Saltar para o conteúdo

O Crivelli é de todos

5 Agosto, 2013

Tentando perceber qual é exactamente o argumento do Pedro Picoito em relação à exportação de obras de arte, fiquei na dúvida. Se o critério é que cada obra de arte deve ficar no seu país, então o Crivelli deve ser devolvido a Itália. Se o critérios é a maximização de obras de arte em Portugal, então não se percebem os elogios à lei inglesa que dificulta a exportação de quadros de Inglaterra para Portugal. Se o critério é a função social do património, não se percebe porquê dificultar a exportação do Crivelli para França (por exemplo). Em França o Crivelli também desempenha uma função social. Se o critério é que o património também diz respeito ao povo, então porque impedir que o povo francês desfrute dele? Se a ideia é que o património cultural é propriedade colectiva, porquê limitar a propriedade aos habitantes de um país? Se é património colectivo, também é dos franceses.

28 comentários leave one →
  1. 5 Agosto, 2013 11:22

    O Miguel Madeira tem um bom texto sobre esse assunto:

    http://ventosueste.blogspot.pt/2013/08/o-caso-crivelli.html

    «Para falar a verdade não tenho ligado muito ao caso do quadro do Crivelli. Após ler este post de Luis Aguiar Conraria, fui fazer uma pequena busca na net sobre a história do quadro.

    Pelo que percebo, trata-se de um quandro que um pintor veneziano pintou em Itália durante o Renascimento. Bem, e pergunto eu, que diferença faz que esse quadro esteja em Portugal ou em qualquer outro país do mundo? Percebia que houvesse um clamor público no sentido do governo italiano ou da autarquia veneziana comprassem o quadro, mas não vejo o que é que isso interessa especificamente a Portugal.

    Reconheço que há um ponto especial neste caso – como nota o Luis Rainha, o quadro esteve proibido de saír do país (o que desvalorizou o seu preço), e depois da família a que pertenceu durante décadas o ter vendido a Paes do Amaral, foi autorizada a venda para fora do país, o que fez subir o seu preço. É uma situação semelhante à daqueles terrenos rurais que, depois de vendidos, passam a urbanizáveis. Talvez a melhor solução para esses problemas fosse criar uma taxa de mais-valias a ser aplicada quando uma obre de arte “sequestrada” fosse libertada (e, inversamente, uma compensação por menos-valias quando uma obre de arte adquirida no mercado livre fosse “sequestrada”).»

    Gostar

    • und permalink
      5 Agosto, 2013 19:33

      não filha não tem…

      1º o que é o património de uma nação ou de um lugarejo

      uma livraria é património cultural?

      ai deo lo o é….

      assim sendo Lisboa perdeu nestes dous a quatro anos 15 que custariam uma fracção de crivelli em subsídios culturaes da CML…..

      a hemeroteca é património similar ao da escola politechnica e muy mais flamável

      ou na nova graphia inflamável

      o património é também arquitectónico e o contemporâneo de crivelli está-se esboroando desde a lei das rendas da 1ª república….e única

      uma taxa de mais valias para produtos bastante inconstantes deve ser difícil de calcular

      um contemporâneo do Malhoa aqui há 20 anos alcançava maiores valores do que hoje

      um produto que saia do país e tenha sido comprado por 10 euros num leilão do palácio do correio velho e vendido por 20 mil libras em londres paga quanto de mais valias?

      aconteceu com muita cousa que não tendo valor para ninguém aparentemente cá no pedaço foi vendido por fortunas lá fora

      fala com o teu ami Burnay cafamelga dele perceve disse….

      Gostar

      • ora permalink
        5 Agosto, 2013 20:08

        resumindo imaginai que a obra foi comprada por 5 maravedis ou por 16 maravedis de Flipe IV despanha, III de Portugal, cunhada em Sevilha algures durante a guerra da restaura ou do restauro
        alguém a comprou por 2 ou vinte duros no rastro algures no século XX
        e vende-a no XXI por 5 milhões de euros

        paga quanto de mais valias ?

        – E.Campos – Original – Pintura a óleo sobre tela, assinada, motivo “Trovador e Donzela na Fonte”, em formato meia-lua, com 32×61 cm (moldura dourada com 37×67 cm) Vendido!
        Lance Vencedor: €40
        por exemplo isto teria sido comprado por 20 contos em 1980

        a mais valia é de?

        nas menos-valias o estado paga a diferença é?

        o jãbasquismo triunfante é mesmo de infante

        e nem à infantaria de chumbo chega

        Lote 15 – 4 Moedas Estrangeiras França, moedas de 20, 10, 5, 1 Francos datadas de 1992; 1986; 1992 e 1988 Vendido!
        Lance Vencedor: €1 …..

        qual o valor real de um … F.403/1 1992 essai — — — —
        160,00

        200,00

        70
        F.403/2 1992 – –
        4,00

        6,50

        18,00

        30,00

        68
        F.403/3 1992 – –
        5,00

        11,00

        20,00

        40,00

        63
        F.403/4 1992 – –
        11,00

        18,00

        selo da afinsa de 1999……

        Gostar

      • und permalink
        5 Agosto, 2013 21:14

        porque não pedir o património que os espanhóis e franceses nos saquearam nas últimas invasões d’el turrón pátrio

        Gostar

  2. A C da Silveira permalink
    5 Agosto, 2013 11:33

    Não deixa de ser irónico citar a legislação inglesa que protege da exportação as obras de arte que estão em Inglaterra, e que foram na sua grande maioria roubadas dos seus paises de origem. Quer dizer, os ingleses que são os maiores ladrões de obras de arte alheia do mundo, criaram legislação para impedir que aquilo que roubaram seja devolvido aos seus legitimos donos, e estou-me a lembrar dos gregos e dos egipcios, por exemplo.
    O que se passa com esta história do quadro que o sr visconde terá comprado por uma tuta e meia aos anteriores proprietários, convencidos que não podiam vender o quadro fora de Portugal, e que agora vendeu para o estrangeiro por mais de três milhões de euros, é mais um episódio triste trazido para a ribalta por gente que tem fraca memória. Em 2005, em pleno consulado socretista, foi leiloada pela Christie’s, uma das melhores colecções privadas do país, a colecção de António Champalimaud, e algumas das vestais que agora andam por aí a rasgar a roupa, ou calaram-se, ou produziram umas declarações do tipo,”é chato, mas não podemos fazer nada”… enfim, o costume.
    Agora só nos resta esperar que o fisco esteja atento ao negócio, e que cobre ao sr visconde as competentes mais valias, antes que o dinheiro vá fazer férias em alguma ilha do Canal ou das Caraíbas.

    Gostar

    • und permalink
      5 Agosto, 2013 19:40

      ó energoumenon que é roubo de arte…ou mesmo arte ? uma chávena vendida por um chinês no século XVI é um objecto artístico?

      a olaria para uso das casas finas do século XIX e os caralhos das caldas ó castro de sabedoria serão as nossas cerâmicas ming ou flash gordon do século XXXI?

      de resto assacar a sócrates que entra em funções em março um leilão de abril já com um ano de preparação atrás dele é estúpido

      todos os anos há leilões em portugal cobram-se mais valias?

      e as menos valias?

      Gostar

      • A C da Silveira permalink
        5 Agosto, 2013 20:25

        Tens de mudar de “tabaco” porque a qualidade do que andas a fumar não te faz bem à mona.
        O leilão da Cristie’s foi em julho de 2005 e o Crivelli foi vendido directamente em resposta a uma oferta de compra.
        Vai curar a ganza, ó engraçadinho do 5º esqº…

        Gostar

      • und permalink
        5 Agosto, 2013 21:19

        o leilão prepara-se com meses de antecedência ó esterco

        lixo mental como tu que nunca travalhou na vida

        tem direito a museu do caralho mesmo

        temos cá um

        phodes ficar como múmia

        a christie’s e não cristie’s em portugalho é representada pelos gadjos no palácio do correio velho

        os despachantes do espólio para inglaterra demoraram 6 meses a embalar e enviar

        as bichas

        bai-te informare antes de arrotares postas de pescada ó velho senil e cagado

        snifas a tua merda né….pois

        depois alucinas

        Gostar

      • und permalink
        5 Agosto, 2013 21:28

        187 Past lots (3 shown below) were found for champalimaud.
        Suggestions

        Mackenzie’s Finest Reserve 1966 Damaged wax …
        Above 7 bottles per lot

        Price Realized

        £40 ($57)
        Dow–Vintage 1980 Damaged labelhalf (1)…
        Above 12 bottles and 21 half-bottlesper lot

        Price Realized

        €518 ($663)
        A PAIR OF FRENCH CARVED MARBLE URNS
        OF EARLY NEO-CLASSICAL STYLE …

        Price Realized

        £21,600 ($37,843)

        Gostar

      • und permalink
        5 Agosto, 2013 21:35

        resuminde o leilão dos trastes de champimóvel

        como o do salazar realizado pela arménia em lisboa

        não tiveram um leilão uno apenas 176 peças foram vendidas no leilão de julho

        queres inda mais em simplex

        pronto além de se prepararem com meses ( períodos de 28 29 30 ou 31 dias excepto os meses dos calendários lunares como o…..)de antecedência

        os leilões não aceitam toda a tralha

        alguns são muito selectivos

        ou seja não te cuadoptam

        Gostar

      • und permalink
        5 Agosto, 2013 21:36

        repetindo: preparación des auctions com meses d’antecedença

        num é como deixarem-te na roda…

        Gostar

  3. tric permalink
    5 Agosto, 2013 12:38

    foi roubado!!! devia dar prisão…

    Gostar

  4. 5 Agosto, 2013 13:20

    Conforme se depreende de um comentário supra, em Portugal, a venda de uma obra de arte para o estrangeiro depende da maneira como o proprietário está vestido.
    Se estiver com camisola laranja, é de caras.

    Gostar

    • Hawk permalink
      5 Agosto, 2013 15:25

      Ó Piscoiso, já deu o merecido raspanete à sua tia da Comporta?

      Gostar

  5. Fincapé permalink
    5 Agosto, 2013 13:28

    “Se é património colectivo, também é dos franceses.”
    – Ai, estes coletivistas! Não lhes chega que haja coletivismo em Portugal, ainda querem internacionalizá-lo. Ou exportá-lo! 😉

    Gostar

  6. Tiro ao Alvo permalink
    5 Agosto, 2013 14:56

    Quem terá obrigado o Pedro Picoito a escrever sobre isto? Eu não sabia que o Paes do Amaral tinha assim tantos amigos…

    Gostar

  7. J. Madeira permalink
    5 Agosto, 2013 15:01

    Como já está demonstrado por alguns dos comentários anteriores
    a questão não se prende com o Crivelli ser de todos … mas, pela
    facilidade de negociação do mesmo! Aos anteriores proprietários foi
    vedada a possibilidade de venda para fora do País (oferta mais
    elevada), o mesmo não sucedeu com o barão amigo!!!

    Gostar

    • ora permalink
      5 Agosto, 2013 19:54

      também o foi a uma destas cousas 5 – Mesa costureira francesa, séc. XIX, em mogno, com 67x38x53 cm Nota: com sinais de uso, interior da gaveta com racha

      impedida de sahir do paiz em 1979 vendida por 25 contos pela Trimara Eborense no mesmo ano

      e passados uns anos a mesma se calhar mais rachada é vendida por 230 euros

      ou um mapa quinhentista ou uma carta de corso ou outra merda qualquer que foi impedida de sahir por um thipo sahib nos tempos do estado novo e foi vendido no novoo estado com autorização ou sem ela pois o estado não tem um registo do que considera patrimoniável né….

      uma bíblia de gutten ou uma 1ª edição do dom quixote são patrimonium?

      atão já sahiram bué de patrimonia dessa……

      Gostar

  8. 5 Agosto, 2013 17:37

    O Pedro Picoito diz que a decisão do Viegas é ideológica, ignorando que a sua argumentação é toda ela só ideológica. Ele acha que o Estado deve ditar o pertence e disposição de uma obra a seu bel prazer, desde que aprovado por um painel de especialistas. Esta violação da propriedade privada só pode ser sustentada por um julgamento ideológico, aquele em que, sob determinadas condições, o direito à livre disposição da propriedade privada é suspenso. É um julgamento semelhante ao que outros faziam sobre os pertences dos demais. E vidas.

    Gostar

  9. JDGF permalink
    5 Agosto, 2013 18:02

    O quadro de Crivelli parece suscitar uma controversa questão sobre propriedade artístca e cultural.
    Interessante discussão sem dúvida e ainda mais seria se quisermos partir do princípio de Proudhom que considera “toda propriedade é um roubo“.
    Mas o que de imediato se está a camuflar é o infringir de uma disposição legal que, nesta questão, tem sido permanentemente desvalorizada. De facto, a conclusão é que as disposições legais têm a força que merecem ou alguns querem que tenham ou, finalmente, a que os destinatários prodigamente consentem.
    Na verdade, estes produtos artísticos são subsidiários de um ‘mercado’ (da arte) que, como manda a cartilha, deve ser livre, isto é, não regulado.
    A questão é esta e tudo o resto paisagem.

    Gostar

    • 5 Agosto, 2013 18:08

      Proudhon. Deixe-me fazer a brincadeira que Marx fez a Proudhon com a Miséria da Filosofia, e inverter o dito. Fica algo como: “todo o roubo é de propriedade”. Assim sim, faz sentido.

      Gostar

      • und permalink
        5 Agosto, 2013 19:42

        non Diógenes de Apolónia ar como princípio de tudo possui inteligência

        e como se vê por vós velhos odres cheios de ar

        possui mas possui pouca

        se calhar desvalorizou….

        Gostar

  10. johnas permalink
    5 Agosto, 2013 19:12

    ai,
    bem do João,
    num cerco a Picoito,
    se lhe corta as voltas
    e não sobra porta ou janela
    nem saída airosa e daqui se entende
    como quando busha foi roubar
    o Iraque, João esteve
    com dele, é justo,
    que o outro era um tratante,
    também, disse
    ele.
    ..

    Gostar

  11. 5 Agosto, 2013 20:18

    A questão da classificação da pintura de Crivelli recentemente em foco mediático não é bem como tem sido narrada.

    Há detalhes que ficarão sempre por narrar. Se fossem narrados, ter-nos-íamos que perguntar porque razão a pintura em referência foi objecto de tratamento de excepção. Em primeiro lugar porque foi classificada. Depois porque dá origem a este barulho todo mediático, cerca de dois anos após um secretário de estado ter anulado, por despacho, a classificação.

    Há muitas obras, com tanto ou mais interesse que uma pintura de Crivelli, por classificar. Ou que, uma vez classificadas, não mereceram o tratamento de excepção desta pintura.

    Em Portugal está hoje uma pintura de Velázquez, com um elevado valor documental, que as entidades tutelares do património conhecem bem desde 2007, até porque foi já objecto de um despacho de autorização de expedição temporária para Paris, para efeitos de documentação.

    Foi também, em 2007, solicitada ao Museu Nacional de Arte Antiga autorização para a sua exposição durante dois meses, enquanto decorria o debate aberto sobre a documentação que a informa.

    A pintura foi objecto de análise laboratorial no então ainda Instituto José de Figueiredo, a pedido dos seus proprietários que pagaram rigorosamente todos os trabalhos.

    A pintura não pode ser classificada por uma razão muito simples. Porque as entidades portuguesas tutelares do património não podem, por subserviências confidenciais, afrontar algumas entidades tutelares do património espanhol, nomeadamente o Gabinete Técnico do Museu do Prado e a sua Directora. Em virtude disso, as entidades tutelares do património em Portugal não podem afrontar os interesses das grandes leiloeiras internacionais, nomeadamente a Christie’s e a Sotheby’s.

    Há que não ter o receio de o dizer, sob o risco de não se entender nada.

    Como há coisas que não vêm para os jornais, ainda não conhecemos qual o papel e a parte das representações da Christie’s e da Sotheby’s nesta trapalhada do Crivelli. Talvez se saiba um dia. Mas o que é certo é que a questão aparece nos jornais quando a pintura estava em vias de ser vendida ou apresentada para venda e não quando foi exarado o despacho que anulava a sua classificação.

    Repito, porque esta é uma questão estruturante da minha forma de ver a questão. O despacho, que enfermava de todas as ilicitudes então como enferma agora, nunca foi contestado antes de se saber que a pintura estava vendida e em vias de entrega em Paris. É legítimo supor que, se tivesse sido vendida noutras circunstâncias, a outros compradores ou sem exposição à visibilidade, a anulação da classificação nunca tivesse sido contestada.

    Gostar

  12. minivan permalink
    7 Agosto, 2013 16:43

    Tudo isso também vale para os Jerónimos, Miranda?

    Gostar

Trackbacks

  1. Bem perguntado, mas já estava respondido – Aventar
  2. O Crivelli e o património cultural como propriedade colectiva | O Insurgente
  3. O Crivelli e algo mais (2) | Declínio e Queda

Indigne-se aqui.

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: