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O turismo mata a alma

16 Junho, 2015

Ontem vi o Prós e Contras, um dos poucos programas de televisão verdadeiramente fundamentais para se perceber quem somos, para onde vamos e, sobretudo, quem nos atropelou. Ontem era sobre uma temática verdadeiramente inflamatória, o flagelo do turismo na cidade de Lisboa, dividindo os portugueses entre os que querem regulamentar os locais que os turistas devem frequentar e os que os querem afogar no Tejo. Não me senti representado, o que já é bastante habitual.

Ficamos a saber, por exemplo, que o turismo em Lisboa está a crescer tanto que o único desfecho possível é a geração de uma nova Detroit, arruinada por ter colocado todos os ovos no mesmo cesto, isto quando o Egipto recomeçar a receber turistas – adiantou a moderadora. Ficamos também a saber que há turistas que chegam à Portela e nem sabem o que são nêsperas, o que é suficiente para levar toda uma população a ímpetos de extermínio genocida perante qualquer forasteiro. Aliás, um senhor que reside num dos locais históricos da cidade – a Rua Castilho – nem consegue dormir com umas espanholas estudantes de Erasmus, dificilmente consideradas turistas, mas enfim, que saem à noite e ainda têm o desplante de tomar banho a altas horas da madrugada, evidente síndrome de Jerusalem do tipo III. Aparentemente, os turistas têm o mau gosto de frequentar os mesmos sítios, condensando a sua patética existência nos eixos Baixa-Chiado e Belém-Castelo, negligenciando colossos turísticos como Frielas, Unhos, Abrunheira e a zona industrial de Terrugem. Cascais, Sintra, Ericeira e Mafra também são bombardeadas por estas aves raras de máquina fotográfica em punho, porém, o eixo Famões-Loures é completamente negligenciado pelos turistas, que necessitam de novas centralidades para melhor compreender e respirar a cidade.

Aparentemente, o problema é tão grave que até os sem-abrigo não conseguem dormir convenientemente um sono reparador, tal o barulho que estes hooligans causam ao frequentarem estabelecimentos abertos para os receber, obrigando os locais a deslocarem o descanso que retempera forças para esquinas de ruas mais tranquilas, longe do reboliço dos pantomineiros estrangeiros que estragam a alma da cidade onde, inclusivamente, se consome álcool. A Anita fadista é obrigada a cantar fado numa padaria de esquina durante o dia e a noites de insónia durante a noite, tal a oferta cultural que mantém estrangeiros em reboliço ali à volta da sua residência.

Turistas, sim. Mas não os turistas low-cost, que só incomodam. Pessoas que pouparam na viagem de avião para canalizarem o benefício para outros estabelecimentos na cidade estão a degradar Lisboa, com a reabilitação de prédios em ruínas para o aluguer de quartos, que ficarão completamente vazios e ao abandono – tipo, em ruínas -, quando Lisboa se tornar Detroit pela paz que há-de chegar ao Egipto.

Queria, publicamente, pedir desculpa aos residentes de todas as cidades onde já estive. Desculpem, nobres europeus, de Trondheim a Málaga, de Vigo a Istambul, por todo o incómodo causado por mim e pelos meus compatriotas, pela perturbação da vossa pacata vida com a nossa disruptiva visita. Não tenciono regressar e agradeço desde já a vossa reciprocidade.

Fim-de-semana na parvónia

14 Junho, 2015

Não gosto de polvo. Já tentei, de várias formas, incluindo vendar os olhos e chamar-lhe bife, mas, infelizmente, não gosto, com mágoa minha; talvez pelo aspecto do bicho, talvez por ter tido um trauma com ventosas numa infância que o tempo escondeu no fundo da mente, talvez porque o meu palato não se coadune com o desejo de ingestão de cefalópodes. Talvez seja apenas uma virgem vestal no que concerne à ingestão de polvo.

Apesar da minha relutância em participar em festim onde o odor a polvo esteja patente, compreendo que pessoas gostem de comer polvo. Parece comestível e milhões de pessoas antes de mim dificilmente estiveram erradas na escolha do bicho para deglutir. Porém, há esperança para pessoas como eu, para que não me sinta tão só neste mundo que come tudo e não deixa nada: há cada vez mais crianças que não gostam da comida.

Em parte culpo o governo: a austeridade que mataTM, a nudez que cria cataclismos que destroem as nossas praias, a exploração petrolífera desenfreada que dá ao planeta mais uns 50 anos para sobreviver depois do meu fim terreno, não mais, nem menos, para que sintam a minha falta, que avisei, e eu também sou jurista. Por outro lado culpo os próprios alimentos: as crianças não podem estar erradas – até são dignas de notícia de jornal -, os alimentos actuais devem ser mesmo maus e o seu sabor deve ser a polvo.

Já não basta as crianças terem que passar as férias escolares em casa, longe da escola e dos seus cheiros, ainda por cima só comem o que lhes apetece. Se ao menos o Estado não se demitisse da sua responsabilidade educativa, poderíamos ter um menu escolar de várias páginas para fornecer uma alimentação equilibrada e de acordo com os gostos pessoais de cada indivíduo da comunidade escolar. Assim, com duas ou três opções por refeição, como poderão as crianças ter melhor desempenho no exames nacionais que não geram melhorias nas aprendizagens?

É que isto está mesmo tudo ligado e a culpa é do Cavaco.

O infantilismo, doença degenerativa do socialismo

14 Junho, 2015

Tema do meu artigo no Observador:  os partidos socialistas vão ficando cada vez mais fracos, os seus eleitorados mais irrealistas e disponíveis para apoiar os mais destravados populismos e as suas lideranças mais reféns dos índices de popularidade. (Qualquer semelhança com a actual situação do PS não é coincidência.)

Circulação de capitais

13 Junho, 2015

Doce ironia: a barraqueiro vai comprar a TAP com o dinheiro que o PCP andou a gastar em autocarros para se manifestar contra as privatizações.

Isso seria ainda mais ridículo, não acha?

13 Junho, 2015

Varoufakis: Proposta do FMI para reformar pensões na Grécia “é ridícula”
E qual é a proposta não ridícula que o senhor Varoufakis apresenta? Claro que ridiculamente não está pensar que sejam os ridículos contribuintes dos outros ridículos países a pagar o seu não ridículo plano? Isso seria ainda mais ridículo, não acha?

Coisas que nunca percebi

13 Junho, 2015

neste tipo de raciocínios do ex PGR Pinto Monteiro: “A sentença que venha amanhã a condenar ou a absolver [José Sócrates] é uma coisa secundária porque a comunicação social esmagadoramente todos os dias lança cá para fora coisas”.
Pretendem o quê?
a) não se investigam pessoas conhecidas?
b) investigam-se em segredo pessoas conhecidas?

pais maus e perversos

12 Junho, 2015
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Estes que querem reduzir o tempo das férias escolares dos seus filhos. Certamente foram vítimas de escolas tirânicas e castradoras, que os complexaram e os levam agora a tentar infligir aos seus filhos os castigos e penas porque eles em tempos passaram. Felizmente, ainda há pedagogos e cientistas sociais no Ministério da Educação para contrabalançar as coisas e proporem exactamente o oposto: que as férias aumentem! Esperemos que o bom senso triunfe e que os nossos bons-selvagens não sejam castrados no seu quase ilimitado direito natural ao repouso…

Algo correu muito mal nesta infância

12 Junho, 2015

Hoje é um dia bom para dar voz a todos os maluquinhos habituados a quererem coisas, normalmente um subproduto da existência de irresponsáveis dispostos a concedê-las. Este Jorge Ascenção, da Confap – que poderia ser Confederação Nacional das Associações de Palermas mas, na realidade, é mesmo a Confederação Nacional das Associações de Pais – farto que está de ter que aturar a canalhada durante o Verão, concede que os putos possam – vá – ter um mês de férias entre os períodos em que estão “na escola sem actividade lectiva, sem estar a estudar o programa curricular”. Isto porque “os miúdos precisam de respirar a escola sem ser dentro das paredes da sala de aula”, sei lá, nos telhados sem amianto ou na arrecadação com o professor que anda sempre de gabardina, a curtir a festa da arquitectura.

C’um caraças. De onde saem estas aves raras? O que lhes aconteceu no Verão de 1992 que os deixou assim, tão perdidos, deslocados, isolados num país tão cheio de liberdades para os gostos que cultivaram, tão desprovidos de meios financeiros para inscreverem os miúdos para a colagem de cartazes do doutor Costa ou para agitarem as redes sociais com solidariedade para com o Syriza? Quem lhes fez mal quando eram petizes?

Podem até tirar o socialismo do preâmbulo da constituição, não conseguem é tirar a imbecilidade ao maluco do socialista. Eu não quero os meus a respirarem “escola sem ser dentro das paredes da sala de aula” mas, se o Jorge Ascenção quer, não vejo motivo para não o enfiarem, junto com a família, a pintar as salas de aula das escolas da zona durante este Verão.

parque jurássico

12 Junho, 2015
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O PS insiste em viver num mundo arcaico e antigo, saído das catacumbas da primeira Revolução Industrial e da literatura marxista do século XIX, onde o público e o estado são sinónimos de qualidade e de excelência e o que é privado representa o vil interesse pelo lucro e a exploração desumana do próximo. Isto está absolutamente desfasado do mundo moderno, pelo menos do mundo moderno e civilizado, onde já há muito se compreendeu que quem gera riqueza são as empresas privadas e os indivíduos, e que o estado, quando muito, poderá não lhes dificultar excessivamente o percurso para gerarem riqueza e emprego.

Só por preconceitos desta natureza é que se pode atacar a privatização de uma empresa integralmente falida como a TAP, que sucessivos governos, muitos deles do PS, nunca conseguiram viabilizar e levaram à ruína com decisões políticas suicidas, que tem um passivo descomunal do qual jamais seria capaz de recuperar sem o crescimento do seu volume de negócios, para o que carece de ser capitalizada com dinheiro e equipamentos vindos de um investidor. Como também é gozar com as pessoas dizer, como tem dito António Costa, que uma empresa falida e com um passivo gigantesco só poderá ser privatizada a 49%, o que pressupunha encontrar um imbecil que estivesse disposto a entrar com milhões para tapar o buraco financeiro da companhia e que depois ficasse a ver os gestores públicos nomeados pelo governo a gastarem alegremente o seu dinheiro. Isto, como é óbvio, não existe no mundo real, e só se o PS presumisse que o investidor da TAP continuasse a ser o contribuinte português é que se pode adiantar uma sugestão deste quilate. Felizmente, a União Europeia também vedaria esta solução: no mercado comum, as empresas que não são viáveis vão à falência, ponto.

É por causa destas e de outras parecidas com estas, por pertencerem a um mundo pré-histórico que as pessoas sabem que já não existe, que os partidos socialistas europeus têm vindo a perder eleitorado e muitos deles arriscam desaparecer do mapa. E o PS ou muda de conversa ou poderá muito bem vir a seguir pelo mesmo caminho.

Desde que a indústria cervejeira deixou de estar nacionalizada

12 Junho, 2015

que não se vivia um dia tão triste em Portugal como este em que foi decididida a venda da TAP.

A TAP é a última gesta de um país que não se vende, que não verga e em que a realidade não passa de um tigre de papel face à nossa vontade. E a nossa vontade é que Portugal seja o nosso Portugalzinho, com a nossa TAP, a nossa CIMPOR, as nossas cidades cheias de mercearias, drogarias e lojas de roupa que fecham à hora do almoço, o nosso Metro que não é o de Moscovo mas que gostava de ser e o nosso Grupo Espírito Santo que a bem dizer nem se distinguia do regime.

Este nosso Portugalzinho aconchegadinho onde todas as empresas têm o seu amparosinho não é socialista, nem comunista, nem social-democrata. É simplesmente o filho do mais português de todos decretos, essa espécie de Malhoa legislativo, o 474/75, emanado pelo Ministério da Indústria e Tecnologia que a 30 de Agosto de 1975 nacionalizou a indústria cervejeira em nome “de uma política económica posta ao serviço das classes trabalhadoras e das camadas mais desfavorecidas da população”.

Em 1975, os portugueses bebiam cerveja sem qualquer problema, a cerveja era produzida sem qualquer dificuldade, o sector, no dizer do texto do decreto, era “altamente lucrativo” mas no Portugalzinho de 1975, tal como no de 2015, um negócio não se legitima simplesmente por correr bem. Em 1975 nacionalizava-se. Em 2014 não se nacionaliza mas é-se contra as privatizações. E em 1975 como em 2015 qualquer actividade económica tem de estar social e ideologicamente contextualizada. Em primeiro lugar seja o que for tem de dizer estar ao serviço das camadas mais desfavorecidas (esta visão bolo de bolacha da sociedade faz-me alguma confusão mas é o que há e garante logo vários milhões em benefícios fiscais). Ler mais…

Dê mais tempo a quem precisa

12 Junho, 2015

Quando caracterizamos alguém que diz que “é uma vergonha vender a TAP por metade do Jorge Jesus” como deficiente mental, estaremos a insultar alguém? Acho que não, estamos apenas a caracterizar de forma rigorosa a pessoa democrata que o diz, de acordo com a ética republicana e essas coisas.

Ideia do dia

12 Junho, 2015

A TAP foi vendida por metade da dívida do PS.

É uma vergonha argumentar assim mas talvez o PS esteja disponível para pagar a dívida da TAP

12 Junho, 2015

“É uma vergonha vender a TAP por metade do Jorge Jesus” – deputado Rui Paulo Figueiredo, PS

A propósito da TAP que vai deixar de ser nossa

12 Junho, 2015

alguém sabe como vão os Estaleiros de Viana desde que deixaram de ser nossos? Era bonito que o o PS se for gorverno também os comprasse.

Não percebem uma indirecta

11 Junho, 2015

Os portugueses esforçam-se para dar uma vitória eleitoral ao PS apesar de António Costa e o PS fazerem de tudo para dissuadir a população de tamanha irresponsabilidade. Agora é “PS suspende privatização se vencer eleições”. Se nem isto chegar para perder eleições, só restará a Costa rogar explicitamente aos portugueses para que não votem nele e, mesmo assim, não sei se chegará.

nas alturas…

11 Junho, 2015
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Ou ele não percebeu o que lhe está a acontecer. Ou nós não percebemos o que está a acontecer

11 Junho, 2015

“Paguei todos os jantares. Isso vale alguma coisa para a sua cabecinha?” –– José Sócrates dirige-se nestes e noutros termos similares ao procurador que dirige a investigação do “caso Marquês”, Rosário Teixeira. Perante o teor desta resposta só há duas possibilidades: ou Sócrates não percebeu o que lhe está a acontecer. E isso é uma tragédia pessoal. Ou nós não percebemos o que está a acontecer E isso é uma tragédia nacional.

A isenção perfeita

11 Junho, 2015

Num post anterior, um comentador pediu-me para dizer mal de alguém, porque isto de dizer mal de quem ele gosta não está com nada, é preciso é ser verdadeiramente imparcial e dizer mal de quem ele não gosta. Parece-me uma boa ideia: cria-se um comité que decide o que é ou não publicado, de acordo com um critério democrático que consiste em recolher todos os pontos de vista e publicar essas – digamos – opiniões por ordem de quem berra mais. No fundo, uma delegação universal do culto socrático.

Começando então hoje o processo de discos pedidos: cada comentador interessado num tema deve dizer a frase e explicitar três virtudes de Sampaio da Nóvoa de forma a poder pedir um artigo a dizer mal da pessoa do PSD ou CDS da sua escolha. A frase do dia é: “já me passou a assadura da festa da arquitectura”.

Contemplando então o leitor reformaantecipada1967, que já disse a frase e apontou a Sampaio da Nóvoa as três virtudes – a saber: magrinho, comunista e taralhouco -, o tema é “Dias Loureiro, o bandido”. Ora, aqui vai disto, Evaristo:

Dias Loureiro é um bandido, diz-se por aí, dispensando julgamento e, para quê complicar?, dispensando também acusação. Acho mal que não se julgue Dias Loureiro na praça pública e, caso seja inocentado pelo tribunal popular, acho bem que interrompa a sessão parlamentar para receber abraços e beijinhos de quem estiver presente a discutir o fim da austeridade. Em qualquer dos casos, quer seja considerado culpado ou inocente pelo tribunal popular, acho que se deve imputar toda a culpa a Cavaco Silva pela desfaçatez de ter completado a A1, tornando assim o projecto de auto-estrada rosa na terceira Porto-Lisboa e não na segunda, como era suposto.

O comentador que teve esta ideia foi genial: isto de sermos perfeitamente isentos é muito libertador.

De disparate em disparate

11 Junho, 2015

O discurso que Cavaco devia ter feito

11 Junho, 2015

Sei que não devia ser eu a estar aqui. Contudo e já que tive a desfaçatez de me candidatar e os portugueses a sem razão de me escolherem vou fazer o meu último discurso como PR nesta data. Dentro de um ano espera-se que o país tenha voltado a ser o que deve ser.  Não interessam os números, não interessam os resultados. Interessam os símbolos. E Portugal tem simbolicamente  de ser o que é: um país em que a esquerda governa. Isso é natural. Isso é a República.

Pode Portugal ser algo fora disso? Pode. Mas para quê? Portugal não é um país para ser governado. Portugal é um pretexto para que bilhem aqueles a quem o poder naturalmente pertence. Para que aqueles em que encarnou a ética (republicana que só essa existe) ofusquem. Para que ele sejam. Portugal tem de voltar à sua gente. Essa gente a quem a rua, os salões, os gabinetes,as redacções pertencem. Pois só na sua gente e com a sua gente o País se cumpre.

Prática versus teoria

11 Junho, 2015

Não há referência, no programa eleitoral do PS, à revisão da prisão preventiva para investigar.

Preocupações sobre o tema esgotam-se num certo caso particular.

Não se percebe como o 10 de Junho não foi transferido para a prisão de Évora?!

10 Junho, 2015

TVI a caminhar para TeleSocrates: Apesar de Sócrates ficar de fora das condecorações, Cavaco vai distinguir dois antigos ministros socialistas. E logo ministros que exerceram funções em governos socráticos.

então e os outros?

10 Junho, 2015
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O pessoal político próximo de José Sócrates tem utilizado a estratégia de intoxicação subtil da opinião pública e de diminuição do Ministério Público e do Juiz de Instrução manifestando estranheza e incómodo por, meses passados sobre a detenção preventiva do antigo líder, não haver ainda uma acusação. Com isto insinua-se que José Sócrates está ilegalmente detido e que o MP anda aos papéis, sem saber como o acusar, por falta de provas. Esta versão do que se está a passar é desonesta e indigna de pessoas que exerceram e pretendem voltar a exercer funções de responsabilidade política, como o augusto Augusto Santos Silva, que ainda ontem considerou «todo o processo muito peculiar», porque, «cerca de meio ano depois, ainda não há acusação».

A desonestidade disto é evidente, porque se pretende confundir a prisão preventiva de um arguido, que tem regras, requisitos e prazos previstos na lei, com a acusação desse mesmo arguido, fase processual para a qual a lei estabelece também prazos e requisitos, que não são, nem uns nem os outros, os mesmos da prisão preventiva. No caso, o MP pediu a prisão preventiva de Sócrates por considerar que se verificavam, neste arguido, dois dos requisitos que a lei considera suficientes para a decretar: perigo de fuga e de perturbação do inquérito (não apenas «destruição de prova», como insidiosamente se deixa cair nos comentários) e o juiz de instrução considerou-os válidos, assim como as instâncias superiores para as quais os advogados de defesa recorreram destas decisões; e está, o MP, a preparar a acusação, reunindo as provas que entender necessárias para a fundamentar, no prazo que a lei lhe concede e que não está ainda vencido.

Mas existe uma outra desonestidade destas personagens, desde logo do augusto Augusto Santos Silva, que raia o cinismo e a ignomínia: é que eles tiveram, têm e pretendem voltar a ter responsabilidades políticas, e nunca se lhes foi vista qualquer preocupação com o estado em que se encontram as muitas centenas (milhares?) de presos preventivos que estão nas cadeias portuguesas, sobre a sua posição processual, desde logo, sobre o cumprimento dos prazos acusatórios, e até de alguns, os mais desvalidos e desprotegidos, entregues a advogados oficiosos ou pouco escrupulosos, que não acompanham os prazos da prisão preventiva e muitas vezes os deixam passar sem requererem a libertação dos seus clientes, que continuam pelas cadeias até que alguém note que eles já cá deveriam estar fora.

Qualquer pessoa que estivesse, de boa fé, na posição do augusto Augusto Santos Silva aproveitaria a sua condição de responsável político, de ex e de putativo futuro ministro, para suscitar ao Ministério da Justiça, aos Serviços Prisionais ou seja a quem for com responsabilidades nesta área, uma auditoria à situação dos presos preventivos nas cadeias portuguesas, de modo a apurar, caso a caso, a situação de cada um deles e manifestar os mesmos horrores que manifestam agora sobre a detenção preventiva do seu antigo chefe. Menos do que isto é abusar da ignorância das pessoas, para manipular a justiça. A tal de quem eles sempre dizem que deverá seguir o seu curso sem pressões.

O borboleta que é uma traça

10 Junho, 2015

José não é condecorado hoje, após anos de sacrifício – o nosso – e de esforço – o do amigo – para que a obra fale por si própria. Mártir do seu próprio sistema prisional, vítima da sua própria revisão do código da prisão preventiva, unicórnio dos desejos humanos de um mundo de meritocracia a crédito e sem juros, José não receberá, na prisão, uma medalha pelo esforço de unificação orçamental europeia forçada, nem pela mármore escolar, nem pelo casamento entre o homem seu semelhante, nem pela amizade com Chavez, nem pelo Magalhães nos postos de carregamento do carro eléctrico, nem pelas ventoinhas subsidiadas nos montes, nem pelo PEC, nem pelo PEC II, nem pelo PEC III, nem pelo PEC IV, nem pelo memorando da Troika, nem pelo amor a todos, nem pelo comentário, nem pela “narrativa”, nem pela “inverdade”, nem pela “resiliência”, nem pela tomada de posição perante o vil jornalista, nem pela liberdade de expressão, nem pela tenda do Gaddafi em Cascais, nem pela subida do défice porque quisemos, nem por ter levado temporariamente o Freitas, nem pelo chip, nem pelo DEM, nem pelo jogging e tabaco na TAP, nem pelas camisas, nem pela namorada com quem dormia e por isso não podia ser gay (não que tivesse algum mal), nem pelo Freeport, nem pela dedicação escolar ao Domingo de manhã, nem pela co-incineração, nem pela limpeza abrantina da Wikipédia, nem pela Face Oculta, nem pelos robalos, nem pela nacionalização do BPN, nem por chamar estupor ao Schäuble, nem por livrar a mãe de herdeiros pouco meritórios, nem pela introdução da expressão “a velha” em campanha eleitoral, nem por nada, nem por tudo.

A culpa parece que é do Cavaco, que continua a não fazer o arremesso da medalha da condecoração para o pátio da prisão. Este Cavaco é capaz de ser antipático.

O país tem de suspender a sua vida por causa das coincidências

10 Junho, 2015

João Soares considera, relativamente ao caso Sócrates, que “há coincidências temporais muito esquisitas”. Declarações feitas à TVI24, esta terça-feira, quando questionado sobre a hipótese de uma acusação surgir em pleno período de campanha eleitoral. Soares lembrou ainda a expressão popular “eu não acredito em bruxas, mas que as há, há”: “Há aqui coincidências temporais que são de facto esquisitas. Mas não me parece que haja uma relação de comando mecânico entre a Justiça e o poder. […] Espero que ele [Sócrates] possa provar a sua inocência.”

Logo a começar o PS não devia ter feito a sua convenção para uma data em que sabia que ia ser revista a medida de coação. Depois temos os demais encontros partidários, a campanha eleitoral, as eleições elas mesmas, as condecorações do PR que com o agora mesmo se explicava na SIC com comoção dolorosa nunca condecorou Sócrates mas vai condecorar Teixeira dos Santos que, explica a vozinha off consternada, fez o pedido de ajuda externa contra a vontade de Sócrates… enfim Portugal não pode continuar sem Sócrates.

o processo de sócrates

9 Junho, 2015
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A reacção do Ministério Público e do juiz titular do processo de José Sócrates não poderia ser outra da que foi tomada, depois do acto desafiador do arguido detido em prisão preventiva, de não aceitar a prisão domiciliária. E não podia ser perante a lei e perante a opinião pública, porque Sócrates e os seus advogados disseram que aceitar a prisão domiciliária seria manter a «injustiça» cometida desde o começo do processo e «validar o erro original do MP». Logo, a contrario sensu, qualquer outra medida menos grave equivaleria ao reconhecimento desse mesmo «erro», o que não só viraria a opinião pública contra os titulares do processo, como condicionaria mesmo a posterior apreciação e juízo do tribunal de julgamento. Por outro lado, convém não esquecer que o MP propôs a pulseira magnética por recear a fuga do arguido. Tem razão ou não tem, é discutível. Mas é esse eventual perigo, e não as ofensas sentidas por Sócrates, que o juiz de instrução tem de ponderar na sua decisão. E, pela decisão tomada, parece que o considerou muito elevado.

Posto isto, é da maior urgência a saída da acusação. E bem fundamentada, obviamente. Ainda que esta se circunscreva à factualidade já conhecida e apurada, deixando para outras núpcias outros eventuais factos prementes, mas que careçam de melhor investigação. Cada dia que passa, sobretudo depois desta inteligente atitude política de José Sócrates, é um dia perdido para a acusação e favorável ao certamente futuro acusado.

A TAP pode ficar Azul

9 Junho, 2015
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TAPAzulExcluído que está o “candidato nacional”, o “aristocrata” Pais do Amaral que pretendia ser capitalista sem capital, podemos já contar com pungente choradeira do “Nicolaço” pela perda de mais um “centro de decisão”. Dos 2 candidatos remanescentes, ambos sul-americanos, parece-me que a brasileira Azul será aquela com melhor potencial para relançar a TAP. Ler mais…

Dia 12, sexta

9 Junho, 2015

Saber mais

I’m with stupid

9 Junho, 2015

im-with-stupid1Tsipras, Tsipras, companheiro, amigo, tu não estás a compreender o filme, pascácio. Os países do sul, ao contrário do que tu pareces conseguir perceber, não só apresentam uma frente unida como estão mesmo unidos. Talvez não consigas ver isso porque, bem, porque tu és o tolinho que está do outro lado da barricada, a imaginar conspirações e a delirar com vícios de puto burguês, percebes? És tu de um lado e os outros todos do outro. Sabes quando entras no elevador e toda a gente se ri sem saberes porquê? Eu sei, eu sei, alguns gregos votaram em ti, a maioria dos que se deram ao trabalho de votar, até. Mas isso dá-te legitimidade para seres o primeiro-ministro, não te dá o passe social para te armares em parvo.

Eu sei que o António Costa até curte o que tu dizes, até vê em ti uma esperança, uma luz ao fundo do túnel que permita continuar a tratar eleitores como uma cambada de estúpidos, como tão bem funcionou aí contigo, mas o gajo vira-te as costas se perceber que consegue obter mais votos a considerar-te um lunático. Pronto, o Rui Tavares vai a caminho e juntos ides conseguir escrever um manifesto, talvez um livro, e pronto, de razões está o inferno cheio, leva lá a bicla enquanto ainda te dão troco em vez dos cachaços que mereces, pá, e aproveita este rodapé que os livros de história te dedicarão.

Nos outros assaltos os assaltantes amam os assaltados

9 Junho, 2015

Um relatório das National Coalition of Anti-Violence Programs (NCAVP), uma associação norte-americana, revelou que, no ano passado, o número de homicídios de pessoas LGBT e de portadores do vírus do HIV aumentou 11%, refere o Guardian. As mulheres transgénero de cor continuam a ser as principais vítimas.“Sabemos que muitos incidentes são classificados como simples assaltos e que não existe nenhum componente de ódio óbvio. Sentimos que a vida das pessoas está presa num ciclo burocrático”, disse Chai Jindasurat ao Guardian.

Qual é a admiração?

9 Junho, 2015

Com o facto do MPLA exercer o poder autocraticamente? Sempre assim foi. Só que durante muitos anos, os mais sanguinários, o MPLA contou com fortes apoios na esquerda portuguesa e no mundo do progressismo. Não mudou nada. Ou melhor op MPLA de hoje é bastante mais tolerante do que de há alguns anos. Mas quanto ao resto nada mudou. So não viu quem não quis ver.

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Massas

9 Junho, 2015
O rigor, a forma como a massa se dobra sobre si própria, providenciando um saco cama para 21 gramas de ricota e espinafres.

O rigor, a forma como a massa se dobra sobre si própria, providenciando um saco cama para 21 gramas de ricota e espinafres.

Se a massa da Ana, do Rui e do gato é, no total, 76 kg e se a massa do Rui é 36 kg e a do gato é 5 kg, isso significa que a massa da Ana é 35 kg. A Ana pesa sobre a superfície terrestre aproximadamente 343,7 N.

Ora, se a actual massa do Ferreira Fernandes for de 80 Kg, contando o factor Iñarritu e Arriaga, o seu peso quando raciocina será de aproximadamente 80,021 x 9,82 ≈ 785,8 N, uma força que, em modo automático, até magoa um prado verdejante.

A idade conta

9 Junho, 2015

“Irmos para a reforma aos 66 anos? Qual é o homem que vai conseguir manter a segurança na rua com 66 anos?”, pergunta César Nogueira, da APG.- O desempenho da ministra da Administração Interna com as polícias parece-me próximo do desastre mas antes que comece esta ladainha convém esclarecer que boa parte das tarefas desempenhadas pela GNR podem ser exercidas por pessoas com 66 anos e mais. A isto junta-se que a juventude das patrulhas não é propriamente uma coisa boa. A presença de elementos mais velhos pode contribuir para uma intervenção mais assisada

O estudo comprovativo

9 Junho, 2015

O ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa enviou questionários a cerca de três mil médicos, divididos pelas várias especialidades, sendo que 37 deles eram oncologistas.  Segundo mais de metade dos médicos inquiridos, os doentes têm faltado mais a consultas. O mais espantoso vem a seguir: a análise sublinha ainda que os dados sobre as faltas dos doentes às consultas não deverão estar ligados a um aumento do número de consultas no Serviço Nacional de Saúde: “A perceção do aumento do absentismo dos doentes é mais elevada entre os médicos que afirmam não ter havido um aumento de atividade no SNS, do que para os médicos que afirmaram existir esse aumento. Assim, o absentismo dos doentes não parece ser reflexo do aumento da atividade no SNS. Não sendo possível determinar quais as razões desse comportamento, as análises realizadas sugerem dificuldades no acesso”, referem os autores.

Assim ficamos a saber;

a) Terá havido aumento de actividade do SNS

b) Isso não interessa nada. O estudo destinava-se a comprovar que os utentes faltam aos tratamentos oncológicos por razões socioeconómicas

c) As únicas declarações que interessam para o estudo são as dos médicos que afirmam não ter havido um aumento de atividade no SNS

d) “Não sendo possível determinar quais as razões desse comportamento” ( o absentismo) recorre-se a certeza que já existia anteriormente: ps doentes faltam ás consulta spq não pdem pagar os transportes e as taxas moderadoras.

e) Ou Sócrates sai  a tempo de Évora e se candidata a qualquer coisa ou a TVI acabará a entrar em estado depressivo

Análise política do dia

9 Junho, 2015

Acções de Sócrates são consistentes com o seguinte plano: perturbar a campanha de Costa para o fazer perder e possa chegar a líder do PS depois das eleições.

Summer of Love (reprise)

8 Junho, 2015

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Separação de poderes

8 Junho, 2015

A mãe de um rapaz norte-americano, nascido em Jerusalém, pediu que no passaporte do filho constasse como local de nascimento “Israel”. O pedido foi recusado, dando início a uma longa batalha judicial, que terminou hoje.

Em 2002, o Congresso americano aprovara uma lei que impunha aos serviços responsáveis pelos assentos de nascimento e emissão de passaportes o dever de fazerem contar daqueles documentos a indicação “Israel”, caso tal fosse solicitado pelos interessados nascidos em Jerusalém.

O problema é que os Estados Unidos nunca reconheceram a soberania de Israel sobre a cidade de Jerusalém. Desde 1948, quando o Presidente Harry Truman reconheceu o Estado de Israel, que Jerusalém ficou de fora. Nenhum dos Presidentes que se seguiram alterou esta posição.

A lei que o Congresso aprovara parecia contrariar aquela posição oficial, pelo que e a questão, em si mesma quase insignificante, acabou no Supreme Court. Ler mais…

Mas se suspeitar que tem um ossinho partido não vai dizer que não quer fazer raio-X pois não?

8 Junho, 2015

O secretário-geral do PS, António Costa, admite acabar com os exames nacionais para os alunos mais novos. “Tal como um raio x não cura um doente também um exame não faz a aprendizagem dos alunos”, disse.

Summer of Love, 2015

8 Junho, 2015

Costa continua a mentir-vos, cheio da pujança balofa de quem tem certeza estar perante plateia exclusiva de imbecis, ao afirmar que reduziu a dívida da câmara de Lisboa em 40%. Ele sabe que mente, vocês sabem que ele está a mentir: enfim, típico ritual de acasalamento.

É uma perda de tempo explicar que a perspectiva muda quando se consuma o acto amoroso. O instinto diz-nos para nos reproduzirmos; a emoção diz-nos que o baldas da mota tornaria o imperativo biológico em diversão; a razão diz-nos que mais vale só do que mal acompanhado, mas só depois da fatídica noite. Costa promete-nos o regresso à inocência virgem de quem sabe que vai ser comido por lorpa mas ainda não se importa. É uma campanha de Verão, para adolescentes. Tem tudo para funcionar.

A reforma faz bem à saúde?

8 Junho, 2015

A pergunta- A reforma faz bem à saúde? – é de Maria João Valente Rosa  responsável pela PORDATA,. Em entrevista ao Observador questiona a actual forma de organização dos tempos ao longo da nossa vida; “Esta organização que nós temos de sociedade foi montada para sociedades muito jovens, em que existiam poucos velhos, as pessoas viviam pouco tempo depois dos 65 anos. A pessoa tinha um tempo para estudo, tinha um tempo para trabalho e um trabalho extremamente intensivo. Eram sociedades muito marcadas pela força física, pela intensidade física do trabalho. Neste momento o que marca as sociedades não é tanto o músculo físico mas mais o músculo intelectual (e o músculo intelectual não tem idade!). E nós montámos essa organização de ciclos de vida: uma idade para se formar, uma idade para se trabalhar… E de um momento para o outro a sociedade mudou e continuamos com esse modelo, como se fosse um modelo que tivesse de ficar para sempre.” “A pessoa tem uma vida completamente centrada em algo que é o trabalho e de um momento para o outro perde esse trabalho. Eu sei que as pessoas anseiam pela reforma (…) mas passados dois anos, três anos há um vazio profundo. E há um vazio não só em relação a elas próprias como em relação àquilo que eles têm para transmitir aos outros. E isso é terrível a nível individual. Resta saber e essa é a pergunta que eu sempre faço: a reforma faz bem à saúde?”