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O ensino gratuito não existe*

10 Dezembro, 2010

O Estado português gasta em média cinco mil euros por ano com cada aluno no ensino público. Significativamente mais do que aquilo que paga por cada aluno nas escolas com contrato de associação. Porquê então acabar com estes contratos? Por razões ideológicas.
Aliás, em matéria de ensino, os governos portugueses optam quase invariavelmente pela ideologia, em detrimento da qualidade e da liberdade: para combater a Igreja Católica, a I República encerrou as melhores escolas de Portugal e prendeu e exilou os mais reputados professores da época, os jesuítas. O Estado Novo desconfiava politicamente das escolas privadas e não apenas das estrangeiras, como o Liceu Francês – basta pensar que só no fim dos anos 60 foi autorizada a criação da Universidade Católica em Portugal -, e menos ainda acreditava na qualidade do seu trabalho. De 1974 até agora o investimento no ensino tem sido sinónimo de investimento na rede pública. Não porque esta apresente melhores resultados ou saia mais barata, mas simplesmente porque os governos não abdicam das vantagens políticas do controlo sobre a imensa máquina que se estende a partir da 5 de Outubro.
Claro que, em contrapartida, cada governo já sabe que terá pela frente as guerras dos sindicatos e as idiossincrasias dos professores, mas tudo isso será compensado pela certeza de que, em milhares de salas de aula, milhares de crianças terão como matéria lectiva a última moda ideológica governamental e que haverá sempre espaço para colocar boys nas direcções regionais. Igualmente assegurada está a plateia infanto-juvenil para que a ministra do momento, à semelhança do que tem feito Isabel Alçada, use as visitas as escolas para fazer prelecções sobre as maldades da oposição.
Para aniquilar o ensino privado procura agora reduzir-se o número de pessoas que a ele recorrem, obrigando as famílias que fazem essa opção a pagar duas vezes: uma através dos impostos que mantêm de pé a rede pública onde alegadamente os seus filhos têm vaga e outra através das mensalidades no privado. Mas mesmo que todos os alunos que frequentam o privado tivessem vaga no ensino público, e não é verdade que tenham, o Estado não deve ter o direito de condicionar as famílias a optar pelo público ou pelo privado. Deve sim assegurar à escola escolhida pelas famílias a verba que disponibiliza em média por aluno. No fim ganharemos todos. No público e no privado, pois a qualidade é indissociável da liberdade de escolha. E como é óbvio em nenhum destes locais o ensino é gratuito. Antes pelo contrário em todos eles, públicos e privados, pagamo-lo e bem caro.
O que está em causa neste final de 2010, em que o Governo anuncia o fim dos contratos de associação com várias escolas privadas, é tão-só o seguinte: em Portugal existe escolaridade obrigatória ou obrigatoriedade de frequentar o ensino público? Para início de conversa tudo seria mais claro se as escolas públicas, tal como as privadas, entregassem a cada aluno um talão com o valor da respectiva mensalidade. É que a quimera do gratuito custa-nos muito dinheiro e gasta-nos a paciência.

*PÚBLICO

48 comentários leave one →
  1. João Vasco permalink
    10 Dezembro, 2010 12:17

    Parabéns ao João Miranda:

    Wikileaks: Corrupção na venda da barragem de Cabora Bassa 9 Dezembro, 2010 – 18:07Guebuza terá recebido 35 a 50 milhões de dólares

    O telegrama: 10MAPUTO86
    http://wikileaks.liberdadedeexpressao.net/cable/2010/01/10MAPUTO86.html

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  2. campos de minas permalink
    10 Dezembro, 2010 12:19

    de qualquer forma, não haverá falta de açúcar neste natal!

    já o fel vai aumentando a oferta, haja hipertexto!

    Há pessoas que acham que ser pessimista deve ser «angustiante». Estão enganadas. Ser pessimista é sobretudo cansativo. Todos os dias o mundo confirma a ideia que se tem do mundo. Imagine-se: todos os dias.

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  3. António Alves permalink
    10 Dezembro, 2010 12:20

    lugar ao contraditório:

    Regras mais simples e justas no financiamento das escolas

    A alteração ao estatuto do EPC permitirá ao país dispor de uma rede de escolas consentânea com as suas necessidades

    Nos últimos 30 anos, sobretudo durante a década de 80, o Estado foi celebrando contratos de associação com estabelecimentos do ensino particular e cooperativo (EPC) para a prestação do serviço educativo em zonas carecidas de rede pública. O princípio que preside à celebração destes contratos é simples: garantir que os alunos que residem nessas zonas têm acesso à educação nas mesmas condições oferecidas pela escola pública.
    A alteração recentemente aprovada pelo Governo ao Estatuto do EPC, de 1980, não coloca em causa este princípio. O Estado continuará a contratualizar com o EPC a prestação do serviço educativo onde a rede pública seja insuficiente ou inexistente. É a observação deste princípio que confere estabilidade à relação contratual entre o Estado e os estabelecimentos do EPC.
    No essencial, a alteração ao estatuto do EPC visa os seguintes objectivos: 1) avaliar o financiamento da rede de escolas com contrato de associação, à luz do seu princípio fundador; 2) adoptar regras mais simples, mais claras e mais justas no financiamento destas escolas.
    A avaliação dos contratos de associação justifica-se tendo em conta as alterações demográficas e o desenvolvimento da rede pública de escolas, no estrito respeito da Constituição, que estabelece que “o Estado criará uma rede de estabelecimentos públicos de ensino que cubra as necessidades de toda a população”. A escola pública mudou muito nos últimos 30 anos, em particular nos últimos cinco, facto que hoje obriga a repensar a rede de escolas privadas com contrato de associação. São conhecidas situações anómalas de concorrência entre escolas privadas e escolas públicas, artificialmente alimentada por dinheiros públicos, que garantem integralmente o funcionamento de ambas. Onde, num mesmo território, escola privada e escola pública concorrem pelos mesmos alunos, os contratos de associação não se justificam, representam um claro desperdício na gestão orçamental e dos recursos educativos e violam o princípio consagrado no Estatuto do EPC. Ora, o artigo 5.º do Decreto-Lei n.º 108/88, de 31 de Março, agora revogado, impedia a revisão destas situações infundadas, e determinava, a título de exemplo, que contratos em vigor há 30 anos fossem automaticamente renovados por igual período temporal, independentemente da existência de oferta pública de ensino.
    O que o Estado financia com os contratos de associação não é nem a liberdade de escolha na educação, nem a especificidade da oferta educativa, mas um bem superior e constitucionalmente consagrado: o acesso de todos à educação. E é também por esta razão que a rede de escolas públicas e de escolas privadas com contrato de associação merece uma atenção redobrada, seja para colmatar falhas que impeçam o acesso à educação, seja para eliminar situações de evitável duplicação de despesa.
    Com as regras entretanto aprovadas e em vias de promulgação, o Ministério da Educação poderá finalmente reavaliar e renegociar os contratos de associação sempre que a lei e os mais elementares princípios de justiça económica e social assim o obriguem.
    A fórmula de financiamento dos contratos de associação actualmente em vigor é extremamente complexa e pouco ajustada à realidade. No quadro de uma gestão rigorosa e transparente da afectação de recursos, o que se propõe agora é um financiamento por turma de valor equiparado ao dos cursos profissionais de custo equivalente ministrados nas escolas privadas. Esta metodologia já é aplicada com sucesso em Portugal, desde 2004, no âmbito das escolas profissionais privadas apoiadas através do Orçamento do Estado.
    De acordo com o exercício orçamental de 2010, o financiamento dos 93 estabelecimentos do ensino particular e cooperativo com contrato de associação, abrangendo 52.955 alunos, custa cerca de 235 milhões de euros, ou seja, 4440 euros por aluno. A afirmação que hoje é feita de que o custo por aluno no ensino público é de 5200 euros, referenciando o valor à OCDE, revela no mínimo desconhecimento ou falta de sentido crítico. Os últimos dados da OCDE sobre esta matéria respeitam a 2007 e são apresentados em paridade de poder de compra. Trata-se, portanto, de um valor ponderado pelo poder de compra, facto que faz elevar o custo por aluno para efeitos de comparação internacional da informação estatística. O valor de 5200 euros por aluno no ensino público que tem sido veiculado é, assim, falacioso: se cada aluno no ensino público custasse 5200 euros, o Orçamento do Estado para a Educação necessitaria de mais 2 mil milhões de euros. O Orçamento do Estado para 2011 dotará as escolas públicas com um montante de cerca de 3750 euros por aluno. Quando devidamente comparadas, as escolas privadas com contrato de associação são hoje mais onerosas para os contribuintes do que as escolas públicas. E a razão é simples: a fórmula actual de financiamento destas escolas é pouco ajustada à realidade. A este respeito veja-se o facto de as despesas com o pessoal não docente e com o funcionamento destas escolas estarem indexadas à massa salarial dos docentes, variando por mera definição entre um mínimo de 35% e um máximo de 50%. Nas escolas públicas esta despesa representa 15%.
    A alteração feita pelo Governo ao estatuto do EPC permitirá ao país dispor de uma rede de escolas verdadeiramente consentânea com as suas necessidades. E com regras mais simples, mais claras e mais justas no financiamento das escolas, públicas ou privadas, será possível enfrentarmos o desafio de, nos momentos difíceis e com uma melhor gestão dos recursos, garantirmos a todos os portugueses uma educação de qualidade.

    Trocado da Mata, Secretário de Estado da Educação

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  4. PMP permalink
    10 Dezembro, 2010 12:24

    Uma das formas de melhorar a qualidade do ensino básico e secundário gratuito seria o alargamento e a regulamentação dos contratos de associação das escolas privadas.
    .
    Essas escolas deveriam receber um subsidio por aluno igual ao custo da escola publica (entre 350 a 400 euros por mês), mas estariam impedidas de descriminar o acesso dos alunos e os alunos não pagariam qualquer valor adicional.
    .
    Assim poderia existir uma boa concorrência entre escolas publicas e privadas, o que traria ao fim de poucos anos uma melhoria global do ensino.

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  5. Miguel Almeida permalink
    10 Dezembro, 2010 12:46

    Cara Helena,
    Como sempre, os seus posts são extraodinários, pq verdadeiros. Apenas um comentário, sobre a liberdade de escolha, sobre a educação; não é possivel existir liberdade para a decisão da educação, qd existe educação pública obrigatória. O estado deveria retirar-se em absoluto da educação – tudo em que toca, corrompe!! “o poder corrompe, o poder absoluto corrompe absolutamente” , Lord Acton

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  6. 10 Dezembro, 2010 12:51

    Ouvi dizer que nos países (Suécia, Inglaterra, etc,) onde se apostou forte e feio no ensino privado a coisa não correu muito bem e que têm vindo a baixar nos relatórios PISA da OCDE.
    Será verdade?
    Como a Helena sabe tudo vai, por certo, dar a sua verdade

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  7. Santos Costa permalink
    10 Dezembro, 2010 12:59

    Mais um em que tudo deve ser privado. Nem tudo o que é estatal é mau e nem tudo o que é privado é bom! Vejamos exemplos de privatizações e os resultados que se lhe seguiram, tanto em Portugal como em outros países.

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  8. 10 Dezembro, 2010 13:01

    Quando a ideologia prevalece sobre a qualidade e sobre a liberdade dos cidadãos, transforma-se em ditadura, embora falsamente mascarada de democracia.
    O que está a acontecer com o ensino particular, mesmo face aos resultados obtidos, é isso mesmo: uma triste ditadura ideológica!

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  9. Zé das Moelas permalink
    10 Dezembro, 2010 13:06

    Uma ideologia alarga a educação a todos. A outra ideologia selecciona/escolhe os alunos e o Estado a pagar.

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  10. António Alves permalink
    10 Dezembro, 2010 13:23

    segundo o secretário de estado, que fundamenta com números e factos, o que Helena Matos aqui afirma é falso. gostava que contaditassem o secretário de estado recorrendo de igual modo a números e factos verificáveis. a bem da verdade e não da ideologia.

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  11. PMP permalink
    10 Dezembro, 2010 13:26

    A ideia subjacente à eliminação dos contratos de associação é impedir que a sociedade portuguesa tenha um referencial de qualidade e exigência no ensino basico e secundario.
    .
    Verifica-se que as escolas associadas têm sistemáticamente e cada vez mais melhores resultados nos exames nacionais e é isso que Sócrates quer impedir que se veja.
    .
    O que se tem de reeinvidicar é que as escolas associadas não discriminem ninguem que as queira frequentar e que não cobre mais que o valor recebido do estado por aluno ou o custo por aluno no ensino publico, ou seja que a frequência dessas escolas seja gratuita.

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  12. Anonimo permalink
    10 Dezembro, 2010 13:41

    .
    Depois do ‘terrores’ das tanga do aquecimento global, da epidemia das gripes, da percas de todo o dinheiro que tinham nos Banco se não pagassem para não falirem vem agora a nova fabricada de 2011 que nem é novidade porque avisada desde Janeiro deste ano
    .
    CRISE ALIMENTAR: aumento e racionamento dos alimentos,
    .

    a preparação começa com o racionamento do açucar para tentar habituar, amansar e ‘zombiar’ a malta para o saque de 2011 com as sopas à mesa.
    .
    Nem mais, afinal as populações começam a simpatir com as ElQuedas, os terroritas estão noutros lados ….. E se aliança funcionar, como tudo indica que estupidamente estão a promover com os ‘terrores’, os cadafalsos não vão chegar para as sangreiras que já estiveram bem mais longe …
    .
    Os que semearam os ventos vão colher tempestades das grossas. Mais para o lado da crendices, se calhar era o que os Maias queriam dizer com o 2012. Sabe lá.
    .

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  13. Miguel Almeida permalink
    10 Dezembro, 2010 14:23

    Sobre o financiamento público: existe algo chamado do critério duplo, que funciona, em média, para todos as sociedades estatistas comtemporâneas: o estado gasta o dobro qd comparado com as mesmas actividades privadas: educação, saúde, regulação de serviços tais como transportes “públicos”, etc…
    Em Portugal, realmente, na educação, esta média n se verifica: é quase 3 vezes mais!!!!

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  14. 10 Dezembro, 2010 14:26

    Não pecebo esta liberalice.
    Querem o privado pago pelo público?
    Que privado é este que é pago pelos impostos?
    Vai ser completamente desregulamentado ou teremos de ter um ME ainda maior?
    Já agora os custos com o Ministério da Educação estão incluídos nos custos por aluno?
    De onde virá a liberdade de escolha entre público e privado se não existir escola pública?
    Os nossos impostos terão de pagar público e privado? De onde virá o dinheiro?

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  15. 10 Dezembro, 2010 14:44

    Vê-se logo que este pobre jo não tem nem jamais teve ou terá qualquer filho a estudar.
    Não deve saber como eles se fabricam…
    A ignorância, quando adicionada à má-fé, dá um cocktail explosivo.

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  16. 10 Dezembro, 2010 14:52

    Ó minha senhora, não há nada gratuito.
    Nem que se pague com o corpinho.

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  17. joão viegas permalink
    10 Dezembro, 2010 15:14

    Bom, uma pequena parte do problema poderia ser resolvida com uma acção judicial contra os estabelecimentos frequentados pela H. Matos (que não sei se foram publicos ou privados) com fundamento no enriquecimento sem causa…

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  18. António Alves permalink
    10 Dezembro, 2010 15:30

    i’m watiiiiing

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  19. Fincapé permalink
    10 Dezembro, 2010 16:41

    Já alguns comentadores anteriores deram explicações que bastam. Ou então não bastam, porque a falácia vai vencendo. Não critico os contratos de associação, porque haverá casos em que são necessários. E a questão para mim não é essa, como não é essa a motivação do post. O que está em causa é a peleja público-privado. Em todas as contendas, cada um diz os disparates que quiser a partir dos dados que existem… ou não! Aliás, foi assim que o macaco juiz comeu o queijo todo aos contendores.
    Expliquem-me como é possível que uma actividade virada para o lucro possa ficar mais barata do que a mesma actividade sem esse objectivo.
    Surgem também aqui duas ideias muito diferentes: uma, a do Estado proprietário, dono de escolas, hospitais e tribunais, com capacidade de influenciar positivamente o futuro (infelizmente, Sócrates não teve capacidade de o fazer); outra, o Estado mínimo, pobre, arrendatário, sem poder de influenciar o que quer que seja e, portanto, controlado pela habitual meia dúzia de pessoas (coisa que também acontece agora, mas não é inevitável, como seria).
    Suponho que, quando se contabilizam as despesas por aluno, além de muitas outras, esta é uma das parcelas que fica de fora.

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  20. durer permalink
    10 Dezembro, 2010 16:44

    grande texto, Helena, grande texto.

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  21. PMP permalink
    10 Dezembro, 2010 16:51

    A coexistência entre escolas publicas gratuitas e escolas privadas convencionadas gratuitas será um sistema que terá vantagens evidentes para o aumento da qualidade no ensino oficial.
    .
    Neste sistema as escola privadas convencionadas não descriminam o acesso, permitindo que as familias possam escolher livremente as escolas que melhor qualidade proporcionam.
    .
    As escolas publicas e as convencioadas serão sujeitas ao mesmo tipo de aferição da sua qualidade.

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  22. MayBeNot permalink
    10 Dezembro, 2010 18:29

    Nem tudo o que é privado é bom. Particularmente no ensino superior. Com a honrosa excepção da Universidade Católica Portuguesa quase tudo o resto é um oásis de mediocridade exemplarmente exemplificado na extinta”universidade” que atribuiu o título ao sr eng.

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  23. Bulimunda permalink
    10 Dezembro, 2010 18:45

    http://bulimunda.wordpress.com/2010/12/10/homens-exageradamente-subtis/
    Palavras para quê?

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  24. JCA permalink
    10 Dezembro, 2010 19:14

    .
    -Tres años de cárcel para la madre que pegó a una maestra por un bocadillo
    La discusión se inició porque un alumno no se pudo comer su desayuno y compartió el de su prima
    http://www.elpais.com/articulo/sociedad/anos/carcel/madre/pego/maestra/bocadillo/elpepusoc/20101210elpepusoc_3/Tes
    .

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  25. JCA permalink
    10 Dezembro, 2010 19:27

    .
    .
    “A coexistência entre escolas publicas gratuitas e escolas privadas convencionadas gratuitas será um sistema que terá vantagens evidentes para o aumento da qualidade no ensino oficial”.
    .
    Não estou totalmente de acordo. Mais uma vez mais Estado e mais subsidiodependencia. Uma espécie de neo-funcionalismo publico.
    .
    Prefiro concorrência a sério, mercado a funcionar como deve ser, ‘sem filhos e enteados’,
    .
    Simplesmente CHEQUE-EDUCAÇÃO que o Encarregado de Educação endossa à Escola que escolher e que muda para outra Escola quando quiser. E quem tenha unhas (qualidade, trabalho e reultados profisionaiss) é que toca viola e arrecada os rendimentos, benesses e salários resultantes.
    .
    Ou a regras de mercado a aleijar são só para os outros ? Para os Cidadãos de 2ª que não vivem do Orçamento do Estado ?
    .

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  26. PMP permalink
    10 Dezembro, 2010 19:33

    JCA,
    O mercado nunca funciona como deve ser, é sempre imperfeito, ainda para mais em serviços públicos como a educação.
    .
    A forma mais prudente de melhorar o ensino universal e gratuito é instituir alguma concorrência e diversidade, através de um sistema de escolas convencionadas gratuitas.
    .
    Esse é o caminho que está a ser seguido em vários países. A pressa raramente traz bons resultados.

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  27. TLD permalink
    10 Dezembro, 2010 19:46

    A Helena Matos mente quando diz que o custo do ensino público é superior ao do privado. Divida lá o orçamento total do ME pelo número de alunos a ver se não dá um valor mais baixo do que o do privado. Além de que, existindo cobertura pública faz todo o sentido economico para o estado rentabilizar a sua própria infraestrutura. Quanto mais alunos há mais o peso dos custos fixos por aluno se dilui.

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  28. António Alves permalink
    10 Dezembro, 2010 20:03

    still wating….

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  29. Miguel Almeida permalink
    10 Dezembro, 2010 20:24

    PMP,
    “O mercado nunca funciona como deve ser, é sempre imperfeito, ainda para mais em serviços públicos como a educação.”
    O sr não está a querer dizer que é o estado é que nunca, nunca, funciona como dever ser? e para mais, como não funciona, qual a resposta do estado central? dar mais e mais dinheiro a monstros como o M. da educação, SNS ,..
    O que existe é falhas do estado, e não de mercado – estas, qd existem, são rapida e eficazmente suprimidas- é o chamado mercados livres.

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  30. António Alves permalink
    10 Dezembro, 2010 21:45

    bem posso esperar sentado: nem da postante nem dos comentadores surge alguém interessado numa discussão séria.

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  31. luis Moreira permalink
    10 Dezembro, 2010 22:33

    A questão é: fecha-se uma boa escola por ser privada? mantem-se uma má escola por ser estatal? Quem é que não quer avaliação e rankings? respondam a estas duas perguntas e ficam a perceber o problema. O resto é cartilha ideológica.

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  32. JFP permalink
    10 Dezembro, 2010 23:16

    António Alves
    Pode, de facto, esperar sentado, porque a postante convive mal com a discussão séria. De facto tinha obrigação de contestar os números que lhe foram contrapostos, a menos que não lhe interesse a discussão séria do problema, mas esteja, ela sim, apenas preocupada com “razões ideológicas”.
    De resto, é evidente a sua incompetência na introdução do post: ela julga que a comparação de duas médias de grandezas independentes pode fundamentar uma decisão económica. Haja alguém que lhe explique a necessidade da análise marginal.

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  33. PMP permalink
    10 Dezembro, 2010 23:45

    Os custos para o estado do ensino publico ou do ensino privado associado são próximos.
    .
    A mais-valia em manter escolas privadas associadas é que elas servem como referência de qualidade para o ensino publico, considerando os resultados dos exames do 12º ano.
    .
    Basta essa razão para as manter.

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  34. JFP permalink
    11 Dezembro, 2010 00:14

    Admitamos que há x alunos do ensino público com o custo médio de y.
    O raciocínio de alguns vai no sentido de que se x/2 alunos passasem para o privado o Estado poderia transferir para os tais contratos o produto de x/2 por y, sem alteração da despesa pública.
    Mas isto só seria verdade se o custo médio dos x/2 alunos que se manteriam no público continuasse a ser y; o que se mete pelos olhos dentro ser falso.
    Será assim tão difícil perceber isto.

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  35. PMP permalink
    11 Dezembro, 2010 00:36

    JFP,
    A transferência de custos que descreveu acontece não instantaneamente mais ao fim de dois ou três anos.
    .
    As decisões politicas são tomadas com horizontes temporais de alguns anos ou décadas, pelo que a coexistência de escola gratuitas publicas e escolas gratuitas convencionadas é uma decisão que traz benefícios na qualidade do ensino num horizonte de médio prazo e superior.
    .
    Não há justificação racional para a imposição de um sistema de gestão do ensino básico e secundário monolítico.
    Um sistema misto terá sempre mais hipóteses de ter melhores resultados, por definição.

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  36. JFP permalink
    11 Dezembro, 2010 06:44

    JMP

    Está absolutamente enganado: a alteração do custo médio é instantânea, pelo menos numa parte substancial. O numerador da fracção de cálculo permanece substancialmente imutável até que alguns reajustes eventualmente possíveis (mas nunca capazes de manutenção da média) possam ser feitos.
    Claro que a escolha escola pública/escola privada é um problema mais vasto e que exige outras análises que transcendem a economia e, sobretudo, a economia de curto prazo. Mas, eu limitei-me a mostrar a incorrecção da introdução da postante: Porquê então acabar com estes contratos? Eu pretendi, tão só, que o mostrar que o “então” da interrogação só poderia ter origem na ignorância da postante.

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  37. JCA permalink
    11 Dezembro, 2010 13:59

    PMP,
    como sempre gosto de lê-lo,
    .
    no caso vertente ‘A pressa raramente traz bons resultados.” reverte, embora não seja a sua matriz, para a escolástica salazarista ‘vira-se o fato velho ou os punhos da camisa esfarrapado e fica a parecer novo”.
    .
    É mais que obvio que Portugal não vai a lado nenhum co meias medidas. Mas é claro que isso só vai ser assimilado, a seguir. Entretanto perdeu.se muito dinheiro e energia criativa humana.
    .
    Não há outra saída senão destruir o velho, implantar o NOVO naturalmente com a SEGURANA de quem sabe morder o EXITO. E les não estão aí na Governança. E arrogantemente idiotas nem se sabem aliar. Nem tem problema porque como dizia ‘Campinos’ o buldozzer está em andamento, e naturalmente.
    .
    PMP não entenda isto como ofensa, são niveis de dialectica e atitude muito distantes dos habituais.
    .

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  38. JCA permalink
    11 Dezembro, 2010 15:04

    .
    “Não há outra saída senão destruir o velho, implantar o NOVO naturalmente com a SEGURANÇA de quem sabe morder o ÊXITO e TER SUCESSO. Eles não estão aí na Governança. Esta arrogantemente idiota nem se sabe aliar.”,
    .
    nada de euforias oportunistas, faltou só ‘porém’,
    .
    esses quase raros a quem se aliarem não estão nos Partidos, no Sindicatos, nos movimentos de Fés, nem nas Universidades. Mas estão cá e são os que sabem da póda. Por isso verticalmente não correm nem se empoleiram para as manadas. Tão só porque não precisam nem querem,
    .
    “o buldozzer está em andamento, imparàvel e naturalmente.”
    .

    .

    .

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  39. António Barreto permalink
    11 Dezembro, 2010 18:25

    Então e a análise Marginal?

    Serve para a postante mas também para os comentadores, incluindo o Sr António Alves.

    O que se passa é que os estabelecimentos de ensino Privado têm apresentado, consolidadamente, melhores resultados que os Públicos, e os Governos não gostam.

    O que se passa é que uma grande parte da população desconfia de manipulação política dos Governos através da educação e tem o direito de escolher o que entende melhor para os seus filhos.

    O que se passa é perceber se podemos designar por Democrata um regime com um sistema de ensino tendencialmente monolítico.

    O que se passa é perceber se vale a pena apostar na qualidade do ensino quando verificamos que o acesso ao mercado de trabalho é condicionado pelo “clientelismo”, pelo “amiguismo” e pela “miserável” exploração de que são vítima, muitos – demasiados – dos “pobres” estagiários, saltitando incessantemente de instituição em instituição, até à exaustão, dando o seu melhor por quase nada, apenas na vã esperança de, num futuro longínquo, terem futuro.

    O resto…é fumaça (para não dizer outra coisa)

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  40. António Alves permalink
    11 Dezembro, 2010 19:04

    «O que se passa é que os estabelecimentos de ensino Privado têm apresentado, consolidadamente, melhores resultados que os Públicos, e os Governos não gostam.»

    terei eu dito algo contrário a isto? não, nem sequer é esse o ponto. o ponto é: segundo argumentos, que considero sólidos, do secretário de estado o preço por aluno no ensino público é inferior àquele que o estado paga às escolas privadas “concessionadas” (mais uma PPP ruinosa), logo o estado deve acabar com as concessões onde elas não são necessárias. chama-se a isso boa gestão do meu dinheiro (sou contribuinte). tudo o resto é uma outra discussão que pode e deve ser levada a acabo. mas enquanto o sistema for este eos portugueses contribuintes não escolherem outro o governo deve acabar com estas PPP’s logo que sejam desnecessárias.

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  41. PMP permalink
    11 Dezembro, 2010 20:00

    JCA e Antonio Alves,
    .
    Contráriamente ao que é o senso comum, é fácil melhorar o sistema de ensino gradualmente, colocando em competição duas formas de gestão, a privada convencionada e a publica, dando-lhes recursos financeiros semelhantes.
    .
    Mas em Portugal impera a ideia revolucionária monolitica, que é a melhor desculpa para o imobilismo ou para a aventura.
    .
    Vejam o caso da ADSE, um sistema que permite incorporar qualidade a custos controlados na saúde.
    .
    Ao contrário das PPP’s, os regimes convencionados podem ser estruturados com contratos de médio prazo, de forma a que o estado tenha capacidade de alterar esses contratos ao fim de 4 a 5 anos, e além disso permite libertar o estado de investimentos desnecessários.

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  42. António Barreto permalink
    11 Dezembro, 2010 21:02

    António Alves,
    “o preço por aluno no ensino público é inferior àquele que o estado paga às escolas privadas “concessionadas”

    Presumo que não está a referir-se aos custos de oportunidade. São esses que interessam.

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  43. JCA permalink
    12 Dezembro, 2010 12:55

    .
    Resumindo e concluindo, evidencia-se que em vez de conversa de ‘trazer por casa’,
    .
    surgindo que a única discussão que realmente interessa a Portugal é COMPARAR e AGIR a falta ambição profissional das liderançass, a inexistência de vontade partidária de reformas radicais, as medidas aventureiras e frouxas, a incapacidade da elite instalada (o tal escol ‘à vocabulário ideologico-salazarista’…), o total alheamento das ‘figuras nacionais’ das realidades e da vida real substituído por ‘bonitos e vaidades ’ debitadas em ‘teorias- discursos- opiniões- análises- livros -masSOLUÇÕESdeNivelZERO’ e as Governanças com sentido muito pobre do rumo para Portugal no mundo da competitividade planetária a todos o níveis, com
    .
    “o estudantes de Shangai foram os melhores de todos em todas a disciplinas do exame PISA. A China participou pela primeira vez no PISA. Em 3º lugar ficou HongKong”
    http://www.aolnews.com/world/article/why-are-chinese-students-walloping-us-kids-on-test/19750419
    .
    Falam, falam, falam …… mas nada, tudo na mesma ou mais do mesmo com ‘marca e embalagem’, nome e regra diferentes, por ‘isto e por aquilo’ …. Assim não vamos lá, nem a lado nenhum.
    .

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  44. JCA permalink
    12 Dezembro, 2010 13:05

    .
    e assim há certas Governanças e certas Elites que conseguem arranjar o chamado ‘ESTADO FALHADO’,
    .
    como em meios internacionais relevantes Portugal até já está classificado.
    .
    Pois é.
    .

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  45. Bulimunda permalink
    12 Dezembro, 2010 13:11

    Se daqui a 20 anos recebermos 3 milhões de chineses e um milhão de eslavos então sim podemos ser os robotzinhos que muitos almejam que sejamos….by your commnd dirão então os grandes cérebros daí resultantes…

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