Desculpem que tem sido um dia complicado
mas perdi-me no enredo dos acordos do PS com o PCP. Havia um acordo excelente entre o PS, o PCP e o BE que por perfídia de Cavaco Silva não fizeram logo Governo. Onde é que está esse acordo? Porque o deitaram fora? Desculpem lá mas isto de deitar fora esse acordo tão catita é que é uma perda de tempo. E ninguém ficou com uma cópia? Mas enfim a culpa é do Cavaco que não os convidou logo e do Passos que se tivesse logo saído da frente tinha evitado que o acordo que estava escrito com tinta mágica desaparecesse.
o acordo
com o pc não se brinca, camaradas
Nos últimos dias, PS e Bloco pressionaram o PC para se definir quanto ao acordo das esquerdas, deixando passar a mensagem de que esse partido seria o principal responsável por um eventual fracasso das negociações. Hoje, o PC, que sabe mais disto a dormir do que todos os dirigentes do PS e do Bloco acordados, pôs termo à dança, remetendo um papel para o Largo do Rato e anunciando que, por eles, o acordo estava feito. Como tudo isto tem sido de um secretismo extremo, democracia oblige, ninguém sabe o que estará nesse papel, mas imagina-se que, aproveitando a situação de desespero de António Costa (a propósito, já se começou a comer leitão na Bairrada?), os dirigentes do «partido com paredes de vidro» não tenham sido propriamente meigos nas exigências. Por parte de Costa é certo que aceitará tudo; do PS, a farejar o poder próximo das narinas, quase tudo. Veremos o que dirão as instituições comunitárias do orçamento para 2016.
Adenda: apesar de não estarem dispostos a deixarem-se entalar pelo PS e pela esquerda-caviar bloquista, com um comunista pode-se contar mesmo nas piores ocasiões, e Jerónimo já deu um álibi a Costa, para a eventualidade do sapo ser muito maior do que as suas capacidades digestivas: a culpa será do Cavaco.
Vamos ter três acordos: um entre PS e PCP, outro entre PS e BE e o terceiro entre PS e Os Verdes.
a táctica
É muito simples: encostar o PC à parede, imputando-lhe a responsabilidade final pela existência, ou inexistência, do governo das esquerdas. Pelo PS e pelo Bloco são tudo rosas, e, por estes dois partidos, «estão reunidas as condições para um acordo à esquerda pela proteção do emprego, dos salários e das pensões», como a inefável Catarina Martins não se cansa de repetir, com o silêncio concordante de António Costa. Como quem diz: «agora, Jerónimo, a bola está do teu lado; vê bem o que fazes com ela». Na verdade, este «acordo» das esquerdas serve mais para reorganizar os seus diversos bandos, do que para tirar a direita do poder, poder que seria sempre fictício se ela, por milagre, mantivesse o governo com uma maioria parlamentar de esquerda. Dito de outro modo, entre o Partido Comunista e o Bloco, num cenário de coligação de poder, não ficarão os dois vivos. Um será responsável por tudo o que de mau venha a acontecer, enquanto que o outro levará os louros do que possa correr menos mal. O PS sabe disto, o PC sabe disto e o Bloco sabe disto, e estão, no fim de contas, a tentarem empurrar-se uns aos outros para ver quem cai primeiro. Só que nesta famigerada táctica, que é mais uma espertalhonice saloia do que um plano, esquece-se que o Partido Comunista Português tem décadas de história e que sobreviveu à URSS, ao Eurocomunismo, à queda do muro e à morte de Cunhal. Certamente que não serão meia dúzia de artistas recém-nascidos para a política, capitaneados por um náufrago agarrado a uma boia furada, que vão domar o velho urso. A coisa vai acabar mal, se é que alguma vez chegará a começar.
Sugestão de fim-de-semana

Bandalhos, não sejam malcriados, seus estupores

Doutor Pacheco Pereira, ouvi-o há pouco na Quadratura do Círculo em choque com a linguagem vernacular usada para descrever a sacrossanta esquerda, área conhecida pelo rol de intelectuais com eloquência para arrasar com os calceteiros da direita, essa cambada de incultos para com as bondades virginais das soluções que a esquerda una tem para o nosso santo país. Estou solidário com esta denúncia e gostaria de expressar que a culpa é de quem lançou o “manso é a tua tia” para a discussão parlamentar: desde então tem sido esta desgraça. Uma pessoa vai ao talho e ouve coisas terríveis sobre a mãe do António Costa, coitada; ouvem-se até coisas sobre si, doutor Pacheco Pereira, mas não tantas como sobre o doutor Costa, admito, para mágoa de ambos.
Sinceramente, eu metia-os a todos no Campo Pequeno, que era para aprenderem a escrever nos blogues de acordo com o códice de Abrantes: porque desde Abrantes ninguém escreve como dantes.
o circo desceu à cidade
Convencido de que está num partido plural e democrático, onde a divergência de opiniões é respeitada, Francisco Assis marcou uma reunião de militantes do PS desavindos com António Costa. Numa espertalhonice saloia, Costa convocou uma reunião cimeira do partido para a mesma data do almoço de protesto, mas esqueceu-se que há restaurantes abertos todos os dias: Assis antecipou o almoço para o jantar do dia anterior. Neste interim em que o PS vai lambendo as feridas provocadas pelos desvarios de Costa, o país aguarda que lhe digam se vai ter, ou não, um governo e um orçamento de estado nos próximos dias, e se esse governo e esse orçamento são os de Passos e Portas, se de Costa com Catarina e Jerónimo no governo. Ou só de Costa com apoio parlamentar de Catarina e de Jerónimo. E se com um acordo, com dois ou com três, como já hoje constava pelos jornais. Acordo sobre o qual, de resto, nada se sabe, a não ser que o PC e o Bloco não desistirão das suas bandeiras, o mesmo é dizer, não estão disponíveis para se transformarem em partidos social-democratas revisionistas. O leninismo é coisa que não se abandona, mas pode-se contar com ele num governo da Zona Euro, porque a «palavra de um comunista», essa raça superior, é sagrada, salvo seja o materialismo histórico. Da parte do PS oficial, ou silêncio total, que demonstra que pouco há para dizer, ou remoques azedos dirigidos ao Partido Comunista, o tal partido que «sempre honra os seus compromissos». Mas Catarina, a Grande, sossega as esquerdas e, falando por todas elas, garante que «vai haver acordo». Podemos dormir descansados, mas certamente mais descansados estaríamos se Cavaco já tivesse entregue o poder a Costa, para não fazer o país «perder tempo» à espera de uma solução mais do que consolidada.
Num país que esteve, há pouco tempo, completamente falido, cuja economia não teve ainda tempo para respirar e que passou as passas do Algarve nos últimos anos, esta bandalheira vai-nos sair muito cara.
Cá vamos, com a graça do Senhor
Não tem havido dia sem uma ou outra notícia do acordo, o tal que não só não é acordo como nem sequer existe além do desejo humano de explicar o desconhecido sem recorrer ao paranormal. Temos discorrido centenas de páginas sobre um assunto meramente burocrático: a forma para-legal para que uma insalubre vara de zuretas chegue ao poder, poder que considera seu por declaração de zelo pelo que é belo e justo, quer a plebe o queira – e não quer, houve eleições -, quer não queira – que não quer, houve eleições.
Leio explicações sobre o brilhantismo deste ou daquele indivíduo ligado à “esquerda”, a perpétua meretriz puérpera de todos os abusos e sagradas autocracias, e, entre os elogios às resplandecências de méritos académicos e vastos conhecimentos demonstrados na endógena máquina de afago em libertina sincronização do movimento das carruagens do comboio, percebo que, pouca-terra, pouca-terra, a ilusão vai penetrando na penumbra do túnel ávido por ritmada zoeira que lenta e continuadamente o escacha por anuência num combate perdido contra o entorpecimento.
Não há protagonistas bons na novela. Triste sina a de um mãe que, após anos de dedicação, provimento e agasalho, encontra o filho a “unir as esquerdas”. Avancem lá com isso mas não aborreçam mais a plebe: já há muito que percebemos que os fins justificam os meios. Temos uma vidinha para viver. Saqueiem lá o que têm que saquear, só, por piedade, não nos aborreçam mais com esforços desnecessários de desconexas justificações.
uma entrevista de pôr as pernas a tremer
Pedro Nuno Santos, que representa o PS nas negociações com o Bloco e o PC para um acordo de governo que terá de ser apresentado aos portugueses na próxima semana, concedeu uma entrevista muito esclarecedora ao Público de ontem. Eis as passagens mais importantes ( perguntas do jornal a bold):
«É essencial para o PS a assinatura de um acordo escrito?
Tenho dificuldade em perceber que seja de outra forma. (…)
Como chefe da delegação do PS, considera que é mais fácil negociar com o BE ou com o PCP?
Eu não vou fazer essa distinção, são dois partidos diferentes, com culturas políticas e históricas diferentes (…)
E qual é a sua expectativa sobre qual dos dois vai romper primeiro o acordo?
Não tenho nenhuma expectativa sobre essa matéria. (…)
O próximo Governo poderá ter de avançar com a remodelação da TAP. Acredita que, se houver despedimentos colectivos, o PCP e o BE se mantêm no apoio ao Governo e ao PS?
Percebo que queira fazer conjecturas sobre o futuro, mas não faz sentido, nesta fase, fazer especulação sobre coisas que não existem hoje.
E despedimentos?
Não posso falar da situação da TAP sem sequer a conhecermos, sem estarmos de facto confrontados com a realidade da TAP.
Em relação ao sector bancário, ao Banif, à CGD, que soluções têm encontrado?
Não vou, na entrevista, discutir a substância das nossas reuniões ou do nosso acordo. (…)
É conhecido só no dia 10. Não vão dar tempo aos portugueses de o conhecerem antes de ser votada a moção de rejeição?
Não está nada fechado nessa matéria. (…)
E antes de votarem a moção de rejeição, como prometeu o secretário-geral do PS?
Julgo que sim. O acordo será conhecido no momento certo e quando estiver fechado. (…)
O acordo implica o PCP e o Bloco no Conselho de Ministros?
Essa questão não está encerrada. (…)
O PS também não vai ceder na baixa da taxa do IVA na electricidade?
Não vou falar sobre isso.
O PCP e o BE querem a devolução da sobretaxa do IRS em 2016. O PS aceitou?
(Silêncio longo) Não vou falar sobre isso.
Os salários da função pública serão repostos até ao final de 2016?
(Silêncio longo) Já disse que não falaria sobre a substância do acordo. (…)
A revisão da legislação laboral vai manter-se tal como está no programa do PS?
Isso é injusto, porque na terça-feira da próxima semana poderia falar abertamente. (…)»
Catarina Martins diz
“há outras formas” de agir, como “diferentes formas de tributação”. Mas avisou: “Também há alturas em que o Estado tem que dizer que não” – ou seja, que deve deixar as metas derrapar.
Catarina Martins explica
PS e Bloco estão já a preparar planos B, para quando surgirem problemas ou imprevistos. Nomeadamente “as prioridades” a seguir (e, por maioria de razão, o que pode ficar para segundo plano).
Sendo isso verdade
Isabel Moreira: “Parlamento não trata bem as mulheres deputadas”
digamos que ser filha do papá e ter posições que os jornalistas têm como avançadas gera um grupo especial de mulheres: “em mim não tocam diga eu o que disser porque chamo-os reaccionários”.
Quer dizer precisamente o quê com isso?
“A palavra de um comunista vale tanto como um papel assinado”, diz João Oliveira do PCP. E as palavras dos não comunistas o que valem? Esta farroncada da palavra dos comunistas e a tolerância que existe nas democracias para com este teatro da superioridade moral é um folclore que já cansa.
Ainda não começou e já temos a narrativa da desculpa
“Afastamento do PSD do centro facilitou” acordo à esquerda – Pedro Nuno Santos.
Em 2011 a troika veio porque Passos lhe escreveu uma carta. Em 2015 o PS alia-se ao PCP e ao BE porque o PSD radicalizou.
É imperdoável
como estando o acordo PS, BE e PCP formalizado há tanto tempo Cavaco Silva nos obrigou a todos a esta perda de tempo. Uma perda de tempo tão grande que o acordo até deixou de existir. Se Cavaco Silva tivesse logo dado posse a Costa o acordo não se tinha desfeito obrigando as partes a nova ronda negocial. Aliás esse primeiro acordo era muito melhor que este segundo acordo. A culpa de termos agora este segundo acordo é de Cavaco e já agora de Passos que logo devia ter percebido que chegou o momento de dar o seu lugar à Esquerda com maiúscula.
Sobre o acordo de esquerda
3 notas sobre o alegado acordo de esquerda:
- Foi feita uma reforma do IRC há 2 anos. Uma reforma minimamente coerente e que teve o acordo de PS, PSD e CDS. Para sacar alguns milhões de euros, que nem sequer são certos, o PS deita fora essa reforma, cujo objectivo era assegurar coerência e previsibilidade aos investidores.
- O mercado de trabalho abaixo dos 600 euros torna-se numa salgalhada de medidas contraditórias com salário mínimo, IRS negativo e descontos da TSU. Para atingir o mesmo objectivo bastava uma medida, ou imposto negativo ou descontos na TSU. Salário mínimo é inconsistente com as outras duas.
- Nada do que o PS oferece satisfaz o BE e o PCP pelo que se houver acordo com base nisto esse acordo dura 3 meses.
fracturante
Bi-acordo: a nova causa fracturante das esquerdas. Patético.
o que cada um quer
António Costa: salvar o pescoço.
Jerónimo e PC: libertar-se da asfixia do BE, imputando-lhe responsabilidades de governo e reduzindo-o novamente a um táxi, e provocar uma crise no PS que lhe renda umas autarquias e mais uns votos nas próximas legislativas.
Catarina e Bloco: continuar a canibalizar o PC e o PS, fazer figura de boa rapariga a quem os reformados e pensionistas ficam a dever uns votos, ir para o governo ou falar como se lá estivesse, o que seria ainda melhor.
Pedro Passos Coelho e Paulo Portas: que lhes deitem o governo abaixo e provoquem eleições antecipadas para lhes darem uma maioria absoluta inquestionável.
Francisco Assis: que não lhe desfaçam o PS para que ele tenha oportunidade de chegar a primeiro-ministro.
Maria de Belém Roseiro: reocupar o lugar agora ocupado por Carlos César.
Carlos César: manter o lugar que foi de Maria de Belém.
Marcelo Rebelo de Sousa: ir comer votos à esquerda para ser eleito na primeira volta.
António José Seguro: que Costa fique sem pescoço.
Troika: que lhes paguem o que lhes devem.
Sampaio da Nóvoa: que lhe paguem o que vai ficar a dever.
Cavaco Silva: que não o chateiem.
outra dúvida existencial
Será que o Muro de Berlim se vai reerguer?
a dúvida de césar
Carlos César, cada vez mais o émulo açoriano e socialista de Alberto João Jardim, manifestou hoje uma séria dúvida existencial, que deverá merecer a melhor atenção de todos os espíritos elevados. Assim, inquiriu-se ele: «Não acredito que um socialista prefira um Governo de direita com o apoio do PS a um Governo do PS com o apoio da esquerda».
Pois bem, dependerá do socialista. Se for um socialista tipo marxista, inimigo da propriedade privada e defensor do estatismo, certamente que preferirá uma coligação com partidos de esquerda radical, saídos da velha UDP e do PSR, como o Bloco de Esquerda, e com um partido estalinista, velho e anquilosado, que não evoluiu um milímetro desde a queda do muro de Berlim, tal e qual é o Partido Comunista Português. Se for um socialista democrático, defensor da liberdade e da economia social de mercado, preferirá uma coligação com partidos de centro e de direita, como acontece com o SPD alemão, que está no governo com a CDU/CSU da senhora Merkel e a darem-se muito bem, ao que consta.
São estas as duas respostas possíveis à dúvida existencial de César. E os dois caminhos alternativos que o Partido Socialista terá de escolher. Os eleitores estarão, certamente, muito atentos.
verdadeiramente estável
Ao fim de um mês dos votos contados, a única coisa verdadeiramente estável no «acordo» da esquerda com a extrema-esquerda é a de que não há acordo.
Governo da Frente Popular, sim; mas em igualdade
Numa união não pode haver lugar a protagonistas e actores secundários ou meros figurantes. A união de esquerda, tão desejada pelos portugueses, organizou-se, graças à vontade popular, numa distribuição dos 122 deputados da Frente Popular com percentagens de 70.5% para o PS, 15.6% para o BE e 13.9% para a CDU. CDU e BE representam quase 30% da magnânima vitória da Frente Popular: não podem ser meros figurantes num governo do doutor António Costa, que parece querer ficar com o bolo-rei todo para ele, mandando à fava os descartáveis eleitos pelo povo-das-costas-largas quando estes deixarem de ser necessários para a aprovação do programa de governo.
Num governo com 20 ministros, é de supor que 6 sejam da CDU e do BE. De outra forma, o risco é que o doutor Costa passe da imagem laboriosamente cultivada de oportunista político sem escrúpulos para a imagem de simples predador político sem escrúpulos. A resolução óbvia, como já disse, é entregar a pasta de Primeiro-Ministro a Catarina Martins. Jerónimo de Sousa ficaria responsável pela pasta do Trabalho, Administração Interna e Direitos Adquiridos e António Costa com a de Vice-Primeiro-Ministro, com funções especiais de domesticação do Ministro da Despesa, João Galamba.
Qualquer outra solução é um logro e uma falta de respeito pelos eleitores, que, segundo a lógica da batata usada até ao momento, com 62.6%, rejeitaram explicitamente o PS no governo.
40 anos depois o PCP ganhou
Ou como escreve o Rui Ramos é A gargalhada de Álvaro Cunhal
Catarina Martins deve ser PM
Descontando a coligação Portugal à Frente, que tendo vencido as eleições está impossibilitada de governar pela alegada existência de um desejo de concretização de um eventual entendimento de um potencial acordo de qualquer forma ou tipo entre os ditos derrotados das eleições, o Partido Socialista foi o vencedor de 4 de Outubro.
Ora, na qualidade de vencedor das eleições frentistas, o Partido Socialista não pode assumir um papel unificador do frentismo popular porque, mantendo o algoritmo base, esse papel cabe, naturalmente, ao segundo classificado das forças frentistas: ao partido que tem o segundo maior número de deputados na Frente Popular e que pode garantir a maioria parlamentar contra a direita nojenta, caso o PS não alinhe com esta. Aliás, não existe melhor forma do Bloco assegurar que não é o próximo Sampaio da Nóvoa, o caracol que Costa pisa quando já não precisa de quem arraste visgo anti-cavaquista pela escadaria central.
Após um mês – mais coisa menos coisa – de tentativas de acordo goradas, é óbvio que só há uma solução governativa para Portugal escolhida pelos portugueses: a Frente Popular liderada por Catarina Martins, o segundo classificado das eleições considerando apenas os partidos legítimos pela verdadeira vontade popular. Só 38,36% dos portugueses rejeitaram nas urnas esta solução, votando na direita calceteira, ou seja, uma grande maioria de 61,64% votou, efectivamente, para que Catarina Martins lidere o processo de nos livrar da austeridade para sempre.
Catarina Martins pode negociar à sua esquerda (PS) e à sua direita (PCP) e formar um verdadeiro Bloco Central da Esquerda (BCE). Está na altura de Costa perceber que perdeu as eleições e lutar contra isso é fútil. Costa deve aceitar a pasta honorífica de vice-PM do governo liderado por Catarina Martins e participar, em verdadeira união, na construção de uma alternativa de esquerda, que o país bem precisa.
A presidente da junta governativa
Cataarina Martins já anunciou hoje mais alguma medida?
1 de Novembro de 2015
Quem não honra os que lhe faleceram não respeita a vida que lhe foi concedida.
Saiam de casa, visitem os cemitérios das vossas comunidades, não as virtuais onde encontram uma causa paupérrima para a fátua indignação, as reais, as de lá de fora, onde as flores têm cheiro e a cera derrete à volta da luz que significa memória. Este país perdeu a memória. Este país rejeita a lembrança.
Hoje, porque é Domingo, é feriado, para o ano não será. Infelizmente.
Meu caro professor Marcelo,
Disse sinais para o centro?
como financiar o socialismo?
Almas angustiadas perguntam-se como irá o futuro governo Costa/César/BE/PCP financiar o aumento da despesa pública que resultará das medidas entretanto já anunciadas. Nada mais fácil, como se poderá ver:
1º Aumentar os impostos sobre os lucros dos bancos que, ao fim de tantos anos a darem prejuízos, parece que os voltaram a ter;
2º Aumentar os impostos sobre os hospitais privados, que têm obtido lucros de «milhões»;
3º Aumentar os impostos sobre todas as empresas que deem lucros;
4º Aumentar os impostos sobre as pessoas com rendimentos que o Bloco e o PC considerem elevados;
5º Criar um imposto especial (cobrado apenas uma vez) sobre os depósitos bancários acima de um milhão de euros;
6º Criar um imposto especial sobre as grandes empresas estrangeiras a operar em Portugal;
7º Depois destas medidas, aguardar o aumento de emprego, a retoma do consumo interno e o crescimento da economia para aumentar a receita fiscal, como nos prometeu o sábio prof. Centeno.
programa do governo de esquerda
- Impedir a entrada em funções do governo de direita.
- Indigitar um governo minoritário do PS, com 32,31% dos votos.
- Não garantir mais do que a viabilização do primeiro orçamento de estado.
- Negociar, a par e passo, as medidas que «sejam boas para o nosso povo e para os trabalhadores», mas só essas.
- Manter intactos os programas do Bloco e do Partido Comunista, principalmente sobre o Euro, o Tratado Orçamental, a necessidade de renegociar a dívida, a NATO, as privatizações, a banca, etc..
- Garantir a sobrevivência política de António Costa por mais uns meses.
- Permitir o acesso aos boys do PS, do PCP e do Bloco ao aparelho do estado central.
O passado e o presente são o que hoje construímos
Ao longo da vida, se abençoados pela efêmera sorte que nos permite vivenciar a vulnerabilidade do amor, alcançaremos doces memórias de partilhadas carícias, continuamente revividas em cúmplice aquiescência de solitário e meigo pretérito mútuo. Alguns amores têm a dádiva de nos marcarem para a vida, como a Nini do Paulo de Carvalho. Nini dançava só para ele, numa dança sem fim, que olhava, bisando-o em verso, tamanha contemplação de vivacidade tão mais real quanto consistentemente idealizada anos a fio. É assim o amor, vívido no durante e cândido no pós-presente, indelével pertença integral na existência do que individualmente somos.
Outros amores, em retrospectiva, apesar da intensidade afectiva momentânea, independentemente da voracidade de físicas manifestações da fugaz paixão, deixam-nos um ocre sentimento de repulsa, um desgosto por repugnância de tal forma indelével que nos incentiva à repulsa física pela mera associação semântica à desmedida aberração. Não me surpreende que a jornalista Fernanda Câncio tente usar todos os meios à disposição para remover referências a uma relação que enjeita, que repele, que repudia. Transcender uma relação incapaz de nos ocorrer recordações de doce ternura em tempo presente é um acto de dignidade para com nós próprios. Não devemos criticar esta decisão de alguém que, seja por mau juízo, seja por vicissitudes do destino, cresceu para o brio libertador de tão vexatório amor.
Por assim dizer uma perda de tempo só possível graças ao apoio do PR
Era só para lembrar…
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“Manso é a tua tia”, uma mensagem de amor fraterno entre esquerdas unidas, um código de guerra único numa luta contra os direitolas de todos os partidos ilegítimos, uma afirmação de presença perante a grande maioria dos eleitores, bem enganados no boletim de voto por uma coligação iníqua e inconstitucionalmente desumana.
Compre já. Todos os lucros reverterão para a manutenção possível do partido Livre.
Vai-se a ver e temos de acelerar o aquecimento global porque o frio é uma forma de discriminação
Agora surgem alguns relatos curiosos sobre os refugiados que começam a chegar, neste caso, à Suécia. Segundo conta o Guardian, 14 pessoas recusam-se a sair de um autocarro que os levou até à vila de Limedsforsen. E estão lá há três dias por causa do frio e do isolamento da povoação sueca.
Estes catorze refugiados pertencem a um grupo de 60 sírios e iraquianos que chegaram a Limedsforsen, junto à fronteira com a Noruega, onde vão ser instalados enquanto os seus pedidos de asilo serão avaliados.
Este grupo recusa-se a deixar o autocarro queixando-se que esta vila se encontra a dezenas de quilómetros da cidade mais próxima, com muitos a exigirem que os levem para uma cidade grande ou, inclusive, para a Alemanha. O frio que se faz sentir nesta zona é também um alvo das críticas destas pessoas.
a mentira tem perna curta
Durante quatro anos, ouvimos o PS dizer que a austeridade não era uma inevitabilidade e que havia alternativas às políticas do governo PSD/CDS. Agora que o PS começa a ter a convicção de que regressará, em breve, ao poder, a única preocupação que parece ter é a de arranjar bons pretextos para manter aquelas medidas em vigor, apesar dos acordos que está a negociar com a extrema-esquerda para conseguir o seu apoio parlamentar. Como é evidente, isto dará fatalmente mau resultado. Porque o PS sempre omitiu aos portugueses aquilo que agora será obrigado a assumir: que Portugal não é um país auto-suficiente, isto é, que não produz o necessário para obter receita que pague a despesa do estado, por um lado, e, por outro, que para além do défice primário do estado existe ainda um pesadíssimo passivo para pagar. Assim, quem estiver no governo terá, em primeiro lugar, que satisfazer as expectativas dos nossos credores e financiadores, se quiser que as máquinas de multibanco continuem a dar notas. Se preferir a solução grega, em meia dúzia de semanas chegará lá, sem ter de fazer muito esforço. Ora, é isto mesmo que o Bloco e o Partido Comunista jamais aceitarão e que transformará esta espúria coligação num casamento fúnebre. Em poucas palavras, o dilema de um futuro governo do PS pode colocar-se assim: dará o governo preferência às expectativas dos financiadores de Portugal ou às exigências do Partido Comunista e do Bloco? Costa e César que decidam: a responsabilidade do que vier a acontecer será inteiramente deles.







