Sinal de desespero
Quando o ministro das Finanças afirma que “Portugal terá clientes suficientes para a dívida pública” e profere tal declaração numa visita ao Extremo Oriente feita com o objectivo de captar investidores e compradores de dívida pública, é porque na verdade já não tem cliente nenhum.
O ministro está de resto cansado de saber que, nos últimos meses, a dívida pública portuguesa tem sido monetizada a 100%, sendo o BCE o único tomador efectivo. Por interposta banca nacional, que obedientemente participa em todos os leilões, licitando os títulos com taxas variando entre 3% e 6% e correndo de imediato a descontá-los no BCE a 1%. Este tem sido o negócio da banca nos últimos meses, financiar quase exclusivamente o Estado. Para empresas e famílias, não sobra praticamente nada. Com a poupança nacional inexistente e as linhas de crédito externas à nossa banca praticamente fechadas, esta não consegue mobilizar funding adicional para o financiamento das actividades privadas.
O que é verdadeiramente dramático é que se continue nesta política de fuga para a frente, mantendo a espiral de endividamento, hipotecando o país aos chineses, se necessário for. Quanto a rigor orçamental, a cortes efectivos e sustentados na despesa, que já deveria estar a descer pelo menos 10%, sendo esta a melhor forma de atrair investidores para a dívida, é o que se vê. Desta vez foi o submarino, amanhã será o financiamento da Estradas de Portugal, já quase insolvente com os primeiros pagamentos das SCUTs, em breve o elefante branco da Parque Escolar e das variadíssimas e ruinosas PPPs.
Acredito que 2011 será o ano do descalabro orçamental. Já não haverá margem para subir impostos e novos gastos-surpresa aparecerão de todos os lados, em grande medida pelos “investimentos estratégicos” anteriormente assumidos. Lá terá de vir o FMI.

A ideia de ninguém ter razão (haja ou não haja pão) é portuguesíssima. Sobre qualquer assunto, Portugal garante-nos sempre pelo menos dez milhões de razões, cada uma com a sua diferençazinha, cada uma com a sua insolenciazeca do “eu cá é que sei”. Não há neste abençoado território um único sujeito, seja eu ou ele cego, surdo e mudo, que não reclame a sua inobjectivável subjectividade. Lá diz o raio do povo, por tratar-se da única coisa em que o povo todo está de acordo, «Cada cabeça, cada sentença». Basta fazer-se uma reunião ou um júri, um governo ou uma comissão, para assistir-se ao milagre da multiplicação das opiniões.
Miguel Esteves Cardoso
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Sendo assim, a serem verdade estes dados, não se pode por esta administração em tribunal?
Se uma empresa estivesse com este grau de endividamento, falida, tão mal gerida, os acionistas não poderiam por a administração em tribunal? E substitui-la, já?. Teriam que assistir, impotentes, ao desastre do seu capital?
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Cavaco Silva é co-responsável por omissão.
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“Se uma empresa estivesse com este grau de endividamento, falida, tão mal gerida, os acionistas não poderiam por a administração em tribunal? E substitui-la, já?. Teriam que assistir, impotentes, ao desastre do seu capital?”
A política é uma elite, as regras normais não aplicam, por exemplo tivemos eleições que foram uma fraude porque o defice disparou de 5,9 para 9,2 em 2 meses.
Qualquer empresa que fornecesse um produto em que o preço tabelado e o efectivamente comprado quase duplicou o contrato seria considerado nulo.
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Acredito que 2011 será o ano do descalabro orçamental.
Por este caminho, será inevitável.
Resta desejar que venha o mais depressa possível, porque quanto mais tarde pior.
http://umjardimnodeserto.nireblog.com/post/2010/07/14/o-caminho-da-depressao
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Portugal parece cada vez mais a aqueles países africanos em que a receita pública serve unicamente a pagar as dívidas.
Visto os poucos incentivos à poupança que há em Portugal, temos que pôr na Constituição regras que nos impedêm a todos (Estado, empresas, famílias e bancos) de nos endividar em demasia.
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Que venha o FMI depressa. É da maneira que se acaba a mama de Lisboa e o resto do país pode começar a deixar de ser escravizado.
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As eólicas são um dos tais “investimentos estratégicos”. Custaram 367 milhões, só no primeiro semestre:
http://ecotretas.blogspot.com/2010/08/custo-das-renovaveis-no-segundo.html
Ecotretas
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#5, ZedePortugal,
O Zé, não me diga que (sarcasmo adiante) não ouviu o Secretário de Estado do Orçamento dizer que têm a despesa controlada! Olhe que o crescimento anualizado da despesa caíu duas décimas.
Estamos, como vê, bem encarreirados.
»» Na Igreja disseram-me que é largo o caminho que leva à perdição, e muito fácil de percorrer, porque é sempre a descer. Até de desce a correr. Há o pequeno problema de parar a descida e voltar a subir.
É exactamente como o caminho da dívida. O que o Mentiroso de Estado disse é que descem um bocadinho mais devagar. Isso NÃO É sinal de que a despesa está sob controlo.
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F. Colaço
Mas que quer o amigo? Para ignorantes um agravamento nulo, ou pequeno, já deixa os
* anti- bota- abaixistas * em fervor
patriótico pelo P.M..
Realmente estamos no Portugal dos Pequeninos: Não há NADA a fazer : nõ fomos nós que inventámos o Fado e DO MAL O MENOS ?
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#9. Francisco Colaço
não me diga que (sarcasmo adiante) não ouviu o Secretário de Estado do Orçamento dizer que têm a despesa controlada
A despesa controlada? Sim, claro!
O défice do Estado português voltou a aumentar – mais 4% relativamente ao mesmo período do ano passado – em contraciclo com os outros 4 países do sul da Europa.
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Por coincidência, acabo de ler isto:
“Norway’s finance minister indicated that the country has bought peripheral European bonds (Spain, Greece, Italy and Portugal. Ireland was not cited.)”
http://www.thestreet.com/story/10856364/1/norway-buys-eurozone-bonds.html?cm_ven=GOOGLEN
Just sayin’
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