já não se fazem revolucionários como dantes
Depois do MRPP submisso (o de Garcia Pereira) ter metido na gaveta o «morte aos traidores!» e, com isso, ter provocado uma fúria no MRPP dominador (o do Grande Dirigente e Educador da Classe Operária), que cindiu o partido a meio (Garcia Pereira foi para um lado, Arnaldo de Matos para outro e a empregada de limpeza da sede amuou), agora é a questão religiosa que parece estar a dividir o Bloco de Esquerda. No tempo em que havia revolucionários a sério, uma coisa destas não preocuparia ninguém e provocaria a reacção contrária à que está acontecer. No fim de contas, «a religião é o ópio do povo» e, por isso, o que o Bloco fez era um importante contributo para libertar as massas da opressão papista. Mas o entorpecimento burguês chega às paragens revolucionárias mais recônditas: Francisco Louçã e Marisa Matias vieram protestar por causa do cartaz, e até o Bloco meteu o rabo entre as pernas com um pedido de desculpas pela ofensa involuntária. Um dia triste para a revolução.
Consequências imprevistas II
Consequências imprevistas

Que mil cartazes desabrochem!!!
Tema do meu artigo de hoje no Observador: santos e milagres que recomendo ao BE para os seus futuros cartazes. A começar por Simeão Estilita, o Velho, para a austeridade. Está bem de ver que Simeão Estilita, o Velho, representa a austeridade de Passos Coelho. Já Simeão Estilita, o Moço, representa a austeridade de António Costa. Assim, enquanto Simeão Estilita, o Velho, vivia no topo de uma coluna com dezassete metros de altura, Simeão Estilita, o Moço, começou por ser estilita no chão.
Venham as ideias que eu mando-lhes um santo para o cartaz.
Também não pode: quando foi a última vez que trabalhou?
o respeitinho é muito lindo
Por causa do cartaz sobre a “bi-paternidade” de Cristo, o Bloco, a nossa esquerda revolucionária-caviar, amante da ordem, lá se veio justificar com a afirmação politicamente correcta de que «tem muito respeito por todas as religiões». Sobretudo pelas que massacram os blasfemos, podiam ter acrescentado.

princípio da igualdade
Passarei a ter algum respeito pelas esganiçadas e esganiçados do Bloco, se eles, depois deste cartaz com a «dupla» paternidade de Cristo, fizerem um exactamente igual com Maomé. É que consta que também ele teve dois progenitores masculinos.

O acto falhado do Bloco
Algo de grave se passa. Parece que o mínimo de discernimento, ou mesmo de inteligência se esvaneceu da sociedade, do jornalismo, e da crítica.
O recente cartaz do Bloco de Esquerda deveria ficar para os anais da comunicação como um acto falhado, um erro groseiro, uma burrice de todo o tamanho.
Explique-se então a quem não comprendeu nem parece ter percebas de compreensão. Diz o BE que «Jesus também tinha dois pais». Ok, seria Deus-Pai e José. Depois acrescentam «Parlamento termina discriminação na lei da adopção». Ora bem, a referida «discriminação» referia-se a duas pessoas do mesmo sexo não poderem adoptar conjuntamente um menor. Mas o que tem a situação de Jesus a ver com o caso? José e Deus-pai, que se saiba, não viviam maritalmente. Nem eram ajuntados, nem viviam em concubinato, nem sequer consta que houvesse sequer contacto fisico ou mesmo mera relação sentimental menos ortodoxa. Do que consta, José vivia com Maria e Deus-pai tinha paradeiro desconhecido.
Ou seja, o Bloco equipara, erradamente, a existência de «dois pais» (o que é, note-se todo o caso de alguém que foi adoptado), com uma suposta relação homesexual entre ambos. Mas alguém com dois dedos vê sentido nessa ideia?
Eu não. Vejo apenas que o BE errou, tentou ser engraçadinho e usar um marketing provocador. Mas falhou redondamente. E se vai lançar os cartazes por esse país fora, até acho muito bem: ficará estampada a burrice da sua mensagem, à vista de todos. Que tal óbvia conclusão não seja apontada no imediato pelos «jornaleiros» de serviço, diz bem de como a sua cultura é a de comer de imediato o que lhe dão.
À atenção do PAN

Quem defende este ser não humano que papel tão relevante teve na vida de Cristo? Um partido da AR, partido esse imbuído duma visão antropocêntica e misógina, esqueceu a pomba (e não só que Cristo também tinha mãe). Em nome do Espírito Santo vimos apelar ao PAN para que na AR lute pelos direitos das pombas em geral e das do Espírito Santo em particular.
Cristo teme muito mais que dois pais. Se o BE quer mesmo ir por aí nem sabe que surpresas tem à sua espera.
Correr com o Governador do BdP já era
Agora temos como alvo o presidente do CCB: Ministro da Cultura quer afastar presidente do CCB
Teólogos tremei: o BE vai rever o Antigo e o Novo Testamento
Sempre me pareceu que na questão da adopção por pessoas do mesmo sexo o BE se movia por questões de fé

Por mim, o BE que me perdoe a impiedade mas mantenho as minhas dúvidas sobre o acerto de ter como modelo uma família com dois pais, uma pomba e uma mãe.
Dois pais

A lógica da batat… da alface
Estive a pensar e percebi tudo. Se o neoliberalismo causa obesidade e a desigualdade causa fracturas na anca, a igualdade acabará com fracturas na anca por obesidade. Portanto, a igualdade é uma dieta prescrita pelo socialismo. Confere.
Ainda acham mesmo que o grande problema de Portugal é a opressão do euro e o “barrosismo” da UE? Pois.
Uma nova desigualdade
Depois de ontem Isabel do Carmo ter revelado que o neoliberalismo é responsável pela obesidade o PÚBLICO anuncia hoje que «Desigualdades sociais fazem aumentar risco de fractura da anca. Número de lesões está em queda, mas em Portugal esta melhoria não beneficiou por igual todas as classes sociais.»
Tenho a certeza que esta desiguladade vai acabar. Basta ver o ar endinheirado das pessoas que agora manifestam um horror quase estético perante as embalagens de Vigor Gordo enquanto elas seleccionam o seu leite de aveia mais o leite de arroz, soja… – havemos de chegar oa leite de alface!! – para concluir que dentro em pouco esta desigualdade estará resolvida: os ossinhos dsa mulheres mais ricas estarão uma miséria.
uma impossibilidade metafísica
Alguma vez sermos responsáveis pelo que fazemos e nos acontece. Em Portugal, a culpa é sempre dos outros.
O nicho de mercado

O ministro da Cultura, João Soares, desceu a escadaria da Assembleia da República para se vir juntar aos manifestantes da plataforma “Cultura em Luta”.
O governante solidarizou-se com o movimento, que reúne mais de 50 estruturas culturais, e defende que no mínimo, 1% do Orçamento do Estado para a Cultura.

«o movimento, que reúne mais de 50 estruturas culturais» – mesmo incluindo o ministros e os jornalistas nos manifestantes não dá sequer um manifestante por estrutura. Isto é o que se chama 1% do Orçamento do Estado para repartir pela propaganda.
No tempo do SPN saía mais barato.
Isto sim é uma coisa dramática
«O neoliberalismo tem-se relacionado com o aumento da obesidade. Na Grã-Bretanha a obesidade passou para o dobro em 20 anos. Nos Estados Unidos tem crescido como se sabe. Para esta análise o National Bureau of Economic Research nos EUA construiu um modelo de cálculo com 27 variáveis sociais e concluiu que elas explicam 37 por cento do aumento do Índice de Massa Corporal, 42% da obesidade total e 59 por cento dos seus Graus II e III. O neoliberalismo faz mal à saúde. Isto anda mesmo tudo ligado. » Quem disse isto não foi aquele senhor que tomou informação do assassinio da mãe versus o acontecimento que considerava dramático ou seja a amalgodela da viatura da irmã. De facto que uma isabelinha qualquer escreva «O neoliberalismo faz mal à saúde» é um problema da isabelinha. Mas se essa isabelinha assinar como «Isabel do Carmo, Médica, Professora da Faculdade de Medicina de Lisboa» o caso torna-se mesmo dramático.
Bluff II
Uma historieta de Berlim

Agitando ancas no trote serviçal de quem apresenta o material a usufruir, Helga observa o cotão agarrado à púbis como se de velcro se tratasse. O cliente, imaculado no pré-metrossexualismo hirsuto de lenhador e óculos de massa que gerariam a decadência das decadências no pós-troika, apresenta-se como um homem se deve apresentar, de polainas e homburg de fita condizente.
“Madame, que tem a oferecer a este humilde servo?”
“O que está à vista, caro cavalheiro”, retribuindo a cortesia do ritual comercial que se inicia.
Entraram no hotel obscurecido pela luz esquiva que Berlim oferece ao universo. Enquanto a senhora remove o casaco, que coloca – pela nona vez hoje – no cabide colocado para o efeito de colocar casacos de frequente tira-e-põe, o cavalheiro, Hans, de Wiesbaden, inicia a bizarra conversa que inspiraria Kurt Weill observante por buraco escondido no quadro para o quarto ao lado.
“Então a tarifa social de energia? Acha mesmo que o prejuízo é imputado à EDP?”
“Cavalheiro, então? Como não?”
“E as 35 horas na função pública?”
“Cavalheiro, naturalmente. Uma hora por cada um dos pêlos no meu rubro carpete de Vénus.”
“E os animais de companhia, bela senhora?”
“Cavalheiro, que seria de mim sem animais de companhia?”
“E a renegociação da dívida, minha dama?”
“Só em termos europeus, sem tremores de um só. Quando um treme, o outro treme também.”
“E a nacionalização do Novo Banco?”
“Tudo o que tenho é de todos pelo preço certo em euros.”
“E a ADSE para filhos e cônjuges?”
“Só para crianças até aos 30 anos. Virgens.”
Ele saltou para cima dela e aprovaram, mesmo ali, a união de todas as esquerdas por quatro minutos quase intermináveis. Tudo antes que o mundo acabe outra vez.
o neoliberalismo faz mal à saúde
As grandes conquistas da Ciência e, muito particularmente, da Ciência Médica, dão-se, por vezes, a partir de hipóteses inusitadas e que, aparentemente , nada têm a ver com as conclusões alcançadas. Todos certamente conhecemos, por exemplo, os processos que levaram à descoberta da penicilina, substância que salvou a vida a milhões de pessoas, ou do Viagra, medicamento que salvou ainda mais almas de uma «morte» menos violenta, mas tão ou mais penosa do que as outras.
Pois bem, hoje, no jornal Público, anuncia-se mais um triunfo da Ciência e da Medicina: Isabel do Carmo, médica portuguesa que anda a tratar-nos da saúde desde que incorporou, nos idos da década de 70, um conhecido grupo de voluntariado de intervenção social, anuncia à Humanidade esta extraordinária descoberta: o liberalismo faz mal à saúde e é responsável pelo aumento da obesidade nas nossas sociedades! Leia-se a própria: «O neoliberalismo tem-se relacionado com o aumento da obesidade. O neoliberalismo faz mal à saúde. Isto anda mesmo tudo ligado» (link indisponível). Uma descoberta destas, reveladora do génio de quem a produziu, é bem merecedora do Nobel da Medicina. Até porque está a deixar a comunidade científica a que pertence a Dra. Isabel muito excitada. Tanto ou mais, como quando foi descoberto o Viagra.
E os cortes no privado o que justificam?
Os mais questionáveis comportamentos dos funcionários do Estado são invariavelmente explicados com os cortes. Agora temos o caso do procurador Orlando Ribeiro a ser explicado como uma consequência dos cortes: “Mais do que questionar as funções que o procurador assumiu, devia era existir um regime remuneratório de carreira para manter os magistrados. No ano em que o procurador em causa pediu licença, houve mais procuradores e juízes a fazê-lo por causa dos cortes salariais”, diz, por seu lado, António Ventinhas, presidente do Sindicato dos Magistrados do Ministério Público.
Está-se mesmo a ver não está; “Mais do que questionar as funções que o procurador assumiu,” Vamos lá questionar que um procurador vá trabalhar para os seus ex investigados?!!! Está claro que não questionamos ” as funções que o procurador assumiu,” Nem deste procurador nem de qualquer outro.Vamos é pagar-lhes mais para que não tenham essa ideia por assi dizer embaraçosa. Proponho até que essa ideia seja aplicada ao sector privado. Mais impostos? Mais taxas? Fuga de clientes? Vamos por exemplo trabalhar para a economia paralela. E nada de questionar isso. Têm é de nos pagar para não termos esse ímpeto.
«Jornal de Negócios». Mas quais negócios?
No Jornal de Negócios de hoje, uma peça começa assim: «Sindika Dokolo ganhou notoriedade pública em Portugal com a compra, por 1,6 milhões de euros, da Casa Manoel de Oliveira, no Porto, que irá utilizar como sede europeia da fundação que leva o seu nome.»
O resto, apenas assinantes dedicados poderão ler. Mas convenhamos que a falta de rigor e o aspecto de press release não é convidativo a pretender continuar a ler tal prosa.
É que não é preciso ser-se «jornalista» e muito menos especializado em «negócios» para se saber que tal início de texto peca por graves falhas factuais.
Vejamos: como foi público e anunciado pela CM do Porto, a empresa que comprou o edificio em questão é a
Supreme Treasure Lda, com sede na Avenida da Liberdade, 190, 1º B, em lisboa. A mesma tem dois sócios: Miguel Joaquim Cardielos dos Reis, com uma quota de 990 euros. E Catarina Alexandre Figueiredo Rodrigues, com uma quota de 10 euros. O gerente é Mário Filipe Moreira Leite Silva, conhecido representante dos interesses económicos de Isabel dos Santos. (via taf)
Portanto, nem a dita fundação nem sequer o seu instituidor adquiriram tal imóvel, o que desmente logo o início da «notícia» do JN. É certo que anunciaram que iriam ali instalar a sede da sua fundação. Mas tal será certamente mediante contrato de arrendamento ou empréstimo ou outra modalidade qualquer que permita que os sócios da Supreme Treasure vejam de alguma forma ressarcido o seu avultado investimento. Ou quem sabe, o investimento da esposa do presidente da fundação. Aliás, numa outra peça no mesmo Jornal de Negócios, Sindika Dokolo refere-se a alegados «testa-de-ferro». Certamente, como se constata, assunto que conhecerá em primeira mão e melhor que ninguém.
Que giro!!!
O Marcelo vai à mesquita depois de ser indigitado PR. Sinal de ecumenismo. Se o Marcelo fosse à Sé é que o caso mudava de figura. Tornava-se imediatamente num sinal de atavismo, atraso, ultra montanismo, reaccionarismo…. e intolerância, pois claro
O início da era pós-impostos
José António Abreu: Há um momento na descida para a paralisia económica em que ao Estado já não basta cobrar impostos. A solução? Colocar empresas privadas a garantir o pagamento de benefícios sociais. Como a mentalidade da «verdadeira esquerda» (Bloco, PCP, actual PS) exclui o conceito de relação causa-efeito, fazê-lo não implica obrigar essas empresas a distribuir os custos da medida por todos os seus clientes ainda não suficientemente pobres para terem eles mesmos direito aos benefícios mas apenas diminuir-lhes o nível «obsceno» de lucros (é sabido: para a esquerda, uma empresa privada ou tem lucros obscenos ou gestão criminosa). Começa-se pela EDP, entidade fornecedora de um bem que muitos, consciente ou inconscientemente, acham que devia ser gratuito (ei, a electricidade é uma espécie de download, certo?) e que todos apreciam odiar. E abre-se caminho para ir mais longe. Para, sei lá, tornar obrigação do Continente, do Pingo Doce e do Lidl a distribuição mensal de cento e tal mil cabazes de compras; para tornar obrigação da Galp, da BP e da Repsol a oferta mensal do combustível correspondente a cento e tal mil depósitos; para tornar obrigação da McDonald’s, Ler mais…
Passo a passo, a TAP vai implementando nova estratégia
Digam lá se as minhas previsões (sem erratas) não são bem melhores do que as do Centeno. Aí estão novas rotas para New York/JFK e Boston, duas importantes bases da JetBlue, que ganha assim a possibilidade de canalizar para a Europa tráfego oriundo das suas diferentes rotas domésticas. A parceria estabelecida vai nesse sentido. Detendo já slots em Newark, um bastião da United, a TAP passa assim a servir os 2 principais aeroportos de New York.
Afigura-se-me que os próximos destinos a abrir serão Chicago e Houston, os maiores hubs da United, com quem estabelecerá também acordos de code-sharing. Em pouco tempo, o tráfego no Atlântico norte mais que duplicará, impulsionando também o crescimento no médio curso para a Europa e norte de África.
Terá começado o turnaround da TAP, gerida por quem sabe do negócio. Deixemo-los trabalhar.
A minha petição
O Processo
Fartos disto tudo, fomos para o Rossio. Outros viram os cartazes e vieram atrás. Em dois dias tínhamos o Rossio cheio, com cartazes, cânticos, palavras de ordem e um sentimento de fraternidade comunal nunca visto fora de um concerto dos Grateful Dead. As pessoas queriam mudança, exigiam-a. Sentia-se a revolução no ar, o pacifismo de um povo oprimido que exigia o fim da tirania.
Organizamos um secretariado para gerir as intervenções à assembleia, já que todos tinham algo a dizer para a criação de um futuro novo. Todos são importantes. As opiniões e os pontos de vista eram tantos que tivemos que criar grupos de trabalho para diferentes áreas, cada um concentrando-se no que é essencial para a mudança de mentalidades que se avizinha para todo um povo. O grupo ecologista plantou rabanetes e o grupo vegan sacrificou uma vaca como símbolo de opressão do touro bandarilhado pelas bárbaras tradições patriarcais. Tivemos artes circenses e poemas por pessoas de tranças nas longas barbas. Nem por ser Março trocamos as sandálias por botas cardadas. Tomávamos o banho comunal todas as manhãs graças a uma calha colocada em frente ao pénis da estátua de D. Pedro IV por um trapezista que também cospe fogo.
Começaram a aparecer os reaccionários, prontos a boicotarem a revolução com resquícios de um passado opressor, recordando a existência de instituições retrógradas que simbolizam a tirania, como os tribunais que prendem presos políticos em mangas de aviões. Tivemos que disciplinar o acesso à mesa. A partir de certa altura, só as propostas apresentadas ao comité de apreciação de propostas recebidas pelos grupos de trabalho independentes podiam ser apreciadas para apresentação ao secretariado, incumbido de decidir a ordem pela qual deveriam decorrer os trabalhos. Começaram os protestos de facções revisionistas e foi necessário criar uma força de ordem que mantivesse o regular funcionamento e liberdade da assembleia revolucionária. À medida que subia o descontentamento dos velhacos pelas medidas higiénicas de afastamento das suas ideias subversivas, foi necessário criar o comité de investigação das motivações revolucionárias. Para assegurar eficiência, quem apresentasse queixa contra outro manifestante teria menção pública pela lealdade à causa. Os bufos sucediam-se, em catapulta, sendo necessário purgar o grupo de elementos cuja participação era meramente subversiva.
Quando começaram os tumultos, propus a suspensão dos trabalhos até que se determinasse um plano de reeducação dos manifestantes, formatados para uma opinião individualista em detrimento do bem comum e do espírito do grupo. O incêndio controlou-se rapidamente e só morreram 6 velhos que, infelizmente não possuíam a robustez física que a revolução necessita. Foi-lhes atribuído o estatuto de mártires e decretar-se-á um minuto de silêncio por cada um. Mal exista consenso no comité central, liberaremos da prisão os outros manifestantes que abracem a causa, sob compromisso de honra devidamente assinado e arquivado no comité da pureza ideológica.
Nada pode parar a revolução.
Todavía hay clases
Sobre as conversas entre Sócrates e Proença de Carvalho (esse homem fatal como dizia o Eça) há uma espécie de ponto de ordem a fazer: o Afonso Camões de facto só deve servir para mandar e obedecer. Não lhe conheço um texto que valha a pena, uma ideia que se aproveite, uma opinião que mereça dois minutos de atenção
Quanto a Sócrates e Proença de Carvalho terem ponderado convidar Ferreira Fernandes para dirigir o DN cargo que não faço ideia se Ferreira Fernandes pretendia há que ter em conta que Ferreira Fernandes está nos antípodas de Afonso Camões. Podia dizer que escreve maravilhosamente, que é bem informado, que sabe distinguir um texto bom de um mau. Mas só digo isto há dias em que leio o que escreve e só penso: queria ter escrito assim.
Uma canção para o Syriza
No céu cinzento sob o astro mudo
Batendo as asas pela noite calada
Vêm em bandos com pés de veludo
Chupar o sangue fresco da manada
Se alguém se engana com seu ar sisudo
E lhes franqueia as portas à chegada
Eles comem tudo eles comem tudo
Eles comem tudo e não deixam nada
A toda a parte chegam os vampiros
Poisam nos prédios poisam nas calçadas
Trazem no ventre despojos antigos
Mas nada os prende às vidas acabadas
São os mordomos do universo todo
Senhores à força mandadores sem lei
Enchem as tulhas bebem vinho novo
Dançam a ronda no pinhal do rei
Eles comem tudo eles comem tudo
Eles comem tudo e não deixam nada
No chão do medo tombam os vencidos
Ouvem-se os gritos na noite abafada
Jazem nos fossos vítimas dum credo
E não se esgota o sangue da manada
Se alguém se engana com seu ar sisudo
E lhe franqueia as portas à chegada
Eles comem tudo eles comem tudo
Eles comem tudo e não deixam nada
Eles comem tudo eles comem tudo
Eles comem tudo e não deixam nada
(José Afonso)
Auto-brainstorming redistributivo

Já não sei precisar
Quanto tempo ficaram detidos os pais de Maddie que deixaram sozinhos três filhos num apartamento enquanto foram jantar? Maddie tinha quatro anos e os irmãos dois.
2021
Sua Excelência, o Senhor Presidente da República Popular Portuguesa entra na sala perante a multidão informe de jornalistas da RTP, dos quais apenas um tem uma camera e um microfone funcionais. Perante os “clique, clique, clique” das máquinas fotográficas de plástico que só fazem “clique, clique, clique” e dos leds intermitentes que simulam flashes, José Sócrates, envergando um lindo fato de treino verde e vermelho com risca amarela no remate do fecho, prepara-se para falar ao país.
Patriotas e patriotas, portuguesas, portugueses, portuguesas que já foram portugueses, portugueses que já foram portuguesas, portugueses que já foram estrangeiras e/ou estrangeiros, portuguesas que já foram estrangeiros e/ou estrangeiras, senhoras e senhores membros e membras da partida e do partido, pessoas e pessaoas na e no generalidade e outras e outros, é com extremo agravo que me dirijo a vós para que possais constatar a ignomínia que o mercado neoliberal causou ao bravo povo e pova português, portuguesa e outra e outro. Anos de submissão à União Europeia, o elemento perturbador dos valores da democracia milenar, causaram a maior crise de que há memória, incluindo a peste negra e o terramoto de mil setecentos e oiten… sess… setenta e pico.
É com orgulho que cortamos relações com a Europa opressora, com o Euro e com o livre trânsito entre o povo e pova lusitano e lusitana e os boches que exploram as impolutas praias algarvias com as suas sebáceas secreções sudoríparas colonizadoras por germes. Que o dinheiro nunca nos falte por decisões não democráticas de palhaços que pensam que os bancos centrais não estão ao serviço da população. Todo o dinheiro com que sonharam será vosso. A partir de hoje sou também o governador do Banco de Portugal e o Presidente Executivo do Parlamento e Tribunal Constitucional. Mandarei imprimir, já amanhã, 10 triliões de novos escudos e garantirei um novo bilião por semana, até que a crise acabe. Até lá, estão suspensos todos os actos eleitorais que permitem aos reaccionários infiltrarem-se para que possam desmantelar por dentro, como 5ª coluna, a estrutura administrativa do Estado. Que este novo caminho, esta nova esperança, este novo rumo, seja a candeia que alumia na gruta das trevas em que nos encontramos após décadas de exploração europeia.
Ave, fortissimum populum salutat vos!
A emissão da RTP passa para o magazine cultural da nação, onde se ouve a reinterpretação orquestral pela batuta do maestro Jorge Basto-Bateira do corridinho sobre a bandeira que esvoaça, alto, no vazio do céu azul que nos cobre.
liberalismo em debate
O liberalismo está em discussão aberta no Facebook. Participe. Socialistas, de todos os partidos, também são bem-vindos.
Lamúrias
Há quanto tempo não passavam pela porta da livraria Ulmeiro os notáveis que agora tanto se comovem com o seu possível fecho? Com o tempo a Ulmeiro foi-se transformando numa espécie de sotão desarrumado com vista para a avenida do Uruguai. Livros novos não tinha e para alfarrabista faltava-lhe muito.
vamos ter um lindo futuro
Portugal, país amigo do investimento estrangeiro.
nabice
Rui Nabeiro, um empresário de inequívoco mérito, disse o seguinte: “Nasci numa terra pobre, por isso sou socialista”. Obviamente que se enganou, porque o que ele queria mesmo dizer era: “Nasci numa terra socialista, por isso fui pobre”.
Isto começa a ficar como naqueles tempos dos ‘ikos’ que substituíam os ‘enkos’ e vice-versa na defunta URSS
já começa a fartar
O Papa Chico. É evidente que o Trump é uma besta. Mas com quantas cavalgaduras já se passeou o Papa, sem ter sentido necessidade de as excomungar?

