O repórter não estava lá
Conferencia de impresa da ministra das finanças e do vice-primeiro-ministro. Dezenas de jornalistas.
E não houve um que perguntasse à ministra «e quantos milhares de milhões de euros custou ao erário público a demissão em Julho desse senhor que está ao seu lado?»
Em sueco seria ainda mais giro
Não é que por norma valha muito a pena perder com tempo com ele. Mas desta vez talvez se justifique. É que pelos vistos aderiu à auto-flagelação. Façamos-lhe então, por uma vez, a vontade.
Afirmou o PR que é «masoqusita quem afirma que a dívida portuguesa é insustentável». Ora, sendo o próprio PR um dos que, avisada e atempadamente referiu e vem referindo tal coisa, o facto de agora criticar-se a si mesmo e de forma violenta apenas pode querer dizer que pretende ser fustigado.
Leio na Wikipedea que «Em um sentido extenso pode-se considerar como masoquismo também a forma de prazer com a humilhação verbal.».Tudo bate certo.
Equações à portuguesa
Quando um funcionário público afirma que o aumento de N horas de trabalho origina aumento 0 de produtividade, levanta, inconscientemente, a questão de a diminuição de N horas de trabalho originar decréscimo 0 de produtividade. Isto levanta a questão: qual é afinal a produtividade desse funcionário público por M horas de trabalho?
Como era o Roosevelt, perdoa-se…
Ricardo Reis no Dinheiro Vivo:
A propósito de Angola
Agora que tanta gente está interessada em Angola, talvez seja de ler este artigo da Forbes de há um mês:
Daddy’s Girl: How An African ‘Princess’ Banked $3 Billion In A Country Living On $2 A Day
Cordão humano já!!!
EE UU captura al cabecilla de los atentados de Kenia y Tanzania de 1998
RAZÕES PARA UMA FORTE MOBILIZAÇÃO DE INDIGNAÇÃO CASO O PRESIDENTE FOSSE REPUBLICANO
A) OS ATENTADOS FORAM HÁ MUITOS ANOS E OS SEUS AUTORES LEVAM AGORA UMA VIDA DE APOIO AOS POBRES
B) Os EUA não estavam mandatos para fazer estas operações fora do seu território
C) Onde estão os detidos?
D) Quem defende os detidos’
e) AS MULHERES E OS FILHOS DOS DETIDOS encontram-se numa situação de enorme fragilidade. A mãe de um deles está em Bruxelas adar conta da sua versão dos acontecimentos
f) Os detidos pelos EUA não têm nada a ver com os atentados – cuja autoria é aliás muito duvidosa e onde a presença da Mossad não e de excluir –
………………. etc… etc……
Seja Bom Observador
5 de Outubro de 2013
Manifestação “Que se lixe a troika” – 50 pessoas
Manifestação “Caminhada pela vida” – 500 pessoas
Compare a cobertura informativa e descubra as diferenças.
Obs 1. Como é óbvio provocar uns desacatos tb ajuda: Manifestação do “movimento que se lixe a Troika ” terminou com incidentes
Obs. 2 Com mais detalhe ver aqui
Não podemos diluir a culpa?
Décadas de erosão da responsabilidade pessoal permitiram culpar os media, os políticos, os economistas, os padres, os gestores, os banqueiros, os presidentes, os tribunais, a constituição, os partidos, os grupos de interesse e a mãe de alguém. Enquanto não existirem culpados individuais, dilui-se a culpa pelo “isto é sempre a mesma coisa”.
António Costa parece ter percebido isso, propondo agora uma espécie de consenso (mas do bom, de esquerda), consenso este que permitirá desviar as culpas do Partido Socialista para mais um “fomos nós todos” que causará mais problemas aos que querem expurgar o ex-PM da equação que ao governo em funções.
está confirmado
António Costa formaliza a sua candidatura a líder do PS.
O melhor é estabelecer uma quota nacional e tirar por sorteio
Sólo el 1,5% de los británicos reconoce ser homosexual La lucha de Cameron por los derechos de este colectivo no repercute en un aperturismo de la población
Este título do ABC é um condensado do politicamente correcto sobre a homossexualidade:
a) Sólo el 1,5% – Deviam ser mais?
b) reconoce ser homosexual – Têm de reconhecer?
c) La lucha de Cameron – Aquilo que o jornal designa como luta de Cameron em que medida interessa os visados?
d) derechos de este colectivo – Ser homossexual integra as pessoas num “colectivo”? Porquê? Os heterossexuais integram o “colectivo” heterossexual?
e) aperturismo de la población – A abertura da população traduz-se em aderir à luta do PM? É o velho confronto iluminista: o povo é reaccionário quando não adere às teses dos comités que ao longo dos tempos determinam o que devemos fazer
Para o infinito… e mais além.
“Não te esqueças de pedir também um dossier completo de cada fornecedor desse teu potencial fornecedor. Tens que ter a certeza que os fornecedores do teu potencial fornecedor cumprem as normas. O mesmo deverá acontecer para os fornecedores dos fornecedores do teu potencial fornecedor, para os fornecedores dos fornecedores dos fornecedores do teu potencial fornecedor e para os fornecedores dos fornecedores dos fornecedores dos fornecedores do teu potencial fornecedor.
Isto sempre até ao início da cadeia produtiva. Penso que compreendes a ideia. Muitas roupas que se vendem por aí têm na sua origem matérias-primas que vêm de ditaduras como a Birmânia ou Israel e deves evitar sempre que os teus produtos estejam manchados do sangue cruel da violência dos despotismos autocratas de direita.”
Estes parágrafos faziam parte de uma pretensa carta de Raquel Varela a Martim, que publiquei neste blog em Maio passado. Na altura surpreendi-me por algumas pessoas terem tomado a carta por verdadeira. Acontece que a realidade, por vezes, consegue igualar e mesmo ultrapassar a mais inverosímil ficção. Tim Worstall conta a história, no ASI.
fmi já não vem

Machete
Condição de sustentabilidade da dívida
Em que condições é que a dívida pública portuguesa é sustentável? Isto é, em que condições a dívida começará a descer? Usando este simulador (via Insurgente) conclui-se que para uma inflção de 1,5% e um crescimento do PIB real de 1%, a dívida é sustentável para um défice de 3% (gráfico abaixo).
Note-se que o limiar de sustentabilidade é para um défice ligeiramente acima, cerca de 3,5%. Para atingir este défice a partir do défice actual é necessário reduzir o défice dos actuais 6% para 3,5%, ou seja é necessário cortar 2,5% do PIB à despesa, o que dá cerca de 4 mil milhões de euros.
Quer dizer que o PS desistiu de ser Governo?
Ainda bem que o país mudou de estratégia
Há cerca de 1 mês havia a teoria de que toda esta austeridade é desnecessária e que só nos era imposta porque o governo português não defende o interesse nacional e não enfrenta a Troika. A esperança na altura era o Paulo Portas, que foi muito elogiado por ir falar com os patrões da Troika em vez de falar com os subaltaernos que vêm fazer as avaliações. Em vez de um omisario da Troika, como o Gaspar, o país tinha finalmente um governante que o defende. Nada seria como dantes. O défice de 4,5% seria a primeira vitória. Os mercados iriam tremer. O consumo, o crescimento do mercado interno, vinham já a seguir. Pois …
Os republicanos são maus, feios e sem coração*
A cobertura informativa do shutdown nos EUA é um caso exemplar de como fazer notícias ouvindo só uma parte.
*Às vezes têm umas intermitências de bondade. Coisa breve.
Discriminando as discriminações
Em Espanha uma escola de condução acabou em tribunal por causa de discriminar as mulheres. Para já livraram-se de pagar a multa mas o caso ainda não está encerrado: Anulan la sanción a una autoescuela de Aragón por discriminar a mujeres
Contudo o sexo influencia o preço do seguro automóvel – as mulheres pagam em média menos. Isto para não falar dos muitos prémios científicos, empresariais … reservados unicamente a mulheres. Enfim é caso para dizer que os zelotas discriminam as discriminações.
Uma ajuda para a compreensão da vitória de Isaltino
Disclaimer: não voto em Isaltino desde 2001, quando teve a sua maior votação de sempre, cerca de 55%.
Daniel Oliveira não compreende porque é que Isaltino ganhou as eleições, sendo Oeiras “o concelho com maior percentagem de licenciados de Portugal”. Na televisão, na noite das eleições, um comentador dizia não compreender como é que isto podia acontecer no concelho com maior nível de vida do país. Um outro bloguer mostra-se confuso com a vitória, até porque “rezam as estatísticas que Oeiras é o concelho do país com maior literacia… “ E há o apoiante de Moita Flores que dizia na noite de Domingo, “isto é uma vergonha, num concelho que foi o primeiro do país a eliminar as barracas e onde o nível de vida é maior”. Ou um grande amigo que vive em Almada e que argumentou algo como “Pois, pois, têm as Quintas das Fonte, os Lagoas Parque, os Arquiparque, os Tagus Park, tem essas empresas ricas todas, mas depois escolhem a lista de um presidiário.” Ou um partido que dizia na campanha que seria uma uma contradição eleger Isaltino no concelho com maior ‘derrama’ no país.
Ora bem. Se ainda não compreenderam porque é que a lista de Isaltino ganha sempre as eleições em Oeiras, sugiro que leiam outra vez o parágrafo acima. Leiam tantas vezes até compreender.
ó joaquim, venham daí umas sugestões
Já que o Tozé não as quer dar, era bom que alguém ajudasse. Até porque, em tempos, se referia num acórdão que o caminho era a reestruturação da coisa pública. Era, pois, muito boa altura para quem sabe como se faz se chegar à frente.
Mirandela: Ciúmes matam 24ª mulher
Os ciúmes que não se sabe se pertencem ao reino animal ou vegetal andam por ai armados à procura de vítimas. Como se sabe os ciúmes gozam de atenuantes sociais várias. Não se deve matar mas se forem os ciúmes…
Silvino Silvério Marques
Morreu Silvino Silvério Marques. Morreu 39 anos depois de ter sido nomeado Governador-Geral de Angola. Em boa verdade ele fora escolhido para ser Governador-Geral de Moçambique mas manobras várias de bastidores levaram a que Angola fosse o seu destino. Assim a 11 de Junho no Palácio de Belém, Spínola dá-lhe posse como Governador-Geral de Angola. A sala estava cheia. Estão presentes o Chefe do Estado-Maior das Forças Armadas Costa Gomes; Almeida Santos, Ministro da Coordenação Interterritorial; representantes da Coordenadora do MFA; Adelino da Palma Carlos primeiro-ministro…
Spínola discursa e garante: “Poderão pois estar tranquilos os africanos que se mantiveram neutros, porque não lhes será negado, por essa razão, o direito de optar. Poderão estar tranquilos os africanos que se nos confiaram e ao nosso lado combateram, tendo já feito a sua opção. E poderão estar tranquilos os europeus que chamam à África a sua terra e ali se sentem cidadãos como quaisquer outros; não os abandonaremos na cobarde procura do fácil e na demagógica busca da popularidade. Poderão também estar tranquilos quantos vêm lutando pelo direito à autodeterminação, pois que a sua vontade será respeitada pela vontade das maiorias. A todos garantiremos que nessa hora grande serão chamados, sem excepção, a dar o seu voto. Essa hora já não vem longe, mas até lá teremos de percorrer aceleradamente o caminho que devíamos ter percorrido nos últimos 50 anos. Assim nos entendam e nos ajudem o mundo, e os portugueses de sã consciência e recta intenção.”
Almeida Santos outro dos oradores não só reitera o que Spínola afirmara momentos antes como alerta para o caracter provisório, logo limitado, do governo que Silvério Marques vai chefiar: “as grandes mutações político-militares, essas, segundo o programa do Movimento das Forças Armadas – lei constitucional do País – compete à Nação primeiro, e a cada território ultramarino depois, debatê-las e defini-las.”. Por fim desenvolve o mote que dias antes lançara em Benguela: “A vontade dos povos tem de ser um dogma para todos nós. Seja qual for essa vontade”
A 11 de Junho o Exército português controlava militarmente todo o território angolano. Mas desde Maio circulava em Angola um abaixo-assinado subscrito por oficiais, sargentos e praças que por essa pública e notória via afirmavam a sua recusa de entrar em combate. E também é verdade que à suspensão anunciada pelo Comando Militar de Angola, no final de Maio, das operações militares ofensivas e ao apelo das autoridades portuguesas para que as guerrilhas independentistas angolanas aceitassem um cessar-fogo tanto a UNITA, como a FNLA e o MPLA tinham respondido atacando ou seja, como é dos manuais mais elementares das guerrilhas, aproveitaram o cessar-fogo anunciado de forma unilateral para reactivarem a sua actividade, pretendendo desse modo ganhar força e protagonismo nas futuras negociações sobre o destino daquele território.
Por outro lado Silvino Silvério Marques ignorava que dias antes, em Luanda, o general Costa Gomes assinara um despacho que retirara ao Governador-geral de Angola competência sobre a PSP e a Organização Provincial de Voluntários de Defesa Civil. Ou seja os poderes de Silvino Silvério Marques tinham sido diminuídos sem que ele o soubesse e consequentemente diminuída estava também a sua capacidade para garantir a tranquilidade aos angolanos. E muito menos sabia da destravada política de diplomacia paralela levada a cabo pelos dirigentes portugueses: a 2 de Maio, Mário Soares que não era ainda ministro dos Negócios Estrangeiros partira a pedido de Spínola para as capitais europeias em busca do apoio internacional de que Lisboa precisava. Em Bruxelas, resolve encontrar-se por sua “exclusiva iniciativa” com Agostinho Neto. Nesse encontro terá garantido a Agostinho Neto questões de princípio: “Que iria haver contactos e negociações entre nós para chegarmos rapidamente ao cessar-fogo e, depois, à paz.” Já o líder africano terá procurado obter “informações, precisões sobre pontos para ele obscuros, quem era quem no MFA” . A atitude cautelosa de Agostinho Neto é tão mais justificada e sensata quanto, nesse encontro, ele terá constatado que Mário Soares ignorava que no dia seguinte ele, Agostinho Neto, iria encontrar-se em Genebra com um enviado de Spínola, Nunes Barata. Segundo Nunes Barata o embaixador português em Copenhaga teria feito saber que Agostinho Neto desejava encontrar-se com um delegado da Junta de Salvação Nacional. Na sequência desta informação, o general Spínola envia Nunes Barata ao encontro de Agostinho Neto. Nunes Barata viaja sozinho. Leva uma proposta da JSN ou pelo menos de Spínola: “reunir todos os movimentos de libertação, nos Açores, a que se guiria uma consulta, a realização de eleições, etc…” A reacção de Agostinho Neto a esta proposta “não foi contrária” embora o sim à cimeira tenha ficado condicionado a uma reunião que o MPLA iria fazer em Brazaville. Nunca veio obviamente resposta alguma. Porquê? Segundo Nunes Barata porque “Possivelmente, o bureau político [do MPLA] não aceitou as conversações. É provável que tenha havido contactos, por parte de forças políticas portuguesas, que se movimentaram para evitar a conferência.” No seu livro “País sem rumo” Spínola identifica estas “forças políticas portuguesas” como “elementos pró-comunistas do MFA”.
O resto foi o que se sabe. Entretanto os jornalistas corriam eufóricos a dar conta de tanta clarividência e pioneirismo na descolonização e claro destacavam que a administração dos TLP se sentira obrigada a reiterar publicamente que durante as horas de serviço “As telefonistas não foram proibidas de cozinhar para os fusileiros”. Em boa verdade a os revolucionários precisavam de ser alimentados e aquilo a que se chamou descolonização precisava de folclore. Silvino Silvério Marques exerceu o cargo de Governador-Geral de Angola por pouco mais que um mês. Nem ele nem o Governador-Geral de Moçambique, Henrique Soares de Melo, resistiram. Nem podiam resistir. Foram nomeados unicamente para dar tempo a que os reais e desencontrados protagonistas de uma tragédia ocupassem os seus lugares.
Como seria se a religião visada fosse outra?
fartos de passos
O povo português está farto de Pedro Passos Coelho e «odeia-o», garante-nos o Dr. Mário Soares. Tem toda a razão, e seria difícil que fosse de outro modo, depois do odiado primeiro-ministro ter sido o protagonista principal de um tão duro programa de ajustamento das contas públicas, imposto pelos nossos credores para continuarem a sustentar o seu défice. Faz lembrar um outro primeiro-ministro português da década de 80, que, no fim de um programa semelhante a este, ainda que muito menos exigente, saiu do governo para se candidatar a umas eleições com uma expectativa não superior a 5% dos votos, que só conseguiu reverter porque a sensibilidade popular se incomodou ao vê-lo levar umas bofetadas na Marinha Grande. Já não tenho bem presente quem era o pobre homem, mas, quem sabe, talvez um dia o Dr. Mário Soares, que foi contemporâneo dos factos, nos possa contar essa história.
Gondomar votou Joaquim
Em Gondomar, os boletins de voto continham a candidatura “Valentim Loureiro – Gondomar no Coração”. A decisão do tribunal constitucional que rejeitou esta candidatura não foi atempada (ou justificada, mas isso é outra história) para que os boletins fossem impressos sem esta opção de voto.
Assim sendo, Gondomar teve um número de votantes nulos muito superior à média nacional.

Não sendo possível determinar quais os votos deliberadamente nulos dos joaquimente anulados, resta notar que 1,46% da população que se deslocou às urnas contribuiu em 0,12 pontos percentuais para a votação nula média de 2,95% (o que equivale a 4% do total).
Na minha opinião – não a posso substanciar – os votos nulos em Gondomar (10,85%) reflectem a deliberada vontade dos votantes em expressarem o voto proibido e não ignorância acerca da impossibilidade de voto não-nulo na lista de Valentim Loureiro. Portanto, Gondomar foi o concelho que mais votou no Joaquim.
Portanto negociará com o PCP e o BE
Seguro garante que não volta a negociar com PSD e CDS
Também há sempre o CDS mas como dizia Teixeira dos Santos perante as propostas de cortes que Ana Jorge e Helena André lhe apresentavam antes de Portugal pedir ajuda externa: “Num chega”
Os trabalhadores e a oligarquia sindical
Em França, a cadeia Monoprix pretendia que as suas lojas estivessem abertas até às 22h. Para o efeito fez um acordo com os seus trabalhadores: des majorations de 25 à 35 % des salaires, des repos compensateurs supplémentaires ainsi que des mesures sur la sécurité ou la mobilité des salariés concernés, qui sont tous volontaires.
A proposta foi aprovada maioritariamente pelos trabalhadores. Mas não só Tribunal de Versalhes considerou o acordo de empresa não válido como o sindicato CGT exerceu o seu direito de oposição maioritária. Logo o Monoprix vai passar a fechar às 21.
Vencedores e vencidos III
21 de Setembro: BE pede demissão de Machete por alegada mentira no caso BPN
22 de Setembro: Rui Machete mentiu segunda vez, acusa Semedo
23 de Setembro: BE pede ao Parlamento que denuncie Machete à PGR
24 de Setembro: BE entrega hoje no Parlamento pedido de participação judicial contra Machete
25 de Setembro: Rui Machete “mentiu” e deve sair. Bloco insiste que caso chegue à PGR
27 de Setembro: “Merecem ser derrotados porque são um governo de mentirosos”
o nevoeiro matinal também é desnecessário
Já tenho suficientes anos de vida para me recordar de muitos salvadores da pátria. Assim, só de relance, ficando-me pela minha família política e deixando para outros os caudilhos da revolução, lembro-me de Sá Carneiro, Ramalho Eanes, Aníbal Cavaco Silva e Durão Barroso. De todos foi esperado que pusessem o país “na ordem”, e lhe trouxessem a prosperidade e abundância que os portugueses parecem sempre acreditar que cai do céu ou do governo, o que é, para este fim, a mesma coisa. Por uma razão ou por outra, não o puseram, nem conseguiram evitar que o país tivesse de chamar o FMI três vezes em trinta anos, para continuar a pagar contas no fim do mês. O sebastianismo, uma espécie de fadinho político a que parece estarmos condenados, é a simples expressão da imaturidade de um povo que espera dos outros aquilo que lhe deveria caber a si. Por essa mesma razão, sempre que vejo e ouço anunciar, entre trombetas ribombantes e exclamações de reverente admiração, qualquer novo messias, fujo, qual diabo da cruz, à espera que Portugal regresse à sua normalidade. E a nossa normalidade, por estes dias, por mais que nos digam, em tom profético, que “nada percebemos do que se está a passar”, são as visitas trimestrais da troika, as contas a pagar no fim do mês, o saldo negativo das contas públicas, a desconfiança dos mercados que nos dão o crédito necessário para continuarmos a viver, a iminência de um novo e pesado resgate, e um estado que asfixia as energias do país por teimar em não se reformar. Para resolver isto não carecemos de um messias, mas de boas contas e de quem as saiba fazer. O nevoeiro matinal também é desnecessário.
Os erros do governo segundo Rio
Rui Rio sugere trocar cortes nos subsídios por sobretaxa universal
Esta notícia de Novembro de 2011 ajuda a perceber o que é que no entender de Rui Rio foram os erros do governo e qual seria a política alternativa que seguiria. Mais impostos e menos cortes, que os funcionários públicos não aguentam tanta austeridade. Não é por acaso que Rui Rio se tornou recentemente a esperança do status quo para derrubar o governo. Tendo ganho fama como um político com rigor nas contas, é hoje a esperança dos que não aguentam tanto rigor.
ainda vai a tempo, dr. rio
O Dr. Rui Rio acha que o governo tem estado genericamente mal ao longo do seu mandato, apesar de ter melhorado alguma coisa depois de Julho passado. Em síntese, afirma, foram “muitos erros, muitos erros, muita confusão, muita trapalhada, muita falta de preparação”.
Eu também concordo, no essencial, com o Dr. Rui Rio, sobretudo com a falta de algumas linhas programáticas que o PSD e o CDS deveriam ter acordado antes das eleições, para as começar a executar imediatamente nos primeiros meses de vida do governo.
Todavia, este é o governo que temos e que nos saiu em sorte, entre outras razões, porque o Dr. Rui Rio preferiu continuar na Câmara do Porto, em vez de se ter candidatado, há três anos, à sucessão de Manuela Ferreira Leite.
Mas eu tenho uma boa nova para dar ao Dr. Rui Rio, que poderá ir ao encontro do seu pensamento e do seu voluntarismo: as problemas do país estão longe, mas muito longe, de estar resolvidos, e já se fala até na iminência de um segundo resgate.
Por conseguinte, esta é a altura do Dr. Rui Rio mostrar ao país como se pode “fazer diferente e bastante melhor”. É que não só o país continua sem estar bem, como ele já não tem agora a Câmara Municipal do Porto para impedir essa decisão.
Contudo, se enjeitar novamente essa responsabilidade, então, é melhor que guarde para si as críticas que tem andado a fazer.
Abstenção

Se este ano a administração central foi capaz de enviar uma carta a cada eleitor a informar do seu local de voto e numero de eleitor, talvez para a próxima possam juntar um boletim de voto e envelope RSF.
Não parece nada complicado e facilitava a vida a milhões.
Chegou o malabarista!
Mistérios de umas eleições
O ESTRANHO CASO DO CONCELHO COM SEDE NA CADEIA DA CARREGUEIRA a que se junta esta pergunta Como é que alguém tem, numa cela, um instrumento que sirva para atear fogo?.
O novo Presidente da Câmara Municipal de Vila Franca do Campo, São Miguel, Açores. (Quem serão as 2762 pessoas que votaram neste homem ?)
ESQUERDA, NÃO SEI SE POBRE, MAS CERTAMENTE MAL AGRADECIDA Ou o BE a queixar-se das notícias!! Na verdade sem jornalistas o BE nem sequer existiria.
E agora?
Leituras (2)
Comparando os resultados de ontem com os de 2009:
PSD+CDS = Menos 576.861 votos
PS = Menos 274.674
PCP = Mais 12.679
Ind. = Mais 119.187
BE = Menos 46.187
Branco = Mais 98.301
Nulo = Mais 77.961
Não-votantes = Mais 656.837
Leituras (1)
Face às eleições autárquicas de 2009, ontem e relativamente a votos:
O PSD e o CDS perderam 7% de votos;
O PS perde 1% de votantes;
A CDU sobe 1,5%
Os ind. sobem 2,8%
e o BE desce 0,5%
Os votos em branco sobem de 94.627 para 192.832
e os votos nulos de 68.907 para 146.836
A abstenção cresceu em 538.334 eleitores não-votantes.
sobre a vitória de rui moreira
Algures aí por uma caixa de comentários abaixo, um leitor perguntou-me por que razão não “gramava” o Dr. Rui Moreira, o novo presidente da Câmara do Porto, ontem eleito. Essa sensação há-de ter certamente resultado do que sobre estas eleições tenho vindo a escrever nos últimos dias, e, não correspondendo à verdade exacta, carece de explicação.
E ela é simples: trata-se de uma mera opinião política acerca da natureza «independente» da candidatura de Rui Moreira, sobre a qual ela assentou todos os seus arraiais, quando é sabido que a mesma só não foi feita em listas do PS ou do PSD porque nenhum destes dois partidos o quis como seu candidato. Isso sucedeu na eleição de ontem e, pelo menos também, na eleição autárquica anterior, a que Moreira se tentou apresentar como candidato do PS, crítico, como era então, da gestão de Rui Rio. A essa rejeição dos dois principais partidos, qualquer um deles hoje certamente mais do que arrependido de não o ter recebido nas suas listas, Rui Moreira retorquiu no seu discurso de vitória de ontem com a mais violenta retórica anti-partidos que escutei a um alto responsável político em Portugal. Não o fez por acaso.
Deste modo, o que levou à vitória de Rui Moreira foi menos a sua famosa «independência», mas um conjunto de alianças políticas e pessoais negativas, cujo resultado perceberemos nos próximos tempos. O PSD de Rui Rio (e lá estava o eterno Miguel Veiga ao lado do candidato…), o CDS portuense, que cedo apareceu a cantar vitória, quando nunca, durante a campanha, foi claramente assumido o seu apoio formal à candidatura (pelo contrário, foi mesmo posto estrategicamente de lado), o «anti-menezismo» básico de algumas «elites» e interesses económicos da cidade, certas «notabilidades» zangadas com o «passismo», à espera de nova oportunidade de protagonismo nacional, como o Dr. Paulo Rangel, e, certamente, algumas poucas, muito poucas pessoas, pelo menos na direcção efectiva da candidatura, que são genuinamente independentes da política.
Em conclusão, o que levou o Dr. Rui Moreira à vitória de ontem não foi exactamente um movimento cívico de anónimos cidadãos e de personalidades independentes da política, mas, pelo contrário, uma coligação negativa de forças políticas bem activas na cidade e no país, que só se entenderam entre si para tentarem salvaguardar um património de influência que se viam em risco de perder. É legítimo? Certamente que sim. Mas caracteriza isto um movimento «independente» da política, como se passou para o eleitorado? Certamente que não.
Posto isto, esperemos que Rui Moreira tenha mão neste conjunto de vorazes e desencontrados interesses, e se revele, então, o Presidente da Câmara do Porto de que a cidade tanto precisa. Neste momento, só dependerá dele. Por daqui a algum tempo, já não será bem assim. Por isso, para ele, sem qualquer tipo de reserva, os votos do maior sucesso no exercício das suas novas e exigentes funções.
Para socialismo já há o PS
O resultado nacional mais relevante é a demonstração da infrutífera tentativa de separação do PSD da política do governo. Passos Coelho salientou-o no discurso. Para todos os efeitos, a haver uma leitura nacional, será a de preferência dos portugueses por um PSD de Gaspar em detrimento de um PSD a disputar socialismo com o PS.

2013