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Dia 3

13 Novembro, 2015

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Más notícias para José Sócrates: o almoço de apoio ao ex-primeiro-ministro e futuro-qualquer-coisa custará 25 euros, revelando a impossibilidade de a factura ser paga na íntegra por “um amigo”.

Independentemente do elevado preço de participação, impedindo os mais carenciados da benesse espiritual daí decorrente, a possibilidade de se sentar à mesa com um ex-primeiro-ministro e futuro-qualquer-coisa é algo que não deverá deixar de fazer nesta vida que são dois dias.

Há acordos e acordos. Pela informalidade da sua assinatura percebe-se a sua importância

13 Novembro, 2015

Colecção de desculpas e ainda não começaram a governar

12 Novembro, 2015

12/11/2015. João Galamba acusa Portas de tentar enganar portugueses e criar medo internacionalmente «seria uma enorme irresponsabilidade” e “profundamente antipatriótico da parte do doutor Portas estar ele próprio a criar uma imagem negativa do país com um único objetivo de servir de ingrediente para a luta política”

08/11/2015. Catarina Martins

“Vamos ter, certamente, gigantescas pressões da Europa da austeridade; vamos ter, certamente, gigantescas pressões dos grandes grupos financeiros internacionais, que têm lucrado tanto com a venda do nosso país ao desbarato; vamos ter gigantescas pressões do sistema financeiro e dos grandes grupos económicos que têm gostado tanto da destruição das condições do trabalho e da vida em Portugal”,

a nova moda

12 Novembro, 2015
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Não me tinha ainda claramente apercebido, mas parece que a nova moda para a formação de governos é a dos putativos ministros se oferecerem na comunicação social, declarando-se «disponíveis», «livres», «interessados», entre outros expedientes a fazerem lembrar as meninas que antigamente punham anúncios na «Crónica Feminina», à procura de marido velho que as sustentasse. Só na semana que corre já contei dois ou três. A um deles tive a impressão de o ver hoje num meio de transporte, infelizmente ainda público, que utilizei para chegar ao Porto. Devia tê-lo abordado e ter-me oferecido para, pelo menos, secretário de estado. A pátria precisa dos meus préstimos.

A génese do esganiçar

12 Novembro, 2015
Mulher com megafone

Note-se a associação da simbologia feminina numa referência à prestável dona-de-casa dos anos 50 que, pelo marido, até está disposta a esganiçar.

Muito pior que as mulheres esganiçadas do Bloco de Esquerda são os homens que preferem mulheres que esganiçam em devota entrega ao exercício do conflito. A mulher não é naturalmente esganiçada, tem que a isso ser levada por homem belicoso, líder que, construindo plataforma para a zanga permanente, degrada a mulher no exercício de esganiçar em seu nome e benefício.

O Bloco de Esquerda existe porque Francisco Louçã, um homem inteligente, conseguiu agregar as facções comunistas lideradas por outros homens, nomeadamente a UDP e Política XXI, criando um partido que serviria de plataforma ao protesto da fractura permanente. Enquanto não foi possível dotar o partido de quadro suficientemente volumoso de mulheres dispostas a prestarem-se ao exercício do conflito, coube a Louçã o ónus da humilhação pública em debates parlamentares acessos, recorrendo ao papel desconfortável de assimilação da postura beata, papel que desempenhou com zelo apesar do evidente embaraço, preparando, assim, o partido para a fase de maturação, a da liderança do esganiçamento que permite a tortura em democracia da zoeira que se entranha. A escolha de uma actriz para esganiçar torna-se óbvia à luz desta explicação que vos concedo.

Em defesa das mulheres esganiçadas, acresce-me a obrigação de julgar quem, de facto, criou o esganiçamento, como atrás referi: homens com perfil dominante que, gerando intriga na cabeça de mulheres susceptíveis a esganiçarem, as usa, por abuso intelectual, para que esganicem em seu nome.

O Centeno terá mais sorte: a Catarina Martins só o manda a Coimbra ter aulas com o Boaventura*

12 Novembro, 2015

Os serviços de informações de Seul asseguraram hoje que o líder da Coreia do Norte, Kim Jong-un, enviou o “número três” do regime, Choe Ryong-hae, para um programa de reeducação na principal universidade do país.

*A questão de sorte é relativa porque existe sempre a possibilidade do Boaventura fazer poesia ou cantar e aí temos de ponderar os multiplicadores em que tanta fé deposita Mário Centeno.

Catarina e o Presidente

12 Novembro, 2015

Cavaco Silva, 22 de Outubro:

A observância dos compromissos assumidos no quadro da Zona Euro é decisiva, é absolutamente crucial para o financiamento da nossa economia e, em consequência, para o crescimento económico e para a criação de emprego.

Fora da União Europeia e do Euro o futuro de Portugal seria catastrófico.

Em 40 anos de democracia, nunca os governos de Portugal dependeram do apoio de forças políticas antieuropeístas, isto é, de forças políticas que, nos programas eleitorais com que se apresentaram ao povo português, defendem a revogação do Tratado de Lisboa, do Tratado Orçamental, da União Bancária e do Pacto de Estabilidade e Crescimento, assim como o desmantelamento da União Económica e Monetária e a saída de Portugal do Euro, para além da dissolução da NATO, organização de que Portugal é membro fundador.

[…]

Se o Governo formado pela coligação vencedora pode não assegurar inteiramente a estabilidade política de que o País precisa, considero serem muito mais graves as consequências financeiras, económicas e sociais de uma alternativa claramente inconsistente sugerida por outras forças políticas.

Aliás, é significativo que não tenham sido apresentadas, por essas forças políticas, garantias de uma solução alternativa estável, duradoura e credível.

Catarina Martins, 11 de Novembro:

Catarina Martins admite que o respeito pelo Tratado Orçamental foi um constrangimento determinante para não fazer parte do Governo. Sem poder apresentar medidas essenciais, mas que chocavam com documento, Catarina Martins preferiu não ser ministra.

Dia 2

12 Novembro, 2015
https://twitter.com/gbasagiannis/status/664793798824886272

Ler mais…

Fala quem viu a máquina por dentro

12 Novembro, 2015

Álvaro Santos PereiraTemos de perguntar porque é que, por exemplo, o Partido Comunista está neste momento interessado em apoiar um possível governo do Partido Socialista. E a resposta é muito simples. Sabem que, se as concessões dos transportes avançarem, se a privatização da TAP avançar, se a reforma laboral continuar, isto para os seus grupos de interesse não é bom.

O acto de votar

12 Novembro, 2015

Paulo Tunhas: «Que raio de gente é essa? Em que mundo é que vivem? De que péssimo romance saíram? Acham que o mundo, entusiasmado com tão belas emoções, nos vai salvar? Não, o problema com essa conversa é que o ridículo dela traz consigo a possibilidade muito séria da catástrofe, é um das causas adjuvantes possíveis da catástrofe. (…) O que António Costa fez foi subverter a realidade política, ao destruir o sentido que as pessoas dão ao acto de votar. É preciso ir ao essencial. As pessoas votam esperando que o partido, ou coligação, em que votam, se ganhar, forme governo, eventualmente aliando-se com outros partidos. Ou, perdendo, que vá para a oposição, eventualmente podendo participar no governo, com um estatuto subalterno relativamente ao partido vencedor. Tão simples quanto isso. Os argumentos contrários a isto sofrem de uma contra-intuitividade notória e soam irremediavelmente artificiais. António Costa destruiu o sistema de expectativas que nos fazia dar sentido – um sentido real – ao acto de votar

Comunicado nº 4

12 Novembro, 2015

Comunicado do Comité Central do Núcleo LGBT de Independentes do PS respeitante à reunião de Quarta-feira, dia 11 de Novembro de 2015.

  1. A reunião decorreu sob a direcção e bravura do camarada Albertina.
  2. Perante as graves afirmações do notório fascista Pedro Arroja, que mereceram censura e veemente repúdio por parte do comité central, saudamos, por aclamação unânime, a moção de censura apresentada pelo camarada Libério perante a passividade complacente e cúmplice da direcção do Partido Socialista, que covardemente se abstém de repudiar as ignomínias fascistas decorrentes da livre transmissão de ideais fascizantes de traidores das massas, impedindo, efectivamente, a reposição da justiça perante uma descarada violação do direito de esganiçar sem discriminação de género, violação ignóbil sofrida pelas camaradas do Bloco de Esquerda, partido irmão na luta de classes e géneros na Frente de Esquerda governativa e anti-austeritária.
  3. O comité central aprovou, por unanimidade, a proposta elaborada pela Comissão de Igualdade para a Frente de Esquerda Unida, no seu núcleo de Elaboração Programática de Género e afecta à célula representada pelo camarada Iscariotes no grupo de trabalho de Identidade Pangenérica, exigindo o imediato pedido de desculpas por parte da direcção do Partido Socialista pela omissão de posição perante tão severas violações do direito de género efectuadas em meio de comunicação social de massas operárias do norte do país, deportação do traidor Pedro Arroja para país sob jugo do imperialismo sino-americano, encerramento imediato e irreversível da estação de televisão Porto Canal, destruição sem demora das infra-estruturas de distribuição de conteúdos televisivos privados, ilegalização imediata das empresas privadas visando o lucro de distribuição de conteúdos como a MEO, NOS, Vodafone e qualquer outra da mesma área de mercado, declaração imediata de estado de sítio e recolher obrigatório por período indeterminado até serem abolidas as discriminações de género e ilegalizados os piropos que distraem as massas da inevitável luta de classes que, através da gloriosa revolução, trará liberdade às massas oprimidas pelo capitalismo sem rosto.
  4. O comité central aprovou, após votação unânime, ceder, apesar da precariedade de fundos em caixa, a quantia de 20€ aos camaradas do partido Livre, em luta pela subsistência após boicote eleitoral por parte da direcção do Partido Socialista, atitude que censuramos através da deliberação publicada no Comunicado nº 3 de 18 de Outubro.
  5. O comité central voltará a reunir no Sábado, dia 14 de Novembro.

Albertina

Estamos um bocadinho mal passados não?

11 Novembro, 2015

Não me passa pela cabeça que este ressabiamento nervoso que a direita apresenta neste momento não lhe passe ao fim de uns meses e que não passe a ter uma postura responsável.” – António Costa

o que elas dizem da liberdade

11 Novembro, 2015
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Que tem que «pedir desculpas» e ser demitida. E ainda não chegaram ao poder. De facto, um extremista totalitário será sempre um extremista totalitário, e não há patine democrática que o civilize. Será sempre um fascista, em suma.

Um abraço ao Pedro Arroja e os meus parabéns por continuar a dizer o que pensa. Quanto às meninas do Bloco, que leiam Voiltaire nos intervalos das altas responsabilidades de estado em que se julgam investidas.

Juntando-me a uma indignação muito indigna, Charlies.

11 Novembro, 2015

venus-mega

Novo ringtone para portuguesas e portugueses

11 Novembro, 2015

Dos arquivos.

Dia 1

11 Novembro, 2015

O Presidente da República tem em mãos uma moção de censura ao programa governativo, moção esta que derruba o governo. Tem várias opções que deve usar pela ordem apresentada, passando ao número seguinte após verificação de impossibilidade do número que o antecede.

  1. Após consideração dos acordos que PS firmou com PCP, PEV e BE, exigir estabilidade através da inclusão dos 4 partidos no governo.
  2. Exigência de acordo de incidência parlamentar entre PCP e BE, PCP e PEV e PEV e BE (recordem que o muro caiu, etc) ou substituição dos 3 acordos por acordo único assinado pelos 4 partidos.
  3. Empossar governo minoritário de António Costa, realçando a impossibilidade de manutenção de relações institucionais com quem não respeita instituições e demitir-se da presidência por incompatibilidade do regime semi-presidencial com a maioria parlamentar abençoada nas ruas pela CGTP.

O simulacro

10 Novembro, 2015

Assina-se ali numa ponta da mesas uns papeluchos. Nem vale a pena arredar as cadeiras.Para o que é bacalhau basta. E que faz o camarada Jerónimo lá ao fundo enquanto a camarada Heloísa está a assinar o acordo?
800x600

E a UGT?

10 Novembro, 2015

Quando Pedro Nuno Santos e Galamba saíra, do parlamento para cá fora abraçarem Arménio Carlos consumava-se o ouutro lado desta golpada: o PS trocava UGT pela CGTP

Dia 0

10 Novembro, 2015

É o dia 0, ainda nem começou o processo revolucionário e já se ouviu Arménio Carlos explicar a quem o quis ouvir quem é que manda, independentemente do testa-de-ferro vaidoso que se vier a assumir como Primeiro-Ministro. 

o governo com paredes de vidro

10 Novembro, 2015
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Para esta esquerda que tem uma aversão genética a tudo quanto é privado e que se propõe mesmo voltar a estatizar tudo o que puder, só o acordo, acordos, um, dois, três, quatro, sabemos lá!, que entre si estão a assinar, é que têm foro privado e são juramentados à porta fechada. Acordos sobre a coisa pública, de que todos nós já deveríamos ter conhecimento. Está inaugurado o governo com «paredes de vidro». Por que será?

à sua custa

10 Novembro, 2015
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Não existe qualquer coligação de esquerda disponível para apoiar um futuro governo minoritário do PS por quatro anos e António Costa sabe-o muitíssimo bem. Mais não fosse, a recusa dos deputados do PC e do Bloco de aplaudirem, ontem, Carlos César, no final do seu discurso, e a do PC em se juntar, hoje, na assinatura dos acordos, com o Bloco de Esquerda, demonstra-o bem e compreende-se: o PC e o Bloco, estes dois, pelo menos, disputam o mesmo espaço político e eleitoral, e qualquer percalço poderá significar a extinção, ou a redução a um táxi, de qualquer um deles.

Sendo assim, o que levou António Costa esta «coligação» de inimigos inconciliáveis? A simples ambição de ser primeiro-ministro e de reverter uma situação que tudo indicava iria levá-lo ao fim da sua carreira política, transformando-o de grande derrotado em grande vencedor das últimas legislativas? Talvez. Mas se fosse apenas isto, Costa não ignoraria que seria breve a sua nova glória e que em poucos meses voltaria ao ponto de partida ou a uma situação ainda pior. Isso não basta para explicar tamanho disparate. Do que Costa está convencido é que deu um genial golpe aos partidos à sua esquerda, que os amarrou ao destino do seu governo, e que serão eles as principais vítimas do eventual derrube futuro desse governo, por eventuais desentendimentos na coligação. Nestes termos, a sua expectativa é a de se vitimizar e conseguir a vitória eleitoral maioritária que desta vez não teve.

O raciocínio até estaria correcto, não fosse um pequeno pormenor. é que o espaço à direita de Costa não está deserto, e foi desapeado do poder pelo próprio Costa, a quem serão imputadas as mais do que merecidas responsabilidades pelo eventual fracasso da solução governativa que ele inventou. O fenómeno da primeira maioria absoluta de Cavaco, nos idos dos anos 80, só acontece quando a responsabilidade pelas asneiras é de terceiros. Nunca do próprio. António Costa aprenderá isso, merecidamente, à sua custa.

Governo por usucapião

10 Novembro, 2015

Tirando as vezes que eventualmente experimentou em frente ao espelho do quarto, é hoje que António Costa, em apoteose ao nível da libertação de Paulo Pedroso, falará na Assembleia da República imaginando-se já Primeiro-Ministro e cumprindo o sonho de chegar a um lugar que apenas se torna atingível por usurpação. Espera-se que, dentro da alguns meses, possa dispensar ir às urnas através da afirmação de legitimidade do primeiro governo português por usucapião.

São travessuras não é?

10 Novembro, 2015

PÚBLICO on line

Direita travestida de oposição, esquerda em pose de Governo

PÚBLICO papel

Direita vestida de oposição, esquerda em pose de Governo

Momento histórico

10 Novembro, 2015

Ao fim de 40 anos o conjunto de partidos de governo, isto é o conjunto de partidos que em Portugal podem formar e formam o governo, será alargado para três. Até hoje só o PS, o CDS e o PSD formavam governo. A partir de hoje passaremos a contar com o PS, o CDS e o PSD. Isto apesar de o Cavaco se ter oposto a que mais partidos participem no governo.

Assim podem sempre dizer que foram enganados

10 Novembro, 2015

A Comissão Política do PS votou favoravelmente os acordo do PS com o BE, o PCP e Os Verdes mas votou sem  que lhe tenham sido apresentados os documentos que suportam esse acordos

Começam a aparecer nomes para ministros

9 Novembro, 2015

Centeno-Ministro-da-flexibilidade-dorsal

Petição para que António Costa se mantenha líder do PS quando esta experiência chegar ao fim

9 Novembro, 2015

António Costa é líder do PS e como tal deve continuar caso contrário voltamos a cair na esparrela do pedido de ajuda externa em que Sócrates foi filosofar para Paris e o PS em Lisboa dizia que nada tinha a ver com isso.

Desta vez isso não pode acontecer. António Costa tem de ficar à frente do PS caso contrário acabamos com Francisco Assis a declarar que nada teve a ver com a frente de esquerda (o que é verdade) e meio ano antes das eleições o Assis é corrido  e o Costa de serviço (quiçá chamado Sócrates) vai para São Bento ou Belém.

Ainda não começaram a governar e já começaram com o passa culpas

9 Novembro, 2015

Catarina Martins diz que governo de esquerda vai ter “gigantescas pressões”

Ler, que vale a pena

9 Novembro, 2015

Salário mínimo: para além das médias

As posições estrumadas

9 Novembro, 2015

Olhando para a imprensa e para o vasto mercado de opinião, verificamos a utilização da expressão “posições extremadas” para caracterizar a actual situação política. A expressão não faz qualquer sentido apesar de soar quase correcta: é que o país está, sim, com posições estrumadas.

Sócrates, na sua senda de profeta construído numa base de muito dinheirinho e falta de escrúpulos para o distribuir, não só pelas suas próprias carteiras offshore como também por jornalistas com carências de sapatos e ares do Mediterrâneo, adubou o partido de figurinhas tão ocas como necessárias à ascensão do parecer-sobre-o-ser. Obviamente que estas figurinhas tinham que vir de novas áreas de identificação, como os putos emo do início do milénio, pneus recauchutados dos neo-românticos. Assim, uns vieram do nacionalismo bacoco, outros do elitismo pendurado no estatismo, outros do punk rectal de uma certa academia que só oferece a saída profissional de pano de polir, outros ainda directamente da alcofa mais próxima. O que quer que funcione para estrumar o florescimento do líder.

Quando foram buscar o Costa para resolver o problema decorrente da audácia de se dizer “não” a Salgado, o bónus seria puxar ali e empurrar acolá para relançar o Querido Líder na sua trajectória habitual: a de presentear audiências com a sua presença física, nem que para isso fosse necessário ouvir tretas patológicas sobre o eu-fragmentado, porque o Sócrates é o “eu”, nada mais que o “eu”, como o patético discurso xenófobo perante 140 parolos que se deslocaram a Vila Real para aparecer na TV tiveram oportunidade de ouvir, assim como os telespectadores de três canais de televisão em simultâneo.

Muito boa gente não acreditava que Costa fosse tão estúpido como sempre aparentou. Se um governo do PCP, tendo Costa como testa-de-ferro e moço de recados, não providenciar a prova necessária da incapacidade de Costa para se enxergar, o mais provável é que você seja ainda mais estúpido que Costa: não que tenha mal – cada um pode escolher aquilo pelo qual gostaria de ser recordado.

Pela minha parte, acolho de braços abertos este governo PCP* com um tosco inconsciente a primeiro-ministro: não porque creio servir de vacina para o futuro, sim porque que creio exactamente no contrário, que serve para que nos colocar num lugar – na melhor das hipóteses – mediocre que, como povo, merecemos.


* O Bloco não conta para nada nisto: basta dar-lhes um iPad que votam a favor de seja o que for.

Nota para comissão Pacheco Pereira: se é possível dizer que alguém é extremamente inteligente, também deve ser possível dizer que alguém é extremamente estúpido.

o que disse o comité central

8 Novembro, 2015
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Sucintamente:

1º Ninguém empossa um governo com a intenção prévia de o derrubar. Logo, o acordo com o PS tem a «perspectiva» de uma legislatura. Até porque essa foi a condição de António Costa para não dar pretextos a Cavaco;

2º Pelo PC a direita não ficará no poder (o povo de esquerda que não se esqueça disso nas próximas eleições);

3º Há um conjunto de medidas do nosso programa que o PS já aceitou, como reverter e pôr fim às privatizações (à especial atenção do camarada Arménio);

4º O PCP apoiará sempre medidas que sejam favoráveis «ao povo e aos trabalhadores», logo, e a contrario sensu, todas as outras que saiam do governo não terão o seu apoio: o PS que se cuide, que não passamos cheques em branco;

5º O PC apoiará um governo minoritário do PS e só com o PS;

6º Sobre o Bloco de Esquerda nem uma palavra: o PS que se entenda com eles e que não nos hostilizem.

Outros acordos de esquerda III

8 Novembro, 2015

2014: Costa e Beleza chegam a acordo: um terço de seguristas na direcção

2015: Costa afasta seguristas das listas do PS

Outras alianças de esquerda II

8 Novembro, 2015

2013: Costa faz acordo com Seguro sobre estratégia do PS

2014:António Costa avança contra Seguro

O problema dela e nosso problema

8 Novembro, 2015

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Entre os refugiados que chegaram a Portugal este fim de semana veio esta pessoa coberta de negro que se presume ser uma mulher.
Desejando uma boa estada à pessoa que assim se apresentou no país que a acolheu (e em que dirigirmo-nos a alguém com a cara tapada é sinónimo de doença, medo ou falta de respeito), não vejo ser possível que a pessoa em questão pretenda ser atendida num serviço público, num banco ou conduzir qualquer veículo. Presumo que também não pretenderá ter aulas nestes propósitos ou obrigar uma empresa a contratá-la para atendimento ao público.

E você já se vacinou?

8 Novembro, 2015

“Parte-se do princípio que precisamos de experimentar os modos de governar dos radicais de esquerda para constatarmos que eles não resultam.Acredita-se que face à evidência da catástrofe os povos ficarão vacinados. Por algum tempo, claro. Pois dá-se também como adquirido que não basta passar por isso uma vez mas sim que temos de afectar ciclicamente alguns anos da nossa finita vida a desempenhar o papel de cobaias da experiência governativa da esquerda radical e seus parceiros porque a memória-vacina dos seus desmandos vai perdendo eficácia.Como não acredito na teoria da reencarnação – logo só conto viver uma vez – e nasci nos anos 60 do século passado começa a faltar-me tempo para mais esta campanha de vacinação

Outras alianças de esquerda

8 Novembro, 2015

2007:António Costa e José Sá Fernandes chegam a acordo na Câmara Municipal de Lisboa

(Em 2007 Sá Fernandes era vereador independente eleito pelo Bloco)

2008: Bloco de Esquerda corta com José Sá Fernandes

2009: Sá Fernandes admite juntar-se a Costa

2009: António Costa e José Sá Fernandes formalizam acordo político

Resultados eleitorais do Bloco em Lisboa:

2007: 6,82%

2009: 4,56%

2013: 4,61%

Salário mínimo — efeito na margem

8 Novembro, 2015

Os Ladrões de Bicicletas publicam aqui um argumentário tentando demonstrar que o salário mínimo não provoca desemprego. A ideia principal é que, como em média o peso do aumento do SMN na massa salarial é baixo, nenhuma empresa deixará de contratar. O autor usa a média desse peso na economia e também algumas médias sectoriais.

Alguns pontos que deviam ser óbvios, mas que pelos visto lá no Ladrões de Bicicleta não são:

  1. Ninguém cria empresas par ter massa salarial. Os empresários criam as empresas para rentabilizar o capital que nelas investem. Portanto, o que interessa é o impacto do salário mínimo no lucro da empresa e não nos custos salariais. Por norma, numa empresa os lucros são uma pequena fracção dos custos pelo que se um factor tem um pequeno impacto nos custos terá sempre um impacto muito maior nos lucros.
  2. Quando se analisa o impacto de uma medida tem que se analisar o seu efeito nos casos marginais e não na média. O efeito será sentido em primeiro lugar pelos trabalhadores menos qualificados e sem capacidade de adaptação e pelas empresas mais dependentes de salários baixos. São estes trabalhadores que vão para o desemprego e são estas empresas que desaparecem.
  3. Como o efeito tem que ser analisado na margem, tem que se comparar o efeito de um aumento do SMN no lucro bem como o efeito do aumento do SMN na competitividade de um trabalhador quando comparado com soluções alternativas como por exemplo usar o que se paga ao trabalhador para melhorar a produtividade dos restantes adquirindo máquinas.

O desemprego aumenta com o SMN porque os casos marginais são excluídos do mercado. Não conseguem competir com modos alternativos de produção. A propósito, já repararam na proliferação de lavandarias self-service? Alguém fez as contas e concluiu que uma lavandaria seria mais rentável e chegaria a novos nichos se não tivesse trabalhadores. Quem são os trabalhadores que competem com as máquinas destas lavandarias? Trabalhadores que recebem salários próximo do mínimo em lavandarias normais. Aposto que lá no Ladrões de Bicicletas dizem que o peso do aumento SMN na massa salarial das lavandarias é baixo. Pois, mas um pequeno aumento pode tornar todo um negócio inviável porque a alternativa concorrente se torna mais lucrativa.

amanhã de manhã

7 Novembro, 2015
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«O mais difícil está feito», disse ontem António Costa a uma Ana Lourenço perfeitamente atónita, faltando agora, segundo a mesma personagem, resolver as «questões políticas», coisa fácil, como é legítimo presumir.

Ora, o que «já está feito» e que era, afinal, «o mais difícil, consiste no «programa de governo», que será o que o PS apresentou a eleições, mais umas coisinhas vindas do Bloco e do PC. Essas importantes contribuições, soube-se hoje, consistem em 70 medidas, mas fossem elas 700 que Costa as engoliria como quem toma um copo de água em jejum. Evidentemente que, do ponto de vista do PC e do Bloco, entre dizer-se que foram coniventes com a permanência da direita no poder e que lá puseram um PS obrigado a acatar medidas dos seus programas, não há hesitação. Nem se percebe qual poderia ser o prejuízo que estes dois partidos pudessem vir a ter com isto (já o PS é outra conversa…), muito menos ainda porque seria difícil que aceitassem ter medidas suas num programa de governo do PS, ainda por cima quando se tratam de medidas altamente populistas e politicamente rentáveis no curto prazo.

Quanto ao «mais fácil», é conseguir que PC e Bloco, não ficando comprometidos no governo, assegurem a tal «pax socialista» para os quatro anos da legislatura, o mesmo é dizer, passar um cheque em branco a Costa e ao PS e abdicar da sua condição de partidos de extrema-esquerda e de protesto. Isso, que está visto será facílimo, é que vai dar sossego a Costa, tranquilidade ao país e segurança aos credores. Amanhã de manhã, mesmo antes do pequeno almoço, já deve estar resolvido.

Se é para discutir, discutam sobre o assunto propriamente dito.

7 Novembro, 2015

Na secção de comentários vejo pessoas a discutirem sobre o governo da esquerda, se vem, se não vem, como é e como devia ser. Usem este post para isso. A premissa da discussão é esta: podemos discutir os méritos e deméritos de um governo de esquerda mas, será que discutimos esse governo ou a hipótese de Costa ser PM? Porque são coisas diferentes. Digamos de outra forma: se, por um terrível infortúnio, um piano caísse sobre António Costa esta tarde, haveria ainda alguma discussão sobre o tal governo de esquerda? Ou é o tal governo o projecto unipessoal de saída de um indivíduo que não tem escapatória excepto disparar em frente contra tudo e contra todos? Discutam.

Quando os grandes discursos da Humanidade se escrevem perante os nossos olhos

6 Novembro, 2015

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