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“Hey! Teachers! Leave them kids alone!” – ou regresso aos anos 70.

18 Junho, 2013
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Algumas pessoas ainda se recordam do impacto que teve a apresentação do trabalho “The Wall”, dos Pink Floyd, no já longínquo ano de 1979. Muito embora seja difícil comparar este trabalho, em termos musicais, com outros trabalhos do grupo, ressaltou parte da letra de uma das músicas:
“We don’t need no education
We dont need no thought control
No dark sarcasm in the classroom
Teachers leave them kids alone
Hey! Teachers! Leave them kids alone!”
Recordamos este texto, o qual pode ser importante para compreendermos como chegámos até ao ponto em que nos encontramos presentemente (acrescentando que, pela minha parte, ignoro se as excelentes capacidades musicais dos então membros dos Pink Floyd tiveram algum contributo por parte de professores de música).
O que vejo em Portugal, por estes dias, não será propriamente nenhum “dark sarcasm”, antes serão professores empenhados em transmitir conhecimentos aos seus alunos, e vejo ainda jovens altamente capazes e interessados em aprender.
As instituições académicas têm, entre as suas funções, a de conceder títulos/certificados, muitos dos quais dão acesso a graus mais avançados do ensino, ou mesmo a carreiras profissionais. É importante ter conhecimentos e competências, mas tal de pouco servirá, em muitos casos, se não existir uma entidade credível que ateste isso mesmo. Daí a importância das avaliações académicas, incluindo os exames.
A geração de portugueses que frequenta presentemente o sistema de ensino não tem um futuro próximo muito risonho à sua frente – todos sabemos disso. Os títulos académicos, cuja importância e cujo reconhecimento internacional aumentaram acentuadamente nos últimos anos, representam uma importante mais-valia – não apenas para o mercado de trabalho no nosso país, como fora.
Pelo meu lado, sou de opinião que o ajustamento do número de professores ao número (decrescente) de alunos, bem como o ajustamento da massa salarial dos professores à situação financeira de Portugal, se não forem levados a cabo pelo atual Governo, serão efetuados pelo(s) seguinte(s). Também o fenómeno do aumento da globalização, com a “explosão” económica e geopolítica do continente asiático, não estará, ao que tudo indica, em vias de voltar para trás.
Neste contexto, a greve dos professores, afectando os exames, apresenta-se como uma iniciativa com algumas reminiscências à década de 1970 – antes da globalização atingir o seu actual grau de desenvolvimento. Em vez de colher os frutos do trabalho de um ano lectivo, seja de alunos, seja de professores, o atraso e perturbação do processo de exames poderá ser prejudicial aos interesses, em particular, dos estudantes.
Reconhecendo a importância do direito à greve e da existência de sindicatos, pela minha parte sou de opinião que uma greve envolvendo os exames é contrária à essência da adequada relação entre professores e estudantes. Em suma, uma greve de professores, a ter lugar, deveria ocorrer numa outra fase de um ano lectivo, e não no seu final – de forma a ter um cariz sobretudo simbólico e permitindo a recuperação do tempo perdido.
No que respeita à iniciativa do Governo (surgida, note-se, após dois anos em funções), de aumentar o horário de trabalho dos funcionários, de 35 para 40 horas, se compreendemos as suas razões, podemos mesmo assim dizer que é uma medida que imediatamente se apresentou como potencialmente geradora de conflitos, quer no plano laboral, quer no jurídico. Uma alternativa mais simples, aliás à semelhança do que ocorreu com a idade de reforma, consistiria no aumento gradual do número de horas de trabalho, por exemplo à razão de uma hora adicional por ano (ou por semestre).
Ao contrário do espírito de Platão ao escrever a sua “República”, aqui existe uma Constituição, um Tribunal Constitucional, sindicatos, enfim, de uma forma geral outras pessoas, levando a que a política deva ser encarada, para ser eficaz na sua acção, cada vez mais como a “arte do possível”.
José Pedro Lopes Nunes

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