Perguntas aos professores II
11 Novembro, 2008
Outra coisa que causa espanto é a posição dos professores titulares que afinal não querem avaliar, que afinal não querem outras responsabilidades para além de dar aulas, que afinal não têm flexibilidade, paciência, tempo ou interesse para tutelar áreas que não aquelas em que se especializaram. A questão que eu gostava de ver respondida é a seguinte: quando se candidataram a titulares não tinham a intenção de assumir as responsabilidades da nova posição? Se o tempo lectivo diminui e o salário e o prestígio aumentam à medida que os professores progridem na carreira, não é natural que as responsabilidades também aumentem? Que a capacidade de coordenação exigida seja maior?
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JM
E os titulares que se pastoreiam no ME avaliam quem?E que tal mandar uns metalurgicos para as escolas para avaliar os professores?Isto por ninguém querer fazer os exames nacionais que permitiriam avaliar toda a gente que dá aulas…
Copiei agora dum blog a seguinte máxima, que se aplica ao seu post muito bem…
frase lapidar do Cardeal de Retz,«Quando os que mandam perdem a vergonha, os que obedecem perdem o respeito».
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Se o tempo lectivo diminui e o salário e o prestígio aumentam à medida que os professores progridem na carreira, não é natural que as responsabilidades também aumentem? Que a capacidade de coordenação exigida seja maior?
Anda mal informado.Essas “benesses” estão congeladas há anos e “desapareceram” como a redução de horário…
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Excelentes textos JM, este e o anterior
Tiro o meu chapéu
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Os professores continuam a ter reduções lectivas.
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Eu até gostaria de saber o que é isso da autonomia das escolas uma vez que nem um peidinho elas podem dar sem autorização superior…
Procure por outro lado na organização do ME alguma coisa que se assemelhe a “INSPECÇÂO” do que quer que seja…
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frase lapidar do Cardeal de Retz,«Quando os que mandam perdem a vergonha, os que obedecem perdem o respeito».
A este respondo: Snra Ministra não desista
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Os professores continuam a ter reduções lectivas.
Têm as que tinham, mas deixaram de ter as que viriam a seguir…
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Sra ministra não desista antes das próximas eleições por favor…
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«Os professores continuam a ter reduções lectivas.
Têm as que tinham, mas deixaram de ter as que viriam a seguir…»
Há que dizer com frontalidade que os professores são os únicos funcionários públicos que têm tempo para ir aos shoppings e fazer compras durante a manhã ou a tarde. Foi natural o choque, quando o ME lhes atribuiu novas aulas e outras funções na escola, nem que seja só a obrigatoriedade de ficar na escola. Tempo “obrigatório” em que ficam a olhar, segundo as queixas de muitos. É natural que uma força laboral tão desocupada veja a sua carga de trabalho aumentada. Porque, das duas uma, ou têm demasiado tempo livre ou têm um nível de produtividade fenomenal.
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Correcção:
«Tempo “obrigatório” em que ficam a olhar, segundo as queixas de muitos.»
*ficam a olhar para o balão*
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Deve ser nos shoppings que corrigem os pontos, prparam as aulas , fazem as actas… isso ou nos excelentes gabinetes privativos das escolas…
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Carissimo,
Não sou professor! Sou pastor numa escola!
Há 3 anos que pastoreio, e ás 12 1ue falo com pastores, ovelhas e cães…
CãoCordo consigo, quando fala dessa Nogueira. Os sindicatos nunca passaram de bandos de malfeitores. TODOS!
O ensino degradou-se porque os professores comportam-se com uma bando de freiras num bordel. Mostram-se chocados mas deitam-se …
Nunca farei greve, mesmo que dividam a carreira de pastor em duas.
Espero que os professores tenham aprendido esta lição, em duas sessões (Março e Outubro).
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Oh JM,
Diga lá o que é preciso para se ser “Professor – Titular”? É preciso perceber de administração de organizações? É preciso ter capacidade de liderança? É preciso ter alguma graduação ou qualificação na área de gestão ou organização? É preciso ter um Diploma das Novas Oportunidades?
A Prof. Maria de Lourdes poderia ser Professora – Titular?
JM, quando não se consegue argumentar, fazem-se perguntas, não é, Professor Doutor Miranda?
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Invejazinha . Pô !!!
Já se deram ao trabalho de ver como é o dito sistema de avaliação ? por acaso ? e se aquilo que os professores dizem é descabido de todo ?
falar é facil
do SIADAP sei eu por experiência que é a maior fraude “mediatica” que existe.Sistema com quotas compulsivas , grelhas idiotas … UNICAMENTE para reduzir as progressões E REDUZIR o peso da massa salarial ao OE e para situar ( ajudar a ) o deficit abaixo do patamar do PEC .
não há meritocracia coisa nenhuma , é uma mediocracia pegada , compulsiva e vergonhosa
” mediatica ” PORQUE fica bem criar a ideia , nos invejosos do costume do seguinte :
“MALANDROS !!! ELES NÃO QUEREM É SER AVALIADOS .
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Ora …
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e assim as Finanças impõem um sistema injusto , viciado a partida , … que ao bel-prazer destroi a motivação , arruina o ambiente de trabalho , permite favoritismos e … aconchega o Orçamento
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Basta olhar para esta caixa de comentários para facilmente se constatar que o Socialismo está impregnado na sociedade portuguesa até à medula. Comentários como os do “ J” e “ Honni” ilustram bem a mentalidade socialista que torna Portugal um país inviável.
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O JM pergunta até bem. Aliás é muito estranho tudo na “carreira docente”. Supõe-se que os que começam sejam inferiores , pior preparados ,recebendo assim menos salário e mais horas lectivas : ora eu se fosse aluno ia para a rua protestar se me calhassem profs novatos dado estar em clara posição de inferioridade em comparação com alunos de profs “superiores”. Deviam ser estes últimos , até , a terem uma carga horária superior , pois ensinariam melhor , e os primeiros a tratar da papelada subsidiária. O importante na escola é ensinar , ensinar bem , não?
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Agora mostrou amarelo ao professor titular por ser titular.
Uma desgraça esta arbitragem.
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João Miranda, sou professora e felicito-o pela sua lucidez e inteligência. É mesmo isso que você pergunta e que eu também pergunto aos meus colegas, que, pura e simplesmente, não estão para se maçar.
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São hábitos arreigados.
Durante vinte e tal anos eles deixaram passar em branco toda e qualquer “reforma” que foi destruindo o ensino, desde que não lhe tocassem na carreira.
Não se importaram nem com a retirada sistematica da sua autoridade do conhecimento e da tansmissão dele.
Não se importaram com a indisciplina e até com a violência que essas sucessivas “reformas” foram lhes trazendo.
Não se importaram com a falta e diminuição sucessiva de exigência de avaliação dos próprios alunos.
Deixaram que os demitidos pais quisessem despejar neles as suas responsabilidades fazendo de conta que também fariam esse papel sem o poderem fazer.
Tudo isso aturaram, calaram e silenciosamente (salvo raríssimas excepções) se mantiveram esperando que o tempo os fizesse progredir na carreira onde, todos iguais, chegariam o topo.
Aceitaram tudo quanto é vento e a tempestade veio-lhes bater á porta.
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“Comentários como os do “ J” e “ Honni” ilustram bem a mentalidade socialista que torna Portugal um país inviável”.
Ah, ah, ah, ah!
Que é inviável, também concordo.
Agora, socialista? É pior do que chamar-me f.d.p.!
Nem nacional-socialista, nem sequer social-democrata.
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Os professores não querem ser avaliados. Está mais que visto. Desemprego para quem proteste ou simplesmente boicote o processo de avaliação. Há muitos no desemprego actualmente que não se importariam de ser avaliados.
“Não queres ser avaliado? Rua!”
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“Agora, socialista? É pior do que chamar-me f.d.p.!”
Ainda é mais grave do que eu pensava. As pessoas têm mentalidade socialista sem se darem conta disso. Simplesmente patológico.
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“Uma das razões porque tão poucas pessoas se conhecem a si próprias é a de que os filósofos e os teólogos estão sempre a ensinar ao homem aquilo que ele deveria ser, e nunca lhes passa pela cabeça dizerem-lhe aquilo que, na realidade, ele é .”
(Bernard de Mandeville, The Fable of the Bees, 1714) In Portugal Contemporâneo
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“Se o tempo lectivo diminui e o salário e o prestígio aumentam à medida que os professores progridem na carreira, não é natural que as responsabilidades também aumentem? Que a capacidade de coordenação exigida seja maior?”
Boa pergunta.
O que me espanta é não ver os professores a fazerem manifestações pela autonomia das escolas em termos de pessoal docente: avaliação e contratação dos seus quadros.
Estou em crer tudo se resolveria com o cheque ensino. Este problema juntamente com o da colocaçao de professores desapareciam.
A 5 de Outubro tem de deixar de ser uma agência de emprego.
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Agora a sério:
O João Miranda será este:
http://www.joaomiranda.com/
ou este:
http://iscte.pt/~bjpcm/index.html ?
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A melhor escola pública do País suspendeu a avaliação. Os professores de lá também devem ser tudo escumalhada, como muitos acham que é todo o pessoal docente.
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Não têm nenhum interesse em serem avaliados.Isso é mais que evidente!
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Mas há alguém que goste de ser avaliado ?
Os professores já foram alunos e sabem muito bem o que isso é.
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Mais uma vez, mal informado.
A carreira foi reestruturada. Os escalões de topo acabaram. Nela encontravam-se muitos professores. Foi-lhes dito que não sofreriam quebra de salário apesar de ficarem numa categoria à parte que não faz parte da actual carreira.
Nesta situação de instabilidade, correram a candidatar-se a professor titular. Vê-se pelo perfil, que não desejam nada do que tiveram que assinar, mas apenas estabilidade, certezas. O ME instigou de todas as formas a que os professores mais antigos concorressem. Chegou a insinuar que era obrigatório. O ME informava que não garantia nada a quem não concorresse.
Não é grave que os novos titulares tivessem entrado na carreira sem saber ao que iam porque a diferença é nula. Antes da reestruturação, todos poderiam exerger cargos de coordenação, que em muitas escolas até eram atribuídos em rotatividade. Por isso, ser titular ou não, não fazia diferença nenhuma.
No entanto, o ECD que dividiu os professores em dois já falava da nova avaliação e nesta eram os titulares que seriam avaliadores. Quando se deu o concurso não se conhecia a avaliação em todo o seu esplendor. Quem passou a titular desconhecia que lhe iam dar mais responsabilidades para além das que já assumia, ou assumira. Tudo se passou depois.
A esmagadora maioria dos titulares não tem aumento de ordenado, e não beneficiou de maior redução de ordenado. Para os restantes, o aumento virá quando houver dinheiro, como para todos os outros e puderem subir de escalão. A redução de horário é igual para titulares e não titulares e depende da idade.
Como sempre, JM deita umas bocas para o ar, com autoridade de quem sabe e que só os outros é que não pescam nada.
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Boa questão. Esta malta só pensa em direitos e pouco em deveres!
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A forma como a Ministra da Educação foi hoje recebida numa escola – ovos arremessados por um “bando” de alunos – é inqualificável.
Indicia uma clara covardia de alguns professores que não se coíbem de manipular de forma reprovável os seus próprios alunos para fazerem aquilo que eles gostariam de fazer mas não têm coragem.
Protestar faz parte das regras do jogo democrático. A manipulação de crianças e actos de vandalismo não fazem.
Faz-me lembrar os idos dos finais dos anos 70 quando a Avenida dos Aliados era palco de manifestações e pugilato. O PC progredia ao longo da avenida sempre atrás de miúdos arregimentados na Ribeira que arremessavam pedras.
O sindicalismo dos professores está absolutamente ao serviço do PCP, capitaneado pelo Senhor Nogueira que apesar de professor há um quarto de século não põe os pés numa escola para exercer a sua profissão. Se calhar ainda bem.
É bom que Manuel Alegre perceba exactamente o que está em causa e que os demais partidos à direita do PS percebam exactamente o que se está a passar.
Os pais desses alunos – e de muitos mais pelo Pais fora – não devem permitir que os seus filhos sejam manipulados por covardes e irresponsáveis.
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Este JM deve ser traralhoco
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seria uma forma de evitar que a filha do fulano tal ou o sobrinho de sicrano fossem leccionar só porque sim.
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“É a profunda ignorância que inspira o tom dogmático”
“Há épocas em que a sociedade, tomada de pânico, se desvia da ciência e procura a salvação na ignorância”
Aqui é só conversa fiada… blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá…
Miranda… só a de Úrano.
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A avaliação é uma fantochada…. Será que 100 ou 120 mil são manipulados pelos sindicatos?
Acham que há 100 ou 120 mil burros e só 1 inteligente ( A sr.a ministra mais os seus cães de guarda)?
O único espaço da escola com condições para se trabalhar é a sala de aulas…Quando é possível..
O cargo de professor titular seria uma promoção só que trabalhas muito mais e não vês a cor do dinheiro.
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Deviam atirar à ministra bolas de bilhar em vez de ovos…
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Aconselho a todos os criticos dos professores a passarem uma semana na escola pública ..
Seria um bom remédio para curar muita burrice que se diz….
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Não vê que se eles não se candidatarem à vaga de titulares são subalternizados por colegas com menos tempo de serviço, que passam a ganhar mais do que eles, e que se depois quiserem subir na carreira terão que prestar provas? Na situação deles o que escolheria?
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“Protestar faz parte das regras do jogo democrático. A manipulação de crianças e actos de vandalismo não fazem”.
Esta acusação é grave. Será séria? Em que se fundamenta? Tem registo destes factos? Ou é so “trólaró”?
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João,
Já que manda tantos bitates sobre professores, pode apresentar qual o seu conheciento sobre a materia:
1º – É professor dao básico ou secundário?
2º – Leu os decretos, directivas, etc emanados do Ministério sobre avaliação dos Professores e Carreia docente?
3º – è Encarregado de Educação? Pretense à Associação de Pais e vai às Reuniões? Faz parte de algum dos Órgaos de Gestão da Escola?
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300 alunos e a maioria dos professores da escola de fafe… juntam-se na festa do lançamento de ovos…
instante 1m07s do vídeo…
http://ww1.rtp.pt/noticias/index.php?headline=98&visual=25&article=372368&tema=27&pagina=0&palavra=&ver=1
depois querem querem ser levados a sério.. alunos e professores…
recorrem ao insulto fácil… agressão cobarde..
enfim
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Há uma completa falha da mínima reflexão de puro bom senso quando se trata de Educação e do trabalho dos seus profissionais – os Professores.
A organização escola existe para SOCIABILIZAÇÃO DA CRIA HUMANA. Digo sociabilizar e não socializar, propositadamente.
A formação da cria humana decorre durante largos anos (até ser adulto). Nesse período, decorre o tempo da formação em família, ao qual, se soma a escola – os professores e os pares. Não é por acaso que há uma data precisa , universal, não dependente de culturas específicas, para a entrada na escola.
O papel do professor é trabalhar com alunos, grupos, alunos, seres em formação. Os professores trabalham com alunos em fases de desenvolvimento muito distintas e têm preparação muito especializada para trabalharem com cada uma das “idades”. Este aspecto é muito importante e acarreta olhares diferentes dentro do professorado. Trabalhar com uma criança de 7 anos nada tem a ver com trabalhar com um jovem de 13 ou um adolescente de 17 anos. Subsectores.
Os professores são formadores dos alunos. Transmitem-lhes conhecimentos de áreas específicas – saberes específicos das culturas de época- e modos de estar, saber ser e saber fazer. As aprendizagens são vividas. Nas complexas relações de sala de aula, o professor tem o trabalho duro e difícil de ser simultaneamente um intermediário dos modos de relacionamento social da espécie e da cultura portuguesa (Ex. cada um aprende a respeitar a opinão de um outro seu colega) como um formador, pelo exemplo, pelo que de si tem para dar aos seus alunos. O professor muda e evolui também com os seus alunos. Aprende.
A profissão “professor” é impossível de ser exercida por alguém mediocre. As crianças e jovens não o permitem. São ferozes. Quem o ousou, saiu do Ensino. Não pode continuar. O exercício da profissão é muito exigente e escrutinado. Pelos jovens, diariamente. Pelas famílias. E dentro da organização, pelos funcionários e administrativos. Totalmente. Desde o modo de se vestir até ao atraso de 5/10 minutos. São os funcionários que marcam as faltas, ao cronómetro. E não há como justificar como emqualquer outro trabalho. E, uma simples dor de cabeça, perfeitamente gerida na maioria das profissões não é possível na docência. OS PROFESSORES TRABALHAM DE 45 MN a 90 MINUTOS COM TURMAS DIFERENTES. Num dia com 4 turmas têm pela frente uns 100 jovens e adolescentes. Como se imagina não é possível, para a maioria, combinar dor de cabeça com 100 alunos, não é verdade? Mas há resistências físicas diferentes.
Relativamente a esta idiotice de “titular” é mesmo a total idiotice. São todos professores. Trabalham com os alunos. Existem coordenações pedagógicas, grupos de trabalho, que sempre existiram nas escolas e que fazem integralmente parte da actividade docente: reflexões em grupos com vista a determinados objectivos do trabalho com os alunos. As coordenações são escolhidas ora por rotatividade, escolha de pares, indicação do órgão executivo (direcção das escolas). Mas este exercício de cargos é tido na componente lectivo e não lectivo do trabalho. Concretizando. Um professor com uma coordenação de Biblioteca Escolar tem uma redução de carga lectiva ou não lectiva de x horas (11 horas, neste momento ?).Um professores coordenador dos Directores de Turma tem Y horas. E asim por diante.
Esta minstra veio introduzir artificialmente uma espécie de chefias intermédias. Paradoxalmente fazem exactamente o mesmo que todos os professores. Só que as antigas coordenações (grupos de trabalho) viraram sessões burocráticas, de produção de papel sem qualquer ligação ou nexo com o Ensino. Habituados a trabalhar para os alunos, os professores estão à beira de um ataque de nervos justificável. Não querem abdicar do trabalho de preparação e reflexão diário das suasaulas. Exigem manter o debate tecinco das anteriores comissões e coordenações. Têm 35 horas de trabalho. Só que neste momento é-lhes impossível conjugar com infindáveis “reuniões” que mais não são do que horas e horas de leituras de todo o tipo de tralha burocrática. Impacientes pois que as horas são-lhes necessárias para o seu repouso (o exercício da profissão requer estar em boa forma física e psicológica) e para reflectir/preparar o seu trabalho. Tudo o que se passa nas aulas têm que ser pensado/investigado e reflectido.
Todas as escolas têm um grupo de professores que exercem cargos de chefia – conselhos executivos (3 ou 4). Com que lógica é que uma pequena organização tem que ter para além de 3/4 chefes mais 20 ou 30 capatazes. Para quê se tudo está controlado ao milímetro nas escolas? Além de gerar a maior da conflitualidade. O colega da sala ao lado vira, com quem me sentava ou não à conversa na sala de professores, vira de repente meu avaliador de carreira. Uma pessoa a quem não reconheço o qualquer valor acrescido ao meu ou até muito menor.
Isto está a gerar (previsivelmente) problemas muito graves com cnsequências para os alunos. Ao longo da minha carreira de 30 anos nunca vi os professores estarem sem nenhuma paciência para os alunos (pontual/ tinha – uma turma péssima ou um destabilizador)mas neste momento é permanente e por parte de todos os professores.
Estão a obrigá-los a ser burocratas, mangas de alpaca.
Dou por mim a verificar diariamente que neste momento “os professores nos intervalos dão aulas” porque a sua actividade principal é estritamente burocrática. Imposta. Por esta ministra.
Os resultados dos alunos não contam. Impôe-se aos professores que, para progredirem na carreira, o sucesso dos alunos, mesmo que alguns não o tenham. Apesar de todo o empenhamento do professor.
Assim não vamos lá. Estes indivíduos são totalmente incompetentes e perigosos.
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O FETICHE DA AVALIAÇÃO
Como se avalia um juiz? Pelo número de sentenças que profere durante um ano? E se elas forem injustas? Pela percentagens de sentenças justas? E quem determina a justiça dessas sentenças? Repetem-se todos os julgamentos?
Como se avalia um médico? Pelo número de consultas que dá? E se o doente sai de lá pior do que entrou? Pela percentagem de curas? E o que é uma cura? Pelo número de altas? Mas em que estado está o doente quando tem alta?
Como se avalia um advogado? Pela percentagem de vencimentos de causa que obtém? E como sabemos se ele escolheu ou não litigar essas causas de acordo com a sua viabilidade à partida?
Como se avalia um arquitecto: Pelos prémios que obteve? Pelas críticas nas revistas especializadas? pelo grau de satisfação dos utilizadores do edifício ao fim de dez anos? E como se determina esse grau de satisfação?
Como se avalia um professor: pelas notas que dá? Mas como sabemos se essas notas correspondem ou não ao que o aluno sabe? Pelo que o aluno sabe no fim do ciclo? Mas isto como é que se determina? Pela diferença entre o que o aluno sabe no fim do ciclo e o que ele sabia no princípio? Quem determina isto, e como?
O fetiche da avaliação veio do mundo empresarial (onde, de resto, já está a ser posto em causa). Aqui é fácil avaliar. Se o que é preciso fabricar muitos sabonetes, quem fabrica muitos é bom e quem fabrica poucos é mau. Se é preciso vendê-los, bom é quem vende muitos. Se é preciso controlar a sua qualidade, quem consegue a menor percentagem de defeitos é bom profissional, quem não a consegue é mau.
Mas para o juiz, para o médico, para o advogado, para o arquitecto, para o professor, o paradigma da avaliação não funciona: o que funciona é o paradigma da auto-regulação. É por isso que estas profissões, excepto duas, têm Ordens: os juízes porque não precisam: a sua auto-regulação é feita por outros mecanismos; os professores porque os sucessivos governos e os sindicatos nunca o permitiram – aqueles com medo de terem que enfrentar mais uma «corporação» (leia-se: uma sociedade civil mais forte). Estes, com medo da concorrência.
A falta duma Ordem dos Professores é uma tragédia que hoje estamos todos a pagar: professores, alunos, pais, empresas e até, desde há pouco, os próprios sindicatos que se opuseram a ela. O País inteiro. O próprio Governo começará, em breve, a sofrer os seus efeitos. Mas dado o tempo decorrido entre a causa e a consequência, poucos políticos se darão conta da origem dos seus males.
José Luiz Sarmento
http://www.legoergosum.blogspot.com/2008/10/o-fetiche-da-avaliao.html
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Detesto concordar com o João Miranda e so o faço quando não ha outra alternativa.
E o caso…
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Duvido que JM ou alguns dos comentadores tenham filhos numa escola pública. Se assim fosse, JM deveria estar mais preocupado com o facto de o Ministério da Educação exigir uma “pseudo-avaliação” do desempenho dos professores mas IGNORAR a avaliação necessária que é a avaliação das sucessivas reformas postas em prática pelos sucessivos governos, a avaliação das reais condições das escolas, a avaliação dos programas, de tudo, enfim, aquilo que se relaciona com a instrução e formação dos cidadãos. Suspeito que a sua preocupação seria maior ainda ao constatar de que modo perverso este modelo de avaliação dos docentes irá contribuir para a degradação do ensino a curto prazo. Em vez de fazer esse tipo de perguntas aconselho-o a aprofundar o tema, analisando toda a legislação produzida nos últimos três anos, indo às escolas, falando directamente com os verdadeiros especialistas de educação – não os teóricos.
A menos que o futuro da escola pública lhe seja indiferente…
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