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o que é a liberdade

8 Setembro, 2016
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A liberdade significa ausência de coação. Somos tanto mais livres quanto mais autónoma for a nossa vontade. Evidentemente que a liberdade absoluta é uma impossibilidade absoluta, porque a nossa autonomia da vontade tem infindáveis limitações. Desde logo, a nossa própria natureza, finita, frágil e muito limitada. Os recursos disponíveis, sempre escassos. Mas também, e sobretudo, os outros e as nossas circunstâncias. Não havendo dificuldades intransponíveis, é evidente que a nossa capacidade de decidir é maior ou menor consoante nasçamos ricos ou pobres, saudáveis ou enfermos, mais ou menos aptos para enfrentar as agruras da existência, etc.. Todavia, existe uma condição sine qua non a liberdade é impossível: o direito de propriedade. Muitas vezes incompreendido, a propriedade é o direito mais elementar de todos e o que, por isso, mais deve ser respeitado: começa com o reconhecimento ao direito a nós mesmos, ao nosso corpo, à nossa inteligência e àquilo que com eles conseguirmos obter pelo esforço e trabalho. A propriedade é o direito a nós mesmos e àquilo que connosco conseguimos alcançar. É, obviamente, pela sua natureza, um direito absolutamente privado e individual. Tudo que limite a propriedade é, por conseguinte, uma limitação séria à nossa liberdade individual. A teoria política desenvolveu, contudo, a ideia de que é legítimo limitar a liberdade dos indivíduos, não propriamente quando eles arrisquem a liberdade alheia, mas porque todos temos a obrigação de contribuir para a criação de condições de igualdade entre todos. Ainda que isto fosse viável e justo, não seria por isso que seria legítimo, se contrário a vontade de cada um a quem se aplica. Apesar das boas razões e dos bons motivos, não deixaria de ser uma redução objectiva da liberdade. Mas quem se incomodaria por ver a sua propriedade reduzida, se as condições de vida dos outros melhorassem, proporcionalmente, com isso? Só alguém absoluta e imoralmente insensível. O problema é que os resultados obtidos são exactamente os contrários dos anunciados: a redução da propriedade, para efeitos supostamente redistributivos, gera mais pobreza do que abundância. Basta olharmos à nossa volta para o percebermos. Porque a gestão dos recursos assim obtidos é feita por políticos, e a racionalidade da sua aplicação é política e, em democracia, frequentemente eleitoral e não empresarial, no sentido de obter os melhores resultados da aplicação dos recursos (escassos) existentes. Porque o desperdício é enorme. Porque os governos mudam e as políticas, isto é, o destino dos nossos recursos, muda também, tornando frequentemente inútil quase tudo o que se gastou para trás. Porque, quanto mais reduzida for a propriedade e o rendimento que resulta do nosso esforço, menor será o incentivo para produzirmos e o capital disponível para investirmos, empobrecendo-nos a todos. Convém não esquecer que a URSS, onde a propriedade privada quase inexistia, implodiu por razões essencialmente económicas, por falta de produção e riqueza.

Não vivemos, em Portugal, por enquanto, num país soviético. Mas vivemos num país onde a maioria da classe média começa a trabalhar, para si, a partir do mês de Julho de cada ano. Ou seja, trabalhamos, pelo menos, seis meses para o estado, em nome dos melhores princípios, sem dúvida, mas, objectivamente, com os piores resultados: três falências, em trinta e cinco anos, de um estado que cobra e gasta, pelo menos, metade dos recursos anualmente produzidos pelos seus cidadãos. E a pobreza dos nossos semelhantes a aumentar exponencialmente, como não poderia deixar de ser. A nossa liberdade está, por isso, seriamente ameaçada.

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3 comentários leave one →
  1. Arlindo da Costa permalink
    9 Setembro, 2016 02:59

    A liberdade é aquele meu território que acaba quando o teu começa.

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    • honi soit qui mal y pense permalink
      9 Setembro, 2016 10:56

      é também aquilo que o rui a. escreve
      você está a apontar a questão individual da questão , a frase chavão…
      mas a liberdade é também aquela onde o individuo se defronta com o poder despótico do sem controlo , que lhe tolhe as liberdades , seja do Estado , ou de outra qualquer instituição pública ou privada

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  2. Euro2cent permalink
    10 Setembro, 2016 07:28

    A liberdade é coisa de proprietários, e só faz sentido para eles.

    Quando a começam a apregoar e distribuir ao povo sem cheta, é porque lhes sai mais barato assim, em vez de pagarem em moeda do reino como gente honesta.

    Não é preciso complicar.

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