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Carta Aberta ao Exmo. Sr. Ministro da Educação

10 Dezembro, 2016
Não frequentei Cambridge nem sequer tenho um  cargo importante na sociedade, mas sou mãe e cidadã atenta ao meu país. Quando mudam os governos, criamos sempre expectativas de que tudo vai melhorar. Mas o que realmente acaba por acontecer, é que, quem vem a seguir, tenta desfazer tudo o que o anterior fez, sem questionar se é esse o melhor caminho. E isso, sr. Ministro, preocupa-me.

Tenho filhos a crescer que serão um dia cidadãos deste país que teima andar á deriva. E folgo muito em saber que quer mudar radicalmente o que vai mal na educação. Porque na verdade, tem muito trabalho pela frente. O que eu não entendo, é porque resolveu começar pelo fim. Porque é assim tão urgente mudar os exames. Que importância tem, serem no 4º ano ou no 2º ano, serem de aferição ou não? Que vai isso melhorar no desempenho dos alunos? Que vai isso contribuir para uma melhor aprendizagem? Quer uma opinião de uma simples cidadã que estudou parte da sua vida noutro país e conhece outra realidade? Não comece por aí.
Porque uma casa não se começa pelo telhado. E para obter bons resultados na aprendizagem dos alunos, comece por dar condições de trabalho aos nossos professores. Acabe de vez com esta tortura eterna que os obriga todos os anos a concorrer. Que os obriga a acumular 15 anos às vezes mais, de serviço, para continuarem contratados, anos após anos. Acabe de vez com colocações a 200 km de casa. Acabe de vez com a insegurança de não saberem a cada ano se vão ter trabalho ou não, porque não efectivam. Porque ninguém consegue dar o melhor de si quando trabalha na precariedade. E um professor, como qualquer outro profissional, quer-se motivado e  feliz no trabalho, para desenvolver um ensino de qualidade. Depois não se esqueça de criar incentivos para darem ainda mais de si. Prémios aos melhores, desde salariais a outros tipos de compensações. Quem trabalha gosta de ver seu trabalho reconhecido. E na verdade, o que se vê, é que, tanto aquele que faz muito ou pouco, ambos acabam por ter o mesmo. Sabe, fui docente de 1989 a 1994, e quando entrei, os mais velhos já no quadro,  riam de nós, os novatos, por estarmos a dar o “litro”, enquanto eles relaxavam à sombra do que já tinham conquistado, só pelos anos de serviço. E alertávam-nos que esse “gás” no ia acabar com o tempo.  No início, achei aquelas intervenções estúpidas, mas com o tempo, percebi do que falavam… É que, num sitio onde todos ganham por igual, façam pouco ou muito, leva  os que fazem muito, a fazer cada vez menos… Depois, coloque nas escolas  direcções autónomas, constituídas por pessoal não docente, capaz de gerir com isenção para poder avaliar o trabalho dos docentes sem favoritismos por serem apenas colegas. Uma direcção de pessoas capaz de acompanhar, incentivar, motivar e premiar quem trabalha nas escolas, com uma gestão de recursos responsável e dinâmica. E esqueça as avaliações escritas aos conhecimentos. Isso tira credibilidade às instituições que os formaram. A avaliação ao trabalho é feita através do desempenho diário que se reflecte naturalmente nos resultados.
Depois dê aos alunos condições para estudar. Escolas condignas com equipamentos de qualidade. Não precisa de ter candeeiros assinados por Siza Vieira, nem jardins ao estilo do Palácio de Belém. Apenas não falte com salas amplas e boa luminosidade,  mobiliário ergonómico que permita bom desempenho na aprendizagem. Invista nas bibliotecas escolares para que deixem de ser salinhas com meia centena de livros. E aqui não poupe. Que sejam grandes, amplas e carregadas de estantes com obras das mais variadas, jornais e revistas da actualidade, muitas mesas destinadas á leitura e ao estudo. Até ao 3º ciclo proíba o recurso ao google para trabalhos escolares. Acabe com o copy/paste das crianças e obrigue-as a usar as bibliotecas. A pesquisa feita com recurso aos livros, é muito mais eficaz porque obriga a ler muito, selecionar o que se leu, e depois transcrever. E é neste processo moroso mas eficaz, que a criança aprende. E introduza  no plano curricular destas crianças, 1 hora de visita obrigatória à biblioteca para simplesmente ler. Proíba os TPC. Criança tem de viver. Tem de ter tempo livre. Livre para brincar, estar com os irmãos, família ou simplesmente, descansar. As crianças em Portugal trabalham já mais nas escolas e com carga horária mais pesada que os funcionários públicos. E aquela sua ideia de passar para 50 horas semanais, de permanência da crianca, nas escolas, para aliviar os pais, espero que não tenha passado de uma brincadeira de Carnaval. Não são as escolas que têm de alargar seu período lectivo, são os pais que têm de ter mais tempo para suas famílias, com horários de trabalho menos pesados. Proíba o uso do telemóvel em todas as escolas para que não estejam no facebook enquanto os professores estão a explicar matéria. Os telemóveis estupidificam mais do que ensinam. Trazem perguiça mental e distracção às aulas que bem se dispensa. Acabe de vez com aulas essencialmente teóricas que tornam a aprendizagem maçuda e desinteressante, e programas extensos que obrigam o professor a despejar matéria. E promova o ensino acompanhado da componente prática, que permite um maior desenvolvimento das capacidades do aluno. Diversifique os conteúdos programáticos.  Invista em pavilhões desportivos com qualidade e bem equipados, polivalentes, que possam também integrar outras actividades culturais, de dança,  teatro,  música ou artes. Torne a escola mais divertida não com o alívio de exames, mas com diversidade de disciplinas. Diga não às turmas grandes, sobrelotadas onde o professor passa mais tempo a impor ordem do que ensinar, sem poder acompanhar convenientemente cada aluno.  E no secundário, não se esqueça de criar como obrigatória a disciplina de Introdução à Política. Os nossos futuros eleitores, chegam à idade votante sem saberem o que são eleições legislativas, nem para que servem. Como queremos assim, que o abstencionismo jovem não cresça assustadoramente, se não lhes ensinarmos a importância da particiapação nas decisões políticas. No papel que essas mesmas decisões têm nas suas vidas de futuros profissionais em busca de emprego. Nas escolas, mais do que formar futuros profissionais, formam-se cidadãos.
Aos pais ajude-os a manterem os filhos na escola aliviando seus custos. Acabe de vez com o lobies das livrarias fazendo em todas as escolas um banco de livros, reutilizáveis, para todos os alunos.
E antes de tomar medidas ouça sempre a comunidade envolvida: os professores, os pais, os alunos. Não se apresse. Porque a pressa é inimiga da perfeição e os danos de uma má decisão, nas políticas de educação, prevalecem por décadas. Dê férias prolongadas aos sindicatos, saindo do seu gabinete, e procure ouvir directamente os desabafos , opiniões e sugestões dos professores, e ouça-os. É no terreno que temos a verdadeira percepção do que vai bem ou mal. E os sindicatos, na verdade, estão mais preocupados com a sua própria sobrevivência, abusando das greves,  só para marcar presença. Nunca desfaça uma lei só porque sim. Só porque vem de governos anteriores. O que é bom , deve manter-se independentemente de quem foi o autor.
E não poupe dinheiro na educação. Porque a base de um país próspero e bem sucedido está na formação dos seus cidadãos que, quanto mais bem preparados e qualificados estiverem, mais aptos estarão para conduzir os destinos deste país, criando riqueza e autosustentabilidade que tanto nos faz falta.
Os nossos filhos são o investimento que fazemos no futuro de uma nação e não pode nenhum governo hipotecá-lo.
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44 comentários leave one →
  1. 10 Dezembro, 2016 18:46

    A estúpida e imbecil poupança mais a má e empecilhante governação no MEducação (e do MEnsino Superior) tem sido transversal a todos os governos. Uma espécie de vírus…
    Não tem surgido uma “mão de ferro” nesses ministérios, portadora de conhecimento, estratégia, decisão e imposição.

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    • 10 Dezembro, 2016 18:50

      Adenda: obviamente, uma “mão de ferro” apoiada pelos seus pares no Conselho de Ministros e sobretudo dum PM e dum ministro das Finanças.

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  2. A Prima permalink
    10 Dezembro, 2016 19:08

    Tudo muito bem dito e muito bem pensado.
    Mas enquanto forem os nogueiras e os arménios a mandarem na educação e a chantagearem minis e secretários de estado não vamos a lado nenhum.
    Só pioramos

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  3. 10 Dezembro, 2016 20:57

    Cara Cristina, você está coberta de razão e bom-senso, eu também sou pai, e logo para começar o dia arrepio-me com o peso da mochila do meu filho, uma coisa estúpida que faria protestar um soldado de elite – e é só para a parte da manhã, de tarde há mais.
    O que a Cristina não diz, mas eu digo e repito ao meu filho, é que a Escola está pensada para funcionar CONTRA os alunos, tome isso como adquirido e aja em conformidade. É um sistema optimizado para os sindicatos (não necessáriamente para os professores), editoras, estatísticas, e principalmente para a gente que nos governa. Talvez por isso os governantes têm os filhos, por acaso, no privado ou no estrangeiro. Onde se aprende.
    É quanto mais ignorantes saírem os meninos da Escola, menos vêm a estupidez de quem os governa. Há quem diga que esta minha opinião é cínica, e respondo que se a intenção não é essa, parece – talvez por isso a Introdução à Política tenha desaparecido.

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    • 10 Dezembro, 2016 21:28

      Quase totalmente de acordo.

      E quando a Educação facilitista e orientadora de inapetências se junta à eficaz despromoção, banalização e reconhecimento só qb da tolerada Cultura, temos mesmo o que vinga na sociedade tuga: a estupidez aprecia e cultiva a estupidez.
      Desde há muitos anos concluí que é fácil governar os tugas, com mais chupetas de futebolices, reality shows, voices, big brothers, calhandrices e não só…
      Haja esperança na malta jovem que por vários meios adquire Conhecimento e…Mundo.

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      • 11 Dezembro, 2016 00:16

        “” Quase totalmente “” ,,, incoerencia do cara(lh)go

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      • Cristina Miranda permalink
        11 Dezembro, 2016 10:07

        Concordo plenamente.

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    • Cristina Miranda permalink
      11 Dezembro, 2016 10:06

      Subscrevo integralmente.

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  4. Nulo permalink
    10 Dezembro, 2016 21:46

    “… Trazem perguiça mental …” se fosse só isso!

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  5. Colono permalink
    10 Dezembro, 2016 22:25

    Prezada Senhora
    Cristina Miranda

    Com a humildade e educação que me caracteriza, tomei boa nota dos seus oportunos conselhos.
    Tudo farei para não desiludir os estudantes e sus paizinhos.

    Melhores cumprimentos

    O Ministro

    Mário Nogueira

    ….

    Se porventura der por algum erro gramatical, favor releve é que há vinte e dois anos que não dou aulas…Estou destreinado….

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  6. SRG permalink
    10 Dezembro, 2016 22:31

    Subscrevo integralmente. A “fotografia” que tirou ao ensino actual é bem nítida, e só não vê quem não quer. Há infelizmente gente de topo que gosta de fazer experiências só para ser diferente, marimbando-se para os resultados desastrosos que vêm a seguir. Sempre e durante toda a minha vida aprendi a seguir os bons exemplos, e foi isso que sempre incuti nos meus filhos e netos, mas desgraçadamente há governantes que apenas olham para o seus (deles) umbigos, e a falta de humildade para pedir a opinião de quem conhece os problemas reais do ensino não os motiva. Aguentaremos até um dia, e a partir daí não sei o que acontecerá.

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  7. 10 Dezembro, 2016 22:37

    Confesso que quando li a proposta de criação da disciplina de… como é que era?… “Introdução à política”?… deixei de ler.
    .
    Cuidado. Partes do texto poderiam estar num qualquer blog de esquerda. Os seus colegas de escrita podem não gostar. Já os comentadores habituais dizem “Ámen” a tudo…
    .
    Espero também, sem ofensa, que não tenha sido professora de português… Pelo menos, em Portugal. O seu sotaque é percetível até na escrita.

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    • 11 Dezembro, 2016 00:56

      Houve Introdução à Política. Estudávamos os vários sistemas de governo, há mais que um, não sei se sabe. Também há mais do que um modo de atribuír mandatos conforme os votos. Era uma disciplina interessante que obrigava a questionar se temos a organização adequada à nossa realidade. Note que há disciplinas que, bem ensinadas, são muito interessantes. A famigerada Moral e Religião é uma delas, em vez de catequese podia ser uma janela de compreensão para várias religiões e aproximações à ética. Do mesmo modo podiam deitar EVT borda fora e ensinar saúde básica, primeiros socorros, nutrição, sexualidade, podiam mesmo articular com educação física, biologia.
      Você parou de ler mas não se absteve de mandar abaixo. Leia.

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      • Hajapachorra permalink
        11 Dezembro, 2016 02:50

        Não faz a mínima ideia do que se ensina actualmente em EMRC. Se pelo menos tivesse visto os manuais não diria disparates. São de longe os melhores manuais quando comparados com as porcarias que por aí andam para as disciplinas de português ou história.

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      • 11 Dezembro, 2016 02:53

        A Religião e Moral –assim mesmo, para o Estado convenientemente primeiro Religião e Moral depois– nunca foi nem será na sociedade tuga uma disciplina para entender outras religiões. Não convém.
        A católica impera, faz parte da História do país, e…outros “valores” se alevantam…

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      • Cristina Miranda permalink
        11 Dezembro, 2016 10:19

        Eu tive Introdução à Politica, 2 anos. É mesmo isso. Excelente disciplina que ajudaria jovens a compreender o que é a politica e lata que serve.

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      • 11 Dezembro, 2016 12:10

        É curioso como todos opinamos sobre educação.
        .
        Mas mais curioso ainda são aqueles que apelam a uma escola moderna, mas depois se limitam a dar os seus exemplos, de quando andaram na escola, há largas décadas. Aí é que era bom…
        .
        E não, a disciplina não se chama “Religião e Moral”. Chama-se Educação Moral e Religiosa …. (completar com a religião que pretender, católica, evangélica…).
        .
        O que pretende da Introdução à Política (que, obviamente não confundi com qualquer propaganda partidária) é feito, por exemplo, na disciplina de Cidadania (oferecida pela maioria das escolas) ou de História.
        E com uma grande vantagem: a sua só abrangia os alunos do secundário (que na altura eram poucos) que seguiam a área de letras (ainda eram menos), ao passo que estas abrangem todos os alunos, logo no 3.º ciclo.
        .
        Convém saber daquilo que se fala.

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    • Cristina Miranda permalink
      11 Dezembro, 2016 10:16

      Eu tive a disciplina de Introdução à Politica. Não é o que o Sr. X pensa. Não é 1 disciplina de propaganda de partidos. Santa ignorância. Explica-se o que é, pra que serve, que tipo de sistemas existem e por aí fora. É muito útil. Agora as esquerdas não gostam do que tira da ignorância porque quanto mais ignorante for o povo, melhor o manipulam. Fui professora de Práticas Administrativas. Esteja tranquilo. O texto não é de esquerda nem de direita. É de opinião. E a opinião faz-se sem fanatismos clubisticos. Entende? Não sou ovelha que vai com o rebanho. Tenho ideias próprias.

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      • 11 Dezembro, 2016 10:54

        Também as direitas nunca recusaram, nem recusam benefíciar da iliteracia, ignorância, atavismo, etc, da populaça.

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      • 11 Dezembro, 2016 12:11

        Quanto à ignorância, já deixei bem claro, no comentário anterior, onde ela habita.

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  8. Hajapachorra permalink
    11 Dezembro, 2016 03:00

    A ideia de acabar com os tpc é tola e só pode decorrer de supina ignorância. Os meninos precisam de brincar, claro, mas não são os trabalhos de casa que o impedem. A questão é outra: as crianças e os jovens passam demasiado tempo na escola, mas disso não querem is papás saber porque não lhes dá jeito. Uma criança durante a primária nunca devia passar mais de quatro horas na escola, nos restantes ciclos do básico nunca mais de cinco ou seis. Um jovem no secundário apenas devia ter seis disciplinas e 18-20 horas semanais. Nem pensar, evidentemente. Isso lixava os paizinhos e os inúteis dos professores. Metade dos professores não presta, devia ir para casa.

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    • Cristina Miranda permalink
      11 Dezembro, 2016 10:24

      Olhe, eu vim do Canadá. Do melhor que há em ensino. Raramente traziamos trabalhos de casa, ok? Estive até ao 6 ano. É com.base naquilo que tive que fiz esta carta. Tomara Portugal ter 1 educação como a Canadiana. Mas sabe, por aquelas bandas, as pessoas INTERESSAM MESMO por isso não se brinca aos legos com a educação

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      • 11 Dezembro, 2016 14:42

        Quanto à antiga “Organização Política da Nação” também tive, ainda que fosse a pior nota que consegui. Safou-me mais as notas a grego e latim que a OP.
        Mas faz sentido porque são noções de Direito e a ignorância em matéria de leis e estruras políticas só tem equivalente na ignorância acerca de PIBs e quejandas.

        Ainda na semana passada um pessoa conhecida que é prof de Filosfia colocou uma coisa maluca acerca das leis e foram lá ás dezenas todos acrescentar mais anormalidade.

        No caso era uma multa por ir sem cinto e dizia que tinha protestado e levou multa a dobrar porque por lei (e garantia que vinha no código) ninguém se pode queixar de uma coima.

        Ou seja- garantia toda aquela malta que a lei particular pode dizer coisas contra a Constituição.
        E são os mesmos que batiam palmas sempre que o Constitucional chumbava uma medida de austeridade.

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      • Monti permalink
        11 Dezembro, 2016 18:58

        A Cristina poderia falar-nos d Reforma da Administração Pública (do Estado) no Canadá doa anos 80/90.
        Talvez eu pudesse complementar com outra. A de um dos sectores que não se governam nem se deixam de governar, tipo não f… nem saem de cima.
        About Escola & Educação, elementar cara Cristson.

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    • 11 Dezembro, 2016 12:35

      Absolutamente verdade. Não há falta de profs nem de funcionários públicos. Há excesso e excesso de regalias e é por esse motivo que depois existem os contratados para fazerem o que eles não fazem.

      Já os pedagogos deviam ser todos- absolutamente todos- despedidos. Era fechar a 5 de Outubro. Completamente. Não adianta mudar governos porque o mal está lá.

      E mais profs para serem mais apparatchiks para o voto, não é preciso. O ensino para funcionar não tem de ser todo estatal como a polícia ou a tropa.

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      • 11 Dezembro, 2016 12:38

        Agora a política de tornar um funcionário público todo o contratado que vai ao engano para fazer trabalho de quem está de baixa ou com horário reduzido, é a reivindicação da FENPROF.

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      • Cristina Miranda permalink
        11 Dezembro, 2016 14:02

        Subscrevo

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      • 11 Dezembro, 2016 14:34

        Mas não quero dizer com isto que os profs sejam os grandes calões da função pública ou os mais ignorantes. Para isso temos os burocratas de gabinete.
        Eles vivem é afundados naquela anormalidade burocrática e o resto é efeito de hierarquias na horizontal.

        Ninguém avalia nada entre colegas e a única “avaliação” que pode existir são os resultados de provas de aproveitamento e o que os alunos acham.

        Tudo muito diferente de testes ou provas noutras profissões.
        Por isso é que fazia todo o sentido serem seriados por provas à entrada.

        E depois faltava ter coragem para tocar no politécnico e no Superior. Porque se o mal vem da primária onde não aprendem nada, a verdade é que quem forma esses professores são os politécnicos e o Ensino Superior que também está pelas ruas da amargura.

        O resto é a doutrina. Os programas, o “hegelianismo” e marxismo com que tudo aquilo é arrumado.
        E as etiquetas. Mudam nomes a tudo para complicarem mais. Inventam gramáticas novas onde não se entende nada e até a forma de fazer contas está mais anormal. A tabuada é aprendida às pinguinhas. Como se fossem tolinhos e só conseguissem multiplicar até 3 em pequenos e depois ser preciso esperar pela evolução das espécies para os restantes números.

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      • Cristina Miranda permalink
        11 Dezembro, 2016 19:35

        Muito bom. Concordo plenamente.

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      • Monti permalink
        11 Dezembro, 2016 19:03

        «mudam os nomes» como diz a Zazie.
        Num manual de Sociologia, deparei-me com tal novilíngua:
        em vez de professores e alunos, aprendentes e ensinantes (nestes, creio que englobavam os auxiliares).
        Que fazer, com esta raça?

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      • 11 Dezembro, 2016 19:10

        Exterminá-los. Os pedagogos são o cancro do ensino.

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  9. PiErre permalink
    11 Dezembro, 2016 08:49

    Mas será possível que estes escrevinhadores e comentadores dos blogs nunca tenham ouvido falar de António Gramsci, de Doguin, de Lenine, de Mao, de Marx, e de muitos outros “filósofos” que andam há séculos a lavar o cérebro aos indigenas deste mundo e a explicar-lhes calmamente por onde eles devem seguir para alcançar a tal sociedade de boa-aventurança que, eles asseguram, está ali já ao virar da esquina?
    Nuca leram, nunca observaram, nunca viveram? Então, o que é que andam por aqui a fazer? Posts bonitinhos, só?

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    • 11 Dezembro, 2016 12:36

      Andam tanto que até lavam os “cerebros da Direita”.

      A nossa direita é de esquerda porque andou na escola pública e teve de passar pelas mesmas macacadas de áreas de “formação para a cidadania” e tretas no género que são exclusiva doutrinação escardalha.

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  10. 11 Dezembro, 2016 10:52

    “Torne a escola mais divertida (…) com diversidade de disciplinas” – isso é o que vários ministros e pedagogos vêm procurando fazer ao longo de anos, com resultados desastrosos. Os professores conhecem o significado de nomes sinistros como “área-escola”, “projecto” (que agora se escrevem sem c), “enriquecimento curricular”, e outras iniciativas similares “visando o desenvolvimento de projectos aglutinadores dos saberes” (delícia de construção frásica para uso no Diário da República).

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    • Cristina Miranda permalink
      11 Dezembro, 2016 13:58

      Lino, não percebeu o que escrevi. O conceito que descrevo vi-o no Canadá onde estudei até ao 6 ano. Tornar a escola “mais divertida” é torná-la mais interessante. Não tem a ver com facilitismo. Muito menos com as actuais actividades extracurriculares. Leia o texto de novo com mais atenção. Aprendi lá fora que se aprende melhor num sítio agradável, com.professores motivados e disciplinas com mais componente teórica com muitas actividades que complementam os conhecimentos. As privadas já fazem isso. Nas públicas não.

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  11. 11 Dezembro, 2016 10:58

    Só uma precisão: a última expressão que citei entre aspas é mesmo do Diário da República.

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  12. 11 Dezembro, 2016 11:01

    Óptima notícia nesta manhã: os bandidos do EI bandonaram Palmyra !

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  13. JgMenos permalink
    11 Dezembro, 2016 17:24

    «E esqueça as avaliações escritas aos conhecimentos. Isso tira credibilidade às instituições que os formaram. »
    Se o pressuposto é que tais instituições merecem crédito, só precisava de saber porque assim é.

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    • 11 Dezembro, 2016 17:25

      Não merecem nada. O que está em baixo é igual ao que está em cima. E vice versa.

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    • 11 Dezembro, 2016 17:29

      Não se trata de haver avaliações escritas aos profs- eles têm aquela anormaldiade de “modas & bordados” para subirem na carreira.

      Devia tratar-se das provas de entrada. Porque nem é profissão onde se possa diferenciar quem é “muito bom” ou assim assim ou premiar. Bastaria não deixar entrar os totalmente analfabetos.

      Mas entram. Porque são a única corporação que conseguiu lutar para ter mais mongos e analfabetos nas fileiras.

      Revoltaram-se contra o Crato por poder haver coitadinhos idiotas que nem fazer contas ou formular um mero raciocínio e escrever sem muitos erros, não pudessem também vir a ser colegas deles.

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  14. marta nogueira permalink
    12 Dezembro, 2016 11:23

    “Depois, coloque nas escolas direcções autónomas, constituídas por pessoal não docente, capaz de gerir com isenção para poder avaliar o trabalho dos docentes sem favoritismos por serem apenas colegas.”

    Gostei desta! muito mesmo! Aliás, devia ser alargada a muita da administração pública!

    Ah! E captar os bons alunos para se tornarem professores também era uma boa medida.Como é que se chega lá, não faço ideia…

    E dinamitar a FENPROF. Extinguir a 5 de outubro.

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  15. Arlindo da Costa permalink
    12 Dezembro, 2016 18:23

    A mesma dialéctica marxista-cratista…

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