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Alguma vez apresentaram uma queixa?

12 Setembro, 2011

Mais uma caso de violência. Fazem questão de lhe chamar doméstica e de fazer declarações deste género sempre que no chão fica mais uma vítima: “Todos nós podemos evitar novas mortes. Não devemos tapar os olhos ao que se passa mesmo ao lado da nossa porta. O medo já não é desculpa. Podemos denunciar um agressor de forma anónima através do telefone, de um e-mail, de uma carta”  Sempre que leio frases destas interrogo-me: alguma vez estas pessoas apresentaram uma queixa? Se o tiverem feito sabem que até podem apresentar dezenas de queixas mas mesmo naqueles dias excepcionais em que se consegue que o agressor seja presente a juiz – coisa que implica marcas visíveis as vítimas e vestígios abundantes fora de casa da fúria do agressor – o dito agressor menos de 30 horas depois já está no sossego do lar. Cumprimenta os vizinhos com ar prazenteiro e no dia seguinte volta ao mesmo só que com mais fúria pois sabe que se for a tribunal o mandam de volta para casa. Ao fim de duas ou três peregrinações destas os polícias e os tribunais começama tratar os tais vizinhos como uns importunos que “Estão a ligar outra vez da rua X, onde vive aquele Y, que já está a armar confusão outra vez. Deixe estar minha senhora, já lá vamos. É sempre a mesma coisa. Nós vamos aí. Esteja descansada.  Nós também não podemos entrar pela casa dentro. Sabe como é?……………………” Na esquadra que conheço bem por ter apresentado aí várias queixas atrás dos agentes que fazem esta conversa está um cartaz que apela à denúncia da violência doméstica.

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30 comentários leave one →
  1. Ana Vasconcelos permalink
    12 Setembro, 2011 10:44

    Era só os suspeitos de violencia domestica ficarem sempre obrigatoriamente em prisão preventiva

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  2. zazie permalink
    12 Setembro, 2011 11:05

    Eu não sei o que faz o acampamento cigano perto da cena mas os jornalistas devem saber. Agora, por causa do politicamente correcto, não podem dizer que as coisas se passaram entre ciganos. Por isso, no fim, dizem que havia um acampamento cigano perto da cena do crime.
    .
    Inteligentes, está visto.

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  3. zazie permalink
    12 Setembro, 2011 11:07

    E violência doméstica é título gratuito.
    .
    Na verdade, segundo contaram, os factos são outros- um tipo de 40 anos, com cadastro e desempregado, matou a família e suicidou-se. (a mulher sobreviveu mas está com bala na cabeça). Parece que são ciganos porque também contaram que havia acampamento cigano perto.

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  4. esmeralda permalink
    12 Setembro, 2011 11:41

    Gosto muito de ler e participar nestes comentários. Leio textos que me fazem bem porque funcionam como um desabafo que quero ter muitas e muitas vezes. Não tenho é a abrangência necessária para ser ouvida! Conheço dois casos que se enquadram, na perfeição, neste texto da Helena. Na mesma terra em que moro. Um é polícia (reformou-se há pouco!), alcoólico e passou impune durante toda uma carreira (?). A mulher tem sido a vítima. Se merece ou não, se é o que quer ou não, se gosta ou não, é outra história! Toda a gente sabe. Toda a gente cala. Fiz queixa por escrito da pessoa em questão uma vez. Sofri represálias e apressaram-se em dar-lhe a reforma. O outro caso já tem uns anos: uma família muito pobre, muitos filhos, a viver num casebre. Constou-se que o pai dormia na mesma cama das filhas. Pai alcoólico. Eu fiz queixa. A assistência social andou por lá. Não fez nada, porque os vizinhos “não sabiam nada”. E eu só lhes disse: “muito bem! se algo mais grave acontecer, fica a queixa e não podem argumentar que não conheciam o caso ou não sabiam de nada.” Eu estava, na altura, na Junta de Freguesia. E é assim que se lida com casos destes!

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  5. zazie permalink
    12 Setembro, 2011 11:43

    Mas onde é que se quer chegar?
    .
    Estão a dizer que a violência doméstica não está incluída como crime no Código Penal, ou que não existe prisão preventiva para ela?
    .
    É que ambos os casos fazem parte da lei. Existe prisão preventiva e pena de prisão.

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  6. zazie permalink
    12 Setembro, 2011 11:44

    Ia jurar que até foi o CDS que forçou a prisão preventiva.

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  7. zazie permalink
    12 Setembro, 2011 11:47

    De qualquer modo este suicidou-se e a mulher é que ainda está viva. Portanto, não sei quem é que querem colocar em prisão preventiva, já que isto tem de ser “violência doméstica” e não pode ser mais nada.

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  8. esmeralda permalink
    12 Setembro, 2011 11:55

    Eu gosto de escrever, costumo enviar uns textos que são publicados num jornal local e, por vezes, utilizo frases, excertos de textos deste blogue. Utilizo-os entre aspas, naturalmente, citando alguém portanto, porque acho que há coisas aqui ditas que devem chegar a muito mais pessoas. Principalmente a pessoas simples, as do meio em que habitualmente vivo, e que não têm acesso a estes meios. Mas têm o jornalito local, em casa, no café, na associação local. Peço desculpa por fazer isso. Não sou jornalista. Não pretendo sê-lo. Mas gostaria muito de ter sido. Não! Fui professora. Pertenci e pertenço, portanto, àquela classe privilegiada (!!!!) que andou com a casa às costas, que andou com filhos de terra em terra e de escola em escola, de norte a sul, Madeira e Açores, (se queria trabalho!). Pertenci e pertenço a uma classe privilegiada que andava com o seu carro, gastava combustível, nunca tendo direito a quaisquer ajudas de custo, horas estraordinárias, subsídio de deslocação ou de residência. Pertenço e pertenci a uma classe privilegiada que era sujeita a uma avaliação surpresa, quando nos entrava pela sala dentro um inspector que não se anunciava! Finalmente, pertenço a uma classe a quem retiraram a autoridade, a quem pediam horas e horas em reuniões da treta, a quem pediam horas e horas de preenchimento de papelada, na escola ou em casa, que ninguém lia! Por isso, assim que chegou a hora, tratei de me retirar. Se eu disser que só tenho saudades dos alunos, acreditam?

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  9. zazie permalink
    12 Setembro, 2011 11:57

    Quem ler este post e nem seguir o link, ficava a pensar que este caso de “violência doméstica” redundou em mais um machista que acabou impune
    .
    «o dito agressor menos de 30 horas depois já está no sossego do lar. Cumprimenta os vizinhos com ar prazenteiro e no dia seguinte volta ao mesmo só que com mais fúria pois sabe que se for a tribunal o mandam de volta para casa»

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  10. Fincapé permalink
    12 Setembro, 2011 12:23

    É como a helenafmatos diz… ou ainda bem pior. Por acaso, as mulheres com assento na AR, quer dizer, as nossas deputadas, têm-se fartado de trabalhar neste assunto. Neste e noutros. É vê-las a alterar as leis necessárias, a obrigar os criminosos a pagarem pelos crimes, a obrigar o Estado a proteger as vítimas… eu sei lá que mais! Começa a tornar-se difícil ser criminoso neste país!
    Fruto das cotas, claro!

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  11. J.J.Pereira permalink
    12 Setembro, 2011 13:08

    Ah! o suave e compreensivo Código Penal português…
    E os não menos suaves e compreensivos “legisladores” ( para lhes chamar alguma coisa )…
    E o feliz “regime democrático” que permite tal código e tais “legisladores”…
    E o povo esclarecido, informado e de uma profunda exigência ética, cujo voto deu à luz os tais “legisladores” e o tal Código…
    Como dizia o outro, ” corre tudo da melhor maneira possível no melhor dos mundos possíveis” …

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  12. zazie permalink
    12 Setembro, 2011 13:10

    O que diz o código, JJ Pereira?

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  13. J.J.Pereira permalink
    12 Setembro, 2011 13:25

    Zazie,
    Na obra de ficção em questão , o relevante, neste caso , são as pias intenções enumeradas no artigo 152 – e, na prática, a sua não aplicação.
    Paradoxalmente,na maioria dos casos , pelo malfadado polìticamente “correcto” , como V. refere.

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  14. Marta permalink
    12 Setembro, 2011 13:33

    Helena, estas “pessoas”, de quem fala com tanto desprezo, não só apresentam queixa, como acolhem muitas dessas mulheres, em refúgios de acolhimento. Quer colaborar?

    Quanto aos problemas que apresenta, são comuns a outras situações, não só à violência doméstica (chame-lhe o que quiser, se não gostar da palavra. Quem dera que o problema fosse a terminologia). A justiça funciona mal, já sabemos. Mas isso não impede que se insista sempre.

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  15. 12 Setembro, 2011 14:02

    Ironia do destino.
    Minha Mãe, doente e alcoólica apresentou queixas na polícia, pois o vizinho agrediu-a.
    Foi chamada a tribunal (e depôs) e o vizinho recebeu inúmeras cartas com multas pesadas (a vida dele desgraçou-se).

    Mas, na verdade a minha Mãe não foi agredida e as marcas que ela tinha eram dos tropeções do Rosé.
    Desgraçou a vida do vizinho, deu-me problemas e pior, a polícia bem se cagou se a fonte era credível ou não. Sem critérios ou profissionalismo.

    R.

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  16. Arlindo da Costa permalink
    12 Setembro, 2011 14:09

    Todo o sistema de «justiça» – considerando toda a fileira, passe o jargão economicista, desde a legislação, polícias, acção social, misericórdias, lares, segurança social, tribunais,etc. – em Portugal é uma vergonha.
    Em Portugal as pessoas mais fracas, pobres, indefesas, idosas e crianças estão em permanente situação de perigo e ameaça.
    Os que trabalham nesta «fileira» estão mais preocupadaos com as «progressões na carreira», mordomias, bons ordenados e colocações, subídios e jubilações!
    Os pobres, humilhados e fendidos que se danem!

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  17. 12 Setembro, 2011 14:14

    Já dá para desculpar o Rogério.
    A mãe embebedava-se com rosé.

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  18. 12 Setembro, 2011 14:19

    Mas mesmo assim não casco nos ricos nem nos Judeus.

    Ao contrário do Piscoiso, que além da herdade ainda abarbatou muita fruteira nos tempos do PREC. Além disso Benfiquista ferrenho.

    R.

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  19. 12 Setembro, 2011 14:45

    eheheh
    vc está delirante.
    Esqueceu-se de tomar as gotas?

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  20. zazie permalink
    12 Setembro, 2011 16:17

    JJPereira:
    .
    Que código 152?
    .
    O que é que é brando em Portugal em relação à violência doméstica? explique lá.
    .
    O que é que tem a ver o politicamente correcto com isso?

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  21. Agente da PSP permalink
    12 Setembro, 2011 17:11

    A denúncia ou a queixa de violencia doméstica neste País segue os tramites de qualquer processo judicial……um enorme tempo, a vitima durante esse tempo continua a ser maltratada…as raras excepções que existem na tomada de medidas de prevenção e aceleração dos processos está directamente ligado ao interesse da magistrada(o) que recebe o processo judicial…..

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  22. Beirão permalink
    12 Setembro, 2011 17:58

    Também já fui testemunha presencial numa esquadra de polícia do que acaba de referir. Para mim serviu-me de vacina. Fiquei ali com cara de parvo, perante aqueles comentários de polícias… Claro que os compreendo. Eles prendem em fragrante delito energúmenos atrás de energúmenos, levam horas a preparar a documentação, perdem um tempo precioso, que prescindiram de dar à mulher e aos filhos, e, no final de contas, ao levarem ao juiz um gajo ~com um cadastro de várias páginas, o juizinho ou a juizinha põem-no na rua, e ainda mostram má cara aos polícias, quando não mesmo os recriminam por violação de direitos do bandido levado à (in)justiça.
    E isto repete-se uma. duas, três, eu sei lá quntaas vezes mais.

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  23. lica permalink
    12 Setembro, 2011 18:11

    Beirão
    Posted 12 Setembro, 2011 at 17:58 | Permalink
    Também já fui testemunha presencial numa esquadra de polícia do que acaba de referir. Para mim serviu-me de vacina. Fiquei ali com cara de parvo, perante aqueles comentários de polícias… Claro que os compreendo. Eles prendem em fragrante delito energúmenos atrás de energúmenos, levam horas a preparar a documentação, perdem um tempo precioso, que prescindiram de dar à mulher e aos filhos, e, no final de contas, ao levarem ao juiz um gajo ~com um cadastro de várias páginas, o juizinho ou a juizinha põem-no na rua, e ainda mostram má cara aos polícias, quando não mesmo os recriminam por violação de direitos do bandido levado à (in)justiça.
    E isto repete-se uma. duas, três, eu sei lá quntaas vezes mais.

    ————————————

    e no fim os energúmenos ainda saem primeiro do tribunal que os policias. Os policias, coitados, ainda por lá ficam a preencher papéis e mais papéis

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  24. Arlindo da Costa permalink
    12 Setembro, 2011 21:55

    Isto agora com o novo ministro da administração interna, isso vai mudar tudo…
    Vai ser limpinho!

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  25. Carlos Dias permalink
    12 Setembro, 2011 22:04

    Concordo com o tema

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  26. ovotas permalink
    12 Setembro, 2011 23:04

    Foge ovotas,foge.

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  27. Leme permalink
    13 Setembro, 2011 02:21

    *****
    zazie
    Posted 12 Setembro, 2011 at 16:17 | Permalink
    Como a Zazie pode verificar, a maralha está-se bem nas tintas para o tema que, rapidamente, mudou de rumo. Onde é que esse país, Portugal, quererá ir com semelhante gentinha?

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  28. zazie permalink
    13 Setembro, 2011 10:23

    Pois, as pessoas vivem de cachas e quem as faz, vende.

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