tom sharpe
Em tempos sombrios, ter um livro de Tom Sharpe à cabeceira é um alívio. Sharpe foi um dos novelistas mais talentosos do século XX, que apenas não teve o reconhecimento público e das academias, por se ter especializado num género literário considerado «menor», embora provavelmente o mais exigente de todos: o humor e a ironia. Um humor negro, polvilhado de personagens exóticas, mas sempre humanas, demasiadamente humanas até: professores de subúrbio com psicoses matrimoniais homicidas, balzaquianas ninfomaníacas incompreendidas por maridos lascivos, retardados mentais cheios de ímpeto empreendedor, políticos conservadores e moralistas sadomasoquistas, gente sem escrúpulos mas com enorme sucesso, famílias aristocráticas do country inglês alegremente arruinadas, a quem os insondáveis desígnios da vida e da estupidez humana recuperam para destinos gloriosos, inocentes corrompidos pelas fatalidades da vida, etc. Sharpe morreu, ontem, aos 85 anos e deixou-nos uma obra preciosa de mais de catorze novelas, editadas, em Portugal, pela Editorial Teorema. É ir lê-las, ou relê-las, a todas.

Não sabia do óbito.
Aconselho vivamente o “Wilt”, o primeiro de uma série de 3 suponho.
Dá para rir mesmo e de algum modo conseguimo-nos identificar com a sociedade que ele caricatura.
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«… retardados mentais cheios de ímpeto empreendedor, políticos conservadores e moralistas sadomasoquistas, gente sem escrúpulos mas com enorme sucesso…»
Um quase retrato do actual governo e das «cliques» que os vão suportando…
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Se fosse o quase retrato, só e apenas, do actual Governo, acho que seria muito fácil de suportar! A questão é que é o retrato fiel de um monte de gente a quem demos abrigo ao longo destes anos, votando neles!
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A semana está bera. Jack Vance também se foi.
(Quem gostar de antropologia especulativa com uma dose de humor sardónico pode ler-lhe os livros – ainda não fizeram filmes.)
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