“Bota sem perdigota” *
Paulo Rangel encalhou na palavra ‘ruptura’. Esta é a expressão única do seu discurso, declamada vezes demais para ser levada a sério.
‘Ruptura’ significa rompimento, quebra de continuidade – mas o que Rangel agora defende é aquilo que Ferreira Leite já tinha sustentado. Na verdade, as (poucas) ideias que Rangel até agora revelou foram advogadas por quase todas as lideranças do PSD nas últimas décadas. O que não admira: Rangel, para o bem e para o mal, é o lídimo herdeiro da ideologia que tem dominado o poder laranja, chame-se esta cavaquismo, marcelismo ou leitismo.
Quando Rangel apregoa a ‘ruptura’, sem o saber, está a repisar o adágio de Lampedusa que Visconti nos contou no ‘Il Gattopardo’: ‘É preciso que tudo mude para que as coisas fiquem na mesma’.

CAA quer acrescentar a palavra Rangelismo?
Não insista na desvalorização de Rangel para promover Passos Coelho,
este último foi um” J “candidato a “boy “que quer ser líder, não tem vida profissional
para além daquela que os seus contactos políticos lhe proporcionaram. Para além de palavras as acções e um percurso profissional também caracterizam as pessoas. Não percebo porque admira tanto Passos Coelho, afinal muitos dos que escrevem neste Blog têm currículos académicos e profissionais melhores. Escreveu um livre cheio de lugares comuns e apresenta retórica ao nível de Santana e Sócrates.
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Finalmente contraditório entre muros.
Já agora: CAA 1 – LR 0.
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Meu caro amigo:
Concordo, em parte, com a sua análise.
Apenas me parece que o «Marcelismo» – seja lá o que isso for – não se pode colocar a par do «Cavaquismo» ou do «Leitismo», como refere.
Marcelo Rebelo de Sousa representa, ainda, para muitos militantes do PSD, a (Nova!) esperança Social-Democrata, de superação das políticas Tecnocratas de Cavaco Silva e dos seus governos, de 1985 a 1995.
Tudo resto é muito contraditório. Repare:
Passos Coelho, parece querer quebrar com o legado «cavaquista», mas, como ainda ontem afirmou no debate, já estava no Congresso da Figueira da Foz de 1985 e fez, por isso, toda, ou quase toda a sua carreira política no PSD, durante o consulado de Cavaco;
Rangel deveria querer romper (também com o cavaquismo?), como diz o seu slogan de campanha. No entanto, é apoiado pelo núcleo duro «cavaquista» e pelo «barrosismo», seu sucedâneo.
Por isso, o mais lógico mesmo era que: – «Deus descesse à Terra outra vez!» e Marcelo, avançasse para a liderança do PSD.
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Francamente, apoiar um economista nascido em Coimbra e que vive em Lisboa, contra dois ilustres advogados do Porto, nem parece coisa das boas gentes do Norte. Não sente o apelo das suas raízes? Considera-se um nortenho fiel?
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Jacl:
Não me parece, se me permite, que as escolhas políticas passem necessariamente pela região do país que nos encontremos. Gostarmos de um jardim do porto não significa que temos que gostar de forma imperativa de todas as flores que lá nasçam. Esse apelo às raízes não faz muito sentido, a meu ver, mesmo em política que, ao que parece, tudo vale.
CAA, tal como todos nós, tem que ter uma perspectiva geral.
P.S: A minha reflexão parte do raciocío e comentário de Jacl, sendo que não significa que corroboro a veracidade das mesmas declarações.
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Quando Passos Coelho apregoa a ‘mudança’, sem o saber, está a repisar o adágio de Lampedusa que Visconti nos contou no ‘Il Gattopardo’: ‘É preciso que tudo mude para que as coisas fiquem na mesma’.
Assim soa muito melhor (e está mais de acordo com o sentido original da frase!)
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