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o «direito fundamental» a morrer

10 Fevereiro, 2016
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A esquerda, que, com frequência, prega o ateísmo, acredita que a perfeição não é do outro mundo, mas deste. Num mundo perfeito não há lugar à dor, à tristeza e à tragédia. Num mundo perfeito as pessoas vivem felizes e saudáveis para sempre. E não deveriam envelhecer, nem adoecer, nem transformarem-se num transtorno para os outros e para si mesmos. Esse mundo perfeito pressupõe que atacar tudo que atente contra ele se transforme num «direito fundamental». Até mesmo a morte, quando a vida se torna já difícil de suportar. Pois bem, a morte não é um direito fundamental, mas uma fatalidade incontornável da natureza humana. E, por melhor que a vida nos corra, ela acabará sempre mal. Não é, portanto, necessário transformar a morte num «direito fundamental», como a esquerda indígena se prepara para tentar fazer, porque ela está assegurada pela natureza das coisas. Não carece de protecção constitucional, porque se realiza por si mesma. Mas, argumenta-se, uma coisa é a fatalidade da morte, outra bem diferente é o direito a morrer com dignidade, o mesmo é dizer, a decidir a própria morte. Duvido. Porque morrer será sempre um momento indesejado e doloroso para quem vai e para quem fica. Porque nunca se morre bem, pelo menos para quem parte. E porque ajudar a morrer para poupar os que ficam é uma desumanidade inominável. Viver é também sofrer, e quem não tenha isso presente no espírito não viverá nunca bem. Os mundos perfeitos só existem na convicção dos crentes, mas não pertencem a este mundo. Ajudar os outros a morrer poderá ser um acto de grande dignidade. Mas poderá ser também uma demissão da nossa condição humana. Por ora, o que não me parece nada conveniente é que um tema tão sensível se transforme numa arma de arremesso político-partidário, em mais uma «causa fraturante», a juntar às muitas que, nos últimos anos, têm dividido a sociedade portuguesa, como se estivéssemos a discutir mais uma rubrica do orçamento de estado. Ao longo da vida, a respeito deste penoso assunto, apenas alcancei uma certeza: que o melhor que poderemos fazer por quem esteja irremediavelmente condenado não é antecipar a sua condenação, mas amá-lo profundamente enquanto estiver entre nós.

Pois é…

9 Fevereiro, 2016

E se seguíssemos os conselhos de Costa? O que acontecia ao défice público?

TINA

9 Fevereiro, 2016

«Social-democracia, sempre» diz Passos Coelho. A sua ex-ministra Assunção Cristas, uma das mais intervencionistas e estatistas governantes do último governo, prepara-se igualmente para tomar conta de (mais um) partido que se reclama doutrinalmente do centro-social. Somando os estatistas do PS aos sociais-populistas do BE e aos conservadores totalitários do PC, é de concluir realmente que em Portugal, no panorama político-partidário There Is No Alternative.

Estes são os tempos: respeita-se mais o director de uma gala que um rei

9 Fevereiro, 2016

O líder do Podemos vai às audiências com o rei de Espanha em mangas de camisa. E os radicais rejubilam.
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O líder do Podemos vai à gala do cinema de smoking. Os radicais disseram o quê?

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Os impostos a sambar. Para o ano prometem recinto tapado.

9 Fevereiro, 2016

Carnaval de Ovar cancelado. Para o ano querem desfilar num recinto tapado. Até ao dia em que o BE declarar que o esqui cross-country é um direito humano ainda se deve conseguir sustentar tanta folia.

Aquisição de serviços para a disponibilização de infraestruturas metálicas -… 6.750,00 € 03-02-2016 Município de Ovar Montaluga – Andaimes, Unipessoal, Lda. +
Aquisição de serviços para espetáculo musical com “CARLÃO”, para o… 8.000,00 € 03-02-2016 Município de Ovar Radar dos Sons – Produções Culturais, Lda. +
Aquisição de serviços para “Programação – Animação para o Carnaval… 13.524,00 € 02-02-2016 Município de Ovar Tentzone Produção de Eventos, Lda +
Aquisição de serviços de animação para espetáculo com “Quim Barreiros”,… 6.580,00 € 02-02-2016 Município de Ovar Joaquim Barreiros, Lda. +
Aquisição de serviços de animação para espetáculo musical com a… 6.500,00 € 02-02-2016 Município de Ovar Idade das Ideias – Produtores Associados de Espetáculos e Eventos, Lda. +
Aquisição de serviços para locação de bancadas – Carnaval de… 18.090,00 € 02-02-2016 Município de Ovar XBANCADAS, LDA. +
AQUISIÇÃO DE SERVIÇOS DE TRANSPORTE DE CRIANÇAS, PARA O CARNAVAL… 9.933,00 € 01-02-2016 Município de Ovar Inácio – Viagens e Turismo, Lda +
Aquisição de serviços para a disponibilização de banheiros químicos -… 6.945,00 € 26-01-2016 Município de Ovar Hidurbe – Gestão de Resíduos, Lda. +
Aquisição de serviços para disponibilização de bilheteiras e quiosques -… 6.945,00 € 26-01-2016 Município de Ovar Logdomus Construções, Lda. +
Aquisição de serviços de animação com DJ’s, para o Carnaval… 6.750,00 € 26-01-2016 Município de Ovar LVT – Audio & Lightning Equipament, Lda. +
Aquisição de serviços para “Concerto de Abertura do Carnaval de… 10.000,00 € 14-01-2016 Município de Ovar Ondamarela, Lda +
Aquisição de material elétrico diverso, para os trabalhos de preparação… 7.069,50 € 23-12-2015 Município de Ovar ELPOR – COMÉRCIO E INDÚSTRIAS ELÉTRICAS, S.A

cumpriu-se a vontade de otelo

9 Fevereiro, 2016
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Nos idos do pós-25 de Abril, durante a loucura do PREC que amainou em Novembro de 75, Otelo Saraiva de Carvalho, na altura, uma das autoridades do país, comentou com Olof Palme que o objectivo da revolução portuguesa era «acabar com os ricos». Estupefacto, Palm respondeu-lhe que o objectivo do governo do seu país era «acabar com os pobres».

Anos volvidos, o actual ministro das finanças, o preclaro e muitíssimo «liberal» Mário Centeno, anuncia-nos que, segundo o seu governo e o orçamento que lhe dará suporte, «quem tem um rendimento de 2000 euros tem uma posição privilegiada». Logo, há que o esventrar fiscalmente.

O desígnio de Otelo Saraiva de Carvalho está plenamente cumprido. Só que hoje já nem ele pensa assim.

A ler

8 Fevereiro, 2016

A verdade é que o tempo dos astrólogos nas revistas femininas já lá vai. Hoje uma nova forma de astrólogo passou a enxamear as universidades do mundo ocidental, o pseudocientista encartado com doutoramentos e posições de investigadores. Académicos de pleno direito que atingiram um estatuto equivalente aos cientistas sérios.(…) O  Centro de Estudos Sociais (CES) recebeu na última ronda de financiamentos da FCT, a tal que trouxe a tragédia a inúmeros centros de investigação, 1.330.000 euros. Sim, caro leitor, em tempo de cortes nos centros de investigação sobre o cancro, sobre física da matéria condensada ou sobre biologia molecular, fique feliz. Porque pelo menos investiu mais de um milhão de euros “noutras cosmovisões e universos simbólicos” e em formas de conhecimento “não sujeitas às ditaduras do colonialismo, capitalismo e patriarcado”. Na próxima vez que andar de avião, proteste com a companhia. Não quer um avião construído com as regras da ciência capitalista e colonialista, mas um que voe com uma cosmovisão não eurocêntrica!

Um país, dois sistemas

8 Fevereiro, 2016

Observador: Enquanto andamos entretidos com a oposição direita-esquerda aumenta sim a fractura entre os dois países: o primeiro país, o do Estado, que vive no Estado e ganha do Estado. E o outro país, o das empresas, dos trabalhadores por conta própria e por conta doutrem. Na prática temos dois países. E o que no país Estado muitas vezes se chama arrojo e ambição no mundo do não Estado designa-se como trafulhice ou, numa versão mais bondosa, erro grosseiro.

o patrono dos cobradores de impostos

8 Fevereiro, 2016
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São Fernando Ulrich, o visionário que vaticinou que aguentaríamos o «enorme aumento de impostos» de Vítor Gaspar e muito mais do que isso, se fosse preciso. Ao de Gaspar já nos habituámos. Ao de Costa e Centeno, que até nos parecia desnecessário, havemos de nos habituar e, em breve, já nem dele nos lembraremos. Ao que o futuro nos reserva, com a bancarrota que vem aí a caminho, também nos conformaremos. Enquanto houver um cêntimo nas algibeiras dos portugueses, os aumentos de impostos continuarão. Dói um pouco no princípio, mas depois o bom povo português acaba por se conformar, e quem nos governa conta sempre com essa inestimável colaboração. Há mesmo até quem concorde com o método, o melhor para «redistribuir rendimentos», de modo a que cada rico fique um poucochinho menos rico (mas rico à mesma) e os pobrezinhos ascendam a patamares razoáveis de dignidade existencial. Todos temos sido testemunhas da infalibilidade do método. E, no fim de contas, Portugal é um país onde nunca houve uma verdadeira revolta tributária, pelo que não há motivos para iniciarmos agora esse feio hábito.

Entregues à bicharada

8 Fevereiro, 2016

Parece-me contraproducente que alguém tente explicar o que diz António Costa, em particular para o António Costa. Não há declaração que, por mais inócua que pareça, sendo esmiuçada, permita a António Costa a reivindicação de uma réstia de bom senso. A palermice de sugerir que pessoas optem por transportes públicos e para que deixem de fumar seria cómica se não acarretasse a consciência, a qualquer ser ainda dotado do defeito do raciocínio, de termos a gestão do país entregue a um perfeito imbecil.

Se os loucos permanentemente indignados – os que nunca aguentavam nada mas agora já aguentam tudo – se permitissem, por breves momentos, a uma passageira pausa no processo de necrose cerebral que alegremente cultivam, poderiam constatar que, da mesma forma que interpretaram terem sido convidados a emigrar por Passos Coelho, António Costa os está a ordenar que andem a pé. A não ser, porém, que António Costa se refira aos transportes públicos que atafulham o trânsito caótico de Vila Chã da Beira.

Há pouco, João Galamba, um desastrado substituto para o Muhammad Saeed al-Sahhaf, o ministro da propaganda iraquiano durante a operação militar de 2003, falava, numa daquelas televisões que dão guarida a declarações de insignificantes, de “uma campanha de intoxicação da opinião pública”. Precisamente. Porém, enquanto existirem televisões dispostas a entrevistarem João Galamba, a campanha de intoxicação da opinião pública lá continuará, para desamparo de quem não tem outra opção que não a de ser governado por uma súcia de desatinados.

zagalo

7 Fevereiro, 2016
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2015-09-17-Pacheco-PereiraConfesso ter uma enorme repugnância pessoal pela figura pública de Pacheco Pereira. A privada não conheço, nem me interessa conhecer. Mas o homem público realça todos os defeitos de uma certa elite letrada portuguesa, presumida, arrogante e venal quando convém, que gira uma vida inteira em torno das sinecuras do poder, e que Eça de Queiroz muito bem caracterizou nos seus romances de costumes lisboetas, em especial no célebre O Conde de Abranhos.

Se em torno dos muitos Alípios Severos Abranhos que por aí andam há sempre um Z. Zagalo disponível para exaltar as qualidades de S. Ex.ª, Pacheco teve o seu momento de maior importância política quando foi o Zagalo de Cavaco Silva, nos tempos antigos de glória do velho chefe. Por essa altura, Pacheco exaltava o mérito e as qualidades infinitas de Aníbal, de quem poderia ter dito, como o seu antecessor ficcional dissera de Alípio, «que todos conhecem o grande homem, eu conheço o homem». Tamanha dedicação valeu a Pacheco uns lugares políticos de importância mediana e, sobretudo, uma enorme expressão na comunicação social, com a qual ele se antevia a eterna inteligência da direita indígena.

Mas as coisas não correram conforme os planos de Pacheco e, saído Cavaco da liderança do PSD, logo as coisas lhe começaram a correr mal. Primeiro, com um pontapé para cima, mais propriamente para o Parlamento Europeu, que lhe foi dado por Durão Barroso, com quem Pacheco nunca se meteu por puro receio. Depois, com uma sucessão de líderes que não lhe deram a importância que ele se julga ter. Mais tarde, com o desgosto de Manuela Ferreira Leite. E por fim, com Passos Coelho, a quem ele vota um ódio visceral, que, verdadeiramente, nada tem a ver com as políticas que este seguiu como chefe de governo, mas por lhe parecer inconcebível que um tipo que ele considera estar imensamente abaixo de si o possa ter ultrapassado e não lhe dar importância nenhuma.

O que repele na figura pública de Pacheco Pereira não é, então, o que ele diz ou possa dizer sobre a política nacional e os seus protagonistas. Muito menos sobre o PSD e Passos Coelho. Pacheco sempre foi um tipo de esquerda muito radical, que apenas temporariamente reprimiu as suas tendências naturais à autoridade do chefe Cavaco, por razões de pura conveniência pessoal que nada tinham de ideológico. Não é pois de estranhar que se encoste agora ao PS e ao Bloco e se arvore em estratega da esquerda contra a «direita da austeridade» (o seu artigo de ontem, no Público, «Brincar com o fogo», é, a esse respeito, uma peça interessante). O que incomoda neste homem é não ter categoria para retirar consequências daquilo que diz e que pensa. O que anda ele a fazer por um partido que, de um modo ou de outro, estará sempre à sua direita e com o qual ele nunca teve outra afinidade que não fosse de interesse pessoal? Por que não assume, definitivamente, a sua condição natural de homem de esquerda, do PS ou do Bloco, como outros outrora bem mais à direita do que ele, Freitas e Basílio, por exemplo, fizeram? Porque, presume-se, Pacheco não ganharia nada com isso (um simples lugar na administração de Serralves não lhe preenche o ego) e, por outro lado, o seu excessivo fanatismo anti-PSD e anti-Passos tornou-o desinteressante para o PS.

A grande ambição política de Pacheco, com a qual ele ainda ambiciona relançar a sua vida política, resume-se assim, a ser expulso do PSD. Aí, sim, Pacheco poderia servir para ser agitado como uma bandeira do PS e da esquerda. Mas esse favor não lho fazem, e isso azeda-lhe a vida, turva-lhe o espírito e aguça-lhe o ódio à humanidade. É isso que faz deste homem inteligente um homem menor.

Redistribuição de riqueza

6 Fevereiro, 2016

No orçamento de 2016 há cerca de mil milhões de euros de impostos indirectos que vão levar a um aumento generalizado dos preços. Estes mil milhões de euros serão canalizados para aumentar os salários da função pública e o rendimento de reformados que ganham mais de 4000 euros e para os donos de restaurantes. Haverá, portanto, uma transferência de rendimento do sector dos bens transaccionáveis para o sector dos bens não transaccionáveis, reduzindo os incentivos para participar e investir em actividades produtivas no sector privado. É mais um passo para se voltar ao status quo de 2011.

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vai ter de escolher

5 Fevereiro, 2016
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pedro-passos-coelhoHá duas maneiras muito diferentes de olhar para o estado e o governo, para a sociedade e a economia.

Uma, é acreditar que a promoção do bem-estar e do desenvolvimento compete ao estado, e resulta de investimento público virtuoso e de decisões sensatas do governo. Para esta perspectiva ou ideologia, para sermos mais rigorosos, o estado é o promotor do desenvolvimento económico e social, e a iniciativa privada é tolerada na medida em que o governo precise dela, embora seja sempre vista como um mal menor ou maior, consoante as épocas.

A outra perspectiva defende o contrário: que a função do estado é garantir as condições para que a economia privada possa desempenhar a sua função natural de promover o desenvolvimento e o bem-estar social, e que o governo nada produz, mas pode prejudicar gravemente quem o faz.

A intervenção externa a que Portugal tem estado sujeito desde 2011, foi uma consequência directa da primeira opção, consubstanciada em sucessivos governos que malbarataram os recursos das empresas e dos cidadãos portugueses, descapitalizaram o país e nos endividaram durante muitas décadas, graças a um experimentalismo social e económico que nada produziu a não ser pobreza. Todavia, apesar disso, foi esta via que o PS de António Costa voltou a escolher para o seu programa de governo e que se reflecte nas opções do orçamento de estado hoje aprovado em Bruxelas, ainda que com sérias reservas. O PS e Costa limitam-se a ser coerentes com aquilo em que acreditam. Nada de novo, portanto.

Cabe agora a Pedro Passos Coelho definir-se e dizer o que quer para o seu partido. Aparentemente, a ênfase na «social-democracia», com que se apresenta a novo mandato, não augura nada de bom. Parece que o líder do PSD embarcou na conversa de que foi a «ideologia» do mercado que impôs a austeridade e não o socialismo que a provocou. Se cair nesse disparate, em vez de explicar bem o que se passou, o PSD será um mero simulacro do PS e não uma verdadeira alternativa ao estatismo desse partido, passando a ser indiferente ter um ou outro no governo do país.

Passos vai ter de escolher o que quer e terá de ser muito claro nas suas opções. Esperemos que não deite a perder tudo o que fez e foi feito pelos portugueses nos últimos quatro anos, tal e qual pretende o governo do PS.

Sobre este mesmo assunto, recomendo a leitura deste post de Luís Menezes Leitão, excelente, como sempre.

parabéns, dr. costa

5 Fevereiro, 2016
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800

Simplex

5 Fevereiro, 2016

Os funcionários públicos estão a ser aumentados desde Janeiro. O aumento é em 4 fases. A cada trimestre o salário sobe um bocadinho, mas esta reposição é só para quem teve os cortes de 2010 (salários acima de 1500 euros). Por seu turno, o subsídio de férias é pago em duodécimos e tem que se ajustar trimestralmente. Excepto se se concretizar a intenção de permitir aos funcionários optar pelo subsídio pago por inteiro em Novembro. Ao mesmo tempo há uma reposição da sobretaxa de IRS por escalão de rendimento, cuja tabela foi mal feita e pode implicar que quem ganha mais afinal ganhe menos e vice-versa. Felizmente o IVA da restauração vai descer, em Julho, para tudo excepto bebidas, desde que não sejam bebidas quentes ou água, excepto a água gaseificada. Os sumos, se forem feitos no estabelecimento pagam 13%, mas fora já pagam 23%, e não façam misturas de bebida para não complicar as contas. Se pagar pelo multibanco o dono do restaurante perde 4% do imposto de selo sobre a comissão do banco, já a partir de Abril. O dono do restaurante pode imputar  esse custo aos clientes de Abril a Julho e em Julho, quando baixar o IVA (ou se baixar o IVA, dependendo do rectificativo de Junho) ponderar se faz um desconto nos preços. Mas entretanto vem o IMI e descobre-se que afinal o  restaurante vai ter que pagar mais, portanto, talvez não seja boa ideia baixar preços, até porque este ano o salário mínimo dos funcionários menos qualificados subiu, o que não afecta muito quanto eles efectivamente recebem (somando o que é pago por cima e por baixo da mesa) mas faz aumentar a TSU a pagar, excepto se se meter os papéis para o desconto na TSU. Para descontrair pode comer uns grissinos que terão IVA de 6% ou de 23%, depende. Depende de quê? É melhor não aprofundar. Lá para Maio, a Maria Leitão Marques vai apresentar o novo Simplex, que vai resultar das consultas que ela vai andar a fazer pelo país.

A esquerda e o ridículo

4 Fevereiro, 2016

O que para os mortais não passa de um jantar com vários convivas pouco animados2015-12-05-01-01 (2).png

aos olhos do MRPP é Uma Vigorosa Jornada de Luta contra a Escumalha Liquidadora,
pela Recuperação e Reforço do Partido Comunista Operário

Sobre quintas colunas

4 Fevereiro, 2016

A ideia de uma quinta coluna – basicamente pro-Alemanha e contra Portugal – não é apenas ridícula, é sintomática da crença que políticos e opinadores têm na imbecilidade do português que os ouve ou lê. Julgando pela imprensa e TV, têm razão; julgando os resultados eleitorais, a coisa é mais difusa; julgando a abstenção é óbvio que estão errados e, julgando a percentagem das pessoas que compram jornais e vêem debates televisivos, torna-se evidente que toda esta verborreia não passa de um tímido círculo masturbatório de maluquinhos num palanque de exibicionistas para convertido público de voyeurs.

é preciso cautela com o ridículo

4 Fevereiro, 2016
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Para exaltar o mito do «chefe heróico que enfrenta os poderosos de Bruxelas para defender o bom povo português», alguns jornais têm-se prestado ao triste papel de publicarem coisas como esta suposta «ameaça» de António Costa passar por cima da Comissão Europeia, caso esta instituição comunitária se negue a dar o aval ao seu orçamento de estado, e ir resolver a coisa directamente com os seus «parceiros» do Conselho Europeu.

Nós sabemos bem que o spin político não tem outra racionalidade que não seja a de tentar convencer a opinião pública daquilo que dá jeito a quem se presta serviços. Mas, caramba!, há limites e linhas vermelhas para tudo, e o ridículo não deve nunca ser ultrapassado. No caso, presumiu-se a absoluta ignorância e estupidez de quem recebe a «notícia», porque só quem ignore completamente o que seja a União Europeia e as suas instituições pode engolir semelhante patranha. Um pouco mais de esforço não lhes ficaria mal.

garantir o que não depende de nós

4 Fevereiro, 2016
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Vários jornais portugueses têm noticiado que o governo «tem a certeza de que Bruxelas aprova o orçamento».

Por outro lado, ficamos a saber, pelos mesmos jornais, que existem sérias divergências entre a Comissão e o governo português, quanto àquele documento, e que, na próxima sexta-feira, essa instituição comunitária reunirá para tomar decisões a esse propósito.

Ora, ou pressupomos que os comissários europeus são um bando de pataratas, sem opinião própria, que vão simular discutir um assunto que já alguém decidiu por eles, ou teremos de concluir que o governo português está a dar por garantido o que ainda não está decidido e, assim, a enganar os portugueses.

Infelizmente, esta última possibilidade afigura-se bem mais provável do que a primeira, o que revela bem o nível de irresponsabilidade e de desonestidade de quem faz estas coisas.

assuntos de fé

4 Fevereiro, 2016
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Há cerca de dois meses, publiquei um artigo no Público* sobre o Serviço Nacional de Saúde («Serviço Nacional de Saúde: estatizar ou liberalizar»), onde timidamente sugeria o reforço da componente privada no financiamento e gestão desse importante sistema.

Passados uns dias, respondeu-me, gravemente ofendido, o bastonário da Ordem dos Médicos Portugueses, com este texto, onde garantia que o SNS português era o melhor serviço público de saúde do mundo.

O exercício pareceu-me mais teológico do que científico, e foi nessa presunção que lhe ofereci réplica, com um artigo publicado, infelizmente, muitas semanas depois do que lhe dera origem, ao qual atribuí o título «Nem sempre a fé move montanhas». Nesse texto, entre outros aspectos, evidenciei que nem eu, nem o bastonário, nem provavelmente ninguém conhecerá o custo real do SNS, sendo apenas duas as coisas que, sobre ele, podemos ter por garantidas: que o sistema está falido e que nele se gasta muito mais do que dizem os orçamentos de estado. Para ilustrar algumas afirmações do meu artigo, utilizei um Relatório da Gulbenkian de 2014, elaborado por uma comissão independente, onde se expõem suspeitas tão graves como a de que boa parte dos gestores do SNS são nomeados em razão de interesses político-partidários, em vez de serem escolhidos em virtude da sua competência técnica e profissional.

Hoje, poucos dias passados sobre a publicação do meu segundo artigo, o bastonário respondeu-me com um texto, que é essencialmente um conjunto de citações extraídas de livros de diversos autores que ajudam a cimentar a sua fé, e donde ele retira pérolas deste quilate: «A curiosa experiência da China mostra como “a Saúde está sujeita a sérias falhas dos mecanismos de mercado”». A isto, o que se pode dizer? Nada, obviamente. A não ser que a fé do bastonário é assunto pessoal, que só a ele diz respeito. Que fique com ela e lhe faça bom proveito.

* Os artigos do Público aqui linkados só estão acessíveis a quem tiver a assinatura digital do jornal.

Onde estão a segunda, terceira e quarta colunas?

3 Fevereiro, 2016

quinta-coluna

Manel não é chantagem: é dinheiro emprestado

2 Fevereiro, 2016

Manuel Alegre insurge-se contra “chantagem” de Bruxelas

mais austeridade

2 Fevereiro, 2016
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Para deixar passar o orçamento do governo português, a Comissão Europeia exige-nos «medidas adicionais», o mesmo é dizer «mais austeridade». Se o governo aceitar estas pressões ilegítimas da ala barrosista e direitista de Bruxelas sobre a soberania nacional, irá continuar a sacrificar os portugueses com políticas que todos sabemos, à partida, que são destruidoras da riqueza nacional e da nossa economia. Para além disso, será uma traição aos eleitores, que quiseram uma mudança de políticas e de políticos nas eleições legislativas do ano passado, e um ataque aos firmes alicerces sobre os quais se firmaram os acordos entre o PS, Bloco e PCP, que em boa hora permitiram a substituição do governo da direita austeritária por um governo da frente esquerda patriótica. Mas, o mais grave de tudo isto é o mutismo do Bloco e do Partido Comunista, que não poderão ser coniventes com esta aparente deriva direitista do PS. «Palavra dada é palavra honrada», não se esqueçam. O povo trabalhador conta com a vossa acção irredutível aos interesses do grande capital.

O regresso da teoria da bomba atómica que faz tremer pernas de banqueiros alemães

2 Fevereiro, 2016
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Álvaro Beleza ao Sol (2/2/2016)

 

o governo com “paredes de vidro”

2 Fevereiro, 2016
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Não me lembro, em quarenta anos de regime democrático, de tamanha opacidade na vida pública e no governo da República. Essa poderá mesmo ser a marca “histórica” de António Costa, cujas intenções de se candidatar a líder do PS foram ocultadas até ao último momento, que lançou um candidato presidencial nas costas do seu partido, negociou acordos parlamentares dos quais, ainda hoje, apenas se conhecem os contornos gerais, e, last but not least, esconde aos portugueses que governa e que lhe pagam o orçamento do estado a situação real das negociações com a União Europeia sobre o orçamento do ano em curso, ele mesmo um documento que dissimula a realidade. Para Costa a política e a vida pública parecem ser um jogo de enganos e uma simulação permanente. Vai acabar mal e, com ele, nós todos também.

Deixa cá ver quando reprovei para pedir a minha compensação…

2 Fevereiro, 2016

Brandão Rodrigues vai compensar professores que foram excluídos pela prova. Contratados que foram impedidos de dar aulas, depois de chumbarem ou faltarem à PACC, vão ser compensados. Ministério não adianta qual a forma de compensação.

E os alunos que reprovaram senho ministro? Compense-os já. Senhor ministro diga-me só para eu decidir se emigro ou não: estas suas medidas vão chegar aos anestesistas e aos engenheiros de pontes?

Pode responder na caixa de comentários deste blogue. Obrigada.

 

Já se sabe que quando se lê o «Ainda» vamos ter causa

2 Fevereiro, 2016

«O sonho da maternidade vem com prazo de validade. Quando não há mais tempo para esperar por um pai, há mulheres que tomam as rédeas da situação e vão ao estrangeiro fazer tratamentos de fertilidade. Em Portugal, a prática é ilegal mas deverá mudar em breve.»

Estas mulheres querem ter filhos.
Tiveram-nos sozinhas.
Não está em causa o amor que sentem pelos filhos.
Mas as crianças têm direito a um pai.
Alguns são uns canalhas.
Muitos mais amam deviotadamente os filhos mas sacrificam-se poucio por eles.
Outros fazem tudo por eles.
Mas seja o pai como for as crianças têm direito a um pai.
E não só as crianças.
Quando nos tornamos adultos, quando as coisas falham ou correm muito bem, quando…. poder chamar Pai é algo a que todos temos direito.

Porfírio amigo, obrigada

1 Fevereiro, 2016

Não lia uma entrevista tão esclarecedora desde que em Novembro de 1975 o Otelo rumou ao Palácio de Queluz para aí se reunir com o Ceausescu e com ele se elucidar sobre as vias alternativas para o socialismo. Saído do encontro e quiçá ainda sob o efeito do encontro com a assombrosa comitiva do dirigente romeno, Otelo conta maravilhado que Ceausescu lhe dissera que o PPD não era de direita. Acredita Porfírio quem como eu andou vários anos às voltas com o PREC não se admira com nada. Continua Porfírio. Não desistas.

 

 

 

Uma sessão fotográfica

1 Fevereiro, 2016

– Doutor Porfírio! É um prazer finalmente poder conhecê-lo, ainda para mais agora, com a preponderância estratégica que tem tido na linha governamental e na comunicação genial que orgulha os portugueses! Olhe, para o nosso trabalho, eu tinha pensado em algo que demonstre severidade mas também alguma irreverência, como que projectando o futuro numa ameaça presente, percebe? Conhece o plano contra-picado? Fotografamos de baixo, o que faz com que o sujeito pareça altivo, ameaçador até. Acho que se adequa bastante. Tem mesmo várias vantagens para a mensagem que pretendemos passar, como a sua superioridade sobre o leitor ou até o simples transeunte que é confrontado com a capa do jornal inadvertidamente: é que, para todos os efeitos, o Doutor estará sempre num plano superior, a olhar para eles lá em baixo, algo que enfatiza a mensagem de Tempo Novo que pretende fazer passar. E sabe, concordo mesmo consigo, é terrível uma União Soviética sem um KGB à altura, que mantenha as coisas plurais, permitindo as alternativas normais que uma polícia política costuma permitir. “Dominante”? Usou o termo “dominante”? Melhor ainda: esta pose em contra-picado permite isso mesmo, mostrar o domínio do Doutor sobre as ideias, a linguagem, a retórica, a filosofia, a expressão de tudo que é a vontade do povo, nem que ainda não o saibam, os desgraçados. Odeio pessoas. Não o Doutor, que admiro muito, mas as pessoas nojentas que estragam este país. A direita. Odeio-os a todos. Sabe, podemos iluminar também por baixo e evitar que se formem sombras demasiado premonitórias no pescoço e nas olheiras, dando-lhe um ar mais ictérico, assim mais homogéneo, contrastando o cabelo negro de um Estaline e umas narinas assimétricas de quem partiu o nariz a assoá-lo com uma fronteira indistinta entre lábios e resto da face. Óptimo, óptimo! E assim até tapa melhor as sobrancelhas cleopátricas do Doutor com as lentes dos óculos. Excelente escolha de gravata, em padrão pele de cobra e articulação de casca de tatu. Nota-se até um certo padrão de caracol, uma espiral fractal de sabedoria recursiva. Isto funcionou muito bem com pessoas minúsculas cuja pose normal as faz parecer demasiado patéticas. Vamos então tirar a fotografia? Pronto? Não sorria. Não. Isso, isso, mais assim. Excelente, excelente! Clic! Clic! Clic! Vrrrr! Bzzz! Clic! Clic! Clic! E estamos prontos! Foi um prazer, tive muito gosto em o conhecer! Adeus, até à próxima.

– Boa tarde.

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Apresentação do OE2016 (não editada)

31 Janeiro, 2016

Já perceberam ou querem que faça um desenho?

31 Janeiro, 2016

Meu texto de hoje no Observador:  A falência do modelo socialista – e ele tinha necessariamente de falir porque foi concebido para redistribuir a riqueza e não para a produzir – fez os socialistas não só descrer de Marx como, e esse é o nosso drama actual, fê-los regredir para Robespierre. Ver os actuais líderes dos socialistas portugueses a fazerem acordos com o BE ou os socialistas espanhóis a ponderarem uma aliança com uma criatura como Iglesias não é um problema político. É um problema de regressão civilizacional no sentido darwiniano do termo

 

Está MESMO espectacular ‘a esperança para seguirmos a mesma linha’

31 Janeiro, 2016
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Está espectacular a ‘esperança para seguirmos a mesma linha’

31 Janeiro, 2016
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Não se pode refutar o Costa com ciência

30 Janeiro, 2016

O problema que muitos comentadores enfrentam quando desmontam o discurso do Partido Socialista pós-socrático é puramente metodológico: o uso de retórica convencional recorrendo a áreas de conhecimento como a matemática, física, economia e psicologia, estando desprovida de componente metafísica, não permite refutar o que é, segundo todas as definições possíveis, uma seita religiosa.

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Socialistas a ouvirem António Costa.

Evidenciar uma contradição de João Galamba é o mesmo que demonstrar a mortalidade de Sun Myung Moon. Confrontar Trigo Pereira com declarações do próprio ontem e há quatro semanas é o mesmo que duvidar da palavra santa de Shoko Asahara. Demonstrar a inexistência de vínculo entre frases de Pedro Silva Pereira e a realidade física é o mesmo que duvidar do apocalipse anunciado e combatido através de sexo por David Koresh. Questionar o “jornalismo” de amigos com Estrela Serrano e Nicolau Santos ou de colunistas notoriamente alucinados como Alexandre Abreu ou São José Almeida é o mesmo que duvidar da maravilhosa comunidade marxista que Jim Jones construiu na Guiana. Demonstrar a incompetência, arrogância, falta de preparação, irresponsabilidade, inadequação e inépcia de António Costa é o mesmo que duvidar de Applewhite e Nettles ao afirmarem que seriam salvos da reciclagem carnal pela nave espacial no trilho do cometa Haley se se suicidassem a tempo.

Com isto pretendo afirmar que não é possível refutar nem denunciar a catástrofe de permitir que este PS governe sem se recorrer a teólogos, filósofos e, principalmente, exorcistas. Eles sabem disso, daí já terem nas fileiras grandes filósofos como Porfírio Silva.

Mas nunca fizeram as contas?

29 Janeiro, 2016

11 de Março de 2015: “É necessário reanimarmos setores de atividade económica que têm um enorme potencial de absorção de mão-de-obra e que estão em crise muito grande”, defendeu António Costa no momento em que falava sobre a urgência de criar mais emprego, para jovens e menos jovens. Por isso, afirmou, “é fundamental a redução da taxa do IVA da restauração”, justificando que “a redução da taxa do IVA na restauração representa a criação de milhares de empregos no setor”. Quando questionado sobre qual a taxa que defendia para este setor, o líder do Partido Socialista explicou que a redução deveria ser “para a taxa intermédia” ou seja, “os 13%”

 

28.08.2015. António Costa: É preciso assumir que há que reduzir a taxa de IVA na restauração, o que também abrange a componente alimentar dos hotéis.

28.09.201 António Costa escreve a restaurantes para recordar promessa de redução do IVA

Mas o «creximento» não vinha precisamente da baixa total do IVA?

29 Janeiro, 2016

Baixa total do IVA na restauração só em 2017 por causa do custo que é “muito mais” que 350 milhões

costa, o usurpador

29 Janeiro, 2016
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António Costa confessa-se.

Uma conversa telefónica

29 Janeiro, 2016

– Luana Irene, cabeleireira. Boa tarde. Em que posso ser útil?

– Estou? Quero marcar para amanhã de manhã.

– Certamente. A que hora, mais ou menos?

– Às seis e um quarto.

– Só abrimos às nove…

– Pois, mas às nove já tenho que estar a falar na televisão.

– Em casos especiais posso abrir uma hora mais cedo… Mas às seis é impossível.

– Sou sua cliente há anos. Claro que é possível. Você não quer é trabalhar!

– Minha senhora, eu trabalho 12 horas por dia aqui no salão, às vezes mais. Trabalho o Sábado todo e Domingos de manhã por causa das festas e dos casamentos… Só fecho à Segunda-feira e, às vezes, nem isso, se uma cliente vai de férias e precisa mesmo… A minha semana de trabalho é de 78 horas quando corre bem…

– Isso é lá com a sua vida. Eu quero ser atendida às seis e um quarto e se não for aí vou a quem me atenda. Não espere é que isto fique assim. Vou dizer mal desse salão a todas as minhas amigas.

– Pronto, deixe ver… Acho que posso levar o bebé à minha mãe às cinco e meia e lá estarei às seis e um quarto para a atender…

– Eu sabia que podia contar consigo, minha querida!

– Que nome ponho aqui?

– Ana Avoila.

– Obrigado. Até amanhã.

– [som do telefone a desligar]

garlics with burgalics

28 Janeiro, 2016

A realidade não anda muito longe disto

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a reversão provisória da austeridade

28 Janeiro, 2016
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Informa o Público (link indisponível) que, para convencer Bruxelas, o governo «quer registar medidas de reversão da austeridade como medidas extraordinárias», logo provisórias, presume-se. Ou seja, uma espécie de taxa extraordinária do IRS ao contrário. Neste caso, abranda agora para voltar a apertar mais tarde. Aumentam-se, agora, os funcionários públicos, mas despedem-se uns tantos, daqui por algum tempo. Repõem-se os valores das pensões, mas voltamos a baixá-los um dia destes. Recuperamos a maioria do capital da TAP para o estado, para mais tarde o darmos novamente aos privados. Caramba, isto é excessivamente estúpido para ser verdade. Um pouco de sanidade mental seria conveniente.