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Pérolas – uma causa fracturante

24 Maio, 2013

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Pérolas. Uma dádiva da natureza ou a exploração de mergulhadores? Mulheres e homens, sujeitos a condições sub-humanas (e marinas), mergulhando por 90 ou 120 segundos sob permanente risco de morte para mero deleite de ricos burgueses capitalistas do mundo ocidental… E destes, quem fala destes mártires do capitalismo?

O que torna uma sociedade vulnerável a este mercado neoliberal, a esta economia de casino e à exploração do homem pelo homem, vendendo a dignidade de uns pela vaidade de outros?

Toda a gente conhece os perigos da exploração do homem pelo homem, nas Chinas e Bangladesheses deste mundo. Pessoas exploradas por T-Shirts com o Che Guevara estampado, com as mãozinhas em risco de deformação irremediável, síndrome do túnel carpal ou pior, espondilose de arrozal; gente que recebe indignamente, oprimida por maleitas que empestam este universo em que a dignidade de uns é prostituída por uma míngua de pão ázimo ou 200 dólares por mês. Ou algo assim.

Dos mergulhadores das pérolas, sujeitos a terríveis condições de trabalho, talvez inconstitucionais, morrendo nos países capitalistas como a Austrália, sem sindicato, sem apoio jurídico-constitucional, disso ninguém fala. Este flagelo, que tanto assola mergulhadores hetero- com homossexuais, esta vergonha colonialista, imperialista, redutora aos padrões hegemónicos ocidentais, é um pacto de agressão imposto por este sistema capitalista com fim anunciado.

É preciso combater esta iniquidade. Revolta-te, camarada. Diz não às pérolas.

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49 comentários leave one →
  1. Fincapé permalink
    24 Maio, 2013 22:03

    A Raquel pregou-lhe uma grande partida, Vítor. Então, acha que aquilo são pérolas verdadeiras, daquelas de nácar?
    E acha mesmo que a Raquel precisa de pérolas verdadeiras?

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    • vitorcunha permalink*
      24 Maio, 2013 22:05

      Raquel? Ah, a imagem? Não sei, apenas procurei uma imagem de uma mulher bonita, burguesa, com pérolas.

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      • Fincapé permalink
        24 Maio, 2013 22:11

        Então, se fez essa pesquisa, porque pôs pérolas de fantasia?
        Digo eu, que de pérolas só sei que resultam da defesa de certos moluscos contra micro-invasores.
        Já quanto à mulher bonita, acertou. Aguardo os moralistas do costume.

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      • oberon permalink
        24 Maio, 2013 23:52

        a estratégia da aranha, e aqui o fincapé caiu que nem uma mosquinha

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      • Fincapé permalink
        25 Maio, 2013 00:05

        Tem a certeza que caí, Oberon? 😉

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      • Fincapé permalink
        25 Maio, 2013 00:07

        Tome lá esta… com nome.
        http://www.sitiodolivro.pt/pt/autor/raquel-varela/38223/

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      • Pois permalink
        25 Maio, 2013 11:33

        Este blog mudou muito e não me parece que fosse para melhor…. Agora temos uma senhora “burguesa” criticada por usar um colar… Que podia ser de semi-preciosas (ui), de ouro (ui, ui), de diamantes (ui, ui, ui) ou talvez de plástico, que assim já não era “burguesa”

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      • RCAS permalink
        25 Maio, 2013 17:04

        Victor , porque hão-de os mergulhadores venderem as perolas ao preço da chuva , mesmo sabendo que aquilo há-de valer milhões? porque hão-de os pescadores venderem na lota os carapaus por um euro, para você e eu os comprarmos a 5 euros? etc etc.etc. Porque não se organizam para que haja mais justiça do suor do seu trabalho?

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      • vitorcunha permalink*
        25 Maio, 2013 17:06

        É oferta e procura. Os preços das coisas são balanceados dessa forma, por muitas distorções que os estados criem.

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      • Fincapé permalink
        25 Maio, 2013 18:07

        Acima, falava-se de anjos. Eis que encontro aqui o anjo Vítor Cunha que pensa que existe oferta e procura, de acordo com a chamada lei. O que existe é um sistema que impede na base qualquer possibilidade de inclusão do valor do trabalho justo. Grande parte das matérias primas surgem nessas condições. Depois chegam a uma bolsa, seja em Nova Iorque seja noutro lado, e há uns jogadores que fazem de conta que tudo se trata de oferta e procura. Alguns Estados, por vezes, tentam evitar essas distorções, só que dificilmente conseguem.

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      • vitorcunha permalink*
        25 Maio, 2013 18:20

        O que é o “valor do trabalho justo”? Sei lá: quanto vale um estudo da Raquel Varela?

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      • Fincapé permalink
        25 Maio, 2013 18:33

        O valor do trabalho justo não sei bem o que é. Mas sei o que não é. Não é um produto sair das mãos de trabalhadores a cêntimos e chegar ao “mercado” a dezenas de euros, ou muito mais, sem lhe ter sido acrescentado nada.
        Aqui, um exemplo de outro tipo de “mercado justo”, acabadinho de decidir por uma organização americana. Este é o dos medicamentos e da vida privada dos cidadãos. Vinha na primeira página do Expresso.
        http://www.dn.pt/especiais/interior.aspx?content_id=3239202&especial=Revistas%20de%20Imprensa&seccao=TV%20e%20MEDIA

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      • vitorcunha permalink*
        25 Maio, 2013 18:37

        O problema então é o lucro ou a própria existência do intermediário? Em qualquer dos casos, se uma alface passar a custar 0,01€ e um Porsche 400€, donde vem o dinheiro para os hospitais?

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      • Fincapé permalink
        25 Maio, 2013 18:40

        Ah! Sobre a Raquel. Então, apesar de continuar a considerar que ela não atuou da melhor forma, não quer saber que já lhe dou alguma razão? Porquê? Porque a direita diz-se de valores como a verdade, a educação tradicionalista, o rigor, a seriedade e agora vejo, perante a dúvida ou mesmo factos sobre a atividade do criativo empresário do Prós e Contras, essa mesma direita a bajulá-lo como um herói à moda antiga. Está igual ao que critica à esquerda. 😉

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      • vitorcunha permalink*
        25 Maio, 2013 18:48

        Eu sei que esperava que um rapaz de 16 anos já tivesse montado uma grande praça industrial, que não importasse, fabricasse tudo, até as ovelhas para tosquiar, manualmente, sem maquinaria alemã. Empregaria centenas de designers e analistas de mercado, uns filósofos e costureiras (m/f), marketeiros e relações públicas, gente que o prepararia para uma intervenção mais bondosa quando confrontado com investigadores subsidiados do trabalho no gulag.

        Assim poder-se-ia taxar o rapaz o suficiente para se mudar para a Irlanda e agora poderíamos estar aqui a dizer mal do tipo que não faz nada pela vida dos compatriotas.

        Como no A Vida de Brian: “que é que os romanos fizeram por nós”?

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      • Fincapé permalink
        25 Maio, 2013 18:47

        O problema não é o lucro. É a exploração dos que trabalham. Os intermediários poderão ser um problema ou não. Ninguém produz uma alface por um cêntimo, porque só a água da rega custará muito mais do que isso. O Porshe até poderia vir para 440 euros que o meu interesse seria igual. Isto é não seria. Mas reconheço que tem tecnologia, material e trabalho para mais do que esse valor. Logo, continuaria a haver dinheiro para os hospitais. 😉

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      • Fincapé permalink
        25 Maio, 2013 19:01

        Falácia “desvio da questão”. 🙂
        Não falei naquilo que o rapaz faz que, sinceramente nem me interessa. Falei no que ele disse sobre o seu trabalho, as empresas portuguesas que o fazem, contribuindo para o emprego, e a felicidade que estas lindas inverdades deram à direita.

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      • Fincapé permalink
        25 Maio, 2013 19:02

        Falhou desta vez uma vírgula, fora as outras… vezes.

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      • vitorcunha permalink*
        25 Maio, 2013 19:05

        O Fincapé começou a criticar a gramática. Bom, bom! Daqui a dois ou três posts poderá ser o meu relógio.

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      • Fincapé permalink
        25 Maio, 2013 19:22

        Vitor, desculpe lá. A falta de vírgula era minha a seguir a “sinceramente” no penúltimo comentário.
        ——-
        Olhe, estava ao mesmo tempo a comentar noutro lado (FB) sobre o mercado da Monsanto. E tinha também estado a pensar nos proprietários dos meus genes que fizeram a mastectomia à Angelina. Que mercadão, heim! 🙂

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      • Fincapé permalink
        25 Maio, 2013 20:03

        Esta é gira. Fiz autocrítica e o Vítor amuou.
        Lá ficou o meu direito individual à autocrítica severamente reprimido por um liberal. 🙂

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      • vitorcunha permalink*
        25 Maio, 2013 20:11

        Eheheheheheheh! O VC (discurso na 3ª pessoa, à Jardel) nunca amua.

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      • deluci permalink
        26 Maio, 2013 17:18

        bonita, efetivamente, boa a escolha, Vítor, que se não são pérolas, mesmo, essas, Racquel as faz verdadeiras …

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    • 24 Maio, 2013 22:40

      São falsas. São feitas no Vietname, por trabalhadores explorados que ganham 1 dólar por dia.

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      • Fincapé permalink
        24 Maio, 2013 22:55

        Talvez sejam feitas nalguma fábrica do empresário Martim. 😉

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  2. 24 Maio, 2013 22:04

    Bem visto, sim senhor!

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  3. Grunho permalink
    24 Maio, 2013 22:11

    À falta de argumentos sempre vais fazendo figura de parvo.

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    • Joaquim Amado Lopes permalink
      24 Maio, 2013 22:46

      À falta de capacidade para aceitar ideias diferentes das suas, recusa-se a ouvir os argumentos dos outros e, principalmente quando a falta de senso das suas “ideias” se torna por demais evidente, vai fazendo figura de parvo ao acusar os outros de não terem argumentos.

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  4. DNO permalink
    24 Maio, 2013 22:19

    Para mim pérolas, marcham mesmo as de fantasia desde que sejam bonitas!

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    • vitorcunha permalink*
      24 Maio, 2013 22:20

      De fantasia podem ser feitas na China.

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      • DNO permalink
        24 Maio, 2013 22:24

        Não me tinha ocorrido essa hipótese… 😦

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  5. 24 Maio, 2013 22:33

    nem era preciso pegar nas pérolas , que se calhar são de cultura , bastava a maquilhagem e pinturas … a maior parte das multinacionais de betume ,que a senhora parece usar bastante , deslocalizou-se para a india e china 🙂 ,

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  6. Portela Menos 1 permalink
    24 Maio, 2013 22:44

    os dois últimos posts de vcunha fazem parte de algum tirocínio para um emprego na imprensa-cor-de-rosa 🙂

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  7. james permalink
    24 Maio, 2013 22:52

    Discípulo: Sábio Mestre, poderia
    ensinar-me a diferença entre a
    pérola e a mulher ?
    MESTRE: A diferença, humilde
    gafanhoto, é que numa pérola pode-
    se enfiar por dois lados, enquanto
    numa mulher somente por um lado.
    Discípulo (um tanto confuso): Mas
    Mestre, longe de mim contradizer
    vossa himalaia sabedoria, mas ouvi
    dizer que certas mulheres permitem
    ser enfiadas pelos dois lados!
    MESTRE (com um fino sorriso): Nesse
    caso, curioso gafanhoto, não se trata
    de uma mulher, mas sim de uma
    pérola.

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  8. Winston C permalink
    24 Maio, 2013 22:56

    Eu sou dos que raramente comenta mas, depois de ler, não podia deixar de lhe dizer, Vitor, que este texto sim, é uma pérola. Parabéns !

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  9. zezito permalink
    24 Maio, 2013 23:00

    A linda e elegantíssima écharpe branca (será de seda?…) que a senhora Dona Raquel Varela usava em redor do pescoço, não teria sido fabricada na China ou no BanglaDesh, por trabalhadores com salários de miséria, muitíssimo abaixo do salário mínimo nacional?
    A esta pergunta, a Madame Raquel Varela respondeu :

    “É de seda e fabricada em França. Compreia-a porque nem eu nem quem a fabricou ganha o ordenado mínimo. É sempre possível nivelar por baixo ou por cima. Chama-se escolher.”

    Assim que temos de concluir:
    – a lindíssima écharpe que tornava glamourosa a Madame Raquel Varela deve ter sido comprada em Paris, onde costuma ir às compras;
    – a alva écharpe pode ter sido comprada em França, mas o tecido, isto é a seda, é muito provável que tenha sido manufacturada na China, na Ìndia ou no Bangladesh, onde os trabalhadores da indústria têxtil auferem salários de miséria.

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  10. 24 Maio, 2013 23:03

    Ai, ai. A Raquel deu a volta ao Vitor

    e cuide-se
    Camões – Sete anos de pastor Jacob servia

    Sete anos de pastor Jacob servia
    Labão, pai de Raquel, serrana bela;
    Mas não servia ao pai, servia a ela,
    E a ela só por prémio pretendia.

    Os dias, na esperança de um só dia,
    Passava, contentando-se com vê-la;
    Porém o pai, usando de cautela,
    Em lugar de Raquel lhe dava Lia.

    Vendo o triste pastor que com enganos
    Lhe fora assi negada a sua pastora,
    Como se a não tivera merecida;

    Começa de servir outros sete anos,
    Dizendo: – Mais servira, se não fora
    Para tão longo amor tão curta a vida!

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  11. Luis Moreira permalink
    24 Maio, 2013 23:07

    Que importa o trabalho escravo se compramos uns jeans por cinco euros?http://bandalargablogue.blogs.sapo.pt/383452.html

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  12. javitudo permalink
    24 Maio, 2013 23:17

    “É preciso combater esta iniquidade. Revolta-te, camarada. Diz não às pérolas”.

    Digo não às pérolas, digo sim à raquel, camarada é que nunca serei.

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  13. tric permalink
    24 Maio, 2013 23:44

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  14. tric permalink
    24 Maio, 2013 23:59

    “A guerra da Síria – aliás, a guerra imposta à Síria – revelou a que ponto o chamado Ocidente abdicou da velha autoridade moral e civilizacional que arremessava a qualquer adversário.”-Combustões
    .

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  15. Basílio Lourenço permalink
    25 Maio, 2013 01:11

    A maioria das pérolas que chegam ao mercado não são apanhadas por mergulhadores… já lá vai o tempo. Hoje o processo é industrial para garantir a procura do mercado. centenas de viveiros onde as ditas aguardam que lhes depositem um grão de areia. mas acho que sim. Abaixo as pérolas, onde é que já se viu explorar as ostras… Aproveito para recordar o grande número de agricultores que morrem ao manobrar os tractores, nos seus campos. Acho que aqui em Portugal é um por semana e tanto quanto sei também se sentem explorados. O problema é que lá se ia o pãozinho da mesa.

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  16. tric permalink
    25 Maio, 2013 04:00

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  17. 25 Maio, 2013 09:29

    Quanto às pérolas,
    só sei que não se devem dar a porcos.

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    • zezito permalink
      25 Maio, 2013 13:25

      logo, não ofereçam pérolas ao Piscoiso…

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      • 25 Maio, 2013 13:54

        Na verdade prefiro as ostras às pérolas.
        Quanto ao zezito, deve estar a pedir para lhe mudarem a fralda.

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  18. J. Madeira permalink
    25 Maio, 2013 16:47

    Não é preciso ir tão longe! Porque não falar dos apanhadores de ameijoa, nos
    nossos rios? Resumindo; conversa da treta!!!

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