Portugal do pode ser
Paulo Tunhas: Portugal tornou-se, para sorte de alguns, uma espécie de experiência colectiva dos célebres “cenários políticos” de Marcelo Rebelo de Sousa, numa sua anterior encarnação. E tirando, parece, a gente que investe dinheiro, que sofre do horrível vício maniqueísta do “ou é ou não é”, viver num mundo de plena virtualidade tem um indiscutível encanto. Quem me garante que amanhã não vou encontrar um pote de ouro, deixado por um duende benfazejo, no fim do arco-íris? Até pode ser que sim.
Há, no entanto, alguns inconvenientes. Um deles é que todos os portugueses, com a excepção de Marques Mendes, o único que sabe, estão, sob a poderosa influência do poder ser, condenados ao “parece que”. Parece que António Costa e Mário Centeno negociaram com a equipa da CGD as tais condições excepcionais. Parece que Rui Rio não se vai candidatar. Parece que Sócrates escreveu mesmo o livro. E, de repente, uma ou outra destas coisas parece que não.