Bolhas

O crédito fácil e barato de que os governos tanto gostam insufla-as até que rebentem. Em 20 anos já assistimos a 4 grandes estoiros: ao crash bolsista em 87, à crise financeira asiática em 97, às dotcom em 2000 e ao sub-prime em 2007. Quais toxico-dependentes em último grau, não se viu governo ou banco central que aceitasse enfrentar a ressaca após cada estoiro, assumindo a profilática contracção. Pelo contrário, providencia-se a injecção de mais veneno (crédito) em doses maciças, insuflando a todo o gás a bolha seguinte e pavoneando-se como grandes milagreiros (lembram-se do Sócrates versão 2009?) face ao alívio que a curto prazo se vai sentindo.

Só que os mercados são implacáveis, detestam desequilíbrios acentuados e já estão a antecipar a próxima bolha: a da dívida pública. Grécia e Portugal, tradicionalmente indisciplinados, mas sobretudo os mais aldrabões,  serão os primeiros a estoirar. Se a coisa ficar por aqui, poderá até não advir grande mal ao mundo. Mas como a indisciplina nas finanças públicas é pior, em termos de contágio, que a mais mortífera peste medieval, poderemos em seguida assistir ao colapso de Espanha, Itália e Reino Unido. E daí à América é um salto…

Cruzem os dedos. Ou então invistam desde já em enxadas, arados e canas de pesca, que em breve teremos de produzir a paparoca.

25 Comentários

  1. VA
    Posted 5 Fevereiro, 2010 at 11:51 | Permalink

    Caro LR,

    Cada vez acredito mais nisso, parece um panorama assustador e apocalíptico, mas cada vez mais verosímil, infelizmente.

  2. lucklucky
    Posted 5 Fevereiro, 2010 at 11:59 | Permalink

    Este foi talvez o melhor post do ano no Blasfémias.

  3. Anónimo
    Posted 5 Fevereiro, 2010 at 12:00 | Permalink

    olha ca porra! então não são os liberais que defendem essas merdas? é preciso ter lata e coluna de latex, estes gajos são comunistas liberais.

  4. lucklucky
    Posted 5 Fevereiro, 2010 at 12:12 | Permalink

    Anónimo deixo-lhe aqui a citação de Krugman como bem sabe um Keynesiano à Moda da Esquerda Moderna
    (aquela que se esqueceu que Keynes por exemplo diz que 25% de Estado já é demais):

    “…To fight this recession the Fed needs more than a snapback; it needs soaring household spending to offset moribund business investment. And to do that, as Paul McCulley of Pimco put it, Alan Greenspan needs to create a housing bubble to replace the Nasdaq bubble…”

    http://www.nytimes.com/2002/08/02/opinion/dubya-s-double-dip.html

  5. Atoleiro
    Posted 5 Fevereiro, 2010 at 12:13 | Permalink

    O anónimo só não percebeu que ele próprio é um liberal creditário.
    Ele como muitos acham que podem pedir credito ad infinitum.
    Que alguém há-de pagar……. mesmo que não tenha como.
    E que quando lhe querem cobrar não passam de mafiosos especuladores.

  6. Posted 5 Fevereiro, 2010 at 12:13 | Permalink

    20081202: Soluções para crise: Via Espartana e a outra.

    Carlos P Cruz em o Ponto de Singularidade e António Maria em Os Dilemas da Crise colocaram ontem interessantes artigos sobre a Crise que vivemos e como soluciona-la. Eu não vejo outra saída para a crise ocidental e nacional que não seja aceitar de forma adulta as verdadeiras causas e passar a ter um comportamento oposto ao que a gerou, durante o tempo equivalente.

    Um individuo, uma familia, uma empresa, só são estatisticamente viáveis se forem «capitalistas», isto é, se acumularem «capital» derivado de terem mais activos do que passivos, se as receitas forem superiores aos custos, consumo improdutivo, juros, etc.

    O que se viveu nas últimas décadas no mundo Ocidental foi o desvirtuar do «capitalismo», via excesso de dívida para consumoi e investimento pessoal, empresarial e estatal não produtivo ou pouco rentável: Desde a compra de habitação a preços especulativos, às fusões que aumentam quota de mercado, bonus de gestores e custos de gestão (mas matam a rentabilidade das empresas) até às bombas «high-tech» e caríssimas largadas no Afganistão sobre rebanhos de cabras. Dai as falências das famílias, bancos, empresas e eventualmente Estados. A propósito, «Cotadas devem quase tanto quanto valem em bolsa» e «Gestores do PSI 20 ganham três vezes mais» do que as restantes cotadas ou mesmo as não cotadas, diria eu.

    Para solucionar, é necessário regressar ao básico, à frugalidade, ao «capitalismo», à acumulação estrutural de capital, a activos e receitas substancialmente superiores aos passivos e custos. Apenas assim se vai absorver as perdas passadas. O Ocidente, Portugal e os portugueses terão que fazer o mesmo, antes ou depois de FMI ou a UE o dizerem. O excesso de Estado Social, as ineficiências na administração pública (300 autarquias, Estado Central concentrado em Lisboa onde o metro quadrado e salários são mais elevados), o desperdício via corrupção ou encomendas empoladas aos lobbis betoneiros terão que acabar, com ou sem revolta generalizada, com ou sem emigração em massa. A sustentabilidade regressará. Este é o caminho espartano, à chinês. É o caminho de quem efectivamente se desenvolve.

    Obviamente que há atalhos facilitistas e presumo que serão usados para adiar a crise por mais uns anos/decadas: Vender os aneis que restam e endividar os que ainda não nasceram. Conretamente, tal como propõe Obama e Socrates, mais PPP, mais endividamento externo garantido pela venda das infra-estruturas na posse do Estado, estradas, aeroportos, rede de águas e saneamento, portos, rede electrica, etc. Quem comprará ? As formigas chinesas e afins. Tenho a impressão que este caminho será mais facilmente implementável nos EUA do que em Portugal, e portanto teremos mesmo que ser Espartanos.

    http://norteamos.blogspot.com/2008/12/solues-para-crise-via-espartana-e-outra.html

  7. Jorge Paulo
    Posted 5 Fevereiro, 2010 at 12:32 | Permalink

    Lembram-se daquela historia que diz que quem deve mil contos ao banco tem um problema, mas se dever um milhão o problema passa a ser do banco? pois com os paises passa-se o mesmo: nenhum banco deixa ir um país à falencia. O que normalmente acontece, é que lhe ficam com os recursos financeiros, a preços de agiota, e os paises ficam mais pobres, e quem sofre são os que lá vivem. É o que está a acontecer com Portugal neste momento. Concordo com LR, que o que aí vem não vai ser bonito de se ver, e os EUA, que tem uma divida externa astronomica teem um problema acrescido: os seus principais credores são os chineses, que ainda teem na sua posse titulos de divida que valem biliões, e nunca resgatados, emitidos no tempo do Roosevelt. A paciencia chinesa, é um problema bicudo. Nós aqui no rectengulo à beira mar plantado, vamos regressar a niveis de vida parecidos com o principio dos anos 80, que evidentemente os mais novos não conheceram, mas que eram muito dificeis para muitos portugueses. Quanto a comprar enchadas e canas de pesca, é só dar uma volta pela provincia, para se ver a quantidade de pessoas que voltaram a essas praticas da horta, do galinheiro, e do porquinho para alimentar a familia.

  8. Anónimo
    Posted 5 Fevereiro, 2010 at 12:36 | Permalink

    “O anónimo só não percebeu que ele próprio é um liberal creditário.”

    pois sou, de manhã, à tarde e à noite, mas não tenho paleio de comuna quando não me agrada.

  9. tina
    Posted 5 Fevereiro, 2010 at 12:41 | Permalink

    Com a queda das bolsas provocada pelos desastres económicos da Grécia, Portugal e Espanha, agora a União Europeia vem dizer que a recuperação económica na zona euro será lenta. Mas a própria UE é muito responsável por esta situação quando subsidia projectos dispendiosos e sem retorno económico tal como eólicas, TGVs, auto-estradas…. . Se não fossem tão generosos com os seus subsídios, os governos pensariam duas vezes antes de se cometerem a projectos em que não há garantias nem de retorno nem de promover verdadeiramente a economia. Afinal, esses subsídios acabaram por fazer mais mal do que bem, porque os governos endividaram-se para pagar o resto. Durão Barroso e equipa não souberam dirigir a Europa do ponto de vista económico.

  10. stop
    Posted 5 Fevereiro, 2010 at 12:49 | Permalink

    ainda vamos ler ossanas ao modelo chines por estas bandas. Já faltou mais.

  11. o anjinho
    Posted 5 Fevereiro, 2010 at 13:01 | Permalink

    Atão e o meu bm, vai ficar na garagem? E o porshe carrera? Não pode ser vou falar com o coelho, se ele não estiver, ligo ao vara, se ele não estiver, ligo ao brava, se ele não estiver, ligo ao júdice, ao marcelino, ao rangel, ao leite pereira, à tsf, à fátinha, à judite. E se eles já cá não estiverem?
    Dêem-me uma dica por favor.

  12. Posted 5 Fevereiro, 2010 at 13:33 | Permalink

    Óptimo, caro LR !

  13. Justiniano
    Posted 5 Fevereiro, 2010 at 13:48 | Permalink

    LR,
    Pergunte ao JM se já se preocupa com o déficit da balança comercial ou se o problema é apenas o déficit da conta do Estado…Se for apenas o segundo não vale a pena o tal investimento em utensílios agrícolas!!

  14. stop
    Posted 5 Fevereiro, 2010 at 13:49 | Permalink

    é a velha rabula comunista, o comunismo nunca se cumpriu..

  15. stop
    Posted 5 Fevereiro, 2010 at 13:52 | Permalink

    neste caso, a anarquia financeira e as bolhas dos ultimos 20 anos existiram porque o liberalismo nunca foi cumprido ao pormenor..

  16. per caso
    Posted 5 Fevereiro, 2010 at 13:53 | Permalink

    E “em seguida assistir ao colapso de Espanha, Itália e Reino Unido. E daí à América é um salto…”

    Salve-se a Alemanha, Holanada e a Dinamarca, com a Suécia, a Noruega e Helsínquia, passando Moscovo e a Sibéria, até bem lá ao fim.

  17. Posted 5 Fevereiro, 2010 at 14:08 | Permalink

    Acabo de ler no Le Monde, sob o título “L’homme qui fait trembler l’euro”, em que o visado é Papandréou. Um homem de silhueta distinta, de bigode aparado ao milímetro, polido e sorridente, que se exprime num inglês perfeito aprendido em Harvard e na London School of Economics, cultivando o físico com diárias sessões de fitness e ciclismo.
    Sócrates não conseguiu um tal relevo com o footing.

  18. Alalil
    Posted 5 Fevereiro, 2010 at 14:25 | Permalink

    e depois há o Jogo da Bolha, mas isso é só para azeiteiros de gabarito.
    Bolha ou Volha?!

  19. Anónimo
    Posted 5 Fevereiro, 2010 at 14:31 | Permalink

    “Ou então invistam desde já em enxadas, arados e canas de pesca, que em breve teremos de produzir a paparoca.”

    E o portugal agrícola está uma categoria à custa de uma classe política que pensa que vivemos de ventoinhas, electricidade e serviços. Basta viajar pelas estradas da europa e ver a diferença.

  20. honni soit qui mal y pense
    Posted 5 Fevereiro, 2010 at 14:36 | Permalink

    SuperAldrabões . A contabilidade tuga é das mais criativas … basta pagar ao auditor para pôr lá o que se queira .

    Quanto ás crise ainda vêm aí mais duas do credito imobiliário nos próximos anos .Vêm dos EUA como o subprime.

  21. abrantes
    Posted 5 Fevereiro, 2010 at 15:08 | Permalink

    # 17, desculpe o meu chefe veste melhor, fala uma língua mais simples e tem os dentes mais brancos. Até o tomás, digo, cavaco, diz que entre a grécia e o sitio vai uma grande distância, para aí 4.000 km.

  22. lucklucky
    Posted 5 Fevereiro, 2010 at 15:22 | Permalink

    “ainda vamos ler ossanas ao modelo chines por estas bandas. Já faltou mais.”

    Já começou.
    Ou ainda não notou aqueles referendos que só contam quando se vota SIM…

    É só o começo. A Elite Europeia nunca foi Democrática ou quiz alguma vez a Liberdade. Veja como são os Correspondentes dos Media na Europa. Caniches.

  23. Portugal vai dar o Berro..
    Posted 5 Fevereiro, 2010 at 16:13 | Permalink

    E o mais incrível é que o PR está dando cobertura a todo este descalabro.

    Quem votou no PR espera que exonere o PM por indecente e má figura…

  24. A. Ventura
    Posted 5 Fevereiro, 2010 at 19:05 | Permalink

    Que venha um RESET global para que se perceba o erro fundamental do mercado como instrumento decisor da virtualidade e realidade humana.

  25. Tribunus
    Posted 6 Fevereiro, 2010 at 18:42 | Permalink

    E este ano tem o acordo de Basileia a apertar com a consilidação,
    por isso tanta emissão de divida! è ver a aldrabice a correr!


Um Trackback

  1. Por O fim de um modelo « BLASFÉMIAS em 11 Julho, 2011 às 21:19

    [...] Não se pense que estamos perante um problema limitado aos PIIGS. Em breve se constatará que países da “Europa civilizada” estão também em estado de “coma profundo”. Bélgica, Reino Unido e França já se perfilam na “grelha de queda”, muito “bem acompanhados” pelos “gringos”, todos eles vítimas da mesma “bolha“. [...]

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