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Je suis ninguém

3 Julho, 2016

Je suis ninguém. Decapitado. Com as mãos cortadas. Antes estivera sequestrado. Mas não, ninguém se sentiu Carlos Gouveia, era assim que se chamava este português de 42 anos, assassinado e mutilado pelos seus sequestradores. Ninguém escreveu no facebook “Je suis Carlos Gouveia. E contudo, nos dias em que acontecia o calvário de Carlos Gouveia, não faltaram indignações e comoções em Portugal. Com gatinhos abandonados. Com o facto de existirem matadouros, touradas e pais que mostram os filhos no Facebook. Ou que não mostram os filhos. Com o machismo, o micromachismo, o problema das casas de banho para os transgender e as máquinas de venda automática de comida. Sem esquecer a urgência em regulamentar os direitos dos robots e a denúncia das pressões para que as actrizes usem sapatos de salto alto nas galas e festivais de cinema. A isto juntou-se a indignação contra os velhos porque estes terão votado a favor do Brexit em Inglaterra e contra o Podemos em Espanha. (Mais uma votação assim e os velhos ainda acabam a ver limitado o direito de voto!) E até um inócuo cartaz da Cruz Vermelha norte-americana a apelar a um comportamento cívico das crianças nas piscinas se tornou num caso de racismo…

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4 comentários leave one →
  1. 3 Julho, 2016 11:17

    E o que se pode esperar? A esquerda iluminada procura sobretudo as grandes causas fracturantes e populistas da semana. Calhou nesta semana da morte bárbara de Carlos Gouveia haver mais causas fracturantes à disposição. E daí? O que se importa este Governo imbecilizado e imbecilizante com a morte de um compatriota às mãos de bárbaros? Ainda se fossem do EI, mas é que nem isso.
    Acredito que a Catarina Martins, como mulher liberada e liberadora, seja muito mais sensível ao problema dos saltos altos do que ao de um português a quem cortaram as mãos e a cabeça. Ainda se fosse uma portuguesa, lá está, mas é que nem isso.

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  2. Juromenha permalink
    3 Julho, 2016 13:24

    A “comunicação social” , mormente a televisiva,transformou-nos nisto : perpétuos espectadores passivos, programados para reagir a estímulos pavlovianos aprovados pela agenda do “pulhiticamente correcto”…

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  3. Arlindo da Costa permalink
    3 Julho, 2016 20:38

    Com a ascenção do neo-liberalismo, o Mundo está se tornando um lugar perigoso.
    Tudo é medido a dinheiro.
    Na América os pretos não valem um cêntimo.
    Na Venezuela os portugueses não valem um vitém.
    Todos diferentes, todos iguais.

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  4. Licas permalink
    4 Julho, 2016 17:38

    olhe,os franceses/ingleses sempre acharam que os tugas eram os pretos da europa.já agora,o lixo da tv não resolve problema algum.

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