Lá se foi a vaca sagrada
Até ao dia de ontem, muito do discurso das campanhas das esquerdas era que se propunham respeitar integralmente a Constituição e o Tribunal Constitucional. Se a CRP era o texto sagrado, o TC eram os seus sacerdotes e guardiões. Todos batiam com a mão no peito e juravam «comigo, a CRP será sempre respeitada e respeitarei todas as decisões do TC».
Afinal o respeito foi-se à vida no dia de ontem. Afinal, tem de reconhecer que são como Marcelo: umas vezes concordam, outras vezes não concordam com o TC.
Bem vindos á democracia sem vacas sagradas. Tarde, mas chegaram.
Leituras
O PREC de Costa, por Luís Aguiar-Conraria
As taxas de juro, histórica e artificialmente baixas, são um balão de oxigénio. Um balão de oxigénio que nos devia emprestar tempo para fazermos reformas que andamos a adiar há pelo menos 15 anos. Mas, mais uma vez, aproveitamos as taxas de juro baixas para aumentar a procura interna e adiar a redução do endividamento. A prazo, com a inevitável subida das taxas de juro, voltaremos a chamar uma troika para nos salvar, tal como em 1983 tivemos de chamar novamente o FMI, quatro anos depois do fim do primeiro resgate. E voltarão a dizer-nos que, quando estávamos no bom caminho, veio uma crise internacional e lixou tudo.
Resposta de taberna a um pensador de tabernas
O “original”, com aspas porque de original tem pouco pela repetição nauseabunda de fantochada, está aqui.
Os exames excitam os discursos e as críticas ao actual governo. A favor dos exames, basta o senso comum e a ignorância. Contra, é preciso entrar em grandes explicações.
Então vamos lá, venham as grandes explicações. Ler mais…
arranjem-lhe um inimigo. e depressa
A estratégia de António Costa tem sido evidente e elementar: aproveitou uma circunstância astrológica, politicamente irrepetível, que lhe permitiu assumir a chefia do governo depois de ter perdido eleições, tomou algumas medidas populistas para ver se cai nas graças do eleitorado e pôs-se à espera que lhe criem dificuldades que justifiquem a queda do governo e a realização de eleições antecipadas, conforme as suas conveniências, para dramatizar e tentar ganhar as eleições, quem sabe, com maioria absoluta.
O problema desta estratégia é que parece que ninguém está disponível para ser o bode expiatório de António Costa.
O Bloco assina por baixo, sem ler, todas as decisões do governo.
O Partido Comunista faz de conta que mantém o apoio político ao governo, evitando críticas mais duras, que deixa a cargo do seu braço armado que é a CGTP.
O PSD e Pedro Passos Coelho têm, seraficamente, manifestado reservas e preocupações com o rumo do governo, mas não deixaram de lhe prestar apoio quando estava em causa a sua subsistência. Não será por aqui, por enquanto, que Costa arranjará pretexto para eleições antecipadas.
O CDS anda entretido com a sucessão de Portas e nunca terá força, só por si, para impedir a acção governativa do governo socialista.
Marcelo Rebelo de Sousa já garantiu equidade institucional ao governo em funções, a este e a qualquer outro, se for eleito. Não será de Belém, com Marcelo, que virão as «forças de bloqueio».
E, por fim, assumir o confronto com as instituições comunitárias está fora de questão, porque não só Costa já garantiu que cumpriria todos os compromissos internacionais de Portugal, mas principalmente porque ele já viu, na Grécia, o resultado desse género de brincadeiras.
António Costa está, pelo menos por enquanto, entregue a si mesmo e será ele o único responsável pelos resultados das políticas que o seu governo está a pôr em prática. Não terá álibis, nem desculpas. Este é o seu drama. E é por isso que está condenado.
As experiências sociológicas de Santos Silva são de facto outras
“Nunca consegui cumprir um dos meus sonhos sociológicos que foi assistir a um concerto de Tony Carreira, porque me dizem que é um dos acontecimentos que um sociólogo deve observar“. – Santos Silva.
Pois é. As experiências sociológicas de Santos Silva são de facto outras. Por exemplo sociologicamente falando ter a experiência de estar num governo liderado por alguém com as características sociológicas de José Socrates.
As pretensões de Tony Carreira de receber a medalha do Estado francês na embaixada portuguesa em Paris parecem-me despropositadas mas a arrogância subjacente às palavras de Santos Silva é insuportável.
O ovo da vizinha é melhor que o da minha galinha
Mas, professor Santos Silva, uma experiência sociológica semelhante a assistir a um concerto do Tony Carreira, mas em mais intenso e com mais lingerie atirada ao palco, poderá ser facilmente experimentada num congresso do PS. Para quê ficar limitado pela versão mais civilizada da experiência sociológica assistindo a um simples concerto de Tony Carreira?
Novos argumentos para debates políticos
É assim que deve, a partir de agora, tratar os seus adversários políticos:
- Afirme que são uma “indecência política ambulante”;
- Considere-os “ideologicamente marrecos”;
- Refira os seus “pés-de-galinha”;
- Trate-os por “criaturas politicamente pigmeias e rastejantes”;
- Afirme que se “encostam vergonhosamente à Igreja, às grandes empresas e à direita reaccionária para fazer pela vida”.
o centralismo democrático
Na boa lógica da planificação central soviética e estalinista, que o Partido Comunista Português implantou no Ministério da Educação em 1975 e que nunca mais de lá saiu, o benjamim do governo de António Costa, o ministro Tiago Brandão Rodrigues, acabou de reafirmar a sua sanha contra tudo o que possa ainda existir de autonomia do sistema educativo face ao mostrengo da 5 de Outubro. Assim, o Público online anuncia que as «Escolas deixam de poder definir critérios para contratar professores», por decisão do ministro. perdendo, deste modo, a última sombra da reduzida autonomia que ainda lhes restava. Reparem: não é do poder de contratar professores, competência que obviamente lhes deveria caber dentro de uma dotação orçamental superiormente aprovada, mas apenas e só de definir os critérios para que eles venham a ser contratados que estamos a falar. A comunidade escolar, que a escola agrega e representa, perderá agora, graças ao ministro Tiago, essa ínfima competência em favor dos burocratas da 5 de Outubro, capitaneados pelo seu iluminado príncipe. A isto chamava Álvaro Cunhal o “centralismo democrático”. A direita, quando voltar ao governo, que se não queixe se não mandar fechar imediatamente a tasca da 5 de Outubro.
ninguém o meterá no bolso
Marcelo Rebelo de Sousa nunca foi um típico homem de direita, embora a direita portuguesa também não seja muito típica. Nasceu e cresceu num ambiente social e familiar muito politizado, no coração do antigo regime, apanhou o 25 de Abril ainda jovem, e andou pela social-democracia e pelo centro-esquerda, embora não me lembre de, e ao contrário de muitos outros que hoje o acham pouco ortodoxo, o ver particularmente entusiasmado com «as conquistas do socialismo», ou a renegar família e amigos, ou a renunciar à sua religião de sempre, a católica, para quem não souber. Coisas que não eram de pouca monta para os tempos de então. Inteligente e com sentido de humor, diz quem o conhece que nunca se levou muito a sério. Católico praticante que sempre foi, terá uma perspectiva sensata da volatilidade das coisas, que o distancia da cegueira das paixões políticas. Por isso, ele se transformou numa personagem relativamente consensual na sociedade portuguesa. Excepto na direcção do seu partido, quando começou a ser evidente que aspirava à Presidência da República.
Não se lhe pode pedir, portanto, nem pela sua história pessoal, nem pela experiência política recente, que ele surja nesta candidatura a desfraldar as bandeiras da coligação de direita que ganhou as eleições mas que perdeu o governo. Se a direita quisesse um candidato mais comprometido, que o tivesse arranjado. Não por aquela herança ser boa ou má, mas porque não lhe compete fazê-lo para o cargo a que se está a candidatar. No modelo constitucional vigente, o presidente é um rei-moderador, à semelhança do perfil enunciado pela Carta de 1826, ainda que com menos poderes do que tinha, então, o chefe do estado português. Como moderador, ele poderá, no limite das suas competências, dissolver a Assembleia e demitir o Governo, se estes fizerem perigar o bom funcionamento do regime, mas está completamente fora de causa um protagonismo ideológico, isto é, ser portador de uma ou várias ideias sobre o destino de Portugal e procurar influenciar para que essas ideias se realizem.
A grande virtude que Marcelo terá se for eleito é a de que, no exercício das suas funções, ele dependerá, sempre e só, de si mesmo. Ou seja: Marcelo é um homem livre e independente e será sempre um presidente livre e independente, daqueles que António Costa não consegue meter no bolso. É por essa razão – e só por essa – que ele é o alvo de toda a esquerda e, sobretudo do próprio António Costa, ao contrário da ideia meia tonta de que ele será o seu melhor aliado. Ideia, de resto, que o PS tem difundido, para ver se consegue desviar votos da direita. E que alguma direita tem comprado, de resto, muitíssimo bem.
Mas, se alguma garantia Marcelo nos pode dar, é a de que sempre foi um homem livre. E ter um homem livre na presidência é a única garantia a que um eleitor poderá ambicionar nos dias que correm. Uma enorme garantia. Se ele, em campanha, diz coisas amáveis à esquerda e não se lembra tanto de amaciar o ego da direita, paciência. Isso não lhe retirará a liberdade de exercício das suas funções, que é o que o cargo precisa. Que é o que Portugal precisa.
Numa altura em que a esquerda tomou o poder com um partido minoritário e sobrevive com um arranjo precário, ter um homem livre na presidência é a última coisa que lhe convém. Por isso, Costa apostou em Sampaio da Nóvoa – muito mais até do que em Maria de Belém -, porque sabe que se ele alguma vez chegar à presidência lho ficará a dever integralmente a si. E será mais um que Costa porá nos seus já fundos bolsos. Mas alguém acredita que Marcelo se deixará pôr no bolso seja de quem for?
A direita que faça, então, o que entender. Mas que não se queixe de acordar daqui por uns dias com o país integralmente nas mãos da esquerda radical. Só lhes falta mesmo a Presidência da República e Marcelo é o único obstáculo que precisam de ultrapassar.
confiem, porque há uns patos que pagarão
o governo socialista & associados, veio, na sua mais recente tentativa de explicar a golpada no Banif (com a conivência e apoio de psd e cds), dizer que a mesma visou« proteger as poupanças e a confiança no sistema financeiro português“(*)
Não esclarece de quem eram as ditas «poupanças» a que os demais pouco poupados contribuintes tiveram mais uma vez forçadamente ir acorrer.
Sob a referida«confiança no sistema financeiro português» é certamente frase preparatório do Carnaval que se avizinha. Mas alguém confia num sistema de bancos falidos, geridos e supervisionados por notórios e públicos incompetentes?
Na verdade, o que a frase quer dizer é «confiem porque em qualquer caso, sempre o contribuinte pagará».
Tsunami de emoções que afogam ou emoções em tsunami que afoga
Tendo o máximo respeito pela luta de pessoas contra doenças terríveis como o cancro, não pude deixar de reparar que a mulher do Passos Coelho foi tratada de forma muito diferente da que foi tratado João Semedo, em particular no poético “a noite em que um tsunami de emoções afogou Marisa Matias” do Expresso. Sendo eu um tipo de direita sem sensibilidade, vou recorrer ao texto de Estrela Serrano, pessoa dotada da sensibilidade de esquerda, escrito a propósito de Laura Ferreira, mas alterando o nome para João Semedo, algo que, decerto, a doutora Serrano não considerará abusivo. Ora, aqui vai:
A fotografia suscita reacções contraditórias: por um lado, pode admirar-se a humildade de João Semedo, ao expôr-se assim na fragilidade da sua doença. Por outro lado, tratando-se de um evento de campanha, seria difícil evitar a presença de fotógrafos e ainda mais difícil que estes deixassem de fotografar João Semedo, sobretudo encontrando-se ele numa situação singular. A decisão de se expôr, foi, assim, em primeiro lugar sua e de Marisa Matias.
Porém, a mediatização da doença de João Semedo e o sentimento de compaixão que a sua imagem provoca, prestam-se a uma leitura política, sobretudo em época pré-eleitoral em que os políticos tentam aproximar-se das pessoas através de sinais de proximidade, emoção e humanidade. Daí as reacções contraditórias suscitadas pela exibição da fotografia.
Quanto ao jornalismo, é eticamente reprovável, embora seja cada vez mais corrente, a instrumentalização da doença de uma figura pública, seja para atrair leitores, seja para servir interesses políticos.
A tranquibérnia da regionalização
Como é que isto vai acabar? Qual é o plano de António Costa? Até onde vai entregar os ministérios e as empresas públicas às corporações do sector?…
A resposta a todas essas e outras perguntas tornou-se-me óbvia quando percebi aquilo que anunciou o ministro-adjunto Eduardo Cabrita: a eleição directa dos presidentes das áreas metropolitanas em 2017 ou, por outras palavras, uma regionalização de secretaria.
Ou seja, “isto” não vai acabar pois nós vamos sair deste aparente beco sem saída para onde Costa nos está a empurrar através de uma corrida louca. Para onde? Para algo que não pedimos, não quisemos e rejeitámos em referendo: a tranquibérnia da regionalização.
No tempo em que os animais falavam estas manifestações eram notícia
separados à nascença
O circo Podemos
Conversa da treta
Estou fartíssima desta conversa. Da treta, claro. Destes proselitismos. Desta transformação de tudo o que mexe numa espécie de aulas de religião e moral, agora sem Cristo mas com género. Para o raio que parta o género. Nasci nos anos 60 do século passado quando havia sexo e não penso trocar o sexo pelo género. E num museu quero arte não agendinhas para mais pirosas das questões disto e daquilo.
obras à moda do porto
Em ruas residenciais, as obras de recapeamento das ruas, com britadeiras, ruído forte, máquinas diversas a trabalhar ininterruptamente, poeiraça, etc., passaram a decorrer durante a noite dos dias de fim-de-semana, sexta, sábado e domingo, com início às 21h30 e fim indeterminado pela noite dentro. O direito ao descanso é um poder discricionário do Senhor Vereador das Obras Públicas, que sabe o que é melhor para todos os munícipes.
Bem-vindos ao Burkina Faso. Embora, como aquilo quase não tem ruas asfaltadas, deva ser mais sossegado.
Aquelas coisas giras que se dizem por dizer
Para lá do óbvio – além de turismo que iria fazer o PR a uma cimeira do clima? – a senhora candidata tem alguma noçãozinha, pequenina que seja, da evolução a nível governamental das questões de ambiente?
“as dívidas não são para pagar”
São para se ir pagando, como dizia o outro, e, no entretanto, para pagarem as nossas políticas extraordinariamente inovadoras, que vão desenvolver imenso a nossa economia, promover o emprego e encher os nossos cofres, de tanto crescimento. Entretanto, empurram-se, com a pança, as responsabilidades mais lá para diante e os próximos governos que paguem.
Quando os juros das tais dívidas que não se têm de pagar subirem a sério, o estouro vai ser monumental.
Os portugueses ainda não perceberam que não é com espertalhonices e espertalhões que serão capazes de sair da pobreza. É com sacrifícios.
os alunos são todos iguais. são? não, não são.
O Fórum TSF é um impressionante laboratório sobre a mentalidade dominante nacional e hoje, uma vez mais, não desiludiu.
O tema versava sobre a nova reforma do ensino básico e o, na prática, fim dos exames de avaliação dos alunos. Os intervenientes cantaram hossanas ao novo ministro, e todos, quase sem excepção, falaram nos «efeitos perversos» da avaliação eliminatória dos estudantes, dizendo que as escolas os preparam mais para estas provas do que lhes transmitem verdadeiro conhecimento.
Admitindo que um sistema educativo que viva para rankings escolares baseados nos resultados dos alunos possa ter esse resultado, parece-me, porém, uma perigosa utopia rousseauniana excluir exames que avaliem o que, de facto, um aluno aprendeu, ou não aprendeu, durante um ano escolar, hierarquizando resultados e excluindo aqueles que ficaram aquém dos mínimos necessários para enfrentar o ano seguinte. A ideia de que todos os alunos são iguais e que a escola é que falha quando um aluno reprova é uma incomensurável estupidez e um perigoso dogma de fé ideológico.
Por outro lado, está ainda por provar que um rapazola com 14, 15 ou 16 anos seja movido por um tamanho amor ao conhecimento, que prescinda de incentivos fortes que o levem a estudar, em vez de ir para o café ou ter com as namoradas. Na maior parte dos casos, esses incentivos fortes são os exames. Haverá quem, de facto, prescinda deles para estudar, mas quem tiver filhos dessas idades que se pronuncie…
E há ainda que ter em conta que deixar esta decisão ao critério de professores e dos seus sindicatos que se recusam a ser avaliados é capaz de não ser muito sensato.
A propósito das árvores na 2ª circular
Passem pela avenida cidade de Praga. Na imagem dos gabinetes é assim

Na realidade é um tormento. Numas zonas a faixa central tem árvores que cortam a visibilidade, arbustos que crescem para as faixas de rodagem e invariavelmente acumulam-se folhas e trocos que levam a constantes ziguezagues dos automobilistas.
Acontece que a avenida cidade de Praga quando comparada com a vizinha segunda circular tem pouco trânsito mas vale a pena passar por lá para perceber que a vegetalização das vias rodoviárias não é simplesmente colocar árvores sempre verdes e lindas nas maquetes.
Era um café, três saquetas de 4 e seis de 1/16 g
Ontem, por infortúnio, estive em casa de um empedernido liberal que me ofereceu um café. Não querendo enveredar por faux pas que espoletasse a fúria da besta, lá aceitei a oferenda, com nervoso sorriso, tal como Maria aceitou a mirra após o Rei Mago libertário ter presenteado Jesus com o ouro.
Como bitcoin a um socialista, foi-me apresentada uma bonita peça de porcelana onde residiam – o que estimei ser 243 g – de grãos de açúcar. Tomando em consideração que uma saqueta das do café tem entre 7 e 9 g de açúcar, percebi, naquele preciso momento, ter à minha disposição mais de 27 e menos de 34 doses padronizadas de açúcar de um estabelecimento comercial.
Indaguei o anfitrião pela ausência do livro de regras de utilização do açúcar. Decerto não poderia ser assim, à bruta, que qualquer um pudesse deitar 34 doses do açúcar preconizado num simples café sem consequências nefastas para o próprio e para a sociedade como um todo. Assegurou-me que podia usar o açúcar que quisesse no café, o assassino de instinto demoníaco perante a tentação alheia. Insistiu não existirem regras, que o açúcar é apresentado em quantidade suficiente para que qualquer pessoa possa decidir a exacta quantidade que deseja usar no seu café. Fiquei atónito.
Não fosse estar ali para tentar oferecer a minha mais nova ao varão do capitalista, teria chamado a ASAE. Há um motivo para não se colocar um açucareiro com açúcar num estabelecimento comercial: e se as pessoas lambem a colher? E se o vertem sobre a mesa? E se enfiam o pénis no recipiente com o açúcar todo? Tem uma pessoa que consumir açúcar que não venha hermeticamente fechado numa embalagem selada de papel de péssima qualidade revestido a finíssimo celofane natural, extraído das minas de pegada ecológica positiva, que deixam tinta nas mãos e que engasgam o palerma do miúdo que decidiu chupar o doce paladar do vermelho Buondi? Claro que não: daí que se tenha padronizado 7 a 9 g de açúcar – média de 8 g com desvio padrão √2.
A evolução do problema é simples: nada de açucareiro, para evitar que pessoas possam extrair mais açúcar que o admissível ou enfiar a sua colher nos ouvidos para formar melaço que contactará posteriormente com o açúcar refinado virgem; padronizar 8 g com desvio padrão √2 por saqueta; reduzir para metade a média (e o desvio padrão?) por saqueta; exigir 6 saquetas por café; criar saquetas de valores múltiplos padronizados (saqueta de 8 g, saqueta de 16 g, saqueta de 1/32 g, etc.); voltar ao açucareiro.
Enquanto o mundo não muda outra vez em 15 dias, aproveitemos os cafés em estabelecimentos autorizados. O meu é com duas saquetas de 8 g, uma de 2 g e três de 1/32 de g por 100 ml de café expresso.
Imaginem como seria se tivessem ganho as eleições!
“quem governa somos nós” – Foi assim que o ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues, respondeu ao parecer do Conselho Nacional de Educação sobre o fim dos exames no primeiro ciclo.
Espantosamente não vejo ninguém indignado. Ainda não apelaram para o PR. Os sindicatos estão calados. O PM não teve de fazer nenhuma declaração. As associações dos pais e dos filhos estão mudas. A TSF ainda não fez forum… Enfim o ruidoso silêncio que acompanha a arrogância da esquerda.
Como aqui escreve o Nuno Gouveia Lembro-me que já vivemos um tempo semelhante. Depois veio a bancarrota.
Os colégios privados rejubilam
Mais duas ou três intervenções como as de hoje do ministro da Educação e lá aumenta a procura de escolas privadas. Oficialmente porque nas públicas os horários não são compatíveis. Na prática porque as teorias do sr ministro só servem os filhos dos muitos ricos que têm o futuro assegurado.
A cultura da nota é nociva; a nota para a cultura é que é bom
Há dois tipos de pessoas com lata para uma afirmação como a “cultura da nota é nociva”: 1) estúpidos; 2) socialistas com esperança que os filhos sejam ainda mais estúpidos para que não os julguem no futuro pelo que fizeram ao país.
Coisas lindas… (2)
«O primeiro-ministro, António Costa, reiterou esta quarta-feira [16 de dezembro] que os exames do 6.º e do 9.º ano de escolaridade não serão eliminados, em resposta ao presidente do CDS-PP, Paulo Portas, que o questionou sobre o sentido de voto dos socialistas numa iniciativa do PCP.
“Recomendo a leitura do Programa do Governo, que é muito claro quanto às provas que devem ser mantidas ou alteradas e não consta do Programa de Governo a eliminação das provas a que se referiu”, afirmou António Costa. (*)
Coisas lindas…
«Eduardo Barroso bloqueia nomeações para centro hospitalar» (via 31 da Armada)
Os nomes estavam escolhidos e os convites feitos. Mas a oposição do cirurgião [Eduardo Barroso] obrigou [o ministro] Adalberto Campos a passar ao plano B na nomeação dos novos responsáveis hospitalares.
quando a direita tinha candidatos
Ramalho Eanes (1976): entusiasticamente apoiado por PSD e CDS, fez-lhes a vida negra nos governos da AD e, mais tarde, chegou mesmo a estar na origem de uma cisão no grupo parlamentar do PSD, para ancorar o lançamento do seu próprio partido.
Soares Carneiro (1981): perdeu as eleições.
Freitas do Amaral (1986): embora sempre tenha avisado o bom povo português que não era de direita (“r-i-g-o-r-o-s-a-m-e-n-t-e a-o c-e-n-t-r-o”), o Prof. Freitas foi lançado e apoiado às presidenciais de 1986 por outro líder direitista, o recém triunfador da Figueira, Professor Aníbal Cavaco Silva. Freitas perderia a eleição por uma unha negra e, anos mais tarde, acabou ministro do PS e apoiante das causas do Bloco. Nesta eleição só não está ao lado de Sampaio da Nóvoa por razões que ele muito bem sabe…
Basílio Horta (1991): finalmente, a direita teve um candidato seu, próprio, exclusivo, “um homem às direitas”, conforme o desenharam o Dr. Portas, ao tempo ainda um noviço nas aventuras partidárias, e o jornal O Independente. Teve um fantástico score eleitoral de 14%, o que lhe permitiu não cortar relações com o Dr. Mário Soares, cujos préstimos lhe seriam muito úteis para, mais tarde, aderir ao PS. Hoje é presidente da Câmara de Sintra por esse mesmo partido democrata-cristão.
Cavaco Silva I (1996): ainda encostadinho ao PSD e ao CDS, vindo de dois governos seus de maioria absoluta, coisa nunca antes vista no regime democrático, Cavaco perdeu por 46,09% contra um esmagador Jorge Sampaio, de carisma inatingível.
Joaquim Ferreira do Amaral (2001): por que é que a direita apoiou este candidato é mistério ainda sem solução. Mas apoiou e perdeu. Contra Sampaio, mais uma vez. Cavaco, pelo sim, pelo não, escusou-se a ir a jogo…
Cavaco II e III (2006 e 2011): Apesar de querer distância dos dois partidos da direita, estes consideraram como o seu candidato este velho político social-democrata, típico keynesiano de centro-esquerda, a quem o estado português muitos favores e benesses ficou a dever. Ganhou as duas eleições e prepara-se, agora, para entrar na sua mais do que merecida reforma política, durante a qual nos brindará com as suas memórias, onde certamente não deixará de dizer aquilo que pensa de muitos dos que o apoiaram.
a direita amofinou-se com marcelo
A direita anda amofinada com Marcelo Rebelo de Sousa, por ele não ser o «seu» candidato e se estar a encostar à esquerda e ao governo de Costa. Bom, antes de mais, ser o «candidato da direita» só poderia significar ser o candidato do PSD e do CDS, já que se não se imagina que nenhum ser pensante admita que a direita dispõe, em Portugal, de uma identidade valorativa que a distinga para além dos dois partidos com que se identifica. Sendo o candidato do PSD e do CDS, Marcelo estaria condenado a perder as eleições, já que é sabido que estes dois partidos juntos não conseguiram chegar sequer a 40% do sufrágio eleitoral, em eleições recentes, e que as eleições presidenciais são ganhas com 50% mais um voto desse mesmo sufrágio. Donde, obviamente, qualquer candidato vencedor nascido nos partidos da direita precisa de ir pescar votos – muitos votos – à esquerda, se quiser ter alguma probabilidade séria de chegar a Presidente da República.
Mas a questão essencial é, contudo, outra: a não ter avançado Marcelo, quem teria, a direita, para apresentar? Rui Rio? Seria sempre um candidato de parte do PSD e é um homem claramente mais à esquerda que Marcelo. De resto, uma aliança institucional com Costa – com sempre se deu muito bem – seria natural e desejada por ambos. Santana? Perderia em qualquer cenário. Seria o Basílio Horta destas eleições. Uma personalidade emergida da sociedade civil? Mas onde está ela? Por mais que a procurássemos, mais depressa acharíamos o minotauro de Creta do que alguém que se encaixasse nesse perfil.
Deste modo, é Marcelo quem sobrou e, não por acaso, é ele o candidato da direita. De alguma esquerda também, espera-se, porque, sem isso, não ganhará as eleições e teremos em Belém, por dez anos, o Professor Sampaio da Nóvoa a espalhar afectos e causas. Um cenário horripilante, se comparado com a malícia com que Marcelo exercerá o cargo de presidente e a diversão que isso certamente nos proporcionará.
A canção de Lisboa
Tiago Brandão Rodrigues foi apresentado à plebe como um ser dotado de inteligência rara, algo que soou imediatamente suspeito ao constatarmos tratar-se de alguém disposto a ser eleito pelo PS. Porém, uma candidatura pelo partido da bancarrota não desqualifica os méritos intelectuais de um indivíduo, apenas o seu desenvolvimento social: pessoas marronas dedicaram pouco tempo a conhecer o indivíduo que frequenta o café da terra, assim desconhecendo a faceta conservadora do português não-urbanóide que, de mudanças súbitas tão típicas do progressismo, só reconhece com a apatia dos íntegros as que crê não o prejudicarem. Já Mário Nogueira, que de biologia, aritmética, letras e de comer com a boca fechada pouco percebe, é um exímio interprete do id português.
A mudança dos exames de ano, acrescida da mudança de nome da coisa como estratégia de marketing para pobres de espírito que tratam por igual o que é diferente e por diferente o que é igual, é mais um prego no caixão do já clássico “o doutor é burro” do superego nacional. E vai-se a ver, é mesmo verdade: o doutor pode ser um génio da ciência, mas, ao tornar-se num instrumento sindical, só conforma a ideia proverbial de que doutores há muitos, seu palerma.
Mas pronto, este até sabe o que é o esternocleidomastoideu.
Manter em segredo que se vai morrer
Uma observação sobre as notícias do falecimento de David Bowie: muitos órgãos de informação não conseguiram deixar de referir que o músico padeceu de doença que manteve em segredo, como se fosse devida ao público qualquer explicação sobre o estado de saúde de alguém pelo simples facto de a pessoa ter uma faceta pública reconhecível. Outros, ainda, referiram que o artista terá optado por omitir a informação, exacerbando a noção de que haveria uma hipótese mais confortável, a da partilha do seu estado de saúde.
É nesta altura, quando se assume que o foro privado e o foro público são indistinguíveis para uma sociedade expectante de uma partilha permanente de estados de alma, que compreendemos que o excesso de informação é, em si mesmo, um grande factor desumanizante do nosso tempo.
O espinho da Roseira
Maria de Belém fica sempre amofinada quando lhe falam do tempo em que recebia da BES Saúde como consultora ao mesmo tempo que era presidente da Comissão Parlamentar de Saúde. Que era legal. Que é a «sua» ética. Que tal referência é ataque ao seu carácter. Mas é que não duvide! Nada de mais natural numa eleição presidencial, onde se elege uma pessoa, que o carácter da mesma seja avaliado. Ora, aquela sua acumulação de funções, que a qualquer pessoal de bem sugere estarem em causa interesses contraditórios, ainda que ambos isoladamente legítimos, é obviamente sujeita a avaliação. Política, moral e éticamente. Desta vez não por si, nem pela lei que também fez. Mas pelos eleitores a que voluntariamente se sujeita.
Mas parece que nem isso percebe, nem o que está em questão, pelo que nem para candidata tem perfil quanto mais para ser eleita.
Portugal não se divide entre esquerda e direita e sim entre os que querem ser caracterizados como de esquerda e os que querem ser caracterizados como de não-esquerda. Isto ilustra que a separação política não ocorre horizontalmente mas também permite erradicar a compreensão do país num plano vertical entre conservadores e liberais. Num país conservador como Portugal, a dicotomia não pode ser multidimensional para a distribuição da mensagem, exigindo a constância de uma das variáveis de forma a criar a sensação de que as divisões são entre Esquerda e Direita ou, num plano ainda mais adequado aos média, entre o Bem e o Mal. Quem não é um bocadinho “de esquerda” é uma besta quadrada, ponto final. Daí que Marcelo Rebelo de Sousa, que não é burro, se assuma como “da esquerda da direita”.
O Bem compreende todas as artes, sofre quando um artista morre, percepciona a bondade inerente à sensibilidade do autor que distribui empatia por uma massa amorfa a que se denomina “povo” e, compreendendo o poder das tradições, necessita de as obliterar para as recriar à sua imagem. O Mal não compreende as artes, é composto de brutamontes insensíveis ao sofrimento alheio e dispensa atitudes de lavagem de consciência através do confisco a abastados para redistribuição arbitrária aos que se atribuem a qualidade de descamisados. O Bem apropria-se de tudo o que é criado ao longo de séculos, destrói laços históricos e transmuta simbologia em ideologia imediatista. O Mal, ao repudiar as revoluções, é demasiado lento para o Bem, deixando à multitude de diferenças entre pessoas o direito a criarem a história através de simples e transparentes regras de mercado: o que vinga, vinga; o que não vinga, lá vai.
David Bowie era um artista anormalmente popular para a obra que legou. Logo, o Bem já se apropriou da perda. O Mal pode enaltecer o legado, compreendendo-o pela calada para não ter que aturar a reeducação da percepção que o Bem determina inexoravelmente errada e, bem lá no fundo, agradece que o trabalho de apropriação da arte pelo Bem seja dificultado, não só mas também pela impenetrabilidade de obras que estorvam a canhestra psicanálise que o Bem exerce sobre tudo e mais alguma coisa que adiante a causa final, a do Bem ser mesmo gente que é bué de boa.
O esgar de Edgar
Foi com espanto que vi a estranheza de alguns por o candidato comunista Edgar Silva não conseguir dizer «ditadura» em referência à Coreia do Norte. É gente certamente distraída que não acompanha a actividade do PC. Basta ler ocasionalmente o jornal «Avante» para se saber que o PC tem excelentes relações de irmandade com todos os partidos comunistas que governam em tirania. Da Coreia do Norte, a Cuba, da China ao Vietname e ao Laos. Já com os partidos comunistas onde exista democracia já a coisa pia mais fino. É que o PC nesses casos tem mais dificuldades em estar em harmonia, pois como é sabido (para qualquer membro do pc), a democracia permite, senão mesmo incentiva, que certos partidos ditos comunistas se infectem com o virus reaccionário ou desviante da construção de pátrias socialistas. O que não sucede nas sólidas e robustas tiranias comunistas. Essas, para o PCP, são governadas por partidos irmãos. Os dos países democráticos quando muito serão primos, uns mais afastados que outros. Edgar Silva, membro do Comité Central do PCP, apenas exprime a cartilha oficial de não se dizer mal de um «irmão».
Cara nova, lei nova
Razão tinha a antiga ministra Maria de Lurdes Rodrigues para querer pagar 290 mil euros a João Pedroso (o qual alegadamente usou uma equipe de «mais de 15 juristas»…), para fotocopiar a legislação referente ao Ministério da Educação. É que de facto fica difícil saber o que esteja em vigor, tantas e tantas vezes muda a legislação ao sabor discricionário de cada novo titular da pasta.
Mais dados sobre a paz social no porto de Lisboa
A Sociedade do Porto de Lisboa comprometeu-se a:
a) não contratar mais trabalhadores externos até 29 de fevereiro, data em que devem fechar as negociações para o novo contrato coletivo de trabalho,
b) promover a integração nos quadros de 23 trabalhadores, no acordo de paz social que permitiu que os estivadores suspendessem os pré-avisos de greve.
c) Os operadores comprometeram-se também a implementar uma regra em que nenhum trabalhador terá de fazer horas extraordinárias antes de todos os trabalhadores do Porto de Lisboa terem realizado um turno, a menos que por uma questão geográfica ou de função isso não seja possível.
Segundo dados de 2011
a) A média mensal de remuneração dos estivadores do porto de Lisboa era de 3.500 euros
b) horas extraordinárias mensais por estivador 1.200 euros
c) absentismo de cerca de 23%.
O baile de máscaras
É todo um programa de dinamização cultural
Depois da imprensa subsidiada Alexandra Lucas Coelho recupera a ideia das bolsas de criação literária. 5ª Divisão volta que fazes tanta falta!!!
