BLASFÉMIAS

A Blasfémia é a melhor defesa contra o estado geral de bovinidade

Ainda bem *

Publicado por CAA em 10 Maio, 2008

Baltasar Pinto era director nacional adjunto da Judiciária. Após a nomeação de Almeida Rodrigues para chefiar a PJ, demitiu-se. Nada tem contra o novo director de quem diz ser amigo. Só que, alega, como é magistrado não admite ficar “na dependência hierárquica de um elemento policial”. E esclarece: “Se eu ficasse, seria mal visto pelos meus colegas do Ministério Público”. Parece que não é o único: outros magistrados que desempenham funções dirigentes na PJ também estarão de saída.
Esta atitude merece dois comentários:
(i) o princípio da igualdade ainda tem um longo caminho a percorrer num País que permanece infestado de um anacrónico espírito de casta;
(ii) ainda bem que aqueles que se julgam superiores estão a sair da PJ – numa instituição que se preze nunca devem mandar os que pensam ser demasiado ilustres para nela terem de obedecer.

* Correio da Manhã, 9.V.2008

29 Respostas para “Ainda bem *”

  1. Tonibler Diz:

    Muito bom.

  2. Luis Moreira Diz:

    Os magistrados,ou melhor,a ideia que têm de si próprios, roça o rídiculo.

    Mas, como é que estes seres superiores,se humilham ao ponto de se constituirem em sindicato,para defenderem o aumento de salário,é para mim um verdadeiro mistério.

    São magistrados a todo o tempo menos no fim do mês!

  3. Anónimo Diz:

    Começo a fiacar preocupada com estes senhores…

  4. campeão Diz:

    A “justiça” em portugal é ridicula , bate no fundo sucessivamente !
    Os culpados são os sucessivos governos que por incompetencia ou porque lhes convem , nada têm feito para a por a funcionar .
    Isto não retira a quota parte de responsabilidade dos juizes que encasulados na rua propria redoma , não se dignam sequer descer ao povoado e colocar-se na pele dos cidadãos , para poderem então entender porquê o “tempo” destes não é o seu e porquê a dignidade destes tambem não é menor do que a sua.

  5. Dinis Diz:

    Apoiado! Bem dito, é isso mesmo!

  6. cadeiradopoder Diz:

    Não concordo em absoluto com o que aqui é dito - troquem as profissões e coloquem alguém menos qualificado numa qualquer empresa ou serviço público e pensem em como os subalternos - mais qualificados - se irão sentir. Ah pois…

  7. Tertulio Diz:

    http://www.youtube.com/watch?v=CXJdsR9Yfc

    E para ver

  8. Tertulio Diz:

    http://www.youtube.com/watch?v=CXJdsR9YfcE

  9. Anónimo Diz:

    “troquem as profissões e coloquem alguém menos qualificado numa qualquer empresa ou serviço público e pensem em como os subalternos”

    Mais qualificado do que um policia de investigaçao para dirigir policias de investigaçao? Nao existe. É mais qualificado que um magistrado para o cargo.

  10. José Diz:

    Parece que é mesmo o único. É bom que se diga, porque sendo a verdade, deve ser dita, para que o exemplo triste de Baltazar Pinto, seja isolado e demarcado. Para ver se o indivíduo percebe realmente o que significa ser magistrado e ser polícia.

    D

  11. José Diz:

    De qualquer modo não estou a ver muito bem o que o princípio da igualdade ( igualdade?!! Então isso não é uma ideia de esquerda?!), tem a ver com o assunto.

  12. CAA Diz:

    A igualdade é o fundo de todo o pensamento liberal. Para mim, quem escreveu as melhores páginas acerca desse princípio foi Tocqueville.

  13. mariadosol Diz:

    Ora… o sr. Magistrado podia lá ficar na dependência de um sr. Polícia, ainda por cima numa instituição de polícias?
    Pura snobeira … Que revela, também, alguma ignorância e falta de abertura ao mundo que muda… Só más revelações nestas posições “castas”!
    Este mundo já não é o que era… Pois não. E destas “aberturas” eu gosto.
    Se estão incomodados, os srs Magistrados têm bom remédio: desincomodam-se! E a melhor maneira de o fazerem é realizarem muito bem o seu trabalho, imporem-se por isso e não por palimpsestos tipo familiares!

  14. Ruben Diz:

    .
    O auto de Mofina Mendes. Guerras de alecrim e manjerona.

  15. lica Diz:

    os burros numca gostam de ficar por baixo dos jumentos

  16. Anónimo Diz:

    “ter um canudo ao estilo de Sócrates que dá para tudo”

    quem disse esta frase tao bonita?
    a pessoa que diz ser uma pessoa credível e séria do psd

  17. Anónimo Diz:

    .. entao os outros é que sao os populistas?!

  18. Oscar de Lis Diz:

    Então, qual é a razão para crer que um magistrado é mais qualificado do que um policial? Há sistema de castas, mas será que é um problema endémico? Não acredito. Crónico pode ser, mas, tem de haver solução. A procurá-la!

  19. Anónimo Diz:

    Coitadinhos dos juizes que se julgavam imunes à massificação . Pois é , a sociedade de massas toca a todos , desde nédicos a jornalistas passando por professores. Agora as elites são outras : marceneiros , electricistas , canalizadores , padeiros e tal ..ou seja profissões raras , rarissimas , e vitais.

  20. Anónimo Diz:

    É o Karma , é. A vingança do trabalhador manual sobre o intelectual é divinal. é , é.

  21. gato preto Diz:

    Cuidado que aí vem o Sr. Dr.
    OOHHH Sr Doutor!!!
    Excelência!
    Passe, passe Sr. Dr.
    Bom dia Excelentíssimo.
    Os magistrados agora saem da universidade para a judiciária??
    E recebem arma?
    Não havia por aí uns montes de pastas para desbastar?
    Deviam ouvi-los quando a policia os manda parar…

  22. Anónimo Diz:

    “A igualdade é o fundo de todo o pensamento liberal.”

    Mas é muito lá para o fundo!…
    É mais ou menos assim: Num mundo liberal todos os vencedores são iguais (na vitória) e todos os derrotados são iguais (na derrota).
    Portanto há muita igualdade, já que só há dois tipos. Nada dessas classes intermédias protegidas pelo Estado, como acontece nessas desgraçadas sociedades socialistas.

  23. anti-comuna Diz:

    Da propaganda à dura e triste realidade. Ou como o Pinócrates continua a preferir usar a mentira como arma política do que a verdade nua e crua.

    “Indústria está a exportar média-baixa tecnologia

    Indústria ainda não saiu da idade dos metais básicos

    As exportações portuguesas de alta tecnologia industrial estão a perder gás desde 2004. A tomar posições, no comércio internacional - para a União Europeia e resto do mundo -, estão as vendas de produtos industriais entre a média-baixa tecnologia (como a construção naval ou metalurgia de base) e a média-alta tecnologia (produtos farmacêuticos ou aparelhos de TV e rádio).

    Há quatro anos, cerca de 12% dos produtos industriais vendidos ao exterior eram de alta tecnologia. No final de 2007, o peso da sofisticação caiu 0,7 pontos percentuais, uma descida de 6,6% no total do comércio industrial, estando ao nível do princípio da década. E há indícios de deterioração nas exportações das indústrias de ponta. É que, em Janeiro último, o peso industrial neste tipo de vendas ao estrangeiro continuava a descer.

    Portugal está a perfilar-se como exportador industrial de “média-baixa qualidade”. Entre 2004 e final de 2007, o peso da média tecnologia industrial vendida ao exterior cresceu 9,7% e representa agora 54,6% das exportações de produtos industriais.

    Mas existem dados que confirmam que a expansão da média tecnologia é à custa do segmento mais baixo. Por exemplo, para o período considerado (2004 a 2007), o peso das exportações de produtos que envolvem tecnologia média-baixa cresceram 32%, enquanto a gama média-alta expandiu-se apenas 2,3%. Ou seja, o tecido industrial português ainda não saiu da idade dos metais básicos, da construção naval, dos plásticos ou da refinaria de petróleos.

    A modernização da indústria exportadora está a passo de tartaruga e, em alguns casos, até existe um retrocesso. No princípio da década, as exportações de máquinas e aparelhos eléctricos representavam 12,7% do total das exportações nacionais de mercadorias. Agora, de acordo com dados do INE, são apenas 12,2% do total. O peso das vendas de automóveis - que inclui a produção da AutoEuropa - caiu 14,1%.

    Mudança

    Apesar destes números, Portugal está a subir patamares de sofisticação no mercado externo, o que confirma que o tecido industrial está em transformação. Em 2001, a baixa tecnologia era comum a 44,6% das exportações industriais. Já em 2007, representava 35,6%, um recuo de 20,2%. Isto foi conseguido à custa de destruição do tradicional sector exportador.

    Assim, em 2002, os dados do INE indicam que 16,5% das exportações de mercadorias eram vendas de vestuário e calçado (o peso entre os produtos industriais era de 26,3%). Cinco anos depois, representavam apenas 10,4% das vendas e pesam apenas 15,5% dos produtos industriais. Outro exemplo: no princípio da presente década, as peles e os têxteis “ocupavam” 7,7% das exportações de bens; hoje significam só 4,8%.”

    http://dn.sapo.pt/2008/05/11/economia/industria_esta_a_exportar_mediabaixa.html

    Pinócrates: o verdadeiro artista. O Vale Azevedo saiu de cena mas deixou cá um seu discipulo.

  24. Anónimo Diz:

    Amanha o DN desmente essa noticia

  25. Anónimo Diz:

    A briu a epoca da noticia falsa desmentida no dia seguinte no reino do jornalismo de cristal

  26. frei de jesus Diz:

    Paroles …

  27. Mr. Hyde Diz:

    “As convicções são mais inimigas da verdade que as mentiras” - Nietzsche.

    Bom texto, dr. Amorim.

  28. Da Silva 27 Diz:

    A propósito da nomeação do novo director da PJ (Judite)veio à estampa um artigo no Correio da Manhã de hoje com o título “Espírito de Casta”, muito interessante, que advoga a nomeacão feita pelo Ministro da tutela e faz, entre outras afirmações, a seguinte:-”Não há nada mais petrigoso para a independência do poder judicial do que os magistrados ansiando pela graça de uma nomeação pelo poder político”.
    É curioso notar que fiz um comentário idêntico (posso admitir que fosse um pouco mais abrasivo para os Juízes)no site do SOL que simplesmente foi cortado. Daí a minha modesta intervenção neste momento, porque, sinceramente, já tenho algum medo de fazer comentários sobre o que se passa no nosso País.

  29. Ponto Por Ponto » O que eu gostava de ter escrito XVI Diz:

    [...] daqui: http://blasfemias.net/2008/05/10/ainda-bem/ [...]

Deixe uma Resposta

XHTML: Pode utilizar estas tags: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>