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Depois venham dizer-me que é a MMG que exagera

1 Junho, 2009

Aquecimento global mata 315 mil por ano

Não se consegue perceber onde nem quando estas mortes estão a acontecer. Aquilo que aí se define como “fenómenos tão contraditórios” quanto secas e inundações sempre existiram. Lendo a notícia ficamos a saber que além destas mortes muitas mais ocorrerão caso os países mais ricos não multipliquem «por 100 os fundos destinados a combater o aquecimento global, garante o Fórum. Em vez dos actuais 283 milhões de euros, teriam de ser 22 650 milhões. “Esta injustiça flagrante deverá ser resolvida na cimeira de Copenhaga”, afirmou à Reuters a directora da ONG britânica Oxfam, Barbara Stocking.»

Ou seja esta é a típica notícia que organizações diversas colocam a circular na luta por mais fundos antes duma grande conferência com países dadores. Não tenho nada contra mas não se pode subestimar esse dado. Ainda sobre o aquecimento global e a linguagem religiosa associada a esta temática chamo mais uma vez a atenção para o trabalho do  historiador francês Emmanuel Garnier . Garnier procura reconstituir o que foi o clima em França nos últimos três séculos. Na ausência de dados meteorológicos fiáveis – que só existem a partir do século XIX -, Garnier recorre aos registos das várias actividades agrícolas. E também aos relatos dos párocos sobre as procissões para pedir chuva ou o fim das inundações. As conclusões apontam não só para que os períodos extremos de seca e grandes inundações sempre se fizeram sentir, como também para que se poderá falar dum fenómeno de aquecimento a partir do século XVIII.
A outra das conclusões não é menos inquietante: na Europa central, entre 1570 e 1630, três mil a quatro mil mulheres terão sido queimadas após as comunidades onde viviam terem visto as suas colheitas destruídas pela chuva, pela seca ou pelas pragas. Os dados de Garnier parecem confirmar assim as teses de outros historiadores que defendem que as fogueiras onde ardiam feiticeiras são uma espécie de mapa sobre as desordens do clima. Hoje, felizmente, já não se queimam feiticeiras mas o clima de histeria e de ignorância, esse, não mudou.

12 comentários leave one →
  1. Zé Leitão permalink
    1 Junho, 2009 10:25

    A ignorância é minha e da maioria das pessoas. Que conhecimento têm a maioria das pessoas sobre o clima? Poder-se á ler sobre isso e deparamo-nos com opiniões contraditórias entre a comunidade científica. E portanto ou acreditamos nuns ou noutros.
    Paralelamente, podemos discorrer algumas coisas pela nossa cabeça: No meu entender, é preferível falar em alterações climáticas do que em aquecimento global. As alterações climáticas até aos nossos dias, foram transformações que levaram vários milhares de anos a acontecer e são objecto de estudo contínuo. Muita gente sabe também que, uma previsão meteorológica é hoje mais fiável do que há umas dezenas de anos atrás, mas…essa fiabilidade vale apenas para 3/4 dias no máximo e, ainda assim por vezes, não se verifica.
    Alguns factos:
    1 – A actividade humana altera o clima.
    2 – Hoje a população mundial é 6/7 vezes superior em relação à que existia na Idade Média.
    3 – A camada de ozono sofreu um decréscimo significativo sobretudo na zona dos pólos.
    4 – O gelo nos pólos diminui todos os anos, tendo diminuído significativamente nos últimos 15.
    5 – Não se sabe bem qual é a capacidade de regeneração da nossa atmosfera.

    Pequenos dados indicativos: quando há um grande incêndio, o vento á sua vertical aumenta brutalmente de intensidade.Conhecem-se os efeitos da poluição nas grandes cidades através da simples observação e da simples inalação. Mais um pequeno exemplo da actividade humana: quando foi construída a Barragem da Aguieira, deixou de nevar na Serra do Caramulo.

    Só é ignorante quem quer. Não é possível sermos todos cientistas e/ou estudiosos dos fenómenos climáticos, mas está á vista de quem está com mais atenção, que a actividade humana tem consequências sobre clima e sobre o planeta. O que NÃO SE SABE, é se essa actividade é de tal maneira poderosa que possa alterar o clima a nível planetário com efeitos irreversíveis. Há quem diga que sim e há quem diga que não. E agora?

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  2. OLP permalink
    1 Junho, 2009 11:12

    Factos por factos era bom também mencionar que na Idade Média, a tal com uma população 6 a 7 vezes inferior a terra teve um período de aquecimento global enorme e muito parecido com os actuais.

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  3. OLP permalink
    1 Junho, 2009 11:42

    “aquecimento por aquecimento” convém mencionar os aquecimentos.

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  4. Eber permalink
    1 Junho, 2009 13:08

    #1

    “4 – O gelo nos pólos diminui todos os anos, tendo diminuído significativamente nos últimos 15.”

    Só no pólo Norte, porque no Sul, a massa glaciar está a expandir-se.
    A Terra do Fogo está-se a ver à rasca com a invasão glaciar

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  5. ALPS permalink
    1 Junho, 2009 13:58

    Zé Leitão,
    De tudo quanto diz, só o ponto 2 pode ser verdadeiro (resta saber se 6/7 está correcto). Tudo o resto é falso.

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  6. 1 Junho, 2009 14:24

    Do articulado no post e fazendo as contas, entre 1570 e 1630 queimaram uma mulher por semana, suponho que ao domingo, que é dia de descanso.

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  7. Zé Leitão permalink
    1 Junho, 2009 15:18

    ALPS, corriga-me por favor

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  8. Zé Leitão permalink
    1 Junho, 2009 18:54

    corrija

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  9. Zé Leitão permalink
    1 Junho, 2009 18:54

    há alguma maneira de poder editar os comentários?

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  10. António permalink
    2 Junho, 2009 21:25

    Donde se pode concluir que o aquecimento global mata mais agora do que quando só matava feiticeiras.

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  11. m.m permalink
    5 Junho, 2009 14:32

    realmente parece-me muitíssimo responsável vir contrariar a evidência de que estamos a destruir o planeta, com o nosso estilo de vida, poluição e desrespeito pelos recursos finitos. segundo esse ponto de vista é tudo um bando de tretas de malta sensacionalista que quer é encher o mundo de histeria. muito inteligente.

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