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A política quando se acaba o dinheiro

8 Agosto, 2011

Tenho lido muitas medidas para resolver o problemas dos cortes de rating. Normalmente envolvem inflação,  compras pelos bancos centrais (mais risco de inflação), despesa pública (mais dívida), mais impostos (o mesmo endividamento, mas menos recursos no sector privado e menos crescimento).  Perante qualquer uma destas soluções, qualquer agência de rating minimamente decente ver-se-ia obrigada a cortar ainda mais os ratings. Todas estas soluções implicam que a probabilidade da dívida ser paga na totalidade será menor. É até absurdo que pessoas inteligentes considerem que encher os bancos centrais de activos tóxicos ou inflaccionar a moeda em que a dívida é paga possa resolver o problema do rating.

27 comentários leave one →
  1. Arlindo da Costa's avatar
    Arlindo da Costa permalink
    8 Agosto, 2011 20:42

    Segundo a Fox News a Apple tem mais money em caixa do que os Estados Unidos.
    A verdade é que os EUA estão mais tesos do que o Burkina Faso!
    ( Será que a culpa é do Sócrates, esse vírus mais nocivo do que o Cavalo de Troia?????)

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  2. lucklucky's avatar
    lucklucky permalink
    8 Agosto, 2011 20:53

    O título deve ser a Política quando se acaba o dinheiro da dívida. Porque o dinheiro já tinha acabado há muito e a dívida veio camuflar.
    .
    A maioria das pessoas que sai da Universidade não sabe sequer o que é Dívida Publica.
    Querem é que lhe dêem o que acham que têm direito.
    Se o caminho for mais défice e dívida estão-se nas tintas.
    .
    Quem não se lembra de gente ir à TV e pedir desculpa aos espectadores por falar de números?
    .
    Enquanto isso Economistas e Políticos têm a arrogância de julgar que dispõem de legitimidade para inflacionar -ou seja destruir as poupanças de milhões de pessoas.
    .

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  3. Eduardo F.'s avatar
    8 Agosto, 2011 21:17

    “O problema do rating” da dívida pública é homotético do “problema da balança” do obeso.
    .
    São apenas consequências ou efeitos, não mais que isso. Assim como o “problema da balança” só se pode resolver combatendo efectivamente a obesidade (dieta, redução do estômago, etc.), o “problema do rating” resolver-se-á diminuindo a despesa, sendo que a taxa de redução terá de ser tanto maior quanto maior for o “problema do rating”, isto é, o excesso de despesa pública.
    .
    Agora já não tenho já dúvidas. O problema da dívida vai ser resolvido, globalmente, através do default. Default nominal, digamos, para quem não tem o poder de emissão de moeda “transaccionável”; default real, que não nominal, para quem o tem.
    .
    Os PIIGS, por exemplo, estão no primeiro grupo. Os US estão no segundo.

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  4. :|'s avatar
    8 Agosto, 2011 21:29

    O problema não são os cortes de ratings. O problema são “regras” (que o JM deve detestar, porque não são de mercado), que obrigam alguns investidores a apenas deter fundos que sejam AAA. Estas mesmas regras levaram à securitização em massa para esconder activos tóxicos (a quem a S&P não hesitou em dar AAA). Com este corte, e com o ataque – que já vem tarde, diga-se – à credibilidade da S&P e das agências de rating, isto finalmente vai acabar. Toda a informação que eles usam sobre os países é pública e eles nem contas conseguem fazer (ver erro recente com os Estados Unidos). Qual é o interesse de haver agências de notação para países? De todo?

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  5. :|'s avatar
    8 Agosto, 2011 21:29

    Ah, é para justificar preferências políticas. Cortes na despesa. Certo.

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  6. FilipeBS's avatar
    FilipeBS permalink
    8 Agosto, 2011 21:55

    A solução para a crise das dívidas soberanas é simples, e qualquer pessoa que saiba fazer contas de somar e subtrair devia sabê-la:
    – Gastar menos do que o que se ganha, logo ter superavit anual, e por muitos anos.
    Dá jeito também crescer, e ganhar mais a cada ano que passa (aumento do PIB). Isto só com exportação e por isso é preciso trabalhar mais e melhor.

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  7. Pinto's avatar
    Pinto permalink
    8 Agosto, 2011 21:57

    Para quê uma crítica que, porventura exacta numa era em que o individualismo, com os seus consectários lógicos: o liberalismo e o capitalismo, se apresentava como a «fórmula óptima» para o progresso dos povos europeus, o não será, todavia, num momento histórico, em que, forçadas pelos imperativos da época, como diria Manoilesco, as nações europeias se encaminham para uma organização económica corporativista guiada, não pela idea de liberdade, mas pelo «imperativo nacionalista-idealista», isto é, pela idea de que a solidariedade nacional só se tornará uma realidade quando todos os elementos da Nação se encontrem ao serviço dum ideal nacional fixado pelo Estado, quando todas as actividades sociais, incluindo as actividades económicas, se convençam de que realizam uma função social, de que não podem contrariar e antes devem tender conscientemente para a realização do bem comum?

    De onde retirei este excerto? Do programa de Governo do PCP? Do do BE?

    Quase

    Parecer da Câmara Corporativa sobre o projecto de lei n.º 20
    (Conselho regulador dos preços máximos dos géneros indispensáveis à vida), in legislatura 1, sessão legislativa 1, n.º 30S, do diário da Assembleia Nacional, de 19 de Março de 1935, página 4.

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  8. Pinto's avatar
    Pinto permalink
    8 Agosto, 2011 22:07

    Mais excertos da década de trinta do século passado que mais parecem da tarde de ontem na AR.

    Voltemos agora a traços largos para a acção do capitalismo, que nasceu, como V. Ex.ªs sabem, com a indústria de fiação e com as exigências monetárias «lê que resultou a constituição de grandes emprêsas.
    Estas criaram o proletariado, criaram uma verdadeira ditadura económica – em que se estabeleceu luta entre essas emprêsas, havendo vencidas e vencedoras, estas as de maior capital – pela retenção do poder de trabalho nas maiores concentrações de capital.
    Observando essa mesma acção capitalista, surgem as reivindicações operárias, as lutas de classes, as lutas políticas e as lutas religiosas, feitas através dêsses organismos.
    Da acção do capitalismo, eu cheguei a duas conclusões, que são:
    1.º O sonho de liberdade de produção, da liberdade de trabalho, da livre concorrência, recebido com entusiasmo, não correspondeu ao que dêle se esperava e as empresas, num legítimo espírito de defesa, concentram-se para melhor encarar a concorrência, lutam umas contra as outras, determinando prejuízos sociais, eliminam-se as mais fracas e as que vencem conseguem obter o monopólio, dispondo dos mercados e da bôlsa do consumidor;
    2.º O capitalismo gera a luta de classes, muitas vezes transformada em luta política e até religiosa.
    endo agora os princípios ou o espírito que acompanha o capitalismo, verificamos que a sua intenção económica se resume em três princípios:
    1.º A ânsia do lucro;
    2.º A luta de competência ou concorrência;
    3.º O racionalismo económico representado por uma sistematização económica e por um calculismo exacto.
    Assim, Sr. Presidente, da comparação do espírito que anima as duas orgânicas sociais, capitalista e corporativista, podemos concluir:
    1.º Que o liberalismo ou individualismo económico não tomando em conta o carácter social da actuação, pensando apenas no bem-estar próprio e no benefício do indivíduo, não pode compreender e realizar o bem comum, a justiça e equidade sociais;
    2.º Que o mesmo individualismo, apenas lhe interessando o lucro e o progresso individuais, não pode atentar no bem-estar do operário e da sua família.
    O que queria a economia corporativa? Quais os seus princípios e fins?
    A economia corporativa tem como fins o máximo de bem-estar, o máximo de produtividade e o máximo de economia.
    Em regime corporativo, como disse o Sr. Presidente do Conselho de Ministros, «deve-se saber escolher e saber sacrificar o acidental ao essencial, a matéria ao espírito, a grandeza ao equilíbrio, a riqueza à equidade, o desperdício à economia, a luta à cooperação».
    Ora, se compararmos o espírito de que estão animados o capitalismo e corporativismo, não podemos deixar de lhes notar absoluta oposição que vai até à sua estrutura.
    O nosso corporativismo, se bem integrado estou, transige nos meios para obter os seus fins e assim admite uma condicionada concorrência e liberdade de acção. Há que defender o espírito corporativista do espírito capitalista, principalmente numa sociedade de economia híbrida e onde a economia corporativa dá os seus primeiros passos.


    Páginas 993 e 994 do diário da Assembleia Nacional de de 12 de Abril de 1935

    Ou seja, em quase 100 anos o discurso é o mesmo.

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  9. Pinto's avatar
    Pinto permalink
    8 Agosto, 2011 22:14

    Discursos com quase 100 anos que parecem ter saído dos debates de hoje na AR – parte III

    O capitalismo absorvente do século passado, e dos primórdios do século actual, com os seus excessos, impôs uma aturada defesa das classes menos abastadas, que levou à revisão do conceito de propriedade no sentido da sua subordinação ao bem comum. Já desapareceu aquela concepção exclusivista que permitia a cada um, dentro da sua fábrica, ou da sua quinta, ou da sua herdade, fazer o que lhe aprazia apenas, sem ter em conta as relações sociais e as necessidades do país em que vivia.
    (…)
    Não se pode tolerar que formas de actividade económica úteis, por culpa dos seus proprietários, sejam ruinosas e improdutivas para a sociedade. E este, em meu entender, o sentido actual da evolução do conceito da propriedade. A essa evolução se deve em grande parte, depois do conflito europeu, a estabilidade da instituição de direito natural que é a propriedade privada.

    O presidente da Assembleia Nacional in página 203 do diário da Assembleia Nacional de 16 de Janeiro de 1937.

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  10. Arlindo da Costa's avatar
    Arlindo da Costa permalink
    8 Agosto, 2011 22:24

    O honorável Deputado da Nação, o Exmo Sr. Prof. Dr. CAA fechou lá em cima a caixa dos comments para que não «leve nas orelhas»!….
    A democracia é uma coisa muito bonita, principalmente quando somos nós a «mandar»….

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  11. Basico's avatar
    Basico permalink
    8 Agosto, 2011 22:28

    E eu que pensava que o Arlindo ja tinha tido que arranjar um trabalho a serio agora que a teta Socrates secou?
    Estamos a viver do RSI? Dalguma pensao arranjada por um amigo da cor? Espedientes varios num qualquer trabalho de bois que em breve acabara?

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  12. tric's avatar
    tric permalink
    8 Agosto, 2011 22:32

    e o Primeiro-Ministro de Portugal de férias lol mas deve estar a gozar as ferias merecidas, pois segundo o deputado da “NaCão” CAA, ” a este Governo superou tudo aquilo que a lógica e a história poderiam considerar.”!! , só de pensar que Portugal está entregue a esta gente!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! superou tudo o que lógica e a história poderiam considera!!??? Passos Coelho, devia era demitir-se, de férias numa altura destas!!?? simbolico…um orçamento sem ser na nova moeda nacional!!??? que Socretino, só pode mesmo ser um BOY da Banca, no cargo de Primeiro-Ministro de Portugal!!!

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  13. trill's avatar
    trill permalink
    8 Agosto, 2011 22:34

    obviamente que estas trafulhices rascas não podem esfumar que um dos grandes problemas com os advogados em Portugal, neste caso com as grandes sociedades de advogados, é a promiscuidade entre o aparelho legislativo, a AR, e os “interesses obscuros” por detrás das propostas legislativas dos deputados advogados. http://psicanalises.blogspot.com/

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  14. Eduardo F.'s avatar
    9 Agosto, 2011 00:04

    “Qual é o interesse de haver agências de notação para países? De todo?”
    .
    Se não há interesse algum, o problema está resolvido. Post hoc ergo propter hoc.

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  15. Eduardo F.'s avatar
    9 Agosto, 2011 00:10

    O moralmente corrupto economista escreve o mesmo hoje.

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  16. Leme's avatar
    Leme permalink
    9 Agosto, 2011 01:32

    O comentário acima – ou poste, como vocês lhe chamam -, Notícias Sábado, 6.VIII.2011, é um excelente trabalho do CAA. Fiquei, sinceramente, supreendido de maneira muito agradável.
    Finalmente, aparece alguém na “blogosfera” a expôr o problema português de forma completa demonstrando um conhecimento racional do todo.
    Provavelmente, dada a penúria mental existente, ninguém o entenderá.

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  17. :|'s avatar
    9 Agosto, 2011 02:09

    “Post hoc ergo propter hoc.”
    Então é para acabar a regulação que obriga bancos e pensões a ter activos “AAA”.
    E aí, pelo menos este problema está resolvido.

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  18. Arlindo da Costa's avatar
    Arlindo da Costa permalink
    9 Agosto, 2011 03:23

    Quando o Leme elogia o Ilustrissimo Prof.Dr. CAA é sinal que os santos vão cair do altar….

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  19. pedro's avatar
    pedro permalink
    9 Agosto, 2011 09:56

    mas pelo menos uma coisa tem alguma razão de ser. com inflação o valor real da dívida diminui, levando a uma diminuição da PD (Probabilidade de Default), e a uma melhoria do rating..talvez, não!?..

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  20. piscoiso's avatar
    9 Agosto, 2011 09:59

    No post acima, sem caixa aberta, aparece uma imagem de Shakespeare,
    com umas olheiras de quem esteve a noite em branco para arranjar o final de Hamlet.
    Para dizer que a culpa é dos outros.

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  21. IFIGENIO OBSTRUZO's avatar
    9 Agosto, 2011 10:17

    Não há dinheiro? qual o problema..? imprime-se mais e mais E MAIS…

    OS DEPÓSITOS DE LIXO TÓXICO DO CRÉDITO..POR ROBERT KURZ..OU O SEGUNDO CRASH QUE AÍ VEM…

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  22. IFIGENIO OBSTRUZO's avatar
  23. IFIGENIO OBSTRUZO's avatar
    9 Agosto, 2011 10:18

    Falas de civilização, e de não dever ser,
    Ou de não dever ser assim.
    Dizes que todos sofrem, ou a maioria de todos,
    Com as cousas humanas postas desta maneira.
    Dizes que se fossem diferentes, sofreriam menos.
    Dizes que se fossem como tu queres, seria melhor.
    Escuto sem te ouvir.
    Para que te quereria eu ouvir?
    Ouvindo-te nada ficaria sabendo.
    Se as cousas fossem diferentes, seriam diferentes: eis tudo.
    Se as cousas fossem como tu queres, seriam só como tu queres.
    Ai de ti e de todos que levam a vida
    A querer inventar a máquina de fazer felicidade!

    Alberto Caeiro

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  24. JoaoMiranda's avatar
    JoaoMiranda permalink*
    9 Agosto, 2011 11:37

    Pedro, se houver diminuição do valor real a pagar, estamos perante um default parcial.

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  25. IFIGENIO OBSTRUZO's avatar
    9 Agosto, 2011 12:28

    POIS …MAS PAGAR EMPRÉSTIMOS COM OUTROS EMPRÉSTIMOS QUE POR SUA VEZ SÃO FRUTOS DE MAIS EMPRÉSTIMOS NÃO É SOLUÇÃO..PARA MAIS QUANDO O CRESCIMENTO DESSES PAÍSES É ZERO OU UM OU MESMO NEGATIVO..ESTE FOI AVISANDO MAS DIZEM QUE É LOUCO..

    NÃO PODEM DIZER QUE O HOMEM NÃO AVISOU…….MAIO DE 2010 ROUBINI…

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  26. IFIGENIO OBSTRUZO's avatar
    9 Agosto, 2011 12:28

    Os Verdadeiros Burros e os Falsos Loucos O mais esperto dos homens é aquele que, pelo menos no meu parecer, espontâneamente, uma vez por mês, no mínimo, se chama a si mesmo asno…, coisa que hoje em dia constitui uma raridade inaudita. Outrora dizia-se do burro, pelo menos uma vez por ano, que ele o era, de facto; mas hoje… nada disso. E a tal ponto tudo hoje está mudado que, valha-me Deus!, não há maneira certa de distinguirmos o homem de talento do imbecil. Coisa que, naturalmente, obedece a um propósito.
    Acabo de me lembrar, a propósito, de uma anedota espanhola. Coisa de dois séculos e meio passados dizia-se em Espanha, quando os Franceses construíram o primeiro manicómio: «Fecharam num lugar à parte todos os seus doidos para nos fazerem acreditar que têm juízo». Os Espanhóis têm razão: quando fechamos os outros num manicómio, pretendemos demonstrar que estamos em nosso perfeito juízo. «X endoideceu…; portanto nós temos o nosso juízo no seu lugar». Não; há tempos já que a conclusão não é lícita.

    Fiodor Dostoievski,

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  27. lucklucky's avatar

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