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Meio cheio/meio vazio…*

28 Junho, 2013
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Claro está, o ponto fulcral de tudo isto residirá, sempre, no critério de avaliação daquilo que a “rua” diz!  E aqui, como sempre e a propósito da greve geral de ontem, o país desdobrou-se em dois: para uns (sindicatos) a adesão foi devastadora (incluindo no sector privado); para outros, o país, realmente, não parou…

(texto na íntegra, em Ler Mais)

 

Os dias têm sido quentes, infirmando – pelo menos, por agora – algumas previsões meteorológicas que nos antecipavam um Verão atípico, mesmo frio. A vida política, por seu turno, por muito sobreaquecida que seja, não parece, previsivelmente, vir a sofrer grandes alterações, nos próximos tempos. Com (ou sem) greve geral, o facto é que o Governo e a “troika”, não modificarão, em princípio e no essencial, o rumo que têm seguido. As atenções, nos próximos tempos e em termos de comunicação social, deverão voltar-se, cada vez mais, para as “autárquicas” de 29 de Setembro. Estas eleições – as primeiras pós-chegada da “troika” – poderão assemelhar-se, em termos de efeito político, às greves gerais e às reivindicações e manifestações de mal-estar que o país tem exprimido. Ou seja, deverão, previsivelmente, passar ao lado do Governo, cujo Primeiro-Ministro, de resto, já disse, alto e em bom som, não só que não governava em função de sondagens, como “que se lixem as eleições”. E, na realidade, formalmente, terá razão. Uma coisa serão (repito, formalmente) as eleições autárquicas e a legitimidade político-local, outra coisa diferente, as “legislativas” e a legitimidade democrática-representativa da governação nacional. No entanto, as coisas terão que ser vistas menos linearmente. Como tudo na vida, não há regra sem exceção. Algumas observações justificam-se, então, a este respeito.

Assim, a proclamação de não se governar em função de eleições, sendo, em princípio, muito meritória e um sinal de independência, tem, contudo que ser matizada, senão mesmo limitada. Esquecemo-nos, frequentemente, que a democracia é, em primeiro lugar, uma permanente busca de consenso – lembram-se? É a tal palavra que, com a chegada de Poiares Maduro ao Governo, passou a fazer parte, oficialmente, da narrativa deste, através, nomeadamente, daquele novel Ministro. A regra da maioria deverá ser uma regra subsidiária e de desempate. O que significa que nenhum governo poderá, materialmente, exercer o respetivo mandato político, sem juntar à legitimidade formal, uma base mínima e permanente de aceitação (ou tolerância) real, sociológica, da maioria da população. Por isso, no limite, “ralarmo-nos para as eleições” (quaisquer que sejam), poderá ser perigoso e um pau de dois bicos! Uma coisa é governar-se “na rua”; outra, é governar-se, por princípio, com indiferença pela “rua”, senão mesmo, contra esta.

Claro está, o ponto fulcral de tudo isto residirá, sempre, no critério de avaliação daquilo que a “rua” diz!  E aqui, como sempre e a propósito da greve geral de ontem, o país desdobrou-se em dois: para uns (sindicatos) a adesão foi devastadora (incluindo no sector privado); para outros, o país, realmente, não parou…

* Grande Porto, semanário, 28.06.2013

11 comentários leave one →
  1. MSM permalink
    28 Junho, 2013 20:12

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  2. 28 Junho, 2013 21:47

    PMF,

    EU tenho a certesa que parou e por uma razão simples: A quadrilha e os seus apanigoados nem piam, como não piaram na luta dos professores. Fossem os resultados outros e ninguem os calava.
    A talhe de foice deixe-me colocar aqui um reparo. Um destes dias a policia sai-lge o tiro pela colatera num beco qualquer…já reparou que são só habilidades sobre habilidades ??? Um dia…

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    • licas permalink
      29 Junho, 2013 13:48

      Quando será que Bolota aprende a escrever português sem erros?

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  3. Alvar permalink
    28 Junho, 2013 23:44

    “…o facto é que o Governo e a “troika”, não modificarão, em princípio e no essencial, o rumo que têm seguido.”

    Serei o único que denota um prazer sádico nesta frase?

    Costumo acompanhar este blog e fico pasmado com a hipocrisia que por aqui corre.

    Discute-se muito. Discussões e textos de alto nível. Com muita prosopopeia. Mas quando o tema é a manifesta desigualdade que cada vez mais se acentua neste país, aonde estão os blasfemos?

    Ora, quando se quer impor sacrifícios os exemplos devem sempre vir de cima. Um chavão, certo, mas paradigmático do que deveria passar, mas não passa neste país.
    Ainda não vi nenhum blasfemo defender a redução das viaturas (verdadeiros bólides) ao serviço dos políticos.

    Ainda não vi nenhum blasfemo pronunciar-se sobre a redução do número de deputados da Assembleia da República, procurando convergência (palavra que, á semelhança de “requalificação”, começa a ficar na moda) com outros países da UE.

    Ainda não vi nenhum blasfemo escrever sobre cadeia para todos – e friso todos – os responsáveis pelo descalabro do BPN. E o Banif vem já a seguir e tudo calado (O Gaspar diz que é daí que advém do défice de 10% e picos. Já o PM diz que a culpa é do TC… enfim…).

    Sobre “Swaps” então, ou sobre a Sr.ª Dr.ª Maria Luís Albuquerque, atual secretária de Estado do Tesouro, parece que é um sacrilégio falar disso.

    Ainda não vi nenhum blasfemo escrever como é desproporcional os gastos do país com a Presidência da República em comparação com algumas casas reais de outras nações. Nem questionarem porque raio o PR precisa de 500 pessoas a sua volta. Será que precisa de um, dois ou três para lhe por(em) a comida na boca e de outros tantos para lha limpar com um guardanapo de seda pura?

    Ainda não vi nenhum blasfemo escrever sobre a injustiça de a maior parte dos portugueses terem de trabalhar até os 66 anos, com um mínimo de 35 anos de serviço ininterrupto, para terem direito a uma reforma aceitável, enquanto uma classe privilegiada que pouco fez e pouco descontou, aos 40 e tais anos podem entrar num regime de “dolce far niente”. É essa a justiça social que os blasfemos defendem?

    Ainda não vi nenhum blasfemo defender uma fiscalização tributária mais eficaz, que leve muitos dos “pobrezinhos” que declaram receber apenas um salário mínimo mensal a terem de explicar os topos de gama com que se locomovem e as belas moradias que habitam.

    Ainda não vi nenhum blasfemo questionar o que realmente se passou com a compra dos famosos submarinos pelo PP. Será que o crime existiu apenas na Alemanha?

    Ainda não vi nenhum blasfemo questionar a necessidade de contratação de tantos “assessores especialistas” que mal saíram da universidade. Por outro lado defendem com unhas e dentes a “requalificação” de FPs. São muitos é? Que tal darem uma olhada no DR. II Série Parte H.

    Ainda não vi nenhum blasfemo questionar porque, com tantos advogados na FP, contratam, a peso de ouro, escritórios para elaborarem novas normas que, se bem vistas, não passam de uma mescla das existentes. Por que não apostam no aperfeiçoarem destas últimas? Não, há que dar de comer a tais escritórios que assim concebem uma salganhada do caraças, recebendo para elaborar e, mais tarde, para esclarecerem as dúvidas de interpretação. Quem melhor que um FP que aplica as normas no seu dia-a-dia de trabalho poderá trabalhar para o seu aperfeiçoamento? Respondam-me se forem capazes.

    Depois, para cúmulo da hipocrisia, vejo comentadores e publicadores de opiniões a criticarem o governo por este não ter iniciado a reforma do Estado mais cedo. Mas tá tudo maluco ou o quê? Então ainda não perceberam a razão de tão desejada reforma não ter sido logo despoletada? Basta ir ao Youtube e escutar as mentiras que o então putativo PM usou e abusou para ganhar as eleições. E aqui está outro aspeto que passa em branco. Para os comentadores e publicadores de opinião, ou seja, mentir para ganhar eleições é um ato perfeitamente aceitável e até… natural.

    E podia continuar por aí afora, mas limito-me a dizer: Pobre povo que têm uma mídia que, na sua esmagadora maioria, está ao nível da bovinidade dos blasfemos. É de lamentar. Mas, e aqui me salvaguardo, se assim não for, então meus caros, é muito, mas mesmo muito, de se condenar.

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  4. murphy permalink
    29 Junho, 2013 00:04

    Em dia de greve geral, de repetidos anúncios feitos pelas redacções de um “país paralisado” (entre o Tejo e Vila Franca talvez…), recordar este facto:
    “Mais de quatro quintos dos trabalhadores do País (82,4%) nunca aderiram a uma paralisação.”
    http://jornalismoassim.blogspot.pt/2013/02/o-wishful-thinking-das-redaccoes-vs-o.html

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    • deluci permalink
      29 Junho, 2013 00:54

      e já eu, posso dizê-lo, se me agrada sobre tudo, nunca falhei greve no meu trabalho e sector, sendo por vezes o único, graça a deus, mas jamais deixo de avisar a direção, pessoal, amanhã desconto, que eu faço greve, sempre, pois então …

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  5. deluci permalink
    29 Junho, 2013 00:47

    O mal disto, meus amigos, o mal disto é 16 milhões e meio, somos 16,5 milhões a mais, e eu sabia que fazer-lhe, a metade metia-lhe uma picareta e pá na mão, à outra encostava-a contra o muro, para em seguida dividir ao meio os que restavam e recomeçar a operação . in “Os Mares do Sul”, de Manuel Vázquez Montalbán

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    • deluci permalink
      29 Junho, 2013 12:30

      mas não, nunca vi essa cara e estou certo que nunca entrou no meu bar .

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  6. tric permalink
    29 Junho, 2013 02:27

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  7. André permalink
    29 Junho, 2013 15:48

    Realmente os dias têm sido quentes, muito quentes… Esperemos, para bem de todos, que o verão não venha a ser quente, como há trinta anos. Pelo menos, vai haver eleições autárquicas, nem quero pensar o que seria aguentar este calor até novembro.

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  8. JDGF permalink
    29 Junho, 2013 17:01

    Erros de avaliação do clima social é ‘mato’. Não sei como é possível tanta ingenuidade sobre a possibilidade de mergulhar um País na pobreza, pacificamente.
    Bem, oxalá esteja enganado…

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