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um marco histórico

28 Agosto, 2012
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Há algo de muito representativo do país que temos sido nesta atitude de tentar “salvar”, a qualquer custo, das “garras dos “privados”, a RTP, a televisão fundada no Estado Novo e docemente acalentada por todos os regimes que se lhe seguiram.
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Falamos de uma empresa que, em tempos de crise grave e de sacrifícios impostos sem fim à vista, acumula prejuízos anuais de milhões de euros, em troca da prestação de um serviço que em nada se distingue dos seus concorrentes, a SIC e a TVI, o que autoriza presumir que qualquer outro privado que a assuma não irá fazer muito diferente do que hoje lá é feito. Por outro lado, as ingerências e intromissões do poder público na informação da RTP têm sido uma constante ao longo dos anos, sejam quais forem os governos que a tutelem. O valor de uma comunicação televisiva isenta e independente, que os privados supostamente não garantem por serem privados, só pode ser, no caso da RTP, uma brincadeira de mau gosto. Desde 1957, quando começou a emitir, até aos dias de hoje, uma única constante atravessou a sua já longa existência pública, isto é, à custa de todos nós: servir incondicionalmente o poder, seja ele qual for, tenha que tonalidade tiver.

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De que “património” se fala, então, quando agora se quer evitar, a tudo o custo e sob toda a espécie de ameaças, a venda da RTP? Serão os milhões de prejuízos acumulados ao longo dos anos, suportados pelos contribuintes? Será a televisão obsoleta e quase sem audiências em que ela se transformou desde que foi exposta à concorrência? Ou a conta-corrente deficitária e sem inversão que a mantém? Ou os canais temáticos, por cabo, sem espectadores? Ou, ainda, os recursos humanos desaproveitados e muitos deles arrumados em prateleiras douradas com consideráveis reformas?

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Queira-se ou não, a RTP transformou-se num marco incontornável do regime: ou há coragem para lhe mudar o destino e para a transformar em algo sustentável e sustentado por quem a utilizar e consumir, ou ficará para sempre como o símbolo do imobilismo português e da impossibilidade do país se reformar e vencer os atavismos que o conduziram aos negros dias de hoje.

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O governo português tem aqui uma oportunidade única para mostrar o que vale. E se deixar tudo como está bem pode começar a fazer as malas.

45 comentários leave one →
  1. Fincapé permalink
    28 Agosto, 2012 20:34

    “De que “património” se fala, então, quando agora se quer evitar, a tudo o custo e sob toda a espécie de ameaças, a venda da RTP?”
    Concluo assim que a RTP não tem património. Não tem ativos. Não tem 55 anos de emissão. Não é uma marca. Nunca transmitiu nada que os outros não transmitam. Nunca transmitiu bom cinema europeu, nem nada disso. É apenas um monte de problemas que nenhum privado certamente quererá. Como se sabe, os privados costumam dar um chouriço a quem lhes der um porco. (A essa de não ter nenhuma audiência nem vale a pena responder).
    Assim, porque raio querem pôr este “cancro” nas mão dos privados, quando se pode evitar isso? Fazem concurso para um operador privado. Este fica com a frequência e passa a operar como os outros dois privados fizeram! Para que quer o monte de problemas que o rui a. lhes quer dar?

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  2. rui a. permalink*
    28 Agosto, 2012 20:36

    “Como se sabe, os privados costumam dar um chouriço a quem lhes der um porco.”
    É o que você faz na sua vida profissional? Dá um “chouriço” em troca do “porco” que lhe pagam pelo seu trabalho?

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  3. piscoiso permalink
    28 Agosto, 2012 20:41

    No braço de ferro entre este Governo do Coelho, e o polvo da RTP, falta saber quem tem mais força.

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  4. Fincapé permalink
    28 Agosto, 2012 20:52

    Meu caro, não sei se está a defender os negócios duvidosos que se fizeram e fazem por aí em que o Estado sai prejudicado. E não são poucos.
    (Pelo menos, tenho ideia de que criticou as PPP do Sócrates, mas pelo que diz agora já fico com dúvidas).
    E não se preocupe comigo que eu não sou negociante encostado e a querer tirar proveito de milhões com o Estado. Mas garanto-lhe que se fosse negociante nunca ficaria rico de um dia para o outro. Eticamente, não conseguiria. Vejo sempre a outra parte. O que quer? Ninguém é perfeito!

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  5. Portela Menos 1 permalink
    28 Agosto, 2012 20:58

    e se em vez de chouriços e porcos se se respondesse à questão, mais ou menos importante…”Para que quer (o privado) o monte de problemas que o rui a. lhes quer dar?”

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  6. JDGF permalink
    28 Agosto, 2012 21:02

    Faltou falar da ‘taxa audiovisual’… Deve ser um pormenor!

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  7. 28 Agosto, 2012 21:04

    Quando o Rui afirma:
    “acumula prejuízos anuais de milhões de euros” — Está desactualizado.
    “um serviço que em nada se distingue dos seus concorrentes” — Não vê certamente televisão em sinal aberto e especialmente a “2”.
    “De que “património” se fala?” — Não tem consciência do que é o património.
    “símbolo do imobilismo português e da impossibilidade do país se reformar e vencer os atavismos que o conduziram aos negros dias de hoje” — recomendo-lhe que enquadre a nossa “escuridão” no ambiente mais denso e global do modelo de desenvolvimento ocidental. Pode entreter-se com isto: http://www.youtube.com/watch?v=y92cHtYBQfY
    … por fim é ingénuo se acredita na “bondade” da solução “entregar a um privado o valor da taxa cobrada aos portugueses a troco do serviço público…”
    (ainda bem que não referiu os BMWs dos gestores da “coisa” (como tantos outros já fizeram), porque nesse caso estaria também a ser mesquinho…).

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  8. Tiro ao Alvo permalink
    28 Agosto, 2012 21:05

    Eu, por mim, não privatizava a RTP, não. Oferecia-a de borla aos seus funcionários. Claro que lhe cortava os subsídios e acabava com a taxa do audiovisual, cobrada a toda a gente que tem contador, inclusive, aos mortos nos cemitérios. Para grandes males, grandes remédios…

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  9. Tiro ao Alvo permalink
    28 Agosto, 2012 21:12

    LuísF,
    Você trabalha na RTP? É que se trabalha, eu compreendo o seu discurso; se não trabalha, não o entendo.

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  10. 28 Agosto, 2012 21:13

    Um momento:
    faz-se um marco histórico com pompa e circunstância com o material adquirido. Basta que o melhor jornalismo tenha vontade de exprimir os princípios éticos para relançar a RTP1. Não haverá tempo nem pachorra para remexer nos ninhos que nele vivem, mas alguma coisa terá que ser feita para inverter os custos negativos. Aprendi desde pequeno que não se deve mexer no ninho dos pássaros pois as mães, se sentirem o cheiro da mão humana, abandonam ninho e crias. Tentem espelhar o histórico menos conveniente, onde o estado teve repetidas vezes que seguir tradições com custos elevados para a empresa. Este canal sofreu demasiadas pressões para exercer o serviço público, mas o medo de serem afastados muitos colaboradores impera e agrava a possibilidade de estruturar a própria instituição.

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  11. Fincapé permalink
    28 Agosto, 2012 21:14

    Portela Menos 1,
    Realmente, caí que nem um pato. Aceitei a “importância” que rui a. me quis dar e pus-me a falar de mim. Sou mesmo totó! 😉

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  12. Fincapé permalink
    28 Agosto, 2012 21:17

    Boa abordagem, LuísF.

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  13. Portela Menos 1 permalink
    28 Agosto, 2012 21:17

    sem querer desviar o tema ( a bola está no lado de rui a. !) quando vejo notícias destas lembro-me sempre dos “empresários patriotas” , agora não Jerónimo Martins mas o senhor da cortiça , como é que se chama mesmo o sujeito?http://rr.sapo.pt/informacao_detalhe.aspx?fid=25&did=75251

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  14. blitzkrieg permalink
    28 Agosto, 2012 21:22

    A RTP é um daqueles anéis que perdeu o brilho mas de que ninguém se quer desfazer. O anel, pior do que ter perdido valor, já está penhorado: tem dívidas superiores a 750 milhões de euros, e precisa de mais de 100 milhões de euros por ano para tapar o buraco anual das contas. Eu não a queria nem dada – não tenho dinheiro no Banco nem para pagar 1 dia de défice, quanto mais 1 ano, e muito menos o buraco.

    Isto é reduzir tudo a dinheiro, deitando fora um património cultural, de experiência, de marca? As audiências da RTP Memória dão o devido valor ao património cultural produzido. A experiência não se distingue de qualquer privada. A marca é o que tem mais valor, porque ainda agarra alguma audiência.

    A RTP é um buraco tão gigantesco que nem sequer pode declarar falência e encerrar – o Estado teria de assumir o buraco no défice deste ano e não tem margem para isso… seria preciso outro imposto sobre o subsídio de Natal para apagar o problema…

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  15. 28 Agosto, 2012 21:39

    rui a.

    Tente lá, mas devagarinho, explicar ao Bolota que é um bocado p´ró lento ,como é que o governo em vez de rentabilizar a sua Televisão, se mudou de armas e bagagens para a TVI???? Para alem do Borges, andam por lá: assim derrepentemente…Fernando Seara, Sanatana Lopes, o Martelo, o Baixinho…quer explicar???
    Só mais esta, se pago agora uma taxa para a televisão publica, porque tenho de continuar a pagar sendo privada???’
    Em Baleizaõ estes chulos tem um nome, GATUNOS

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  16. 28 Agosto, 2012 21:49

    @ Tiro ao Alvo
    Não. Não trabalho, nem tenho ligações de qualquer espécie com a dita.
    E mais, tenho consciência que a RTP é uma casa onde já se fez muita merda, muita má gestão, etc. Compete portanto à tutela — que deveria representar-me a mim e a si! –, impedir esses desvios. Infelizmente a competência dos nossos políticos é o que se sabe… Um exemplo: O governo actual, apesar de se armar em “tesudo”, parece que afinal sofre de “disfunção eréctil” e pieguice compulsiva! Daí vir sempre com aquela “tecla”: “o Estado não sabe gerir”. Uma patranha! Se os elegemos é precisamente para que giram bem o Estado! Caso contrário o melhor mesmo seria “concessionar” tudo… Forças armadas da Prosegur, Finanças da Deloitte, etc.
    O seu curto comentário levanta-me ainda uma “preocupação”: o “meu amigo” apenas opina em função dos seus interesses pessoais?

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  17. XisPto permalink
    28 Agosto, 2012 22:28

    O caso RTP tem muito potencial para adquirir uma dinâmica semelhante ao caso Alcochete do anterior governo: um ministro inábil (é o mínimo que se pode dizer) com um produto impossível de ser vendido à opinião pública, desde logo porque diferente do que foi submetido a eleições, e muito provavelmente impossível de ser vendido ao Presidente da República, ao Tribunal Constitucional e sobretudo aos investidores que não investirão um cêntimo num projecto que um muito provável futuro governo já anunciou reverter sem indemnização financeira. Infelizmente, não existe agora nada semelhante ao LNEC que perante o “levantamento nacional” que se aproxima, possa colocar o seu prestígio e verter para uma folha de papel em branco “a solução”:
    1) Manutenção da RTP2 como canal público para prestação do serviço público incluindo canal internacional, sem publicidade nem informação, exclusivamente financiado por uma taxa na electricidade (até existirem condições para a sua anulação e suporte pelo orçamento de estado) substancialmente reduzida, sempre inferior a 50%;
    2) Privatização da RTP1 com o mesmo tempo de publicidade que os concorrentes instalados. Na eventual ausência de concorrentes, liquidação.

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  18. Carlos Dias permalink
    28 Agosto, 2012 22:47

    Serviço público da RTP 1- no Verão reportagens longas e chatas sobre tudo o que é festa na aldeia (ao mesmo tempo que a concorrência).
    No resto do ano programas populares iguais aos da concorrência.
    Notícias à hora do almoço.
    Programas populares iguais aos da concorrência.
    Telenovelas iguais aos da concorrência.
    Notícias.
    Telenovelas até às 4 da manhã.
    Televendas.
    Quanto à RTP 2 é como aquela tia velhinha que se visita quando faz anos, e que ninguém quer que morra.
    Tudo isto é pago por aqueles que ainda tem emprego.
    Nem refiro que o nível de salários nas televisões é do mais fino que há – enfim, a concorrência é implacável e manter um ar feliz durante 4 horas não é para todos.

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  19. 28 Agosto, 2012 22:48

    @ XisPto
    A “proposta” ainda que traduza um formato já conhecido pare-me a mais sensata e consensual. A do Borges-Relvas revela apenas as pessoas que lhe dão origem: chico-espertismo boçal e leviano, e insensibilidade… Para não dizer outras coisas mais feias…

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  20. rui a. permalink*
    28 Agosto, 2012 22:48

    Fincapé,
    Nenhum operador do mercado pode deixar de ver a “outra parte” em qualquer negociação que seja. Chama-se a isto o princípio da cooperação social, no qual a nossa civilização se baseia desde que historicamente começou a divisão do trabalho. A referência à sua pessoa não foi mais do que lhe demonstrar que, se você é um operador do mercado, isto é, se trabalha para um patrão ou se é um patrão, está a prestar um serviço a título privado (a não ser que seja servidor público e, mesmo assim, o contrato que o víncula ao estado é de natureza privada, também, porque dispõe do seu trabalho) e que, provavelmente, não o faz dando ou chouriço em troca de um porco inteiro.
    Cumps.,

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  21. Nuno permalink
    29 Agosto, 2012 00:52

    .
    Parece que as TV’s vieram para ficar e todas têm, salvo as excepções dos USA — e não em todos os Estados — e também, até certo ponto, da BBC, padrões que se nivelam pelo mais baixo. Haverá unas menos más que outras mas a coisa pouco difere.
    O que parece ser incomportável — e para qualquer uma das caixinhas mágicas portuguesas — é o custo elevadíssimo que. ainda por cima, é suportado pelos contribuintes que têm seguramente mais onde aplicar o seu cada vez mais curto dinheiro.
    .

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  22. 29 Agosto, 2012 06:42

    A discussão em torno da RTP tem imensa piada por representar várias coisas.
    Para além do claro antagonismo entre o governo e a oposição (que existe por razões óbvias de luta política), outros elementos me parecem ainda mais interessantes:
    1 – O conservadorismo de quem defende a preservação da RTP.
    Ora, como é óbvio, a RTP tem uma História e é uma marca bastante presente na vida dos portugueses. É natural que muitos a queiram preservar nem que seja pela chatice que representa a mudança. É compreensível, mas não chega. Isto nos leva ao ponto seguinte.
    2 – Os desafios do audiovisual no século XXI.
    Um comentador acima lembrou o papel da RTP na exibição de cinema europeu. Terá sido importante? Claro que sim. Mas já lá vão muitos anos. No entanto, o consumo de cinema (é apenas um exemplo) mudou radicalmente nos últimos 10 anos e irá mudar ainda mais nos próximos 10. Aliás, hoje, qualquer pessoa consegue ter acesso fácil e barato (se não for gratuito) a qualquer filme, série, programa. Deste ponto de vista o papel central da televisão na circulação de conteúdos é cada vez mais irrelevante face a internet. Por outras palavras, apenas vê cinema na TV quem não tem mais nada para fazer ou quem é velho demais para entender-se com um computador. Eu, por exemplo, não devo ter visto um filme pela RTP há mais de cinco anos – e já nem lembro da última vez que isto aconteceu. Onde quero eu chegar? Aqui: é irrelevante o que a RTP fez (de bom ou de mal) no passado. O passado, aliás, tal como a tradição, não paga dívidas e não garante a sustentabilidade de empresa alguma.
    3 – Quanto vale a RTP?
    Quer queiramos, quer não, a RTP é uma empresa tecnológica. Ela depende da tecnologia. A tecnologia está no CENTRO do que ela faz. E neste campo de negócio, a tecnologia é cara e desactualiza-se rapidamente (sem falar no custo da manutanção, consumíveis, treinamento, etc, etc, etc). LOGO, uma RTP necessita de constantes investimentos. Se não houver quem pague estes investimentos, a RTP simplesmente pára. E ao contrário de outras empresas tecnológicas, a RTP apenas compra tecnologia. Não a cria. Todo o equipamento que a RTP possui hoje valerá perto de zero Euros dentro de 5 anos. Por outro lado, a RTP também não produz qualquer conteúdo exportável para os grandes mercados audiovisuais: EUA, resto da Europa, América latina, etc.). Onde quero chegar? Aqui: o futuro da RTP tal como ela está é negro – e isto nos leva ao ponto seguinte.
    4 – A convergência dos conteúdos.
    Noutros países, as grandes estações de televisão convergiram com outras indústrias com o objectivo de se fortalecerem. Na América, por exemplo, os canais de televisão pertencem a conglomerados maiores (basta olhar para a Time/Warner, a Viacom, etc. que se assumiram SEMPRE como gigantes da comunicação, entretenimento, etc.). Na Europa, não temos grupos tão grandes, é verdade, mas esta diversificação também ocorreu: as televisões passaram a produzir e a distribuir cinema, música… e todas procuram desenvolver tecnologia. A RTP, curiosamente, sempre viveu orgulhosamente só. Até a SIC e a TVI estão inseridas em “gigantes menores” (digo isto sem qualquer maldade) no campo da comunicação. Neste campo, a RTP apenas tem desvantagens. E como já disse acima, estas desvantagens são a cada dia mais caras ao passo que a RTP (como está e tem sido) tenderá a ser cada vez mais IRRELEVANTE. Não estou a defender que a RTP deveria ter crescido como os exemplos que acabei de dar. Apenas estou a mostrar o quão desactualizada e frágil está a RTP face ao resto da indústria.
    5 – A RTP, o Cinema e o audiovisual.
    A RTP possui uma relação VERGONHOSA com o cinema português. Existe um protocolo entre o ICA e a RTP onde a RTP lá dá uns trocos aos filmes subsidiados em troca de direitos de exibição em horas que ninguém vê. Nem promover os filmes a RTP sabe fazer. Nunca soube (e sobre a qualidade dos filmes, isto é todo um outro tema). Noutros países, os canais de televisão (como já expliquei acima) assumiram-se como grandes produtores e EXPORTADORES de conteúdos (cinema incluído). Em Portugal, infelizmente, tanto o cinema quanto a RTP vivem separados e isolados do resto do mundo. E vale a pena lembrar que a Lei do cinema recentemente aprovada não traz nenhuma novidade em relação àquilo que existia há 30 anos em termos de modus operandi. Limita-se apenas a cobrar mais dinheiro (como se o problema fosse só este). Onde quero chegar? Aqui: em poucos campos de negócio o Estado português tem sido tão INCOMPETENTE, DESACTUALIZADO, CEGO e MEDROSO quanto no audiovisual (onde a RTP se insere). A própria noção de “indústrias criativas” é estranha ao Estado e audiovisual português.
    6 – Alguém já leu a demonstração de resultados da RTP?
    Deviam ler. Somente os custos com pessoal da RTP no seu total somam quase 2/3 do total arrecadado pelo imposto audiovisual. Nos últimos dois anos, a empresa teve um resultado positivo? Excelente. Mas por quanto tempo mantém-se? Infelizmente, tal como está/é, a RTP possui tudo contra ela.
    7 – Conclusão.
    A RTP é uma empresa que resulta de décadas de incompetência de um Estado que NUNCA teve vocação para ser produtor de TV. Este Estado também nunca soube encontrar quem soubesse fazê-lo… e nunca teve coragem política para fazer o que fosse (de bom) no campo do audiovisual. Mesmo a própria noção de “serviço público” é, hoje, discutível (e como bem apontou o JMF, até a Sic Notícias faz serviço público). Como resultado, a RTP é uma empresa anacrónica, disfuncional, a prestar um serviço desactualizado e que tende a ser cada vez mais caro de manter. E a concorrência não ajudará (e não, não estou a falar da Sic nem da TVI). Num mundo globalizado, a cada ano que passa, a RTP – com as suas fraquezas e idiossincrasias – assemelha-se cada vez mais a uma empresa especializada em telegramas: uma realidade que pertence a outro tempo e que só se mantém porque as pessoas que decidem têm todas mais de 50 anos (risos).
    Portanto, é engraçado ver o enquadramento da discussão: a realidade como alguns gostariam que ela fosse (e não como ela efectivamente é). É pena porque este debate poderia ser verdadeiramente fascinante.

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  23. Tiro ao Alvo permalink
    29 Agosto, 2012 07:40

    Bad Behavior,
    Apreciei o seu comentário.
    Tudo visto, até parece que a minha proposta para resolver o caso da RTP (imbróglio/monstro), tem pernas para andar, e que aqui repito: eu oferecia-a de borla aos seus funcionários. Claro que lhe cortava os subsídios e acabava com a taxa do audiovisual, cobrada a toda a gente que tem contador, inclusive, aos mortos nos cemitérios. Para grandes males, grandes remédios…

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  24. Marão permalink
    29 Agosto, 2012 08:39

    O governo que não sabe pegar na marreta manda Borges partir cascalho. Ou me engano muito ou esta ave rara está a ver se cola uma habilidade de recreio. Entregar a gestão aos privados de uma quinta falida, que nós á descarada ou em camuflado continuaríamos a pagar. Solução simples cá deste especialista (eu mesmo) em ser aldrabado: Manter a RTP 1 (Canal Estatal de Televisão) especialmente vocacionado para educação cívica, conhecimento e ensino, artes, cultura, recreio e desporto amador de base. Seriam contratados com os privados serviços noticiosos não exaustivos a captar nessas estações. Nesta conformidade, o 2 como se depreende ia ao ar dado que a sua função mais nobre era objecto da transferência atrás referenciada. Deixaria assim de haver por lá poeirentos e inamovíveis sobretudos só para assinalar presenças fraudulentas. É garantido que Relvas não goza mais comigo e leva Passos atrelado. Este sério malfadado anda muito mal acompanhado.

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  25. javitudo permalink
    29 Agosto, 2012 09:09

    Não vejo a rtp, nem 2, nem 1, nem nada. Concordo com o post. Se os governantes actuais tiverem medo, nesta como noutras questões, a vinha jamais será guardada e os cães destruirão os cachos à sua passagem. Já lá andam animais.
    P. Silva Pereira: há “muitos interesses” políticos e económicos na privatização da RTP (PÚBLICO). Que saudades!

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  26. FilipeBS permalink
    29 Agosto, 2012 11:00

    Muito bom post e no tom certo!

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  27. Zé da Póvoa permalink
    29 Agosto, 2012 11:17

    Pela minha parte acho que a RTP já há muitos anos deveria ter sido privatizada, ficando o serviço público a cargo de todos os canais em condições a definir por lei.
    O que é verdadeiramente miserável é o que o governo(?) pretende fazer que é entregar o canal a grupo amigo (garante bons empregos futuros para os actuais negociadores?) , entregando-lhe ainda o produto da taxa de tv (150 milhões ano), criando um novo tipo de PPP em que nós contribuintes/utilizadores do serviço da EDP pagamos a um grupo privado para criar novos big brothers e outras palhaçadas do género. Ao nível disto só a oferta do pavilhão portugal por Santana Lopes ao seu amigo de peito Mário Assis Ferreira para ali instalar o casino!!!

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  28. Fincapé permalink
    29 Agosto, 2012 14:05

    Caro rui a.
    Não sou propriamente uma pessoa desinformada, embora seja um inveterado provinciano que gosta de passar alguns dias na capital a visitar museus e monumentos que não tenho aqui à mão.
    Percebi perfeitamente o que disse, e sei que a lógica e a teoria das relações sociais ou de mercado assentam (deveriam assentar) nisto: a cooperação social. Como sabe, infelizmente, o capitalismo financeiro e a ganância vieram ajudar a destruir esse princípio. É um mundo de homens sem rosto que manipulam mercados e que se pronunciam através de rótulos, como a agência de rating X, o Goldman qualquer coisa. Mesmo em Portugal, onde se desconhecem muitos rostos e quando se conhecem obrigam ateus a benzerem-se. Lembro-me sempre de “As Vinhas da Ira”, onde à pergunta de quem mandou colocar abaixo as casas de gente muito pobre a resposta foi: o banco!
    Mas quero dizer-lhe que as expressões que usamos aqui na net, por exemplo, “dar um chouriço a quem dá um porco”, escritas, também vão sem rosto. São frase que ditas em círculos de amigos, às vezes uns aos outros, até ajudam a fazer humor. Não têm nada de especial, nem costumam ser motivo de zangas.
    O que resulta disso, sim, tem muito de especial. O que tem resultado das “operações de mercado” nas últimas duas ou três dezenas de anos é a transferência da riqueza dos “operadores” médios ou pequenos para os “operadores” enormes. Assim, foi liquidada a “cooperação social” e a possibilidade de termos uma sociedade e um planeta melhor. Uns cada vez mais ricos, sem terem de vergar a mola (outra expressão a que acho graça) e com as lei a favor (lembrei-me do Romney que paga menos impostos do que um pedinte), e todos os outros cada vez mais pobres e a terem de trabalhar cada vez mais.
    Meta-se comigo que eu não levo nada a mal, mas não me “obrigue” a gostar disso.
    Cumprimentos

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  29. Ricciardi permalink
    29 Agosto, 2012 15:50

    Existindo no mercado concorrencia, não faz sentido o estado incorrer em despesa para manter em sua posse um canal de televisão.
    .
    Dito isto, ao governo cabe vender, ceder, concessionar esse canal, doar ou, no limite, fechar esse canal. Não pode é manter uma Taxa de Audiovisual. Tem de vender o canal sem a taxa. Se for para vender com taxa ou com renda, acho muito mal.
    .
    O alegado serviço publico pode e deve ser feito por TODOS os operadores de mercado televisivo por contrapartida unica das licenças de exploração da actividade. Ao estado cabe legislar e determinar por força da lei certos periodos que assegurem o tal serviço publico. Para todos, sem excepção.
    .
    Rb

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  30. nadia permalink
    29 Agosto, 2012 16:46

    …e “concessionar” o País a um outro???…não, a Angola não, já chega!!!…à Suécia, Dinamarca Noroega…sempre teriamos esperança de melhoras… Será a solução????

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  31. rui a. permalink*
    29 Agosto, 2012 17:26

    “Tem de vender o canal sem a taxa.”
    Com certeza.

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  32. Fincapé permalink
    29 Agosto, 2012 17:30

    Caro rui a.
    Desculpe. Sou um chato.
    Olhe, estou a ler um livro que, dos que compro, me foi ficando para trás: “Ciência da Treta”, de Ben Goldacre. É um daqueles que deveriam ser de leitura obrigatória no ensino público e privado, pois acho que o privado tem direito ao mesmo nível da boa informação.
    Só alguns pequenos extratos.
    “Como não descobrem novos tratamentos para as doenças que já temos, os laboratórios farmacêuticos preferem inventar novas doenças para os medicamentos que já têm.”
    “Com base nos conhecimentos actuais, cerca de 13% de todos os tratamentos têm probabilidade de ser benéficos.”
    “… todas as grandes empresas têm obrigação de maximizar os lucros e, muitas vezes, tal não é compatível com a noção de preocupação com as pessoas.”
    “…dos 200 mil milhões de dólares das vendas dos maiores laboratórios americanos, apenas 14% são gastos em I&D, comparados com 31% em markting e administração.”
    Um anunciado “ensaio clínico” que o autor tentou denunciar, acabou por ser desconsiderado como “ensaio clínico” pelo laboratório, principalmente depois do insucesso da experiência, mas o produto para a “memória”, um óleo de peixe, é o “… suplemento alimentar mais popular no reino unido… com um volume anual de vendas… superior a 110 milhões de libras.”
    São frases retiradas do contexto, mas o contexto ainda é mais interessante. E, sim, trata também de muitos medicamentos patenteados e daqueles que não o foram e passaram para “suplementos alimentares”.
    Tinha-as acabado de ler, mas todo o livro é excelente na forma como denuncia “operadores de mercado” na área da ciência… de treta. Nas outras, não é muito diferente. O planeta vive essencialmente de tretas.

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  33. rui a. permalink*
    29 Agosto, 2012 17:37

    Fincapé,
    Conclui, então, pela sua abordagem que os grandes avanços científicos, concretamente na área da saude e da medicina, foram feitos por empresas públicas e investigadores pagos pelos estados?…

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  34. piscoiso permalink
    29 Agosto, 2012 17:38

    Bad Behavior
    O meu aplauso.
    Só me pareceu desnecessário referir o que JMF disse na SIC sobre serviço público, por ser um lugar comum.

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  35. Fincapé permalink
    29 Agosto, 2012 18:01

    rui a.
    Eu não disse nunca, nem nunca direi (só se endoidecer) que a iniciativa privada não é importante. Nem a desvalorizo quando é meritória. Todos os que trabalham para o Estado devem mesmo contribui com a sua “iniciativa privada” em prol das populações, para além dos deveres próprios de cada um: sejam governos, administradores, trabalhadores, etc.
    Mas os Estados também apoiam muita investigação e têm laboratórios.
    Só que não andam a vender pílulas de óleo de peixe para aumentar a memória sem verdadeiros “ensaios clínicos”. Quer dizer, o Estado não pode funcionar como um qualquer aldrabão. Infelizmente, como sabe, grande parte dos negócios do capitalismo financeiro, da indústria dos medicamentos e outros são manipulações com o único objetivo de acumular (indevidamente, claro) riqueza.
    Eu sou apenas contra as negociatas, a manipulação, a falsidade de que os mercados são a salvação do planeta. Se o ser humano não necessitasse de regulamentação por ser geneticamente ou por princípio ético generalizado ou ainda por bondade natural eu não defenderia um Estado com poder. Mas não é assim.
    Não há dia nenhum que a “iniciativa privada” não nos dê conta de múltiplos crimes que os Estados têm de combater. Claro que os Estados também os cometem. Talvez isso indicie a necessidade de super-Estados. Talvez as Nações Unidas, a UE e outras organizações de Estados devessem ter mais poderes, desde que fossem legitimados. Quem sabe!

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  36. rui a. permalink*
    29 Agosto, 2012 18:17

    “Mas os Estados também apoiam muita investigação e têm laboratórios.”
    Fincapé,
    Pode dar alguns exemplos dos últimos 20 anos?

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  37. Fincapé permalink
    29 Agosto, 2012 18:42

    Você é danado, rui a. 😉
    Quer exemplos do apoio que os Estados dão à investigação? Não me diga que vai negar que todas as Universidades públicas fazem investigação em Portugal e no mundo. E mesmo muitas privadas têm apoios dos Estados. Sabe que um dos maiores heróis de todos os tempos (para mim, obviamene), Neil Armstrong, nunca gostou que o governo federal americano entregasse a privados grande parte (se não toda) a investigação e projetos sobre a exploração do espaço. Provavelmente, a exploração espacial forneceu-nos a maior fatia de conhecimentos científicos da história.
    Não sei a sua profissão e se já vi esqueci-me. Mas vê-se que gosta de testar as pessoas. Mas olhe que não estou a dizer isto com qualquer maldade. Até acho piada. Só que, por vezes, não há tempo para responder e isso pode criar-lhe a ideia de que as pessoas falam por falar. E nem sempre é assim.

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  38. rui a. permalink*
    29 Agosto, 2012 20:10

    “Quer exemplos do apoio que os Estados dão à investigação? ”
    Só se for a saudosa Universidade Leninegrado, onde o Dr. Pavlov revelou pérolas de ciência ao mundo… As outras que eu conheço, as pérolas e as Universidades que contribuem para o progresso científico, vêm de instituições privadas que visam o lucro, essa abominação demoníaca que você execra, ou são universidades privadas ou com gestão privada.
    Quanto ao mais, adivinhou: a minha profissão é mesmo “testar” o próximo. No seu caso, e também sem qualquer maldade, até acho que vale a pena, porque você me parece uma pessoa intelectualmente saudável, logo, susceptível de atingir a Verdade e a Luz, mas que está a raciocinar ainda com base em dogmas politicamente correctos, que receia pôr em causa. Mas lá chegaremos… O dia está próximo… :-).

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  39. Fincapé permalink
    29 Agosto, 2012 20:20

    “…logo, susceptível de atingir a Verdade e a Luz, mas que está a raciocinar ainda com base em dogmas politicamente correctos, que receia pôr em causa. Mas lá chegaremos… O dia está próximo… :-).”
    rui a.,
    A Verdade e a Luz… o dia está próximo! Não me diga que aderiu a qualquer filosofia exotérica ou ao iurdismo, sei lá. Espero que não cometa MAIS esse erro. 🙂

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  40. Buiça permalink
    29 Agosto, 2012 22:57

    Se a questão é de custos e de “O preço certo em euros” não ser serviço público, podemos deixar as ideologias de parte e tentar o seguinte:
    – Vender a RTP1 (recordo que já no anterior “regime” houve um concurso para outro canal de TV, misteriosamente cancelado).
    – Ficar com a RTP2 como órgão oficial da informação do Estado (sem ambiguidades, neste mundo em que tudo se compra e se corrompe tem que haver a versão oficial de quem elegemos para nos governar, é pura soberania), mais documentários, entrevistas, debates e poucos filmes, de preferência nacionais.
    – Manter a RTP Internacional para todas as comunidades lusofonas no exterior.
    – Estabelecer que cada vez que uma administração gaste num ano mais do que é arrecadado na taxa de televisão, é toda exonerada e não pode voltar a exercer funções por10 anos.
    – De caminho tirar a televisão digital terrestre das garras do Meo. Hoje em dia fazer um canal semi-amador custa pouco mais do que colocar videos no youtube, se a tv digital é uma concessão do Estado, basta facilitar o acesso e logo teremos 30 canais grátis em vez dos 4 de sempre e provavelmente com entretenimento nacional bem mais interessante.

    Cumps,
    Buiça

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  41. litos335 permalink
    30 Agosto, 2012 17:30

    O princípio parece-me muito simples.
    – Atribuir à RTP cerca de 70 Milhões de Taxa Audivisual, desonerando os contribuintes.
    – Não atribuir nem mais um cêntimo de Indemnizações Compensatórias e obrigar a RTP a um programa faseado de pagamento da Dívida bancária que tem (95 milhões). Afinal (pelas palavras do administrador) vai haver lucros !
    – O resto é irrelevante…. Venda da RTP1 ou da RTP2, ou encerramento da RT2, Madeira, Açores… para diminuir custos, ou encerramento de outros serviços dos 14 que mantêm; ou despedimento de pessoal, ou redução de vencimentos altíssimos (em vários casos superiores ao do PM). Qualquer destas medidas pode ser tomada, respeitando os parâmetros financeiros !
    – Havendo um serviço público a prestar, ele será melhor prestado por uma empresa pública do que por chineses, angolanos ou outros patos bravos.

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  42. litos335 permalink
    30 Agosto, 2012 17:34

    O princípio parece-me muito simples.
    – Atribuir à RTP cerca de 70 Milhões de Taxa Audio-visual, desonerando os contribuintes.
    – Não atribuir nem mais um cêntimo de Indemnizações Compensatórias e obrigar a RTP a um programa faseado de pagamento da Dívida bancária que tem (95 milhões). Afinal (pelas palavras do administrador) vai haver lucros !
    – O resto é irrelevante…. Venda da RTP1 ou da RTP2, ou encerramento da RT2, Madeira, Açores… para diminuir custos, ou encerramento de outros serviços dos 14 que mantêm; ou despedimento de pessoal, ou redução de vencimentos altíssimos (em vários casos superiores ao do PM). Qualquer destas medidas pode ser tomada, respeitando os parâmetros financeiros !
    – Havendo um serviço público a prestar, ele será melhor prestado por uma empresa pública do que por chineses, angolanos ou outros patos bravos.

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  43. 30 Agosto, 2012 21:05

    @ Bad Behavior —
    Mostras algum preconceito e uma subtil arrogância juvenil (risos) relativamente às opiniões dos mais velhos. Pelos teus parâmetros as pessoas com mais de cinquenta anos — como muitos comentadores deste blogue –, e Thomas Edison, Wintson Churchill, Da Vinci, Saramago, Mandela, e outros, já serão ineptos… Para ti “defender a RTP” é conservador, sendo “natural que muitos a queiram preservar nem que seja pela chatice que representa a mudança”. Talvez seja por isso que exista quem queira manter os Jerónimos no lugar, não substituir a Torre do Tombo por um condomínio privado ou trocar o Eça por lições de literatura “geek” via Youtube.
    Para ti, e memória e o passado contam pouco. Não paga dívidas. Falas na tecnologia: todo o equipamento da RTP daqui a cinco anos não vale nada… Como se a renovação e modernização de equipamentos acontecesse em bloco, num instante, quando – como deverias saber -, é um processo contínuo…
    Tentas depois demonstrar o “isolamento da RTP face ao resto da indústria”, uma vez que não se integra num conglomerado… No entanto, não enquadras a televisão pública no universo – vasto – em que se insere e para o qual até evoluiu recentemente com a inclusão das rádios também públicas…
    Dizes ainda que “A própria noção de “indústrias criativas” é estranha ao Estado e audiovisual português”. Neste caso tenho a dizer-te que o Estado não tem de se meter em “indústrias”, e ao que parece, os privados – segundo tu próprio afirmas – também não o fizeram. Mas aqui tens bom remédio: enquanto “privado” (que penso, sejas), podes empreender, investir, criar, e ser premiado com sucesso, se o conseguires merecer… Não reclames e, mãos à obra! Boa sorte para o teu Hollywood de Loulé… (risos)
    Referes a “demonstração de resultados da RTP”. Imagino que a tenhas lido, uma vez que até achas “excelente” que nos últimos dois anos tenha tido resultados positivos… Leste atravessado. Confessa!… Apenas ficas escandalizado por dois terços dos custos serem com salários. Ponderaste em relação ao histórico da empresa e rácios de congéneres?
    Tiras depois as tuas conclusões, as quais demonstram que tu próprio também não fazes a mínima ideia do que deve ser o serviço audiovisual do Estado.
    Referes os “desafios do audiovisual no século XXI” e enfatizas o carácter arcaico da RTP. Será que isso é evidente naquilo que interessa, ou seja, na programação e conteúdos? A TV do Estado mostra-se “envelhecida” face à concorrência? Creio que não. Estão todos no mesmo patamar de “pobreza”… Falas também da “convergência de conteúdos” e dás o exemplo dos conglomerados da América. É aí precisamente que assenta uma questão que o teu texto ignora por completo. O valor político da televisão pública face ao poder – cada vez maior – das grandes corporações. Eu, enquanto cidadão, não estou interessado em que a totalidade dos media esteja na mão de privados. Não quero ser intoxicado por manipulação orquestrada por interesses económicos livres de sufrágio democrático (apesar das cada vez maiores limitações de isenção desse “processo”…). As TVs privadas – na quase generalidade são más e estupidificam, não geram oásis de saber e crítica. São raras as excepções e mesmo essas sujeitas a controlo e preconceitos (vejam-se as dificuldades da “Al jazeera” nos EUA).
    Toda a tua argumentação assenta nas condicionantes do “modelo de negócio” do audiovisual “moderno”, ignorando em absoluto um aspecto importante, e no caso, crucial: a dimensão política, sociológica e de desenvolvimento humano, que tem feito manter públicas a generalidade das televisões europeias.

    P.S. – Enquanto escrevo, no telejornal da TVI, está a passar uma entrevista a uma actiz do “Morangos com Açucar”…

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