Saltar para o conteúdo

Vão para o raio que os parta

5 Maio, 2012

Não os posso ouvir falar do povo. Do povo que eles dizem ignorante, boçal e pouco culto. Vão para o raio que os parta. Levaram o século XX a sonhar com aquilo que o povo devia fazer. Se fosse culto, se fosse educado, se fosse qualquer coisa que passava inevitavelmente por ser o que eles queriam. Eles mandaram o povo ser monárquico e depois republicano. Depois começaram a lutar entre si e escavacaram ainda mais a vida do povo. Levaram anos e anos em golpes e contra golpes que acabavam inevitavelmente com eles a abraçarem-se uns aos aos outros e a gritar Viva a República.  O país empobrecia e o povo emigrava e eles achavam que o povo devia ficar a labutar nas suas courelas para ajudar o país. Das Europas e das Américas o povo mandava remessas que equilibravam as contas do país mas eles tinham vergonha desse povo emigrante que eles diziam e dizem  não percebe nada de política e cometeu o pecado capital de querer viver melhor pelos seus meios e não graças à aplicação do decálogo do momento das élites do seu país. O povo ia rezar a Fátima e eles tremiam de horror porque o povo não devia rezar. Ou não devia rezar ali mas sim ficar a reflectir nos seus centros católicos sobre a superioridade moral das encíclicas papais. Eles mandaram os filhos do povo para a Flandres e para África e depois disseram-lhes que tudo tinha sido um engano. O povo pegou nas coisas e apenas deixou por essas terras os cadáveres dos filhos do povo que por lá tinham morrido. Quando chegaram encontraram no poder a maior parte daqueles que anos e meses antes lhes falavam de dever e da pátria.  A única diferença entre o momento da partida e o da chegada é que os militares tinham sido promovidos.  O povo quis televisão e praia e eles ficaram horrorizados com a falta de tipicismo das aldeias e quiseram banir o turismo de massas. O povo trocou as feiras pelos supermercados e eles que antes não suportavam as romarias populares passaram a defender os tempos em que o povo trocava galinhas por tecidos na feira da vila. O povo sentou-se à mesa dos restaurantes e eles quiseram proibir as cadeias de comida barata enquanto enfastiados se abasteciam nas lojas gourmet. O povo não larga o carro e eles sentados nos seus topos de gama e nas suas bicicletas que custam uma fortuna desataram a diabolizar o automóvel e anunciaram o fim do mundo como resultado das alterações climáticas. Eles quiseram que fossemos um estado corporativo e o povo viveu com os grémios. Depois os grémios passaram a cooperativas e o povo continuou a suportar-lhe os regulamentos. Eles disseram que o país estava orgulhosamente só e depois, às vezes os mesmos, garantiram-lhe que estava orgulhosamente acompanhado e que o povo se devia orgulhar por isso. E o povo orgulhou-se. Do Estado Novo ao socialismo à portuguesa do PREC eles disseram ao povo que Portugal era uma excepção e o povo suportou os custos dessa excepcionalidade.  Eles disseram que lhes deram casas – quem as terá pago? – através duma fundação chamada Salazar em bairros que depois passaram a ser 25 de Abril  e o povo continuou a bater palmas aos senhores que diziam que lhes davam casas. E eles contentes diziam que ainda iam dar mais. Volta e meia dizem ao povo que o país está em crise. Nunca por culpa deles mas sim por culpa do mundo e sobretudo por culpa do povo. Que trabalha pouco, gasta muito, é pouco culto e não tem formação. E o povo a quem apresentaram como uma conquista sua a legislação laboral, a quem disseram que poupar era coisa do passado e que paga e frequenta obrigatoriamente uma escola que o deveria fazer mais culto cerra os dentes e dispõe-se a trabalhar mais, ganhar menos, pagar mais impostos e fazer mais um sacrifício em nome do país. E todos os dias mas todos sem excepção lá estão eles a dizer mal do povo. Porque o povo não faz a revolução. Porque o povo ri. Porque o povo é alienado. Porque o povo quer comprar mais e pagar menos. Porque o povo…   Não acredito na bondade natural do povo mas tenho a certeza que a nossa vida teria sido bem pior caso o povo tivesse cumprido os sonhos das suas élites.

Anúncios
76 comentários leave one →
  1. Grunho permalink
    5 Maio, 2012 10:18

    Um texto idiota é um texto idiota.

    Gostar

  2. helenafmatos permalink
    5 Maio, 2012 10:21

    E um comentário idiota é um comentário idiota

    Liked by 1 person

  3. Grunho permalink
    5 Maio, 2012 10:33

    Mas ao menos o comentário é pequenino.

    Gostar

  4. simil permalink
    5 Maio, 2012 10:34

    E lá vão é todos para o raio que os parta, ao molho e um de cada vez, à vontade, mas não nos metam mais nojo, please, a berrar uns com os outros, como se falassem sério, todos feitos, em teatros de assembleia… e sabiam que os fulanos, pelos vistos, do governo à oposição, continuam a receber os subsídios?, eles e os comparsas, boys de alguma empresa farta. Para mais, prova de não valerem um corno (da gíria), para mim, é essa de ser preciso um juiz de Portalegre vir fazer lei de um simples juízo de bom-senso, porque um banco queria lucrar sobre a miséria, à maneira do que fizeram americanos pelos anos da recessão de 30, como se eles lá não estivessem para ver os problemas do povo e plasmar em lei a justiça que lhe cabe, contra galifões dos bancos, da edp e gás, como das águas, além do pão e da chuva – para o raio que os parta. É bem feito .

    Gostar

  5. Jaime da Silva permalink
    5 Maio, 2012 10:51

    Já agora, para satisfazer a minha santa ignorância! Quem são ELES? leio muitos comentários onde ELES são acusados, será que não tem nome?
    Isto faz-me lembrar a história do maneta! Ia tudo pr’o maneta! Mas até hoje ainda não descobri quem é o maneta! Bem conheci alguns manetas, uns reais outros ficção! mas nunca me apercebi que tivessem alguma coisa a ver com o tal!!!
    Se calhar ELES, somos todos nós! Ou o nosso reflexo, sei lá! Alguém me esclareça.

    Gostar

  6. Pedro Lomba permalink
    5 Maio, 2012 11:03

    excelente, Helena.

    Liked by 1 person

  7. 5 Maio, 2012 11:05

    Excelente Helena.

    Liked by 1 person

  8. Portela 1MAIO2012 permalink
    5 Maio, 2012 11:11

    ah! “eles” são as elites!
    bem me queria parecer que a governação dos últimos 35 anos não abona nada a favor das elites, seja lá o que isso for!

    Gostar

  9. JDGF permalink
    5 Maio, 2012 11:14

    Melhor, e mais sucinto, seria dizer: “não acredito na Humanidade”!
    Ou, então, apressar-se a defender que tudo é feito (e construído) segundo interesses pessoais, grupais ou de ‘casta’ (política, ideológica, social e cultural). E que – qualquer que seja o regime político – existe sempre um denominador comum: alguns cidadãos andam por aqui para ‘obrigar’ uns outros (servos, lacaios, súbitos – à escolha) a fazerem aquilo que podem (ou não podem) em ‘seu’ proveito.
    O postnão passa de uma exaltada e intransigente defesa do ‘niilismo cultural e antropológico’… Nietzsche ‘deixou-nos’ em 1900. Mais não!

    Gostar

  10. Luís permalink
    5 Maio, 2012 11:15

    Muito bom!

    Liked by 1 person

  11. MHGarrancho permalink
    5 Maio, 2012 11:16

    O povo instrumento, o povo manipulado, o povo marioneta de vontades e desejos pesudo-intelectuais, pseudo-políticos… Parafraseando “quando o político não tem juízo, o povo é que paga”.

    Gostar

  12. 5 Maio, 2012 11:17

    Infelizmente verdadeiro, infelizmente conciso e felizmente directo.

    Liked by 1 person

  13. trill permalink
    5 Maio, 2012 11:20

    e não é isto (o atropelo e a agressão verbal e física) que acontece nas escolas do ensino básico? E os “pedagogos” do “politicamente correcto”, agora tão indignados contra quem tomou a iniciativa de dar descontos de 50% no 1º de Maio, por acaso indignam-se com a situação das escolas que é o que está na origem desta cóltura do atropelo, do insulto e da pancada? Seria isto possível nas sociedades escandinavas, das quais ridiculamente copiaram os modelos pedagógicos, com o conhecido e natural insucesso, ou mesmo em França?

    Gostar

  14. 5 Maio, 2012 11:27

    O povo espalha a bosta nos campos e continuará a estar por cá daqui a 10 anos e os seus descendentes continuarão a sua obra.
    .
    As “élites” depois de espalharem a bosta na sociedade: na economia; na governação; na justiça, … quando deixa de ser possível enganar a maior parte das pessoas, rumam a Paris ou uma praia no Pacífico onde podem saborear piñacoladas e gozar o panorama que deixaram.
    .
    http://balancedscorecard.blogspot.pt/2010/05/abencoado-cheiro-bosta.html

    Gostar

  15. Pinto permalink
    5 Maio, 2012 11:32

    Grande texto.
    Gostei especialmente deste excerto:
    O povo quis televisão e praia e eles ficaram horrorizados com a falta de tipicismo das aldeias e quiseram banir o turismo de massas. O povo trocou as feiras pelos supermercados e eles que antes não suportavam as romarias populares passaram a defender os tempos em que o povo trocava galinhas por tecidos na feira da vila. O povo sentou-se à mesa dos restaurantes e eles quiseram proibir as cadeias de comida barata enquanto enfastiados se abasteciam nas lojas gourmet. O povo não larga o carro e eles sentados nos seus topos de gama e nas suas bicicletas que custam uma fortuna desataram a diabolizar o automóvel e anunciaram o fim do mundo como resultado das alterações climáticas.

    Gostar

  16. aremandus permalink
    5 Maio, 2012 11:32

    os posts de helena matos são destilação de fel.
    bem podiam convidar o anti-social para destilar bagaço!

    Gostar

  17. aremandus permalink
    5 Maio, 2012 11:33

    paulo macedo acaba de informar que isentos de pagar taxas no SNS estão mais de onze milhões.

    Gostar

  18. Rinka permalink
    5 Maio, 2012 11:36

    Vão todos para o raio que o parta.
    Estou farto de ler e ouvir, pessoas que acham que o povo é inculto, porque não percebe a austeridade e não percebe as medidas do visionário governo.
    O povo nunca faz o que desejam, 1º prometeram-lhes uma monarquia que lhes evitaria as crises, debaixo de uma ditadura, depois era preciso libertar da República e puseram o povo a berrar por Fátima, Fado e Futebol.
    Depois veio “c’orror” (espero que se lembre dessa crónica sua) em que não perceberam a visão do Estado Novo, e a seguir apoiaram quem não deviam apoiar.
    Depois não perceberam, porque eram incultos e burros, que existiam grandes planos para modernizar e mudar a sua vida.
    Agora chegamos ao inicio disto tudo, o mesmo povo burro e boçal (usando as suas palavras) que não entende as Helenas Matos deste mundo, continua burro como sempre

    Gostar

  19. morningfms permalink
    5 Maio, 2012 11:41

    Muito bem, Helena. Faltou talvez um remate futurológico: “quando o povo começou a suicidar-se, a contrair doenças, e a pegar fogo a repartições públicas, eles emigraram para Paris de onde puderam dar prédicas, com a boca cheia de brioches euro-normalizados, sobre aquilo que o povo fez mal na santa terrinha deixada a uns quantos velhos”.

    Gostar

  20. piscoiso permalink
    5 Maio, 2012 11:41

    A claque de Pedro Lomba+ jcd é tocante. Até fiquei emocionado.
    .
    Quanto ao post, abespinha-se a autora contra os que dizem ser o povo assim e assado.
    A autora diz que é frito e cozido…
    escrevendo 37 vezes a palavra “povo” em 42 linhas.

    Gostar

  21. António Joaquim permalink
    5 Maio, 2012 11:45

    – O polvo está duro. Foi mal cozinhado.
    – E o povo, pá!?
    – Sei lá. Que se amanhem.

    Gostar

  22. 5 Maio, 2012 11:55

    Ah, como dá jeito em momento de aperto encostar a pele (nem que seja por breves instantes) à populaça.
    São os outros, então – os outros é que são maus.
    Isso isso…aqueles ali (apontando o dedo como sempre fizeram os bufos medrosos em todos os tempos).
    Os outros – os politiqueiros – é que nos trataram mal. Toda a vida.
    Melhor seria se vivessemos sem eles, na serena paz dos nércios, entregues ao cuidado caridoso de alguém que saiba levar-nos pela mão. Ah, como seria bom, Helena. Sem greves e sem protestos, sem gente má e usurpadora a falar (a diferentes vozes) em nosso nome. Ah, que bom seria se a voz fosse uma só – forte e tranquilizadora.
    Assim, ao menos, não nos iludiriamos.
    É mais ou menos nisto que desemboca uma argumentação niilista como a que apresenta, não é Helena?
    Nada vale nada, são todos iguais, vamos mas-é tratar da nossa vidinha e que nos deixem em paz (sendo que, naturalmente, um qualquer deles há-de tratar do que ‘não nos interessa’).

    O mundo – quer a Helena queira ou não – não é assim tão bacoco. O mundo é Mais. E é melhor. E é Pior. Nele cabe quem nos rouba e nos oprime, quem nos inspira e nos ensina, quem nos desilude e quem nos surpreende. E é nesse mundo complexo e interessante que devemos saber viver; mais informados, mais conscientes, mais exigentes.

    Conversetas sobre a inutilidade de tudo isto ajudam-nos tanto (a nós, povo, filhos de povo – a sério!) como as ‘poções mágicas’ que aparentemente denunciam. São, aliás, na minha opinião, faces da mesma moeda.
    É sempre mais fácil gritar umas alarvidades do que fazer alguma coisa não é Helena?
    É disso que acusa ‘os que falam em nome do povo’, não é?
    Pois o que aqui nos apresentou é o mesmo – paleio ‘mobilizador’ daqueles com que se ganham RGA’s.
    Desperdício, Helena.
    Um desperdício.

    Gostar

  23. 5 Maio, 2012 12:00

    Excelente texto. Penso que convém não esquecer que os conservadores estiveram praticamente todo o século no poder. E a direita conservadora (com a suas elites económicas, sociais, religiosas e políticas) esteve no poder cerca de 3/4 do tempo nos últimos 100 anos… Deu nisto.

    Gostar

  24. neotonto permalink
    5 Maio, 2012 12:07

    eheheheh
    A HM ja começou a perceber que isto de meter a res-publica nas maos de um filósofo e depois dum coelho só…na Republica de Platao!!!!

    Gostar

  25. simil permalink
    5 Maio, 2012 12:14

    E palmas, palmas.
    Muito bom post, numa resenha fabulosa da história verdadeira.
    Agora, é claro, não se peça a grunhos que entendam um texto com mis de uma linha e meia.
    Faz-lhes doer a cabeça .

    Gostar

  26. Jose permalink
    5 Maio, 2012 12:18

    Um texto que vai ao osso.
    Parabéns.
    As reacções dos trols de serviço, são o melhor indicador de que enfiaram o barrete e não gostaram. E isso é o que se pretende.

    Gostar

  27. 5 Maio, 2012 12:22

    Piscoiso,
    Vá dar uma volta ao Parque Eduardo Sétimo.
    Cumprimentos,
    R.

    Gostar

  28. António Joaquim permalink
    5 Maio, 2012 12:23

    E o Zé (12:18) a roer.

    Gostar

  29. aremandus permalink
    5 Maio, 2012 12:27

    o povo vota em sarkozy, tenham calma cambada do reumático!

    Gostar

  30. 5 Maio, 2012 12:28

    Lido o post,
    Vou rever (e ouvir) o filme “Bom Povo Português” do Rui Simões.

    Gostar

  31. 5 Maio, 2012 12:35

    Eu não sabia que “o povo” tinha as suas élites, e que não é “naturalmente bom”, como escreve HMatos.
    Talvez encontre mais explicação e entendimento no filme do Rui.
    Mas…creio que “a bondade natural do povo” só surge e é enaltecida quando está a favor dos interesses e dos poderes de A ou de Z. Da “direita”, do “centro” e da “esquerda”, das élites e dos caciques, não esqueçamos.

    Gostar

  32. Portela 1MAIO2012 permalink
    5 Maio, 2012 12:38

    Posted 5 Maio, 2012 at 12:18 |
    .
    as claques são o que são, uns a favor e outros contra; qual é mesmo o problema?
    ok, são as elites, que uns inteligentes dizem que são a “esquerda caviar” e outros dizem que são sobreiros ocultos , bpns às claras e outras merdas na penumbra.

    Gostar

  33. 5 Maio, 2012 12:49

    Já encontrei o DVD “Bom Povo Português”, mas agora vou almoçar. Já sei o que me espera, confirmado pelo restaurante : duas excelentes e grandes sapateiras antecedidas por camarões e por “burriés”, tudo regadinho por Alvarinho. Para quatro pessoas. Não há caviar, mas se a refeição o pedisse como aperitivo, também seria bem-vindo.
    Mais logo, depois de revisto o filme, direi à La Pasionaria HMatos onde estão as élites e a bondade “do povo”.

    Gostar

  34. MORAIS permalink
    5 Maio, 2012 12:55

    Bravo Helena!!! Muito bem!!!

    Gostar

  35. 5 Maio, 2012 13:07

    é mesmo issso. só faltou a choradeira dos centros históricos desertos depois de terem tornado proibitivo construir lá.

    Gostar

  36. Zé Carioca permalink
    5 Maio, 2012 13:18

    Povo? Qual povo? Mas alguém deste país é do povo? O povo não existe, é imaginário, não é assim? Por isso culpamos sempre o povo, vocês conhecem algum politico do povo? Eu não, ou só nas campanhas eleitorais, aí sim, somos TODOS do povo, ósdespois não, foi o povo que escolheu, não fui EU. Por isso é deixá-los falar do e para o povo, afinal é do imaginário. Apesar que parece haver uns 15% (e a aumentar), que são.

    Gostar

  37. piscoiso permalink
    5 Maio, 2012 13:32

    Diz o Jose que o texto da helenafmatos vai ao osso.
    Pois eu acho que é só osso.
    Sem febra nem tutano.

    Gostar

  38. Renato permalink
    5 Maio, 2012 13:58

    Muito bom! Parabéns!

    Gostar

  39. nuno granja permalink
    5 Maio, 2012 14:02

    brilhante!

    Gostar

  40. DNO permalink
    5 Maio, 2012 14:03

    Há muito tempo que não lia um texto com tanto prazer.

    Gostar

  41. piscoiso permalink
    5 Maio, 2012 14:11

    eheheheh

    Gostar

  42. carneiro permalink
    5 Maio, 2012 14:15

    Brilhante !

    Gostar

  43. Maneta permalink
    5 Maio, 2012 14:18

    Jaime da Silva, só para ficares um bocadinho mais culto…
    O “Maneta” era um general francês – chamado Loison – da época das invasões francesas que não tinha um braço nem misericórdia. (in http://passadocurioso.blogspot.pt/2005/10/ir-para-o-maneta.html).
    Abraço

    Gostar

  44. Jose permalink
    5 Maio, 2012 14:21

    Fernando Pessoa tb discorreu sobre este tema, distinguindo três tipos de portugueses.

    E o que ele diz, não anda mto longe do que a Helena escreveu.

    “há três espécies de português. Um começou com a nacionalidade: é o português típico, que forma o fundo da nação e o da sua expansão numérica, trabalhando obscura e modestamente em Portugal e por toda a parte de todas as partes do Mundo. Este português encontra-se, desde 1578, divorciado de todos os governos e abandonado por todos. Existe porque existe, e é por isso que a nação existe também.
    Outro é o português que o não é. Começou com a invasão mental estrangeira, que data, com verdade possível, do tempo do Marquês de Pombal. Esta invasão agravou-se com o Constitucionalismo, e tornou-se completa com a República. Este português (que é o que forma grande parte das classes médias superiores, certa parte do povo, e quase toda a gente das classes dirigentes) é o que governa o país. Está completamente divorciado do país que governa. É, por sua vontade, parisiense e moderno. Contra sua vontade, é estúpido.
    Há um terceiro português, que começou a existir quando Portugal, por alturas de El-Rei D. Dinis, começou, de Nação, a esboçar-se Império. Esse português fez as Descobertas, criou a civilização transoceânica moderna, e depois foi-se embora. Foi-se embora em Alcácer Quibir, mas deixou alguns parentes, que têm estado sempre, e continuam estando, à espera dele. Como o último verdadeiro Rei de Portugal foi aquele D. Sebastião que caiu em Alcácer Quibir, e presumivelmente ali morreu, é no símbolo do regresso de El-Rei D. Sebastião que os portugueses da saudade imperial projectam a sua fé de que a famí1ia se não extinguisse.
    Estes três tipos do português têm uma mentalidade comum, pois são todos portugueses mas o uso que fazem dessa mentalidade diferencia-os entre si.
    O português, no seu fundo psíquico, define-se, com razoável aproximação, por três característicos: (1) o predomínio da imaginação sobre a inteligência; (2) o predomínio da emoção sobre a paixão; (3) a adaptabilidade instintiva. Pelo primeiro característico distingue-se, por contraste, do ego antigo, com quem se parece muito na rapidez da adaptação e na consequente inconstância e mobilidade. Pelo segundo característico distingue-se, por contraste, do espanhol médio, com quem se parece na intensidade e tipo do sentimento. Pelo terceiro distingue-se do alemão médio; parece-se com ele na adaptabilidade, mas a do alemão é racional e firme, a do português instintiva e instável.
    A cada um destes tipos de português corresponde um tipo de literatura.
    O português do primeiro tipo é exactamente isto, pois é ele o português normal e típico. O português do tipo oficial é a mesma coisa com água; a imaginação continuará a predominar sobre a inteligência, mas não existe; a emoção continua a predominar sobre a paixão, mas não tem força para predominar sobre coisa nenhuma; a adaptabilidade mantém-se, mas é puramente superficial — de assimilador, o português, neste caso, torna-se simplesmente mimético.
    O português do tipo imperial absorve a inteligência com a imaginação — a imaginação é tão forte que, por assim dizer, integra a inteligência em si, formando uma espécie de nova qualidade mental. Daí os Descobrimentos, que são um emprego intelectual, até prático, da imaginação. Daí a falta de grande literatura nesse tempo (pois Camões, conquanto grande, não está, nas letras, à altura em que estão nos feitos o Infante D. Henrique e o imperador Afonso de Albuquerque, criadores respectivamente do mundo moderno e do imperialismo moderno) (?). E esta nova espécie de mentalidade influi nas outras duas qualidades mentais do português: por influência dela a adaptabilidade torna-se activa, em vez de passiva, e o que era habilidade para fazer tudo torna-se habilidade para ser tudo.

    Gostar

  45. piscoiso permalink
    5 Maio, 2012 14:23

    Falta saber o que Pessoa escreveria hoje.
    O mesmo que helenafmatos, segundo a claque.
    eheheh.

    Gostar

  46. o Zé permalink
    5 Maio, 2012 14:39

    Opá, é exactamente isso que eu digo todos os dias no tasco e toda a gente bate palmas. É berdade, pá! O povo é estúpido, boçal, etc e tal. Mas é como diz ali o compadre Luís António dos Santos: a culpa é sempre dos “outros”, desse tal “povo” ao qual nenhum de nós verdadeiramente pertence quando não dá jeito. Sim porque “eu”, “tu” e o “meu amigo” de copo de três, enquanto falamos sobre o país e as elites e o povo, “nós”, somos muita espertos. E dávamos a volta a isto se estivéssemos no poder. Por exemplo, punha lá a minha Maria – que é jeitosa nas contas da casa – o meu cunhado – que tem lata para as vendas (dos olhos) e por aí adiante…
    O Zé

    Gostar

  47. Opossum permalink
    5 Maio, 2012 14:54

    MAGNÍFICO TEXTO! QUASE CHOREI COM TANTA DIGNIDADE! HÁ MUITO TEMPO QUE NÃO VIA UMA COISA TÃO BEM ESCRITA E ACERTADA! DONA HELENA, FAÇA DE MIM O PAI DOS SEUS FILHOS, POR FAVOR! AS MINHAS PERNAS AINDA ESTÃO A TREMER…

    Gostar

  48. pedro permalink
    5 Maio, 2012 15:21

    Dei por muito bem empregue, o tempo gasto na leitura deste texto.
    Muito bom!

    Gostar

  49. Fredo permalink
    5 Maio, 2012 16:26

    Parabéns, HM! Excelente texto.
    Igualmente excelente este último comentário do José.

    Gostar

  50. carlos permalink
    5 Maio, 2012 17:05

    como se você não fizesse parte das elites também. a única coisa que muda é a alternância entre PS e PSD pois o discurso, por parte dessas elites, é sempre o mesmo, conforme o partido que está no poder.

    Gostar

  51. J.J.Pereira permalink
    5 Maio, 2012 17:07

    Por que será que o óbvio incomoda tanto?
    A um texto destes aó se pode dizer, como os velhos tertulianos do “Tonio Kroger”:”Evidentemente”.
    Tudo o mais será retòrico , portanto excessivo.

    Gostar

  52. 5 Maio, 2012 17:13

    Isso!
    Partilhei na minha página do Facebook, com créditos à autora. 🙂

    Gostar

  53. 5 Maio, 2012 18:00

    “Ora bem”, e à atenção de HMatos :
    Consultadas as élites durante o almoço, concluíram que “o povo”, “vá para o raio que o parta !”
    À saída do restaurante e no percurso, consultado “o povo”, concluíu que as élites “vão para o raio que as partam !”
    Asseguro : “povo” e élites não estavam bêbados.

    Gostar

  54. aremandus permalink
    5 Maio, 2012 18:12

    lapalissadas…
    recomendo a leitura de andré camus ou até mesmo de andré barata à postante!

    Gostar

  55. simil permalink
    5 Maio, 2012 18:15

    a ver ideias, biscoiso é dos segundos e mrjb também, inesperadamente, quando às vezes dá a entender o democrata e povo. (se bem que admito, gente há, parece, que no afã de dizer coisas, não se dá a ler os posts e chuta é para frente).

    Gostar

  56. Miguel Ribeiro permalink
    5 Maio, 2012 18:16

    excelente texto..

    Gostar

  57. Paulo permalink
    5 Maio, 2012 18:20

    Cara Helena Matos,
    Uma crónica lamentável. Reduzir a sociedade a uma dicotomia povo vs elites parece-me 1º de muito mau gosto e 2º descabido. Pelo menos nos últimos 38 anos, a sociedade deste bom país fez as suas opções livremente e em razoável igualdade (de capacidade de exercer a sua cidadania). Cada um na sua consciência. Felizmente com uma pluralidade de opiniões.
    Mais, diria eu, até com um exagero de ações consensuais assinalável!
    Ainda bem que existem grupos que querem isto e aquilo, muitas vezes opostos inconciliáveis! Ficava feliz que ainda mais houvesse! Essa falta de “confronto” leal e democrático é que faz falta. Não a ideia totalitária do povo vs elites, da esquerda vs direita.
    Não quero que ninguém vá para o “raios que os parta”.
    O que me preocupa, é aqueles que manipulam o outro (sendo da elite ou do povo), aqueles que querem limitar a liberdade do outro (porque a elite é que tem razão, porque o povo é que tem razão).
    Mas já agora, que utiliza esta dicotomia, permita-me a ousadia: pertença a que lado da “moeda”?
    Cumprimentos,
    Paulo Batista

    Gostar

  58. henrique pereira dos permalink
    5 Maio, 2012 18:25

    “O país empobrecia e o povo emigrava”. Está enganada. O maior e mais forte período de crescimento económico de Portugal (ou seja, de enriquecimento) coincide com o maio surto de emigração do país. Não que um tenha qualquer coisa que ver com o outro, mas simplesmente as razões para os dois factos, coincidentes no tempo mas sem relação de causa e efeito, são as mesmas: o forte desenvolvimento económico do pós-guerra e o enorme desfasamento de partida entre a riqueza de Portugal e dos outros países.
    henrique pereira dos santos

    Gostar

  59. 5 Maio, 2012 18:40

    simil,
    O facto de saber ler (posts ou outra “coisa”) pode não resultar numa eficaz interpretação, avaliação, conclusão.
    “O povo” e as élites estão bem, obrigado.

    Gostar

  60. 5 Maio, 2012 18:46

    Henrique P dos Santos,
    “parece-me” que a massaroca enviada para Portugal pelos emigrantes começou a ter expressão quantitativa e regular só a partir de certo período post-emigração… Finais dos anos 1960, não ?
    Mas também é verdade, porque coincidente ao tempo, o que HMatos escreveu: “O país empobrecia e o povo emigrava”. Por culpa das élites…

    Gostar

  61. 5 Maio, 2012 18:53

    “Gaita” : esquecemo-nos de consultar o povinho-NADA !, dentro e fora do restaurante.

    Gostar

  62. Costa Cabral permalink
    5 Maio, 2012 19:23

    Eu também não acredito na bondade natural do povo e muito menos nos «brandos costumes» dos portugueses.
    Ainda vou ver o povo português a enforcar os actuais responsáveis pelo saque e pelo roubo.
    Os actuais neo-comunistas vão acabar pior do que as vítimas às mãos de Pol-Pot!

    Gostar

  63. cao com pulgas permalink
    5 Maio, 2012 20:48

    Eles são as elites ? que vieram do POVO ? pois, se não vieram do POVO foi de onde ? de Marte ?
    Meus amigos, o POVO são as ELITES e as ELITES são POVO. Cada um inveja e culpa o outro. A massa é toda a mesma, ou seja, bosta…..

    Gostar

  64. JCardoso permalink
    6 Maio, 2012 00:03

    Como é habitual, hoje fui às compras ao Pingo Doce e não é que na fila da minha caixa onde ia pagar, um pouco mais à frente estava uma figura conhecida ligada ao BE a tirar as suas comprinhas e a preparar-se para pagar?

    Gostar

  65. Portela 25ABRIL74 permalink
    6 Maio, 2012 00:10

    vá lá! não saiu sem pagar, o bandido!

    Gostar

  66. Fincapé permalink
    6 Maio, 2012 00:31

    Muito bom, Helena! Gosto! Continue a ler Brecht. Ele era um mestre da ironia, mas é melhor a Helena ser assim, como hoje, direta.
    Dificuldade de governar
    1
    Todos os dias os ministros dizem ao povo
    Como é difícil governar. Sem os ministros
    O trigo cresceria para baixo em vez de crescer para cima.
    Nem um pedaço de carvão sairia das minas
    Se o chanceler não fosse tão inteligente. Sem o ministro da Propaganda
    Mais nenhuma mulher poderia ficar grávida. Sem o ministro da Guerra
    Nunca mais haveria guerra. E atrever-se ia a nascer o sol
    Sem a autorização do Führer?
    Não é nada provável e se o fosse
    Ele nasceria por certo fora do lugar.
    2
    E também difícil, ao que nos é dito,
    Dirigir uma fábrica. Sem o patrão
    As paredes cairiam e as máquinas encher-se-iam de ferrugem.
    Se algures fizessem um arado
    Ele nunca chegaria ao campo sem
    As palavras avisadas do industrial aos camponeses: quem,
    De outro modo, poderia falar-lhes na existência de arados? E que
    Seria da propriedade rural sem o proprietário rural?
    Não há dúvida nenhuma que se semearia centeio onde já havia batatas.
    3
    Se governar fosse fácil
    Não havia necessidade de espíritos tão esclarecidos como o do Führer.
    Se o operário soubesse usar a sua máquina
    E se o camponês soubesse distinguir um campo de uma forma para tortas
    Não haveria necessidade de patrões nem de proprietários.
    E só porque toda a gente é tão estúpida
    Que há necessidade de alguns tão inteligentes.
    4
    Ou será que
    Governar só é assim tão difícil porque a exploração e a mentira
    São coisas que custam a aprender?
    Bertold Brecht

    Gostar

  67. 6 Maio, 2012 01:43

    O texto é ótimo , tem pessoas que naum tem o que falar ai acabam falando merda.

    Gostar

  68. MIGUEL permalink
    6 Maio, 2012 08:30

    TUDO DITO
    E PARA O MORNINGFMS Muito bem, Helena. Faltou talvez um remate futurológico: “quando o povo começou a suicidar-se, a contrair doenças, e a pegar fogo a repartições públicas, eles emigraram para Paris de onde puderam dar prédicas, com a boca cheia de brioches euro-normalizados, sobre aquilo que o povo fez mal na santa terrinha deixada a uns quantos velhos”, GATUNOS, CIGANOS E DEFICIENTES.

    Gostar

  69. henrique pereira dos permalink
    6 Maio, 2012 12:47

    MJRB,
    Está mesmo enganado. O país já vinha a enriquecer há uns anos e esse enriquecimento (mesmo em termos relativos, comparando com a Europa rica) acentua-se com a entrada na EFTA, antes das remessas dos emigrantes. Não são as remessas de emigrantes que enriquecem o país mas sim o facto de ter entrado na EFTA e as exportações crescerem bastante. O país continuou a ser um país pobre, comparativamente, mas muitíssimo menos pobre. A emigração existe exactamente porque em Portugal as pessoas são mais pobres que noutros países e o desfasamento é enorme. Existiu no fim do século XIX e até à grande crise dos anos trinta, suspendeu-se nessa altura até ao fim da segunda guerra, e quando passou a haver de novo um destino de emigração (que aliás era o mesmo destino das exportações) as pessoas voltaram a sair do país. A ideia de que o país empobreceu durante o Estado Novo é uma ideia simplesmente errada (qualquer que sejam os indicadores de riqueza que se usem, eles crescem moderadamente desde o início do Estado Novo, dão um salto durante a Guerra, têm um soluço logo após, para depois retomar o cerscimento, de forma muito acentuada (Portugal é dos países que mais crescem nessa altura, no mundo) desde a entrada na EFTA até ao choque petrolífero de 1973.
    henrique pereira dos santos

    Gostar

  70. bloody mary permalink
    6 Maio, 2012 16:31

    Um texto fantástico, do qual subscrevo cada frase. Parabéns, Helena Matos!

    Gostar

  71. 6 Maio, 2012 17:24

    Henrique P. Santos,

    Grato, mas referi-me somente ao caso dos emigrantes.

    Gostar

  72. 6 Maio, 2012 17:30

    Mas, durante o Estado Novo, quem é que pagou aquelas estípidas guerras nas ex-Colónias ? O Estado NOvo não gastou fortunas colossais ? Os cofres do Estado não ficaram mais vazios ?
    Não teria Salazar e Caetano evitado mais e volumosas despesas se em vez daquela teimosia em África, tivessem agido conforme as conclusões de alguns militares (que as intervenções estavam perdidas !) e também abrissem bem os ouvidos à comunidade internacional com relevante e sintomática expressão na ONU ? Quanto teriam poupado ?
    Períodos houve no Estado Novo de evidente empobrecimento da população…

    Gostar

  73. henrique pereira dos permalink
    6 Maio, 2012 19:12

    MJRB,
    Não estou a discutir a política do Estado Novo nem o que poderia ter sido se, estou a olhar para dados puros e duros. E os dados não suportam a sua (e generalizada) ideia de que Portugal empobreceu no Estado Novo (nem mesmo durante a guerra colonial, também coincidente com um dos períodos de maior crescimento do país). Pedro Lains tem uns gráficos e umas tabelas muito evidentes no que escreve sobre a história económica de Portugal.
    henrique pereira dos santos

    Gostar

  74. 6 Maio, 2012 19:46

    Henrique P. Santos,

    OK, terei em consideração as suas conclusões, para me informar melhor sobre esse período.

    Gostar

  75. 7 Maio, 2012 08:00

    Excelente, Helena

    Gostar

  76. aremandus permalink
    7 Maio, 2012 08:57

    para o raio que os parta???
    O “Jornal de Notícias” escreve que o BCP quer obrigar o ex-banqueiro madeirense a baixar a sua pensão mensal de 174 875,83 euros, e deixar de pagar despesas que incluem quatro seguranças com dois automóveis em regime de exclusividade, os custos de transporte em avião privado e cinco automóveis com dois motoristas.

    O valor mensal da pensão pode mesmo ultrapassar os 200 mil euros, uma vez que a companhia Ociedental complementa a reforma do ex-presidente do BCP.

    Durante 16 anos, só em participações no resultado do BCP, Jorge Jardim Gonçalves revebeu 94,8 milhões de euros.

    O banco intentou uma ação contra ele com mais três exigências: a descida da pensão para o nível do administrador mais bem pago no BCP na atualidade (neste caso 46 429,00 euros), a perda de regalias (segurança privada, avião privado e automóveis) e ainda que, em caso de morte, a mulher não receba, como está previsto, 100% da reforma, mas sim 60%, como acontece com os reformadfos do banco.

    Gostar

Indigne-se aqui.

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: