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15 de Março de 1961*

15 Março, 2011

A15 de Março de 1961, cinco a seis mil portugueses foram assassinados em Angola. Esses mortos nunca estiveram no lugar certo. Antes do 25 de Abril de 1974 eles foram inconvenientes porque, numa primeira fase, atestavam a imprevidência do regime que não acautelara a segurança daquelas pessoas como era sua obrigação, e posteriormente porque a vontade de mostrar que a guerra estava reduzida à Guiné e a algumas zonas de Moçambique levava a que estes mortos fossem esquecidos.
Após o 25 de Abril estes portugueses continuaram a ser omitidos, pois os seus corpos repetidamente violados, empalados e queimados atestavam na brutalidade de que tinham sido vítimas que aquilo a que se chamava movimentos de libertação não tinham nada de libertadores nem de civilização. Antes pelo contrário. E sobretudo porque esses cadáveres de brancos, pretos e mulatos não se coadunavam com o decálogo revolucionário que transformava os fazendeiros brancos em opressores contra os quais se tinham levantado os seus trabalhadores negros.
A forma como gerimos a memória da guerra do Ultramar entre 1961 e 1975 e como escamoteámos os outros períodos de guerra nesses mesmos territórios durante o século XX são sintomáticas de um dos nossos erros mais trágicos como país: identificamos quem governa com o povo. Confundimos o regime com o país. Em resumo, não distinguimos a política da História. Dos Descobrimentos aos Lusíadas, sem esquecer Aljubarrota ou a Mensagem de Pessoa, tudo é sujeito a essa captura da História pela política.
Ainda esta semana os EUA homenagearam o seu último combatente na I Guerra. Sem mais. Em Portugal, o Estado Novo nunca foi capaz de tratar com respeito as razões que levaram Afonso Costa e António José de Almeida a defender a participação de Portugal nessa mesma I Guerra, tendo as romagens ao monumento dos combatentes acabado por tornar-se uma manifestação da oposição ao regime. De igual modo, o monumento aos mortos na guerra do Ultramar é ainda uma espécie de incómodo para a democracia, que nem consegue chamar-lhe guerra sem lhe colar o adjectivo colonial.
Cinquenta anos depois dessas e de tantas outras mortes, esse mundo do colonialismo e do anticolonialismo em que se fundaram as independências africanas começa a esboroar-se. Hoje, além de Khadafi, que grita aos quatro ventos que é vítima de uma conspiração colonial, poucos recordarão que pelos anos 60 e 70 o mundo se dividia em três mundos, e que o Terceiro Mundo, esse de que faziam parte líderes como Khadafi e outros que agora passaram a ditadores, nos era apresentado (por exemplo nos livros escolares dos anos 70) como o mais puro e generoso de todos eles.
À luz deste entendimento do mundo, os mortos no ataque às fazendas de Angola em 1961 pagavam o preço de estarem no continente errado, pois “África era para os africanos” e os africanos só podiam ser negros. Assim dito, e à luz do politicamente correcto de hoje, soa a racismo, não é? Também me parece. E confesso que receio que algum francês adepto da família Le Pen descubra que, em pleno PREC, os portugueses fretavam voos para repatriarem os cabo-verdianos de Lisboa para o seu arquipélago, pois consideravam que era lá o seu lugar, coisa da qual eles não pareciam muito convencidos, apesar do esforço da Intersindical em motivá-los para que rejeitassem ser explorados por brancos na Europa e regressassem ao lugar donde, segundo esta concepção do mundo, nunca deviam ter saído.
Os tais líderes anticoloniais que começaram a ser incensados pela esquerda como revolucionários e que depois a direita transformou em parceiros e homens de Estado, ameaçam agora os governos da Europa com algo de que estes achavam que se tinham desembaraçado quando apostaram no sonho europeu: África. Khadafi sabe bem que a Europa treme perante a imagem de uma África desembarcando sob a forma de milhares de negros nas suas praias cheias de bandeiras azuis e bares homologados.
Mas uma coisa é a política e outra a História. Como provavam os cadáveres de negros, brancos e mulatos caídos nas fazendas de Angola em 1961 não era preciso ser negro para viver e morrer em África em 1961. Como também não deve ser necessário ser branco para viver na Europa de 2011.
*PÚBLICO

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37 comentários leave one →
  1. Anonimo permalink
    15 Março, 2011 09:56

    Respeito os seus sentimentos e memórias. Mas omitidos, omitidos mesmo, foram os quasi 1 milhão de jovens obrigados a estragar a sua juventude, outros a vida, outros a saúde, outros as formações académicas etc que na Guiné, Angola e Moçambique for combater sem nunca lá terem estado antes, sem terem lá qualquer familia ou amigos, tendo nascido na Europa. Abandonaram tudo durante pelo menos 2 anos. À chegada não tiveram ajudas de IARN’s e tudo o mais que é sabido. Não é que os retornados não tivessem direito a essa solidariedade da Metropole após a descolonização.
    .
    Por favor quando abordar este tema não omita este aspecto maior sob pena de ser etiquetada como tendenciosa.
    .

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  2. lucklucky permalink
    15 Março, 2011 10:07

    Usando a agora bitola da esquerda para apoiar Ditadores no presente – Saddam por exemplo – é bom lembrar que mais de 1 milhão e meio de pessoas morreu por causa dos movimentos de descolonização contra Portugal.

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  3. Helena Matos permalink
    15 Março, 2011 10:10

    O facto de achar que escrevo sobre este assunto por causa de sentimentos e memórias pessoais (donde terá vindo esta ideia é algo que me intriga) é bem sintomático do fenómeno de captura da História pela política que tentei descrever.

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  4. Anonimo permalink
    15 Março, 2011 10:22

    HM a ideia no leitor normal é que nascida em Africa. Se não é, as minhas desculpas. Aliás outra questão que nunca se entendeu foi porque é que os nascidos em Africa foram corridos da que também era a sua terra. Racismo ao contrário ? Para quando o pagamento dos bens que lhes nacionalizaram ? Só valeu para as nacionalizações do 25 de Abril ? As outras nas ‘provincias ultramarinas ou colonias como quiseram’ foram o quê ?

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  5. campos de minas permalink
    15 Março, 2011 10:26

    Anónimo, por acaso também tenho essa ideia pré-concebida.

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  6. Jofre permalink
    15 Março, 2011 10:32

    A D.Helena “esqueceu-se” , e esse esquecimento não foi inocente, dos milhares de militares que tombaram ao serviço de interesses da oligarquia então vigente. Esqueceu-se dos estropiados que foram algumas dezenas de milhares. Esqueceu-se de denunciar os crimes cometidos pelos m«nossos colonialiatas. Eu sei do que falo pois estive em Angola. Esqueceu-se de massacres cometidos por alguns militares. Só para dar um exemplo, o massacre de Wiriamú a mando de Kaulza de Arriaga. Etc, etc. Muita falta de imparcialidade e excesso de sectarismo.

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  7. Jofre permalink
    15 Março, 2011 10:32

    A D.Helena “esqueceu-se” , e esse esquecimento não foi inocente, dos milhares de militares que tombaram ao serviço de interesses da oligarquia então vigente. Esqueceu-se dos estropiados que foram algumas dezenas de milhares. Esqueceu-se de denunciar os crimes cometidos pelos nossos colonialistas. Eu sei do que falo pois estive em Angola. Esqueceu-se de massacres cometidos por alguns militares. Só para dar um exemplo, o massacre de Wiriamú a mando de Kaulza de Arriaga. Etc, etc. Muita falta de imparcialidade e excesso de sectarismo.

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  8. helenafmatos permalink
    15 Março, 2011 10:50

    Não falei nem tinha de falr pq escrevi sobre 15 de Março de 1961. Quando eu escrever sobre a guerra não falarei certamente sobre o ataque às fazendas mas sim sobre os militares. Por outro lado a técnica que usa já não funciona: faolu disto mas devia era ter falado daquilo. Logo é tendencioa, sectária, etc Lamento informá-lo:sou eu que escolho aquilo de que falo. Se quiser investigue e veja se tenho erros naquilo que escrevi.

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  9. nuno granja permalink
    15 Março, 2011 10:52

    Antevendo reacções tipicas de determinados sectores da nossa sociedade, gostarioa de dizer que sou de direita e com excepção do governo de Cabo Verde, tenho a pior impressão possivel de todos os governos das ex-colónias portuguesas, passados e presentes, mas…..
    1
    Tenho muita pena de quem morreu , mas quem ocupa terras, trata os indigenas como cidadãos de segunda e como mão de obra escrava corre o risco que um dia “salte a tampa” aos donos legitimos das terras. Os portugueses que moravam em áfrica achavam que aquela situação ia durar para sempre?

    2
    Um destes dias vi imagens terriveis captadas na Guiné,durante a guerra colonial, por uma equipa de reportagem francesa . Depois de uma emboscada um soldado português praticamente com todos os membros decepados, implorava aos seus camaradas de armas que o matassem .
    Acho incrivel os colonos acharem-se no direito de que várias gerações de jovens portugueses se sacrificarem desta maneira numa guerra inutil e injusta, para que continuassem a ter as “suas” propriedades e vidas maravilhosas em áfrica.

    3.
    Se o ataque so colonos foi barbaro, as represálias exercidas sobre ” os pretos” como vingança não lhes ficaram atrás .

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  10. Helena Matos permalink
    15 Março, 2011 10:56

    Não interessa achar que os brancos não deviam estar em África ou que os negros não devem estar na Europa. Estavam e estão. Porque como é óbvio não era nem é uma questão que se resumisse a brancos colonos e pretos trabalhadores oprimidos.

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  11. balde-de-cal permalink
    15 Março, 2011 11:01

    nesta republiqueta nacional-socialista não há respeito pelo vivos,
    muito menos pelos mortos

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  12. campos de minas permalink
    15 Março, 2011 11:02

    por falar em pretos oprimidos, já era eu vivinho da silva,e pouco mais tenho de 40 anos, e ainda havia cidadãos de 2ª, vulgo escravos, na maravilhosa américa-que-dá-a-felicidade-aos-seus-cidadãos!1
    avé américa!

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  13. lucklucky permalink
    15 Março, 2011 11:09

    “mas quem ocupa terras”
    .
    Os Portugueses estabeleceram-se em Angola no Séc XVI. S. João de Luanda foi fundada na segunda metade dos 1500’s. Se você fala de “ocupar terras” em 1500 tem muitos países e comunidades para expulsar, para mais num continente com escassa população onde podia andar dezenas de quilómetros sem ver um humano. De quem eram essas terras?
    .
    Note-se que não estou a falar de outras partes de Angola ocupadas mais recentemente e nem obviamente do domínio Político. Os pretos tinham todo o direito de se revoltarem. Tal como os Portugueses tinham todo o direito de continuarem em Africa como estavam há 500 anos e se não houvesse acordo existirem 2 Angolas ou 3 ou 4…

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  14. nuno granja permalink
    15 Março, 2011 11:55

    “lucklucky”
    Quando tiver nome de gente que assume o que diz respondo-lhe.

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  15. António permalink
    15 Março, 2011 12:03

    Estou a ver….
    Os “donos legítimos” daquelas terras….”ocupação”…..”colonialismo”
    Ou o mais folclórico: “África para os Africanos”!
    (Este lema é: benemérito, nada sectário, nada racista e profundamente fraterno e humanitário, pois….)

    LOL!-
    Imaginem o que se diria se alguém viesse dizer: “A Europa para os Europeus”.
    (este lema é: fascista/nazi/fujam/fujam/vem/ai/os/racistas/faxxxistas/nazis/ah/os/malandros/opressores/sectários/faxxistas/fujam/fujam)

    A imbecilidade, a duplicidade de critérios e a descarada hipocrisia da Esquerda não cessam de supreender.

    Uma “petite provocation”: tendo em conta as sondagens……. e se a Srª Marine le Pen se tornar presidente da França?

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  16. Jofre permalink
    15 Março, 2011 13:15

    “. Quando eu escrever sobre a guerra não falarei certamente sobre o ataque às fazendas mas sim sobre os militares”
    .
    Por aquilo que tenho lido de si, duvido que venha a falar sobre a guerra e com imparcialidade.

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  17. Pi-Erre permalink
    15 Março, 2011 15:52

    Ó Jofre, está calado, pá! Não sabes o que dizes. Aposto que nem sabes onde fica Angola, nem nunca lá puseste os pés.
    Apenas ouviste dizer, viste filmes, sonhaste…

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  18. Arlindo da Costa permalink
    15 Março, 2011 16:22

    A culpa é de quem? Do Sócrates? do Salazar? Da URSS?
    Ou do John Kennedy e da América que financiaram e instigaram os pretos da UPA àqueles massacres?

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  19. ping pong permalink
    15 Março, 2011 16:33

    A minha homenagem aos heróis portugueses que serviram militarmente o País lutanto, contra quem atacou Portugal do exterior (a mando dos EUA, da União Soviética e da China), para defender as nossas fronteiras de há muitos séculos.
    Foram obrigados a isso?
    O serviço militar era obrigatório, mas podiam ter desertado.
    E como muitos cobardes anti-patriotas fizeram, podiam ter ido ajudar o inimigo que os seus compatriotas combatiam.
    Mas não, sacrificaram com estoicismo 3 anos da sua junventude e por vezes a própria vida.
    Agradeço à Helena tê-lo lembrado.

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  20. mesquita alves permalink
    15 Março, 2011 16:36

    Cara Helena,
    Os locais estávam na sua terra.Em 1961, cometeram o terrível pecado, de não pedir instruções à pide, como iniciar a sua guerra.Penso que já pediram desculpa por esse lapso.
    Se a ocupação das fazendas pelos colonos eram tão natural, e tão de direito, acho que um policia de giro nas zonas interiores, chegava e sobrava.Acho portanto absurdo, pedir um contingente extra.
    Até a Marili Seterip do “Out of Africa” entendia isso.
    Fico a aguardar entusiasmado, os seus textos futuros da Guerra Colonial e consequente debandada.
    Acho que uns grupelhos da extrama esquerda precipitaram a coisa…
    Boa tarde.

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  21. Jofre permalink
    15 Março, 2011 16:38

    Para o Pi-Erre
    Por acaso sabes o que é ter uma farda vestida? Desconfio que nunca saístes do rectângulo e medes toda a gente pela tua bitola. Talvez tenhas sido um daqueles mercenários que foi para o Kosovo ou para o Afeganistão ganhar uma pipa de massa. Nós fomos defender os interesses que não eram os nossos sem nada receber em troca. O que tu és é um mercenário!
    Por tu seres um fedelho e saberes ligar-te à internet, pensas que todos os “coroas” são anlfo-informáticos?
    Vai-te catar!

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  22. Jofre permalink
    15 Março, 2011 16:41

    Faço a correcção
    analfo-informáticos?

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  23. Pi-Erre permalink
    15 Março, 2011 16:44

    Ó Jofre, mais uma vez, está calado, pá! Não sabes o que dizes. És um pateta!
    Deves ter idade para ser meu neto, rapaz!

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  24. Francisco Colaço permalink
    15 Março, 2011 17:04

    Campos de Minas,
    .
    Reveja a sua história. A escravatura acabou nos Estados Unidos depois de uma guerra sangrenta, e levou a vida do presidente que assinou a libertação dos escravos num tiro à queima-roupa.

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  25. Jofre permalink
    15 Março, 2011 17:26

    pró pi-erre
    Pateta és tu que na falta de argumentos insultas.

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  26. Jofre permalink
    15 Março, 2011 17:28

    pró pirre
    Tu deves ser da idade dos meus netos. Andor!

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  27. 15 Março, 2011 20:09

    Em nome de trê retornados, eu próprio e os meus saudosos Pais que já partiram desta terra, agradeço-lhe o ter lembrado aquilo que nenhum jornal de hoje lembrou embora todos se tivessem lembrado do assalto á cadeia de Luanda.
    Quanto a muitas intervenções aqui colocadas verifica-se que a verdade que foi impostas pelos senhores capitães do 25 de Abril & Seguintes tornou-se em Verdade Oficial Histórica.

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  28. 15 Março, 2011 23:06

    Não acredito… então esta gentinha não vê, todos os dias, o resultado da amputação (sem anestesia) que nos foi feita?!… Portugal foi decepado e daí este seu lento estertor! O resto são tretas, não temos mais hipótese de sobrevivência, essa é que é a verdade! Há que “zarpar” novamente… não cabemos cá todos.
    Acordemos… ainda que para esta desgraçada realidade que estamos vivendo – um enorme pesadelo.
    Quando nos fomos daqui, à procura de melhores terras e melhores gentes, há mais de 500 anos, fizemo-lo porque já então isto estava pró fraquito e como que esgotado…
    Como pensar, agora, que seremos capazes, sem eira nem beira e sem arte nem engenho… voltar a ser, já nem digo uma orgulhosa (e só) Nação, mas… no mínimo, remediada.
    Por isso é que o “outro” queria tirar os canhões da letra do nosso hino… ele lá sabia que estes seriam para derreter, para pagar a monstruosa dívida que vimos acumulando após a tal “operação cirúrgica” dos “cravas” de 1974 …

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  29. Pinto permalink
    16 Março, 2011 07:18

    Como tive oportunidade de referir no Arrastão e no Jugular (neste último não deve ser publicado porque a Fernanda Câncio não publica os meus comentários, arguindo – com razão – que o blogue é dela e só publica o que quer), há gente que, esquecendo por momentos que aqueles territórios faziam parte de Portugal há séculos, acham que o país não tinha legitimidade sobre eles. Porquê? Porque, entendem estes vanguardistas de pacotilha, aquela terra era dos indígenas, vale dizer, dos pretos. E por isso o regime de então não tinha o direito de enviar tropas para restabelecer a paz após o massacre de 6000 portugueses – brancos e pretos – em território português, como o fez o Brasil nas favelas recentemente; atitude, aliás, que o Daniel Oliveira aplaudiu de pé.

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  30. Anónimo permalink
    16 Março, 2011 16:52

    Autralia para os aborígenes já!

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  31. J.Silva permalink
    17 Março, 2011 12:05

    Em 1500 ocupar, desbravar , negociar,evangelizar e colonizar terras na sua maior parte desertas não era crime nenhum. Crime era o esclavagismo que aliás, foi abolido, e a exploração do trabalho. Mas esta também existe aqui hoje na Europa, em Paris e em Lisboa. A cultura portuguesa e a africana iam-se interligando e a miscenejação também. Fomos das Nações menos colonialista em Àfrica. Erros? Todos os cometeram… O noso problema foi não se ter dado cumprimento ao sonho de Norton de Matos e fazer de Angola um novo Brasil, (o grande erro de Salazar) pois, afinal, nem de lições de colonização precisávamos, como nos quiseram dar mais tarde os USA desde Kenedy, incitando os naturais de Angola à revolta, esquecendo-se que eles próprios reprimiram e devastaram tribos inteiras de indios (deixando só alguns para amostra) numa terra que não era deles e que ocuparam pela força.
    O slogan África para os Africanos (negros) é a coisa mais estúpida e mais racista que se forjou ao de cima da terra. Mas ele emergiu por razões de cobiça das grandes potências quer quiseram controlar e roubar, alás com êxito, as riquezas alheias, os direitos dos naturais e históricos de quem já estava. O resto é tudo conversa…
    Quem fala assim é alguém que conhece muito bem África quer como militar quer como civil.
    Quanto a falar da guerra em África e de militares não me parece que a D. Helena tenha a isenção ou os conhecimentos suficientes para falar dela…Pode parecer um paradoxo mas essa competência só a reconheço a quem fez a guerra (que nos foi imposta) e, apesar de tudo, amou a terra e as gentes onde ela foi feita…

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  32. J.Silva permalink
    17 Março, 2011 14:56

    Quero aqui fazer uma rectificação prévia ao meu último parégrafo das 12:05:
    1-“essa competência só a rec0nheço a quem fez a guerra”. Com isto não quero pôr em causa a capacidade da autora do post, aliás muito bem feito, de escrever sobre qualquer tipo de guerra. Sendo a pesquisa e a documentação feitas com rigor, este tema pode ser abordado por qualquer um e melhor ainda por alguém que sabe escrever bem que é o caso em presença.
    Refiro-me, outrossim, à experiência pessoal e intervenção no terreno em situações reais que a autora decididamente não tem.
    2-Fica aqui feito , desde já, o desafio para escrever sobre os militares e a guerra do ultramar.

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  33. licas permalink
    17 Março, 2011 15:09

    . . . o que não iliba de culpa do Salazar por não entender que a Política é a Arte do Possível,
    nunca por nunca a Inevitabilidade do Ideológico . . .
    Quanto ao Esquerdista *África para os Africanos* e o Nazi(?) *Europa para os Europeus*
    equivalem-se em TERRORISMO SELVAGEM.

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  34. Anónimo permalink
    17 Março, 2011 19:07

    Há pessoas muito más: “Desgraçado do Fernando Farinha que por cantar este fado trataram-no pior de que cão no pós 25 de Abril…indo ao cúmulo de lhe negaram trabalho; morreu sozinho e triste”.

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  35. Silva Virgílio permalink
    16 Dezembro, 2014 12:02

    O regime fascista de Salazar foi tão culpado como os autores dos massacres de 15 de Março de 1961. Porque numa altura em que eram dadas independências um pouco por todo continente africano os angolanos eram submetidos ao trabalho escravo e as mais ideondas humilhações, inclusive a prática de decapitações sistemáticas para intimidar os negros. A política de terra queimada que se seguiu aos acontecimentos com uso da aviação para bombardear aldeias de populações indefesas fala por si, sobre a natureza do regime que colonizou Angola. Para mostrar que o regime fascista de Salazar só entendia a linguagem da força, depois dos acontecimentos de 4 de Janeiro na Baixa de Cassanje em Malange, 4 de Fevereiro em Luanda e 15 de Março nas Províncias o Zaire, Uíge, Luanda, Kwanza Norte e Malange e não só, o Regime colonial desencadeou reformas significativas. Mesmo assim, a falta de visão do regime admitiu que seria possível manter os africanos colonizados.

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  36. Silva Virgílio permalink
    6 Fevereiro, 2015 10:52

    O regime fascista de Salazar foi tão culpado como os autores dos massacres de 15 de Março de 1961. Porque numa altura em que eram dadas independências um pouco por todo continente africano os angolanos eram submetidos ao trabalho escravo e as mais hediondas humilhações, inclusive a prática de decapitações sistemáticas para intimidar os negros. A política de terra queimada que se seguiu aos acontecimentos com uso da aviação para bombardear aldeias de populações indefesas fala por si, sobre a natureza do regime que colonizou Angola. Para mostrar que o regime fascista de Salazar só entendia a linguagem da força, depois dos acontecimentos de 4 de Janeiro na Baixa de Cassanje em Malange, 4 de Fevereiro em Luanda e 15 de Março nas Províncias o Zaire, Uíge, Luanda, Kwanza Norte e Malange e não só, o Regime colonial desencadeou reformas significativas. A partir destas datas o homem do norte deixou de ir ao trabalho do contrato ou seja trabalho forçado, o mesmo que escravatura de acordo as humilhações que os nossos País e Avós passaram. Mesmo assim, a falta de visão do regime admitiu que seria possível manter os africanos colonizados. E mais, continuou a levar os nossos compatriotas do centro País ao trabalho escravo até por altura da independência, a espera duma revolta trágica, idêntica as três já citadas noutras regiões do País.
    Felizmente como resultado da luta dos patriotas Angolanos, Guineenses, Cabo-verdianos, São-tomenses, Moçambicanos e as forças progressistas de Portugal o colonialismo sucumbiu depois do 25 de Abril de 1974 , que foi uma sequência lógica da nossa luta. Se assim não fosse sucumbiria em circunstâncias mais humiliantes com a derrota militar como aconteceu na Guiné – Bissau, seria a sequência lógica para o regime fascista de Salazar e Caetano…
    Citação:
    “Sem os territórios africanos, o país ficará reduzido a um canto sem expressão numa Europa que se agiganta, e sem trunfos potenciais para jogar em favor do seu validamento no concerto das Nações, acabando por ter uma existência meramente formal num quadro político em que a sua real independência ficará de todo comprometida. (…)
    Mas não é pela força, nem pela proclamação unilateral de uma verdade, que conseguiremos conservar portugueses os nossos territórios ultramarinos. Por essa via, apenas caminharemos para a desintegração do todo nacional pela amputação violenta e sucessiva das suas parcelas, sem que dessas ruínas algo resulte sobre que construir o futuro. (…)”

    António de Spínola, Portugal e o Futuro, Fevereiro de 1974

    O general Spínola foi revelador sobre o destino que estava reservado ao colonialismo, talvez com um desfecho mais trágico para todos nós….

    Silva Virgílio “Mucanza”, Luanda, 16 Dezembro, 2014 12:02 e 6 de Fevereiro de 2015.

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