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12 Agosto, 2016

Henrique Pereira dos Santos  (Público) Há cerca de dez anos, era o senhor primeiro-ministro o ministro da Administração Interna, que é quem manda no sistema de protecção civil.

15 dias de vento Leste bem rijo (em rigor, 14 dias, porque num dos dias o vento rodou 90 graus, e depois voltou a rodar para Leste, o que tornou tudo ainda mais difícil) em 2003 tinham levado a uma área ardida de mais de 400 mil hectares, uma oportunidade de ouro para um ataque cerrado ao governo de então, à desorganização dos bombeiros e trinta por uma linha.

Dois anos depois, em 2005, mais de 200 mil hectares ardidos, umas eleições e aí temos reunida a vontade política para resolver o problema dos fogos.

Foi assim que se criou o Fundo Florestal Permanente, alimentado com uma taxinha nos combustíveis, foi assim que se fez a tal reorganização da protecção civil de que fala agora o senhor primeiro-ministro e foi assim que foram chamados técnicos reconhecidos para fazer um Plano Nacional da Defesa da Floresta contra Incêndios, com muita prevenção prevista e centrada no problema da gestão do território, a montante do combate.

Um território bem ordenado é um bem comum que interessa aos comuns, era a justificação central para a colecta de recursos.

Depois de garantido o apoio político para a revolução na gestão do problema apoiou a aliança entre protecção civil e poder autárquico na luta pelos recursos existentes e a captar, deixando os reais donos do problema, isto é, os gestores do território, essencialmente na mesma. Uma luta diária que deixou uma escola muito enraizada na protecção civil, prolongando-se muito depois da saída do ministro que vergou o então ministro da Agricultura nas opções sobre fogos florestais e destruiu por completo o Plano Nacional de Defesa das Florestas contra Incêndios. Veja-se o recente despacho N.º 9473/2016 de 25 Julho: o tal Fundo Florestal Permanente, o que iria financiar a prestação de serviços ambientais que o mercado não remunera, como a limpeza de matos pelo pastoreio, transfere para a GNR 3,6 milhões de euros para pagar a vigilantes.

O Estado reconhece que na base do problema dos fogos está uma falha de mercado (que não remunera os serviços ambientais prestados no âmbito de actividades económicas pouco competitivas), o Estado decide colectar coercivamente recursos para remunerar adequadamente os serviços prestados pelos donos e gestores do território e do problema e, quando tudo isso está feito, desvia os recursos para se financiar a si próprio.

Primeiro, mansamente, autarquias locais e centros de investigação e, progressivamente, chegando ao coração do Estado: as forças de segurança.

O custo do dispositivo de combate aos fogos passou de 30 milhões anuais para 100 milhões anuais, mas os resultados são, essencialmente os mesmos – embora obtidos com muito mais estilo – porque os donos do problema continuam sem meios para o resolver e porque o dinheiro atirado para cima do problema serviu, nos anos menos maus, para disfarçar a loucura de querer gerir fogos florestais com água e a partir do ar.

E foi por isto, só por isto, que ao ouvir o senhor primeiro-ministro levei instintivamente a mão à carteira, quando percebi que o plano era o mesmo de há dez anos.

Depois relaxei e fui almoçar um cabrito, é o máximo que está ao meu alcance directo para ajudar a resolver o problema do fogo.

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12 comentários leave one →
  1. Baptista da Silva permalink
    12 Agosto, 2016 13:57

    O almoço tem o segredo para o problema, repare, comeu Cabrito. Cabras e cabritos é o que necessitamos para limpar os terrenos, alimentam-se, limpam o mato e ainda… rendem dinheiro ao serem vendidos. Em Castelo Branco já se alugam rebanhos para a limpeza e os donos ficam muito chateados por receber para alimentar os seus animais.

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  2. Filipe permalink
    12 Agosto, 2016 14:00

    “Depois relaxei e fui almoçar um cabrito, é o máximo que está ao meu alcance directo para ajudar a resolver o problema do fogo”

    E não deixa de ser uma boa ajuda.
    Espero é que não a regulem (do tipo: por cada prato de bacalhau será obrigatoriamente consumida meia dose de cabrito).

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    • lucklucky permalink
      12 Agosto, 2016 14:18

      No Marxismo tudo é Política por isso é só esperar pela Lei.

      E como tudo no Marxismo é discricionário tanto pode ser para nos proibir comer carne – por faz mal ao ambiente(ou outra razão)-como nos forçar a comer carne – porque faz bem ao ambiente(ou outra razão).

      O que define a resposta é onde for determinado que estará a virtude.
      Mas a escolha da virtude depende de qual for possível justificar ter mais Poder.

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  3. VFS permalink
    12 Agosto, 2016 16:52

    A Galp não fez António Costa emergir. Mas os incêndios fizeram-no (nem podia ser de outra maneira, diga-se). E que fez o Primeiro-Ministro? Demonstrou-nos que continua a viver no passado, mais coisa, menos coisa, há dez anos, num tempo onde não havia crise económica e no período em que Costa reformou a protecção civil, reforma que, inexplicavelmente, para o próprio parece ser o corolário da sua carreira reformista. Talvez pelos custos que implicou?

    https://intransmissivel.wordpress.com/2016/08/10/para-o-ano-nao-ha-incendios-antonio-costa-vai-reformar-e-reestruturar-as-florestas/

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  4. LTR permalink
    12 Agosto, 2016 18:51

    Um país que já foi governado por um aldrabão também pode ser governado por um fala-barato cheio de iniciativa. O que é mais espantoso é que ele no mesmo minuto diz duas vezes que um relatório não é como comentado e logo a seguir diz que o desconhece, e ninguém se ri. Felizmente para ele, o Jesus já enche os três canais de notícias, que em direto difundem os seus pensamentos sobre um jogo de futebol.

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  5. montenegro permalink
    12 Agosto, 2016 21:25

    A JSD de Braga não entende o facto de Hugo Soares, de Luís Montenegro e de Luís Campos Ferreira – todos deputados do PSD – terem viajado para ver o campeonato europeu de futebol a convite de Joaquim Oliveira, quando o PSD critica o pagamento de viagens do secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, Rocha Andrade, pela Galp

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  6. Arlindo da Costa permalink
    13 Agosto, 2016 02:12

    Lá vem o triste e néscio do articulista «alegar» que os fogos são da «responsabilidade» do actual PM.
    Toma viagra, ó palhaço, que a depressão passa depressa!

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    • henrique pereira dos santos permalink
      13 Agosto, 2016 07:34

      Posso sugerir umas aulinhas de leitura? Ou mais precisamente, de interpretação textual? A responsabilidade no Senhor Primeiro Ministro não é sobre os fogos: embora ele ache que sim, a realidade não depende assim tanto do que pensa ou faz qualquer primeiro ministro (por isso eu uso o último parágrafo para falar das responsabilidades de todos nós nos fogos, ao alterarmos padrões de consumo que favorecem a acumulação de combustíveis).
      A responsabilidade do Senhor Primeiro Ministro foi a de ter ajudado a moldar (e este ajudar é um eufemismo) uma doutrina de intervenção sobre o problema. E fê-lo porque decidiu prescindir do conhecimento existente sobre o problema, prescindiu de reconhecer que é na gestão do território que podemos gerir o problema porque quis satisfazer as suas clientelas directas enquanto ministro da altura (tutelava a protecção civil, portanto dar importância ao sector era dar-se importância política a si mesmo) e as clientelas políticas associadas ao tandem poder autárquico/ associações humanitárias de bombeiros, que lhe permitiam estabelecer uma sólida base de apoio político no futuro.
      Essa é a sua responsabilidade histórica no assunto.
      Agora diz que quer mudar de vida, por mim, acho bem. Mas não sou ao ingénuo ao ponto de esquecer o que fez, como fez e por que razão o fez.

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      • ingenuo permalink
        13 Agosto, 2016 09:05

        Acabou de responder a um dos trolls residentes no Blasfémias. Compreendo que o tenha feito por boa educação e conhecimento do assunto em causa mas, com o todo o respeito, está a perder tempo.

        O querido Arlindo não quer saber da verdade nem de discursos articulados.

        Ele cumpre uma missão de desinformação e de insulto pessoal, possivelmente pago à postagem, e a única solução é ignorá-lo.

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      • 13 Agosto, 2016 15:20

        Eu não me considero ingénuo, mas, desta feita, concordo com o ingenuo: o HPS respondeu a um individuo que não merece a mais pequena atenção. Este Arlindo, não passa de um simples provocador, porventura a soldo de algum Partido, ou organização semelhante.

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      • A.Lopes permalink
        17 Agosto, 2016 21:47

        Sr.Henrique:aceite um conselho. Não dê troco a este parasita do arlindinho.Este bardamerda anda por aqui e noutros sites só para chatear e tecer loas ao “poucochinho”! Há quem diga que recebe uma avença! É um inútil! Não lhe ligue! Mande-o, como dizia o saudoso Almirante Pinheiro de Azevedo: que vá à bardamerda!

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