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O vitimismo

8 Outubro, 2017

Entre os lugares comuns que por aí se reproduzem está a repressão da língua catalã no tempo do franquismo. Na verdade o catalão não era língua oficial mas era falado e escrito como lembrou a escritora catalã Mercedes Salisachs. Existiam aliás prémios para obras escritas em catalão. Vale a pena ler o que se escreve aqui sobre este assunto. Ou melhor ainda consultar a página oficial do Departamento de Cultura da Generalitat Institució de les Lletres Catalanes e pesquisar obras entre 1939 – ano em que se afiança foi proibido falar catalão – e 1975, ano em que Franco morreu e se terá podido voltar a falar catalão. Escreveu-se e publicou-se em catalão durante todo o século XX em Espanha.

Para já deixo aqui a lista dos prémios atribuídos a obras e autores catalães durante o tempo em que “era proibido falara catalão”

Premio de Honor de las Letras Catalanas

◦ 1969 Jordi Rubió i Balaguer (historiógrafo y bibliólogo).
◦ 1970 Joan Oliver (Pere Quart, escritor).
◦ 1971 Francesc de Borja Moll i Casasnovas (filólogo y editor).
◦ 1972 Salvador Espriu i Castelló (escritor).
◦ 1973 Josep Vicenç Foix (escritor).
◦ 1974 Manuel Sanchis i Guarner (filólogo e historiador).
◦ 1975 Joan Fuster i Ortells (escritor).

Premio Joaquim Ruyra de narrativa juvenil
◦ 1963 Josep Vallverdú, por L‘abisme de Pyramos.
◦ 1964 Carles Macià, por Un paracaigudista sobre la Vall Ferrera.
◦ 1965 Desierto.
◦ 1966 Robert Saladrigas, por Entre juliol i setembre.
◦ 1967 Emili Teixidor, por Les rates malaltes.

Premio Josep Pla
◦ 1968 Terenci Moix, por Onades sobre una roca deserta.
◦ 1969 Baltasar Porcel, por Difunts sota els ametllers en flor.
◦ 1970 Teresa Pàmies, por El testament de Praga.
◦ 1971 Gabriel Janer, por Els alicorns.
◦ 1972 Alexandre Cirici, por El temps barrat.
◦ 1973 Llorenç Villalonga, por Andrea Victrix.
◦ 1974 Marià Manent, por El vel de Maia.
◦ 1975 Enric Jardí, por Historia del cercle artistic de Sant Lluc.

Premio Prudenci Bertrana
◦ 1968 Manuel de Pedrolo, por Estat d’excepció.
◦ 1969 Avel•lí Artís-Gener, por Prohibida l’evasió.
◦ 1970 Vicenç Riera Llorca, por Amb permís de l’enterramorts.
◦ 1971 Terenci Moix, por Siro o la increada consciència de la raça.
◦ 1972 Oriol Pi de Cabanyes, por Oferiu flors als rebels que fracassaren.
◦ 1973 Biel Mesquida, por L’adolescent de sal.
◦ 1974 Desierto.
◦ 1975 Baltasar Porcel, por Cavalls cap a la fosca.

Premio Lletra d’Or
◦ 1956 Salvador Espriu, por Final del laberint.
◦ 1957 Josep Pla, por Barcelona.
◦ 1958 Josep Carner, por Absència.
◦ 1959 Ramon d’Abadal, por Els primers comtes catalans.
◦ 1960 Clementina Arderiu, por És a dir.
◦ 1961 Josep Vicenç Foix, por Onze Nadals i un Cap d’Any.
◦ 1962 Joan Oliver (Pere Quart), por Vacances pagades.
◦ 1963 Joan Fuster, por Nosaltres els valencians.
◦ 1964 Josep Benet, por Maragall i la Setmana Tràgica.
◦ 1965 Jordi Rubió, por La cultura catalana, del Renaixement a la Decadència.
◦ 1966 Manuel de Pedrolo, por Cendra per Martina.
◦ 1967 Gabriel Ferrater, por Teoria dels cossos.
◦ 1968 Marià Manent, por Com un núvol lleuger.
◦ 1969 Xavier Rubert de Ventós, por Teoria de la sensibilitat.
◦ 1970 Joan Teixidor, por Quan tot es trenca.
◦ 1971 Alexandre Cirici, por L’art català contemporani.
◦ 1972 Joan Coromines, por Lleures i converses d’un filòleg.
◦ 1973 Maurici Serrahima, por Del passat quan era present.
◦ 1974 Joan Vinyoli, por I encara les paraules.
◦ 1975 Vicent Andrés Estellés, por Les pedres de l’àmfora.

Premio Mercè Rodoreda de cuentos y narraciones

◦ 1953 Jordi Sarsanedas, por Mites.
◦ 1954 Pere Calders, por Cròniques de la veritat oculta.
◦ 1955 Lluís Ferran de Pol, por La ciutat i el tròpic.
◦ 1956 Manuel de Pedrolo, por Crèdits humans.
◦ 1957 Mercè Rodoreda, por Vint-i-dos contes.
◦ 1958 Josep Maria Espinàs, por Varietés.
◦ 1959 Josep A. Boixaderas, por Perquè no.
◦ 1960 Ramon Folch i Camarasa, por Sala d’espera.
◦ 1961 Estanislau Torres, por La Xera.
◦ 1962 Jordi Maluquer, por Pol•len.
◦ 1963 Carles Macià, por La nostra terra de cada dia.
◦ 1964 Joaquim Carbó, por Solucions provisionals.
◦ 1965 Víctor Mora, por El cafè dels homes tristos.
◦ 1966 Guillem Viladot, por La gent i el vent.
◦ 1967 Terenci Moix, por La torre dels vicis capitals.
◦ 1968 Jaume Vidal Alcover, por Les quatre llunes.
◦ 1969 Robert Saladrigas, por Boires.
◦ 1970 Montserrat Roig, por Molta roba i poc sabó.
◦ 1971 Gabriel Janer Manila, por El cementiri de les roses.
◦ 1972 Josep Albanell, por Les parets de l’insomni.
◦ 1973 Jaume Cabré, por Atrafegada calor.
◦ 1974 Beatriu Civera, por Vides alienes.
◦ 1975 Xavier Romeu, por La mort en punt.

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38 comentários leave one →
  1. nisof permalink
    8 Outubro, 2017 12:56

    Esses criminosos separatistas catalões deveriam ser fuzilados como bandidos contra o povo espanhol! Cataluña é uma província espanhola que tem um dialeto assim como tem e as outras línguas na Europa, e por isso a Cataluña não e droga nenhuma de “outro povo e outro país”! Paredon para os criminosos separatistas da Cataluña, que não querem espanhóis mas querem islamistas!

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  2. piscoiso permalink
    8 Outubro, 2017 13:17

    Estava para comprar um desses livros, mas lembrei-me que não sabia ler catalão.

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    • 8 Outubro, 2017 13:32

      È uma chatice, o progresso cultural por dialecto

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    • 8 Outubro, 2017 13:33

      Também já há guineenses a fazerem curso de relações internacionais sem saberem português ou inglés-
      Só crioulo.

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    • André Miguel permalink
      8 Outubro, 2017 15:08

      Piscoisa deixe de tentar ser engraçado, só fica mais parvo do que já é.

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      • piscoiso permalink
        8 Outubro, 2017 15:42

        Ó Miguelita, se achas graça o problema é teu. Parva és tu.

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  3. Juromenha permalink
    8 Outubro, 2017 13:25

    A indigência mental que por aí anda a bater palmas de “claque” a esse apêndice do reino de Aragão ( e também, a sul, do de Valência ), devia passar os olhos pela História da Hispânia…

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    • André Miguel permalink
      8 Outubro, 2017 15:12

      Não deixa de ser irónico ver a extrema esquerda bater palmas e incentivar uma independência baseada na suposta superioridade de um povo… Como é mesmo que eles chamavam a isso? Pois… se a hipocrisia pagasse imposto a esquerdalhada era o maior contribuinte.

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  4. 8 Outubro, 2017 13:29

    Deixe lá que qualquer dia são obrigados a falar árabe.

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  5. 8 Outubro, 2017 13:30

    A escardalhada agarra sempre as pessoas pelas partes baixas.

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  6. 8 Outubro, 2017 13:31

    Quando não é a inveja é o rancor ou coisas assim, muito bonitas que só existem por se afirmarem por complexo de inferioridade contra outros.

    Depois, querem ser iguais aos opressores. Ou, se possível, ainda maiores nesses defeitos todos.
    Normalmente acabam a chupar migalhas

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  7. A. R permalink
    8 Outubro, 2017 14:03

    Ali, do lado de França, também há qq coisa como catalão mas é só nas estações de metro e por baixo do francês.

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    • Paulo Valente permalink
      9 Outubro, 2017 14:49

      Não, ainda não foi. Mas é muito habitual haver roubos em Moçambique, mas a verdade é que usualmente os assaltantes têm vestes cristãs. E já agora, o que são vestes islâmicas? É que eu tenho alunos muçulmanos e vestem-se como os meus alunos cristãos. Ah! E também como os meus alunos agnósticos e ateus.

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  8. Arlindo da Costa permalink
    8 Outubro, 2017 17:49

    O que é que a Drª Helena pretende explicar com isto?

    As obras em crioulo justificam que não houve dominação e colonialismo?

    Há muita gente aqui que nasceu para ser súbdito. Não sabem o que é a Liberdade… até porque não foram educados nela e para ela.

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    • Carneiro permalink
      8 Outubro, 2017 18:32

      eheheheh…..ele não percebeu mesmo. …que tijolo….

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      • 8 Outubro, 2017 20:15

        ó c’um carago, o (suposto) Arlindo
        concluíu que há “muita gente aqui que nasceu para ser súbdito. Não sabem o que é a liberdade…até porque não foram educados nela e para ela”.
        No mínimo, não tem noção do que escreveu para marcar o ponto.
        Um tijolo ou um capacete, pesam-lhe demasiado. Areje, areje o cerebelo !

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    • LDM permalink
      8 Outubro, 2017 21:14

      Arlindo, muito obrigado pelo seu imenso contributo.

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    • Paulo Valente permalink
      9 Outubro, 2017 14:50

      Caro Arlindo da Costa, na mouche!

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  9. Aónio Lourenço permalink
    8 Outubro, 2017 17:51

    Recordo que o Catalão está proibido de ser falado no Parlamento Espanhol, como no Parlamento Europeu, cujas línguas oficiais são definidas pelos estados membros! Mas de nada vale argumentar, pois já me apercebi que este blogue está repleto de Migueis de Vasconcelos.

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    • 8 Outubro, 2017 18:13

      O Mirandês é falado no ‘Parlamento Português’ e no ‘Parlamento Europeu’?
      E o Esperanto tambem?

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      • EMS permalink
        8 Outubro, 2017 18:31

        O Mirandês é considerado lingua oficial em Portugal. Se alguem decidir fala-lo no parlamento estará no seu direito.

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      • Aónio Lourenço permalink
        8 Outubro, 2017 20:15

        O Gaélico, falado por cerca de 100 mil pessoas na UE, é língua oficial da UE.
        O Catalão é falado por cerca de 10 milhões de pessoas na UE e não tem estatuto de língua oficial da UE. Sabe porquê? Porque quem define as línguas oficiais são os estados membros. A Espanha sempre proibiu o Catalão de receber qualquer estatuto oficial, enquanto a Irlanda, apesar de o Inglês ser obviamente a língua franca da Ilha, decidiu incluir o Gaélico como língua oficial.

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      • sam permalink
        9 Outubro, 2017 11:24

        “decidiu incluir o Gaélico como língua oficial”

        O Gaélico é a língua nacional e a primeira oficial da Irlanda. Não faz qualquer sentido argumentar por um estatuto semelhante do catalão em Espanha.

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      • Paulo Valente permalink
        9 Outubro, 2017 14:44

        EMS, desculpe mas está enganado. Não pode falar mirandês no parlamento europeu, se considerar que o mirandês não é (e não é de facto) um dialecto do português.
        Por outro lado, e por o galego ser considerado por muitos linguístas como um dialecto do português, houve um euro-deputado espanhol que falou em galego no parlamento europeu afirmando que por se tratar de um dialecto do português tinha o direito de o fazer.

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    • LDM permalink
      8 Outubro, 2017 21:16

      Aónio, você é um crânio.

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  10. EMS permalink
    8 Outubro, 2017 18:18

    Em 1776 os americanos declararam a independencia por estarem proibidos de falar inglês.

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  11. licas permalink
    8 Outubro, 2017 18:20

    Impossível deixar de lembrar o Salazar (Orgulhosamente sós) na querela da Venezuela Chavista (aliás muito devidamente louvada/apoiada pelo Partido Marxista Leninista cá da terra) com a Organização dos Estados Americanos quando nos anos 60 todas as Nações combatiam na ONU a manutenção de colónias por Portugal. . . No país sul-americano, uma pequenina “diferença”: a população oprimida é, nem mais nem menos, a população inteira. De tal maneira que a Venezuela solicitou a sua auto-exclusão : vergonhosamente sós. É que o regime Chavista não é capaz de negar a evidência que utiliza a prisão/tortura contra os adversários políticos.

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    • Paulo Valente permalink
      9 Outubro, 2017 14:41

      Ó Licas, o que é que tem a ditadura venezuelana tem a ver com a Catalunha?

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  12. José Domingos permalink
    8 Outubro, 2017 18:49

    Por cá os partidos ditos fascistas e afins, também estão proibidos pela constituição (ml) e ninguém quer saber.
    Só são permitidos os partidos democráticos, e das amplas liberdades.
    Critérios.

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  13. carlos alberto ilharco permalink
    8 Outubro, 2017 21:25

    Nunca vi tanta confusão e desinformação como agora.
    Hoje foi feita uma manifestação que contou entre 350 mil a 1 milhão conforme os gostos.
    Depois Paulo Portas verificou que a Catalunha está dividida ao meio, tomando como comparação as duas manifestações a de hoje a do dia do referendo.
    Entretanto parece que na manifestação de hoje havia mais pessoas de fora da Catalunha do que de lá, mas isso não pareceu importante.
    Para completar o ramalhete o presidente de um clube de futebol arrastou esse mesmo clube para a contenda e declarou todos os sócios a favor da independência.
    Para trapalhada não está nada mal.

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  14. lucklucky permalink
    8 Outubro, 2017 23:38

    Onde já vai a obsessão Castelhana por aqui.

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  15. Paulo Valente permalink
    9 Outubro, 2017 14:38

    Sim, sem dúvida, havia muita liberdade me Espanha durante o franquismo. Helema Matos parte do princípio de que todos os seus leitores são ou demasiado novos para se recordarem das ditaduras ibéricas ou convenientemente estúpidos para não pensarem pelas suas cabeças.
    Os prémios que referiu são prémios que foram promovidos por pessoas ou instituições privadas catalãs com o objectivo de defenderem a língua e a cultura catalã. E porque era necessária essa defesas?
    Era necessária, porque o catalão estava proibido no ensino, estava proibiod nos meios de comunicação, e todas as cidades vilas e aldeias da Catalunha tinham visto os seus nomes castelhanizados.
    Sabe Helena Matos qual o nome que se dá ao tipo de jornalista/historiadora ou o que quer que finge ser, noutros países da Europa? Chama-se-lhes negacionistas.

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    • Arlindo da Costa permalink
      9 Outubro, 2017 19:43

      O negacionismo faz parte das ideologias extremistas.

      A Drª Helena ainda sonha com o Homem Novo da Revolução Cultural Chinesa e do programa pol-potista para acabar com essas coisas da pequena burguesia que é ter uma língua própria, viva e preservada.

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