Entrevista de Passos Coelho

1. Quando o candidato a líder do maior partido da oposição dá uma entrevista em prime time, com uma audiência potencial de mais de 1 milhão de pessoas, espera-se que responda a perguntas sobre o país, particularmente a perguntas sobre como pretende tirar o país do pântano em que se encontra. Judite de Sousa preferiu perguntar sobre as tricas internas do PSD. Tendo em conta que o PSD tem, no máximo, 75 mil militantes activos e que a esmagadora maioria terá TV Cabo, uma entrevista na RTPN ou no Povo Livre teria sido suficiente.

2. Claro que pode dar-se o caso de Judite de Sousa ter o hábito de se preparar para as entrevistas com base nas tricas do dia-à-dia dos partidos, não tendo capacidade para distinguir o essencial do acessório. Admito que avaliar um relatório do Banco de Portugal seja bem mais complicado do que estar a par das últimas tricas social-democratas. Nesse caso a entrevista foi o melhor que poderia ter sido. Saber quem apoia quem, quem traiu quem ou quem se aliou a quem não requer grande preparação formal. Algumas pessoas estão naturalmente preparadas para perceber uma intrincada rede de ódios e alianças. Já perceber a situação orçamental pode necessitar de algum conhecimento formal de economia e matemática.

3. Passos Coelho contribuiu para uma má entrevista, embarcando numa discussão rasteirinha sobre os problemas internos do PSD, não tendo nenhum interesse em fazê-lo, e aproveitando para dar as suas alfinetadas. Os seus adversários continuarão a dizer que Passos Coelho é oco e não tem ideias, o que é uma acusação sem grande fundamento, mas Passos perdeu uma oportunidade de os desmentir.

40 Comentários

  1. Posted 22 Janeiro, 2010 at 11:45 | Permalink

    Pois (2) esse é que é o problema!

    Judite joga no jogo do mau jornalismo! Do jornalismo que se alimenta de tricas, do jornalismo rasteiro e mesquinho.

    Se há sector a precisar de novas oportunidades. é este!

  2. Posted 22 Janeiro, 2010 at 11:52 | Permalink

    Para os apoiantes nacionais de Ron Paul

  3. Pi-Erre
    Posted 22 Janeiro, 2010 at 12:28 | Permalink

    É tudo tão frágil que qualquer soprosinho pode parecer um furacão.

  4. JoaoL
    Posted 22 Janeiro, 2010 at 12:31 | Permalink

    Fala-se constantemente dos problemas internos do PSD só para desviar as atenções do PS e do seu (des)governo.

    Já Salazar sabia muito bem que compensava distrair os portugueses com o futebol…

  5. Kolchak
    Posted 22 Janeiro, 2010 at 12:36 | Permalink

    A entrevista de ontem pode resumir-se nisto:

    Uma jornalista sem grande preparação política, entrevistou um político

    ressacado por anos de «partidarite» e por ser uma velhíssima promessa sempre

    adiada.

  6. nem estranho não estranhar
    Posted 22 Janeiro, 2010 at 12:58 | Permalink

    “pode dar-se o caso de Judite de Sousa ter o hábito de se preparar para as entrevistas com base nas tricas do dia-à-dia dos partidos, não tendo capacidade para distinguir o essencial do acessório”.

    Você sacou, né?

    Parabéns, JM. E recuso acreditar que só agora tenha percebido o estilo da Judite.

  7. Barata
    Posted 22 Janeiro, 2010 at 13:13 | Permalink

    Bateu no fundo

    O PSD, nunca vai ultrapassar as divergencias entre si.

  8. Bessa Leite
    Posted 22 Janeiro, 2010 at 13:17 | Permalink

    http://dn.sapo.pt/bolsa/interior.aspx?content_id=1475830

    O Senhor Conselheiro de Estado deixou obra

  9. Eduardo Costa
    Posted 22 Janeiro, 2010 at 14:06 | Permalink

    O problema é esse: Passos tem uma imagem injusta,que não corresponde ao que ele é, nem é aquilo a que ele quer corresponder. Mas o equívoco instalou-se, mais um no seio do PSD – eternamente órfão de Sá Carneiro, eternamente refém do mesmo.

    Coragem, coragem teria quem rompesse não só com o cavaquismo – uma maneira conspirativa e não assumida de jogar nos bastidores e de ter um discurso vácuo de tão neutro, cheio de melindres éticos na aparência, mas digamo-lo sem reservas, chatíssimo, repetititvo, fazendo lembrar o américo tomasismo – mas com o sá-carneirismo. Ou seja, teria de haver coragem de romper com o burocrata evasivo e com o santo carismático.

    Mas a resposta não está na reserva baronial. Estão todos gastos, todos zangados – e numa palavra, nunca ninguém lhes disse – outdated. Mofo. Reumático. No osso e na ideia. Na proposta e na zanga. Na teima e na palavra.

    Por isso o PSD precisaria de ser refundado, profundamente. Não se põe vinho novo em velhos odres, velha verdade. Teria que ir tudo e todos pela borda fora. Por isso o melhor seria acabar de vez com o partido. Tem à vista 12 anos de anemia e de quezília, de divisão eterna. De facadas públicas e privados envenanementos. É como aqueles casamentos cheios de fúria e ressentimento mas que nunca mais acabam.
    O melhor seria divórcio, pois, E que cada facção siga à sua vida, se é que ainda a tem. Mas o mais provável é que se tenha transformado num partido fantasama, sem dar por isso.
    Neste momento Passos Coelho é um transgender político no seu próprio partido.

  10. Posted 22 Janeiro, 2010 at 14:14 | Permalink

    “continuarão a dizer que Passos Coelho é oco”

    E não é?

  11. Posted 22 Janeiro, 2010 at 14:17 | Permalink

    Se a entrevista fosse feita, por exemplo, pela Ana Lourenço, seria completamente diferente.
    Até no visual.
    O sorrisinho postiço da Judite nunca me convenceu.
    Conduz as entrevistas como alguns árbitros de futebol. Com muitas habilidadezinhas para fazer um resultado.

  12. Anónimo
    Posted 22 Janeiro, 2010 at 14:22 | Permalink

    -Oh presidente, ligou-me ele hoje de manhã a pedir fruta.
    -Sim sim, diga que sim senhor!

  13. José Barros
    Posted 22 Janeiro, 2010 at 14:59 | Permalink

    Concordo com a análise.

    Para ser justo com Passos Coelho – que, quem lê os meus comentários, sabe que considero uma fraude -, penso que a principal culpa da má entrevista cabe à Judite de Sousa. Das poucas vezes em que ao entrevistado foi permitido dizer algo sobre o país, nomeadamente sobre as negociações do orçamento, a jornalista desviou logo o assunto para as directas. Claro que se Passos Coelho tivesse tomates e não fosse de plástico, recusava-se a responder às perguntas da jornalista e falava directamente ao país. Como é mais um político de plástico, fez um frete ao mau jornalismo e não ganhou um voto com isso.

  14. Kolchak
    Posted 22 Janeiro, 2010 at 15:29 | Permalink

    Continuo a colocar a mesma questão: do que é que Marcelo está à espera?

  15. lucklucky
    Posted 22 Janeiro, 2010 at 15:47 | Permalink

    Com raras excepções são assim a maioria das mulheres que fazem entrevistas na TV em Portugal: coscuvelhice e conversa de vizinhas aplicada à política. Depois quando se aventuram mais além é só frases feitas que ouviram em algum lado.

  16. J.R.
    Posted 22 Janeiro, 2010 at 17:29 | Permalink

    Agora a culpa da loura!!!

  17. lucklucky
    Posted 22 Janeiro, 2010 at 17:30 | Permalink

    hehehe

  18. AB
    Posted 22 Janeiro, 2010 at 18:05 | Permalink

    É preciso recusar o óbvio. Pode não ser evidente mas o careca, marido da loura, é que é o culpado.

    É mais um que usa a mulher para tentar deitar abaixo a candidatura do eterno rapaz, que tem qualidades, apesar de não serem evidentes, para por o PSD e o País nos eixos.

    Há grande Obama do PSD!

  19. Ed
    Posted 22 Janeiro, 2010 at 18:43 | Permalink

    Por mim, qualquer coisa é melhor que trafulha palhaço!

    Portanto, vamos ver…

  20. FilipeBS
    Posted 22 Janeiro, 2010 at 18:51 | Permalink

    Na linha do que o João Miranda afirmou neste post, penso que Judite de Sousa fez uma entrevista verdadeiramente deplorável. Mais 90% do teor das perguntas tinham, de facto, que ver com as tricas e os ódios entre pessoas e facções no PSD. E isso é o que menos interessa ao País.

    Quanto a Passos Coelho, não esteve mal. Mas só timidamente tentou recentrar o debate nas questões essenciais. Podia ter feito mais para falar aos portugueses sobre o seu programa para o país. Agora, terei de comprar o livro “Mudar” para o saber.

    Em todo o caso, gostei da afirmação categórica, uma ou duas vezes repisada, de que pretende representar uma alternativa NÃO socialista.

  21. Anónimo
    Posted 22 Janeiro, 2010 at 21:05 | Permalink

    eu gosto mais do aguiar branco. de longe.

  22. dutilleul
    Posted 22 Janeiro, 2010 at 21:07 | Permalink

    “Os seus adversários continuarão a dizer que Passos Coelho é oco e não tem ideias, o que é uma acusação sem grande fundamento, …”
    JM

    É realmente injusto. O rapaz lampeja ideias à velocidade da luz.
    Só mais um exemplo:

    Em Setembro, durante a campanha eleitoral, a criatura defendeu o investimento em “TGV” precisamente no mesmo dia em que MFL defendia a suspensão do investimento em “TGV” por tempo indeterminado.

    Na entrevista mencionada por JM, o mamífero garante que não se prestaria à negociação do orçamento sem a garantia prévia de que o governo promoveria a suspensão “das grandes obras”…

    Porque é que os “adversários” deste rapaz não percebem que ele não é “rasteirinho” e“oco”?
    Bom, em primeiro lugar porque são “adversários”…
    Depois, por causa da parvalhona da jornalista que só queria falar dos “problemas internos do PSD” e de “alfinetadas”, que outra coisa podia ser?

  23. Golp(ada)
    Posted 22 Janeiro, 2010 at 21:12 | Permalink

    Este PPCoelho veio defender com a mesma frase emulando Socrates:
    “estou farto do bota-baixismo”

    Pra mim tem a cartilha lida:

    Só mudam as moscas!!!

  24. dutilleul
    Posted 22 Janeiro, 2010 at 21:30 | Permalink

    Esqueci-me(# 23,9:07 pm)de lembrar que PPC considerou imperativo informar o mundo da sua ideiazinha acerca da importância estratégica dos “TGVês” apenas DEPOIS de MFL ter afirmado que a situação financeira do país impunha a suspensão do investimento por tempo indeterminado.

  25. Zé Coelho
    Posted 22 Janeiro, 2010 at 22:40 | Permalink

    O Passos Coelho é muito bom.

    Bem, assim de repente é só o que me vem à cabeça.

  26. DessaMarcaTenhoDoisNoCurral
    Posted 22 Janeiro, 2010 at 23:57 | Permalink

    Se esse Passos Coelho vier a ganhar as eleições no PSD eu vou emigrar para o Uganda!

  27. Posted 23 Janeiro, 2010 at 00:15 | Permalink

    Para que é que um tipo tão novo pinta o cabelo?

    Assim de repente também é a única coisa que me vem à cabeça.

  28. Posted 23 Janeiro, 2010 at 00:21 | Permalink

    A partir de que idade se pinta o cabelo?

  29. Posted 23 Janeiro, 2010 at 00:30 | Permalink

    Os homens não pintam o cabelo.

  30. Posted 23 Janeiro, 2010 at 00:32 | Permalink

    A coisa pisca, ou pinta o cabelo ou já fala como os metrossexuais de esquerda.

  31. Posted 23 Janeiro, 2010 at 00:45 | Permalink

    E não há centimetrossexuais de direita a pintar o cabelo?

  32. Posted 23 Janeiro, 2010 at 00:53 | Permalink

    Deve haver até para frente, para trás, às arrecuas, para cima ou em roda.

    Agora com preocupações no politicamente correcto de ser preconceito dizer-se que os homens não pintam o cabelo, só mesmo a “escardalhada”.

  33. antipiscoiso
    Posted 23 Janeiro, 2010 at 00:54 | Permalink

    32
    Não.
    E milimetrosexuais só há um, como sabes desde que nasceste.

  34. Posted 23 Janeiro, 2010 at 01:35 | Permalink

    #33.
    Eu não disse que era preconceito, quando se diz que os homens não pintam o cabelo.
    Só não percebo porque é que, quem quer que seja, macho ou fêmea, não há-de pintar o cabelo se o quiser fazer.
    E quem diz cabelo, diz qualquer parte do seu próprio corpo.

  35. Posted 23 Janeiro, 2010 at 01:52 | Permalink

    E alguém disse que é proibido?

    É mas é sintomático. Essas coisas fazem-nos os homens inseguros quando vão para velhos.

    Agora um tipo novo que não é punk e veste à beto, é mesmo caso estranho. Quer iludir a passagem do tempo como se fosse um jota a vencer uma senhora velha?

    Se não é marketing para isso, ainda é pior.

  36. Posted 23 Janeiro, 2010 at 01:54 | Permalink

    Quem pinta o cabelo e quem anda de brinco ou coisa assim.

    Agora um tipo de “tailleur”,, armado em galã a pintar o cabelo em campanha para chegar a PM não era eu que comprava.

  37. Posted 23 Janeiro, 2010 at 01:59 | Permalink

    E pulseira no tornozelo?

  38. JMLM
    Posted 23 Janeiro, 2010 at 19:03 | Permalink

    Totalmente de acordo.
    Pedro Passos Coelho, falou para dentro do partido e assim sendo falou mal. Um lider deve falar para as massas votantes, apresentar propostas, eleger um caminho, dar uma esperança, falar claro em tdos os temas, apresentar-se forte e decidido. Tal não se verificou, falou para dentro, para os que são contra e a favor dele, para os antigos e os novos no PSD. Um partido que quer ser candidadto a governo tem que ter um lider forte e determinado, que corte com o passado, que limpe máquina, que troque as peças desgastadas. Se Pedro Passos Coelho quiser conquistar o partido terá que falar para o eleitorado, o povo, caso contrário corre o risco de ser mais um para simplesmente “queimar”.
    Para já nada, resta-nos ficar com a esperança que ele seja uma boa surpresa. Veremos.

  39. Assim é que é falar!
    Posted 24 Janeiro, 2010 at 02:29 | Permalink

    JoaoMiranda em 22 Janeiro, 2010

    1… Judite de Sousa preferiu perguntar sobre as tricas internas do PSD…
    2… a entrevista foi o melhor que poderia ter sido. Saber quem apoia quem, quem traiu quem ou quem se aliou a quem não requer grande preparação formal. Algumas pessoas estão naturalmente preparadas para perceber uma intrincada rede de ódios e alianças.

    Já perceber a situação orçamental pode necessitar de algum conhecimento formal de economia e matemática.

    3. Passos Coelho contribuiu para uma má entrevista, embarcando numa discussão rasteirinha… e aproveitando para dar as suas alfinetadas. Os seus adversários continuarão a dizer que Passos Coelho é oco e não tem ideias, o que é A MAIS PURA DAS VERDADES!

  40. João Passos
    Posted 26 Janeiro, 2010 at 11:17 | Permalink

    Porque é que ele havia de ser questionado sobre o país quando ainda nem sequer ganhou o partido ?


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