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O nicho de mercado

24 Fevereiro, 2016

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O ministro da Cultura, João Soares, desceu a escadaria da Assembleia da República para se vir juntar aos manifestantes da plataforma “Cultura em Luta”.
O governante solidarizou-se com o movimento, que reúne mais de 50 estruturas culturais, e defende que no mínimo, 1% do Orçamento do Estado para a Cultura.

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«o movimento, que reúne mais de 50 estruturas culturais» – mesmo incluindo o ministros e os jornalistas nos manifestantes não dá sequer um manifestante por estrutura. Isto é o que se chama 1% do Orçamento do Estado para repartir pela propaganda.
No tempo do SPN saía mais barato.

Isto sim é uma coisa dramática

24 Fevereiro, 2016

«O neoliberalismo tem-se relacionado com o aumento da obesidade. Na Grã-Bretanha a obesidade passou para o dobro em 20 anos. Nos Estados Unidos tem crescido como se sabe. Para esta análise o National Bureau of Economic Research nos EUA construiu um modelo de cálculo com 27 variáveis sociais e concluiu que elas explicam 37 por cento do aumento do Índice de Massa Corporal, 42% da obesidade total e 59 por cento dos seus Graus II e III. O neoliberalismo faz mal à saúde. Isto anda mesmo tudo ligado. » Quem disse isto não foi aquele senhor que tomou informação do assassinio da mãe versus o acontecimento que considerava dramático ou seja  a amalgodela da viatura da irmã. De facto que uma isabelinha qualquer escreva «O neoliberalismo faz mal à saúde» é um problema da isabelinha. Mas se essa isabelinha assinar como «Isabel do Carmo, Médica, Professora da Faculdade de Medicina de Lisboa» o caso torna-se mesmo dramático.

Bluff II

24 Fevereiro, 2016

Uma historieta de Berlim

24 Fevereiro, 2016

George Grosz - Vor Sonnenaufgang (1922)

Agitando ancas no trote serviçal de quem apresenta o material a usufruir, Helga observa o cotão agarrado à púbis como se de velcro se tratasse. O cliente, imaculado no pré-metrossexualismo hirsuto de lenhador e óculos de massa que gerariam a decadência das decadências no pós-troika, apresenta-se como um homem se deve apresentar, de polainas e homburg de fita condizente.
“Madame, que tem a oferecer a este humilde servo?”
“O que está à vista, caro cavalheiro”, retribuindo a cortesia do ritual comercial que se inicia.
Entraram no hotel obscurecido pela luz esquiva que Berlim oferece ao universo. Enquanto a senhora remove o casaco, que coloca – pela nona vez hoje – no cabide colocado para o efeito de colocar casacos de frequente tira-e-põe, o cavalheiro, Hans, de Wiesbaden, inicia a bizarra conversa que inspiraria Kurt Weill observante por buraco escondido no quadro para o quarto ao lado.
“Então a tarifa social de energia? Acha mesmo que o prejuízo é imputado à EDP?”
“Cavalheiro, então? Como não?”
“E as 35 horas na função pública?”
“Cavalheiro, naturalmente. Uma hora por cada um dos pêlos no meu rubro carpete de Vénus.”
“E os animais de companhia, bela senhora?”
“Cavalheiro, que seria de mim sem animais de companhia?”
“E a renegociação da dívida, minha dama?”
“Só em termos europeus, sem tremores de um só. Quando um treme, o outro treme também.”
“E a nacionalização do Novo Banco?”
“Tudo o que tenho é de todos pelo preço certo em euros.”
“E a ADSE para filhos e cônjuges?”
“Só para crianças até aos 30 anos. Virgens.”
Ele saltou para cima dela e aprovaram, mesmo ali, a união de todas as esquerdas por quatro minutos quase intermináveis. Tudo antes que o mundo acabe outra vez.

o neoliberalismo faz mal à saúde

24 Fevereiro, 2016
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As grandes conquistas da Ciência e, muito particularmente, da Ciência Médica, dão-se, por vezes, a partir de hipóteses inusitadas e que, aparentemente , nada têm a ver com as conclusões alcançadas. Todos certamente conhecemos, por exemplo, os processos que levaram à descoberta da penicilina, substância que salvou a vida a milhões de pessoas, ou do Viagra, medicamento que salvou ainda mais almas de uma «morte» menos violenta, mas tão ou mais penosa do que as outras.

Pois bem, hoje, no jornal Público, anuncia-se mais um triunfo da Ciência e da Medicina: Isabel do Carmo, médica portuguesa que anda a tratar-nos da saúde desde que incorporou, nos idos da década de 70, um conhecido grupo de voluntariado de intervenção social, anuncia à Humanidade esta extraordinária descoberta: o liberalismo faz mal à saúde e é responsável pelo aumento da obesidade nas nossas sociedades! Leia-se a própria: «O neoliberalismo tem-se relacionado com o aumento da obesidade. O neoliberalismo faz mal à saúde. Isto anda mesmo tudo ligado» (link indisponível). Uma descoberta destas, reveladora do génio de quem a produziu, é bem merecedora do Nobel da Medicina. Até porque está a deixar a comunidade científica a que pertence a Dra. Isabel muito excitada. Tanto ou mais, como quando foi descoberto o Viagra.

E os cortes no privado o que justificam?

24 Fevereiro, 2016

Os mais questionáveis comportamentos dos funcionários do Estado são invariavelmente explicados com os cortes. Agora temos o caso do procurador Orlando Ribeiro  a ser explicado como uma consequência dos cortes: Mais do que questionar as funções que o procurador assumiu, devia era existir um regime remuneratório de carreira para manter os magistrados. No ano em que o procurador em causa pediu licença, houve mais procuradores e juízes a fazê-lo por causa dos cortes salariais”, diz, por seu lado, António Ventinhas, presidente do Sindicato dos Magistrados do Ministério Público.

Está-se mesmo a ver não está; Mais do que questionar as funções que o procurador assumiu,” Vamos lá questionar que um procurador vá trabalhar para os seus ex investigados?!!!  Está claro que não questionamos ” as funções que o procurador assumiu,”  Nem deste procurador nem de qualquer outro.Vamos é pagar-lhes mais para que não tenham essa ideia por assi dizer embaraçosa. Proponho até que essa ideia seja aplicada ao sector privado. Mais impostos? Mais taxas? Fuga de clientes? Vamos por exemplo trabalhar para a economia paralela. E nada de questionar isso. Têm é de nos pagar para não termos esse ímpeto.

 

«Jornal de Negócios». Mas quais negócios?

23 Fevereiro, 2016

No Jornal de Negócios de hoje, uma peça começa assim: «Sindika Dokolo ganhou notoriedade pública em Portugal com a compra, por 1,6 milhões de euros, da Casa Manoel de Oliveira, no Porto, que irá utilizar como sede europeia da fundação que leva o seu nome.»

O resto, apenas assinantes dedicados poderão ler. Mas convenhamos que a falta de rigor e o aspecto de press release não é convidativo a pretender continuar a ler tal prosa.

É que não é preciso ser-se «jornalista» e muito menos especializado em «negócios» para se saber que tal início de texto peca por graves falhas factuais.

Vejamos:  como foi público e anunciado pela CM do Porto, a empresa que comprou o edificio em questão é a
Supreme Treasure Lda, com sede na Avenida da Liberdade, 190, 1º B, em lisboa. A mesma tem dois sócios: Miguel Joaquim Cardielos dos Reis, com uma quota de 990 euros. E Catarina Alexandre Figueiredo Rodrigues, com uma quota de 10 euros. O gerente é Mário Filipe Moreira Leite Silva, conhecido representante dos interesses económicos de Isabel dos Santos.  (via taf)

Portanto, nem a dita fundação nem sequer o seu instituidor adquiriram tal imóvel, o que desmente logo o início da «notícia» do JN. É certo que anunciaram que iriam ali instalar a sede da sua fundação. Mas tal será certamente mediante contrato de arrendamento ou empréstimo ou outra modalidade qualquer que permita que os sócios da Supreme Treasure vejam de alguma forma ressarcido o seu avultado investimento. Ou quem sabe, o investimento da esposa do presidente da fundação. Aliás, numa outra peça no mesmo Jornal de Negócios, Sindika Dokolo refere-se a alegados «testa-de-ferro». Certamente, como se constata, assunto que conhecerá em primeira mão e melhor que ninguém.

Que giro!!!

23 Fevereiro, 2016

O Marcelo vai à mesquita depois de ser indigitado PR. Sinal de ecumenismo. Se o Marcelo fosse à Sé é que o caso mudava de figura. Tornava-se imediatamente num sinal de atavismo, atraso, ultra montanismo, reaccionarismo…. e intolerância, pois claro

O início da era pós-impostos

23 Fevereiro, 2016

José António Abreu: Há um momento na descida para a paralisia económica em que ao Estado já não basta cobrar impostos. A solução? Colocar empresas privadas a garantir o pagamento de benefícios sociais. Como a mentalidade da «verdadeira esquerda» (Bloco, PCP, actual PS) exclui o conceito de relação causa-efeito, fazê-lo não implica obrigar essas empresas a distribuir os custos da medida por todos os seus clientes ainda não suficientemente pobres para terem eles mesmos direito aos benefícios mas apenas diminuir-lhes o nível «obsceno» de lucros (é sabido: para a esquerda, uma empresa privada ou tem lucros obscenos ou gestão criminosa). Começa-se pela EDP, entidade fornecedora de um bem que muitos, consciente ou inconscientemente, acham que devia ser gratuito (ei, a electricidade é uma espécie de download, certo?) e que todos apreciam odiar. E abre-se caminho para ir mais longe. Para, sei lá, tornar obrigação do Continente, do Pingo Doce e do Lidl a distribuição mensal de cento e tal mil cabazes de compras; para tornar obrigação da Galp, da BP e da Repsol a oferta mensal do combustível correspondente a cento e tal mil depósitos; para tornar obrigação da McDonald’s, Ler mais…

Passo a passo, a TAP vai implementando nova estratégia

22 Fevereiro, 2016
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Digam lá se as minhas previsões (sem erratas) não são bem melhores do que as do Centeno. Aí estão novas rotas para New York/JFK e Boston, duas importantes bases da JetBlue, que ganha assim a possibilidade de canalizar para a Europa tráfego oriundo das suas diferentes rotas domésticas. A parceria estabelecida vai nesse sentido. Detendo já slots em Newark, um bastião da United, a TAP passa assim a servir os 2 principais aeroportos de New York.

Afigura-se-me que os próximos destinos a abrir serão Chicago e Houston, os maiores hubs da United, com quem estabelecerá também acordos de code-sharing. Em pouco tempo, o tráfego no Atlântico norte mais que duplicará, impulsionando também o crescimento no médio curso para a Europa e norte de África.

Terá começado o turnaround da TAP, gerida por quem sabe do negócio. Deixemo-los trabalhar.

A minha petição

22 Fevereiro, 2016

Quero fazer uma petição. O meu propósito é simples: quero pedir, exigir e reivindicar que António Costa se mantenha como líder do PS. Nada é mais urgente que ter a garantia de que António Costa vai continuar à frente do PS. Mesmo depois de deixar de ser primeiro-ministro? Sim, sobretudo depois de deixar de ser primeiro-ministro.

O Processo

22 Fevereiro, 2016

Fartos disto tudo, fomos para o Rossio. Outros viram os cartazes e vieram atrás. Em dois dias tínhamos o Rossio cheio, com cartazes, cânticos, palavras de ordem e um sentimento de fraternidade comunal nunca visto fora de um concerto dos Grateful Dead. As pessoas queriam mudança, exigiam-a. Sentia-se a revolução no ar, o pacifismo de um povo oprimido que exigia o fim da tirania.

Organizamos um secretariado para gerir as intervenções à assembleia, já que todos tinham algo a dizer para a criação de um futuro novo. Todos são importantes. As opiniões e os pontos de vista eram tantos que tivemos que criar grupos de trabalho para diferentes áreas, cada um concentrando-se no que é essencial para a mudança de mentalidades que se avizinha para todo um povo. O grupo ecologista plantou rabanetes e o grupo vegan sacrificou uma vaca como símbolo de opressão do touro bandarilhado pelas bárbaras tradições patriarcais. Tivemos artes circenses e poemas por pessoas de tranças nas longas barbas. Nem por ser Março trocamos as sandálias por botas cardadas. Tomávamos o banho comunal todas as manhãs graças a uma calha colocada em frente ao pénis da estátua de D. Pedro IV por um trapezista que também cospe fogo.

Começaram a aparecer os reaccionários, prontos a boicotarem a revolução com resquícios de um passado opressor, recordando a existência de instituições retrógradas que simbolizam a tirania, como os tribunais que prendem presos políticos em mangas de aviões. Tivemos que disciplinar o acesso à mesa. A partir de certa altura, só as propostas apresentadas ao comité de apreciação de propostas recebidas pelos grupos de trabalho independentes podiam ser apreciadas para apresentação ao secretariado, incumbido de decidir a ordem pela qual deveriam decorrer os trabalhos. Começaram os protestos de facções revisionistas e foi necessário criar uma força de ordem que mantivesse o regular funcionamento e liberdade da assembleia revolucionária. À medida que subia o descontentamento dos velhacos pelas medidas higiénicas de afastamento das suas ideias subversivas, foi necessário criar o comité de investigação das motivações revolucionárias. Para assegurar eficiência, quem apresentasse queixa contra outro manifestante teria menção pública pela lealdade à causa. Os bufos sucediam-se, em catapulta, sendo necessário purgar o grupo de elementos cuja participação era meramente subversiva.

Quando começaram os tumultos, propus a suspensão dos trabalhos até que se determinasse um plano de reeducação dos manifestantes, formatados para uma opinião individualista em detrimento do bem comum e do espírito do grupo. O incêndio controlou-se rapidamente e só morreram 6 velhos que, infelizmente não possuíam a robustez física que a revolução necessita. Foi-lhes atribuído o estatuto de mártires e decretar-se-á um minuto de silêncio por cada um. Mal exista consenso no comité central, liberaremos da prisão os outros manifestantes que abracem a causa, sob compromisso de honra devidamente assinado e arquivado no comité da pureza ideológica.

Nada pode parar a revolução.

Todavía hay clases

21 Fevereiro, 2016

Sobre as conversas entre Sócrates e Proença de Carvalho (esse homem fatal como dizia o Eça) há uma espécie de ponto de ordem a fazer: o Afonso Camões de facto só deve servir para mandar e obedecer. Não lhe conheço um texto que valha a pena, uma ideia que se aproveite, uma opinião que mereça dois minutos de atenção

Quanto a Sócrates e Proença de Carvalho terem ponderado convidar  Ferreira Fernandes para dirigir o DN cargo que não faço ideia se Ferreira Fernandes  pretendia há que ter em conta que Ferreira Fernandes está nos antípodas de  Afonso Camões. Podia dizer que escreve maravilhosamente, que é bem informado, que sabe distinguir um texto bom de um mau. Mas só digo isto há dias em que leio o que escreve e só penso: queria ter escrito assim.

Uma canção para o Syriza

21 Fevereiro, 2016

No céu cinzento sob o astro mudo
Batendo as asas pela noite calada
Vêm em bandos com pés de veludo
Chupar o sangue fresco da manada

Se alguém se engana com seu ar sisudo
E lhes franqueia as portas à chegada
Eles comem tudo eles comem tudo
Eles comem tudo e não deixam nada

A toda a parte chegam os vampiros
Poisam nos prédios poisam nas calçadas
Trazem no ventre despojos antigos
Mas nada os prende às vidas acabadas

São os mordomos do universo todo
Senhores à força mandadores sem lei
Enchem as tulhas bebem vinho novo
Dançam a ronda no pinhal do rei

Eles comem tudo eles comem tudo
Eles comem tudo e não deixam nada

No chão do medo tombam os vencidos
Ouvem-se os gritos na noite abafada
Jazem nos fossos vítimas dum credo
E não se esgota o sangue da manada

Se alguém se engana com seu ar sisudo
E lhe franqueia as portas à chegada
Eles comem tudo eles comem tudo
Eles comem tudo e não deixam nada

Eles comem tudo eles comem tudo
Eles comem tudo e não deixam nada

(José Afonso)

Auto-brainstorming redistributivo

21 Fevereiro, 2016

Partido-liberal-que-e

Já não sei precisar

20 Fevereiro, 2016

Quanto tempo ficaram detidos os pais de Maddie que deixaram sozinhos três filhos num apartamento enquanto foram jantar? Maddie tinha quatro anos e os irmãos dois.

2021

20 Fevereiro, 2016

Sua Excelência, o Senhor Presidente da República Popular Portuguesa entra na sala perante a multidão informe de jornalistas da RTP, dos quais apenas um tem uma camera e um microfone funcionais. Perante os “clique, clique, clique” das máquinas fotográficas de plástico que só fazem “clique, clique, clique” e dos leds intermitentes que simulam flashes, José Sócrates, envergando um lindo fato de treino verde e vermelho com risca amarela no remate do fecho, prepara-se para falar ao país.

Patriotas e patriotas, portuguesas, portugueses, portuguesas que já foram portugueses, portugueses que já foram portuguesas, portugueses que já foram estrangeiras e/ou estrangeiros, portuguesas que já foram estrangeiros e/ou estrangeiras, senhoras e senhores membros e membras da partida e do partido, pessoas e pessaoas na e no generalidade e outras e outros, é com extremo agravo que me dirijo a vós para que possais constatar a ignomínia que o mercado neoliberal causou ao bravo povo e pova português, portuguesa e outra e outro. Anos de submissão à União Europeia, o elemento perturbador dos valores da democracia milenar, causaram a maior crise de que há memória, incluindo a peste negra e o terramoto de mil setecentos e oiten… sess… setenta e pico.

É com orgulho que cortamos relações com a Europa opressora, com o Euro e com o livre trânsito entre o povo e pova lusitano e lusitana e os boches que exploram as impolutas praias algarvias com as suas sebáceas secreções sudoríparas colonizadoras por germes. Que o dinheiro nunca nos falte por decisões não democráticas de palhaços que pensam que os bancos centrais não estão ao serviço da população. Todo o dinheiro com que sonharam será vosso. A partir de hoje sou também o governador do Banco de Portugal e o Presidente Executivo do Parlamento e Tribunal Constitucional. Mandarei imprimir, já amanhã, 10 triliões de novos escudos e garantirei um novo bilião por semana, até que a crise acabe. Até lá, estão suspensos todos os actos eleitorais que permitem aos reaccionários infiltrarem-se para que possam desmantelar por dentro, como 5ª coluna, a estrutura administrativa do Estado. Que este novo caminho, esta nova esperança, este novo rumo, seja a candeia que alumia na gruta das trevas em que nos encontramos após décadas de exploração europeia.

Ave, fortissimum populum salutat vos!

A emissão da RTP passa para o magazine cultural da nação, onde se ouve a reinterpretação orquestral pela batuta do maestro Jorge Basto-Bateira do corridinho sobre a bandeira que esvoaça, alto, no vazio do céu azul que nos cobre.

liberalismo em debate

20 Fevereiro, 2016
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O liberalismo está em discussão aberta no Facebook. Participe. Socialistas, de todos os partidos, também são bem-vindos.

20 Fevereiro, 2016
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Lamúrias

19 Fevereiro, 2016

Há quanto tempo não passavam pela porta da livraria Ulmeiro os notáveis que agora tanto se comovem com o seu possível fecho? Com o tempo a Ulmeiro foi-se transformando numa espécie de sotão desarrumado com vista para a avenida do Uruguai. Livros novos não tinha e para alfarrabista faltava-lhe muito.

 

vamos ter um lindo futuro

19 Fevereiro, 2016
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Portugal, país amigo do investimento estrangeiro.

nabice

19 Fevereiro, 2016
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Rui Nabeiro, um empresário de inequívoco mérito, disse o seguinte: “Nasci numa terra pobre, por isso sou socialista”. Obviamente que se enganou, porque o que ele queria mesmo dizer era: “Nasci numa terra socialista, por isso fui pobre”.

Isto começa a ficar como naqueles tempos dos ‘ikos’ que substituíam os ‘enkos’ e vice-versa na defunta URSS

19 Fevereiro, 2016

Pedro Santos Guerreiro vai ser o novo diretor do semanário Expresso, depois de Ricardo Costa ter sido anunciado como o novo diretor-geral de Informação do grupo Impresa, que detém ainda a SIC e a Visão.

Na SIC há muitas mudanças. Alcides Vieira, até agora diretor de informação da estação, passa a ocupar o cargo de diretor-geral adjunto de Informação da Impresa, e Ricardo Costa acumulará o novo posto com o de diretor da SIC. Terá como diretor-adjunto José Gomes Ferreira e como subdiretores Bernardo Ferrão — que assim regressa à SIC depois de ter sido editor de política do Expresso — e Pedro Cruz. Sai ainda Rodrigo Guedes de Carvalho, que ocupava o cargo de subdiretor da estação de Carnaxide

já começa a fartar

18 Fevereiro, 2016
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O Papa Chico. É evidente que o Trump é uma besta. Mas com quantas cavalgaduras já se passeou o Papa, sem ter sentido necessidade de as excomungar?

Sobre o partido liberal

18 Fevereiro, 2016

Dando seguimento ao publicado pelo Rui A. sobre o partido liberal, é isto que penso.

Um partido vende votos a uma clientela de eleitores. Defensores do partido liberal podem considerar que a criação deste é a criação de oferta que gerará procura, uma variante da lei de Say. Porém, esta versão não contempla de forma inequívoca o que Hayek diz sobre a competição no mercado ser um processo de descoberta. No mercado dos votos, a concorrência partidária actual permite descobrir que apenas sensivelmente metade dos eleitores compra os produtos disponíveis, mas nada diz sobre se comprariam outro produto actualmente fora do mercado. O dinheiro usado nesta compra, não sendo notas emitidas pelo banco, é, à primeira vista, a expectativa de que o governo adquirido cumpra com o que o votante espera racionalmente que seja cumprido (e não o que consta no programa eleitoral, como já se demonstrou múltiplas vezes). Um partido só faz sentido se financiado por esse capital, o de expectativa potencial do votante. Daí que seja a minha convicção que, antes que um partido possa ser formado, seja necessário acumulação de capital sob a forma de expectativa governamental de um partido desse tipo. Para criar esse capital é necessário concentrar uma série de princípios e distribui-los ao eleitor de forma cultural e académica para que o elucidem das expectativas governamentais que podem ser adquiridas por via do voto num futuro partido. Daí que, para mim, estejamos na fase de divulgação de expectativas e não de comercialização do voto. É necessário é publicar e entrar no mercado cultural das ideias. Não no mercado endógeno e em circuito fechado para grupos de convertidos e sim no mercado global.

Adenda: cuidado com os apelos à acção. Soam um bocado marxistas.

O nosso processo de kirchnerização em curso

18 Fevereiro, 2016

Entre chegar e partir de um acontecimento António Costa foi confrontado pelos ditos lesados do BES. Com aquele notável sentido de Estado que se lhe conhece  resolveu logo ali o problema: ele não tem culpa de nada, a culpa é do governador do Banco de Portugal.

Nos próximos dias saberemos se António Costa opta pela linha Varoufakis que concebeu um plano que passava por prender o o governador do Banco da Grécia; se pela linha  Kirchner que  transformou numa espécie de folclores as suas diatribes contra  o governador do Banco da Argentina  ou ainda pela linha Maduro que não só transformou o banco da Venezuela num banco do seu governo como o proíbe de divulgar dados sobre a economia do país.

Aceitam-se apostas.

 

Poderes legislativo, executivo e judicial

18 Fevereiro, 2016

António Costa culpa o Banco de Portugal no caso dos “lesados” do BES. Já percebemos que António Costa, além de doutor em economia, finanças e tudo o que é belo e justo, também é juiz. É o que precisamos mesmo no governo, alguém capaz de decidir que: 1) há lesados do BES; 2) a culpa de existirem lesados é atribuível a uma entidade em julgamento sumário pelo poder executivo.

Se há pessoas que se consideram lesadas pelo sucedido no BES, não deveriam resolver o caso no muito independente poder judicial, num tribunal, mediante julgamento? Não é assim que o regime funciona? Vejo os socialistas do costume a pedirem a demissão do governador do Banco de Portugal. Está bem: se demitir o governador do Banco de Portugal resolve os problemas dos alegados “lesados do BES”, então eram lesados em quê?

o modelo a seguir

17 Fevereiro, 2016
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Andam os liberais lusitanos muito entusiasmados, nos últimos dias, com a ideia de fundar um partido que defenda as suas ideias. Pois bem, da modéstia deste pequeno canto da blogosfera, que é o Blasfémias, atrevo-me a sugerir-lhes que tomem conhecimento, estudem e sigam o extraordinário exemplo do think tank brasileiro que é o Instituto Mises-Brasil, que, sob a lúcida e carismática direcção do Hélio Beltrão, conseguiu criar um poderosíssimo instrumento de divulgação das ideias liberais, com influência política, académica e social, como não conheço outro nos países lusófonos e mesmo latinos. Não irei aqui desenrolar os méritos e os êxitos do Mises-Brasil, e do Hélio e de toda a sua extraordinária equipa (onde pontificam académicos de mérito como Alex Catharino, Ubiratan Jorge Iorio, Fábio Barbieri, entre muitos outros), mas posso dizer que os segui e testemunhei pessoalmente, nos últimos anos. Quem quiser conhecê-los melhor, que se informe.

Como o próprio Mises dizia, as ideias têm consequências. Têm é de ser estudadas, defendidas e divulgadas competentemente. Sem um sólido pensamento liberal que seja realmente influente na sociedade portuguesa, podem bem esquecer o resto. Ou dito de outra maneira, antes de começarem pelo telhado de uma casa que não existe, os liberais portugueses bem poderiam começar por tentar (dá trabalho e é preciso saber…) seguir as pisadas do think tank brasileiro. Ainda por cima, para quem não saiba, fica a saber que há já um instituto homólogo em Portugal.

Digam te-rro-ris-ta. Repitam terrorista.Vá lá não custa assim tanto

17 Fevereiro, 2016

A evocação do assassínio de Gaspar Castelo-Branco tem mostrado como as FP-25 são descritas em várias redacções  não como terroristas mas sim muito eufemisticamente como «rede armada» ou mais espantosamente ainda como «organização clandestina armada».

O que nos leva a perguntar que organizações legais armadas à excepção das polícias e das forças armadas conhecerão os jornalistas em Portugal?

Deve ser isto o internacionalismo proletário

17 Fevereiro, 2016

*Portugal abdica a favor da Grécia, no âmbito do Orçamento do Estado, dos mais de 100 milhões de euros em lucros do Banco Central Europeu com a compra de dívida pública grega

*Esta trasnferência está inscrita no OE

*A verba tem vindo a ser assegurada no Orçamento do Estado desde que os países do euro chegaram a acordo para abdicar destes lucros, em novembro de 2012. Todos os partidos votaram a favor desta trnasfrência a favor da Grécia  à exceção do PCP e do partido ecologista Os Verdes

*O  PCP garantindo que o partido tem que ser coerente afirma: “Votámos contra porque se trata de um pacto de agressão à Grécia. Não é um empréstimo, uma vez que está associado a um conjunto de condições draconianas. A discussão deve-se fazer neste quadro”

*No ano passado, em que Portugal transferiu 98,6 milhões de euros para aquele país, PCP e BE votaram contra esse artigo do OE.

Em resumo: ou os gregos fazem a revolução ou aqui os camaradas não perdoam um cêntimo de euro nos juros. Deve ser isto o internacionalismo proletário. Apesar de tudo o Tsipras tem sorte: noutros tempos acabava suicidado.

 

 

A ler: A política dos golpes tem custos

17 Fevereiro, 2016

André Abrantes Amaral: Assistimos, por estes dias, aos primeiros sinais de um totalitarismo de esquerda: a compra da legitimidade política através do favorecimento por via dos dinheiros públicos, a vitimização, o dramatismo mediático, o insulto fácil, a imposição dogmática de políticas de cariz ideológico com elevados custos para todos. O país está a brincar com o fogo. Pergunto-me o que restará quando António Costa desistir da aventura em que nos meteu.

Curiosidades lusitanas

16 Fevereiro, 2016

A Associação Portuguesa de Mulheres Juristas (APMJ), uma associação tão válida e necessária como a Associação Portuguesa de Homens Piropantes (APHP) ou a Confederação Associativa de Cozinheiros Transexuais Otomanos (CACTO), manifestou-se contra uma juíza por esta ter produzido um juízo.

Ora, ora a Catarininha mais o Galamba e as manas Mortágua não deixam

16 Fevereiro, 2016

Arábia Saudita aceita congelar produção de crude. Petróleo acima de 35 dólares.

A geringonça ainda declara guerra à casa de Saud que claro tomou agora estas medidas para boicotar a errata do orçamento que põe e repõe, que corta e acrescenta

Boas notícias, contribuintes portugueses

16 Fevereiro, 2016

Arábia Saudita aceita congelar produção de crude. Petróleo acima de 35 dólares.

objectivos, vendedores e carisma

15 Fevereiro, 2016
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No sentido mais nobre da palavra «empresa», um partido é uma empresa que disputa, em regime de concorrência no mercado, as preferências e escolhas dos consumidores de produtos políticos. Essas escolhas, por sua vez, exercem-se em momentos temporalmente distintos e de importância relativa diferente, que vão da simples manifestação de simpatia numa sondagem, a filiação e a participação activa na vida do partido, até ao voto, que é, nos dias que correm, a escolha mais importante que pode fazer-se neste mercado. Os serviços que estas empresas fornecem aos consumidores consistem, essencialmente, no exercício do poder político do estado, nos seus órgãos de poder central, local e empresarial, para o que se oferecem a partir de propostas contratuais com convicções, compromissos, promessas e objectivos diferenciados. A venda destas propostas é feita, como em qualquer empresa, por vendedores especializados, liderados por um presidente, sendo a comunicação social, sobretudo a televisão, e o contacto pessoal directo os meios mais eficazes para angariar clientes. Os partidos que conseguem a adesão de muitos consumidores são bem-sucedidos e adquirem uma quota de mercado que lhes poderá facultar a direcção do estado, isto é, o cumprimento integral dos objectivos da empresa, enquanto que os que não conseguem uma adesão significativa ficarão na orla do sistema, podendo mesmo desaparecer.

Isto significa que um partido político, se não quiser ser uma brincadeira inútil, uma pura perda de tempo e um desperdício de recursos, tem de ter votos, com o que alcançará uma quota significativa do mercado. Para isso, carece de causas e objectivos, de bons vendedores e, obviamente, de um presidente do conselho de administração que seja carismático e atraia as preferências dos consumidores.

Começando pelas causas, pergunto: que causas comuns unem os liberais portugueses, ao ponto de sobre elas se conseguirem entender para apresentarem um produto vendável no mercado? Os liberais portugueses são anarco-capitalistas (isto é, propõem a extinção do estado), minarquistas (defendem um estado mínimo) ou liberais-sociais (querem mesmo o estado presente em muitas áreas)? Que programa comum teriam sobre a educação, a justiça, a União Europeia, o Euro, o Tratado Schengen, a dívida pública e o aumento dos impostos para a tesouraria do estado pagar aos credores? Propor-se-iam ao mercado como representantes de ideias e causas de autores estrangeiros (como lembra, há muitos anos, o Pedro Arroja, a Escola Austríaca é… austríaca), ou seriam capazes de enxertar os seus liberalismos na tradição cultural portuguesa? Prefeririam Hayek e Mises ou Herculano e Pessoa? Entre si mesmos, optariam por Hayek, Mises, Rothbard, Hoppe ou Friedman (sim, ainda há uns meses, em conversa com um amigo com responsabilidades nos círculos liberais portugueses, este me dizia que Milton Friedman era o seu autor liberal de eleição, o que certamente chocará rothbardianos)?

Avançando para os promotores e vendedores, onde se encontram eles? Mais importante: onde está o presidente do conselho de administração, sabendo-se que o mercado político determina as suas escolhas maioritariamente pela relação de confiança que se estabelece entre os consumidores e o presidente do partido, que eles querem que seja o dirigente do governo que cuidará das suas vidas? Lembro que um chefe partidário carece de carisma, isto é, de qualidades pessoais com as quais procurará convencer os consumidores a comprarem-lhe a ele, e não a outro, o seu produto, e que nenhuma destas figuras se faz de um dia para o outro, demorando anos e anos a ser preparada e testada, sendo que, frequentemente, falha no momento em que assume responsabilidades.

No estado actual das micro-empresas liberais portuguesas, eu diria que os (poucos) liberais que por cá temos e se querem dedicar à vida partidária, em vez de pensarem em lançar uma empresa para a qual não dispõem de suficientes meios financeiros e humanos, se deveriam, antes, dedicar ao CDS e ao PSD. Por onde, aliás, quase todos andam.

A que tipo de organizações chamarão no Expresso terroristas?

15 Fevereiro, 2016

Expresso, 15 de Fevereiro de 2016: Na década de 1980 [entre 1980 e 1987], as FP 25 de Abril, uma organização armada que atuava à margem do quadro legal do sistema democrático

 

E do sal no pão, e do tabaco nos carros, e se dizemos director em vez de direcção…

15 Fevereiro, 2016

BE volta a propor regresso da fiscalização da qualidade do ar interior

Provavelmente, um curso em Harvard

15 Fevereiro, 2016

Quino-Engenheiro-Hidraulico

Foram precisos 30 anos para que se fizesse justiça

15 Fevereiro, 2016

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Gaspar Castelo Branco alto funcionário do Estado morreu às mãos das Forças Populares (FP) 25 de abril, faz hoje 30 anos.
Trinta anos depois o Presidente da República, a título póstumo, condecorou com a Grã Cruz da Ordem do Infante D. Henrique o antigo diretor-geral dos serviços prisionais. Gaspar Castelo Branc é a primeira vítima mortal das FP25 a ser agraciada com uma ordem honorífica.

Camarada Jerónimo olha para estes ricos!!!!!

15 Fevereiro, 2016

Camarada, sabes tu que há em Portugal um grupo de poderosos que tem um património imobiliário de 27,3 milhões de euros e não pagam um euro de IMI?

Camarada todos os anos estes ricos roubam um milhão de euros ao Estado só em IMI.

Camarada isto é um roubo camarada.

Enquanto os ricos não pagarem o que devem as classes trabalhadoras continuarão subjugadas ao poder desses poderosos que também estão isentos de pagamento do imposto de selo, imposto sobre sucessões e doações, imposto automóvel nos veículos que adquiram para a sua atividade, IVA na aquisição e transmissão de bens e serviços.

Camarada Jerónimo paga o que deves: os cinco maiores partidos políticos têm 27,3 milhões de euros em imóveis. Estes imóveis estão isentos do pagamento do Imposto Municipal sobre Imóveis, mas se o pagassem o Estado poderia arrecadar cerca de 1 milhão de euros. O partido mais rico em imóveis é o PCP. Declarou 12,3 milhões de euros. De seguida, aparece o PS com 7,2 milhões, o PSD com 5,9 milhões, o BE com 1,4 milhões e o CDS com 574 mil euros.