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partido liberal

14 Fevereiro, 2016
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O liberalismo não é uma filosofia do estado e do governo, mas uma filosofia sobre o governo e o estado. Ou seja, não explica como se deve governar um país e determinar a vida das pessoas, mas como um país não deve ser governado e porque as pessoas têm mais vantagens em ser livres e ficar longe do estado do que dependentes dele.

Qualquer partido político tem por objectivo conquistar o poder e governar o estado, e, por isso, é sempre intrusivo e limitador da liberdade individual. Porém, os partidos e os governos não são todos iguais, e é certo que uns são mais interventores do que outros. A História demonstra que há partidos e governos inspirados por princípios liberais, que tomam decisões que reduzem a intervenção do estado e devolvem liberdade às pessoas. É inegavelmente melhor um país ser governado por um governo menos intervencionista e mais liberal do que por um governo socialista, e cada redução de estatismo é sempre um ganho que não pode ser desprezado.

Sobre a criação partido liberal em Portugal, debate que foi recentemente lançado pelo João Miguel Tavares e que aqui já tive ocasião de comentar, independentemente das dificuldades evidentes que quaisquer medidas liberalizadoras sempre terão no actual regime constitucional, há mais algumas condicionantes a ter em conta.

Desde logo, a inexistência de uma mentalidade liberal na sociedade portuguesa, que continua maioritariamente a ver no estado a realização da sua felicidade.Portugal é um país em que as pessoas vivem excessivamente dependentes do estado (viveram sempre…), condição que se verifica desde as pessoas que pertencem aos estratos social mais desfavorecidos até aos maiores banqueiros e empresários.

Depois, o desconhecimento do que seja o liberalismo, dito de outro modo, das vantagens de se viver numa sociedade distanciada do dirigismo estatal. Faltam ideias e quem as divulgue e saiba defender. À excepção do Caminho para a Servidão, de Hayek, mais nada de relevante, dos autores clássicos, foi publicado no nosso país. Há blogues e alguns articulistas nos jornais, meia-dúzia de livros editados, dois ou três independentes nalguns partidos, mas estas pessoas são avis raras cujas vozes não chegam à grande opinião pública.

Por fim, é conveniente ter experiência política e penetração em extractos sociologicamente relevantes, o que não sucede com nenhuma organização liberal portuguesa.

Ora, para se fazer um partido político com sucesso, que seja capaz de quebrar o monopólio dos quatro grandes partidos do regime (PS, PSD, PCP e CDS), como o Bloco de Esquerda conseguiu, é necessário reunir cumulativamente estas condições mínimas. Ao contrário do que se possa pensar, o Bloco não nasceu por geração espontânea, nem foi um fenómeno repentino. Pelo contrário, resultou de um brilhante trabalho de muitos anos de intelectuais de mérito, como Francisco Louçã, Miguel Portas e Fernando Rosas, cada um deles muito bom no que fazia na vida profissional e académica, e da actuação de partidos políticos com anos de existência (UDP, PSR, Política XXI) e de activistas com forte penetração social nas Universidades, nalguns sindicatos e na comunicação social (Daniel Oliveira, Joana Amaral Dias, entre outros).

Pois nada disto existe nos círculos liberais portugueses. Pelo que, antes de se aventurarem num processo de recolha de alguns milhares de assinaturas para remeter ao Tribunal Constitucional, os liberais deveriam preocupar-se em ganhar influência e prestígio: publicar livros e artigos, ir à televisão, lançar temas e promover debates, tomar posições nas Universidades, criar think tanks, escrever dissertações de mestrado e teses de doutoramento Antes disso, qualquer partido liberal será uma pura perda de tempo, de recursos e de energia. E do pouco prestígio até agora alcançado.

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43 comentários leave one →
  1. Acro permalink
    14 Fevereiro, 2016 21:38

    Ser liberal hoje, seria a mesma coisa que depois do 25 do A, ser apelidado de fascista!

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  2. PiErre permalink
    14 Fevereiro, 2016 22:09

    Se esses intelectuais e esses activistas são assim tão excelentes, Portugal vai bem e não precisa de mais nada.

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    • rui a. permalink*
      14 Fevereiro, 2016 22:25

      «Em política o que parece é». E os resultados políticos da agremiação estão à vista. O resto são conclusões suas.

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      • PiErre permalink
        15 Fevereiro, 2016 18:48

        «Em política o que parece é»
        .
        Parece que o PS ganhou as eleições. Parece que António Costa é PM.
        Conclusão (minha): em 2216 teremos o liberalismo em Portugal.

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  3. José7 permalink
    14 Fevereiro, 2016 22:11

    Caro Rui A. o seu texto ilustra lindamente a máxima de que o principal problema português é agrícola: excesso de nabos e falta de tomates… Estou convencido que um destes dias quando acordar já aí está o partido de «direita», que alguém tratou de lançar enquanto uns tantos andavam a dormir – ou a teorizar…

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    • rui a. permalink*
      14 Fevereiro, 2016 22:22

      Excelentes notícias! Cá estaremos todos para ver e comentar.

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  4. 14 Fevereiro, 2016 22:12

    Discordo. Há o Blasfémias e o Insurgente (só o blog com mais visitas ou lá o que é). Há o Instituto de Estudos Políticos da UCP. Há o Observador. E há ter coragem de fazer o que deve ser feito, independentemente da dificuldade.

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    • rui a. permalink*
      14 Fevereiro, 2016 22:23

      Óptimo: comece já por contactar toda essa gente para lhes vender a ideia.

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      • 14 Fevereiro, 2016 22:44

        Óptimo. Não faça nada que pode ser que algo mude.

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      • rui a. permalink*
        14 Fevereiro, 2016 23:06

        Por acaso, já fizemos o Blasfémias há 10 anos. E mais umas coisinhas, que não me apetece agora comentar. E vc., o que tem para apresentar?

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    • Boris permalink
      14 Fevereiro, 2016 22:38

      E a Fundação Manuel dos Santos?

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      • 17 Fevereiro, 2016 01:50

        Também já fiz umas coisinhas, que também não me apetece comentar, mas não vou deixar de as fazer,

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  5. Carlos Conde permalink
    14 Fevereiro, 2016 22:19

    Rui essa argumentação parece saída da cabeça do evangelista Loução.
    Então recomenda idas à televisão para divulgar os ideais liberais? Qual tv? Acha que alguma destas existentes aceita divulgar ideias contrárias à ideologia que afincadamente promovem?
    Que surja um partido, um movimento, qualquer coisa que se afirme contra o socialismo e sucedâneos e que constitua ao menos uma esperança para quem está farto deste panorama que se arrasta desde o 25/4

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  6. 14 Fevereiro, 2016 22:23

    Em Espanha, há o Ciudadanos… Como foi?

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    • rui a. permalink*
      14 Fevereiro, 2016 23:12

      Tempo, trabalho, gente, dinheiro, uma mudança da ditadura para a democracia que não traumatizou a direita. Veja, por exemplo, o histórico da Union Editorial para ter uma ideia da diferença.

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      • 14 Fevereiro, 2016 23:40

        Aqui …. foi pena o Homem ter caído da cadeira…

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      • Almeida permalink
        15 Fevereiro, 2016 22:09

        E um ambiente nacionalista extremamente sectário.

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  7. Boris permalink
    14 Fevereiro, 2016 22:54

    O tempo é agora!

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  8. 14 Fevereiro, 2016 23:16

    Não me parece que um partido liberal seja a melhor opção, pois o liberalismo deve ser transversal aos partidos. Seria mais eficaz criar grupos de opinião liberal nos partidos existentes (cds, psd e ps). Mas se for criado, seja benvindo!

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  9. 14 Fevereiro, 2016 23:43

    Que tal um workshop para os ansiosos liberais aprenderem a formar um partido (e penetrar fortemente …) na sociedade tuga, durante 2 semanas, orientado por intelectuais de mérito como Louçã, Rosas, Oliveira, Amaral, Tavares e outros, tendo como assistentes no workshop a Catarina, a Mortágua e outras ?

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  10. 14 Fevereiro, 2016 23:47

    Se esse partido liberal conseguisse eleger 1 deputado nas próximas legislativas seria razoável. Para tal (1deputado), peçam ao Partido dos Animais para ensinar a “penetrar”.

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    • Boris permalink
      14 Fevereiro, 2016 23:58

      “penetrar”? isso, soa-me a sexo!
      em vez de partido liberal, o partido dos libertinos:
      QUEREMOS A POLIGAMIA, O POLIAMOR, O NUDISMO, O SADO-MASO, A PORNOGRAFIA E PROFISSIONALIZAÇÃO DO SEXO!
      estas neo-tontices* darão os seus frutos, rapidamente porque
      nada apela mais fortemente que o sexo!!! tá no papo!

      *obrigado à zazie

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      • 15 Fevereiro, 2016 00:20

        Não é preciso militar num partido liberal para um liberal penetrar à margem da “decência” social, da reiigião, dos “bons costumes”… Há tantos casos, pouco conhecidos publicamente mas badalados em privado… Mas se quiserem juntar a ideologia à libertinagem, terão algum sucesso na “respeitável sociedade”…

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  11. Fernando S permalink
    15 Fevereiro, 2016 00:10

    rui a. : “[] Os partidos e os governos não são todos iguais, e é certo que uns são mais interventores do que outros. A História demonstra que há partidos e governos inspirados por princípios liberais, que tomam decisões que reduzem a intervenção do estado e devolvem liberdade às pessoas. É inegavelmente melhor um país ser governado por um governo menos intervencionista e mais liberal do que por um governo socialista, e cada redução de estatismo é sempre um ganho que não pode ser desprezado.”

    Para além da difusão e elaboração de ideias e propostas, utilizando nomeadamente os modos e os canais que o rui a. indica no post, os liberais podem e devem posicionar-se e intervir no confronto politico que o rui a. parece identificar na citação que retomo aqui em cima, isto é, entre as principais ofertas disponiveis e viáveis para a governação, optando por apoiar, porventura por vezes com algum distanciamento critico, aquelas que sejam “menos intervencionistas e mais liberais” e que, de algum modo e por pouco e imperfeitamente que seja, contribuam para alguma “redução de estatismo”.

    Julgo que é o que o rui a. tem vindo a fazer aqui com os seus posts e comentários.

    A questão da existência ou não de um (ou mais …) partido liberal não me parece determinante e urgente.
    Tem sobretudo a ver com as possiveis formas de organização dos liberais sendo certo que, como diz o rui a., estes são bastante minoritários e pouco influentes em Portugal.

    O que me parece mais importante é mesmo a ideia de que, quaisquer que sejam as formas de organização e os canais de intervenção, os liberais se posicionem e participem no confronto politico que se refere aqui em cima.

    Mais concretamente, isto significa que um eventual partido liberal em Portugal, a existir, apenas faria sentido se não tivesse a vã pretenção de afirmar um programa politico autónomo e alternativo ao dos actuais partidos de “direita”, o PSD e o CDS, e se constituisse antes como uma força de apoio e influência junto ou dentro da acção politica concertada destes partidos em oposição e como alternativa de governo às forças politicas mais à “esquerda” (o PS sózinho ou aliado ao BE e PCP).

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  12. André Miguel permalink
    15 Fevereiro, 2016 06:24

    Axo que o maior entrave é mesmo a exposição mediática e a “mentalidade anticapitalista” dos nativos. A nível académico não concordo com o Rui, pois temos excelentes profissionais com trabalho científico publicado na Católica e no ISG, por ex.

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    • rui a. permalink*
      15 Fevereiro, 2016 08:31

      Não disse que não há. Disse é que tem de haver mais e que os seus trabalhos têm de chegar à opinião pública.

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  13. 15 Fevereiro, 2016 09:49

    Neste vigente interim directivo no PP, não há um grupo de liberais que chegue a acordo com a ACristas, NMelo, Telmo e outros para “penetrarem” no partido de modo a provocarem-lhe estatutariamente uma ejaculação definitivamente liberal ? Assim, evitavam ter como referências o Louçã ou o Rosas e entravam já um partido feito e registado no TC, com eleitorado e certamente elegeriam 5 ou 6 deputados (dois táxis) nas próximas legislativas.

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  14. lucklucky permalink
    15 Fevereiro, 2016 10:25

    “Bloco não nasceu por geração espontânea, nem foi um fenómeno repentino. Pelo contrário, resultou de um brilhante trabalho de muitos anos de intelectuais de mérito, como Francisco Louçã, Miguel Portas e Fernando Rosas, cada um deles muito bom no que fazia na vida profissional e académica, e da actuação de partidos políticos com anos de existência (UDP, PSR, Política XXI) e de activistas com forte penetração social nas Universidades, nalguns sindicatos e na comunicação social (Daniel Oliveira, Joana Amaral Dias, entre outros).”

    Não.

    O Bloco nasceu por causa do Jornalismo, nada mais. Não tem nada que ver com o trabalho do Louçã o Fernando Rosas ou o Miguel Portas.

    Quer eles existissem ou não um Bloco de Esquerda seria sempre gerado.

    Tal como se a maior parte dos jornalistas se tornarem de repente liberais existirá naturalmente um partido liberal ao fim de uma década.

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    • 15 Fevereiro, 2016 10:50

      Pois.

      Ainda hoje o BE é sobrevalorizado (e muito raramente criticado) pela comunicação social.

      Também isto: queixam-se militantes, simpatizantes e dirigentes de partidos à direita do P”S” que a comunicação social está manobrada pelos “socialistas” e…pelo BE. Certo. Maus e incipientes jornalistas, interesses cinzentões, péssimos editores e directores. Certíssimo.
      Então, e se por exemplo um novel partido liberal conseguisse ocupar espaços privilegiados na comunicação social (noticias, comentadores, etc.), como sugere Rui A., teríamos o quê ? Total liberdade de imprensa ? Bom jornalismo ? Isenção na atribuição de espaços noticiosos e outros ?
      Sabe-se como é: se a imprensa está connosco é boa; caso contrário é péssima…
      Faz-me lembrar a quantidade e qualidade de comentadores para tudo, pagos, que há neste país. Uma rádio, um jornal, uma televisão e jornalistas são abominaveis se não os convidam para painéis; alcançam esse lugar e os anteriores “anormais” (jornalistas, bloggers, comentadores) passam a ser amigos, queriduchos.

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  15. honi soit qui mal y pense permalink
    15 Fevereiro, 2016 12:04

    As suas observações são bem pertinazes.
    Mas se usar a sua memória , sabe que já houve muitos pensadores a intervir mesmo em portugal , por um estado mais liberal.Acontece que tal não tinha nenhuma outra intenção senão influenciar os partidos já existentes , nunca criar um novo .
    Não se pode brincar quando , como se ve, as soluções encontradas para a governação podem surgir das formas aglutinadoras mais sui generis .
    O Bloco de Esquerda , ou melhor os seus criadores , como bem refere criaram uma tendencia , que retirou mais de 10 % de votantes sobretudo ao Partido Socialista .
    Têm uma cultura , uma agenda , e sabem bem aquilo que querem .
    Isso independentemente de como é bom de ver é o PS o partido central do regime constitucional portugues.
    A existência de um partido liberal acabará por também criar erosão aos partidos existentes á direita e na direita do PS .Ou estes incorporarem as suas ideias .
    Será dificil num país onde o Estado é essencial para muita gente .Onde as dependencias são superiores á vontade de seguir o seu próprio caminho .Muitas vezes por força de influencias externas , da politica economica mundial , ou da UE , é daí que vem a corrente liberal nas ideias , mas não na prática .A não ser na economia , como se viu por ser impossível seguir outro caminho nos anos 80 .
    O liberalismo decorre de uma forte personalidade do individuo , da sua capacidade de seguir o seu próprio destino , e procurar soluções que para si sejam prosseguir o “seu interesse próprio ” .
    Digamos que em muitos estados os cidadãos não tem qq incentivo em prosseguir o seu interesse próprio , ou este se manifesta pelas formas mais obstrusas que os pensadores liberais imaginaram .O caminho da servidão .
    Mas mesmo os estados que seguiram politicas liberais se viram confrontados com deficits excessivos .Os grandes EUA estão endividados duma forma avassaladora .
    Como ser liberal com responsabilidade orçamental ? . Será algo só possível na esfera privada ? Com tantas responsabilidades socias como um Estado pode ser liberal ? Afinal se todas as pessoas nos estados desenvolvidos têm alienado voluntáriamente a sua liberdade e orçamento , por uma eventual segurança na velhice , na doença , ou no infortunio do desemprego .
    Por aqui ainda será o socialismo , ou a social democracia ao estilo europeu a condicionar as politicas de estado .
    Apenas aqueles lugares onde a liberdade individual está superiormente enraizada têm , e com contradições , possibilidade de estabelecer uma sociedade liberal.
    Altos níveis de desemprego , pobreza , num regime democratico , não são exactamente o lugar ideal para convencer alguem em dificuldades, em ser lideral.
    Mas ao nível empresarial , de criação de riqueza , facilitando a instalação de empresas , desonerando as mesmas de uma tutela excessivamente garantitica para além do razoavel , criando riqueza , que possibilitasse criar as armas para que outros saissem da espiral de dependencia , isso seria o ideal .Mas nem todos os individuos são iguais .Depende muito da voluntariedade para assumir riscos .
    Quem assume riscos corre mil perigos , mas pode recolher muitos beneficios da sua iniciativa .
    Vai ser precisa muita iniciativa , esforço, e divulgação para persuadir a prossecução do liberalismo , isto no sentido da criação de um partido liberal , que a maioria dos cidadãos não parece achar necessário .Pois nem sabe aquilo que é .

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  16. Joaquim Amado Lopes permalink
    15 Fevereiro, 2016 14:05

    Rui A.,
    “Sobre a criação partido liberal em Portugal, debate que foi recentemente lançado pelo João Miguel Tavares e que aqui já tive ocasião de comentar, independentemente das dificuldades evidentes que quaisquer medidas liberalizadoras sempre terão no actual regime constitucional, há mais algumas condicionantes a ter em conta.”
    Ou seja, nunca existirá um partido liberal em Portugal. Ou está à espera que os partidos socialistas e sociais-democratas alterem a Constituição de forma a torná-la mais liberal?

    Há em Portugal liberais mais do que suficientes para justificar a criação de um partido liberal e eleger deputados. Não se vê em votos porque, surpresa!, não há um partido liberal em que possam votar. Assim, uma parte não vota e o resto vota branco, nulo ou no partido que considere ser “menos iliberal”.

    Quanto a “conquistar o poder e governar o estado”, só se pode conquistar o poder indo a votos. E só se pode aspirar a vir a receber os votos suficientes para conquistar o poder por via da visibilidade que vem de existir.

    Mas compreendo que achem que não vale o esforço. Aliás, se fôr como o “partido liberal” que apareceu há uns tempos e que não queria ter estrutura (não aceitava militantes nem fazia eleições internas) mas aceitava doações, não vale mesmo a pena.

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  17. 15 Fevereiro, 2016 15:52

    Começando por mim há muito liberal por aí. Trabalhos como este seu post – mesmo com o sentido derrotista que encerra, é uma achega para despertar o liberalismo, como opção a esta Brigada das Colheres a volta do tacho público que nos/se tem governado desde 25 Abril .
    Hoje existe a web que se usada com mestria,reduz a necessidade de verbas para se fazerem grandes deslocações, grandes comícios ou campanhas e se permite a partilha de ideias , opiniões e mobilizações, praticamente gastando apenas tempo. Haja vontade e animo. Publico também há, bastam os 40% de abstenções para podermos formar uma agremiação a lutar pelo 3º lugar., sem precisarmos de disputar a freguesia deles.

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  18. Joaquim Amado Lopes permalink
    15 Fevereiro, 2016 16:11

    cristof9,
    Imagine dois cenários:
    – o PS ganha as eleições mas PSD + Partido Liberal + CDS têm maioria absoluta de deputados;
    – o PSD ganha as eleições mas só consegue a maioria absoluta com o apoio do CDS e do Partido Liberal.

    Em ambos os cenários e se fôr pragmático e paciente, o Partido Liberal poderá perfeitamente impôr como condição a um Governo de “centro-direita” uma série de políticas de liberalização da economia e até alguns Secretários de Estado na linha de Adolfo Mesquita Nunes.

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  19. Acro permalink
    15 Fevereiro, 2016 16:44

    O combate político faz-se hoje em dia nos Media.
    Qual dos media existentes estaria disposto a dar alguma voz (mesmo só alguma), a qualquer corrente que não seja a do “mainstream” socialista?.
    As Televisões estão sempre alinhadas com o poder estado (veja-se por exemplo o “sururu” que os “donos” e principais responsáveis das TV’s privadas fizeram, quando o anterior governo quis privatizar a RTP?!).
    Reparem, sempre que um proto-canditato a qualquer coisa, quer algum objectivo político, começa por aparecer na Televisão. E a partir daí estará aberta a porta ao seu lançamento.
    Resta saber se essas TV’s estão dispostas a “patrocinar” algum espaço político, a correntes liberais.
    Sei que esta luta é muito desigual, pois, mesmo aqueles ditos privados, como a SIC e a TVI, terão muita dificuldade em se tornarem em contrapoder de um Estado Socialista (seja ele PS com ou sem geringonça ou PSD+CDS), pois sentiriam bem na pele as consequências, como qualquer outro privado sentirá quando tenta bater contra um muro chamado estado. As pessoas, em geral, em Portugal, têm medo ou vergonha de assumir em público as suas convicções políticas, salvo raras excepções. O João Manuel Tavares, talvez seja um deles. Mas é preciso mais, por forma, a que esses muito poucos, que aparecem nas TV’s não se vejam compelidos ao “politicamente correcto” e ao “mainstream”.

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  20. Arsénio permalink
    15 Fevereiro, 2016 22:17

    Parece-me (até pelo que se lê aqui) que há espaço para um Partido Liberal. Como pode haver um PAN com deputados eleitos e não haver um Partido Liberal? O partido elegerá seguramente dois ou três deputados, o que na fase aberta pela coligação de não-vencedores que governa atualmente pode ser muito importante. O mais difícil é mesmo começar. Porque é preciso ter bom senso na escolha dos primeiros passos num país intrinsecamente socialista. Uma liderança de pessoas pragmáticas, por agora, gente que perceba que o caminho é longo e que provavelmente não serão eles a entrar na “terra prometida”. Gente que, sobretudo, ame a liberdade (eu sei que é uma frase gasta até ao tutano pelos socialistas mas os liberais percebem o que eu quero dizer).

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  21. Almeida permalink
    15 Fevereiro, 2016 22:18

    Fui dos que criticaram a posição do Rui A. no seu post anterior, mas isso não me impede de reconhecer que os argumentos que hoje avançou são verdadeiros. Falta, de facto, uma produção teórica liberal em Portugal que ultrapasse os muros desta ou daquela escola e se afirme em propostas concretas para as preocupações dageneralidadxe das pessoas. Aliás, a estratégia até agora seguida de usar “barrigas de aluguer”, num encosto ao “mal menor” PSD e/ou CDS, permitindo a confusão dos princípios liberais com o que esses partidos defendem, é, em minha opinião, um erro enorme.

    No entanto, isto não nos permite dizer que devemos baixar os braços. O exemplo que o Rui A. deu para o Bloco de Esquerda, é válido para quaisquer outras ideias. Há que afirma-las. Sobretudo, há que não permitir equívocos, há que reclamar a identificação com uma tradição histórica e acabar com essa treta do “neo” que tem permitido as mais absurdas confusões.

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  22. Almeida permalink
    15 Fevereiro, 2016 22:35

    Fui dos que criticaram a posição do Rui A. no seu post sobre o artigo do João Miguel Tavares, mas isso não me impede de lhe reconhecer razão em muitos dos argumentos que hoje adiantou. Falta, de facto, uma produção teórica liberal, em Portugal, que ultrapasse os muros desta ou daquela escola e responda às preocupações das pessoas. Mas o facto de não haver, não quer dizer que não possa haver- o exemplo que dá sobre a evolução do Bloco de Esquerda é excelente. O que me parece ser de evitar, é a acomodação a “barrigas de aluguer”, permitindo a confusão de posições de partidos como o PSD ou o CDS com as liberais. Há uma tradição histórica que deve ser assumida, há ideias que devem ser desenvolvidas sobre os direitos dos cidadãos, sobre a organização e os limites do Estado. Sobretudo, há tudo o que é necessário para acabar com esse equívoco do “neo” que tem permitido as maiores confusões.

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  23. Fernando S permalink
    16 Fevereiro, 2016 09:59

    O que é importante não é a existência ou não de um partido “verdadeiramente” liberal !…
    O que interessa é que os liberais contribuam de forma realista e eficaz para as configurações politico-partidárias que mais contenham e façam recuar o peso e a intervenção do Estado na economia e que mais garantam a liberdade dos cidadãos.
    Por enquanto, ao contrario do que alguns comentários aqui em cima parecem sugerir, não existem condições, se é que alguma vez existirão, para uma alternativa viável de governação que seja “rigorosamente” e “autonomamente” liberal, isto é, sem concessões nem compromissos com outras correntes doutrinais e politicas.
    Actualmente, a configuração politico-partidária que, por insuficiente que seja, mais e melhor acomoda algumas das preocupações e das exigências dos liberais é claramente (já foi menos e não se pode excluir que o venha a ser menos no futuro) a que está constituida em torno da aliança entre o PSD e o CDS, partidos onde convergem diferentes sensibilidades, incluindo liberais, mas onde são ainda fortes e preponderantes as que se reconhecem no “conservadorismo”, na “social-democracia não socialista” (PSD) e na “democracia cristã” (CDS).
    Os liberais devem procurar ocupar um maior espaço e ter uma influência efectiva em articulação ou no seio desta configuração politico-partidária.
    O que não impede, mas também não obriga, que se organizem e intervenham com alguma autonomia e que exprimam a sua diferença e algum distanciamento critico relativamente a certas orientações e decisões adoptadas maioritáriamente
    Mas sempre e globalmente como força de apoio e não de abstenção ou oposição.

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  24. honi soit qui mal y pense permalink
    16 Fevereiro, 2016 11:29

    http://www.theguardian.com/world/2016/feb/16/conspiracy-theorists-who-have-taken-over-poland

    pequeno intervalo

    na medida em que há países com estrutural no mundo , como os já consagrados , há outros que caso registem um forte desenvolvimento , e unidade interna , são crucias em cada continente para a renovação da liberdade … desse mesmo continente.
    São a meu ver sobretudo três : o México , a Coreia do Sul , e a Polonia .
    O México , caso consiga combater o crime do narco trafico , e atenda a uma politica mais liberal , tem uma classe empresarial com muita iniciativa que pode elevar e muito o desenvolvimento economico daquela zona do globo , assim como já acontece com a Corei do Sul .
    Mas importante na europa , é a Polonia .
    Pela sua dimensão e colocação estrategica , a Polonia , cuja história de sobrevivência é exemplar , que salvou a europa da barbarie por algumas ocasiões , é crucial .
    Infelizmente sempre afectada pelos seus vizinhos do oeste e leste , nunca teve capacidade de se desenvolver como uma das mais forte nações europeias .
    Assim ao dealbar deste seculo , verificamos com desgosto , a fraqueza ideologica e economica de muitos dos grandes estados da europa ocidental , enredados nos vortices do peso do estado social , dilacerados por dentro em heterogeneas sociedades que funcionam de forma conflitual ou por contrato social sem futuro , por falta de memória histórica e agarrados a imensos interesses , numa degenerescia cada vez mais evidente.Isto que até agora afectou a Alemanha , e as politicas idiotas de Angela Merkel .
    Caso a Polonia esteja unida , e tal como os outros estados do leste com memória histórica , haverá uma esperança para um desenvolvimento real daqueles estados .
    Daí existir , e ser notória uma ofensiva para desestabilizar aqueles estados , obrigando-os a aceitar ditames da UE , perfeitamente idiotas , ou da NU , cuja agenda é comandada por organizações não democráticas e sombrias .
    Tal como o Vaticano , e até pela proximidade , os Polacos de estúpidos não são nada .
    Logo estão bem de sobreaviso quanto a outros ventos que vêm de oeste para os obrigar a enveredar por um caminho de relativização da história , e abandonar as suas caracteristicas como povo .
    Atenção a estes três países .
    São muito mais importantes para o liberalismo , que aquilo que muitos poderemos pensar á primeira vista .

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  25. honi soit qui mal y pense permalink
    16 Fevereiro, 2016 11:47

    http://www.thelocal.se/20160216/malmo-anti-semitism-made-danish-star-jump-off-the-bridge

    a tendencia da eurabia

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