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Ideais republicanos

5 Outubro, 2009
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Há muitos ideais republicanos. E há muitas formas de os tentar implementar. Nem tudo correu bem nos três regimes republicanos que tivemos – e muito do pior consubstanciou-se na quase-regressão política a um espírito de pré-Convenção de Évora Monte durante o Estado Novo. Mas, seja como for, apesar de múltiplos revisionismos ‘históricos’ que os nossos monárquicos de opereta andam a engendrar, é bom não esquecer que o regime que antecedeu o 5 de Outubro era uma vergonha. Ninguém, à época, o defendeu com convicção. Tal como poucos tinham vertido uma só lágrima pelo rei assassinado dois anos antes, o triste monarca do fim que nos calhou em sorte foi-se daqui sem que se visse vontade dos seus apoiantes em defender a sua coroa ou em impedir o seu exílio. A monarquia caiu de podre tal como a 1.ª República veio a desabar em 1926 e o Estado Novo marcelista em 1974. Os regimes, em Portugal, não são derrubados: caducam por si mesmos e tombam por extenuação.

Isto dito, na génese de todos os regimes republicanos há uma lógica de valor inestimável e que faz debelar qualquer esforço de cotejo com as monarquias, sejam estas as da Europa do Norte ou as de Cuba e da Coreia do Norte: o princípio republicano ensina-nos que ninguém deve adquirir nem manter de modo vitalício um cargo, posição ou direito pessoal, pelo mero facto do nascimento. Ninguém se pode tornar na primeira figura de um País por simples via urinária mas sim pelo seu mérito, pelo seu engenho e pelo reconhecimento dos seus concidadãos.
Com todos os seus múltiplos desvios (que são bem conhecidos) isto basta para que eu prefira a República a todas as demais alternativas em que o mérito e o prestígio são institucionalmente herdados e não alcançados por merecimento pessoal.

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