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É uma fé que nós cá temos!

12 Maio, 2017

Anos 60: Passavam às centenas. Quando interrogados pelos jornalistas sobre a razão daquele caminhar mais do que um responde com um lapidar “É uma fé que nós cá temos!” Falo de Fátima obviamente.

Anos 20: Os católicos portugueses tinham assistido sem grande reacção aos ataques à sua igreja, à prisão de alguns padres e às perseguições aos bispos. Às vezes reagiam mas a revolta essa só chegava quando o anti-clericalismo do Estado os impedia de exercer essa fé que tinham consigo. E assim o mesmo país que parecia aceitar com fatalismo o afastamento dos bispos das respectivas dioceses enfrentava as autoridades para continuar a ter as suas procissões, o toque dos seus sinos e não abdicava de todos os rituais inerentes a um funeral católico. É desse país e dessa fé que “nós cá temos” que nasce Fátima.

É também daí que advém o monumental desencontro que teve lugar em Fátima entre o povo e as élites. Estas, sobretudo nas suas vertentes mais revolucionárias, suspiraram todo o século XX por movimentos de massas e tiveram um, gigantesco, poderoso e contínuo, ali à sua frente mas preferiram olhar para o outro lado.

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5 comentários leave one →
  1. piscoiso permalink
    12 Maio, 2017 10:18

    É um movimento de massas para ficar nas boas graças da soberana senhora, que é nossa dizem eles e dela esperam milagres, acenando com um lenço, de joelhos caminhando com oferta de uma vela.

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  2. JgMenos permalink
    12 Maio, 2017 10:21

    O pastor esquerdalho tem na religião o símbolo maior da sua frustrada pastorícia.

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  3. piscoiso permalink
    12 Maio, 2017 10:45

    Esquerdalhos e direitontos, rezam orações diversas em diferentes altares, venerando outros santos, cantando loas ao vento.

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  4. Terry Malloy permalink
    12 Maio, 2017 14:46

    “Os mesmos católicos portugueses que tinham assistido sem grande reacção a partir de 1910 aos ataques à sua igreja mobilizaram-se em torno [d]a fé que nós cá temos!”

    É isto.
    Todas as questões, se não nos tocam no mais comezinho do dia-a-dia, “são coisas lá com eles”.

    O Bordalo enganou-se no Zé Povinho, devia ter sido um encolhimento de ombros em vez do manguito.

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  5. Arlindo da Costa permalink
    14 Maio, 2017 21:07

    O povo é que impôs este culto.
    A Igreja no início atacou e só por mera instrumentalização política e social é que assenhorou-se do fenómeno.
    Salazar nunca acreditou em Fátima nem gostava de futebol!

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