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SuRurU suave (e tardio)

31 Maio, 2013

É bastante estranho este choradinho de 100 «personalidades» portuenses em favor de uma reinvidicação camarária face ao governo central.

Veja-se que o que está em causa é um «dívida» de 2,4 milhões do governo a uma empresa pública detida a 60% por este.  Evidentemente, no manifesto hoje publicado em alguns jornais, não se refere que andou o governo a gozar com a cãmara e com os administradores daquela sociedade desde que tomou posse há 2 anos, sem que os agora subscritores e principalmente a CMP tenham alguma vez tomado posição firme sobre a maneira como eram tratados.

Mas a questão de fundo até  é mais séria. Este tipo de empresas públicas, as SRU’s é algo que nunca devia ter sido sequer criado e cuja existência é bem o espelho do socialismo e intervencionismo reinante. São entidades de «capitais públicos», isto é constituidas com o dinheiro dos contribuintes, dotadas de poderes especiais e pelas quais se pretendem alcançar objectivos políticos. A dotação de poderes especiais e de excepção contitui um pequeno estado dentro do estado. Daí haver tanta disputa sobre as mesmas. Por seu intermédio passam a existir, de um lado,  as leis gerais e respectiva burocracia que qualquer cidadão tem de amargar para atingir os seus objectivos gerais e do outro, as leis da SRU em benefício de quem conseguir as suas boas graças.

Que tanta gente, com valor, tenha assinado petição mais mixuruca é verdadeiramente de espantar. Se a CMP não está satisfeita com o desempenho do seu sócio (governo central) na sociedade tem 3 formas simples de o resolver: vai para tribunal, adquire a quota do seu parceiro, dissolve ou invoca a falência da sru.

Que tais personalidades se tenham unido para motivo tão comezinho e menor é triste sinal dos tempos. Não lhes ocorreu defender os interesses da região exigindo a regionalização político/administrativa prevista na CRP. Nem que a estrutura-âncora da região como é o aeroporto fosse vendida autonomamente e não em pacote centralizado. E mantiveram-se estes anos todos inertes face ao facto de não existir ligação ferroviária decente entre Campanhã/Aeroporto/Vigo, unindo todo o eixo responsável pela maior parte das exportações nacionais.  Alguns dos signatários ficaram muito contentes quando um ministro do governo central anunciou há dias que a viagem  ferroviária de 150 km entre Porto/Vigo vai deixar de demorar 3h30 e passar para apenas duas. Uau! Tanta velocidade e rapidez  é capaz de despentear quem for á janela….

É mesmo essa coisa sinistra e lamentável da SRU que une tanta gente? Não faz sentido nenhum. Acham mesmo que sem ela não haveria empresários e investidores a recuperar edificios no centro histórico? Depois do silêncio e conivência face a tanto centralismo por parte da esmagadora maioria dos signatários, mexerem-se por causa disto…Devem estar a brincar.

18 comentários leave one →
  1. 31 Maio, 2013 16:22

    …Indícios crescentes e cada vez mais impositivos de alguns portuenses quererem uma rápida SECESSÃO em relação “a Lisboa”…
    (Ironia minha).

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    • licas permalink
      31 Maio, 2013 19:53

      Se aspirarem os Galegos Sulistas a desmembrar o País
      em Províncias-Estados é só pedir aos partidos das Causas Fraturantes
      para irem prá frente, camaradas.
      AGORA, não nos andem a chatear a cabeça, bolas!

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  2. Filipe permalink
    31 Maio, 2013 16:37

    Bom post GS

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  3. XisPto permalink
    31 Maio, 2013 16:46

    Na mouche. Admiro a sua contenção. As SRU são verdadeiras mafias juntando o pior que há nos partidos, câmaras e construtoras amigas, dotadas de poderes excepcionais de extorsão da propriedade alheia. O Estado com a legslação sobre arrendamento degradou as cidades e agora propõe-se recupera-las como se os proprietários fosses idiotas.

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  4. lucklucky permalink
    31 Maio, 2013 17:06

    “É mesmo essa coisa sinistra e lamentável da SRU que une tanta gente? Não faz sentido nenhum.”

    Talvez faça se for ver quem ganha com ela.

    Boa ironia MJRB, o regionalismo tal como o europeísmo – é só uma questão de escala- foi sempre isto: mais dinheiro do centro.

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    • 31 Maio, 2013 17:59

      Dinheiro ! Dinheiro especial-para, euros ou (novamente) escudos, tanto faz !…
      A reivindicada Regionalização “do Norte”, protagonizada tacitamente principalmente por alguns –repito, alguns– políticos, proto-políticos, comentadores, jornalistas, sub-CEO’s, etc, não é debatida, curiosamente e publicamente, por efectivas personalidades do Porto, sejam políticos, analistas, jornalistas, intelectuais, CEO’s, etc. Deixam a discussão para a raia miúda, para concluirem “se pega”…
      Sabem bem que o Norte é bem diferente do Porto e da Área Metropolitana do Porto…E que o Norte (tal como “o Centro” e “o Sul”) não foram regionalmente consultados pelos promotores da “secessão”, inseridos numa discussão, nem sequer indiciaram consubstanciadas e desejadas regionalizações de Aveiro para baixo…
      ————————————-
      N : gosto muito do Norte e do Porto-cidade.
      Reconheço que parte do Norte (tal como outras regiões do país) têm sido ostracizadas e não devidamente entendidas e apoiadas pelos governos, antes(!) e depois de 25 de Abril.

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  5. 31 Maio, 2013 17:07

    Perfeito. Ando há anos a dizer que a ligação Porto/Vigo é absolutamente prioritária em linha de alta velocidade, e até vivo em Lisboa. Revoltem-se e para começar abandonem todos os campeonatos nacionais seja em que modalidade for.

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    • 31 Maio, 2013 17:44

      Quanto a campeonatos “a coisa” fia também fino, porque recordo-me que em 2011 uma equipa portuense (não confundir formada só com portistas) ganhou o campeonato Nacional de matraquilhos…
      Porra !, o SLBenfica (com o maravilhoso duo Vieira-Jesus) para vencer campeonatos precisa que o FCP “abandone todos os campenatos nacionais seja em que modalidade for” ?

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  6. Vivendi permalink
    31 Maio, 2013 17:30

    Muito bom post!

    O norte anda mesmo sem norte.

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  7. eramasfoice permalink
    31 Maio, 2013 17:35

    Lisboa teve muitas srus e uma superhipermegasru, a expo 98. Que se recupere meia dúzia de casinhas ao pé da estação de S. Bento, com essa enorme dívida de 2, 4 milhões – foda-se, gabriel, quanto é que estoirou a gebalis em viagens, almoços e prendas?! – incomoda os cromos do menino luisinho. Quero que o meneses vá comer broa de avintes e chorar a sua monguice no ombro do marco antónio e que deixe o Porto em paz.

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  8. eramasfoice permalink
    31 Maio, 2013 17:37

    Liberal, liberal deve ser fechar a rotunda da Boavista ao trânsito, como quer aquele médico que nunca trabalhou.

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  9. JFP permalink
    31 Maio, 2013 18:05

    Considero o post absolutamente mixuruca, como mixurucas (não vale a pena chamar-lhes outra coisa) são as ditas 3 formas simples de pseudo-resolver o problema.

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  10. Fincapé permalink
    31 Maio, 2013 18:41

    Diz Gabriel Silva:
    – As SRU* são “… algo que nunca devia ter sido sequer criado e cuja existência é bem o espelho do socialismo e intervencionismo reinante”.
    ——–
    Portanto, GS não gosta de socialismo. Mas, já agora, quer:
    – A regionalização (não tenho opinião definida, mas votei contra no referendo por excesso de regiões num país que, pelo seu tamanho, é uma região);
    – Uma ligação ferroviária decente entre Campanhã/Aeroporto/Vigo, com velocidades altas.
    ———
    Como alguém teria de pagar estas duas despesas, seria o “socialismo” ou entidades privadas?
    ———
    PS: Claro que concordo com uma boa ligação ferroviária paga pelo Estado, mas eu não sou liberal.
    ——–
    GS pluraliza a sigla – ainda por cima com apóstrofe – o que não está correto.

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  11. 31 Maio, 2013 18:56

    Ontem, Augusto Mateus demonstrou A+B que bastante dinheiro vindo de Bruxelas foi mal e abusivamente gasto por governantes tugas — ministros, secretários de estado, sutarcas, etc. E neste etc. estão também vastas clientelas partidárias e empresários-snguessugas a partir de partidos políticos.

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  12. Zé da Póvoa permalink
    31 Maio, 2013 19:49

    A SRU do Porto foi muito importante para ajudar Rui Rio e o PSD/CDS a ganhar a Câmara e para pagar ordenados principescos aos boys dos dois partidos. Agora que essa finalidade parece ter-se esfumado: “que se lixe a SRU”!

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  13. Tiro ao Alvo permalink
    2 Junho, 2013 12:34

    O que não há dúvida que é necessário reconstruir/recuperar os centros das cidades antigas, investindo muito mais na recuperação dos imóveis existentes do que na construção de novos, de raiz. Se os SRU cumprem com eficácia a função de dinamizar esses investimentos (que devem ser privados), contabilizem-se esses prejuízos como despesa pública, que é despesa boa; se não conseguem atingir aqueles objectivos, fechem-se-lhes as portas.
    O que se não deve fazer é canalizar sempre todos esses dinheiros públicos para Lisboa, abandonando a Capital do Norte à sua sorte (triste), como tem acontecido, desde há muito. O resto são tretas.
    Porque nisto, é como diz o povo, ou há moralidade, ou comem todos…

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