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O RSI da “Pobreza Severa”

4 Agosto, 2017

O mesmo Governo que ainda não reverteu por completo o SIRESP por falhas criminosas, resolveu reverter mais uma medida do anterior executivo. Qual é ela? Aquela que limitava o acesso ao RSI de pessoas com carros, avionetas, barcos e contas bancárias com mais de 25000€. O que alegou então Vieira da Silva para reverter esta medida? Que estas condições não invalidavam a existência de “pobreza severa”. Muito bem. Dito isto ficamos a saber que pobreza severa também atinge quem tem bens e contas com milhares de euros. A sério? Não estou aqui a dizer que ficar sem trabalho não é dramático. É. Mas se eu ficar sem trabalho e tiver 25000€ no banco ou um bem nesse valor, eu não sou pobre. Estou, sim,  em dificuldades e isso é outra coisa. Ficar desempregado mas ter bens que me permitem dar a volta por algum tempo à minha situação, não é pobreza severa. Porque essa folga vai me permitir aguentar por algum tempo este azar. Pobreza é não ter absolutamente nada a que recorrer assim que falha o salário.

O perigo desta medida, mesmo que possa abranger poucas pessoas, é a mensagem que passa aos que labutam diariamente, alguns de forma árdua, 8 horas por dia quando não é mais, muitas vezes por apenas um salário mínimo. É a revolta dos que se veem a sustentar medidas que convidam ao laxismo autorizado por um Estado frouxo e incompetente que mais não quer do que engrossar a plateia de apoiantes à custa dos que trabalham. É a desmotivação que se interioriza nos que sempre se fizeram à vida mesmo quando a vida não se fez a eles. E isso compromete o futuro de um país.

Quando a vida resolveu ser madrasta comigo a primeira medida foi colar avisos nos supermercados com “faz-se limpezas e passa-se a ferro”. Não demorou sequer um mês para ter o meu primeiro cliente. Como o desemprego atingiu dois membros da família em simultâneo, a venda de alguns bens e desactivação de serviços que pesavam no final do mês, como a MEO, entre outros, foi a medida seguinte. Entretanto reestruturou-se toda uma vida que até ali era muito confortável. A alívio financeiro foi quase imediato. Recorrer ao RSI nunca foi posto na mesa antes de experimentar outras vias. Porquê? Porque desde menina que me ensinaram a pescar e não a viver da pesca dos outros. Só recorreria ao Estado se todo o resto falhasse. 

Como empregadora constatei o desastre que estas e outras medidas idênticas provocaram na sociedade. Recordo aqui uma senhora que respondia ao meu anúncio de emprego e estava desesperada por trabalho. Dizia que já lhe iam cortar a luz e água. Que tinha 3 filhos. Que recebia refeições da AMI. Depois da entrevista em sua casa, contratei-a. Chorou, agradeceu agarrada a mim. Confronta-me com o problema de não ter dinheiro para transportes sequer. Resolvi adiantar uma soma pequena que lhe descontaria depois. Por iniciativa minha, paguei a conta da luz e água desse mês. Comovida por inesperada iniciativa, chorou de emoção. Quando chegou o dia, não apareceu ao trabalho. Também perdi a conta aos que vinham com folha do Centro Emprego “só para carimbar” diziam eles. Ou daqueles que vinham a mando do IEFP mas que diziam que só ficavam se pudesse acumular o subsídio desemprego com ordenado. Ou aqueles que chegavam pelo IEFP e tudo faziam para desagradar e fossem recambiados para o desemprego. Por isso, recorria a estrangeiros para trabalhar. Por isso há falhas graves de mão de obra com milhões de portugueses a viver de ajudas sociais. Isto é um facto.

A sociedade que estamos a construir com estas medidas será uma sociedade medíocre incapaz de fazer frente a qualquer adversidade sem ser amparada, ou pelos pais ou pelo Estado. Serão futuros cidadãos que mesmo com canas de pesca ao seu lado, morrerão de fome. E chegamos a isto porque desde o berço, a partir de certa altura, instituiu-se que as pessoas não se podem frustrar e educamos à socialista os nossos próprios filhos. Depois, ficamos surpreendidos porque não se fazem à vida ou porque temos uma sociedade de delinquentes.

Mas o mais curioso e anedótico disto é que os beneficiados do RSI não são os que mais precisam porque esses têm SEMPRE dificuldade em provarem que são pobres. Exemplos? Os idosos a quem lhes é negado essa ajuda de forma escandalosa só porque os filhos, dentro dos seus parcos rendimentos,  os ajudam a pagar algumas contas.  Já os que vivem em comunidades nómadas, a venderem em feiras e com a MEO nas barracas, os acumulam.

Critérios de “pobreza extrema” que jamais entenderei nem aceitarei.

 

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31 comentários leave one →
  1. Ana permalink
    4 Agosto, 2017 11:27

    É realmente revoltante. Neste momento encontro-me na situação de mais um mês.ou dois ser despedida pq a empresa vai fechar. Não tenho sequer direito ao subsídio de desemprego pq só estou a trabalhar a pouco tempo. Toda a minha vida trabalhei e liguei para ter o meu curso superior que não me serve de nada pq não arranjo emprego na área. E estes srs dizem barbaridades destas…..como é possível quem tem bens nesse montante estar em.pobreza extrema…..sinto me completamente sem.palavras.para.descrever os sentimentos que.me assolam.

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  2. 4 Agosto, 2017 11:36

    Esta treta é apenas um pretexto apra darem RSI aos imigrantes a que chamam “refugiados”.

    Basta entrarem cá e darem morada e terem bens que têm direito a viverem à nossa conta e ainda a usarem os hospitais estatais para tratarem aquelas doenças maradas da consaguinidade.

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  3. Expatriado permalink
    4 Agosto, 2017 12:03

    O Algarve está cheio de “bronzeados” a vender luzinhas e pequeninos envelopes brancos…

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  4. Viriato de Viseu permalink
    4 Agosto, 2017 12:12

    Assinado!!!

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  5. 4 Agosto, 2017 12:27

    Concordo plenamente!
    Para mim, já estão a preparar a cama aos “amigos” que vão ficar desempregados…mas isto sou só eu a divagar…

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  6. Expatriado permalink
    4 Agosto, 2017 12:41

    Descreve bem o pm (minúsculas) do recanto…

    https://pbs.twimg.com/media/DGBcFFDXcAIBdST?format=jpg

    “NÃO HÁ UMA ARMA MAIS LETAL QUE UM ‘IMBECIL’ COM PODER”

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  7. Elmano permalink
    4 Agosto, 2017 12:53

    Eu já pasmei com esta conclusão. Como diz e bem, é só eleitoralismo. Manter o PS no poder com o apoio dos seus acólitos. A maioria do bom povo não se importará desde que haja um aumento de 6 euros e alguns cêntimos, como parece que vai haver para os 2 milhões de reformados. Como disse e saudoso Medina Careira o partido do Estado são cerca de seis (6) milhões de almas. Quem conseguir captar estes votos manter-se-á eternamente no poder. Para pagar estarão os outros 4 milhões.

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    • 4 Agosto, 2017 13:24

      Por quanto tempo serão quatro milhões?

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      • Cristina Miranda permalink
        4 Agosto, 2017 14:43

        Exactamente. Por quantotempo.

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    • André Miguel permalink
      4 Agosto, 2017 18:58

      O problema é que já não sao 4 milhões. 3,7M de almas levam este país às costas. Isto vai estourar mais depressa do que pensam, a dívida, a economia e a demografia encarregam-se disso. Seremos a Venezuela da Europa.

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    • Rafael Ortega permalink
      4 Agosto, 2017 21:12

      Quando o Medina Carreira disse isso eu ainda era um dos quatro milhões. Agora já não sou. O último a sair desligue a luz e feche a porta.

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  8. Rui permalink
    4 Agosto, 2017 12:55

    Sou contra o RSI excepto a individuos completamente incapazes de trabalhar.
    Sou a favor do TMG, Trabalho Mínimo Garantido, um programa que garantisse trabalho a qualquer cidadão com um salário significativamente abaixo do salário mínimo. Existem uma série de tarefas que estas pessoas poderiam desempenhar, e receber dinheiro por trabalho é sempre diferente de receber dinheiro sem dar nada em troca.

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    • Cristina Miranda permalink
      4 Agosto, 2017 14:41

      Exactamente isso. Tenho dito o mesmo

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    • Raghnar permalink
      4 Agosto, 2017 15:26

      Pois, e de que rendas iriam os DDT viver?

      Completamente de acordo consigo, no entanto…

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      • Rui permalink
        4 Agosto, 2017 16:29

        Contudo não existe um único partido político com esta proposta! E na constituição portuguesa está estabelecido o direito ao trabalho.
        Acho que é uma proposta política que faz todo o sentido e que na minha opinião iria receber muitos votos.

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      • Rui permalink
        4 Agosto, 2017 16:32

        tanto das pessoas que para ela iriam contribuir através dos seus impostos como das pessoas que iriam ser beneficiadas. Acho que até é uma proposta que tanto poderia ser de partidos de esquerda (Que normalmente se preocupam mais com a existência de redes de segurança) como partidos de direita que veriam com bons olhos a alteração de uma prestação pecuniária que não traz nenhum obrigação associada para uma prestação que traz obrigações associadas.

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      • Raghnar permalink
        4 Agosto, 2017 17:07

        Aliás o que muito “defensor dos pobres e oprimidos” esquece deliberadamente é o trabalho enquanto instrumento de integração e de promoção de auto-estima individual. As pessoas sentem-me mais úteis, melhor consigo mesmas e continuam a aprender todos os dias, em vez de passar os dias em casa a ver a “Júlia”, embrutecendo um pouco todos os dias.

        Não é só o factor financeiro que é importante. Desconfio muito que a defesa do ócio é intencional…

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      • Rui permalink
        4 Agosto, 2017 17:46

        Eu penso que não é propriamente esquecerem-se Raghnar, penso que o q assusta mais são as dificuldades de implementação. Para fornecer trabalho teriam de existir chefias, controlo de faltas, seguros etc. É muito mais simples e provavelmente envolve menos custos dar apenas dinheiro e não trabalho. Ou seja seria um programa com custos elevados. De cada vez que alguma coisa corresse mal iria aparecer nas noticias etc.
        Mas eu concordo consigo, acho que as melhorias de auto estima das pessoas, a sua integração, iria compensar largamente o investimento. Além de que Portugal se poderia orgulhar de ser o primeiro país com um programa assim.

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  9. A. R permalink
    4 Agosto, 2017 13:10

    Agora comparem estas generosidades com a sanha que a pobrissima Holanda pratica contra quem não paga a conta de saúde de quem não esteja coberto pelo seguro

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  10. 4 Agosto, 2017 13:52

    Os portugueses em geral não têm ética laboral. E ética em geral têm pouca.
    O grande erro desta geração é que as pessoas devem ser felizes no trabalho. Não necessáriamente, para isso existem hobbies. No trabalho há que ser eficiente, torna tudo mais fácil, para todos.
    Eu não gosto particularmente do meu emprego, mas tenho contas para pagar. E mesmo não gostando do que faço procuro sempre modos de tornar o serviço mais simples – por exemplo varrer um armazém requer a vassoura certa, fazer uma folha de cálculo é melhor no Excel.
    Talvez por ser assim, não suporto muitos serviços públicos. Há dias fui a um departamento camarário e não havia sistema. E quando voltou o sistema foi tudo lanchar, sem respeito por quem falta ao emprego para ser atendido.
    Há muita gente que não quer trabalhar, é pena é estarem empregados.

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    • Rui permalink
      4 Agosto, 2017 13:59

      a questão é que nessa situação deveria ser possível ao cidadão registar a ocorrência e isso deveria refletir-se nas avaliações não só dos funcionários mas também das chefias

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      • Baptista da Silva permalink
        4 Agosto, 2017 14:09

        Avaliações? Quais? Isso foi banido pelo governo a mando da CGTP.

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      • carlos alberto ilharco permalink
        4 Agosto, 2017 18:27

        Em todo o lado há Livro de Reclamações, acontece é que os portugueses têm o hábito de reclamar mas não é no sítio certo, basta estar dez minutos em qualquer repartição público para o perceber.
        É a reclamação do “eles”.

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      • 4 Agosto, 2017 20:44

        Se eu fizer uma reclamação, da próxima vez em vez de perder uma manhã, perco muitas. As coisas não deviam ser assim, mas são. Sabe quanto demoraram para aprovar uma janela? Um ano.
        A FP funciona assim. Estes da câmara ao menos foram lanchar à hora do costume, nas finanças já me aconteceu o pessoal acabar de entrar ao serviço e ir tomar o pequeno – almoço. Das 09:00 às 10:30 não ficou ninguém a atender. Ninguém reclamou. A FP tem um estatuto tipo camorra.

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  11. 4 Agosto, 2017 15:37

    Excelente post, se todos tivéssemos a mesma postura e civismo o país seria muito diferente.

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  12. 4 Agosto, 2017 16:03

    Republicou isto em PortugalGate and commented:
    Os Partidos da Igualdade, da Inclusão, da “Junção” e de todas as fanfarronices politicamente correctas, querem dar dinheiro a quem o tem, os que não tem rendimentos que se lixem, mas quem tem um Mercedes recompensado. Ohh Costa! Porreiro pah!

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  13. Manuel A permalink
    4 Agosto, 2017 16:05

    Receber RSI e não dar nada em troca, está mal.

    Cada cidadão que recebe RSI, devia prestar, obrigatoriamente, um serviço gratuito à Comunidade, durante “x” horas diárias.

    É certo que nem tudo se perde pois muitos devolvem ao Estado 23%, nas “bejecas” que bebem à conta.

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  14. Colono permalink
    4 Agosto, 2017 16:34

    Concordo plenamente com o novo regulamento da atribuição do RSI ( até acho pouco)

    Será que chega para a gasolina e manutenção dum Mercedes de 25.000 E?

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  15. 4 Agosto, 2017 18:11

    Concordo em absoluto. Sei por experiência própria o que é ter que reformular a vida, incluindo vender bens imóveis, para aguentar enquanto se procura outra fonte de rendimento. Essa experiência também me permitiu testemunhar inúmeras situações análogas ao “só para carimbar”, “só ficavam se pudesse acumular o subsídio desemprego com ordenado” e “tudo faziam para desagradar e fossem recambiados para o desemprego”.

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  16. Filipe Costa permalink
    4 Agosto, 2017 20:20

    O que mais existe por esse Portugal fora é pessoal a receber do estado, RSI ou fundo desemprego , ou outra treta qualquer, acumulando com Rendimentos extra que nem declaram. Um exemplo é a restauração, aquilo é um vespeiro, até ilegais contratam e siga a banda.

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  17. Arlindo da Costa permalink
    4 Agosto, 2017 22:39

    Aqui confirma-se que o pior inimigo do pobre é mesmo o pobre.

    Sejam ousados. Libertem-se desses dogmas e invejas pequeno-burguesas!

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