O nosso problema é empobrecer lícita e legalmente (I)*

Dá jeito açular a populaça com o rendimento ilícito, as grandes fortunas, os ordenados milionários dos gestores mas não é por causa disso que estamos cada vez mais pobres. Nesse campo colocam-se questões éticas. Mas no que respeita ao empobrecimento do país a causa é outra. A causa é essa mediocridade na hora de gerir a coisa pública, essa cultura da desresponsabilização e um Estado incapaz de fazer reformas. Por exemplo quanto nos custa o facto do Estado português ter achado que ajudaria os pobres fixando rendas? Ou fixando valores e prazos insustentáveis para os licenciamentos a privados? Façam-se as contas a alguns números agora conhecidos em Lisboa e que dão conta de quanto custam as obras de recuperação e reabilitação feitas pela CML.
A uma empresa municipal, a EPUL, foram entregues 50 edifícios para recuperação, na gestão de Santana Lopes. Saiu Santana, veio Carmona e por fim António Costa. Desses 50 edifícios e ao fim de vários anos e três presidentes a dita empresa recuperou apenas 5. Mas como nos 50 edifícios que seguiram para recuperação habitava gente houve que proceder a realojamentos. Os mesmos custam mais de um milhão de euros por ano. Como ainda estão 45 edifícios para recuperar presume-se que os realojamentos continuarão a correr por conta do contribuinte. Em simultâneo com esta empresa que trabalha a este ritmo temos na mesma cidade de Lisboa sociedades de reabilitação urbana das quais algumas, segundo afirmação da CML, nunca fizeram nada mas tiveram custos de funcionamento de 14 milhões de euros. Foram também afectados 27,6 milhões de euros para reabilitar outros 77 edifícios. Gastaram-se já 23,2 milhões mas só se reabilitaram 33. Logo 44 estão à espera. E se chegarmos às obras coercivas as contas não são menos assombrosas: gastou-se 1,3 milhões de euros num simples edifício de cinco pisos e às despesas da obra ainda há que juntar os custos com o alojamentos dos habitantes. Tudo isto aconteceu em Lisboa mas casos semelhantes não faltam pelo país. Tudo isto é lícito, tudo isto é legal e é o nosso fado.

*PÚBLICO

30 Comentários

  1. Anónimo
    Posted 24 Abril, 2009 at 11:05 | Permalink

    “ordenados milionários dos gestores mas não é por causa disso que estamos cada vez mais pobres.”
    tem razão, a causa não está nos ordenados, está nesses gestores.

  2. Anónimo
    Posted 24 Abril, 2009 at 11:11 | Permalink

    Por exemplo um “gestor” especialista em águas e sanitas mas de certeza muito amigo de alguém e com o cartão certo afundou o estaleiro de Viana.O problema é que políticos de merda não podem gerir gestores de mérito…

  3. Anónimo
    Posted 24 Abril, 2009 at 11:14 | Permalink

    e por falar em gestores, santana, fontão, gabriela & associados, dizem-lhe alguma coisa nesse exemplo de empobrecimento lícito?

  4. Posted 24 Abril, 2009 at 12:02 | Permalink

    Excelente escrito sobre grandes fortunas e ordenados milionários.
    Tudo boa gente.
    O problema é esse tal de Sócrates.

  5. nem estranho não estranhar
    Posted 24 Abril, 2009 at 12:11 | Permalink

    Conversa própria para a ocasião. Há muita gente a confundir Abril com o que é hoje Portugal. Pobreza de espírito. Não ver a árvore na floresta. E, perdidos assim, nem vislumbram que parece estarmos a andar o caminho da “outra senhora”. Com mais meios, políticos, partidos e vigaristas. Uma outra “guerra”.

  6. Anónimo
    Posted 24 Abril, 2009 at 12:11 | Permalink

    E a divida da CML

    Quem paga isso?

    E a Divida do PSL?

    O emprestimo que CML pediu foi chumbado pale PSD e Carmona.

    Não se preocupe a minha Lisboa esta no rumo certo.

    Passerelle, nunca mais

  7. Posted 24 Abril, 2009 at 12:16 | Permalink

    Sócrates anuncia escolaridade obrigatória até 12º ano

    O primeiro-ministro anunciou hoje, no Parlamento, que o Governo vai apresentar uma proposta para alargar a escolaridade obrigatória para 12 anos e um programa de bolsas de estudo no secundário a partir do próximo ano lectivo.
    http://www.dn.sapo.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=1208961

    A propósito da escolaridade obrigatória, este quadro do ME (!) mostra como a maioria dos países europeus não tem 12 anos de escolaridade obrigatórios…

    http://www.min-edu.pt/np3content/?newsId=3505&fileName=tabelas_imp_2009_04_23.pdf

  8. Santo Pragal
    Posted 24 Abril, 2009 at 12:18 | Permalink

    O (Santo Condestavel) Nuno Alvares Pereira, judeu, vai ser canonizado o Santo, isto e no proximo fim de semana, já agora aproveitem e transformem em Santo o A. Cavaco Silva – mais vale agora do que mais tarde, poupa-se dinheiro.

  9. Pantaleão
    Posted 24 Abril, 2009 at 12:35 | Permalink

    Se a escolaridade alargar para 12 anos sempre se evita que a miudagem ande na rua a gamar. Ficam confinados às escolas onde poderão praticar os maus tratos a professores.

    Dizem os boateiros que na Suécia já havia 9 anos de escolaridade obrigatória no século XVI. Não me cheira que se consigam mudanças tão radicais no nosso país como certas pessoas propõem. Mas pelo menos desta vez é só uma fantasia: não será uma mentira ou uma maldade. e pela fantasia eu acho que vale sempre a pena trabalhar.

  10. Posted 24 Abril, 2009 at 12:55 | Permalink

    A corrupção é um imposto
    Todos pagamos a corrupção. Pagamo-la se formos vítimas directas dela – por exemplo, se a nossa empresa se vir indevidamente preterida num fornecimento ao Estado porque uma concorrente obteve um tratamento de favor, ou se a operação de que estamos à espera for protelada ainda mais porque alguém nos passou à frente. Mas também a pagamos quando somos vítimas indirectas, como acontece se o dinheiro dos nossos impostos vai parar, sem contrapartida cabal, a bolsos particulares.

    Quanto custa a corrupção a cada um de nós? Não tenho meios de fazer esse cálculo. Pagamos a diferença entre o que ganhamos e o que ganharíamos se vivêssemos numa sociedade mais eficiente e mais justa, mas não sei a que nível se situa este limite superior.

    Pode ser que paguemos mais em corrupção do que pagamos em IRS, em IRC, em IVA e em imposto sobre os combustíveis. Mas mesmo que não seja esse o caso, e que a corrupção não seja o maior dos nossos impostos, uma coisa é certa: é, de longe, o pior e o mais injusto de todos os impostos. Os outros são pagos ao Estado, que bem ou mal ainda nos vai dando algumas contrapartidas em troca deles; mas a corrupção é paga a um baronato que não nos dá contrapartidas nenhumas e se limita a enriquecer sem produzir.

    A corrupção não só não produz, como destrói. Destrói o ambiente, destrói a paisagem, destrói a concorrência leal entre as empresas, destrói a recompensa devida ao mérito. Não é um jogo de soma zero: é um jogo de soma negativa. Os custos para quem perde são maiores do que os benefícios de quem ganha.

    A corrupção não é só o que a lei define como tal. A própria lei pode ser corrupta. A corrupção é a convertibilidade recíproca entre o poder político e o poder económico, e por mais legal que seja continua a ser corrupção. Quando Alberto Martins afirmou que a Ética Republicana é a ética da lei, a corrupção falou pela boca dele – quer ele se tenha dado conta disto, quer não.
    http://www.legoergosum.blogspot.com/2009/04/corrupcao-e-um-imposto.html

  11. lucklucky
    Posted 24 Abril, 2009 at 13:15 | Permalink

    “Sócrates anuncia escolaridade obrigatória até 12º ano”

    Esse ainda não percebeu, não quer perceber, ou já percebeu mas está em campanha Eleitoral que a Educação actual não passa de uma bolha expeculativa.

    Os resultados paupérrimos para o investimento demonstram-nos, estão á vista de todos, mas continua-se a despejar dinheiro pois são manipulados pelos Socialistas da extrema esquerda á extrema direita que continuam a dizer que é um investimento com rendimento garantido e felicidade assegurada na maturação.

    A Autoridade da Concorrència não era suposto investigar publicidade enganosa?

    Como se vê as maiores bolhas expeculativas têm origem na política. A bolha expeculativa comunista durou 70+ anos…

  12. Posted 24 Abril, 2009 at 13:15 | Permalink

    A escolaridade obrigatória, ao subir para 12 anos, é uma medida de represália à luta dos professores.
    Vai haver cada vez mais gajos e gajas nas escolas e durante mais tempo. Até aos 18 anos estão obrigados a irem lá chatear os professores.
    Para os pais é melhor.
    Phoda-se!

  13. Posted 24 Abril, 2009 at 13:34 | Permalink

    Os números do PISA. Quem é quem com melhores resultados a Matemática, Ciências e Leitura?

    O Estudo Internacional que avalia as competências dos alunos até aos 15 anos, através de
    exames de matemática, Ciências e Leitura, vulgarmente conhecido por PISA, dá-nos a
    seguinte resposta:
    Finlândia: 1º em Ciências; 2º em Matemática; 2º em Leitura. Canadá: 3º em Ciências; 4º em
    Leitura; 4º em Matemática. Coreia do Sul: 11º em Ciências; 1º em Leitura; 4º em
    Matemática. Japão: 6º em Ciências; 15º em Leitura; 10º em Matemática. Noruega: 33º em
    Ciências; 25º em leitura; 29º em Matemática. Espanha: 31º em Ciências; 35º em Leitura;
    32º em Matemática. França: 25º em Ciências; 23º em Leitura; 23º em Matemática.
    Portugal está à frente da Espanha, com resultados muito semelhantes aos de França. Os
    países mediterrânicos, Portugal, Espanha, França, Grécia, Turquia e Itália, têm
    resultados semelhantes. Encontram-se a meio da tabela ou um pouco mais para trás. Ao
    contrário do que o Governo de Sócrates quis fazer crer, os alunos portugueses tiveram, em
    2006, um desempenho muito razoável nos testes do PISA.
    http://www.profblog.org/2009/02/os-numeros-do-pisa-quem-e-quem-com.html

    - Qual o sector em Portugal comparável com os dados no sector da Educação? A Economia? A Saúde? As Finanças?
    - Por que tem Sócrates mentido à população portuguesa?

  14. Pirolito ou Gasosa
    Posted 24 Abril, 2009 at 13:34 | Permalink

    As miudas acabam o 12º e vão trabalhar para o Calor da Noite, os rapazes vão fazer roscas

    Há que garantir o minimo de cultura, não estão de acordo?

    Como é que elas podem dar a volta ao futeboles?

    Há que garantir um dote razoavel.

  15. tina
    Posted 24 Abril, 2009 at 13:44 | Permalink

    O que é incrível é que andam os miúdos das barracas e bairros sociais a marcar passo até acabarem a escolaridade obrigatória (15 anos de idade) sem ninguém saber o que fazer com eles. Chumbam ano após ano, são disruptivos, não deixam ninguém aprender. Mesmo os outros menos disruptivos, só conseguem singrar de ano em escolas menos exigentes. Quando saem de lá vêm muito mal preparados.

    Perante um cenário destes, que sentido faz aumentar a escolaridade obrigatória? Em vez de resolver o actual problema, Sócrates ainda piora a situação. Mais tempo a marcar passo, sem uma orientação sólida para a vida, a prejudicar os outros.

    Mais uma daquelas medidas para fingir que faz mas não faz nada ou, pelo contrário, ainda faz pior. Muito típica deste governo e por isso os resultados na prática são tão maus.

  16. Posted 24 Abril, 2009 at 13:54 | Permalink

    A cultura da desresponsabilização
    caracteriza a nossa política,
    é uma marca da degradação
    de uma mentalidade monolítica.

    Triste é o nosso fado
    para gáudio dos burladores,
    causando tamanho enfado
    aos mexilhões cumpridores!

  17. Anónimo
    Posted 24 Abril, 2009 at 14:02 | Permalink

    http://arquivoexpresso.aeiou.pt/pdf/CamLisboa_assessores.pdf

    Vejam a quantidade xulecos que tinha CML

    Ou tão esquecidos, eu não me esqueço.

    Não me digam se são os pobrezinhos

  18. Posted 24 Abril, 2009 at 15:45 | Permalink

    A minha tia Fernandina, veio-me com esta:
    “Como é que ela (Helena Matos), tem estômago para escrever para um jornal que enche a capa com uma fotografia de OTELO?”

  19. Tribunus
    Posted 24 Abril, 2009 at 16:00 | Permalink

    Tudo isto è um aumento do patrimonio de uns caramelos de forma ilicita!

  20. Luís
    Posted 24 Abril, 2009 at 16:04 | Permalink

    Estimada HM

    Ao ler os comentários a este post tão pertinente, uma descrição da bandalheira que temos que pagar, admiro-me que continue, estes tipos (os dos comentários) são esfolados, usados, enganados, mostra-lhes isso e continuam, quais zombies esvaziados de toda a substância.

  21. Pifas
    Posted 24 Abril, 2009 at 23:04 | Permalink

    Olá Luís

    Peço-lhe que deixe aqui o link para esse tal post tão pertinente e com informação que lançará finalmente a luz sobre a bandalheira, com novidades escaldantes, e quiçá alguma nova linha de pensamento que, de tão ousada, nenhum taxista ainda se atreveu a aflorá-la.

    Grato pela atenção dispensada

  22. Posted 24 Abril, 2009 at 23:42 | Permalink

    é por isso que a gestão por empresas públicas, entidades públicas empresariais, empresas municipais, enfim, gestão planificada-socialista-pública é em regra ineficiente e laxista. Portugal teve essa experiência pós 11 de Março 1975 com o assalto às e destruição de empresas, que ficaram um poço sem fundo dos impostos de quem os pagava. E ninguém foi preso!!! Talvez pq berravam “viva o 25 Abril” “morte ao fáásschchiiiissmo”.

  23. Posted 25 Abril, 2009 at 00:37 | Permalink

    15 # Tina

    “O que é incrível é que andam os miúdos das barracas e bairros sociais a marcar passo até acabarem a escolaridade obrigatória (15 anos de idade) sem ninguém saber o que fazer com eles.”

    Olhe que isso era dantes. Agora vão passando de ano, sem eles proprios saberem muito bem como.
    É um problema que não tem solução a vista. Alargar a escolaridade obrigatória até ao 12º ano, irá fazer com o secundário, o que tem sido feito no básico. Só vai piorar as coisas.
    Quem inventa estas medidas não tem os filhos no ensino oficial. O socialismo é muito bonito para os filhos dos outros…

  24. Posted 25 Abril, 2009 at 00:42 | Permalink

    Helena,

    o que escreve é um verdadeiro escandalo. Mas esses são os grandes gastos.
    Com os pequenos é a mesma coisa. No outro dia fiz figura de parvo porque paguei um telefonema pessoal feito da escola… a telefonista quase que ficou ofendida, porque se costuma registar a chamada como “serviço oficial”…

  25. Anónimo
    Posted 25 Abril, 2009 at 00:55 | Permalink

    “24 mete a crédito no currículo, quando a lena for a sub, tu vais a infra.

  26. Posted 25 Abril, 2009 at 01:50 | Permalink

    25 #

    E tu não irás, porque já lá estás. E deves fazer muitos telefonemas “oficiais”.

  27. OLP
    Posted 25 Abril, 2009 at 08:44 | Permalink

    “A corrupção é um imposto”
    E diria mais……
    Quase todos os impostos são corruptos.
    A maioria dos impostos são uma roubalheira descarada, justificada e agora apadrinhada por muita gente como sendo uma redistribuição social.
    Se assim fosse porque é que as tendências na sociedade são precisamente as contrárias?
    Servem sim para alimentar um sem número de parasitas além de pagar de forma legal toda a clientela do poder.

  28. Ruben
    Posted 26 Abril, 2009 at 16:41 | Permalink

    .
    As “ciências” Economistas e Fiscalistas são impotentes para solucionarem a actual Crise dos 2′Ds (Deflação / Depressão):
    .
    -La curva de Laffer y los desestabilizadores automáticos
    http://www.eumed.net/cursecon/11/laffer.htm
    .
    -Global Crisis: Is Economics Rational?
    Do Economists Understand the Causes and Consequences of the Crisis?
    http://www.globalresearch.ca/index.php?context=viewArticle&code=KOZ20090423&articleId=13320
    .
    -Germany’s slump risks ‘explosive’ mood as second banking crisis looms
    http://www.telegraph.co.uk/finance/financetopics/financialcrisis/5209033/Germanys-slump-risks-explosive-mood-as-second-banking-crisis-looms.html
    .
    -Japanese yakuza gangsters hit by recession
    http://www.telegraph.co.uk/finance/financetopics/financialcrisis/5212927/Japanese-yakuza-gangsters-hit-by-recession.html

    Nem as ciências matematicas acreditam em calculos racionais. “Edificios acabados” seriam exercicios de simples bruxaria de adivinhação do Futuro.
    .
    A presente Crise só tem uma via de solução: mais Consumo / mais Proteccionismo. No centro um conflito entre dois tipos de aparelhos de produção mundiais. Um destruindo o outro. Vende Produção (produtos baratos) para o outro Consumir retirando-lhe simultâneamente os factores de rendimento (Produção/Emprego/Renda).
    .
    Só pela via da forte redução fiscal + amnistia fiscal + Imposto Nacional Unico (só sobre o Consumo, deixando de tributar os Rendimentos e a Propriedade) + Imposto Nacional Social (taxa sobre o Consumo eliminando as actuais contribuições de Empresas e Empregados como forma de financiamento da Segurança Social),
    .
    se aumenta a Renda mensal de cada Cidadão (poder de compra de salários e demais rendimentos). Se reacendem rapidamente as Economias protegendo-as do outro aparelho produtivo que a está a intoxicar continuamente fechando Empresas e destruindo Postos de Trabalho.
    .
    O resto têm sido “balões de oxigénio”. Na realidade apenas têm acelerado a degradação continua da Crise. Resulta enquanto houver dinheiro para queimar. Depois falências.
    .
    É a unica via sustentada para debelar e inverter o caminho desta Crise nos grandes espaços economicos e fiscais (Europa, EUA etc). Esta Crise é muito diferente de todas as anteriores que não lhe servem de modelo cientifico.
    .
    É pelo Novo, pela Reforma, pela Rotura com arquetipos anteriores que se resolve. Continuar a teimar com outras roupagens e oratórias no Buraco-Negro de “mais do mesmo” foram, e são, a causa da Crise e o Centro Demolidor telurico.

  29. garaujo
    Posted 10 Maio, 2009 at 13:25 | Permalink

    12 anos de escolaridade obrigatória
    Os Equívocos

    Recentemente, o 1º ministro José Sócrates anunciou a implementação da obrigatoriedade de frequência escolar de 12 anos, aplicável a partir de 2009/2010 e seguintes, a todos os jovens que se inscrevam no 7º ano.

    A medida é correcta e já tinha sido apontada como necessária pelos governos de coligação PSD-PP anteriores ao actual.

    O primeiro equívoco não é do Governo. É dos jornalistas e de – curiosamente – muitos responsáveis que comentam a decisão: a confusão entre uma escolaridade de 12 anos e a conclusão do 12º ano.

    Até hoje, a escolaridade básica eram 9 anos (1º ao 9º ano) e a escolaridade obrigatória de 9 anos. Daí adveio a confusão. Entre os dois 9 (noves). A verdade é que nunca foi obrigatório que todos concluíssem a escolaridade básica (o 9º ano). Mas tão só que ficassem 9 anos, aí sim, de forma obrigatória, no sistema. Os alunos ficam “livres” de o deixar, ao completarem 16 anos antes do início do ano lectivo.

    O 9º ano só é concluído em 9 anos nos casos em que a carreira do aluno é imaculada. Sem “chumbos”. Assim, é só nesse caso, que a conclusão da escolaridade obrigatória é simultânea com o termo do 9º ano.

    A verdade é que esses casos seriam apenas alguns. Sempre cada vez mais, mas ainda longe de números que pudéssemos considerar como razoáveis.

    E ali estava o problema. Muitas vezes, apesar da escolaridade obrigatória estar cumprida, a conclusão do 9º ano ficava muito longe para uma grande fatia dos alunos. Devido aos anos “repetidos” que originava atrasos na frequência. O que não é bom para os alunos e para o País.

    Agora, a Escolaridade Básica vai continuar a ter 9 anos (1º ao 9º ano) mas passará a ser obrigatório ficar na escola (ou em formação), durante 12 anos.

    Chegamos então, ao segundo equívoco. Este já de uma maioria considerável dos intervenientes, onde se incluem os responsáveis governativos: ao contrário do que vêm referindo, o alargamento da escolaridade obrigatória a 12 anos pouco irá influir no Ensino Secundário e não terá absolutamente nada a haver com o 12º ano…

    Os grandes problemas estão bem identificados, nas situações de abandono precoce. Ou seja, no grupo de alunos que, ao atingir os 16 anos optavam por sair da escola. Encontrando-se, estes, nos 6º, 7º, 8º ou 9º anos. Ou seja, acumulando insucessos no ensino básico pelo que, muito longe de poderem almejar atingir (e muito menos concluir) o Secundário.

    Esta saída precoce, destes alunos, do sistema (no qual não se identificavam) era, muitas vezes, uma benesse para as Escolas. E por razões entendíveis: afinal, esses alunos eram referenciais pouco interessantes para os restantes alunos e focos de instabilidade e problemas para o estabelecimento.

    Mas são estes jovens que, agora, sentirão a mudança da lei: terão que ali (nas escolas) “penar” mais 3 anos. Não no Secundário, mas no Básico. Onde estão agora, sem perspectivas de ir muito mais longe. Com as óbvias implicações ao serem impedidos, antes dos 18 anos, de aceder ao mercado de trabalho. Serão mais problemas para as escolas e professores que os terão que aguentar mais 3 anos. Mais velhos, maiores, menos “controláveis”, mais frustrados, mais incompreendidos.

    A notícia que a idade de empregabilidade se manterá nos 16 anos é contraditória. A não ser que esses jovens (16-18 anos) se mantenham em simultâneo, no mercado de trabalho e em frequência escolar/formativa.

    O que nos leva ao 3º equívoco. A bolsa de estudo. Para os alunos no Secundário com aproveitamento. O que constitui um “tiro” completamente ao lado. Como vimos, o que esta nova lei vai acrescentar (e manter mais 3 anos no sistema) são alunos no Básico e sem aproveitamento regular. E são estes alunos os que terão que ser apoiados. Caso contrário, teremos um “inferno na Terra” para eles, para os outros alunos, para os professores e para as suas Escolas.

    A bolsa de estudo para os alunos do Secundário, com aproveitamento, servirá para aqueles que, sem ela, estariam ali mesmo. Não acrescentará nada ao crescimento da escolaridade, sem prejuízo da oferta ser-lhes (a esses alunos) pessoalmente interessante (afinal é-lhes dado dinheiro).

    Ainda não se entendeu se a atribuição da bolsa será feita juntamente com o Abono de Família, pelo sistema da Segurança Social (deverá ser assim, para simplificação administrativa) ou através do sistema da Acção Social Escolar (processo muito mais complicado).

    Escrevi no início que a medida é boa. E é.

    O grande impacto será vivido na possibilidade de mais alunos concluírem a escolaridade básica. Pois 9 anos obrigatórios, para estes alunos com insucesso acumulado, não chegavam para, sequer, concluir a Escolaridade Básica. Agora com 12 anos, isso passará a será possível.

    Mas isto não é suficiente. Fazer a lei é fácil. Assegurar os resultados objectivados, é mais difícil.

    Mas é possível. E como:

    Assegurando a multiplicação de ofertas de formação profissional de nível II (e não de nível III, conforme é usual se ouvir falar), de preferência nas Escolas de Ensino Secundário onde as idades dos alunos agora “retidos” no sistema se equivalerão às dos restantes, facilitando a sua integração. Nas zonas de população mais rarefeita, será necessário garantir transportes regulares para garantir o acesso desses alunos aos locais e escolas devidas. A idade (mais avançada) dos alunos facilita o processo (distâncias maiores a percorrer).

    Por outro lado, haverá que incrementar os Cursos de Educação Formação que atribuem profissionalização de nível II a fim de os disponibilizar aos alunos, que, já perto dos 18 anos, concluem o Básico mas já não estão dispostos a continuar no sistema ao longo dos mais 3 anos que constituem o Secundário. Aí entram esses cursos com durações de 1 ano que acrescentam uma componente profissional ao Ensino Básico já concluído.

    Realmente, como diz a Ministra, não deverá haver grande acréscimo imediato de alunos no sistema. Daí não se dever esperar grandes incrementos na oferta de trabalho docente. Gradualmente haverá mais alunos, mas contrabalançados com a redução demográfica, o seu número deverá manter-se mais ou menos estável ou com uma variação gradual positiva reduzida.

    As ofertas prévias na Educação Pré-Escolar (alargamento da sua frequência) e numa Escola a Tempo Inteiro de qualidade, reduzirão o insucesso e permitirão, primeiro, que a conclusão da escolaridade básica possa ser, efectivamente, generalizada e que, depois, então, se aumente o mais possível e de forma sustentada o nível médio formativo dos jovens portugueses para além do Ensino Básico.

    Finalmente:

    A bolsa de estudo anunciada é um tiro falhado. Que custará 150 milhões de euros anuais dentro de poucos anos. Ora, não se entende para que serve.

    Afinal, aqueles alunos são apoiados pela Acção Social Escolar para efeitos de acesso a livros, material escolar, transportes, alimentação, acesso à banda larga. Já quase tudo gratuito. Antigamente, a bolsa de estudo (e bem) justificava-se para os casos em que a escolaridade obrigava à frequência escolar em estabelecimentos distantes, servindo para financiar uma morada de recurso.

    Assim, para que servirá este dinheiro dado assim, de forma avulsa? Não quero nem sugerir algumas aplicações (tão erradas quanto possíveis).

    Muito mais correcto seria aplicar esse dinheiro no reforço dos apoios ASE, aplicáveis a todos os alunos com mais de 16 anos (sim, também do básico e sem considerar o facto do aluno não ter obtido, pontualmente, aproveitamento) de forma muito mais criteriosa (criar crédito para determinados usos) e, talvez, suportar estágios – por inteiro – nas empresas que aceitem alunos a frequentar cursos de nível II. Incluindo compensação às empresas e aos alunos (neste caso, substituindo-se ao emprego agora impossibilitado).

    O acesso precoce destes jovens, já nesta fase (estágios nas empresas) ao sistema da Segurança Social (habilitando esses jovens aos benefícios correspondentes) também poderia ser analisado e financiado pelo Estado (ao invés da atribuição inútil das bolsas).

    Considero que é aqui que se deverá centrar o esforço máximo a fazer nos próximos anos. Mesmo que, ganha a primeira aposta e ultrapassada a primeira fase, tudo se possa transferir para o nível seguinte: secundário e formação de nível III. Mas por agora, ainda estaremos longe (talvez 10 anos) disso.

  30. António Barreto
    Posted 20 Abril, 2010 at 21:15 | Permalink

    “O nosso problema é empobrecer lícita e legalmente (I)*”

    O Público disse isso?! E o Belmiro deixa?! Só visto:
    – Enriquecer lentamente! Assim é que é! Enriquecer lentamente!

    Para o Sr do 29: Aplauso para o seu comentário.

    Cá para mim, não saía ninguém, ninguém, do ensino oficial sem um diploma profissional. E considero que seria decisivo a criação de ums Escola Nacional de Artes e Ofícios a disseminar por todo o País, raconvertendo talvez as muitas escolas superiores que por todo o lado vão fechando.

    Acredito na possibilidade de eficácia da estratégia fiscal preconizada pelo Sr do 28 (um aplauso também). A confirmar-se, despoletaria um crescimento económico imprescindível para a absorção dos novos profissionais, que passariam a ter esperança no futuro e talvez maior motivação académica.

    Conjugando estas duas estratégias,com o necessário combate, efectivo, à corrupção e ao nepotismo, talvez, talvez, fosse o início do tão ansiado ciclo económico virtuoso.


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