Sobre o partido liberal
Dando seguimento ao publicado pelo Rui A. sobre o partido liberal, é isto que penso.
Um partido vende votos a uma clientela de eleitores. Defensores do partido liberal podem considerar que a criação deste é a criação de oferta que gerará procura, uma variante da lei de Say. Porém, esta versão não contempla de forma inequívoca o que Hayek diz sobre a competição no mercado ser um processo de descoberta. No mercado dos votos, a concorrência partidária actual permite descobrir que apenas sensivelmente metade dos eleitores compra os produtos disponíveis, mas nada diz sobre se comprariam outro produto actualmente fora do mercado. O dinheiro usado nesta compra, não sendo notas emitidas pelo banco, é, à primeira vista, a expectativa de que o governo adquirido cumpra com o que o votante espera racionalmente que seja cumprido (e não o que consta no programa eleitoral, como já se demonstrou múltiplas vezes). Um partido só faz sentido se financiado por esse capital, o de expectativa potencial do votante. Daí que seja a minha convicção que, antes que um partido possa ser formado, seja necessário acumulação de capital sob a forma de expectativa governamental de um partido desse tipo. Para criar esse capital é necessário concentrar uma série de princípios e distribui-los ao eleitor de forma cultural e académica para que o elucidem das expectativas governamentais que podem ser adquiridas por via do voto num futuro partido. Daí que, para mim, estejamos na fase de divulgação de expectativas e não de comercialização do voto. É necessário é publicar e entrar no mercado cultural das ideias. Não no mercado endógeno e em circuito fechado para grupos de convertidos e sim no mercado global.
Adenda: cuidado com os apelos à acção. Soam um bocado marxistas.
O nosso processo de kirchnerização em curso
Entre chegar e partir de um acontecimento António Costa foi confrontado pelos ditos lesados do BES. Com aquele notável sentido de Estado que se lhe conhece resolveu logo ali o problema: ele não tem culpa de nada, a culpa é do governador do Banco de Portugal.
Nos próximos dias saberemos se António Costa opta pela linha Varoufakis que concebeu um plano que passava por prender o o governador do Banco da Grécia; se pela linha Kirchner que transformou numa espécie de folclores as suas diatribes contra o governador do Banco da Argentina ou ainda pela linha Maduro que não só transformou o banco da Venezuela num banco do seu governo como o proíbe de divulgar dados sobre a economia do país.
Aceitam-se apostas.
Poderes legislativo, executivo e judicial
António Costa culpa o Banco de Portugal no caso dos “lesados” do BES. Já percebemos que António Costa, além de doutor em economia, finanças e tudo o que é belo e justo, também é juiz. É o que precisamos mesmo no governo, alguém capaz de decidir que: 1) há lesados do BES; 2) a culpa de existirem lesados é atribuível a uma entidade em julgamento sumário pelo poder executivo.
Se há pessoas que se consideram lesadas pelo sucedido no BES, não deveriam resolver o caso no muito independente poder judicial, num tribunal, mediante julgamento? Não é assim que o regime funciona? Vejo os socialistas do costume a pedirem a demissão do governador do Banco de Portugal. Está bem: se demitir o governador do Banco de Portugal resolve os problemas dos alegados “lesados do BES”, então eram lesados em quê?
o modelo a seguir
Andam os liberais lusitanos muito entusiasmados, nos últimos dias, com a ideia de fundar um partido que defenda as suas ideias. Pois bem, da modéstia deste pequeno canto da blogosfera, que é o Blasfémias, atrevo-me a sugerir-lhes que tomem conhecimento, estudem e sigam o extraordinário exemplo do think tank brasileiro que é o Instituto Mises-Brasil, que, sob a lúcida e carismática direcção do Hélio Beltrão, conseguiu criar um poderosíssimo instrumento de divulgação das ideias liberais, com influência política, académica e social, como não conheço outro nos países lusófonos e mesmo latinos. Não irei aqui desenrolar os méritos e os êxitos do Mises-Brasil, e do Hélio e de toda a sua extraordinária equipa (onde pontificam académicos de mérito como Alex Catharino, Ubiratan Jorge Iorio, Fábio Barbieri, entre muitos outros), mas posso dizer que os segui e testemunhei pessoalmente, nos últimos anos. Quem quiser conhecê-los melhor, que se informe.
Como o próprio Mises dizia, as ideias têm consequências. Têm é de ser estudadas, defendidas e divulgadas competentemente. Sem um sólido pensamento liberal que seja realmente influente na sociedade portuguesa, podem bem esquecer o resto. Ou dito de outra maneira, antes de começarem pelo telhado de uma casa que não existe, os liberais portugueses bem poderiam começar por tentar (dá trabalho e é preciso saber…) seguir as pisadas do think tank brasileiro. Ainda por cima, para quem não saiba, fica a saber que há já um instituto homólogo em Portugal.
Digam te-rro-ris-ta. Repitam terrorista.Vá lá não custa assim tanto
A evocação do assassínio de Gaspar Castelo-Branco tem mostrado como as FP-25 são descritas em várias redacções não como terroristas mas sim muito eufemisticamente como «rede armada» ou mais espantosamente ainda como «organização clandestina armada».
O que nos leva a perguntar que organizações legais armadas à excepção das polícias e das forças armadas conhecerão os jornalistas em Portugal?
Deve ser isto o internacionalismo proletário
*Portugal abdica a favor da Grécia, no âmbito do Orçamento do Estado, dos mais de 100 milhões de euros em lucros do Banco Central Europeu com a compra de dívida pública grega
*Esta trasnferência está inscrita no OE
*A verba tem vindo a ser assegurada no Orçamento do Estado desde que os países do euro chegaram a acordo para abdicar destes lucros, em novembro de 2012. Todos os partidos votaram a favor desta trnasfrência a favor da Grécia à exceção do PCP e do partido ecologista Os Verdes
*O PCP garantindo que o partido tem que ser coerente afirma: “Votámos contra porque se trata de um pacto de agressão à Grécia. Não é um empréstimo, uma vez que está associado a um conjunto de condições draconianas. A discussão deve-se fazer neste quadro”
*No ano passado, em que Portugal transferiu 98,6 milhões de euros para aquele país, PCP e BE votaram contra esse artigo do OE.
Em resumo: ou os gregos fazem a revolução ou aqui os camaradas não perdoam um cêntimo de euro nos juros. Deve ser isto o internacionalismo proletário. Apesar de tudo o Tsipras tem sorte: noutros tempos acabava suicidado.
A ler: A política dos golpes tem custos
Curiosidades lusitanas
A Associação Portuguesa de Mulheres Juristas (APMJ), uma associação tão válida e necessária como a Associação Portuguesa de Homens Piropantes (APHP) ou a Confederação Associativa de Cozinheiros Transexuais Otomanos (CACTO), manifestou-se contra uma juíza por esta ter produzido um juízo.
Ora, ora a Catarininha mais o Galamba e as manas Mortágua não deixam
Arábia Saudita aceita congelar produção de crude. Petróleo acima de 35 dólares.
A geringonça ainda declara guerra à casa de Saud que claro tomou agora estas medidas para boicotar a errata do orçamento que põe e repõe, que corta e acrescenta
Boas notícias, contribuintes portugueses
objectivos, vendedores e carisma
No sentido mais nobre da palavra «empresa», um partido é uma empresa que disputa, em regime de concorrência no mercado, as preferências e escolhas dos consumidores de produtos políticos. Essas escolhas, por sua vez, exercem-se em momentos temporalmente distintos e de importância relativa diferente, que vão da simples manifestação de simpatia numa sondagem, a filiação e a participação activa na vida do partido, até ao voto, que é, nos dias que correm, a escolha mais importante que pode fazer-se neste mercado. Os serviços que estas empresas fornecem aos consumidores consistem, essencialmente, no exercício do poder político do estado, nos seus órgãos de poder central, local e empresarial, para o que se oferecem a partir de propostas contratuais com convicções, compromissos, promessas e objectivos diferenciados. A venda destas propostas é feita, como em qualquer empresa, por vendedores especializados, liderados por um presidente, sendo a comunicação social, sobretudo a televisão, e o contacto pessoal directo os meios mais eficazes para angariar clientes. Os partidos que conseguem a adesão de muitos consumidores são bem-sucedidos e adquirem uma quota de mercado que lhes poderá facultar a direcção do estado, isto é, o cumprimento integral dos objectivos da empresa, enquanto que os que não conseguem uma adesão significativa ficarão na orla do sistema, podendo mesmo desaparecer.
Isto significa que um partido político, se não quiser ser uma brincadeira inútil, uma pura perda de tempo e um desperdício de recursos, tem de ter votos, com o que alcançará uma quota significativa do mercado. Para isso, carece de causas e objectivos, de bons vendedores e, obviamente, de um presidente do conselho de administração que seja carismático e atraia as preferências dos consumidores.
Começando pelas causas, pergunto: que causas comuns unem os liberais portugueses, ao ponto de sobre elas se conseguirem entender para apresentarem um produto vendável no mercado? Os liberais portugueses são anarco-capitalistas (isto é, propõem a extinção do estado), minarquistas (defendem um estado mínimo) ou liberais-sociais (querem mesmo o estado presente em muitas áreas)? Que programa comum teriam sobre a educação, a justiça, a União Europeia, o Euro, o Tratado Schengen, a dívida pública e o aumento dos impostos para a tesouraria do estado pagar aos credores? Propor-se-iam ao mercado como representantes de ideias e causas de autores estrangeiros (como lembra, há muitos anos, o Pedro Arroja, a Escola Austríaca é… austríaca), ou seriam capazes de enxertar os seus liberalismos na tradição cultural portuguesa? Prefeririam Hayek e Mises ou Herculano e Pessoa? Entre si mesmos, optariam por Hayek, Mises, Rothbard, Hoppe ou Friedman (sim, ainda há uns meses, em conversa com um amigo com responsabilidades nos círculos liberais portugueses, este me dizia que Milton Friedman era o seu autor liberal de eleição, o que certamente chocará rothbardianos)?
Avançando para os promotores e vendedores, onde se encontram eles? Mais importante: onde está o presidente do conselho de administração, sabendo-se que o mercado político determina as suas escolhas maioritariamente pela relação de confiança que se estabelece entre os consumidores e o presidente do partido, que eles querem que seja o dirigente do governo que cuidará das suas vidas? Lembro que um chefe partidário carece de carisma, isto é, de qualidades pessoais com as quais procurará convencer os consumidores a comprarem-lhe a ele, e não a outro, o seu produto, e que nenhuma destas figuras se faz de um dia para o outro, demorando anos e anos a ser preparada e testada, sendo que, frequentemente, falha no momento em que assume responsabilidades.
No estado actual das micro-empresas liberais portuguesas, eu diria que os (poucos) liberais que por cá temos e se querem dedicar à vida partidária, em vez de pensarem em lançar uma empresa para a qual não dispõem de suficientes meios financeiros e humanos, se deveriam, antes, dedicar ao CDS e ao PSD. Por onde, aliás, quase todos andam.
A que tipo de organizações chamarão no Expresso terroristas?
Expresso, 15 de Fevereiro de 2016: Na década de 1980 [entre 1980 e 1987], as FP 25 de Abril, uma organização armada que atuava à margem do quadro legal do sistema democrático
Provavelmente, um curso em Harvard

Foram precisos 30 anos para que se fizesse justiça

Gaspar Castelo Branco alto funcionário do Estado morreu às mãos das Forças Populares (FP) 25 de abril, faz hoje 30 anos.
Trinta anos depois o Presidente da República, a título póstumo, condecorou com a Grã Cruz da Ordem do Infante D. Henrique o antigo diretor-geral dos serviços prisionais. Gaspar Castelo Branc é a primeira vítima mortal das FP25 a ser agraciada com uma ordem honorífica.
Camarada Jerónimo olha para estes ricos!!!!!
Camarada, sabes tu que há em Portugal um grupo de poderosos que tem um património imobiliário de 27,3 milhões de euros e não pagam um euro de IMI?
Camarada todos os anos estes ricos roubam um milhão de euros ao Estado só em IMI.
Camarada isto é um roubo camarada.
Enquanto os ricos não pagarem o que devem as classes trabalhadoras continuarão subjugadas ao poder desses poderosos que também estão isentos de pagamento do imposto de selo, imposto sobre sucessões e doações, imposto automóvel nos veículos que adquiram para a sua atividade, IVA na aquisição e transmissão de bens e serviços.
Camarada Jerónimo paga o que deves: os cinco maiores partidos políticos têm 27,3 milhões de euros em imóveis. Estes imóveis estão isentos do pagamento do Imposto Municipal sobre Imóveis, mas se o pagassem o Estado poderia arrecadar cerca de 1 milhão de euros. O partido mais rico em imóveis é o PCP. Declarou 12,3 milhões de euros. De seguida, aparece o PS com 7,2 milhões, o PSD com 5,9 milhões, o BE com 1,4 milhões e o CDS com 574 mil euros.
Mas quais ricos????
Observador «O PCP quer arrecadar mais receita fiscal através da cobrança aos mais ricos e deverá entregar propostas de alterações ao Orçamento do Estado (OE) para 2016 que já debateu com o Governo e que não viram luz verde da parte dos socialistas. Uma é a criação de um imposto sobre o património mobiliário acima dos 100 mil euros.»
partido liberal
O liberalismo não é uma filosofia do estado e do governo, mas uma filosofia sobre o governo e o estado. Ou seja, não explica como se deve governar um país e determinar a vida das pessoas, mas como um país não deve ser governado e porque as pessoas têm mais vantagens em ser livres e ficar longe do estado do que dependentes dele.
Qualquer partido político tem por objectivo conquistar o poder e governar o estado, e, por isso, é sempre intrusivo e limitador da liberdade individual. Porém, os partidos e os governos não são todos iguais, e é certo que uns são mais interventores do que outros. A História demonstra que há partidos e governos inspirados por princípios liberais, que tomam decisões que reduzem a intervenção do estado e devolvem liberdade às pessoas. É inegavelmente melhor um país ser governado por um governo menos intervencionista e mais liberal do que por um governo socialista, e cada redução de estatismo é sempre um ganho que não pode ser desprezado.
Sobre a criação partido liberal em Portugal, debate que foi recentemente lançado pelo João Miguel Tavares e que aqui já tive ocasião de comentar, independentemente das dificuldades evidentes que quaisquer medidas liberalizadoras sempre terão no actual regime constitucional, há mais algumas condicionantes a ter em conta.
Desde logo, a inexistência de uma mentalidade liberal na sociedade portuguesa, que continua maioritariamente a ver no estado a realização da sua felicidade.Portugal é um país em que as pessoas vivem excessivamente dependentes do estado (viveram sempre…), condição que se verifica desde as pessoas que pertencem aos estratos social mais desfavorecidos até aos maiores banqueiros e empresários.
Depois, o desconhecimento do que seja o liberalismo, dito de outro modo, das vantagens de se viver numa sociedade distanciada do dirigismo estatal. Faltam ideias e quem as divulgue e saiba defender. À excepção do Caminho para a Servidão, de Hayek, mais nada de relevante, dos autores clássicos, foi publicado no nosso país. Há blogues e alguns articulistas nos jornais, meia-dúzia de livros editados, dois ou três independentes nalguns partidos, mas estas pessoas são avis raras cujas vozes não chegam à grande opinião pública.
Por fim, é conveniente ter experiência política e penetração em extractos sociologicamente relevantes, o que não sucede com nenhuma organização liberal portuguesa.
Ora, para se fazer um partido político com sucesso, que seja capaz de quebrar o monopólio dos quatro grandes partidos do regime (PS, PSD, PCP e CDS), como o Bloco de Esquerda conseguiu, é necessário reunir cumulativamente estas condições mínimas. Ao contrário do que se possa pensar, o Bloco não nasceu por geração espontânea, nem foi um fenómeno repentino. Pelo contrário, resultou de um brilhante trabalho de muitos anos de intelectuais de mérito, como Francisco Louçã, Miguel Portas e Fernando Rosas, cada um deles muito bom no que fazia na vida profissional e académica, e da actuação de partidos políticos com anos de existência (UDP, PSR, Política XXI) e de activistas com forte penetração social nas Universidades, nalguns sindicatos e na comunicação social (Daniel Oliveira, Joana Amaral Dias, entre outros).
Pois nada disto existe nos círculos liberais portugueses. Pelo que, antes de se aventurarem num processo de recolha de alguns milhares de assinaturas para remeter ao Tribunal Constitucional, os liberais deveriam preocupar-se em ganhar influência e prestígio: publicar livros e artigos, ir à televisão, lançar temas e promover debates, tomar posições nas Universidades, criar think tanks, escrever dissertações de mestrado e teses de doutoramento Antes disso, qualquer partido liberal será uma pura perda de tempo, de recursos e de energia. E do pouco prestígio até agora alcançado.
Cheirando a cauda do líder
A suspensão da conta satírica do Twitter, “Costa_Primeiro”, não tendo a importância de uma censura planeada, é, no entanto, sintomática da apresentação de serviço que a sabujice que rodeia o governo de facínoras ancorado na profunda convicção da estupidez popular que permite manutenção do poder através da intrujice permanente que só gera impostos futuros. O método é sempre o mesmo, abundando o número de exemplos. Professor de Inglês suspenso de funções por ter comentado licenciatura de Sócrates é um desses exemplos. O “Costa_Primeiro” é outro. Eu sei, já não estávamos habituados ao método do respeitinho desde 2011, da denúncia covarde, do medo da nudez pública das fragilidades com que se enganam os tolos. Ainda custa acreditar que a raiva canídea esteja de volta, em plena força, sobretudo através de derrotas eleitorais.
Os autocratas sempre tentaram vedar a crítica, algo que é extremamente fácil sem que necessitem sequer recorrer à ordem directa. À volta de qualquer autocrata abundam os funcionários, sempre prontos para a apresentação de serviço, com excesso de zelo, sempre à procura da promoção, dinheiro para substâncias proibidas, um licenciamento à beira mar ou de uma estadia em ilha do Mediterrâneo. A coisa passa sempre porque, enfim, é com um gajo qualquer que devia ter estado calado em vez de andar aí a fazer ondas, é quase compreensível. Mais cedo ou mais tarde acontecerá com o leitor; mas aí já será tarde para protestar. Ao menos foi avisado.
Pare de rir. Componha-se. Olhe o bem comum. Está a precisar de reeducação.
Nota: se decidireis interpretar uma reivindicação de autoria do “Costa_Primeiro”, estais à vontade. Não é minha pretensão condicionar o que qualquer imbecil decide achar que pensa. Até porque, se o fizerdes, só estais a atribuir-me uma inteligência que, porventura, só peca por excessiva.
A mesmice
Por mim deve chamar-se trabalhador que desejaria ser precário
O PÚBLICO na sua senda de nos integrar em todas as causas alerta-nos para o problema das legendas nos museus. Por exemplo este «Thomas Hees com os seus primos Jan e Andries Hees e um criado (1687), de Michiel van Musscher. O que chamar a um criado que é tratado como um escravo?» pergunta o PÚBLICO. Ao que parece «escravo» agora é perjorativo.
Coisa misteriosíssima porque se as pessoas não eram escravas por livre vontade passá-las de escravas a criadas é no mínimo escamotear o que lhes aconteceu. Mas enfim o passo seguinte será passarem das legendas para as obras propriamente ditas e quiçá taparem-nas. Os caixotes em Itália para o presidente do Irão foram apenas o princípio. Mas voltando ao escravo que não pode ser escravo proponho que se chame «trabalhador que desejaria ser precário»

Criar hubs por decreto
O folhetim que Rui Moreira vem alimentando sobre a TAP, constitui um exemplo típico da eterna tentação da classe política para o intervencionismo pífio e bacoco na esfera económica e na estratégia das empresas.
Manifestar o desagrado pela descontinuação de serviços de uma empresa a uma determinada região, é um direito que assiste a todos os consumidores, directos ou indirectos, desses serviços. Mas a forma mais eficaz de o fazerem não passa pela lamúria ou pelo queixume requentado contra o centralismo, mas pela simples mudança para outros fornecedores, atingindo assim a empresa “prevaricadora” no sítio que mais lhe dói, a sua conta de exploração. Uma actuação massificada dos consumidores neste sentido, atrairia de imediato outras empresas de aviação que, não só ofereceriam voos para as rotas descontinuadas pela TAP como para todas as restantes abandonadas pelos seus ex-Clientes. Algo que já está, aliás, a acontecer.
World war on Syria
Paises que já efectuaram bombardeamentos aéreos sobre solo sírio: EUA, Bahrein, Jordânia, Qatar, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, França, Rússia, Síria, Canadá, Reino Unido, Holanda, Turquia, Austrália.
PS quer negócio
Algumas das prioridades do PS no governo:
- Reverter as concessões dos transportes urbanos.
- Anunciar a criação dos governos das áreas metropolitanas.
- Renegociar a privatização da TAP alargando a presença do Estado no Conselho de Administração e permitindo a entrada de accionistas chineses.
- Interferir na guerra de poder no BPI.
- Sugerir que a questão do Novo Aeroporto de Lisboa não é uma questão fechada.
- Dar a entender que pretendem que o BPI fique com o Novo Banco
- Dizer frequentemente se é contra a privatização da CGD (sem que a questão esteja em cima da mesa)
Dizem que é a defesa constitucional da igualdade
Os clientes
Assim se vê a força do PCP
Este homem não se enxerga!
3, 2, 1… Vai, Costa, vai
É agora. Começa mais ou menos por esta altura a grande fuga para o centrão amorfo da gula. PS intensificará contradições, recuará em todas as medidas prometidas, culpará um unicórnio qualquer – para gáudio dos imbecis que tanto defendem o Costa como a expressão de amor físico de um Jim Jones -, imporá austeridade a que chamará “amor fraternal” ou outra qualquer imbecilidade para analfabetos impressionáveis e exigirá à oposição a aprovação do seu próprio PEC 4, isto depois de ter reduzido os patetas alegres do Bloco ao papel de claque (algo que Rui Tavares tentou para o seu partido unipessoal e não conseguiu, dedicando-se agora a outra qualquer causa tonta que lhe permita evidenciar o sentimento de intelectualidade que o pacóvio meio académico fomenta, como um pai que enaltece os rabiscos aleatórios de um filho pequeno) e o PCP ao papel de museu da péssima educação pública que permite confundir Enver Hoxha com a expressão basca para “adoro as praias alentejanas”.
É fundamental não cair no engodo, por muito que Balsemão se esforce por desenrolar o tapete vermelho a Rio e este se dedique ao pachecopereirismo do éter de definições para social-democrata, coisa tão desprovida de significado como um governo Costa é desprovido de austeridade.
não deixam
O João Miguel Tavares escreveu um artigo interessante no Público no qual, depois de se confessar farto dos partidos actuais, reclama a criação de «um partido liberal, que não peça desculpa pelo que é e que assuma orgulhosamente aquilo que deseja» (link indisponível). Pois não era mal visto, só que não é possível: a Constituição não deixa e o Tribunal Constitucional não o permite. No actual regime só há lugar para partidos da social-democracia para a esquerda.
Apoiado!
Aumentar impostos sem orçamento
Cumprindo o seu programa de acabar com a austeridade, o Governo aumentou ontem, quase às escondidas (a Portaria foi publicada em suplemento vespertino do Diário da República), o Imposto Sobre os Produtos Petrolíferos, aproveitando uma das poucas possibilidades de aumentar impostos sem ser através da Lei do Orçamento (possibilidade de constitucionalidade mais do que duvidosa).
A fundamentação é espantosa: o aumento serve para compensar a queda da receita fiscal causada pela baixa de preços e, ao mesmo tempo, para moderar o aumento do consumo…
As novas taxas de ISP são as seguintes:
gasolina: € 0,57895 por litro (mais IVA)
gasóleo: € 0,33841 por litro (mais IVA)
A estes valores somam-se os da contribuição rodoviária e da taxa de C02 (às quais também acresce IVA) mais o IVA sobre o preço propriamente dito.
o espírito de coelho
A certo momento d’ A Quadratura do Círculo de ontem, Jorge Coelho quase se babou de gozo ao referir que «a Alemanha também lá tem problemas com um banco» e que «isto toca a todos». Ora, esta alegria com a desgraça alheia para justificar a nossa, diz bem da elevada mentalidade da nossa «elite» nacional, a quem o país confiou os seus destinos nas últimas décadas. Não me lembro de ver ninguém na Alemanha, nem a chanceler Merkel, nem o ministro Schauble, a rebolar de satisfação quando nos estoirou o BES ou deixámos de ter dinheiro para pagar os compromissos correntes do estado. Pelo contrário, vi toda a gente preocupada com o que nos poderia suceder e satisfeita quando começámos a melhorar a nossa vida. Mas em Portugal o que nos acontece é sempre culpa dos outros. E quando aos outros acontece alguma coisa menos agradável, isso serve apenas para demonstrar que são tão maus como nós.
Síntese de hoje, amanhã e todos os dias seguintes até o regresso da troika
É um erro comparar a austeridade do PS com a austeridade do governo anterior. A austeridade do PS é para nosso bem, a anterior era para nos prejudicar. Aliás, a austeridade do governo anterior era ideológica, ao contrário da austeridade do PS, que é bondosa e desprovida de ideologia, como só bons socialistas conseguem desprover. O problema é que a austeridade do governo anterior se devia à doidice de pretenderem ser bons alunos; felizmente, a austeridade do PS é precisamente pelo motivo contrário, pela necessidade de aplicar austeridade para acabar de vez com a austeridade. O governo anterior aplicou austeridade por se vergar aos mercados, à Comissão Europeia, à Merkel e às agências de rating; o governo PS aplica austeridade para mostrar que quem manda em Portugal são os portugueses que precisam de austeridade para se afirmarem como a luz que alumia o caminho para o fim da austeridade. O governo anterior viu na austeridade um escape para a sua incompetência; o governo PS vê na austeridade uma consequência da crise internacional, do desenho do euro e do aquecimento global provocado pelo governo anterior que aplicava austeridade. O governo anterior nunca teve uma crise internacional, um mau desenho do euro ou aquecimento global; ao governo do PS só acontecem tragédias internacionais. O governo anterior aplicou austeridade, o PS combate a austeridade através da austeridade necessária para acabar de vez com a austeridade que não funciona e deve terminar imediatamente através de medidas de austeridade. Era óbvio que o governo anterior tinha todas as provas de que a austeridade não funcionava; o governo PS mostra a esses irresponsáveis da direita austeritária que a austeridade é desnecessária através de uma aplicação criteriosa de austeridade para enterrar de vez o cadáver da austeridade. O governo anterior tem culpas imperdoáveis pela austeridade; o governo PS tem que impor austeridade para reverter definitivamente a austeridade imposta pelo anterior governo austeritário. O PSD e o CDS usavam como desculpa para a austeridade a falta de dinheiro para financiar o Estado deficitário; o governo PS mostra aos portugueses que a austeridade é má através de austeridade que permita continuar a financiar um Estado mais deficitário. Austeridade como no governo anterior nunca mais, pá; austeridade agora só deve servir para garantir austeridade de qualidade no futuro. O governo anterior via as pessoas como números; o governo PS vê as pessoas como contribuintes humanos e carros que pagam imposto através do rendimento próprio obtido por levarem pessoas de um lado para o outro. O PSD e o CDS queriam o mal do país; o PS quer o bem do país, mesmo que o país não queira o PS a querer seja o que for para o país. O PS é bom, o problema são os portugueses incapazes de verem a bondade do PS. O que o PS precisava mesmo era de outros portugueses, portugueses de jeito em vez de portugueses que não vêem no PS a salvação dos portugueses fartinhos de verem o PS a gozar com os portugueses. Se não houvesse portugueses, o PS ganhava com maioria absoluta as eleições para governar os portugueses que sabem como devem ser governados pelo PS , os únicos que compreendem a austeridade como o único caminho para acabar com a austeridade.
La exception française
Se a Romenia e a Hungria declaressem o estado de emergência e fizessem uma revisão constitucional, não faltaria quem os acusasse de quererem instaurar a ditadura. Se nesses países as autoridades administrativas efectuassem mandatos de busca sem controle judicial, fizessem buscas a qualquer hora da noite, colocassem centenas de cidadãos em detenção domiciliária, proibissem espectáculos e manifestações, encerrassem locais de culto, bloqueassem sites de internet, seriam muito justificadamente apelidados de tiranos.
Mas tal passa-se em França, governada por socialistas. Como tal, não faz mal nenhum. Ninguém vê, ninguém liga, está tudo bem.
Numa pressinha, o governo socialista fez uma revisão constitucional, que visa facilitar a manutenção do estado emergência e os poderes reforçados do estado e a diminuição da liberdade dos cidadãos. A primeira votação dos artigos da revisão constitucional contou com 103 votos a favor, 26 contra, 7 abstenções e ….. 448 deputados nem lá puseram os pés, pois haviam já saído para o Carnaval!. É que pelos vistos está tudo tão bem, que nem os franceses ligam.
Todos viram a cara para o lado, como se nada se passasse. No dia em que a presidente Le Pen venha a usar tais poderes, aí será tarde para reagirem e para se queixarem. É tudo legal…
As coisas são como são
Nestas legendas Vladimir Lenine (22/04/1870 – 21/01/1924) é um «político russo» e Adolf Hitler (20/04/1889 – 30/04/1945)um «ditador alemão». Podia lá o Lenine ser outra coisa.
Um dos grandes mistérios do século XX
é constituído pelos relatos dos jornalistas ocidentais às ditaduras comunistas. Só viam gente feliz e sociedades perfeitas

Curioso, hoje ninguém fala do socialismo islâmico
mas no DL em 1977 a Líbia era um exemplo desse modelo

Legislar eutanásia é criminoso
É muito triste quando um país com famílias a lutarem por providenciar um fim de vida a idosos acamados, com doenças terminais e muitas vezes privados de meios de conforto que possibilitem uma subsistência digna sem que descendentes façam das tripas coração, se permita a que uma centena de indivíduos se arrogue o direito de decidir que estão dotados de autoridade para legislar sobre eutanásia.
Quando as palavras mais ouvidas por quem priva com doentes idosos são “que Deus me leve para não dar trabalho”, é preciso ser desprovido de qualquer réstia de humildade pelo destino herdado da condição humana para enquadrar o fim da vida numa luta de números em filiações partidárias.
Quando as propostas de enquadramento legal de eutanásia partem de grupos parlamentares rejeitados pela maioria dos portugueses nas urnas, apenas permitindo a formação de governo via somatório de cadeiras alegadamente representativas mas formalmente apresentado aos eleitores através de uma improbabilidade absurda, isso é apenas soez.
Digam-me o seguinte:
a) o próximo resgate é quando?
b) a culpa pelo resgate é
1: Dos jornalistas que fazem notícias contra o país
2: Do Cavaco
3: Dos mercados que comspiram contra a alternativa e a felicidade da família Mortágua que benza-as Deus têm empregos geminados
c) Na próxima campanha eleitoral a austeriade chama-se retracção?
