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Filhos e enteados

10 Fevereiro, 2011
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Governo reduz custos fiscais e burocracia para as empresas exportadoras

 

Uma das coisas mais perversas que desde sempre existe na governação deste país, é o uso e abuso de políticas direccionadas a sectores ou grupos específicos. Sendo que isto se faz de acordo com as modas do momento: os filhos de hoje são os enteados de ontem e vice-versa.

 

Presentemente, as empresas exportadoras são a coqueluche que todos pretendem cortejar. Claro que o governo dispõe sempre de argumentos de maior peso, o dinheiro dos enteados, que lhe permite prendá-la e seduzi-la de forma mais eficaz.

 

O resultado prático disto, para além da propaganda mediática, será o acréscimo de burocracia e corrupção, com o inevitável favorecimento dos “amigalhaços”. Os efeitos sobre a competitividade serão nulos, quiçá negativos.

 

Em termos de equidade, estamos conversados: se o objectivo é o défice externo, as empresas que trabalham para o mercado interno, mas em concorrência com produtos importados serão desfavorecidas. Como o serão todas as outras empresas, pois não é suposto que “custos fiscais e burocracia” só sejam maus para as empresas exportadoras.

 

Não seria bem mais simples baixar os impostos e os chamados “custos de contexto” para todas as empresas?

14 comentários leave one →
  1. 10 Fevereiro, 2011 17:16

    Realmente, para o défice comercial, um euro a mais de exportação é exactamente igual a um euro a menos de importação.
    Assim, as empresas que produzem cá, em concorrência com os produtos do exterior vão ser desfavorecidas através dos impostos (seus) que irão apoiar as empresas exportadoras. E, dessa forma, perderão competitividade e, quem sabe (pois estão muitas no limite), encerrarão e criarão espaço livre para mais importações.
    O euro de apoio às empresas exportadoras poderá resultar mal, em bem mais do que um euro no crescimento das importações.

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  2. 10 Fevereiro, 2011 17:27

    Tudo indica que Mubarak vai renunciar dentro de 2 horas !
    Quando é que se lê (e vê imagens) nas tv’s internacionais, isto:
    PORTUGAL: PROTESTS
    Anti-Socrates protesters in Marques Pombal Square
    ou
    Anti-Socrates protesters in Aliados Square.
    —-
    Mais um passo dado hoje na Assembleia da República: O BE anunciou uma moção de censura para 10 de Março. Aguardemos as negociações inter-partidos e as consequências.

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  3. Arlindo da Costa permalink
    10 Fevereiro, 2011 18:30

    Sócrates vai carregar no acelerador e agora vai obter uma esmagadora maioria absoluta.
    Até dá a impressão que o Louçã combinou tudo com o Sócrates…
    O PSD do Sr. dos Passos está atónito e o Presidente Cavaco já não vai ir passar uns dias sossegados de férias (aliás bem merecidas) na Aldeia da Coelha.

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  4. Eleutério Viegas permalink
    10 Fevereiro, 2011 18:38

    Baixar impostos e custos de contexto colocava uma série de fp’s incapazes sem absolutamente nada que fazer (já fazem pouco, eu sei, mas andam entretidos e fazem render a coisa para fingir que são precisos). Estes tipos deviam ter reduções de 50% ou mais… 10% é pouco. Mexiam logo o ku para trabalhar a sério nalguma coisa.

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  5. 10 Fevereiro, 2011 19:23

    É notável a inteligência do socretino Arlindo da Bosta.

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  6. 10 Fevereiro, 2011 21:57

    Bem visto. Tem por ai cada um com ideias estúpidas de apoiar os sectores que podem trazer benefícios para Portugal. Francamente… onde é que já se viu semelhante coisa.

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  7. tina permalink
    10 Fevereiro, 2011 22:23

    São as medidinhas de que JM sempre fala. Este governo é composto por pessoas sem formação adequada, que só pensam pequeno.

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  8. Fernando S permalink
    10 Fevereiro, 2011 22:34

    Os beneficios fiscais tendem a encorajar a ineficiencia : “como uma parte do meu custo é suportado pelo Estado não preciso de fazer tantos esforços para ser competitivo”.
    .
    Os beneficios fiscais para uns tem de ser pagos pelos outros : as empresas não exportadoras, que são ainda as que pesam mais em termos ce produção e de emprego, vão suportar o essencial do custo adicional que representam os beneficios à exportação.
    Os produtos importados vão ser ainda mais competitivos no mercado interno.
    .
    Claro que o pais precisa de reduzir o seu déficit na balança comercial.
    Mas matematicamente tal pode fazer-se tanto aumentando exportações como substituindo importações.
    Efectivamente, o que é preciso é aumentar a competitividade de todas empresas produtoras baixando para todas os impostos e os encargos sociais.
    Mas isto implica reduzir as despesas publicas e as interferencias do Estado na economia. O contrario do que se esta agora a querer fazer.
    .
    Enquanto a politica economica do governo for pensada e dirigida por quem acha que os funcionarios da administração publica sabem melhor do que os investidores e empresarios onde é que é mais eficiente e produtivo aplicar os recursos existentes … não vamos a lado nenhum !!

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  9. Jose Domingos permalink
    10 Fevereiro, 2011 23:15

    Na assembleia, todos estão a tratar da vidinha deles, estão-se nas tintas para o povo, povo, que por sua vez, também não merece mais.
    Com uma praça, tão geitosa, mesmo em frente ……………

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  10. 11 Fevereiro, 2011 00:05

    José Domingos,
    Não duvide: qualquer ameaça da colocação duma moção de censura a Sócrates ou outro meio constitucionalmente vigente para a demissão do governo –logo, eleições legislativas– arrepia a espinha a uns quantos — muitos ?– deputados da esquerda, do centro, da direita…
    Só por pensarem que podem perder a benesse partidária, que podem ficar sem o estatuto, que correm o risco de voltarem a um emprego (para aqueles que o tiveram antes de se sentarem em São Bento…),

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  11. 11 Fevereiro, 2011 00:06

    , etc, etc.
    De facto, a populaça-NADA tem o que merece ! E costuma reeleger o carrasco…

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  12. Arlindo da Costa permalink
    11 Fevereiro, 2011 01:59

    Só Sócrates nos pode livrar duma coligação PSD/Bloco de Esquerda que já se perfila no horizonte…

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  13. Hugo permalink
    11 Fevereiro, 2011 06:01

    É importante a mudança do paradigma de crescimento só seremos realmente livres quando acharmos os nossos bens e serviços competitivos, as exportações tanto são fonte de rendimento como de insegurança.

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Trackbacks

  1. Governar para os protegidos « O Insurgente

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