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pum!

5 Janeiro, 2017
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Afinal, parece que vem aí estoiro (ou o diabo?) a caminho: os juros da dívida pública a 10 anos ultrapassaram os 4%, limite máximo para o conforto, ou o desconforto, da DBRS, essa exótica agência de rating, cuja principal função é aguentar países pendurados por um fio de cabelo no precipício. Na iminência de uma nova ruptura de tesouraria do estado («falência», em linguagem menos técnica), que, certamente, o Senhor Primeiro Ministro nos explicará com um sorriso aberto nos lábios, lembrando as responsabilidades do anterior governo e de Passos Coelho por não terem nacionalizado todos os bancos portugueses, e assegurando que tudo irá correr bem, até porque não é nada a que não estejamos habituados, há que ser justo com o actual governo. Há que reconhecer que a culpa não é nossa! Nestes últimos meses, continuámos a fazer tudo o que era possível para tornarmos a nossa economia mais resistente e competitiva: reformamos o estado, a legislação laboral, baixámos os impostos, reduzimos a dívida pública proveniente da despesa corrente do estado e da sua administração, privatizámos as empresas que dão prejuízo ao erário público, vendemos as que dão lucro (?) para encaixarmos receita, não revertemos privatizações para não alarmarmos investidores, apostámos em captar o investimento estrangeiro com políticas amigas do sector privado, não criámos mais impostos para não assustarmos os investidores, pedimos mais trabalho aos portugueses em vez de mais tributos, não entrámos em loucuras despesistas para pagar favores aos sindicatos com dinheiro que não temos, etc.. Mais uma vez, se isto der para o torto, a culpa não será nossa. É do estrangeiro, que não dos deixa nunca em paz: do FMI, da Merkel e do Bilderberg, que conspiram contra nós, do Trump, que é um nojo, e, sobretudo, dos mercados, dos malditos mercados contra os quais, há uns poucos anos, um grupo de notabilidades apresentou uma queixa-crime no Ministério Público. Ignoro a evolução da queixa e se algum «mercado» já foi preso, como deveria ter sido, mas há uma coisa que sei: se isto estoirar, a culpa não é nossa! Nunca é, pelo menos nos últimos 200 anos. Isso mesmo ser-nos-à garantido pelo Senhor Presidente da República, pelo Senhor Primeiro-Ministro e por aquele rapaz com um ar atarantado que tão bem toma conta do tesouro público.

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12 comentários leave one →
  1. Zé dos Bois permalink
    5 Janeiro, 2017 22:47

    E como é que ficarão os bancos portugueses atulhados de dívida pública a desvalorizar?

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  2. Filipe Costa permalink
    5 Janeiro, 2017 23:57

    Galamba, hoje:

    @ltavaresbravo olhar para os juros e culpar o governo n é muito diferente de olhar para tempestades e culpar a homossexualidade ou as drogas

    Twitter, um produto do capitalismo.

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  3. Anónimo permalink
    6 Janeiro, 2017 00:07

    Tal como Teixeira dos S. de boa memória Centeno irá ensinar a sua arte para uma Universidade. Felizmente teremos novas gerações bem preparadas para assumir homogénia conduta política.

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  4. 6 Janeiro, 2017 00:25

    Em Noite de Reis, a troika vem a caminho!

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  5. 6 Janeiro, 2017 01:01

    Se o Costa foi chamar o Macedo para a CGD, também pode ir chamar o Passos Coelho para vice-Primeiro Ministro.
    Capaz é ele disso e de muito mais.
    É um cuzinho de vergonha.

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    • 6 Janeiro, 2017 09:32

      O Kosta convidar Coelho para Vice-1º-Ministro nem me surpreenderia. Já Coelho aceitar seria muito grave.

      Num Governo de Bloco Central, o 1º-Ministro só pode ser do PSD que foi o partido com mais votos e mais deputados.

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  6. Manuel permalink
    6 Janeiro, 2017 05:38

    Ontem, já era patente nas televisões qual era o guião para explicar um mais que provável estoiro. As políticas monetárias do BCE decorrentes da inflação na Alemanha! O meu receio é que os povos protestantes do norte da Europa não estejam dispostos a novos resgates. Ao PS, resta recorrer à deputada Mortágua e “ir buscar o dinheiro onde ele está”.

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    • ABC permalink
      6 Janeiro, 2017 12:03

      Portanto aos portugueses em geral, resta fazer com que o dinheiro “não esteja”. Para as empresas é canja, muda-se a sede para a Holanda. Os outros procurem no google como fizeram os gregos e cipriotas. Chama-se a isso “fuga de capitais”, uma forma de denegrir o acto do povo não estar para ser roubado – e despachem-se, porque governos tipo geringonça contra atacam com o chamado “controlo de capitais”, que é uma forma de garantir que o povo é mesmo roubado.

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  7. André Miguel permalink
    6 Janeiro, 2017 18:53

    Com taxas de juro e petróleo em mínimos, o país ir outra vez ao charco… se o PS continuar a existir, esta merda de país merece bem pior do que vier a acontecer!

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  8. Rui permalink
    7 Janeiro, 2017 17:14

    na europa já se fala de uma reestruturação da dívida. Tendo em conta que a dívida não passa de dinheiro eletrónico (fiat) contabilizado pelo BCE, EUROSTAT etc parece-me descabido preocuparmos-nos demasiado com isso. Neste ponto concordo com a afirmação do Sócrates quando disse que as dívidas se gerem. Agora e querem preocupar-se com algo verdadeiramente relevante, e acho que só ficava bem a este blog comentar sobre esse tema e arranjar informação mais escondida sobre ele acho que nos devíamos era preocupar a sério com o estado das reservas de ouro Portuguesas e se estão em território Português. Isso sim é o garante da nossa soberania. Não sei muito bem qual o “status” dessas mesmas reservas pois o Banco de Portugal supostamente é uma extensão do BCE…

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