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Coisas que não percebo

13 Março, 2011
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Quando, em Junho de 2004, um grupo de camionistas bloqueou a Ponte 25 de Abril, José Pacheco Pereira escreveu um texto memorável a explicar como era o dia-a-dia de um casal com filhos que vivesse na Margem Sul, mais exactamente, se a memória não me falha, na Baixa da Banheira. Com ele queria chamar a atenção para a insensibilidade política dos que tomavam medidas, como a do aumento das portagens, ignorando esse dia-a-dia.

Ontem JPP preferiu indignar-se contra o espantoso relato “jornalístico” da manifestação de hoje “em directo”  pelas televisões e nalguns jornais que se dizem de “referência”. Com isso conseguiu um feito notável: foi ele o homenageado na única reflexão abrantina sobre as manifestações, uma honra duplamente desonrosa.

Também ontem a minha amiga e blasfema Helena Matos preferiu ontem destacar, de entre os muitos e muitos milhares que desceram a Avenida em Lisboa, os doutores em sociologia e relações internacionais, que tiveram bolsas de mestrado, bolsa de doutoramento, e que querem um contrato de trabalho que respeite as suas qualificações. A partir daí escreve um texto engraçado mas que, como de JPP, me surpreende.

O que se passou ontem por todo o país não cabe nos remoques algo irritados de JPP e HM. Esses remoques estão tão longe do essencial como se tivessem dissertado sobre a indumentária dos manifestantes, ou sobre as condições do piso da Avenida, ou sobre as árvores ainda não terem recuperado as suas folhas. Porque aquilo que se percebia que podia acontecer nos dias que antecederam as manifestações foi largamente excedido.

Desceu à rua um Portugal farto de tudo isto. Farto por boas e más razões, mas sobretudo farto. Desceu à rua um Portugal que quis fazer qualquer coisa, mesmo que não saiba muito bem como as coisas podem ser diferentes. Desceu à rua um país inorgânico mas, no essencial, ordeiro e respeitador da democracia. Desceu à rua um Portugal algo desesperado mas não revolucionário. Desceu à rua um Portugal que gostou de verificar que não está totalmente alheado da coisa pública.

Esse Portugal não veio defender menos Estado, como eu gostaria, a Helena gostaria e o JPP gostaria, mas nunca poderia fazê-lo quando ainda são muito poucos os que defendem que a solução dos problemas passa por menos Estado. Por isso eu nunca esperei milagres. Por isso eu defendi que, em vez de se encresparem com a conversa da precariedade do “manifesto”, o que se deve fazer é ir falar aquele Portugal irritado e mostrar-lhe as saídas possíveis.

JPP, que também faz parte da “classe política”, também entendeu seleccionar umas fotografias em que alguns manifestantes empunham cartazes contra os políticos, talvez para provar a sua tese sobre o carácter anti-democrático da manifestação. É uma selecção tão ridiculamente lateral que só pode ser contraproducente e ter como efeito que os que poderiam ouvir JPP passem a mudar de canal quando ele aparecer a falar. Para além de que não é honesto – acho mesmo intelectualmente desonesto fazê-lo depois daquilo a que assistimos ontem – querer fazer querer que o imenso “basta” de ontem se dirige contra a democracia.

Para vacuidades e preconceitos já basta o Miguel Sousa Tavares e o Mário Soares.

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37 comentários leave one →
  1. Euroliberal permalink
    13 Março, 2011 15:09

    Você está no bom caminho, no caminho de Damasco, JMF. Ainda se vai salvar… claro que de vez em quando tem uma recaída na adição à neoconeirice… mas encore un petit effort… bon courage, continue a perseverar…

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  2. 13 Março, 2011 15:13

    Aleluia, já há coisas escritas pelo Fernandes1957, com as quais concordo.
    Ressalvando alguma incontinência que o leva a escrever aquela última frase, que deve ser só para rimar Tavares com Soares.

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  3. filipeabrantes permalink
    13 Março, 2011 15:13

    Excelente resposta aos desvarios sectários e aristocráticos (no mau sentido) dos dois instalados supra-citados. No caso do Pacheco, percebe-se, o sistema alimenta-o há décadas, fala o instinto de auto-sobrevivência.

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  4. 13 Março, 2011 15:15

    Também poderia ter escolhido melhor imagem para acompanhar o texto.
    Aquela bandeira parece de Scolari.

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  5. pedro permalink
    13 Março, 2011 15:19

    gostaria de ter escrito o post acima. parabens.

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  6. Bulimunda permalink
    13 Março, 2011 15:22

    Está tudo aqui..ontem hoje e amanhã…

    A Necessidade da Mentira

    A imoralidade da mentira não consiste na violação da sacrossanta verdade. Ao fim e ao cabo, tem direito a invocá-la uma sociedade que induz os seus membros compulsivos a falar com franqueza para, logo a seguir, tanto mais seguramente os poder surpreender. À universal verdade não convém permanecer na verdade particular, que imediatamente transforma na sua contrária. Apesar de tudo, à mentira é inerente algo repugnante cuja consciência submete alguém ao açoite do antigo látego, mas que ao mesmo tempo diz algo acerca do carcereiro. O erro reside na excessiva sinceridade. Quem mente envergonha-se, porque em cada mentira deve experimentar o indigno da organização do mundo, que o obriga a mentir, se ele quiser viver, e ainda lhe canta: “Age sempre com lealdade e rectidão”.

    Tal vergonha rouba a força às mentiras dos mais subtilmente organizados. Elas confundem; por isso, a mentira só no outro se torna imoralidade como tal. Toma este por estúpido e serve de expressão à irresponsabilidade. Entre os insidiosos práticos de hoje, a mentira já há muito perdeu a sua honrosa função de enganar acerca do real. Ninguém acredita em ninguém, todos sabem a resposta. Mente-se só para dar a entender ao outro que a alguém nada nele importa, que dele não se necessita, que lhe é indiferente o que ele pensa acerca de alguém. A mentira, que foi outrora um meio liberal de comunicação, transformou-se hoje numa das técnicas da insolência, graças à qual cada indivíduo estende à sua volta a frieza, e sob cuja protecção pode prosperar.

    Theodore Adorno, in “Minima Moralia”
    #

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  7. 13 Março, 2011 15:27

    Melhor que Pacheco Pereira e Helena Matos , só Isabel Stilwell com a historia dos escravos que não fazem manifestações.

    Agora por escravos veio-me à ideia uma estapafúrdico questão: E se o culminar destes cigantescos movimentos de rua, fosse a vitoria de Passos Coelho com ” maioria absoluta” ???

    Não dava a bota com a perdigota, pois não????

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  8. zazie permalink
    13 Março, 2011 15:34

    Quem havia de dizer. O jmf 57 a escrever um texto sensato e uma crítica certeira.

    Só vai ser pena censurarem-me o piropo. (A menos que o carapau de corrida esteja de folga).

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  9. zazie permalink
    13 Março, 2011 15:35

    Já que não houve censura: parabéns.
    Devia usar deste bom-senso quando escreve acerca da wikileaks.

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  10. campos de minas permalink
    13 Março, 2011 15:37

    e que tal a ideia de manuel maria carrilho, segundo a qual uma percentagem dos manifestantes criarem um partido político, como consequência da manif d’ontem???
    a personagem não é benquista por estas bandas mas é uma referência do pensamento coevo nacional.

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  11. José Manuel Moreira permalink
    13 Março, 2011 16:32

    Excelente texto, sem dúvida. Quanto à HM, a árvore pode esconder os caminhos da floresta, mas o veneno é certeiro e a pista para as contradições dos doutores bem apanhada, daí que haja exagero na sua qualificação a par do JPP.
    JMM

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  12. Leme permalink
    13 Março, 2011 16:32

    Oercebe-se que houve alguem que tentou desvirtuar o significado da manifestação, talvez por ser ordeira e a antecipação do que está para acontecer, assim o esperamos, se não for uma reacção violenta e destruidora – que parece mais própria e adequada à miserável situação que estamos a viver.

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  13. Leme permalink
    13 Março, 2011 16:34

    *Percebe-se em vez ce Oercebe-se

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  14. A C da Silveira permalink
    13 Março, 2011 16:36

    Só pelas cabeças que não perceberam o que se passou ontem de tarde entre o Marquês e o Rossio, pode passar a ideia de que aquilo pode ter sido o embrião de um movimento, ou até de um partido politico. Juntaram-se ali largos milhares de pessoas , de varias faixas etarias, e por razões tão diversas como estarem desempregadas, ganharem pouco (na opinião delas, claro) por terem sido espoliadas do seu dinheiro, ou porque estão fartas deste país do nim.
    O dia de ontem trouxe-me à memoria o 1º de maio de 1974, que juntou em Lisboa muitas centenas de milhar de portugueses, que aproveitaram a ocasião para festejar o advento da Democracia, instaurada uma semana antes. Mas houve logo quem aproveitasse a onda, o PCP e os satelites, para ir lá buscar uma pretensa legitimidade para o que se passou a seguir. Esperemos que desta vez não aconteça algo parecido.

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  15. A C da Silveira permalink
    13 Março, 2011 16:39

    P.S. Para novos partidos politicos, já basta o de Pedro Santana Lopes. Como são parceiros de debate na TVI, deve ser a esse partido que MMCarrilho se refere.

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  16. Guillaume Tell permalink
    13 Março, 2011 16:51

    Eu acho que as pessoas que manifestaram querem sobretudo respeito. Querem que a classe política os respeite, e por isso os políticos têm de servir de exemplo à população, querem respeito da parte do Estado, querem que o Estado faça aquilo para que foi criado (servir a população e protegê-la contra os seus próprios desmandos) mas não querem um Estado que controle tudo e todos como o actual, um Estado paternalista, querem um Estado que incentive a creatividade deles e que esteje aí para punir os infratores.
    Agora é possível que alguns achem que o Estado deveria se preocupar mais de isto, ou deveria tolerar mais isso. É possível que as pessoas não têm bem consciência de como o caminho tem de ser traçado. É possível que se enganem sobre como fazer bem as coisas. Mas há algo que é claro: querem uma solução viável e querem que a sua voz tenha mais peso sobre como a solução seja desenhada.

    Mais respeito, mais democracia, mais felicidade.

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  17. 13 Março, 2011 17:02

    Não sei o que se está a passar com pp,mas que ele está deixando a ideia de que quer que ps(pinto sousa) se mantenha no poleiro, não estão a restar dúvidas.Porquê só ele saberá!

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  18. 13 Março, 2011 17:14

    O JPP anda com medo das eleições antecipadas porque fica precário e desempregado. Politicamente, o homem não vale nada.

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  19. Carlos Dias permalink
    13 Março, 2011 17:20

    Os licenciados, mestrados e doutorados em sociologia, os politólogos, os comentaristas experimentadíssimos e reformados ainda não perceberam o que é que esta manisfestação demonstrou.
    Mas como o outro disse, prognósticos só no fim do jogo.
    😉

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  20. zazie permalink
    13 Março, 2011 17:21

    Vales tu por 3 dele, já agora, que só dizes bacoradas. Não eras tu quem dizia que o melhor que estes “deolindas” tinham a fazer era emigar e não casarem porque isso só dá despesa. Pois então faz as contas à reforma que o partido tem para te dar.

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  21. zazie permalink
    13 Março, 2011 17:23

    Bandeirinha de treta, este eduquês do encosto.

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  22. 13 Março, 2011 17:34

    Pacheco Pereira tem vindo a revelar-se uma das figuras mais sinistramente deletérias deste regime.
    Mas só engana os papalvos: entrincheirado no PSD, serve às mil maravilhas os objectivos do PS e do falso engenheiro.
    Não há paciência para gente desta, mas enfim… É o que temos.

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  23. MANI PULITE permalink
    13 Março, 2011 17:50

    O PACHECO NUNCA FOI SIMPÁTICO.COM O PASSAR DOS ANOS TORNOU-SE SIMPLESMENTE REPUGNANTE.QUE VÁ PARA O QUADRADO QUE O PARTA.

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  24. lucklucky permalink
    13 Março, 2011 18:31

    O PP tem razão na critica aos jornalistas.
    Basta ver a quem eles vão dar o microfone para falar.
    Quem é que vão deixar ser os líderes.

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  25. Portela Menos 1 permalink
    13 Março, 2011 18:48

    vá lá! um post com algum sumo e – espanto- a colocar hfmatos e jpp ao lado do ministro santos silva !

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  26. Joaquim Amado Lopes permalink
    13 Março, 2011 19:05

    Há alguma coisa em que o “Portugal que saiu ontem à rua” concorde e que seja pelo menos parte da solução para a situação em que estamos? Ou será que o que a esmagadora maioria desse “Portugal” quer só a tornaria pior?
    Pelo que esteve no génese da organização da “saída à rua”, é melhor não olharmos para esse “Portugal” como solução para coisa alguma mas mais como uma parte do problema.
    _
    Quando o “Portugal” do rendimento mínimo, das quotas, dos direitos adquiridos, das “licenças de aborto”, das casas com rendas de 10 euros, das reformas aos 40 e tal anos, das promoções automáticas, dos juízes irresponsáveis pelas decisões que tomam, dos políticos irresponsáveis pelas Leis que fazem e pelas decisões que tomam, dos assessores ministeriais, dos “boys” e quejandos, dos administradores de empresas públicas e municipais, … quando este “Portugal” sair à rua para exigir que as coisas mudem então sim, haverá algo a discutir e lugar a alguma esperança.
    Mas as “deolindas enrascadas” que saiem à rua a exigir que a “mama” continue (a maioria – não a totalidade – do “Portugal que saiu à rua” ontem) bem podem aproveitar o passeio para ir à m****.

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  27. José Barros permalink
    13 Março, 2011 19:31

    Concordo com o texto e subscrevo-o na totalidade. Não se pode reduzir as 300.000 pessoas que se manifestaram ontem a um rótulo, como o fazem Helena Matos e JPP. Haverá, de facto, jovens que, tirando cursos da treta com médias baixas nas privadas, entendem ter direito divino a que o Estado lhes dê um emprego para a vida e esses merecem o que têm, ou seja, fizeram por merecer o desemprego ou o trabalho no call center, porque não mostraram servir para mais nada; mas também existem muitos jovens, que, arrisco, não serão em menor número, e que trabalham 12 horas por dia como estagiários numa qualquer empresa portuguesa (seja num escritório de advogados ou numa estação de televisão ou jornal), na esperança de ficarem colocados depois do estágio nessa empresa, sendo explorados durante dois anos, sem receber um tusto, para depois serem despedidos e substituídos por mais uma leva de estagiários. Há empresas que já se transformaram num negócio que vive praticamente do trabalho desses estagiários, os quais assumem responsabilidades imensas, ficando com o trabalho mais relevante e mais duro, sem – repita-se – verem um tusto e sem qualquer garantia, bem pelo contrário, de terem uma chance sequer de, pese embora o seu esforço e mérito, merecerem um contrato de trabalho (a termo que seja). Falo de empresas de sucesso, que não teriam qualquer necessidade de enveredar por esse caminho de viverem à conta de escravizar recém licenciados através da fraude de uma promessa de emprego que se sabe não vir a ser cumprida. Há, de facto, muita exploração por aí e a mesma tem de ser denunciada socialmente, pondo nomes às referidas empresas, mesmo que se entenda que tais práticas não devem ser proibidas ou limitadas pelo Estado.

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  28. tina permalink
    13 Março, 2011 19:34

    Houve alguns que defenderam menos Estado. Na carrinha dos homens da luta estava “O povo está a ficar sem leite e o Estado é quem mais ordenha” Eu levava “Estado Gordo = Povo Magro” e “Estado Chulo”. E havia outros parecidos. Já é um começo. Havia uns engraçados e o meu favorito foi “A precariedade tira-me a vontade”. Foi uma manifestação boa, porque era apartidária e havia muita gente nova e divertida. Algumas pessoas ainda tentaram repetir o slogan “O Povo unido jamais será vencido” mas ninguém alinhou. Foi um Portugal que me trouxe orgulho.

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  29. 13 Março, 2011 20:19

    Muito bem, José Manuel Fernandes! Ponha essa gente na ordem.

    Só é pena que se deixe levar pelo sectarismo deles, para pegar na palavra do filipeabrantes ali em cima, quando se trata de tudo o que possa envolver Israel (Segunda Guerra Mundial, WikiLeaks, etc.).

    Mais uma vez, parabéns.

    .

    Também gostei do comentário do José Barros. Sou contra que o Estado meta o bedelho na vida das pessoas e empresas. Pelo mesmo motivo (legitimidade = não-coerção), a sociedade tem todo o direito de saber quem são as empresas exploradoras dos jovens e boicotá-las pacificamente. Infelizmente, há muita gente que pensa que liberalismo é concordar com tudo o que as empresas fazem. Não, a uma empresa aplica-se a mesma moral que se aplica a uma pessoa. E as pessoas não devem fazer muitas das coisas que têm direito de fazer e devem ser punidas, sem violência e em liberdade, por isso pela sociedade.

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  30. António Alves permalink
    13 Março, 2011 20:45

    o Pacheco viveu toda a vida à custa do estado; não me espanta que o fim do sistema seja uma perspectiva que o assuste.

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  31. Ana Mendes da Silva permalink
    13 Março, 2011 23:56

    A diferença nas análises entre quem acompanhou a manifestação (Marcelo rebelo de Sousa, JMF…) desde o FB até a avenida e os comentadores de sofá é imensa. Mas confirma a tese de que em Portugal todos falam de tudo, mesmo não tendo a mínima noção da realidade que comentam.

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  32. 14 Março, 2011 14:20

    O que nós, sociedade civil, temos que fazer é reclamar parte do poder que o Estado nos tirou e que agora o Centrão quer entregar por tuta e meia aos mesmos monopólios e oligopólios privados de sempre. A solução não é privatizar, privatizar e privatizar mas sim desmantelar e restituir os recursos às pessoas sob a forma de cooperativas de funcionários e clientes:

    “Civil society around here is still very incipient. Since April 25 of 1974, The State has gorged all the economy’s resources and now that it is buried in debts, the biggest opposition party wants to privatize everything and sell all the assets that weren’t already sold to the huge corporations who have profited from privileged ties with the current ruling government by way of public-private partnerships to fund the construction of numerous highways, bridges or high-speed trains. With the enormous consolidation of the economy that has been going on, no wonder people have no jobs or have to live in perpetual precariousness!”

    http://blog.p2pfoundation.net/miguel-caetano-on-the-self-organized-precarity-movement-in-portugal/2011/03/14

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