Saltar para o conteúdo

Um presidente capaz

10 Janeiro, 2016

SN-Presidente-Capaz

O que é “um presidente capaz”? Capaz de quê? Qualquer indivíduo com mais de 35 anos, tenha ou não cáries, está dotado da capacidade para ser presidente da república no caso em que decide não estragar tal capacidade com opiniões sobre assuntos para os quais não terá competências. Seis milhões e meio de portugueses seriam capazes de serem presidente da república: o que acontece é que seis milhões, quatrocentos e noventa e nove mil, novecentos e noventa portugueses não parecem estar interessados na necessária metamorfose do treinador de bancada para o busto ornamental – e, daí que, normalmente, se atribua o cargo a alguém que, coitado, abdique da nobre arte lusitana de se achar mais capaz que todos os outros. Sim, cometemos alguns erros de julgamento em votações anteriores, mas, caramba, estamos a aprender com a experiência de um Soares – e as suas presidências abertas – ou de um Sampaio – e a sua apetência para explosões nucleares. Um presidente capaz é um tipo que sabe estar calado nos momentos certos e que, mais importante, finge que diz alguma coisa quando fala nos momentos em que isso é esperado pela prole de viciados nas tricas do regime. Um presidente capaz não promete coisas nem anda aí a discutir austeridade e peripécias bancárias: isso é um presidente incapaz, como o tio inoportuno que mete a mão no rabo da roliça solteirona no jantar de Natal perguntando pela altura em que os inexistentes pretendentes terão o privilégio do acetinado toque em tão irresistível tecido adiposo.

Sampaio da Nóvoa pode ser um presidente capaz. Porém, tudo o que faz, é anunciar-se como o presidente mais incapaz de todos os candidatos. Não admira que seja o candidato da Academia portuguesa, se me permitem a blasfémia.

ande lá, homem

9 Janeiro, 2016
by

Enquanto o CDS anda entretido a discutir a sucessão (?) de Portas e a propor projectos-lei sobre a assistência dos progenitores aos partos por cesariana, o governo do PS a desmantelar tudo o que foi feito pelo governo anterior e a dizer de Passos e de Portas o que Maomé não disse do toucinho, Passos Coelho encontra-se desaparecido em parte incerta. Ninguém sabe dele, ninguém o vê ou ouve, a não ser por terceiros que o insultam e insultam o governo que dirigiu e que tirou Portugal da bancarrota. Passos não tinha prometido que seria o líder da oposição? Então, está à espera de quê? Ande lá, homem.

Filioque

9 Janeiro, 2016

O governo decidiu acabar com os exames do 4º, 6º e 9º anos de inglês. Em seu lugar criou as provas de aferição do 2º, 5º e 8º ano. Esta decisão mostra a profunda divisão que existe em matéria de educação entre o PS e a direita. Não só não estão de acordo com o nome que dar às provas como discordam do ano em que elas devem ser feitas. Outras profundas divisões que separam o PS da direita incluem o tipo de papel em que as provas são feitas (virgem, diz a direita, reciclado, diz o PS) e o arquitecto responsável pelos candeeiros das escolas ( Siza pelo PS, Tomás Taveira pela direita).

uma campanha alegre

9 Janeiro, 2016
by

Ao contrário de quase toda a gente, ando satisfeitíssimo com a actual campanha eleitoral para as presidenciais e com a dimensão de cada um e de todos os dez candidatos. O cargo de Presidente da República, tal como foi desenhado em 1976, revisto em 1982 e exercido por todos os seus titulares, coloca-o quase ao nível das inexistentes funções políticas da Rainha de Inglaterra. E, como o titular do cargo é eleito em disputada eleição ideológica e partidária, nem sequer a função de representação simbólica da comunidade nacional é capaz de desempenhar, ao contrário do que acontece com a Rainha de Inglaterra, saliente-se. Por isso, é absolutamente injusto acusar os nossos dez garbosos candidatos de vacuidade intelectual: não são os cérebros deles que não existem; é o cargo que estranhamente querem ocupar.

encerrem essa chafarica!

9 Janeiro, 2016
by

montra_1

Informa o Expresso de hoje (link indisponível) que, desde o ano de 2000, só no ensino básico as regras de avaliação mudaram já 14, repito, por extenso, catorze vezes!

Num outro jornal também de hoje, no Público (link também não disponível), ficamos a saber que o Ministério da Educação «muda quase tudo na avaliação dos alunos do ensino básico» e que o faz a meio do ano lectivo, sendo as novas regras de aplicação imediata.

Confesso desconhecer, quase por inteiro, cada uma das supra citadas reformas da avaliação dos nossos filhos e ignoro se esta recente alteração irá melhorar ou piorar o regime que estava em vigor. Mas de uma coisa tenho a certeza: semelhante bandalheira é razão mais do que suficiente para fechar a chafarica da 5 de Outubro.

Os rancores da corte

9 Janeiro, 2016
by

CorteO ódio da esquerda a Cavaco é visceral, os tipos até espumam. O da direita dita pensante é patético, não passa de mais uma forma de submissão aos ditames intelectuais da esquerda, considerados superiores pelos idiotas úteis. Nenhum deles consegue explicitar as razões de tanto ódio. Tudo espremido, resume-se ao habitual segregacionismo da Corte: o homem é de Boliqueime, inculto, casado com a Maria, nada urbano, fala com a boca cheia de bolo-rei. Corte essa, infestada como sempre de Calistos Elóis Benevides de Barbuda, por norma os mais afectados.

Mário Soares, o cortesão-mor, liderou desde sempre esta frente de ódio. São-lhe insuportáveis as 5 vitórias eleitorais do “gajo”, 4 delas por mais de 50%. Bem pior do que isso, sem nunca ter usado o cravo na lapela, ele será a figura mais marcante da III República, agora a dar sinais de estertor. Cereja amarga no bolo, a História irá ainda considerá-lo o melhor Presidente, de longe o que revelou maior equilíbrio na corda bamba de uma Constituição absurda.

E quando vai a Quadratura a São Bento?

9 Janeiro, 2016

Não me espanta que Costa fosse à Quadratura. O que falta saber é quando é que a Quadratura vai a São Bento.

Admirável tempo novo

8 Janeiro, 2016

Expresso: Paz social regressa ao porto de Lisboa
As divergências entre o Sindicato dos Estivadores e os operadores do Porto de Lisboa foram sanadas, atendendo a que chegaram esta sexta-feira “a um acordo de paz social”, revelou a ministra do Mar, Ana Paula Vitorino.

O QUE ESTABELECE O ACORDO? o Expresso não diz.

Desda 14 de novembro que os estivadores vinham apresentando sucessivos pré-avisos de greve, como forma de protesto pelo facto de ter caducado o contrato colectivo de trabalho que tinham em vigor. Este protesto só tornava o pré-aviso de greve “efetivo” quando os empregadores contratassem o que os estivadores consideram ser “trabalhadores estranhos à profissão”, ou seja, que não integrassem o contingente efectivo dos estivadores sindicalizados.

SE OS EMPREGADORES NÃO CONTRATAM o que os estivadores consideram ser “trabalhadores estranhos à profissão”, ou seja, que não integrassem o contingente efectivo dos estivadores sindicalizados ISSO QUER DIZER QUE A PAZ SOCIAL FOI CONSEGUIDA COM A CONTRATAÇÃO APENAS DE TRABALHADORES SINDICALIZADOS?

Os últimos pré-avisos de greve abrangeram os portos de Setúbal e da Figueira da Foz, de forma a evitar que os operadores pudessem transferir cargas ou navios que não fossem descarregados ou operados no porto de Lisboa durante a greve. Na sequência destes problemas, companhias com a Maersk e a Hapag-Lloyd deixaram de utilizar o porto de Lisboa, bem como operadores que habitualmente abastecem os mercados insulares. Agora estão reúnidas condições para a atividade portuária retomar a normalidade no Porto de Lisboa, sendo urgente voltar a captar o interesse dos maiores operadores, que operam tradicionalmente o maior volume de carga nos diversos terminais portuários existentes no estuário do Tejo.

A NORMALIDADE É PORTANTO OS SINDICATOS TEREM CONSEGUIDO QUE APENAS SÃO CONTRATADOS OS SEUS FILIADOS? ISSO CHAMA-SE PAZ SOCIAL? COSTUMAVA CHAMAR-SE OUTRA COISA,

6 razões não chegaram: união de esquerda, salta, salta, salta!

8 Janeiro, 2016

O governo quer provas de aferição no 2º, 5º e 8º ano, atormentando alunos que, desgraçadamente, passarão a ser infelizes e acabarão como sisudos extractores de pedras no rim a Catarina Martins, eventualmente competentes mas decididamente com carências de riso na escola.

Recordemos:

6-razoes-para-acabar-de-vez-com-os-exames-do-basico

Piropo não, violação ainda vá lá desde que não sendo por tipo com crucifixo

8 Janeiro, 2016

As notícias sobre a onda de ataques sexuais na Alemanha só surpreendem otários e palermas. Os otários porque acreditam que a maldade só existe entre o seu próprio povo, nunca nos outros; os palermas porque, sabendo que com o trigo há sempre o joio, não esperam notícias que deformem o seu sentimento masturbatório de satisfação com a bondade que julgam distribuir confortavelmente – e que os faz sentir como membros do virtuoso grupo de iluminados pelo humanismo de distância – de princípios emanados dos confortáveis sofás como fruto de noites bem regadas em férias mediterrânicas, preferencialmente à pala de amigos abastados.

Os palermas são os que ainda arranjam desculpas para Sócrates – que, convenhamos, podia considerar o estatuto de refugiado na América do Sul, para bem de todos excepto sul-americanos – e que acreditam em tretas como “uniões de esquerda”, petições, qualquer reacção vagal que o candidato Sampaio da Nóvoa lance oralmente e no estatuto da Constituição como aglomerado de calhaus trazidos do cimo de uma montanha por revelação divina. Os otários são todos os que se recusam a perceber que um parcela significativa de eleitores do Vlaams Belang belga são emigrantes muçulmanos de primeira geração completamente enojados com o rumo anti-europeu que a actual Europa atribuiu a si própria, fruto de um pensamento decorrente do sentimento de culpa implantado pela academia marxista aos seu próprio povo através do recalcamento de consequências históricas dos actos de antepassados.

É curioso que a reacção às broeiras feministas preocupadas com crucifixos nas escolas seja a violação das suas conterrâneas perante a total compreensão e carinho destas socialistas mal piropadas.

por que funciona mal o nosso sistema educativo?

7 Janeiro, 2016
by

O nosso sistema educativo funciona mal porque o Ministério da Educação foi tomado pelo Partido Comunista Português em 1974, e nunca nenhum ministro teve coragem de o tirar de lá.

Tendo sido o Ministério da Educação um feudo do PCP, a organização do sistema educativo não-superior público foi edificada a partir do modelo em que esse partido acreditava, a planificação central soviética, que retira toda a autonomia às escolas e impede-as de se relacionarem com o meio onde se encontram inseridas, fazendo do princípio constitucional da liberdade de ensinar e de aprender uma mera ficção. Não é de estranhar: é nisto mesmo que os comunistas acreditavam. E acreditam.

Consequentemente, a contratação, a avaliação e o despedimento de professores, a sua distribuição pelas escolas da rede, a definição dos currículos escolares e dos programas das unidades curriculares, a determinação dos métodos de avaliação e da tipologia de exames, a gestão dos recursos financeiros e logísticos, enfim, tudo e mais alguma coisa de relevante cabe a um reduzido grupo de burocratas da 5 de Outubro, sob a tutela fictícia de ministros e secretários de estado, que mudam frequentemente, e de comissões de «especialistas», que se dedicam a fazer das escolas, dos professores e dos alunos laboratórios de experiências das suas ideologias educativas. Para os conselhos directivos das escolas sobra pouco mais do que fazer horários e ver se os seus professores faltam muito ou pouco. E, mesmo se faltarem muito, nada lhes podem fazer.

Este modelo dirigista e de planificação central em que está organizado o nosso sistema educativo público reproduz o sistema soviético-estalinista de organização da economia e da sociedade. Foi aplicado, em Portugal, depois de 1974, quando o PCP tomou conta do Ministério. Até hoje, por cobardia e inércia dos ministros e políticos, e pressão dos sindicatos, manteve-se praticamente inalterado. Enquanto perdurar, o nosso sistema educativo público continuará a ser o caos de que todos nos queixamos, não obstante a imensidão de recursos que suga aos contribuintes. Acabar com o Ministério da Educação e libertar as escolas para que desempenhem a sua missão educativa, poderá ser mesmo a única solução razoável.

a bandalheira da «educação»

7 Janeiro, 2016
by

Em 40 dias, o novo Ministério da Educação «desfez», segundo noticia o DN, «a política de educação de Crato», ou seja, tudo o que o anterior ministério tinha feito durante quatro anos.

Esta notícia deveria envergonhar um país sério e uma sociedade responsável, porque significa que a educação é, em Portugal, uma brincadeira. Uma brincadeira de políticos e burocratas, que se entretêm a aplicar às suas «cobaias» – as crianças e os jovens a quem deveriam proporcionar uma educação de qualidade – os modelos educativos que as suas cabecinhas concebem, fazendo disso uma guerra política e partidária.

Educar exige liberdade para ensinar. E a liberdade de ensino jamais existirá enquanto o Ministério da Educação existir. Acabar com ele – e não apenas com o modelo de Crato ou outro qualquer – seria o serviço público mais importante que um governo poderia prestar ao futuro do país.

O fim da elefantíase?

6 Janeiro, 2016
by

BAMontAeroporto no Montijo volta a ganhar força

É saudável que, perante o congestionamento de uma dada infra-estrutura, se equacione o aproveitamento de equipamentos sucedâneos que estejam sub-utilizados. Aumenta-se a utilização da capacidade disponível com a inerente rendibilização do investimento público.

Para além do Montijo, também existe a Base de Monte Real, inserida numa região com grande potencial turístico, servindo praias, termas e Fátima, um diamante por lapidar no sector. E com a vantagem acrescida de se situar ao lado da Linha do Oeste e da A17, estruturas igualmente sub-utilizadas. Ou seja, tem todas as condições para ser um nó intermodal e se constituir como um aeroporto low-cost de Lisboa.

Curioso ainda e não menos saudável, o facto de o crescimento do tráfego na Portela não ter (para já…) gerado da parte do PS e lobbies conexos o reagendar do mega-investimento num novo aeroporto em Lisboa. Sinal porventura que a opinião pública já estará mais sensibilizada para os efeitos perversos das obras faraónicas. A ser assim, o Blasfémias também deu algum contributo para tal “mudança de mentalidades”.

As minhas perguntas para o candidato Nóvoa

6 Janeiro, 2016

Maria do Rosário Gama dirigente da APRe! (associação de Aposentados, pensionistas e reformados com reformas que daqui a 20 anos nos farão chorar de inveja!) é também apoiante de Sampaio da Nóvoa. 

Maria do Rosário Gama não gostou da forma como José Rodrigues dos Santos conduziu o debate entre o candidato presidencial que apoia e Henrique Neto e fez seguir queixas para a ERC e para o provedor do espectador na RTP.

Escreve Maria do Rosário Gama sobre José Rodrigues dos Santos: « nos dois debates que ‘moderou’ tendo em vista as Presidenciais, voltou a ter um comportamento indigno, quer tentando confrontar o candidato Sampaio da Nóvoa com os lideres dos governos anteriores, pergunta armadilhada para tentar obter a resposta que lhe convinha, quer na forma abrupta como concluiu, sem permitir o contraditório de Sampaio da Nóvoa às afirmações de Henrique Neto a seu respeito, o que constituiu um dos momentos mais indignos da televisão pública em tempos recentes»

Para que que acabem aqui as polémicas aqui ficam as minhas sugestões de perguntas a fazer ao candidato Nóvoa. Perguntas que a dirigente da Apre não desdenhará de dar como exemplo de perguntas bem formuladas:

a) O senhor que aceitou deixar o seu universo de saber para numa prova de solidariedade cidadã vir participar nesta campanha presidencial, o que nos tem a dizer sobre a forma como pensa vir a desempenhar as funções de mais alto magistrado da Nação?

b) O candidato Henrique Neto certamente peceberá que o professor Nóvoa mais habituado à reflexão precisa de um outro tempo para expor os seus argumentos, argumentos nascidos de uma vida dedicada a pensar, a pensar o outro, o outro que vai para além de nós e em nós está….

(Aqui acaba o debate porque o tempo está esgotado)

c) O professor Sampaio da Nóvoa visitou hoje os nossos estúdios onde manteve aprazível conversa com um dos nossos colegas e também com um simpático popular, chamado Henrique Neto, que foi ouvido com toda a atenção pelo professor Sampaio da Nóvoa que no contacto com o povo experimenta o refrigério de uma vida devotada a pensar o país.

 

 

Como é óbvio

6 Janeiro, 2016

Henrique Monteiro: Um ‘Charlie’ medroso, a fingir que não é.Passa amanhã um ano sobre o dia em que todo o mundo foi ‘Charlie’. Para comemorar essa ocasião o jornal faz um número especial que tem na capa um deus de metralhadora às costas e sangue nas mãos, em fuga, a quem chama assassino. Não me indigno com a imagem de deus assim representada. Apenas me entristeço pela falta de coragem e de conhecimento daquela equipa que gosta de ser tida por iconoclasta. A falsa rebeldia está em colocar um deus – que é obviamente o judaico-cristão, já que o muçulmano jamais é representado –, como fautor dos assassínios. Essa pretensa rebeldia é velha como o mundo e costuma dar em cérebros anquilosados. Não é possível fazer equivaler, salvo com má-fé, o deus de madre Teresa ao deus que manda decapitar infiéis; ou o deus do Papa Francisco ao deus de um irado Ayatollah iraniano ou de um dirigente waabita. Os nossos colegas pós-modernos, pensando-se a si mesmo como vanguarda, gostam de tratar tudo por igual.

o ministro que adora almofadas

6 Janeiro, 2016
by

O Ministro Pikolin:

Vai ser um estouro ainda maior do que o deste:

150508211850-kim-jong-un-sub-missile-test-0905-large-169

o ópio das intelectuais

6 Janeiro, 2016
by

Tenho pouca – ou nenhuma – consideração pela universidade francesa, sobretudo pela de Paris e, nesta especificamente, pelas suas secções de Ciências Humanas e Sociais, que, no século XX, principalmente na segunda metade, se dedicaram devotadamente à produção de ideologia marxista e soviética, que Raymond Aron denunciaria n’ O Ópio dos Intelectuais.

Todavia, até para o disparate deveria haver limites, mesmo se proclamado por uma senhora professora da Sorbonne (Paris IV), de Economia Portuguesa (pobres alunos!), que escreve, hoje, no Diário de Notícias, a pretexto da Frente Nacional, coisas que deveriam envergonhar qualquer caloiro, que passo a citar: «Acresce dizer que, apesar de ter vindo a ser encapotado por evidentes motivos eleitoralistas, o liberalismo, ou melhor, o ultraliberalismo, é a doença congénita da extrema-direita francesa. Que ela o preconize no âmbito de fronteiras fechadas, não muda nada ao seu culto da empresa (pequena e média), ao seu horror ao Estado Social, à sua aversão a um sistema fiscal equitativo. E a saída do euro, para restaurar a soberania nacional, não a impede de venerar a redução do défice e o desendividamento rápido do país, da mesma forma que a vociferação contra o estatuto do Banco Central Europeu não a inibe de defender a independência do Banco de França em relação ao poder político».

É triste constatar que a Universidade de Paris continua, em pleno século XXI, a produzir ideologia em vez de conhecimento.

Não tem nada de novo simplesmente acontecia na Praça Tahir

6 Janeiro, 2016

“Uma dimensão de crime completamente nova”: dezenas de mulheres atacadas por mil homens em cidade alemã

Lembram-se da Praça Tahir? Dos festejos pela queda de Mubarak? Das alegrias com a Primavera árabe? E de Lara Logan lembram-se também?

 

Que soneira

5 Janeiro, 2016

Como seria de prever, qualquer pessoa que tenha feito algo na vida quotidiana – como pendurar um quadro ou desentupir o sifão da pia da cozinha – só consegue ver nos debates com o doutor Nóvoa a vacuidade de alguém cujo lero-lero não serve para mais que enfadar convivas com azar na distribuição de lugares à mesa. Não que os outros candidatos sejam particularmente bons: o doutor Nóvoa é que é fraquinho ao ponto de tornar os outros em pessoas originalmente frescas quando dialogam sobre assuntos como o corte juliana da couve-roxa.

A sensação de ouvir Sampaio da Nóvoa é parecida com a que uma pessoa pragmática tinha ao ouvir Agostinho da Silva deambular sobre o nada. Ao menos, Agostinho da Silva, ao deixar-se levar por vacuidades genéricas das que encaixam bem numa imagem para o Facebook, fazia-o com uma pronúncia e severidade que permitia a aura de velho chefe índio dos que falavam por enigmas, algo que evidencia uma sabedoria superior para o simplório ou, mais objectivamente, uma demência não diagnosticada para todos os outros.

Mesmo assim, não é a Marisa Matias. Até porque, muitas vezes, nem a Marisa Matias é a Marisa Matias.

Desde a viagem do Presidente Carmona a África

4 Janeiro, 2016

que não se via visita tão prazenteira. Deus guarde o sr ministro e o senhor Jerónimo mantenha o dr Mário Nogueira em bom recato. Assim dá gosto ter ministros, governo e fazer reportagens. Os pais indignados desapareceram, as crianças têm vergonha de falar perantes pessoas tão importantes, os professores sorridentes agradecem…

marcello em alta

4 Janeiro, 2016
by

Ao longo do dia de hoje, a TSF foi-nos alegrando com uma reportagem noticiosa sobre a visita de S. Ex.ª o Ministro da Educação e respectiva comitiva, a uma escola secundária da Baixa da Banheira, na Moita. Durante a reportagem, escutaram-se professores embevecidos e petizes intimidados perante tão ilustre visitante («então, agora já ninguém diz nada?»), pedidos que mais pareciam preces de clemência («quereis um ginásio, não quereis?»), aclamações e vivas diversos e multifacetados, ao que o Senhor Ministro respondia em tom eufórico e cordato, certamente satisfeito com o impacto da sua pessoa naquelas alminhas simultaneamente tão puras e tão simples. Não há dúvida que Marcello, o homem e o seu estilo, está novamente em alta. Marcello Caetano, claro.

Ainda a propósito das não notícias

4 Janeiro, 2016
Francisco  José Viegas: O silêncio que se abateu sobre a vinda a Portugal do dissidente cubano Guillermo Fariñas, Prémio Sakharov em 2010, foi ruidoso o suficiente para relembrar a conivência dos intelectuais com o regime cubano e o fascínio que a ditadura castrista exerceu sobre eles – e sobre a esquerda que gosta de retratos de Guevara e que fechou os olhos ao Gulag. Que o governo tenha recusado recebê-lo são minudências diplomáticas; que o presidente do Parlamento tenha mantido igual recusa é uma vergonha. Que os intelectuais não tenham tido uma palavra é o normal, fascinados que são pelas ditaduras dos trópicos. A prova é a mordaça em redor da Venezuela, onde uma ditadura neurótica mantém na prisão o líder da oposição e se dá ao luxo de nomear um parlamento próprio para substituir o eleito. Calados, imunes e sem vergonha.

A doideira

4 Janeiro, 2016

O que mais assombra nos candidatos presidenciais é a sua manifesta ignorância acerca dos poderes presidenciais. Eles não estão a candidatar-se a PR mas sim a caudilhos.

As não notícias

4 Janeiro, 2016

Quantas notícias tivemos sobre os incidentes na Córsega? E sobre os carros que arderam em França na noite da passagem do ano, data em que estavam mobilizados 100 mil agentes para garantir a segurança naquele país? E a tentativa de atropelamento de quatro militares junto a uma mesquita em Valence?…. As não notícias são tão importantes quanto as notícias. Às vezes ainda mais que as notícias. Porque as não notícias mostram como os jornalistas resistem a desfazer as suas ilusões.

E a culpa é de quem?

4 Janeiro, 2016

Umas boas almas tomaram-se de enlevos pelo candidato Nóvoa. Era mais que óbvio que o senhor não resistiria a 10 minutos fora daquele ambiente redondo dos colóquios e conversas similares do estilo somos todos tão inteligentes, tão sensíveis, tão superiores…  No debate com Henrique Neto foi o desastre que se viu e agora a culpa é do José Rodrigues Santos que não lhe fez as perguntas fofuchas adequadas àquele estar. Deixem-se de palermices está bem?

os que lhes vai nas cabeças

3 Janeiro, 2016
by

Diz-se, por aí, que Paulo Portas, nesta sua renovada hora da despedida, terá recomendado aos seus eventuais sucessores que passem a prestar mais atenção aos problemas das pessoas e a resolvê-los, em vez de andarem a perder tempo com grandes teorias políticas.

Curiosamente, é isso mesmo que o PS de António Costa tem feito no governo: os reformados e pensionistas queixam-se de terem visto as suas pensões reduzidas e Costa já anunciou que as reporá; os funcionários públicos reclamam dos cortes salariais e Costa já disse que tudo voltará a ser como dantes; os depositantes madeirenses e açorianos do BANIF recearam pelos seus depósitos e Costa imediatamente lhos garantiu; os contribuintes não gostam de pagar a sobretaxa do IRS e Costa já prometeu reduzi-la, primeiro, e extingui-la, logo a seguir; o Bloco e o PC são contra a privatização da TAP e dos transportes públicos e Costa já anunciou a reversão dos respectivos processos; os empresários da restauração abominam o IVA que pagam e Costa já lhes jurou que o baixará.

Acontece que, no caso de Costa, bem ou mal, o que ele tem vindo a fazer corresponde a um pensamento: Costa é socialista e, como socialista que é, acredita na virtude do investimento público, no efeito multiplicador do consumo instigado pela despesa do estado e, subjacente a isso, que a austeridade foi uma causa e não uma consequência, uma política e não o resultado de políticas anteriores, e que foi ela a responsável pela situação lamentável em que se encontra a economia do país. Deste modo, bastará inverter as suas medidas mais emblemáticas para que tudo fique como dantes.

Para responder a isto há duas possibilidades: ou se opta por fazer o mesmo, ou ainda pior, “resolvendo” imediatamente os problemas das pessoas, ou se faz diferente por se acreditar em ideias distintas, e explica-se porquê às ditas pessoas. A esse propósito deveriam os candidatos ao lugar do dr. Portas, antes de qualquer proclamação voluntarista e ao invés do que ele terá sugerido, começar por nos dizer em que é que acreditam, se é que acreditam nalguma coisa, e que ideias transportam nas suas privilegiadas cabecinhas. E, no caso das questões acima elencadas a propósito do dr. Costa, o que eles têm de explicar também é o que é que andaram a fazer no governo nos últimos quatro anos. Eles e o dr. Portas, naturalmente.

O pior é quando lhes dá para a prosa poética!!!

2 Janeiro, 2016

DN, António Costa Em 1974, Sérgio Godinho, cantou que “a sede de uma espera só se estanca na torrente”. Depois destes brutais anos de austeridade, temos de gerir com inteligência a torrente, transformando a sua força em energia e progressivamente ir alargando as margens, aplacando a velocidade a que corre o caudal, permitindo navegação tranquila e com rumo certo.

A esquerda festiva adora estes dizeres. O candidato Nóvoa por assim dizer é um falar poético ambulante. A inspiração já chegou a  António Costa. Ao menos o Lello cantava!!!

O bebé do ano (reprise)

2 Janeiro, 2016

Já em tempos referi o logro que é “o bebé do ano”. Ora aparece um bebé do ano por grupo de média; ora o bebé do ano mais a jeito nasceu às 6h47 e, não sendo uma notícia séria, qualquer um serve, desde que seja bebé e tenha aparência de ter nascido há menos de 3 meses; ora um hospital telefona para uma das televisões a dizer que tiveram um bebé a nascer precisamente às 0h00, que até empurraram a cabeça do ser um bocadinho para garantir que não brotava para um mundo onde se determina o bebé do ano antes de o ano ser oficialmente declarado como novo, daí terem a certeza absoluta da criação imediata de utilidade para aquele humano, que daí será sempre a descer.

A minha sugestão para hospitais mais pequenos conseguirem o bebé do ano de 2017 é telefonarem para as televisões às 0h03, afirmando que nasceu exactamente à meia-noite e sublinhando que, caso não o noticiem como “o” bebé do ano, o assassinarão para que noticiem, então, o primeiro aborto pós-natal do ano. Chega de paninhos quentes.

Realmente também me parece óbvio que António Costa não ganhou as eleições

2 Janeiro, 2016

PS diz que portugueses rejeitaram o caminho da incerteza nas urnas. A reação dos socialistas à afirmação do Presidente da República de que se vive “um tempo de incerteza”

A milícia trauliteira no jeito do costume

2 Janeiro, 2016

PCP: Mensagem de Cavaco é um ‘conjunto de mistificações’
BE afirma que a novidade da mensagem de Ano Novo de Cavaco Silva é ser a última

Quotas para a liberdade não-opressora que se auto-oprime, a burra

31 Dezembro, 2015

Têm aparecido artigos nos media que tentam analisar, no fundo, se existem diferenças entre os sexos motivadas pelo condicionamento que a sociedade gera em crianças, crianças estas bafejadas pela sorte de serem paridas numa sociedade tão desprovida de carências sérias – como fome e guerra – que se pode permitir o luxo de pensar em questões pseudo-filosóficas sobre a igualdade ou desigualdade dos sexos.

Os-sexos

A saia tapa a ausência de pénis da menina, uma noção freudiana paradoxalmente levada ao extremo na versão masculina que dispensa vestuário para tapar o inexistente pénis.

No artigo da Maria João Marques – com quem concordo – discute-se se os brinquedos dados às crianças condicionam o papel que a sociedade espera delas, oprimindo-as com estereótipos e essas tretas do mundo moderno que ditam que uma árvore não tem que ser uma árvore, pois pode bem ser um helicóptero; ou ainda, que uma mulher não tem que ser mulher, pois pode preferir ser um figo seco. Bem, no caso das meninas, parece-me evidente que um bebé de plástico que chora, absorve líquidos e faz uma espécie de xixi aguado por um tubo sem válvula parecida com a maravilha das diferenciadas válvulas que dotam os humanos não plásticos, é um atentado aos meninos, quer venham ou não a pegar de empurrão no futuro condicionado, que são torturados desde a nascença com a constante lembrança da sua carência irreversível de útero. Porém, no caso de brinquedos associados à culinária e tarefas na cozinha, acho que é importantíssimo que sejam apenas presenteados a crianças do sexo feminino, algo que explicarei mencionando o segundo artigo que pretendo referir, o do Luís Aguiar-Conraria – com quem muito simpatizo, assinale-se.

No artigo do Luís mencionam-se quotas e se estas não poderão ser uma forma de assegurar que os grunhos, satisfeitos com a noção freudiana de que todos querem ter um pénis, sejam de que sexo forem – e eles já o têm -, não possam exercer poderio e vigor no mundo político e empresarial pelo concubinato das expectativas sociais que têm por base o candidato que consegue projectar mais longe a urina, invertendo a catenária inversa da trajectória de poder para uma representação mais bela, como a curva de uma clitoria. Em defesa das quotas, exijo, então, que brinquedos de cozinha sejam oferecidos apenas a meninas, contrariando o que anteriormente disse acerca da concordância com o texto da Maria João Marques: Gordon Ramsey, Jamie Oliver, Joël Robuchon, Alain Ducasse, Rick Stein, Anthony Bourdain, Ferran Adrià, Wolfgang Puck, Heston Blumenthal… É um excesso brutalmente musculado de pénis na cozinha. Verdade, ainda há uma Nigella Lawson mas, desde que Julia Child e Filipa Vacondeus deixaram os nossos ecrãs televisivos, a culinária tornou-se num mundo demasiado condimentado com testosterona. É, pois, fundamental trazer as mulheres para a cozinha, destruindo esta quase total hegemonia masculina. Daí que, ao abrigo da ridícula ideia de quotas anti-opressoras, dê por mim como ferrenho defensor da brinquedos de cozinha só para meninas como defesa da igualdade.

Ou, parafraseando um grande artista português, isto é como os interruptores: ora para cima, ora para baixo.

Dotava a tua epiderme com amostras da minha saliva

30 Dezembro, 2015

Parece que o terrível problema do piropo é ser usado por indivíduos pouco imaginativos, incapazes de substituírem um “lambia-te toda” por um mais agradável “preencherias os meus serões na província com infusões de camomila e leituras de Proust”. Habitualmente, o farsante a quem se atribuem maiores culpas nesta matéria de indelicadeza com os rituais pré-reprodutores da espécie costuma ser o técnico de estruturas civis, vulgarmente conhecido por trolha. Os alvos tendem a ser, e também eles estereotipados, as técnicas de burocracia empresarial, vulgarmente conhecidas por secretárias, cada uma destas referida habitualmente por “secretária do senhor doutor”, um indivíduo que, sobre a profissão, a única coisa que sabe é que não é a de médico, engenheiro ou arquitecto. Vá, um antropólogo da junta de freguesia, digamos. São sempre filhas de alguém, claro, que até as MILF são filhas de alguém, pelo menos para já, que a ciência e o progresso estão a tentar resolver esse problema abismal da reprodução com canseira; e são sempre estereotipadas porque as outras, as inteligentes, essas sabem bem como reagir e até como calar um típico azeiteiro.

Porém, o problema decorrente de culparmos o trolha é a crítica implícita à especialização do indivíduo. Após 12 anos de investimento na educação do ser, seguida de cursos de formação do IEFP e, finalmente, concluída – após estágio – com pós-especializações em reboco delgado e sistemas acril-siloxânico, tudo que a besta consegue dizer é “lambia-te toda”. Andamos a falhar na formação do indivíduo inserido numa sociedade inclusiva e pan-sexual. Creio, por exemplo, ser importante trazermos Proust para a formação dos trolhas. Um pouco de Hegel, muito Gramsci e Sartre em doses q.b., que a visão ampla do mundo é fundamental para um técnico de estruturas moderno, conhecedor de Žižek e igualmente farfalhudo na substituição de lugares comuns (“lambia-te toda”) por provocações mais adequadas ao mundo ocidental, como (parafraseando): “se tivesse que arranjar um motivo para te amar é porque não te amo”, possivelmente adulterado para “se tivesse que arranjar um motivo para te lamber toda então não vale o esforço”.

O outro problema com o piropo insultante que termina em condenação com a recém-aprovada lei coisa é que o trolha continua a não ter formação legal para saber que pode vir a ser condenado por um “lambia-te toda” irreflectido, saído no calor do momento entre porradas de maceta em escopro que penetra, firme e hirto, em rocha seca e dura. Até porque a cadência de um “lambia-te toda” entre o ping-ping-ping na pedra não está tão longe assim do shuffle de uma locomotiva a vapor das que inspirou Robert Johnson a vender a alma ao diabo por destreza nas 6-cordas, quem sabe se por falta de uns “lambia-te toda” a pontuar cada passagem fugidia pela terceira menor numa pentatónica perfeita. Como a ignorância não permite que um tipo se esquive à lei – excepto se formos ex-governantes, ex-governadores e ex-gestores de património – o trolha está lixado à partida e nem sabe. Devia era ir colher algodão sob a força do chicote, que é para aprender.

Para que a sociedade avance, precisamos de denúncias. Pessoas corajosas que se dirijam à esquadra mais próxima e apresentem queixa: “senhor guarda, ele disse que me lambia toda”. Também é preciso combater as respostas iniciais de policias não treinados, eventualmente na linha de “mas lambeu-a?” e acenar sempre com um “podia ser a sua filha”, esperando que o polícia não ruborize ao recordar-se de ter deixado por apagar o histórico do browser após a sessão nocturna do YouPorn no computador da família. Mas, para que a sociedade avance, precisamos também de formação específica mesmo nos cursos específicos – como o de trolha – para que saibam exactamente aquilo que pode ser dito às pessoas que acreditam terem o direito divino de não se sentirem ofendidas. Até porque, convenhamos, muitos “lambia-te toda” são meros excessos de linguagem e não promessas: o que, vai-se a ver, pode ser ainda mais ofensivo para as visadas ofendidas.

nada mais para legar

30 Dezembro, 2015
by

Portugal deve alguma coisa a Paulo Portas, e mesmo os seus detractores não enjeitarão agradecer-lhe O Independente, reconhecer-lhe a mestria de ter transformado um cadáver putrefacto – o CDS – num partido de governo e de ter entregue um partido à direita, o que sucedeu pela primeira vez após o 25 de Abril. É muito, é quase imenso para um político que se reforma apenas com 53 anos de idade.

Mas, apesar de tudo isto, Paulo Portas não deixa um projecto político, nem foi capaz de o criar. O CDS é «o partido do Paulo» e, apesar do brilhantismo do «Paulo» ou, se calhar, por causa dele, o CDS não tem alma própria, nem existência real, o que é bem visível na quase inexistência autárquica do partido. Se alguém estiver interessado em encontrar no CDS, não digo um programa político ou uma ideologia, duas ou três ideias avulsas que o caracterizem politicamente, não será fácil achá-las. E se procurar por dirigentes que tenham contribuído para definir o CDS (ou parte dele) achará, nos últimos anos, apenas dois nomes: António Pires de Lima e Adolfo Mesquita Nunes. Infelizmente, ambos já anunciaram que se vão afastar do partido e da política.

O problema da demissão de Paulo Portas não está, assim, em encontrar-lhe um sucessor. Nomes e candidatos não faltarão. Mas no facto do carisma de Portas não se transmitir «mortis causa» e do CDS não ter mais nada para legar.

Presidenciais 2016: um critério de escolha

29 Dezembro, 2015
by

Dentre os candidatos já confirmados, seleccione aqueles que já fizeram algo pelo País, que já criaram riqueza q.b., em suma, que deram um contributo visível para o PIB. Pouquíssimos passarão por este crivo. Um Presidente com tal perfil será pessoa prudente e sensata e, da sua eleição, não advirá grande risco para o País. Os restantes (a grande maioria), têm o péssimo hábito de parasitarem o esforço alheio, de viverem dos impostos pagos por outrém. Elimine-os.

Presidenciais 2016

29 Dezembro, 2015

Já tivemos. Não gostámos. Chamava-se imprensa nacionalizada

29 Dezembro, 2015

Alexandra Lucas Coelho sobre o PÚBLICO: «Projectos como este jornal podem, devem, actualizar a publicidade para o digital, mas por mais cortes que façam, sacrificando trabalhadores, diversidade e profundidade, têm pouca hipótese de sobreviver com vendas e publicidade. A mudança histórica, então, seria deixarem de ser pensados como um negócio — propício ao prejuízo, a cada ano decepcionante para accionistas e desestabilizador para trabalhadores que vão perdendo condições — e serem tomados como responsabilidade social. Colectivos decisivos para a democracia, para uma sociedade mais complexa, livre e justa…».

2015 num parágrafo ou três

29 Dezembro, 2015

O acontecimento mais relevante de 2015 foi o esgotamento da retórica catastrofista do ultra-liberalismo. Sem a coisa pegar, as aivecas do regime lá perderam as eleições, revolvendo e revirando o discurso que originaria o regresso ao estado natural das coisas: governa quem o PS decide que tem que governar, ora no Governo, ora na Presidência, ora no Constitucional. Após o período de choque decorrente de anos à espera da inevitável Grande Vitória eleitoral que poria o país no rumo do crescimento factorial induzido pelo multiplicador mágico via consumo oriundo de expansão salarial SCUT, nada, puf, pífia votação e humilhação que poria Costa a engolir em seco o azedume do cravo, que “é vosso” arrancado ao vaso diariamente regado por António José Seguro. Deu-se um jeito ao resultado, fingindo que as esganiçadas eram um partido e simulando que há diálogo possível com comunistas e, sem rede nem fralda, lá foi Costa, acompanhado de Centeno, rumo ao picadeiro com serrim em abundância para entorpecer a visão de portugueses fartos de trapezistas.

Alguns dias depois da formação do Governo mais Governo de sempre, além e aquém dos escombros do Muro de Berlim que Costa, com angélicas asas derrubou por sopro de querubim chalado, já a vil direita sustentava o Governo em ruptura consigo próprio, que esganiçadas e comunistas não estão nisto pelo sabor, só como levedura para inchar massa governativa de ar suficiente para a fofura das coisas simpáticas.

O acontecimento relevante de 2015 foi a formação do Bloco Central sem Bloco Central, com todas as vantagens que isso acarreta: quando o Bloco Central falhar, o que não deverá demorar muito, não foi o Bloco Central, foi a liberdade e expressividade dogmática das esquerdas unidas, complementares na sua divisão do sudário de um fragilizado Portugal que, invariavelmente, não ata nem desata no início da que será a terceira década perdida consecutiva.

Fantástico

29 Dezembro, 2015

A dra Maria de Belém  manifestou-se nestes termos acerca da hiperactividade.

“A hiperatividade é o contrário da discrição, porque um hiperativo está sempre a mostrar-se, está sempre a aparecer, está sempre em entrevista, está sempre a interferir. Portanto, acho eu, a hiperatividade é, ela própria, um sinal de potencial instabilidade para quem vai exercer o cargo de Presidente da República porque um hiperativo não consegue estar sossegado. Um hiperativo está sempre à procura de momentos para aparecer, para intervir e para dizer ‘estou aqui'”.

A dra Maria de Belém  acha que Marcelo Rebelo de Sousa é hiperactivo e como tal 

é o contrário da discrição,

 está sempre a mostrar-se,

está sempre a aparecer,

está sempre em entrevista,

  a hiperatividade é, ela própria, um sinal de potencial instabilidade

para quem vai exercer o cargo de Presidente da República

um hiperativo não consegue estar sossegado.

Um hiperativo está sempre à procura de momentos para aparecer, para intervir e para dizer ‘estou aqui'”

Fantasticamente nem uma palavrinha se ouviu na Pátria acerca destes considerandos da dra Maria de Belém. nem os pais dos hiperactivos protestaram. Os hiperactivos calaram-se. Os especialistas em hiperactividade fizeram-se desentendidos… Fantástico não é?

Essa lei é boa, boa, boa. Mesmo boa, como o milho

28 Dezembro, 2015

prod_img_0818166001336983366_41447Como acabar com o piropo, mudar comportamentos e ser altamente educador da classe baixa que importuna pessoas do sexo feminino da classe alta o suficiente para conseguir que se ande a legislar tretas? A minha sugestão é usar-se, como foi feito, leis e proibições que funcionam, por exemplo, a proibição de circular na auto-estrada a mais de 120 km/h.

Desde que colocaram as placas de velocidade proibida acima de 120 km/h, os comportamentos mudaram e as mentalidades mudaram. Agora ninguém circula em excesso de velocidade. É por isso que acho que a proibição do piropo vai ser um sucesso e teremos óptimos números já na operação Páscoa da GNR contra o piropo ilegal.

Se tivesse lançado um piropo isso sim era razão para ser despedido

28 Dezembro, 2015

agora “adulterar pesagens de sucata” a favor de um amigo não só não dá direito a despedimento com justa causa como até se recebe uma indemnização. De 80 mil euros!