linhas tortas
Bloco de Esquerda e Partido Comunista recuperam os feriados do Corpo de Deus (26 de maio) e do Dia de Todos os Santos (1 de novembro). Os tais feriados religiosos a que a direira reaccionária e ultramontana tinha posto termo. Estranhos são os caminhos do Senhor, que cada vez mais escreve direito por linhas tortíssimas. A Opus Dei agradece.
O tempo dos pós-socráticos
Os pós-socráticos estiveram no poder com Sócrates e com ele perceberam como a esquerda democrática, esgotado o modelo do socialismo por falta de dinheiro para distribuir, ficou disponível para apoiar mais caudilhos do que líderes porque os primeiros ao contrário dos segundos lhes reforçam a ilusão de que o mundo gira consoante a sua vontade. Mas a maior dívida de gratidão dos pós-socráticos para com Sócrates nasce do facto de Sócrates e as suas estapafúrdias circunstâncias de vida terem poupado o PS e os dirigentes socialistas que o rodeavam a serem confrontados com o balanço da sua governação.
Ao reduzir-se o balanço dos anos de Sócrates à frente do PS ao anedótico dos envelopes com garrafas e à estrambólica megalomania que caracterizava o antigo primeiro-ministro, eximiu-se o PS de prestar contas pelo desastre a que não só por sua responsabilidade mas em grande parte por ela o país chegou em 2011.
E o leite gordo que mal fez ao Pai Natal?

Por essas redes sociais fora salta-me este anúncio. Espero que para o ano o Leite Gordo não tenha sido saneado. Cada vez é mais difícil encontrá-lo. Na verdade para gordo falta-lhe muito. Mas algo me diz que está a caminho da extinção.
A Universidade de Salzburgo não aprendeu nada com o passado
A Universidade de Salzburgo, na Áustria, retirou postumamente o título de doutor honoris causa ao etólogo austríaco Konrad Lorenz – galardoado com o Prémio Nobel da Medicina de 1973 pelos seus trabalhos sobre comportamento –, devido ao seu passado nazi.
Zoólogo mundialmente conhecido pelas suas investigações em etologia, ciência comparada do comportamento animal e humano, Konrad Lorenz (1903-1989) destacou-se na década de 1930 pela sua vontade em “difundir a ideologia nazi”, considerou esta quinta-feira a Universidade de Salzburgo, que tinha atribuído o doutoramento honoris causa ao investigador em 1983.
No seu pedido de adesão ao partido nacional-socialista (nazista), formulado menos de quatro meses depois da anexação da Áustria pela Alemanha em 1938, e que foi analisado pela Universidade de Salzburgo, Konrad Lorenz sublinhava ter posto “toda a [sua] vida científica (…) ao serviço do pensamento nacional-socialista”.
Konrad Lorenz partilhou o Nobel da Medicina de 1973 com o alemão Karl von Frisch e o britânico Nikolaas Tinbergen, pelas descobertas relativas a padrões de comportamento individuais e sociais. A perda do título de doutor honoris causa inscreve-se no reexame de todas as distinções atribuídas no passado pela Universidade de Salzburgo e em que vários dos distinguidos são suspeitos de envolvimento com o regime nazi.
Em algumas das nossas universidades o problema nem se coloca
Como é que nunca se lembraram disto antes?
Miss World bans bikini after fears it objectifies women for men’s pleasure
Até que podem ir de burka e fazer um exame em grego antigo, caligrafia chinesa e físca quântica.
Deixe lá, quando for presidente dos EUA vai fechá-la na hora
Já é muito não perguntar
O Pedro Silva Pereira que a TVI convidou para comentar a entrevista de José Sócrates é este mesmo Pedro Silva Pereira Milhões nas contas de Santos Silva pagavam casa a filho de Silva Pereira?
presentes de natal
o eterno homem providencial
Sintomaticamente sentado numa cadeira que não poderia ter escolhido melhor, a de Pacheco Pereira, na Quadratura do Círculo, Rui Rio profetizou que Passos
Coelho terá extrema dificuldade em ganhar as próximas eleições legislativas. Porquê? Porque, segundo ele, o eleitorado tomará a decisão entre Costa e Passos, e só se o primeiro falhar escandalosamente é que preferirá o passado da austeridade que já conhece do governo da coligação PSD-CDS. Daqui podem retirar-se, pelo menos, três conclusões sobre o que pensa Rui Rio: primeira, que ele acha que Costa não vai falhar; segunda, que ele é um crítico severo do último governo do seu partido; terceira, que ele prefere o que António Costa se prepara para fazer no governo, do que aquilo que foi feito pelo governo do PSD.
Se isto for assim, sem dúvida que Rui Rio estará numa posição privilegiada para suceder a Passos e tomar conta do PSD. Isso mesmo lhe foi perguntado, com todas as letras, pelo moderador do programa, sem que ele tenha desmentido, pelo contrário, deixando claros indícios de que estará disponível para isso. No fim de contas, é sabido que Rio e Costa se entendem como Deus e os anjos, e que, para esta forma de ver o PSD, ser amigo do actual primeiro-ministro é um requisito que reforça a possibilidade de se alcançar a chefia do partido. De qualquer partido, diria mesmo. Está assim chegada a hora da verdade para Rui Rio: ou avança ou fica onde está. Como, de resto, nos últimos quinze anos sucedeu, pelo menos, três vezes. Sorte do PSD em ter um homem eternamente providencial, com o mérito de nunca se ter desgastado com a prova da responsabilidade de governar
. Assim, até o D. Sebastião teria evitado Alcácer-Quibir.
Sócrates na TVI – a não análise
Imagino que a quase dúzia de leitores interessada em ler a minha opinião sobre a entrevista da TVI a Sócrates esteja à espera deste texto. Podem, inclusivamente, esperar um esforço com alguma piada, alguma ironia – talvez até sarcasmo -, como tentativa de descrever o comportamento do macabro indivíduo no descabido e desproporcionado frete que, por mais de duas horas horas em horário nobre, a TVI, qual estação venezuelana, concedeu à necessidade egocêntrica do indivíduo em pontificar o exibicionismo rústico que o caracteriza. Podem esperar até uma análise às incongruências, contradições, acusações, insinuações, justificações e invenções que Sócrates, no pedestal que imagina pisar, atirou a um passivo facilitador de propaganda pueril ao abrigo do politicamente correcto que suga o jornalismo de relevância. Porém, não vou fazer esse texto porque, o que eu quero mesmo, é que o Sócrates e a pastorícia que o enaltece se lixem; e digo “lixem” porque, se dissesse “fodam”, haveria o risco de, contrariando a evolução natural das espécies, acabarem por se reproduzir.
Hoje, na TVI
o que é a frente nacional
Quem julga que a Frente Nacional é uma agremiação nazi ou fascista, preocupada com a progressão do sionismo no mundo, comete um grave erro de análise. É verdade que o velho – e entretanto expulso – Jean Marie Le Pen tinha frequentes ataques de saudosismo pré-45, mas ele não era mais do que a face visível de um partido de contestação, constituído por inúmeras tendências políticas, das quais a direita mais extrema é seguramente a menos importante.
Foi isto mesmo que representou a ascensão de Marine ao comando do partido, processo que quase unanimemente foi (mal) entendido como uma simples sucessão de lugares de pai para filha. A separação de águas que ela estabeleceu entre si e o seu progenitor traduziu a velha distinção que sempre existiu entre a França rural, reaccionária e conservadora, monarquista e religiosa, e a França urbana, revolucionária e jacobina, intrometida e totalitária, de quem o fascismo e o nacional-socialismo são parentes muito próximos, ao invés da primeira. Quem conhecer um pouco da história do país e das suas ideologias, certamente não procurará as origens e parentescos da Frente Nacional de Marine Le Pen no racismo hitleriano ou no modernismo revolucionário de Mussolini. Procurará na Vendeia, no Terror Branco ou na politique d’abord de Maurras. E é aqui que encontrará as suas raízes.
A Frente Nacional de Marine Le Pen, que hoje certamente dará um passo decisivo na sua lenta caminhada para o poder, é uma federação de movimentos e sentimentos reaccionários franceses. Ultimamente, de reacção contra a islamização das principais cidades francesas e a insegurança generalizada que daí resultou, e que foi consequência de um equívoco esquerdista que confunde cosmopolitismo e direitos humanos com laxismo, transigência e relativismo civilizacional e religioso. Em cima disto, um desprezo profundo pela classe política tradicional, à esquerda e à direita, que não conseguiu sair do politicamente correcto, nem impedir os massacres terroristas. O que daqui resultará está ainda por perceber.
A notícia que não houve
A revolta no meio dos artistas urbanos do Porto segundo Rafi e o PÚBLICO
A propósito da morte dos três jovens no apaeadeiro de Águas Santas o PÚBLICO ouviu Rafi: Rafi, arquitecta, writer e proprietária de uma loja do Porto de material para graffiters , que explicou o silêncio em que se têm fechado os artistas urbanos do Porto com a “enorme revolta” que sentem. Em declarações ao PÚBLICO, Rafi defendeu que os funcionários da CP deviam receber formação para lidar com situações do género e que na segunda-feira deviam ter chamado a polícia
Cara dona «Rafi, arquitecta, writer e proprietária de uma loja do Porto de material para graffiters» o que devem fazer os passageiros? Provavelmente esperar sossegadamente que os jovens terminem o que o PÚBLICO designa como «aquele tipo de desafios promovidos por graffiters» no qual um dos jovens tenta «barrar o fecho de uma das portas da composição O objectivo, estes casos, é impedir que o comboio se ponha em movimento, dando tempo aos restantes elementos do grupo para pintarem.»
Pois. Podia lá ser doutro modo. A dona «Rafi, arquitecta, writer e proprietária de uma loja do Porto de material para graffiters» por acaso sabe onde se vendem os produtos para eliminação dos graffitis das carruagens? é que no caso da CP estamos a falar de centenas de milhares de euros por ano.
Sobre rankings
A quem interessam os rankings das escolas?
- Famílias;
- Escolas boas como validação do trabalho feito;
- Escolas más que querem melhorar;
A quem interessa que não se publiquem rankings das escolas?
- Escolas más que não querem melhorar;
- Ministérios que funcionam através do obscurecimento e supressão de informação;
- Governos que conquistam votos através do atirar de dinheiro dos contribuintes para classes profissionais numerosas e que se queixam de que “esta não é a questão essencial” ou de problemas metodológicos irresolúveis;
- Profissionais da revolução de sofá para que se assegure a fabricação de factos que servem de combustível para a indignação;
- Todo e qualquer ser com mentalidade de funcionário.
plural
Vivemos em sociedades plurais. Isso significa que não pensamos todos o mesmo sobre as mesmas coisas, embora aquilo que pensamos possa ser igualmente relevante para o destino de todos. Aceitando que, numa sociedade plural, todos temos direito à opinião, não poderemos contudo presumir que duas opiniões divergentes sobre a mesma coisa sejam igualmente verdadeiras e boas. Todavia, numa sociedade plural, a opinião que hoje prevalece e incide sobre as coisas comuns poderá ser integralmente diferente da que se segue algum tempo depois. Uma delas, pelo menos uma delas, estará seguramente errada. Embora ambas repercutam sobre cada um de nós. É isto. Boa noite e um bom domingo.
Sofistaria
Tomando em consideração que um esquerdista é um tipo cuja filosofia é a da ingratidão para com a realidade, único factor que lhe permite teorizar o desejo em virtude da disponibilidade providenciada por essa mesma realidade que despreza, há 3 pontos não mencionados no argumento progressista de que os rankings das escolas mostram, sobretudo, a realidade sócio-económica dos alunos:
- Se os alunos têm maus resultados porque são pobres, daí decorre que alunos ricos têm melhores resultados. Com esta premissa, a escola, nos moldes actuais, é, inevitavelmente, promotora de imobilidade social: ricos continuam ricos, como os pais; pobres continuam na cepa torta, a sina de família.
- Porém, em situação de perfeita igualdade, a mobilidade social é nula, dependendo apenas de factores externos ao ensino, como o enriquecimento da sociedade de forma global.
- Dos pontos anteriores pode concluir-se que maus alunos em más escolas e bons alunos em boas escolas é a situação ideal para que a mobilidade social seja reduzida, portanto, aproximando a sociedade à igualdade almejada.
Vai-se a ver, talvez não seja um grande argumento.
O problema não está na recusa. Está na obrigação que vem atrás
O Correio da Manhã volta à questão que tratei na crónica do Observador da passada semana: O guia para “Acolhimento de refugiados” agora editado pela a Direcção-Geral da Saúde que entre outras coisas prevê a organização dos serviços de saúde em função de questões religiosas.
Escreve o CM. Refugiadas podem recusar médico homem. E logo o fantástico bastonário da Ordem dos Médicos diz que siom, que lhe parece normal: “Os profissionais de saúde estão sensibilizados para as questões do doente. Tem de se respeitar as idiossincrasias dos utentes. Existe um livrinho sobre as especificidades de cada religião.”
Esquece o idiossincrático bastonário que não é uma questão de especificidades ou idiossincrasias. Ou até do direito à recusa d eum tratamento. As Testemunhas de Jeová recusam as transfusões de sangue e estão no seu direito. Mas não obrigam os serviços de saúde a criar espaços sem sacos de plasma nem transfusões de sangue de modo a que elas não estejam rodeadas de pecado.
A questão que as mulheres muçulmanas ou os seus maridos por elas estão a levantar por essa Europa fora é outra: é simplesmente obrigar os hospitais a criarem serviços diferenciados para as atender.
E essa imposição é a todos os títulos inaceitável.
Cultura nacional reprodutiva, edição 2015
Em 2015, e até agora, o filme português mais visto foi “O Pátio das Cantigas” de Leonel Vieira. Com 606.316 espectadores, obteve uma receita bruta 3,1 milhões de euros. A média de espectadores por sessão foi 40,84, o que originou uma receita bruta média de 208,58€ por sessão.
Outros não tiveram tamanha sorte. “Crime”, de Rui Filipe Torres, conseguiu ser visto, no total, por 48 pessoas distribuídas por 13 sessões, com uma média de espectadores por sessão de 3,69 (mais 27% se contarmos com o projeccionista). A receita bruta por projecção foi 21,38€, o que permitiu obter uma receita bruta total de 278€, o que permitiria ao produtor encomendar 21 pizzas média da Pizza Hut, caso fosse um valor líquido, o que não é, lamentavelmente.
“Alda e Maria – Por aqui tudo bem”, de Pocas Pascoal, conseguiu atingir a receita bruta total de 709,9€ nas 14 sessões que levaram 136 pessoas ao cinema. Foi um bocadinho melhor, já se deve enquadrar no âmbito de investimento reprodutivo de multiplicador cainesiano abismal na cultura.
“A Uma Hora Incerta”, de Carlos Saboga, com 269 exibições, conseguiu levar 2003 espectadores ao cinema, originando uma sala, em média, com 7,45 pessoas ou, visto por outro prisma, dois casais e uma ménage à trois com o bebé a dormir no carrinho. Com 269 exibições, o filme obteve a receita bruta total de 7263,29€ ou 27€ por sessão.
Mais cultura pode ser encontrada nos Rankings 2015 do ICA [ficheiro Excel].
nem ele
As próximas eleições presidenciais acontecem num momento particular da vida política do país, que dará mais protagonismo ao Presidente da República do que o que tiveram os seus mais próximos antecessores, devido à fragmentação do eleitorado e à dificuldade da obtenção de maiorias absolutas no parlamento. Por outro lado, nunca o putativo futuro presidente, Marcelo Rebelo de Sousa, de acordo com a unanimidade das sondagens, constituiu um enigma tão denso para todos os actores políticos. Marcelo será verdadeiramente independente no exercício do seu mandato, privilegiará os partidos da sua área política ou, pelo contrário, os partidos à sua esquerda, para demonstrar isenção e conseguir ganhar a reeleição sem dificuldades? Estimará mais Passos, Costa ou nenhum dos dois? E será que vai ser um presidente interveniente ou distanciado do jogo político? Quererá influenciar ou participar? Enfim, dúvidas mais do que pertinentes sobre aquele que será, muito provavelmente, o próximo Presidente da República, às quais ninguém consegue ainda responder. Provavelmente, nem ele.
Entregues à bicharada
Como sabe o Público e o governo que “aumento do salário mínimo não custará mais de 0,16% às empresas”? Sabem porque leram o Barómetro das Crises de Carvalho da Silva integrado no CES de Boaventura Sousa Santos. Qual os pressupostos da análise? Estes:

Coisas que até estão relacionadas
Jornal “Público” abre programa de rescisões com trabalhadores

A manchete do Público de hoje é baseada num estudo manhoso liderado pelo Carvalho da Silva, que após anos de luta sindical virou académico.
O Público, dito jornal de referência, engole. Deixei de ler há alguns anos porque não gosto de ser manipulado e tratado como idiota.
Rescisões no Público? São só 0.001% dos trabalhadores portugueses.
Estas coisas estão todas relacionadas. O Carvalho da Silva e o Público contribuíram para a degradação do debate público e do mercado laboral promovendo ideias erradas e destrutivas. Agora colhem os dividendos.
Carta aberta a Sampaio da Nóvoa
Doutor Sampaio da Nóvoa,
É com enorme consternação que observo as tiradas de V. Exa. sobre “direito à educação” quando acompanhadas do V. típico dicionário de parolice progressista desprovido de significado e preso à sintaxe comprovadamente isenta de semântica por herança antropológica. A V. candidatura, aliás, representa todo o cinismo da esquerda, que considerando-se a legitima defensora da vontade popular, assume a necessidade da revolução em nome deste amorfo povo de cima para baixo, pela elite que, arrogando-se o direito de interpretar o que o povo quer, também se arroga o caminho de forma a que se restrinja ao pensamento sancionado por indivíduos bafejados pela clarividência de como as coisas devem ser, como V. Exa. Na realidade, nada distingue um progressista de um déspota, daqueles que denunciam os vícios burgueses por inconformismo pela incapacidade de ascensão à classe superior que almejam, por sagacidade auto-atribuída. O que V. Exa. quer, como os outros, é poder. Felizmente, o objectivo que traça não é alcançável, precisamente por ser poder que V. Exa. e outros do mesmo molde desejam, em detrimento do fátuo sonho que nunca se concretiza, particularmente quando o poder já foi alcançado.
Lamento que uma vida na Academia – vulgo “esquerda” – permita que V. Exa. sinta apetência para a apropriação de um objectivo comum para a sociedade na qualidade de candeeiro que alumia o caminho para o Homem Novo. Em primeiro lugar, porque tal objectivo comum não existe: a vida é o objectivo em si mesmo, não o meio para se chegar a um futuro que nem V. Exa. nem qualquer outro progressista, embrenhado na imensa solidão com que a esquerda permanentemente ansiosa em mudar o mundo se castiga, consegue descrever; em segundo lugar, porque a sociedade existe apesar dos progressistas, não por causa destes.
O que V. Exa. propõe é o caminho para o nada. Recordo, com mágoa a um ilustre académico, que a expressão “uma alternativa” significa, precisamente no contexto em que V. Exa. a usa, um desvio ao rumo natural do progresso. Propor “uma alternativa” é, em si mesmo, uma quebra do que é para algo que não consegue descrever como seria. Nós não precisamos de alternativas, precisamos de alguém que saiba unificar o que somos, não dividir para o que não podemos desejar querer ser.
Em nome das instituições que pretende representar, apelo a V. Exa. que desista já da sua candidatura. Não porque tenha qualquer hipótese de sucesso, apenas porque, de cada vez que abre a boca, despe mais um pouco a Academia portuguesa do prestígio que nunca teve mas sempre fingiu, com pompa balofa, possuir. Em nome dos funcionários públicos da Academia, rogo a V. Exa. que pare imediatamente com esta desmitificação do valor intelectual na parasitagem que, em nome da Ciência, ainda se vai apresentando à sociedade com o devido decoro pela nescidade que sabe conter.
Cordialmente,
3 semanas… e 1/2?
Afinal vai continuar a austeridade, mas apenas por mais três semanas. No dia 1 de janeiro (re) começa o forrobodó.

O que as redes sociais dizem de Pedro Arroja
Men and women range themselves into three classes or orders of intelligence; you can tell the lowest class by their habit of always talking about persons; the next by the fact that their habit is always to converse about things; the highest by their preference for the discussion of ideas.
Henry Thomas Buckle
Luís Reis Pires estava muito bem a criticar o que outra pessoa quase disse, apesar de não ter dito, numa altura em Luís Reis Pires ainda lutava com ditongos e a tabuada do dois, eis que Voltaire, no seu Facebook, publica um lacónico “julga o homem pelas suas questões, não pelas suas respostas”. Rousseau, no Twitter, respondia a Voltaire com um “insultos são os argumentos usados pelos que estão errados”. Shakespeare, conhecido por, juntamente com o Paulo Querido, ter sido o percursor das redes sociais portuguesas, diz, sobre o dialogo entre os dois, que “para se fazer um grande bem faz-se um pequeno mal”. Nietzsche, na sua coluna no jornal i, comenta o caso, defendendo todos os intervenientes com duas frases lapidares: “não há factos, apenas interpretações” e “em cada homem há uma criança escondida que quer brincar”.
Keynes, no seu Facebook onde consta uma lista de namorados e uma foto esquisita em tronco nu enquanto agarrado a um adolescente com brinco de argola tipicamente cigano, diz que “as ideias moldam o curso da história” e, logo a seguir, publica uma foto de pretos a abrirem uma grande vala na rua para fomentar o crescimento. William Golding, no seu Tumblr, diz que Nietzsche não percebe nada, já que “a infância é uma doença, uma maleita que passa com a idade”. Steinbeck, no JN, diz sobre toda a polémica que “uma alma triste mata mais depressa que um germe”. Philip Roth, fazendo uma breve pausa da merecida reforma, aparece nas Tardes da Júlia para dizer sobre isto tudo que “a vida é um curto período de tempo no qual uma pessoa está viva”. Kant, de passagem por Évora, declara à jornalista da CMTV que “a experiência sem teoria é cega mas a teoria sem experiência é uma brincadeira intelectual”. Kierkegaard declinou comentar o artigo de Luís Reis Pires, acrescentando que “as pessoas compreendem-me tão mal que nem compreendem o meu lamento por não me compreenderem”.
Dalai Lama, numa rede social indiana, escreve que “na prática da tolerância, o nosso inimigo é o melhor professor” e Luís Reis Pires comenta, no Económico, que estes patetas todos “merecem que lhe apontem o dedo e os questionem se estão bem da cabeça”. David Mamet diz, no Twitter, que “uma peça de teatro é uma longa formalização de polémica” e Leonard Cohen, num caderno deixado num banco de jardim, escreve que “há uma racha em tudo, é por aí que entra a luz”.
Gorbachev, no seu túmulo, tem escrito que “é melhor discutirem-se coisas, argumentar e participar em polémicas do que fazer pérfidos planos para a destruição mútua”. Salman Rushdie, no seu Facebook, diz que “liberdade de expressão é tudo; liberdade de expressão é a própria vida”. Estaline, com a sua imensa sabedoria, publica, no Público, a resposta definitiva a toda a polémica sobre o Pedro Arroja: “Ideias são mais poderosas que armas. Não deixamos que as pessoas tenham armas, porque devemos deixar que tenham ideias?”.
o partido da roberta medina
Começam a revelar-se os mais do que previsíveis efeitos políticos da estratégia suicida do Partido Comunista no apoio ao governo de coligação PS-Bloco: a queda nas sondagens do PC e a consequente subida nas intenções de voto, à sua custa, dos dois partidos da coligação. E entendem-se muito bem as razões disto: porque o descontentamento ficou, à esquerda, sem o seu dono histórico, o Partido Comunista, agora vinculado à solidariedade com um governo que verdadeiramente não é seu e não controla, e porque as poucas boas notícias que há para dar são sempre anunciadas pelos dois partidos do núcleo da coligação e não pelo PC. Deste modo, o envolvimento do velho Partido Comunista nesta estranha coligação de esquerda-caviar, com direito a capas da Caras, vai sair-lhes muito cara, caso não se demarquem dela a tempo e horas, e com grosso estrondo. Porque, se continuar, por muito tempo, neste dolce far niente, o PC bem se arrisca a transformar-se, de vez, num clube dos reformados do Baixo Alentejo, e o Arménio Carlos a trocar as «jornadas de luta» pela presidência da organização da Festa do Avante, em competição com o Rock in Rio Lisboa e a Roberta Medina.
Piketty e Jack, o estripador
É magnífico que a desigualdade gere o Estado Islâmico para Piketty. Esta teoria vem comprovar aquilo que Dickens já tinha descrito na perfeição sobre a época vitoriana: nunca houve tantos bombistas suicidas como em Bethnal Green e Whitechapel no século XIX.

Oliver Twist, após comer uma costeleta de porco, momentos antes de se rebentar num café capitalista.
Natal policromático
Imbuídos do mais puro espírito natalício que celebra a harmonia da humanidade em generosa compaixão pelo semelhante, o jornal i, uma espécie ameaçada, decide pegar numa frase antiquíssima – por sinal, bem engraçada – do prof. Pedro Arroja para ilustrar a capa sob a estrelinha amarela “cromos da semana”.

Recordo que estamos na época natalícia, altura propícia para generalizações das que ninguém leva a mal e igualmente engraçadas como “os padres são é uns pedófilos”, “os patrões são uns exploradores” e o já celebre, nas suas variadas formas, “o anterior governo era mesmo hiper-liberal”. Que, com os padrecos, podemos fazer todas as piadas, isso já se sabia; agora, a utilização do mesmo procedimento com outras minorias, passando por pretos (que são negros) aos maricas (que são homossexuais), obtemos a chave para o que constitui uma persona non grata segundo os trâmites do bestialmente correcto, a variante esganiçada do politicamente correcto.
Desde o momento em que nos tornamos Charlie até ao instante em que nos queixamos da existência de opinião alheia num jornal (como ainda esta semana fomos deleitosamente presenteados pela prof. Estrela Serrano, ex-ERC), foi um tirinho. Ao menos vamos passar o Dezembro a escolher os “cromos da semana”, um verdadeiro presente natalício de tolerância e compaixão para com o nosso semelhante, rumo à definitiva uniformização da opinião sancionada pela maravilha bem-pensante que habita as redes sociais e as (alegadas) camas de governantes.
A propósito
No público o Estado não paga nada?
JN: Estado paga ao privado para ter alunos do público
Este tipo de artigos/títulos parte de uma premissa: é um escândalo que o Estado pague aprivados para prestarem estes serviços.Por quanto ficam eles no público?
Muros de silêncio, janela de diálogo, fazer passar a mensagem….
O secretário de Estado Adjunto e do Ambiente, José Mendes, considera que “foi derrubado um muro de silêncio”. À saída da reunião, o governante admitiu ter expetativa que a greve seja cancelada.
“Havia uma espécie de um muro de silêncio. Os trabalhadores tinham alguma dificuldade em fazer passar a sua mensagem, as suas reivindicações, e foi possível desde logo abrir uma janela de diálogo e acordar com os sindicatos que vamos começar um processo estruturado de negociações e de conversas que possa ajudar a que os diferentes pontos de vista possam convergir para resolvermos os problemas”, sublinhou.
Sem prejuízo da invocação dos mantras e do alinhamento dos chakras quais foram os compromissos assumidos pelo senhor secretário de Estado Adjunto e do Ambiente, José Mendes?
Campeão Nacional da Defesa Patriótica

Grande vitória do humanismo socialista em França, contra a austeridade e a ignomínia dos mercados internacionais que levam à emigração em massa da geração mais bem qualificada de sempre!
Eis o que António Costa tem a dizer, sacado às tonteiras genéricas que tendem a sujar a nossa face quando atiradas à ventoinha:
Seremos uma maioria plural, aberta e promotora do diálogo político e social.
e não aprendem nada
«França em choque», escreve o Expresso sobre a vitória de Marine Le Pen nas eleições regionais francesas. Se a França está «em choque», apetece perguntar aos inteligentes do Expresso quem votou, afinal, na dita Marine? Foram os chineses? O pessoal do Nicolas Maduro? Extraterrestres, talvez? É impressionante como o politicamente correcto esquerdista, que andou décadas e décadas a fazer asneiras com um falso cosmopolitismo de portas abertas, sem critério nem as mais elementares precauções, continua sem perceber que a ascensão e agora a vitória de Marine Le Pen lhes é integralmente devida. E tem mais: se o paizinho da dita cuja ainda estivesse à frente do partido também ganharia pela certa.
Aquaparque
A propósito deste texto da Helena Matos.
Foi em 2005, há dez anos, num parque aquático espanhol, em Fuengirola, entre Marbella e Málaga, que tive oportunidade de me sentir deslocado, apesar dos números, pela presença de uma senhora – presumo, podia ser um homem ou três – envergando niqab, acompanhando o – alegado – marido e filho, ambos de calções e tronco nu, como eu e todos os outros. As mulheres presentes, com a excepção desta, usavam fatos de banho, biquinis, algumas dispensando a parte superior deste quando deitadas sob o tórrido sol, como as pessoas normais da Europa fazem, graças a Deus, obrigado, liberdade.
Tentei, por momentos, imaginar alguém vestido de forma ostensivamente exagerada para o mês de Agosto, de preto escuro, que há diferentes tons de preto, quer pelo espaçamento do entrelaçado do tecido, quer pelo particular esforço de remoção de pigmentação capaz de reflectir qualquer fotão que tente fugir ao aquecimento global da pessoa humana que encontra, no querido mês de Agosto, necessidade de uma segunda pele da cabeça aos pés. Imaginei uma freira, cara destapada – claro – com claro tecido sobre a cabeça que permite vislumbrar algum cabelo e apercebi-me do ridículo de uma religiosa a observar a frenética gritaria da juventude louca pelas cornucópias dos escorregas sem participar nas festividades: não havia uma única freira para ser vista, pelo menos que assim se quisesse anunciar: talvez houvesse, de fato de banho ou biquini. Havia, sim, mulheres de todas as idades, nenhuma com as pernas tapadas.
Tinha a mulher de niqab direito a estar ali com o ostensivo traje? Tinha. Tinha tanto direito como um pedófilo vestido com um traje de urso polar, apesar de – garanto – não ter visto vivalma com traje de urso polar. Devia estar? Se o objectivo era demonstrar às restantes mulheres o quão depravadas são por exporem os tornozelos à vista de homens incapazes de conter o ímpeto de as violar, não foi bem sucedida. Não deixou, porém, de deixar um gosto desagradável na boca, como que anunciando que a Europa nunca mais seria a Europa em que cresci, infelizmente, para bem pior.
Fábrica de intolerantes
Tema do meu artigo de hoje no Observador: O guia para “Acolhimento de refugiados” agora editado pela a Direcção-Geral da Saúde é um prémio para os fundamentalistas. Nem as consultas só com mulheres lá faltam. Este guia, anunciado há dias com pompa e circunstância mediáticas, apresenta-se a si mesmo como um “documento inovador a nível nacional”. Do carácter inovador não duvido sequer um segundo pois nem nos mais vetustos documentos editados pelas autoridades de saúde deste país se previa que as mulheres recusassem ser “observadas ou cuidadas por profissionais do sexo masculino”. E quanto aos procedimentos para evitar a “contaminação cruzada” causada pela carne de porco nas cozinhas digamos que a Inquisição chegou às cozinhas!
Apesar de tudo por cá o MRPP é uma versão light
A Sábado dedicou a capa desta semana ao que actualmente acontece no MRPP. No Observador escrevi sobre o MRPP nos anos de 1975 e 1976.
Mas convenhamos nada do que aconteceu em Portugal se compara com isto que aconteceu em Londres:
Aravindan Balakrishnan: the Maoist leader
Maoist cult leader used mind control to ‘manacle’ followers, court hears
Maoist cult leader guilty of rape and child cruelty
Dos autores do massacre aos alegados autores dos disparos
Primeiros o tiroteio do San Bernardino teve manchetes: o massacre provava à evidência a razão do presidente Obama para controlar a venda e posse de armas nos EUA. Depois e à medida que se constatava que os autores do massacre não eram brancos racistas nem cabiam nas habituais categorias dos “americanos de que não gostamos e que só dão desgostos a Obama” o massacre deixou de ser massacre e apareceu o alegado: agora temos os alegados autores dos disparos.




