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Já produzimos mais do que consumimos!!!

7 Setembro, 2012
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Estamos a produzir menos, mas de forma mais sustentada, já que também consumimos muito menos. Algo que não acontecia desde os tempos da II Guerra, em que o volfrâmio impulsionou então o último excedente comercial que registámos.

Agora não temos volfrâmio nem guerra, mas temos a tão diabolizada austeridade que começa a mostrar os seus efeitos virtuosos. Foi ela que nos obrigou a racionalizar hábitos, a desistir de extravagâncias, a fazer melhores contas à vida.

Terminou o leasing da viatura? Óptimo, conclui o Silva, menos um encargo mensal, fica-se com ela pelo valor residual, que dura à vontade outros 3 anitos; mais a mais, agora utiliza-se menos, que combustíveis e portagens até queimam. Fins de semana na Pousada? Já eram. Talvez para o ano, se o cunhado emprestar o apartamento da praia, na ida ou no regresso de férias se vá almoçar a uma das que ainda falta conhecer. Ir ao restaurante com a família? Quiçá por alturas da Páscoa, se houver algum de sobra. Agora restaurantes, nem à semana, que aquele “investimento” que se fez nos tupperwares tem óptimo retorno. Leva-se o almocinho para o serviço cozinhado na véspera e, entre o casal, poupa-se à vontade 10 euritos por dia; já dá para financiar o aumento do passe dos miúdos e ainda sobra. E em boa hora a patroa se lembrou de fazer compotas ao fim de semana, que estão a sair muito bem por toda a vizinhança. Um dinheirito extra e sem impostos que dá um jeitaço, vai todo para o banco, que o emprego dela está por um fio, a construtora onde trabalha deve fechar portas nos próximos meses. Talvez seja de plantar mais algumas árvores de fruto no terreno da sogra na aldeia. Se a firma da patroa falir, há que fazer crescer o negócio da compota; portanto, tratemos desde já de garantir o acréscimo de fornecimento (quase) gratuito da matéria prima.

Os dramas abundam, sendo o desemprego o maior de todos, mas há muita gente a arregaçar as mangas e a tentar dar a volta como os Silvas. Há muitos hábitos/vícios consumistas que estão a ficar para trás, há muita gente a ansiar libertar-se dos leasings, rentings e de todas as “Cofidis” que lhe comem grande parte do rendimento mensal. De resto, não é necessário (excepto para ostentar perante o vizinho, mas ele também já anda a tinir) trocar de carro, mobília ou aparelhagem Hi-fi a cada 3 ou 4 anos ou trocar de vestimenta em cada estação. Quaisquer daqueles bens podem perfeitamente durar o dobro ou o triplo, sem que daí decorra uma perda substancial de qualidade de vida.

Ter uma vida mais austera não significa pois que se viva pior. E em termos macro, uma alteração neste sentido dos padrões de consumo irá obstar no futuro a que a procura interna cresça a ritmos superiores ao produto. E é desta forma que se criam as bases de um crescimento económico sustentado: consumir de acordo com as possibilidades e produzir algo que terceiros apreciem e paguem para ter, sejam compotas, sapatos ou outros bens e serviços transaccionáveis.

21 comentários leave one →
  1. PiErre permalink
    7 Setembro, 2012 18:01

    O LR entrou em delírio. Certamente que também viu o sol a dançar no cimo da azinheira.

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  2. 7 Setembro, 2012 18:06

    Pierre,
    .
    Não quer diagnosticar melhor os meus “delírios”?

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  3. 7 Setembro, 2012 18:20

    é, pois, e o Silva bem se pode preparar para reduzir o orçamento frigorífico pró Pingas Doces e outros artigos made in tugolândia:
    .
    vai ter de comer muito coelho à caçadores e se ainda há caçadores!…

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  4. Rui Baptista permalink
    7 Setembro, 2012 18:38

    Isto é uma roubalheira crescente por parte do estado e por aqui andam contentes? Oh pá, libertem-se desse trauma do CAA, ele agora está do outro lado, sejam o que eram. Ou estão com inveja?

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  5. 7 Setembro, 2012 18:44

    … agora ainda vai ser mais fácil concretizar o cenário idílico do “post”. Os portugueses acabam de saber que terão um “aumento” salarial de -10%! (a taxa social + inflação). Porreiro pá! — Desta maneira a crise vai à vida num instante….

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  6. JFP permalink
    7 Setembro, 2012 18:46

    “Ter uma vida mais austera não significa pois que se viva pior”
    Você é realmente um filósofo brilhante: ter uma vida mais austera, por significativos cortes externamente impostos no rendimento, não significa que se viva pior! Pois não. Significa viver melhor, todos o sabemos!
    Penso que se terá dado conta de que fez a festa, deitou os foguetes e apanhou as canas, ou seja, ficcionou a seu belo prazer e, para os desempregados, não arranjou melhor – num assomo de honestidade intelectual discutível – de que continuar a falar de troca de carros que, é obviamente o seu principal problema.

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  7. Francisco Colaço permalink
    7 Setembro, 2012 19:39

    JPF,
    .
    O país campeão dos suicídios não tem uma vida austera. E garanto-lhe que nunca ouvi em África de alguém que se tivesse suicidado, nos tempos em que lá trabalhei.
    .
    O JPF confunde consumo com consumismo. (Deve ser um capitalista — sinónimo aqui de lisboeta 🙂

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  8. piscoiso permalink
    7 Setembro, 2012 19:45

    As compotas da patroa são de quê?
    Se for de mirtilos a minha tia Assunta está interessada.

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  9. PiErre permalink
    7 Setembro, 2012 19:53

    “Pierre,
    .
    Não quer diagnosticar melhor os meus “delírios?”
    .
    Leia o seu próprio texto. Está lá tudo.

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  10. Fincapé permalink
    7 Setembro, 2012 20:08

    O planeta terá no futuro de ser mais austero. E terá de ser antes da sua destruição. Até aí, nada de mal. Mas tendo a genialidade humana, mais o papalvo consumidor (como uma que há dias dizia na TV que tinha 300 sapatos e 100 carteiras), criado uma economia de mercado obsceno que sustentava muitos empregos, onde encaixa LR os desempregados, como os dos restaurantes que, muito ficcionadamente, refere?
    Não teria assim de se reduzir o tempo de trabalho, dar as reformas mais cedo, etc.?

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  11. Sísifo permalink
    7 Setembro, 2012 21:06

    Que panilas!

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  12. JFP permalink
    7 Setembro, 2012 21:07

    Oh Colaço, afinal você é mesmo nabo!
    Onde é que confundi consumo com consumismo?

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  13. leitor permalink
    7 Setembro, 2012 21:20

    A única crítica ao “vivem acima das suas possibilidades” é o consumo mais exagerado de produtos importados, como carros, combustível, pcs, televisões, telemóveis, porque de facto fazem sair recursos importantes, que poderiam ser utilizados para criar emprego e distribuir riqueza em Portugal.

    A produção de compota aí colocada ao pontapé como empreendedorismo é ridículo. Muito bem, se a sua mulher fizer umas compotas porreiras força para as vender, mas não pode estar à espera que os portugueses tenham arranjar um biscaite para fazer mais dinheiro.

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  14. Pedro permalink
    7 Setembro, 2012 22:29

    Este post é ridículo. Eu há anos que não tenho pópó, levo a marmita de casa e não gasto mais do que ganho, sacrificando certos luxos para sempre amealhar. E agora que direito têm uns fdp de me roubar com o argumento de que é hora de todos mudarmos de vida?? Ide mas é para a pqp! Peço desculpa aos outros leitores mas vivemos tempos em que temos de dizer basta!

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  15. Portela Menos 1 permalink
    7 Setembro, 2012 23:04

    vá lá, 13 comentários e tem 1 a favor e num blog liberal! é obra.

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  16. 7 Setembro, 2012 23:19

    @ Portela Menos 1 — Liberal? Pensava que era anarquista!

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  17. Feio Porco e Mau permalink
    8 Setembro, 2012 08:12

    Eu tenho micro-ondas, comprei um carro a crédito, e às vezes vou de férias para o Algarve.

    A culpa da crise é minha, que vivo acima das minhas possibilidades.

    Peço desculpa a todos os portugueses.

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  18. Fernando S permalink
    8 Setembro, 2012 15:36

    Excelente post !

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  19. Patrício permalink
    9 Setembro, 2012 07:18

    A contração do consumo contribui mais que a sustentabilidade da produção. No fina desta pilhagem isto será ainda mais verdade

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  20. joão viegas permalink
    9 Setembro, 2012 17:39

    Pois. Se o autor deste lamentavel post tivesse utilizado os minutos que levou a escrevê-lo, para ajudar a sua patroa a fazer compotas, não so teria contribuido para a humilde felicidade do seu lar, como teria dado um contributo substancial para termos uma ideia mais elevada da civilização…

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