O meu Amigo Paulo Morais, cuja ausência prolongada no Blasfémias é sentida por todos os seus muitos leitores, entre os quais me incluo, veio denunciar o escandaloso negócio feito pelos governos socialistas do PS das parcerias público-privadas rodoviárias, que já custaram muitos milhões de euros aos contribuintes, em troca de uma utilidade de uso cada vez mais marginal.
Preocupado com a comparticipação ruinosa do estado (dos contribuintes, para sermos rigorosos) na exploração corrente destas auto-estradas, que obriga a pagamentos anuais milionários, o Paulo procurou uma solução para o problema e… encontrou a pior: nacionalizar as auto-estradas e abolir as suas portagens.
Deixando de parte a posição de princípio contrária à nacionalização da propriedade, porque toda a propriedade só cumpre os seus fins naturais se for privada e a que se mantém na gestão pública cumpre fins alheios à maioria das pessoas, que involuntariamente a sustentam com a sua renda gerida de forma ineficiente e frequentemente perdulária, no caso vertente, os contribuintes (o estado) só veriam agravado o seu passivo com a nacionalização de um activo imobiliário sem qualquer valor de transacção e de rentabilidade imediata impossível no actual estado do país.
A solução para minimizar custos e racionalizar o investimento feito seria a integral privatização destas estradas, vendendo-as por um preço razoável, se possível, por um euro e pelo seu passivo, se ninguém quiser pagar pelo negócio, ou, se mesmo assim não houvesse interessados, impondo a transferência de propriedade como condição contratual para a manutenção da concessão, que deixaria de o ser convertendo-se em propriedade plena.
Esta seria a única forma de desonerar os contribuintes de responsabilidades que não têm de ser suas, de obrigar os concessionários a rentabilizar a exploração destas estradas, provavelmente vendo-se obrigados a baixar os preços das portagens e a melhorar os seus serviços se quisessem ter clientes, ou de irem em busca de capitais e de capitalistas que quisessem compartilhar (voluntariamente e não coercivamente, como sucede agora com todos nós) os custos e os riscos do negócio, tendo em vista eventuais lucros futuros, já que os presentes serão sempre muito improváveis.
Quanto à lógica de nacionalizar prejuízos para evitar outros maiores, que é, no fim de contas, o que o Paulo propõe, foi o que o governo do PS seguiu no caso BPN, com os resultados que bem conhecemos e que pagaremos por muitos anos. Nacionalizar nunca é solução, mas apenas uma forma de agravar irremediavelmente um problema.