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Absolvição

27 Janeiro, 2014

De repente, todos somos especialistas em rituais secretos, marés e amnésias selectivas. Amnésia selectiva é acharmos que a culpa é do dux e não nossa. Todos somos mar do Meco. –João Taborda da Gama in Malomil

A culpa não é minha. Não estive no Meco, não aluguei uma casa para onde levei uns miúdos, não os convenci a irem para a praia para fazerem seja o que for e nem sequer estive perto do local. Também não pertenci a comissões de praxe e, apesar de ter frequentado uma universidade, nunca praxei ninguém nem me lembro de alunos do primeiro ano quando frequentava o segundo. À falta de uma letra escarlate que identifique deputados praxistas, poderei ter votado num deles, sim. Se calhar votei num pedófilo; como hei-de saber? Terei votado num indivíduo que bate na mulher? Devia comparticipar a existência de um jornalista a escrutinar todo e qualquer político 24/7 para ter a certeza que não adquiro mais culpas?

Mas fiquei intrigado com a possibilidade da culpa ser minha e de poder ser, eu próprio, “mar do Meco”. Deveria ter feito alguma coisa? Não tenho poder para acabar com praxes; nem sequer trabalho num universidade. Vejo praxes nas ruas da cidade, principalmente no início do ano escolar: poderei agir? Posso terminar com o risco e deixar de ser “mar do Meco”? Posso, por exemplo, disparar uma arma automática sobre todos os que, vestidos com trajes académicos, acompanhem inocentes crianças desprovidas de livre arbítrio mas capazes de frequentar estabelecimentos de ensino superior? Seria uma carnificina que me livraria da culpa a adquirir quando (e não “se”) estes indivíduos vierem a levar crianças desprovidas de livre arbítrio para uma praia durante a noite.

A culpa que tenho, assumo-a: sou culpado de ainda não ter relacionado “a maior fuga de cérebros da geração mais qualificada de sempre” com crianças sem livre arbítrio e, consequentemente, incapazes de calcular o risco associado a entrar no oceano Atlântico a meio de uma noite de Inverno. Pois então, acabei de me redimir.

Os meus sentimentos para as famílias que perderam os seus filhos.

33 comentários leave one →
  1. YHWH permalink
    27 Janeiro, 2014 10:48

    Então os fantoches da JSD ainda não solicitaram um REFERENDO para as PRAXES?!…

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  2. 27 Janeiro, 2014 10:57

    Aquilo no Meco correu mal.
    Se calhar o dux também devia ter morrido.
    Assim, ficou uma ponta solta.

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    • 27 Janeiro, 2014 13:45

      Olha aqui- um tipo que baptisma também vai para a água?

      Não. Não vai. Correu mal porque de costas e com aquele mar era o mais provável cumprirem-se à letra as palavras do baptismo: morra o caloiro, o caloiro vai morrer”.

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      • 27 Janeiro, 2014 13:46

        Só que, neste caso nem havia caloiros e um que morreu também já era licenciado.

        Uma seita, demasiado igual à seita em que está metido meio mundo, incluindo os directores da Lusófona.

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    • neotonto permalink
      27 Janeiro, 2014 13:52

      Realmente nao consigo comprender esta historia do “dux supervivente”.
      A Historia (mais recente) vinha para apontar e confirmarmos que sempre era o dux quem morria e nao a tropa…ou nao?

      .

      http://pt.wikipedia.org/wiki/Duce

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      • 27 Janeiro, 2014 20:08

        Estás a confundir- O maçon que inicia não morre. Já morreu e ressuscitou para poder fazer parte e iniciar outros.

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      • 27 Janeiro, 2014 20:09

        Ora procura antes na militância da Carbonária e nos ritos secretos da Maçonaria Académica. Porque a origem é essa e o resto é que é conversa.

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  3. alberto permalink
    27 Janeiro, 2014 11:03

    As praxes que comandam a vida

    É mar revolto, é dívida, é trabalho, é subsídio, é bolsa, é salário mínimo. Insignificantes obstáculos ultrapassados. Bastam rituais:
    Punho fechado, braço no ar; palavras mágicas sem nexo – com capa e batina não obrigatórias – e decretar a realidade. Em letra de forma na Constituição ou Diário da República, basta.
    Aos não crentes resta ficar na praia a ver.

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  4. Tiradentes permalink
    27 Janeiro, 2014 13:10

    A amnésia selectiva verifica-se sobretudo na educação. De uma geração a quem não mostraram os limites, de uma geração de direitos e nunca de deveres, de uma geração de facilitismo e suposta tolerância que mais não passou ou passa de ignorância e puro abandono, de uma geração de preguiça.
    Admiram-se que tenham criado monstrinhos? Monstrinhos déspotas e monstrinhos submissos.Monstrinhos que nem perante o valor da vida ou morte dos colegas se vergaram e continuaram a achar que o “código de silêncio” era mais importante.
    A quem se deve sobretudo pedir responsabilidades é aos educadores, pais.

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    • 27 Janeiro, 2014 13:43

      Quem a dignosticou?

      Não foi um psico que a Lusófono tem?

      Para quê?

      A quem entregavam eles aqueles relatórios? apenas a um rapaz que já é licenciado?

      E a Lusófona também nada tem a ver com aquelas declarações de responsabilidade?

      Que giro, como os da viúva se tapam.

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  5. 27 Janeiro, 2014 13:42

    Todos somos, logo, não é ninguém.

    E assim escapa a Lusófona que é o que importa escapar

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  6. Abre-latas permalink
    27 Janeiro, 2014 14:37

    Ainda este fim-de-semana ouvi esse argumento duplo (numa reunião escolar!):
    “a fuga da geração mais bem preparada de sempre” versus “a escola está cada vez mais estupidificante”.
    No caso era “a nossa escola” (boazinha/humanista, a única isenta) versus “as outras todas do país” (controladas pelo min. da educação).
    Acho que o que falta mesmo na escola é a disciplina de LÓGICA!

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  7. @!@ permalink
    27 Janeiro, 2014 14:50

    Não sei, nem sei se quero saber, o que se passou no Meco. Correu mal, muito mal, e não consigo deixar de pensar no quanto “DEUS” é omnipresente e no quão insignificante é o meu julgamento sobre os intervenientes.
    Assisti à entrevista aos pais de uma das vitimas e impressionou-me a sua postura e nada mais há a dizer.
    Respeito.
    Como pai enervo-me e chateio-me com a postura da minha prol e seus amigos relativamente às praxes que eles aceitam e cumprem como fazendo parte de um jogo em que não entra a definição, ou não dão importância ao individuo e mais à “camaradagem” e é aqui que bato na porta, em que não entra que para haver camaradagem tem de haver individualidade e afirmação.

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  8. Churchill permalink
    27 Janeiro, 2014 16:28

    Também sinto pelas famílias, destes, dos que morreram em acidentes de automóvel, atropelados, ou a fazer qualquer outra coisa.
    Outra coisa muito diferente e tirar a responsabilidade a adultos votantes, cuja capacidade de saber distinguir o bem do mal é insuficiente.
    Mesmo dos meus netos, espero que aos 6 anos tenham o discernimento para não se atirarem ao poço atrás dos outros, e quando digo poço estou a pensar em ir roubar livros na biblioteca, riscar carros dos professores, saltar a vedação e ir brincar para a estrada, etc.
    .
    Estes meninos e meninas com 22 anos já elegeram autarcas, Parlamento e um Presidente, pelo menos.

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    • licas permalink
      27 Janeiro, 2014 16:44

      Não dilua a culpa do procedimento *praxista*.
      Sabe,
      Quando me vêm com a *lógica* de que morrem mais pessoas
      por acidentes rodoviários do que os nossos soldados na *Guerra de África*
      NÃO RESPONDO NADA. Só que *com os meus botões* gemo : este gajo é
      mesmo estu.. .pido comparando/igualizando
      mortes acidentais com mortes evitáveis (como foram as da guerra impossível).

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    • 27 Janeiro, 2014 19:09

      A possibilidade de nenhum deles ter alguma vez votado deve andar pelos 90%.
      Ainda se se pudesse votar numa baiúca do Bairro Alto …

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  9. licas permalink
    27 Janeiro, 2014 16:35

    @!@ HIPERLIGAÇÃO PERMANENTE
    27 Janeiro, 2014 14:50
    para haver camaradagem tem de haver individualidade e afirmação.
    ___________________-
    Excelente !
    (mas sei de um partido em que a camaradagem implica
    silêncio/des afirmação/subserviência, pois de contrário
    despedimento por justa causa.
    Por esta proceder não há, não pode haver dissidência,
    o chefe Geronimo não deixa . . .

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  10. 27 Janeiro, 2014 19:12

    Excelente, amargo, post.
    Volto a dizer o que mais me impressionou foi o total desconhecimentos daqueles pais (e provavelmente dos outros) do que os filhos e filhas andavam a fazer.
    Um precipício enorme de comunicação que há entre pais e filhos.
    Acredito que alguns trocam mais sms de que palavras verdadeiras cara a cara.

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    • 27 Janeiro, 2014 19:27

      Também a mim.

      E nem acharem anormal irem trajados de fim-de-semana. Creio que a resposta é outra- o status de doutor. Assim não se confundem com a populaça.

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      • 27 Janeiro, 2014 20:08

        Claro, deve ser gostosos dizer, o meu menino anda na Católica ou na Lusófona ou noutra qualquer.
        Li agora na TVI que num dos “relatórios” um dos futuros doutores escrevia ” não vou puder ir”.
        Espero que não vá para o ramo de História.

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  11. 27 Janeiro, 2014 21:16

    Mais um que se escapou de Rilhafoles.

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  12. BELIAL permalink
    27 Janeiro, 2014 21:27

    Para grande mal dos meus pecados: concordo com o essencial da tese de DANIEL OLIVEIRA, no EXPRESSO (salvo, derivas de racismo político-económico)
    Até mesmo um relógio parado acerta na hora, duas vezes por dia…

    Porém, continuo, como alguns, a achar que entre parvalhões e aparvalhados, existe uma singular cumplicidade e quase sinergia.
    Sado-Maso, sff?

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  13. A. R permalink
    27 Janeiro, 2014 22:38

    Mais uma mecacada da esquerda tonta

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  14. Crizzum permalink
    28 Janeiro, 2014 02:18

    Admito, também sou culpado. Como todos que andam por aqui bem informados.

    Nada apaga um filho que por acidente se apaga

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  15. hajapachorra permalink
    28 Janeiro, 2014 03:05

    O palerma que aqui perpetra não lê, treslê.
    «Uma sociedade que ridiculariza a fé da miúda beata que acaba o curso e quer ser missionária em Moçambique ou os ideais do jotinha que integra as listas para as eleições na sua freguesia, um povo que desconfia da sanidade mental do casal de namorados que se manifesta contra o aborto em frente da Clínica dos Arcos, ou do casal que Setembro após Setembro ajuda na organização da festa do Avante é uma sociedade que inunda e afoga.»

    O que é que o minus habens tem a dizer sobre estas linhas, imediatamente anteriores? Nada. A sua especialidade é a bosta.

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    • vitorcunha permalink*
      28 Janeiro, 2014 08:00

      Sobre as linhas imediatamente anteriores não tenho nada a dizer.
      Sobre o seu comentário, acho que decidiu identificar-se voluntariamente como mosca. É uma opção.

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      • 28 Janeiro, 2014 10:51

        O que importa é fazer crer que a Universidade Lusófona não tem responsabilidades neste caso concreto do Meco.

        Para isso fazem poesia e lá dão umas palmadinhas nas costas. Hoje eles; amanhã nós.

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  16. hajapachorra permalink
    28 Janeiro, 2014 19:01

    Gda,gda,gda, nem posso conter o riso, rapaz. Que pilhéria, que chiste. Desembaraço e topete ninguém lhe pode negar, isso e mau cheiro, o cheiro à bosta da geração que-mal-é-que-tem, que se acomoda com o mesmo à vontade nas soluções ‘de direita’, na crença ‘liberal’, ou nas ‘novas esquerdas’ alternativas, dos novos direitos lgbt da pata que os pôs. Bom proveito.

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