapagens demagógicas no que resta da campanha eleitoral.
Concordando com as declarações dos que votaram vencido (isto é, dos que que defendiam a não desconformidade constitucional), não posso ignorar que a decisão maioritária vem na esteira de outras decisões dos últimos anos sobre normas orçamentais e assenta numa interpretação muito lata que o TC tem feito do princípio da protecção confiança. No entanto, a argumentação utilizada para sustentar a inconstitucionalidade é mais pobre do que a utilizada noutros acórdãos.
A título de exemplo, analisando o interesse público que fundamenta as normas em discussão, nomeadamente a necessidade de adoção de medidas de consolidação orçamental e de redução e racionalização da despesa pública, interesse que poderia, de algum modo, justificar um certo grau de lesão da confiança dos beneficiários, a extraordinária conclusão do TC foi esta:
“Não a justificam, seguramente, os ganhos diferenciais (diferenciais em relação a uma solução que prescindisse da ponderação de outros rendimentos do beneficiário e do seu agregado familiar), em termos de poupança da despesa pública que assim se obteria. Considerando o orçamento no seu todo, eles não são, seguramente, de grande monta; acresce que os valores a afetar a esta rubrica irão gradualmente reduzir-se, pela fatal diminuição do número de beneficiários.
Acresce que, no ano de 2015, terminado o PAEF, já não são tão evidentes e intensos os constrangimentos orçamentais […].
o vazio segue apenas o vento
Isto das «subvenções» transtornou muito o candidato Sampaio da Nóvoa. não há vez que fale sobre o assunto que não diga asneira da grossa.
Hoje diz que «Se fosse deputado “jamais” teria pedido ao TC fiscalização sobre subvenções». O que é curioso, pois ele não concorre para deputado mas para PR. O qual tem o dever de «cumprir e fazer cumprir a Constituição». Portanto, Sampaio da Nóvoa, se eleito, umas vezes pediria a fiscalização da constitucionalidade de certas leis. E outras vezes, abster-se-ia de o fazer. Mesmo que também fossem inconstitucionais. Ou seja, a ser eleito, o cumprimento da Constituição ficaria á mercê, não do seu dever, mas da sua mera vontade discricionária sem que se conheça ou possa ser escrutinado qual o criterio. Seria conforme calhasse…
Passatempo – presidenciais
Faça corresponder a letra da coluna A ao número da coluna B. Não recorra a motores de busca, mostre que tem estado atento à campanha eleitoral.
COLUNA A
A Henrique Neto
B António Sampaio da Nóvoa
C Cândido Ferreira
D Edgar Silva
E Jorge Sequeira
F Vitorino Silva
G Marisa Matias
H Maria de Belém Roseira
I Marcelo Rebelo de Sousa
J Paulo de Morais
COLUNA B
1 É preciso um presidente que garanta estabilidade entre partidos.
2 Às vezes é preciso olhar em vez de falar.
3 Se tivéssemos riqueza, saúde, igualdade, confiança nas instituições, aí eu era conservador, agora conservar uma coisa que está péssima – estamos na cauda da Europa. Não podemos fazer diferente com pessoas iguais.
4 Todos apelam à estabilidade, eu, pelo contrário, apelo a alguma instabilidade na política para dar alguma estabilidade às pessoas.
5 As sondagens provam que o engano resulta.
6 O Presidente da República tem que ser uma pessoa com princípios muito claros, causas muito claras. As pessoas têm que sentir no Presidente da República alguém que tem ideias.
7 Isto tem de levar uma volta.
8 Temos de reforçar a inovação, a economia, o nosso território, reforçar muitíssimo a nossa capacidade de investir no mar, fazer investimentos estratégicos que só o Estado pode fazer.
9 O meu maior adversário é a crise.
10 A ligação entre interesses privados que se misturam com o interesse público é o ponto nevrálgico da corrupção.
Apresento-vos o novo gestor da TAP
Pedro Marques: “Há um potencial interessante de ligação” da TAP à Ásia

É por isto que temos que ter o Estado a mandar na TAP. Como foi possível os gestores privados não terem visto a Ásia e o seu potencial?
A Ásia é deste tamanho:

Não estava fácil de ver?
Lá se foi a vaca sagrada
Até ao dia de ontem, muito do discurso das campanhas das esquerdas era que se propunham respeitar integralmente a Constituição e o Tribunal Constitucional. Se a CRP era o texto sagrado, o TC eram os seus sacerdotes e guardiões. Todos batiam com a mão no peito e juravam «comigo, a CRP será sempre respeitada e respeitarei todas as decisões do TC».
Afinal o respeito foi-se à vida no dia de ontem. Afinal, tem de reconhecer que são como Marcelo: umas vezes concordam, outras vezes não concordam com o TC.
Bem vindos á democracia sem vacas sagradas. Tarde, mas chegaram.
Leituras
O PREC de Costa, por Luís Aguiar-Conraria
As taxas de juro, histórica e artificialmente baixas, são um balão de oxigénio. Um balão de oxigénio que nos devia emprestar tempo para fazermos reformas que andamos a adiar há pelo menos 15 anos. Mas, mais uma vez, aproveitamos as taxas de juro baixas para aumentar a procura interna e adiar a redução do endividamento. A prazo, com a inevitável subida das taxas de juro, voltaremos a chamar uma troika para nos salvar, tal como em 1983 tivemos de chamar novamente o FMI, quatro anos depois do fim do primeiro resgate. E voltarão a dizer-nos que, quando estávamos no bom caminho, veio uma crise internacional e lixou tudo.
Resposta de taberna a um pensador de tabernas
O “original”, com aspas porque de original tem pouco pela repetição nauseabunda de fantochada, está aqui.
Os exames excitam os discursos e as críticas ao actual governo. A favor dos exames, basta o senso comum e a ignorância. Contra, é preciso entrar em grandes explicações.
Então vamos lá, venham as grandes explicações. Ler mais…
arranjem-lhe um inimigo. e depressa
A estratégia de António Costa tem sido evidente e elementar: aproveitou uma circunstância astrológica, politicamente irrepetível, que lhe permitiu assumir a chefia do governo depois de ter perdido eleições, tomou algumas medidas populistas para ver se cai nas graças do eleitorado e pôs-se à espera que lhe criem dificuldades que justifiquem a queda do governo e a realização de eleições antecipadas, conforme as suas conveniências, para dramatizar e tentar ganhar as eleições, quem sabe, com maioria absoluta.
O problema desta estratégia é que parece que ninguém está disponível para ser o bode expiatório de António Costa.
O Bloco assina por baixo, sem ler, todas as decisões do governo.
O Partido Comunista faz de conta que mantém o apoio político ao governo, evitando críticas mais duras, que deixa a cargo do seu braço armado que é a CGTP.
O PSD e Pedro Passos Coelho têm, seraficamente, manifestado reservas e preocupações com o rumo do governo, mas não deixaram de lhe prestar apoio quando estava em causa a sua subsistência. Não será por aqui, por enquanto, que Costa arranjará pretexto para eleições antecipadas.
O CDS anda entretido com a sucessão de Portas e nunca terá força, só por si, para impedir a acção governativa do governo socialista.
Marcelo Rebelo de Sousa já garantiu equidade institucional ao governo em funções, a este e a qualquer outro, se for eleito. Não será de Belém, com Marcelo, que virão as «forças de bloqueio».
E, por fim, assumir o confronto com as instituições comunitárias está fora de questão, porque não só Costa já garantiu que cumpriria todos os compromissos internacionais de Portugal, mas principalmente porque ele já viu, na Grécia, o resultado desse género de brincadeiras.
António Costa está, pelo menos por enquanto, entregue a si mesmo e será ele o único responsável pelos resultados das políticas que o seu governo está a pôr em prática. Não terá álibis, nem desculpas. Este é o seu drama. E é por isso que está condenado.
As experiências sociológicas de Santos Silva são de facto outras
“Nunca consegui cumprir um dos meus sonhos sociológicos que foi assistir a um concerto de Tony Carreira, porque me dizem que é um dos acontecimentos que um sociólogo deve observar“. – Santos Silva.
Pois é. As experiências sociológicas de Santos Silva são de facto outras. Por exemplo sociologicamente falando ter a experiência de estar num governo liderado por alguém com as características sociológicas de José Socrates.
As pretensões de Tony Carreira de receber a medalha do Estado francês na embaixada portuguesa em Paris parecem-me despropositadas mas a arrogância subjacente às palavras de Santos Silva é insuportável.
O ovo da vizinha é melhor que o da minha galinha
Mas, professor Santos Silva, uma experiência sociológica semelhante a assistir a um concerto do Tony Carreira, mas em mais intenso e com mais lingerie atirada ao palco, poderá ser facilmente experimentada num congresso do PS. Para quê ficar limitado pela versão mais civilizada da experiência sociológica assistindo a um simples concerto de Tony Carreira?
Novos argumentos para debates políticos
É assim que deve, a partir de agora, tratar os seus adversários políticos:
- Afirme que são uma “indecência política ambulante”;
- Considere-os “ideologicamente marrecos”;
- Refira os seus “pés-de-galinha”;
- Trate-os por “criaturas politicamente pigmeias e rastejantes”;
- Afirme que se “encostam vergonhosamente à Igreja, às grandes empresas e à direita reaccionária para fazer pela vida”.
o centralismo democrático
Na boa lógica da planificação central soviética e estalinista, que o Partido Comunista Português implantou no Ministério da Educação em 1975 e que nunca mais de lá saiu, o benjamim do governo de António Costa, o ministro Tiago Brandão Rodrigues, acabou de reafirmar a sua sanha contra tudo o que possa ainda existir de autonomia do sistema educativo face ao mostrengo da 5 de Outubro. Assim, o Público online anuncia que as «Escolas deixam de poder definir critérios para contratar professores», por decisão do ministro. perdendo, deste modo, a última sombra da reduzida autonomia que ainda lhes restava. Reparem: não é do poder de contratar professores, competência que obviamente lhes deveria caber dentro de uma dotação orçamental superiormente aprovada, mas apenas e só de definir os critérios para que eles venham a ser contratados que estamos a falar. A comunidade escolar, que a escola agrega e representa, perderá agora, graças ao ministro Tiago, essa ínfima competência em favor dos burocratas da 5 de Outubro, capitaneados pelo seu iluminado príncipe. A isto chamava Álvaro Cunhal o “centralismo democrático”. A direita, quando voltar ao governo, que se não queixe se não mandar fechar imediatamente a tasca da 5 de Outubro.
ninguém o meterá no bolso
Marcelo Rebelo de Sousa nunca foi um típico homem de direita, embora a direita portuguesa também não seja muito típica. Nasceu e cresceu num ambiente social e familiar muito politizado, no coração do antigo regime, apanhou o 25 de Abril ainda jovem, e andou pela social-democracia e pelo centro-esquerda, embora não me lembre de, e ao contrário de muitos outros que hoje o acham pouco ortodoxo, o ver particularmente entusiasmado com «as conquistas do socialismo», ou a renegar família e amigos, ou a renunciar à sua religião de sempre, a católica, para quem não souber. Coisas que não eram de pouca monta para os tempos de então. Inteligente e com sentido de humor, diz quem o conhece que nunca se levou muito a sério. Católico praticante que sempre foi, terá uma perspectiva sensata da volatilidade das coisas, que o distancia da cegueira das paixões políticas. Por isso, ele se transformou numa personagem relativamente consensual na sociedade portuguesa. Excepto na direcção do seu partido, quando começou a ser evidente que aspirava à Presidência da República.
Não se lhe pode pedir, portanto, nem pela sua história pessoal, nem pela experiência política recente, que ele surja nesta candidatura a desfraldar as bandeiras da coligação de direita que ganhou as eleições mas que perdeu o governo. Se a direita quisesse um candidato mais comprometido, que o tivesse arranjado. Não por aquela herança ser boa ou má, mas porque não lhe compete fazê-lo para o cargo a que se está a candidatar. No modelo constitucional vigente, o presidente é um rei-moderador, à semelhança do perfil enunciado pela Carta de 1826, ainda que com menos poderes do que tinha, então, o chefe do estado português. Como moderador, ele poderá, no limite das suas competências, dissolver a Assembleia e demitir o Governo, se estes fizerem perigar o bom funcionamento do regime, mas está completamente fora de causa um protagonismo ideológico, isto é, ser portador de uma ou várias ideias sobre o destino de Portugal e procurar influenciar para que essas ideias se realizem.
A grande virtude que Marcelo terá se for eleito é a de que, no exercício das suas funções, ele dependerá, sempre e só, de si mesmo. Ou seja: Marcelo é um homem livre e independente e será sempre um presidente livre e independente, daqueles que António Costa não consegue meter no bolso. É por essa razão – e só por essa – que ele é o alvo de toda a esquerda e, sobretudo do próprio António Costa, ao contrário da ideia meia tonta de que ele será o seu melhor aliado. Ideia, de resto, que o PS tem difundido, para ver se consegue desviar votos da direita. E que alguma direita tem comprado, de resto, muitíssimo bem.
Mas, se alguma garantia Marcelo nos pode dar, é a de que sempre foi um homem livre. E ter um homem livre na presidência é a única garantia a que um eleitor poderá ambicionar nos dias que correm. Uma enorme garantia. Se ele, em campanha, diz coisas amáveis à esquerda e não se lembra tanto de amaciar o ego da direita, paciência. Isso não lhe retirará a liberdade de exercício das suas funções, que é o que o cargo precisa. Que é o que Portugal precisa.
Numa altura em que a esquerda tomou o poder com um partido minoritário e sobrevive com um arranjo precário, ter um homem livre na presidência é a última coisa que lhe convém. Por isso, Costa apostou em Sampaio da Nóvoa – muito mais até do que em Maria de Belém -, porque sabe que se ele alguma vez chegar à presidência lho ficará a dever integralmente a si. E será mais um que Costa porá nos seus já fundos bolsos. Mas alguém acredita que Marcelo se deixará pôr no bolso seja de quem for?
A direita que faça, então, o que entender. Mas que não se queixe de acordar daqui por uns dias com o país integralmente nas mãos da esquerda radical. Só lhes falta mesmo a Presidência da República e Marcelo é o único obstáculo que precisam de ultrapassar.
confiem, porque há uns patos que pagarão
o governo socialista & associados, veio, na sua mais recente tentativa de explicar a golpada no Banif (com a conivência e apoio de psd e cds), dizer que a mesma visou« proteger as poupanças e a confiança no sistema financeiro português“(*)
Não esclarece de quem eram as ditas «poupanças» a que os demais pouco poupados contribuintes tiveram mais uma vez forçadamente ir acorrer.
Sob a referida«confiança no sistema financeiro português» é certamente frase preparatório do Carnaval que se avizinha. Mas alguém confia num sistema de bancos falidos, geridos e supervisionados por notórios e públicos incompetentes?
Na verdade, o que a frase quer dizer é «confiem porque em qualquer caso, sempre o contribuinte pagará».
Tsunami de emoções que afogam ou emoções em tsunami que afoga
Tendo o máximo respeito pela luta de pessoas contra doenças terríveis como o cancro, não pude deixar de reparar que a mulher do Passos Coelho foi tratada de forma muito diferente da que foi tratado João Semedo, em particular no poético “a noite em que um tsunami de emoções afogou Marisa Matias” do Expresso. Sendo eu um tipo de direita sem sensibilidade, vou recorrer ao texto de Estrela Serrano, pessoa dotada da sensibilidade de esquerda, escrito a propósito de Laura Ferreira, mas alterando o nome para João Semedo, algo que, decerto, a doutora Serrano não considerará abusivo. Ora, aqui vai:
A fotografia suscita reacções contraditórias: por um lado, pode admirar-se a humildade de João Semedo, ao expôr-se assim na fragilidade da sua doença. Por outro lado, tratando-se de um evento de campanha, seria difícil evitar a presença de fotógrafos e ainda mais difícil que estes deixassem de fotografar João Semedo, sobretudo encontrando-se ele numa situação singular. A decisão de se expôr, foi, assim, em primeiro lugar sua e de Marisa Matias.
Porém, a mediatização da doença de João Semedo e o sentimento de compaixão que a sua imagem provoca, prestam-se a uma leitura política, sobretudo em época pré-eleitoral em que os políticos tentam aproximar-se das pessoas através de sinais de proximidade, emoção e humanidade. Daí as reacções contraditórias suscitadas pela exibição da fotografia.
Quanto ao jornalismo, é eticamente reprovável, embora seja cada vez mais corrente, a instrumentalização da doença de uma figura pública, seja para atrair leitores, seja para servir interesses políticos.
A tranquibérnia da regionalização
Como é que isto vai acabar? Qual é o plano de António Costa? Até onde vai entregar os ministérios e as empresas públicas às corporações do sector?…
A resposta a todas essas e outras perguntas tornou-se-me óbvia quando percebi aquilo que anunciou o ministro-adjunto Eduardo Cabrita: a eleição directa dos presidentes das áreas metropolitanas em 2017 ou, por outras palavras, uma regionalização de secretaria.
Ou seja, “isto” não vai acabar pois nós vamos sair deste aparente beco sem saída para onde Costa nos está a empurrar através de uma corrida louca. Para onde? Para algo que não pedimos, não quisemos e rejeitámos em referendo: a tranquibérnia da regionalização.
No tempo em que os animais falavam estas manifestações eram notícia
separados à nascença
O circo Podemos
Conversa da treta
Estou fartíssima desta conversa. Da treta, claro. Destes proselitismos. Desta transformação de tudo o que mexe numa espécie de aulas de religião e moral, agora sem Cristo mas com género. Para o raio que parta o género. Nasci nos anos 60 do século passado quando havia sexo e não penso trocar o sexo pelo género. E num museu quero arte não agendinhas para mais pirosas das questões disto e daquilo.